quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

RUA DA ATALAIA

Rua da Atalaia - (actual) Autor desconhecido in Por um Fio-Blog - (com os meus agradecimentos)
Rua da Atalaia - (1968) Foto Armando Serôdio (Casa dos Móveis Olaio) in AFML

Rua da Atalaia - (entre 1898 a 1908) Fotógrafo não identificado in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa

Rua da Atalaia - (entre 1898 a 1908) Fotógrafo não identificado - in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa
A RUA DA ATALAIA pertence à freguesia da ENCARNAÇÃO. Começa no Largo do Calhariz e termina na Rua da Rosa no número 200.

O Bairro Alto cuja arquitectura remonta a finais do século XVIII, com os seus andares de águas furtadas e varandas de ferro forjado, dão-lhe um aspecto típico. Apresenta, todavia, características de remodelação posteriores: cobertura exterior de azulejos de tipo "industrial", janelas porta e pintura.
Assim nos diz o mestre e grande olisipógrafo Norberto de Araújo nas suas "Peregrinações em Lisboa" volume VI página 46. «A Rua da Atalaia, onde ainda o pitoresco do sítio, no semblante dos edifícios, nos prèdiozinhos côr de rosa, de ressalto e empena de bico, nos velhos palácios adormecidos sem fidalgos, com a sua nota de poesia e côr nos canteiros floridos das sacadas, com o seu tumulto, os seus pregões, e as suas travessas e botequins.
Aqui temos na esquina a Travessa de Água de Flor, lado direito, descendo, um dos mais antigos estabelecimentos do bairro: «a casa das Iscas», no número 165. (...) O Prédio, que pertenceu a D. Emília Metrass de Campos, foi também um palácio antigo de setecentos.
Na esquina da Travessa que vai aos Inglesinhos fica o antigo Palácio Relvas, onde habitaram oa Condes de Atalaia; o primeiro andar é desde há muitos anos sede de sociedades de recreio. (...) Na esquina fronteira, com face lateral para a Travessa da Queimada, esteve o jornal [O Diário] fundado por redactores do [Século] em 1903. (...)
Estamos no cruzamento da Travessa do Poço da Cidade.
Poço da Cidade - porquê? Porque aqui haveria um poço público. Existia mesmo mais de um, e em algumas casas desta Travessa existiam ainda poços particulares».
Quanto á Travessa do Poço da Cidade, falarei deste assunto noutra ocasião.
A Rua da Atalaia constitui, ainda hoje, um bom exemplo do popular Bairro Alto plebeu e nobre ao mesmo tempo. O traçado é sinioso, cortado por ruelas e travessas, os prédios ainda apresentam um ar pitoresco, com os canteiros floridos das sacadas e as "tascas" (hoje "Snack-Bar") continuam a vender iscas e copos de vinho tal como acontecia no início do século passado.


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