quarta-feira, 24 de novembro de 2010

RUA BARROS QUEIRÓS [ III ]

Rua Barros Queirós - (2008) - Foto de autor não identificado (Fachada da Igreja de São Domingos) in WIKIPÉDIA
Rua Barros Queirós - (1970) foto de Armando Serôdio (Igreja de S. Domingos, traseiras) in AFML

Rua Barros Queirós - (1959) (13 de Agosto) - Foto de Armando Serôdio (Igreja de São Domingos, no rescaldo do incêndio) in AFML

Rua Barros Queirós - (1935)? - Fotógrafo não identificado (Largo e Igreja de São Domingos) in CYCLOS GLADIATOR
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(CONTINUAÇÃO)
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RUA BARROS QUEIRÓS [ III ]
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«CONVENTO E IGREJA DE SÃO DOMINGOS (2)»
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O Terramoto de 1 de Novembro de 1755 fez cair a frontaria e a torre sineira, enquanto as paredes da Igreja se aguentaram de pé. As chamas alastraram a todo o complexo de «S. DOMINGOS», salvas a sacristia e a Capela-Mor, mas no Convento devastaram-se as ricas bibliotecas de belos livros encadernados, os manuscritos frutos centenários de muitas vigílias dos mais ilustres dominicanos, o arquivo histórico e suas fontes documentais e venerados pergaminhos.
Ainda no ano de 1755 El-Rei concedeu ao «PROVINCIAL DE S. DOMINGOS» "licença para abolir e fazer vender em haste-pública uma lista de seis Conventos, e outros se fosse necessário". Uma notícia do franciscano «FREI ANTÓNIO DO SACRAMENTO», informa que "até ao ano de 1778 tem celebrado os ofícios divinos no capítulo, porque a Igreja ainda está com sinais de devastação do fogo, e só tem alguma coisa feita no frontispício e no cruzeiro". Contudo, apenas cinco anos mais tarde, o desenho de «LUÍS GONZAGA PEREIRA», de 1833, dá a perspectiva global da Igreja e do Convento em estado de perfeita conclusão.
Verificamos, porém, que a venda não se efectuou, pois os conventos visados, só foram extintos pelo decreto-geral da extinção das ORDENS RELIGIOSAS em 1834.
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Em 13 de Agosto de 1959 um violento incêndio destruiu por completo o interior da «IGREJA DE S. DOMINGOS». O calor era tal que toda a talha dourada ardeu, valiosas pinturas e imagens as pedras e colunas se perderam. Mais tarde o seu interior viria a ser objecto de limpeza, conservando-se e valorizando-se a ruína.
Foi construída uma cobertura provisória com estrutura metálica, tendo esta resistido muito pouco tempo, (a má qualidade dos materiais usados) provocou-lhe a sua rápida degradação.
No anos de 1992 foi lançado um concurso de concepção-construção abrangendo as coberturas da nave, transepto e capela-mor. A falsa abóbada, de volta inteira, foi reposta a partir das fotografias existentes no Arquivo da DGEMN e revestida por uma técnica de pintura "esponjado" com pigmentos naturais.
Em 1994 a «IGREJA DE SÃO DOMINGOS» recebeu obras e reabriu ao público, sem esconder as marcas do incêndio, com as colunas rachadas.
A «IGREJA DE SÃO DOMINGOS» ainda é sem dúvida, um dos templos mais emblemáticos de grande beleza e ecletismo junto da «RUA BARROS QUEIRÓS».
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Desta Igreja no século XVI saíram os suplicados dos famigerados autos-de-fé, uns para a fogueira, outros para o vexame, condenados pelo "CRIME" de serem JUDEUS.
No «LARGO DE SÃO DOMINGOS» no muro que antecede a «RUA BARROS QUEIRÓS», encontramos escrito em 34 línguas a expressão «LISBOA, CIDADE DA TOLERÂNCIA». Neste mesmo local é ponto de encontro de estrangeiros, nomeadamente africanos. No Largo vamos ainda encontrar duas esculturas, homenageando o CATOLICISMO e o JUDAÍSMO. Este conjunto arquitectónico é chamado de "TOLERÂNCIA" foi inaugurado em 23 de Abril de 2008.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) «RUA BARROS QUEIRÓS [ IV ] - A RUA E SEU COMÉRCIO ENVOLVENTE»

4 comentários:

José Luís Espada Feio disse...

Para além da importância clerical que sempre ostentou e dos episódios históricos que lá ocorreram, a Igreja de São Domingos é, por todas as vissitudes trágicas que a Natureza nela infligiu, um dos mais emblemáticos templos da capital.Depois, aquele negrume que as chamas colaram às pedras ancestrais, dá-lhe uma carga mística incomparável.

APS disse...

Caro José Luís Espada Feio

Agradeço as suas palavras e compreendo o seu sentimento.

Um abraço
APS

ASCENDENS ASCENDENS disse...

"Desta Igreja no século XVI saíram os suplicados dos famigerados autos-de-fé, uns para a fogueira, outros para o vexame, condenados pelo "CRIME" de serem JUDEUS."

Pode mostrar-me UM caso em que algum judeu foi condenado em Portugal, pela Inquisição, apenas por ser judeu? Se não fosse parecer mal, até era de apostar a 500 euros conforme não tem demonstração de tal. E, caso não tenha demonstração de tal, é favor retirar a calúnia do seu artigo.

Obrigado.

APS disse...

Caro Senhor
De acordo com a minha sensibilidade, não escrevo (ou transcrevo) para despertar mal entendidos nas pessoas, ou tentar criticar qualquer religião, seja ela qual for.
Acontece que aprendi há muitos anos, que uma palavra entre comas, poderia não ter o mesmo significado.
Presentemente é usual fazerem-se gestos com as mãos levantando o polegar juntamente com o indicador num movimento frenético, para explicar que a palavra que se está a pronunciar, não é exactamente aquilo que se possa imaginar.
Sou uma pessoa católica, e porque não admitir que existiu a selvática INQUISIÇÃO?. Até já Sua Santidade o Papa o admitiu e pediu desculpa por tal facto.
Pode ficar com os seus 500 euros porque eu aqui não estou em competição. Competições para mim, só num tabuleiro de Xadrez.
Procurei no meu dicionário o termo: INQUISIÇÃO - Tribunal eclesiástico, que também se chama Santo Ofício, encarregado de procurar e de perseguir os crimes em matéria de religião. (Dic. da Língua Portuguesa-Coordenação de José Pedro Machado Vol. III- Soc. de Língua Portuguesa 1962).
Tenho temor a Deus, nunca foi minha intenção caluniar.
O temor ao Senhor, é o princípio da sabedoria. Salmo CX, 10 (Antigo Testamento)
Cumpts
APS