sábado, 11 de setembro de 2010

AVENIDA DA LIBERDADE [ II ]

Avenida da Liberdade - (s/d) Foto de Eduardo Portugal (PASSEIO PÚBLICO, entrada Sul, início da futura Avenida da Liberdade) in AFML
Avenida da Liberdade - (1905) Litografia Legrand (Recordação do PASSEIO PÚBLICO de Lisboa) in AFML

Avenida da Liberdade (ant. a 1879) Foto de José Artur Leitão Bárcia ( Cascata e fonte do PASSEIO PÚBLICO) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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AVENIDA DA LIBERDADE [ II ]
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«O PASSEIO PÚBLICO ( 2 )»
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A sua área de ocupação era limitada a NORTE pela zona da «ALEGRIA » e «RUA DAS PRETAS», a SUL por onde é hoje a «PRAÇA DOS RESTAURADORES». Na parte da sua extremidade setentrional passava a «RUA DO SALITRE», que seguia até à «RUA DAS PRETAS», e para NORTE ainda existiam algumas hortas até ao chamado «VALE DO PEREIRO».
Entre o «PASSEIO PÚBLICO» e as hortas ficava a «PRAÇA DA ALEGRIA DE BAIXO», ladeada ao NORTE por uma fila de prédios. Tudo isto teve de ser derrubado quando, um século depois, se construiu a «AVENIDA DA LIBERDADE».
Iniciaram-se as obras por volta de 1764. Edificados os muros e concluídos que foram, seguiu-se o jardim que não levou muito tempo a ser finalizado.
Do lado da «PRAÇA DA ALEGRIA» terminava por uma CASCATA elegante, com tanque e torneira de água. De ambos os lados partiam escadarias de cantaria muito bem lançadas, que iam terminar a um grande e lindo terraço, adornado de vasos de artístico gosto.
Duas pequenas lagoas adornavam as ruas laterais. Numa delas a estátua do «DOURO», na outra a do «TEJO», lançando água das suas belas urnas de mármore. Estas estátuas foram depois aproveitadas e colocadas na «AVENIDA DA LIBERDADE», e sabe-se que tinham vindo do «CAMPO SANT'ANA».
Em 1834, tiveram lugar grandes melhoramentos, sob a direcção do arquitecto «MALAQUIAS FERREIRA LEAL».
Dos velhos jardins da INQUISIÇÃO (no ROSSIO) seguiram para ali algumas estátuas marinhas.
Era um passeio muito concorrido da sociedade elegante, que ali passava as tardes (para cima e para baixo).
Depois da missa do meio-dia, encontravam-se ali as elegantes pretendentes ao matrimónio, e os solteirões de "boa roda".
O «PASSEIO PÚBLICO» foi, a "pira" onde arderam muitos corações, e o mundo ilusório de muitos celibatários. Era bonito ver este quadro: As meninas embrenhadas nas saias de balão com um chapéu em forma de telha, muito delgadinhas de busto. Seguidas de suas mães, muitas vezes de capote e lenço, muito usado na época. Os homens sérios seguiam a par das esposas, empertigados na sobrecasaca domingueira, absorvendo o ambiente ou lançando olhares furtivos algo cobiçoso, sobre as donzelas mais afamadas da ocasião.
Quando porém o passeio se tornava mais interessante era nas noites de iluminação.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «AVENIDA DA LIBERDADE [ III ] - O PASSEIO PÚBLICO ( 3 )»

2 comentários:

José Luís Espada Feio disse...

Mais um capítulo que se inicia(desta feita sobre uma das mais emblemáticas artérias de Lisboa), o mesmo interesse e expectativa de sempre.
cumprimentos

APS disse...

Caro José Luís Espada Feio

Realmente é uma referência a "nossa" peculiar «AVENIDA».

Conto com a sua paciência para dezanove capítulos.

Cumprimentos
APS