terça-feira, 28 de julho de 2009

PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) [XIV]

Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (2009) -(A esplanada da Pastelaria Suíça) - Foto gentilmente cedida por Rafael Santos do Blog «DIÁRIO DO TRIPULANTE»
Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (2009) (A PÉROLA DO ROSSIO, Chás e Cafés na actualidade) Foto gentilmente cedida por Rafael Santos do Blog «DIÁRIO DO TRIPULANTE»

Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (2005) - Foto de APS (Pastelaria Suíça, no primeiro andar funcionou as Sociedades Reunidas Reis, Lda.) ARQUIVO/APS


Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (1967) foto de Garcia Nunes (Pastelaria Suíça) in AFML



Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (1961) - Foto de Armando Serôdio (Pastelaria Suíça no quarteirão à direita. Em cima dos edifícios os magníficos reclames luminosos do Rossio) in AFML
(CONTINUAÇÃO)
PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) [XIV]
«ALGUNS ESTABELECIMENTOS DO ROSSIO (3)»
No último bloco do quarteirão no lado Oriental do Rossio, dos números 96 a 101 funciona a «PASTELARIA SUÍÇA» desde o século passado. O seu nome foi adoptado de uma «CASA SUISSA» datada de 1910. O nome inicial desta pastelaria em escrita antiga era representado por «SUISSA». Diz-se que a «PASTELARIA SUÍÇA» como local de convívio, viria a tirar vantagem aos cafés do lado oposto da Praça.
No início estava instalada só nos números 96 e 98, os restantes números foram adquiridos a uma casa de lanifícios.
Na porta com o número 102 no primeiro andar existiu uma firma com o nome «SOCIEDADES REUNIDAS REIS, LDA.» que se dedicava ao comércio de adubos.
Os números 103 e 104 pertencem à «GELADARIA» da qual a proprietária é a «PASTELARIA SUÍÇA». Anteriormente no número 103 existia uma loja para venda de artigos Militares ligado à firma «JORGE & SANTOS».
No número 105 temos a «PÉROLA DO ROSSIO», chás e cafés, desde os anos 20 do século passado.
Nos números 108 a 112 encontramos a «CAMISARIA MODERNA» do Rossio 110, fundada no ano de 1932 por ANTÓNIO REGOJO RODRIGUEZ. Começou por ocupar os dois primeiros números, os restantes pertenciam à família «GUISADO», com o seu célebre restaurante «IRMÃOS UNIDOS», onde se reunia o grupo do «ORPHEU» o restaurante durou até finais dos anos sessenta do século passado e funcionava nos números 111 e 112, hoje pertença da loja dos pássaros. A «CAMISARIA MODERNA» tinha um "slongan" muito usado na época, em anúncios publicitários: «Entre como cliente e saia como amigo pela atenção prestada».
Faltou-nos falar do «MAISON LOUVRE» de roupas de criança, da «TABACARIA LUSITÂNIA», do «HOTEL FRANCFORT» da «CAMISARIA PRIMAZ» à esquina da Betesga, da «CASA DA SORTE», «SUCURSAL DE O SÉCULO», da «TABACARIA PHOENIX» da cutelaria «TOLEDANA» e outros estabelecimentos que certamente ficaram por referenciar.
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) -«PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) [XV] - O CAFÉ CHAVE DE OURO»

domingo, 26 de julho de 2009

PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) [XIII]

Praça D. Pedro IV (ROSSIO), 72-73 - (2009) (Chapelaria de Azevedo Rua no ROSSIO) - Foto gentilmente cedida por Rafael Santos do BLOG «DIÁRIO DO TRIPULANTE»
Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (2009)- (Café Nicola no Rossio) Foto gentilmente cedida por Rafael Santos do Blog «DIÁRIO DO TRIPULANTE»

Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (2000) - Fotógrafo não identificado (Estátua do BOCAGE no Café Nicola) in CENTRO DE ESTUDOS BOCAGEANOS


Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (1960) Fotógrafo não identificado (Brasileira do Rossio quando encerrou no ano de 1960) in AFML
(CONTINUAÇÃO)
«PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) [XIII]
«ALGUNS ESTABELECIMENTOS DO ROSSIO (2)»
A «FARMÁCIA AZEVEDOS» situada nos números 31 a 33, era local de Tertúlia de «NICOLAU TULENTINO», facto, que, para uma listagem de pergaminhos literários do ROSSIO, pode acrescentar-se às tradições do «NICOLA», do «BOTEQUIM DO PARRAS» e de «TABACARIA MÓNACO», à presença de livreiros.
Nos números 42 e 43 existiu a «CASA TRAVASSOS» com venda de lotarias desde 1929. A seguir, nos números 45 a 50 existe uma agência de viagens bastante grande a «MARCUS & HARTING,Lda.» que já existia na década de 20 do século passado.
Se o «NICOLA», adaptado a condicionalismos novos, sobrevive como café, se, nos números 64 e 65, o «CAFÉ GELO», transformado em «SNACK-BAR», hoje aparece renovado de aspecto mais bonito, outros não resistiram à evolução dos hábitos a às premencias da economia e foram desaparecendo: os cafés «O CHAVE DE OURO», «A BRASILEIRA» o «PORTUGAL», que funcionaram respectivamente, nos números 34 a 38, 51 a 53 e 56 a 58.
A «FARMÁCIA ESTÁCIO» está nos números 60 a 63, recuando à origem das farmácias a «AZEVEDOS» é do século XVIII e a «ESTÁCIO» de 1882.
Aqui, nos quarteirões orientais, era vasto o rol de chapelarias, retrosarias, lojas de fazendas e rouparia. Aqui estava a «CHAPELARIA COSTA», a «CHAPELARIA DA GERTRUDES», a «RETROSARIA VIZELLA» e a «RETROSARIA BOTÕES DE OURO» cuja sua fundação é de 1860, estava instalada no número 86 do «ROSSIO» hoje no mesmo lugar está a «TOPLESS» desde o ano de 1990. Como curiosidade, no armazém desta loja podemos observar um dos arcos do antigo «HOSPITAL REAL DE TODOS-OS-SANTOS». Neste lado do «ROSSIO» ficava também a «CASA GRANDELLA» de FRANCISCO DE ALMEIDA GRANDELLA, que a abriu poucos anos antes de se lançar no «CHIADO» com os seus «GRANDES ARMAZÉNS GRANDELLA». Em 1880, nesse espaço, instalava-se a «LOJA DO POVO», hoje profusamente remodelada. Em 1886, um outro chapeleiro abria uma casa neste lado do «ROSSIO» nos números 72 e 73, «MANUEL d'AQUINO AZEVEDO RUA» começava então o seu negócio com uma pequena loja de venda de chapéus, para pouco tempo depois o alargar com mais outra loja um pouco mais à frente. A manter a tradição dos chapeleiros do «ROSSIO», a loja de «AZEVEDO RUA» ainda lá se encontra, explorada agora pelos seus herdeiros.
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) [XIV)-ALGUNS ESTABELECIMENTOS DO ROSSIO (3)»

quarta-feira, 22 de julho de 2009

PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) [XII]

Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (2008) Foto de APS (A Sucursal do "DIÁRIO DE NOTÍCIAS" no Rossio) ARQUIVO/APS
Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (2005) Foto de APS ( "A TENDINHA" no Rossio) ARQUIVO/APS

Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (1944) Foto de Eduardo Portugal (Arco do Bandeira) in AFML


Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (200_) Fotógrafo não identificado ("HOTEL METRÓPOLE" no Rossio na actualidade) in HOTEL METRÓPOLE



Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (entre 1913 e 1916) - Fotógrafo não identificado (O "HOTEL METRÓPOLE" no Rossio, a escada que lhe dá acesso fica entre o "Snack-Bar PIC-NIC" e a Farmácia Azevedos) in AMFL
(CONTINUAÇÃO)
PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) [XII]
«ALGUNS ESTABELECIMENTOS DO ROSSIO (1)»
Hoje como ontem, o «ROSSIO» continua a ser a PRAÇA nobre por excelência. Para isso tem contribuído todo o seu comércio envolvente, dinâmico e renovador.
Com esta nossa apresentação do local do «ROSSIO», destacaremos de certo modo e de maneira aleatória, alguns nomes de estabelecimentos mais conhecidos em épocas diferentes.
Vamos começar pelo lado Sul do «ROSSIO».
Instalada nos números 1, 2 e 3 a «LOJA DAS MEIAS» (fundada em 1904, antes teria sido um talho, uma loja de fazendas de «JOAQUIM ANTÓNIO VIEIRA»). Finalizou os seus dias neste lugar com a "aparência da década de 60", embora o arquitecto «RAUL LINO» nos anos 30 lhe tivesse introduzido uma fachada «DECO». Actualmente está instalada num Centro Comercial de Lisboa.
Nos números 4 e 5 existiu um pronto a vestir, era a «CASA FONSECA» que ali permaneceu até 1986.
«A TENDINHA» instalada no número 6 fundada em 1840, é das mais antigas casas do «ROSSIO» e está ligada a uma certa tradição boémica, fornece à muito tempo a tradicional ginginha (com e sem elas). Ainda «JOSÉ GALHARDO» se inspirou nesta casa para lhe dedicar o fado « A TENDINHA» - Junto ao ARCO DO BANDEIRA/ Há uma loja, A TENDINHA/ De aspecto rasca e banal;/Na história da bebedeira/Aquela casa velhinha/ É um padrão imortal!/ Velha Taberna/ Nesta LISBOA moderna,/ És a tasca humilde eterna,/ Que mantém a tradição;/ Velha TENDINHA,/ És o tempo da pinguinha/ Dos dois brancos, de ginjinha/ Da boémia e do pifão.
Ainda no dizer do mestre «NORBERTO DE ARAÚJO» nas suas «PEREGRINAÇÕES EM LISBOA» Foi neste Botequim que «MALHOA» descobriu o «AMÂNCIO» fadista, ladrilhador de ofício, o modelo do seu célebre quadro «O FADO» (1).
Esta casa é contemporânea aos «MARIALVAS», do «BOCAGE» e ao primeiro «NICOLA».
Logo a seguir ao «ARCO DO BANDEIRA» antes da esquina com a «RUA DO OURO», nos números 7, 8 e 9 existiu desde 1926 a «OURIVESARIA FERREIRA MARQUES & FILHO» fechada nos anos 90 do século passado, ali existiu ainda em 1910 uma loja de fazendas.
A «SUCURSAL DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS» tem o número de polícia 10, 11 e 12, inaugurada em 1938, nos anos de (1860 a 1937) tinha sido uma camisaria.
Passamos agora para o quarteirão Sul da Praça junto à «RUA ÁUREA (Vulgo OURO)».
No número 13 existe uma tabacaria desde 1931. Vamos deixar alguns números para trás e passamos para o número 21, onde encontramos a «TABACARIA MÓNACO», fundada nos anos 70 do século XIX, célebre pelas suas tradições literárias e artísticas, em 1893 foram~lhe colocados os azulejos de «RAFAEL BORDALO».
Com os números 24 e 25 temos o «NICOLA» café inaugurado em 2 de Outubro de 1929, situa-se no local onde até 1837, existiu o antigo «NICOLA», que «BOCAGE» frequentou.
Onde encontramos o «SNACK-BAR PIC NIC» existiu entre 1790-1850 o célebre «BOTEQUIM DO PARRAS» de «JOSÉ PEDRO DA SILVA», antigo empregado do «NICOLA». Ainda nos números 27 a 29 funcionou a «TABACARIA GUSMÃO» e no ano de 1916 ali nasceu a «LEITARIA LUSO-CENTRAL» famosa pelas cabeças de vacas esculpidas na sua cantaria.
No número 30 ainda funciona o «HOTEL METRÓPOLE» desde 1928, com vista privilegiada sobre o «ROSSIO», «CASTELO DE SÃO JORGE» e possui 36 quartos.
O prédio onde está instalado este hotel era pertença da «IRMANDADE DE S. BARTOLOMEU DOS ALEMÃES» que, em 1914 lhe alteraram lamentavelmente a sua linha arquitectónica, deixando de seguir a linha pombalina. Nesta local ainda esteve, também, uma «SOCIEDADE HOTELEIRA ALEMû.
(1) - «PEREGRINAÇÕES EM LISBOA» - Volume XII página 75
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) [XIII] - ALGUNS ESTABELECIMENTOS DO ROSSIO (2)»

domingo, 19 de julho de 2009

PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) [XI]

Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (2008) - Foto de APS - A Praça do ROSSIO com o seu monumento a D. Pedro IV) ARQUIVO/APS
Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (2009) -(Um pormenor do Monumento a D. Pedro IV no Rossio) - Foto gentilmente cedida por Rafael Santos do BLOG «DIÁRIO DO TRIPULANTE»

Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (2009) -(Monumento a D. Pedro IV no ROSSIO) - Foto gentilmente cedida por Rafael Santos do BLOG «DIÁRIO DO TRIPULANTE»




Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (Depois de 1919) Foto de Paulo Guedes (Praça D. Pedro IV panorâmica) in AFML
(CONTINUAÇÃO)
PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) [XI]
«ESTÁTUA A D. PEDRO IV (2)»
Uma das lendas lisboetas a que urge pôr fim (porque em nada nos honra) é a pretensa substituição da estátua, segundo a qual teríamos sido vigarizados.
De facto, há muitos anos que alguém inventou a história de que a estátua que vemos no ROSSIO não representa de facto «D. PEDRO IV», mas, sim, o Imperador «MAXIMILIANO» do México.
A escultura deste Imperador teria sido encomendada e depois rejeitada pelos mexicanos, logo que o Imperador foi destituído. Os autores tê-la-iam então impingido a Lisboa como sendo o nosso soberano, e nós, "pacóvios", comeríamos "gato por lebre".
Ora, o certo é que, para a execução do monumento. foi aberto concurso internacional com 87 projectos. Mesmo que os portugueses fossem todos parvos, custa a crer que nenhum dos outros concorrentes dessem pela marosca e não protestassem.
Mas não se fica a argumentação por aí: o jornalista e escritor «ROCHA MARTINS» provou que as feições da escultura do Rossio, as medidas, a concepção, o desenho, tudo correspondia exactamente ao projecto apresentado pelos artistas franceses que ganharam o concurso.
Entretanto, a tecnologia evoluiu e as teleobjectivas permitem hoje fotografar «D. PEDRO IV», lá no alto do pedestal e bastará comparar o resultado com o original e as gravuras da época para se concluir que é mesmo o rei-soldado quem está lá em cima.
A recente limpeza feita à estátua veio ainda demonstrar que até os botões da farda envergada pelo rei têm o escudo português.
Mas a lenda patética do «MAXIMILIANO» continua espalhada por aí, até por gente com responsabilidades... Muito gostamos nós de nos amesquinharmos...
A estátua passou a ser ladeada no ano de 1889 por dois monumentais lagos de pedra, com as figuras de ferro bronzeado, fundidas em «VAL d'OSNE», França, em substituição de dois poços que existiam no mesmo local desde o ano de 1837.
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) [XII] - ALGUNS ESTABELECIMENTOS DO ROSSIO (1)»

quarta-feira, 15 de julho de 2009

PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) [X]

Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (2008) foto de APS (Estátua de D. Pedro IV no centro do ROSSIO e seu tapete ondulado) ARQUIVO/APS
Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (1862) - Fotógrafo não identificado (O ROSSIO no dia do casamento do rei D. Luís com D. Maria Pia, tendo sido colocada ao centro uma coluna evocativa) in AFML

Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (1858) - (Albumina de Amédée Lemaire de Ternante. Colecção Alcídia e Luís Viegas Belchior - (CPF/ANTT/MC) (Praça do Rossio ao fundo o Teatro D. Maria II e o "GALHETEIRO") in LXREVISITED

(CONTINUAÇÃO)

PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) [X]

«A ESTÁTUA A D. PEDRO IV - (1)»

Cedo quis o regime liberal auto glorificar-se com um monumento e, certamente por ser considerado o mais significativo espaço citadino, foi no «ROSSIO» que em 15.09.1821 foi lançada a primeira pedra a tal monumento.
Todavia a ideia não foi avante e, décadas volvidas em 17.07.1852, foi de novo lançada a pedra fundamental de outro monumento, agora em honra de D. Pedro (registe-se que a homenagem passou a dar nome à Praça em 1836), objecto de contundentes críticas, crismado popularmente do chamado «GALHETEIRO», não chegou a ser concluído e, depois de ter servido de base a coluna comemorativa do casamento de D. Pedro V com D. Estefânia em 1858, ainda foi utilizado para os festejos de outro casamento em 1862, entre o Rei D. Luís e D. Maria Pia.
As quatro estátuas que ornavam o pedestal, representando a «ÁFRICA», a «EUROPA», a «ÁSIA» e a «OCEÂNIA», encontram-se no Palácio de Queluz, em redor da estátua de «D. MARIA I», depois de terem passado pela «AVENIDA DA LIBERDADE». Finalmente o resto do conjunto foi mandado demolir em 25.02.1864.



A actual estátua de «D. PEDRO IV» e pedestal, escolhidos entre 87 projectos, foi inaugurada em 29.04.1870.
A concepção é dos franceses «ELIAS ROBERT» (escultor) e «JEAN DAVIOUD» (arquitecto), que venceram o concurso aberto a todos os pontos da Europa, mas a sua construção é de «GERMANO JOSÉ SALES».
Diz-nos o mestre «NORBERTO DE ARAÚJO»: "o pedestal é de mármore dos Montes Claros, e a Coluna Coríntia, canelada, foi arrancada de «PERO PINHEIRO», a base é de granito dos arredores do «PORTO».
Essas figuras nos ângulos da base do pedestal representam a «JUSTIÇA», a «PRUDÊNCIA», a «MODERAÇÃO», A «FORTALEZA»; quatro figuras, em baixo relevo, adornam a parte superior do fuste. O segundo envasamento é ornamentado com os escudos de dezasseis cidades do país.
E lá em cima, a 18 metros de altura, no bronze «eterno», «D. PEDRO IV», em general, coberto os ombros pelo «Régio manto», cabeça coroada de louros"(1).

(1) - Peregrinações em Lisboa, Volume XII página 68.
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) [XI] -A ESTÁTUA A D. PEDRO IV (2)»

sábado, 11 de julho de 2009

PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) [IX]

Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (2008) - Foto de APS (Teatro D. Maria II no ROSSIO) ARQUIVO/APS
Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (2005) - Foto de APS ( ROSSIO ao fundo o Teatro D. Maria II) ARQUIVO/APS


Praça D. Pedro (ROSSIO) - (2007) Fotógrafo não identificado (Vista aérea do ROSSIO na actualidade in REVELARLX
(CONTINUAÇÃO)
PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) - [IX]
«TEATRO NACIONAL D. MARIA II (2)»
Se no exterior não se notam grandes diferenças entre o «TEATRO NACIONAL D. MARIA II» (chamado de Almeida Garrett na I República) de 1846 e o que está à nossa vista no ROSSIO, já o mesmo não é possível dizer no interior. Na verdade, pode falar-se em dois Teatros; um que durou até ao incêndio de 2 de Dezembro de 1964 e outro que resultou da reconstrução terminada em 1978.
Vista do ROSSIO, a imagem é a que figura em todas as estampas e constitui um dos ex-libris da cidade: lá estão as seis colunas jónicas, que sabemos terem pertencido ao grande «CONVENTO DE S.FRANCISCO» (na zona do Chiado, onde temos hoje o GOVERNO CÍVIL DE LISBOA e outras instituições), e o frontão magnifico, ostenta ao alto a figura do "pai do teatro português", «GIL VICENTE», esculpida por FRANCISCO ASSIS RODRIGUES, rodeado pelas musas da tragédia e da comédia, respectivamente «MELPÓMENE» e «TÁLIA», tendo por baixo «APOLO» e sete Musas.
Dos lados, do «LARGO D. JOÃO DA CÂMARA» e do «LARGO DE SÃO DOMINGOS», mantêm-se as varandas decorativas, sobre átrios em arcada.
Dentro, tudo mudou: o fogo levou a antiga sala branca, as pinturas de ANTÓNIO MANUEL DA FONSECA e de COLUMBANO BORDALO PINHEIRO, os camarotes de três ordens e até os tubos acústicos metidos nas paredes, que permitiam, em tempos remotos, que os espectadores dos lugares mais altos fizessem os seus pedidos ao botequim, esperando depois que os empregados lá fossem levar o encomendado.
O «TEATRO NACIONAL D. MARIA II» passou em 2003 a Monumento Nacional o vetusto edifício onde pontificaram muitos dos maiores actores portugueses de sempre. O público espectador regozija-se e deseja que também o recheio (as peças) sejam de molde a reencaminhar as multidões para o ROSSIO.
Um dos últimos sucessos desta sala, na década de noventa do século passado deveu-se à representação de «PASSA POR MIM NO ROSSIO» a revista portuguesa revisitada por «LA FÉRIA» homenagem apoteótica ao actor, ao teatro português e à CIDADE DE LISBOA. Ali foi lembrada a família do teatro português como: ESTÊVÃO AMARANTE, LUÍSA SATANELA, MIRITA CASIMIRO, LAURA ALVES, VASCO SANTANA e BEATRIZ COSTA, na interpretação dos actores CURADO RIBEIRO, EUNICE MUÑOZ, JOÃO PERRY, RUY DE CARVALHO, VARELA SILVA, RITA RIBEIRO, SIMONE DE OLIVEIRA e muitos outros.
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) -«PRAÇA D. PEDRO IV(ROSSIO) [X] -A ESTÁTUA A D. PEDRO IV (1)»

quarta-feira, 8 de julho de 2009

PRAÇA D.PEDRO IV (ROSSIO) [VIII]

Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (2005) Foto de APS (O Rossio ao fundo o Teatro D. Maria II) ARQUIVO/APS

Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (2006) Fotógrafo não identificado (Maqueta do Teatro Nacional D. Maria II) in BAIXAPOMBALINA
(CONTINUAÇÃO)
PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) - [VIII]
«TEATRO NACIONAL D. MARIA II (1)»
«ALMEIDA GARRETT» não era homem para soluções de meias-tintas. Assim, bem cedo começou a pugnar nas Cortes pela edificação de um teatro digno desse nome, que não envergonhasse e antes enobrecesse a capital do reino, uma casa que fosse para a representação o que o S. Carlos já era para a música. No mesmo campo lutava o Governador Civil de Lisboa, «JOAQUIM LARCHER».
Estava-se em 1836.
Claro que, como é costume nestas coisas na nossa terra, os anos foram passando; houve tentativas, sociedades financeiras, projectos... Garrett não desanimava e, como deputado, propunha a construção do «TEATRO PORTUGUÊS» (o primitivo nome) e sugeria como local ideal o «ROSSIO», no sítio onde se viam então as ruínas do velho edifício da Inquisição (que ardera um tempo antes) e onde existira, antes ainda, o Palácio dos Estaus.
Finalmente, em 1841, o Estado comprou o terreno e as obras começaram um ano depois.
Foi aberto concurso público Internacional, mas os trabalhos acabaram por ser confiados ao arquitecto «FORTUNATO LODI».
Os episódios de inauguração nada ficam a dever às mais tradicionais comédias portuguesas: antes de estar concluído o edifício e até a fachada, decidiu a rainha festejar o aniversário de seu marido, o rei consorte «D. FERNANDO»; a sala abriu assim em finais de Outubro de 1845 para umas representações e logo voltou a fechar para que se pudessem acabar as obras. Ficou então decidido que, estando tudo terminado, a inauguração oficial fosse em 4 de Abril de 1846, data do aniversário de D. Maria II. É claro que existiu uns pormenores de última hora, e a soberana aniversariante teve de festejar a 13, data em que finalmente as portas abriram.
Representou-se o drama «ÁLVARO GONÇALVES, O MAGRIÇO» ou «OS DOZE DE INGLATERRA», de um autor que só por isto passou à história, «JACINTO HELIODORO LOUREIRO».
Mas a data de 4 de Abril estava destinada a ser celebrada com toda a dignidade no «TEATRO NACIONAL»: foi nesse dia, de 1850, que ali teve lugar a estreia de «FREI LUÍS DE SOUSA», a peça de GARRETT que mantém o título de "a mais representada" naquela sala.
No dia 2 de Dezembro de 1964, um grande incêndio destruiu implacavelmente o magnifico «TEATRO D. MARIA II». Lisboa, sensível com os seus artistas, leva abraços de solidariedade a «AMÉLIA REY COLAÇO» e a «MARIANA REY MONTEIRO», que tudo viam ruir à sua volta.
Dos belos e ricos guarda-roupas nada restava. Os cenários, os camarins, tudo reduzido a cinzas.
Desaparecia para sempre uma das obras mais importantes de «COLUMBANO»: a decoração do tecto com 20 metros de diâmetro, por muitos considerada como a mais difícil composição executada pelo célebre pintor. O governo entretanto anunciava que o teatro ia ser reconstruído, respeitando-se a sua traça primitiva.
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) [IX] - TEATRO NACIONAL D. MARIA II (2)»

domingo, 5 de julho de 2009

PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) [VII]

Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (Século XIX) - Desenho de Alberto para o «ARCHIVO PITTORESCO» (O Palácio dos Estaus ou Paço dos Estaus, foi depois sede da Inquisição e após incêndio em 1836 daria lugar ao Teatro D. Maria II) in WIKIPEDIA
Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (c. 1715) - Gravura de Colmenar (A procissão de um auto-de-fé, saindo do Palácio da Inquisição no Rossio) in história6ano.blogpot.com

(CONTINUAÇÃO)

PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) [VII]

«PALÁCIO DOS ESTAUS DEPOIS PALÁCIO DA INQUISIÇÃO»

Na parte Norte do velho ROSSIO no sítio onde se instalou o Teatro D. Maria II embora a um pouco mais sobre o poente, foi construído no começo do século XV, o famoso «PAÇO DOS ESTAUS», segundo se crê pelo infante D. Pedro (o mais nobre dos filhos de D. João I), servia esse edifício para albergar Reis, príncipes e embaixadores estrangeiros que visitassem Lisboa. Além de sala de estar o «ROSSIO» era também quarto de hospedes de honra.
Conta-nos Júlio de Castilho na sua «LISBOA ANTIGA» Volume X página 44 que: "Serviu o Palácio do Rossio à embaixada do imperador Frederico III da Alemanha, logo em 1451, quando cá veio uma especial missão negociar o casamento da nossa infanta «LEONOR»(?). (...) Que devia ser um Paço opulento para aquele século, é bem de presumir. Por dentro imagina-se estaria adornado de mobílias ricas, e aconchegado das magnificas tapeçarias em que éramos tão profusos outrora.
O edifício compunha-se de dois andares por cima de um rés-do-chão, o primeiro com 14 janelas, o segundo com outras tantas, a parte central era coroada por um frontão triangular decorado com um brasão das armas reais e dominado por uma estátua representando a «», de Machado de Castro. A última particularidade arquitectónica notável desta parte da fachada era um enorme balcão de pedra dominado por um frontão barroco. Debaixo deste balcão abria-se um portal com silhares refendados.
Este Palácio já não existe mas se quisermos fazer uma ideia de como ele se apresentava, podemos olhar o corpo central da fachada Sul sobre o Rossio - o chamado «ARCO DO BANDEIRA» - a varanda sobre ele se rasga, tal qual como o pórtico da Casa do Santo Ofício.
O «Palácio dos Estaus» na primeira metade de quinhentos viu este espaço ser convertido em casa da Inquisição (tendo-se esta organização estabelecido inicialmente no Convento da Trindade em 1536). Foram executadas muitas obras e ampliações no Paço, especialmente na construção dos terríficos cárceres. A área do Palácio era enorme, jardins e anexos, mas a Inquisição dominava tudo.
Em 1755 com o terramoto o Palácio e todo o «ROSSIO» não passava de ruínas e escombros fumegantes. Mas rapidamente o «PALÁCIO DA INQUISIÇÃO» foi mandado reedificar.
A Inquisição voltou a funcionar no edifício até que o Santo Ofício - já muito abalado no seu puder - foi extinto em 31 de Maio de 1821.
Diz-nos ainda Norberto de Araújo que: "depois de 1821 instalaram-se na antiga Inquisição vários estabelecimentos e instituições públicas, entre as quais a «ACADEMIA REAL DE FORTIFICAÇÕES» e a «ESCOLA DO EXÉRCITO», a «INTENDÊNCIA GERAL DA POLÍCIA», o «TESOURO PÚBLICO», que sucedia ao «ERÁRIO PÚBLICO RÉGIO», e a «CÂMARA DOS PARES» em 1826.
Em 14 de Julho de 1836 um incêndio pavoroso devorou todo o edifício de que só ficaram as paredes. Pensou-se em reedificar o Palácio, mas desistiu-se da ideia; em 1841 o Governo e a Câmara chegaram a um acordo integrando-se as ruínas e seu chão nos «Próprios Nacionais». Almeida Garrett estava atento, mais tarde ali se iria erguer o «TEATRO NACIONAL D. MARIA II». (1)
(1) - «PEREGRINAÇÕES EM LISBOA» Livro XII página 64.
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) [VIII] -TEATRO NACIONAL D. MARIA II (1)»


quarta-feira, 1 de julho de 2009

PRAÇA D. PEDRO IV (ROSSIO) [VI]

Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (2008) Foto de APS (O ROSSIO com o seu empedrado representando as ondas do mar) ARQUIVO/APS
Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (2008) Foto de APS (O ROSSIO com as lojas das floristas e ao fundo o café NICOLA) ARQUIVO/APS

Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (ant. a 1919) Foto de Manuel Tavares (O ROSSIO já com a estátua e as duas fontes) in AFML


Praça D. Pedro IV (ROSSIO) - (1864 ?) - Fotógrafo não identificado (O ROSSIO depois da demolição do primeiro monumento a D. Pedro IV e após a colocação do empedrado às ondas) in AFML
(CONTINUAÇÃO)
«PRAÇA D.PEDRO IV (ROSSIO) [VI]»
«O NOVO EMPEDRADO»
Existem em Lisboa duas Praças muito emblemáticas que merecem o nosso especial destaque: uma será o «TERREIRO DO PAÇO» (que desenvolveremos noutra ocasião) outra é o "nosso" «ROSSIO».
Curiosamente tanto uma como outra, não usam os nomes que são os autênticos, preferindo as designações alfacinhas às que constam nos registos: «PRAÇA DO COMÉRCIO» e «PRAÇA D. PEDRO IV».
A Praça que vimos a tratar merece o nosso destaque pois trata-se da primeira sala de estar de Lisboa.
O «TAPETE EMPEDRADO», às ondas pretas e brancas foi construído entre 1848 e 1849 por presos condenados a trabalhos comunitários. Vinham do Castelo de São Jorge para executarem as ideias do General Eusébio Furtado. Este espaço foi arborizado por decisão da Câmara em 1861.
O tapete viria a desaparecer aos poucos e na década de 1920, para facilitar o trânsito dos eléctricos, ficando um breve vestígio ao redor da estátua de D. Pedro IV.
Recentemente foi retomado o desenho original de «ONDULADO DO MAR» em calçada portuguesa. A Praça central ficou um pouco mais estreita. Agora o resto vem por acréscimo e, se parece faltar pormenores a carecerem de certo modo mais melhorias no «ROSSIO», a tarefa é mais fácil quando já se observa uma «PRAÇA» bem mais acolhedora.
No «RECADO A LISBOA» João Vilarett lembra o «ROSSIO» no seu belíssimo poema em que diz: E MESMO QUE ESTEJA FRIO/ QUE OS BARCOS FIQUEM NO RIO/ PARADOS SEM NAVEGAR/ PASSA POR MIM NO «ROSSIO»/ E LEVA-LHE O MEU OLHAR.
Também na longa história do «ROSSIO» existiu um período menos bom. Durante o reinado de D. Manuel I, teve ali lugar uma das vergonhas da História Nacional; a matança dos cristãos-novos.
Naquele recinto foram igualmente executados os Duques de Vila Real. E não se poderá esquecer que o «PALÁCIO DA INQUISIÇÃO» se situou no «ROSSIO», desde o reinado de D. João III, substituindo o «PALÁCIO DO ESTAUS» de boa memória e antecedendo o actual «TEATRO NACIONAL D. MARIA II».
Mas, enfim: pecados quem os não tem?
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