segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

RUA DO PATROCÍNIO

Rua do Patrocínio, 95 a 97 - (196--) Foto João H. Goulart in AFML
Rua do Patrocínio - (1967) Foto João H. Goulart in AFML

Rua do Patrocínio - (ant. 1945) Fotógrafo não identificado ( Igreja do Patrocínio fachada principal) in AFML


Rua do Patrocínio, 61 a 63 - [s.d.] Foto João H. Goulart in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa

A RUA DO PATROCÍNIO pertence a duas freguesias. À freguesia da LAPA os números pares, à freguesia de SANTO CONDESTÁVEL os números ímpares.
Começa na Rua de Santo António à Estrela no número 136 e termina na Rua Saraiva de Carvalho no número 131.
A RUA DO PATROCÍNIO notabilizou-se por aí se localizar o cemitério Alemão. Foi instalado em terrenos cedidos pelo comerciante Nicolau Lubeck, perto da Igreja de Nossa Senhora das Dores (1780) que serve a comunidade alemã.
Este templo serviu de paróquia do Santo Condestável desde a criação da freguesia eclesiástica até à inauguração da nova igreja. Nesta mesma artéria existiu um Convento da Congregação do Senhor da Boa Morte e Caridade, fundado em 1736 e alterado em 1840. Muito modificado, o Convento da Boa Morte tinha, em parte, uma ocupação religiosa e de assistência, a cargo das religiosas franciscanas missionárias de Maria. Na Capela podia ser observada a imagem do Senhor Jesus da Boa Morte, esculpido em pedra pelo mestre canteiro António dos Santos, em 1725.
Presentemente sabe-se que tanto a Igreja como o Convento existentes na Rua do Patrocínio esquinando com a Rua Possidónio da Silva, foram demolidos e no seu lugar estava em 1943 um edifício da Fazenda Pública arrendado à Assistência Infantil de Santa Isabel (1).
Nesta rua existe (desactivada) uma igreja de Nª Srª. das Dores, construída ao mesmo tempo que a Basílica da Estrêla, com os materiais remanescentes desta.
A Igreja, também conhecida por Igreja do Patrocínio, foi escolhida em 1934 pelo Cardeal Cerejeira, para paróquia provisória do Beato Nuno Álvares, enquanto se construía a nova Igreja do Santo Condestável que teve início em 1946.
Segundo Mestre Norberto de Araújo, apesar de ter sido esta rua rasgada já antes do terramoto de 1755, a sua urbanização só se inicia na transição do século XVIII para o XIX.
Nesta rua encontram-se ainda as mais antigas casas de toda a freguesia. Destaca-se o número 41 a 43, com empenas em bloco de dois registos de azulejos, setecentistas, representando Nossa Senhora da Piedade e S. Francisco Borja.
Actualmente é uma rua relativamente movimentada, abrindo o percurso com um simpático restaurante à sua esquerda e uma nota histórica à direita. Referimo-nos ao palacete com frente já na Rua de Santo António, onde está inscrita uma lápide que nos informa dali terem partido os primeiros tiros anunciando a revolução republicana de 1910.
Descendo em direcção à Rua Saraiva de Carvalho, encontramos algumas ilhas de arquitectura moderna. Quase ao fundo, à esquerda, a intervenção da fé germânica, desta feita com o necessário local de culto.

(1) - A. Vieira da Silva -«As freguesias de Lisboa (Estudo Histórico)», Lisboa 1943 página 79

2 comentários:

Anónimo disse...

Gostei muito do artigo, muito interessante, parabéns!

APS disse...

Caro Anónimo
Muito agradecido pelas suas amáveis palavras a este blogue.
Volte sempre.
Cumprimentos
APS