sábado, 27 de novembro de 2010

RUA BARROS QUEIRÓS [ IV ]

Rua Barros Queirós (1970) - Foto de Armando Serôdio (A Rua Barros Queirós e seu comércio) in AFML
Rua Barros Queirós - (1970) - Foto de Armando Serôdio (Papelaria e Tabacaria e Ourivesaria Ribeiro) in AFML

Rua Barros Queirós, 48 - (s/d) Foto de Vasco Gouveia de Figueiredo (Ourivesaria de Joaquim Baptista da Silva na Rua Barros Queirós) in AFML


Rua Barros Queirós , 56 (s/d) Foto de Vasco Gouveia de Figueiredo (Ourivesaria Barateiro de São Domingos) in AFML

Rua Barros Queirós, 82 (s/d) Foto de Alberto Carlos Lima (Casa Calleya de Artigos Militares na Rua Barros Queirós no princípio do século XX) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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RUA BARROS QUEIRÓS [ IV ]
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«A RUA E SEU COMÉRCIO ENVOLVENTE»
Como já foi dito, existia uma casa de culto agarrada ao «CONVENTO DE SÃO DOMINGOS» na parte lateral Norte, de nome «ERMIDA NOSSA SENHORA DA ESCADA OU DA PURIFICAÇÃO» que, depois do terramoto de 1755 já não foi erguida.
O espaço da antiga ERMIDA foi aproveitado para ali serem construídos alguns prédios de habitação, com estabelecimentos na parte térrea. Este conjunto de edifícios representava só metade da artéria (antiga Travessa de São Domingos, hoje RUA BARROS QUEIRÓS) o restante da rua no seu lado direito (quem se dirige para a Rua do Amparo) fica-nos a parte final da «IGREJA DE S. DOMINGOS».
Um dos estabelecimentos que pertencia a esse grupo de casas na esquina da artéria, fundada em 1870 como estabelecimento de «MANUEL JOAQUIM DE OLIVEIRA» para a qual o nosso "protagonista" «TOMÉ DE BARROS QUEIRÓS» veio trabalhar com 8 anos de idade.
Em 1890 com dezoito anos iniciava os seus estudos, matriculando-se na "ESCOLA ELEMENTAR DE COMÉRCIO". No ano de 1911 torna-se proprietário, adquirindo a «CASA DOS CANDEEIROS» a «MANUEL JOAQUIM DE OLIVEIRA».
Esta Rua inseria um comércio muito específico nos anos 60-70 do século passado. A abundância de lojas de ouro e prata, comércio de fardamentos e insígnias militares, bandeiras, estandartes, emblemas de diversos clubes, etc..
Por ordem da sua fundação ou arrendamento, deixamos aqui um breve apontamento de estabelecimentos que fizeram e ainda fazem, o lado emblemático da «RUA BARROS QUEIRÓS».
A «OURIVESARIA FARIA & FARIA, LDA.» no «LARGO DE S. DOMINGOS» trinta e um, foi fundada por dois irmãos "FARIA" no ano de 1917. Em 1990 foi cedida pelos seus herdeiros aos actuais proprietários, empregados na altura.
A Ourivesaria «JOAQUIM BAPTISTA DA SILVA» no número 48 da «RUA BARROS QUEIRÓS», tem o primeiro arrendamento conhecido no ano de 1927, chamava-se na época «MURALHA DE OURO». Os actuais donos tomaram o estabelecimento em 1984.
O «BARATEIRO DE SÃO DOMINGOS» ourivesaria nesta rua com o número 56, estabelecida em 1948 pela firma «EMÍLIO MONTEIRO,LDA.», tinha nos anos 1960/70 o seu emblemático relógio "JUNGHANS" e popularizou-se também com a oferta das alianças às «NOIVAS DE SANTO ANTÓNIO».
A «OURIVESARIA TURQUESA» de «L.A. & SOARES, LDA.» nesta rua no número 47, abriu no ano de 1950. O nome do estabelecimento corresponde à pedra semipreciosa, que a esposa do fundador mais apreciava . No ano de 2000 cedeu ao actual proprietário, senhor «JÚLIO PARDAL» e esposa.
A «AFINADORA» de «ANTÓNIO JOSÉ DOS SANTOS GOMES» instalada no segundo andar do número 39 desta rua, possui o negócio de ferramentas e acessórios para relojoaria, ourivesaria e dentista. A «AFINADORA» uma casa centenária, chegou a fornecer prata para a «CASA DA MOEDA».
Existe ainda nesta rua nos números 45 a 51 o «SNACK-BAR-TÁBUAS-CHARCUTARIA» e o «CAFÉ-RUBI» no numero 25, com a venda especializada de "ginjinha".
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA BARROS QUEIRÓS [ V ] - TOMÉ DE BARROS QUEIRÓS».



2 comentários:

J.Leite disse...

A 1ª foto deste post retrata o Palácio da Regaleira.
Aqui funcionou provisóriamente o Liceu Nacional de Lisboa, em 1903, que mais tarde se iria mudar para o Largo do Matadouro, em 1909, mudando o nome para Liceu Camões.
Neste palácio, mais tarde, em 1910e no 2º andar foi inaugurado o cinema Rossio Palace. Este cinema fechou em 1914

Um abraço

José Leite

APS disse...

Caro José Leite

As suas informações são realmente bastante interessantes e merecem ser divulgadas.

Em complemento às andanças do «LICEU», também o «LARGO DO MATADOURO» antes era chamado de «LARGO DA CRUZ DO TABUADO». Em 1915 foi novamente mudado para «PRAÇA JOSÉ FONTANA». Este "José Fontana", nascido na Suíça, foi em Portugal o primeiro divulgador do movimento operário.
Suicidou-se em 1876, quando soube que sofria o vírus da época, a "TUBERCULOSE".

O "PALÁCIO DA REGALEIRA" conheço melhor o da Quinta da Regaleira em Sintra do "Monteiro dos Milhões".

Um grande abraço
APS