domingo, 4 de maio de 2008

PRAÇA DO PRÍNCIPE REAL [ II ]

Praça do Príncipe Real, 26 - (2006) Fotógrafo não identificado (Palacete Ribeiro da Cunha) in kwayneheil.com
Praça do Príncipe Real - (1982) - Foto de Neves Águas (Quiosque da Praça) in AFML

Praça do Príncipe Real, 21-23 - (195-) Foto de Artur Goulart (Palacete dos Anjos) in Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa


(CONTINUAÇÃO)
PRAÇA DO PRÍNCIPE REAL
«TERRAS DA COTOVIA»
Por Terras da Cotovia era conhecida toda a zona compreendida entre os Moinhos de Vento (actual Rua D. Pedro V) e o Rato, com extensões de um lado para o sítio da actual Praça das Flores e do outro para a Praça da Alegria. No local onde hoje temos o Príncipe Real, ficavam, no século XVI, os Chãos da Ferroa (alusão a uma abastada proprietária local), embora nunca faltasse quem desse ao sítio o nome de «ALTO DA COTOVIA».
Já no século XVIII, decidiu o então Conde de Tarouca, João Gomes da Silva Teles, (filho do primeiro Marquês do Alegrete, que recebeu do casamento o condado de Tarouca), incluir os terrenos da Cotovia, onde projecta erguer um grandioso palácio. A obra projectada era sumptuosa e dava tanto nas vistas que o povo de pronto crismou o largo de «SÍTIO DAS OBRAS DO CONDE TAROUCA» ou «TERRAS DO CONDE DE TAROUCA».
O pior é que, segundo consta, o dinheiro não chegou para tamanha construção e em 1738 o lixo por ali crescia, transformando-se a breve trecho num vazadouro do Bairro Alto.
Após a morte do Conde de Tarouca as suas terras são vendidas pelo seu sucessor, o Marquês de Penalva, ao Colégio das Missões dos padres da Companhia de Jesus, proprietários dos terrenos vizinhos.
Segundo Francisco Santana, projectou-se depois para o Largo, um Colégio das Missões.
Começaram os trabalhos de limpeza e quase logo a seguir veio o terramoto.
Sebastião José de Carvalho e Melo destina o terreno para o acampamento dos regimentos militares, com missão de manter a ordem e a segurança na cidade. Estes acampamentos permaneceram por muitos anos, ocupando toda a encosta sul da actual Praça do Príncipe Real, dando nome à Travessa do Abarracamento de Peniche.
Nos meses que se seguiram ao terramoto o lugar teve diversas utilizações sendo uma delas o sítio de uma forca ali instalada.
A catástrofe obrigou a aproveitar o que restava das obras do Conde Tarouca para se albergar provisoriamente a Paróquia da Encarnação.
Em breve, porém muitos desalojados ali procuraram refugio. E dai passou rapidamente para sede privilegiada de marginais - vadios e fugitivos. Quando se vê nos dias de hoje, prédios entaipados para evitar a sua invasão por indesejáveis, não se pense que é fenómeno inteiramente novo.
Pensou-se então em função digna para a amena Praça da Cotovia: construir ali a Basílica Patriarcal. A que existia, assenta na Capela Real no Paço da Ribeira, tinha ardido a seguir ao sismo.
(CONTINUA) - (Próximo - «A PATRIARCAL»

Enviar um comentário