quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

CAMPO DE SANTA CLARA [ IX ]

Campo de Santa Clara - (2009) - (Antiga Fundição de Armas de Santa Clara ou Fábrica de Armas, hoje O.G.F.E., antigo espaço do "CONVENTO DE SANTA CLARA" in GOOGLE EARTH
Campo de Santa Clara - (2009?) - Fotógrafo não identificado (Actual O.G.F.E.- Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento. Antiga Fundição de Santa Clara ou Fábrica de Armas foi extinta em 1969) in MARCAS DAS CIÊNCIAS E DAS TÉCNICAS

Campo de Santa Clara - (2000) Foto de Jaime Roseira ("PRAÇA DR. BERNARDINO ANTÓNIO GOMES" antigo "CAMPO DA FORCA". Ao fundo no lado esquerdo podemos ver as actuais instalações das O.G.F.E. , antiga "Fábrica de Armas", local onde esteve instalado o "CONVENTO DE SANTA CLARA") in PASSEIOS EM LISBOA
Campo de Santa Clara - (1937) - Desenho de Norberto de Araújo (Antigas casas do Campo de Santa Clara (Século XVIII) erguidas junto à "Fábrica de Armas", onde assentou o célebre "CONVENTO DE FREIRAS CLARISSAS", que deu nome ao sítio) in PEREGRINAÇÕES EM LISBOA

Campo de Santa Clara - (entre 1898 e 1908) - Fotógrafo não identificado (Fábrica de Armas do Campo de Santa Clara - Fábrica de Armas nos finais do século XVIII. Neste local existiu o "CONVENTO DE SANTA CLARA", destruído pelo terramoto de 1755) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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CAMPO DE SANTA CLARA [ IX ]
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«CONVENTO DE SANTA CLARA»
O «CONVENTO DE SANTA CLARA»localizado na parte nordeste de um campo vizinho ao «CONVENTO DE SÃO VICENTE», tendo este Convento acabado por dar ao sítio o nome que ainda hoje conserva: «CAMPO DE SANTA CLARA».
Foram mandados construir (a Igreja e o Convento) por vontade e a expensas de uma viúva rica «D. INÊS FERNANDES», de origem asturiana, (foi casada com «D. VIVALDO PANDULFO» genovês), que em 04.08.1288 obteve licença do «PAPA NICOLAU IV» para a fundação de um Mosteiro dedicado a «SANTA CLARA» e onde se professasse a sua regra.
Em 01.01.1292, já o edifício tinha Abadessa e Vigário, às quais a fundadora fez doação do mesmo.
A 07.09.1294 era lançada a primeira pedra da Igreja, que seria posteriormente reedificada no século XVII, sob o traço do «ARQUITECTO PEDRO NUNES DE TINOCO».
Em 1502, foi este o primeiro Mosteiro português a aceitar a reforma da «REGULAR OBSERVÂNCIA»( 1 ). Aí se acolheram, em vários tempos, muitas senhoras ilustres, entre as quais a Infanta «D. MARIA», filha do rei «D. MANUEL I», a Infanta «D. ISABEL», viúva do Infante «D. DUARTE», filho do mesmo rei, e a princesa de Castela, «D. JOANA», que aí morreu.
O «CONVENTO DE SANTA CLARA» compunha-se de um excelente claustro; nobre casa de entrada e espaçosos dormitórios, com muitas casas nobres, que religiosas particulares mandavam fazer. Boa cerca, abundante água e com admiráveis acomodações, que sem aperto, recolhiam mais de quinhentas pessoas.
No tempo em que o «CONVENTO» aceitou a reforma e se fez da «REGULAR OBSERVÂNCIA», um sacerdote secular de vida muito exemplar e conhecida virtude, teve um sonho no qual se lhe representava, que via nas praias de BELÉM, uma imagem da «VIRGEM SENHORA» a qual lhe dizia que a levasse ao «MOSTEIRO DE SANTA CLARA», prometendo que por sua intersecção se poupariam muitas almas e que Ela salvaria sempre aquele Mosteiro do terrível mal de contágio. (Trata-se das famigeradas pestes que assolavam Lisboa).
As sucessivas ampliações fizeram do edifício conventual um dos mais vastos de Lisboa.
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Em 1755 o Convento ficou bastante danificado pelo terramoto, tendo a IGREJA sofrido total ruína, ficando só em pé a parede da parte Norte, tendo a do Sul sepultado nas suas ruínas muita gente.
Arruinou-se o coro de cima, que na sua fábrica de excelente talha dourada e pinturas, hoje dele se não conserva memória. Ficaram igualmente arruinados alguns dormitórios e casas, e uma parte do claustro onde estava a capela dedicada à «SENHORA DE BELÉM».
Mas ainda ficou com bastantes acomodações para recolher mais de duzentas pessoas e muitas mais teria se, após o terramoto fosse impedido o furto de telhas e madeiras das casas, que não sofreram ruína. Não faltou quem comentasse: "de que esta foi maior que o próprio terramoto".
Desse tempo, diz-nos também «BAPTISTA DE CASTRO»: "que era um monte de ouro, e na grandeza excedia a todos os de mais Mosteiros da Corte".
Depois de extinto em 1828, o terreno foi rasourado para nele ser edificada pouco depois uma dependência do «ARSENAL REAL DO EXERCITO», a «FUNDIÇÃO DE SANTA CLARA», ou «FÁBRICA DE ARMAS» (cujo espólio deu origem ao "MUSEU DE ARTILHARIA"), com casas anexas e habitações para oficiais. Sabe-se também que foi nesta fábrica que se fundiu a estátua de «D. JOSÉ I», para ser colocada na «PRAÇA DO COMÉRCIO».
Foi convertida no ano de 1927 para «FÁBRICA DE EQUIPAMENTOS E ARREIOS», actualmente com a designação de «OFICINAS GERAIS DE FARDAMENTO E EQUIPAMENTO -O.G.F.E».
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-( 1 ) - RELIGIÃO- Clero pertencente a uma ordem, sujeita à observância de uma regra, em oposição ao "clero secular". (Nova Enciclopédia Larousse, Volume 19, página 5931.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «CAMPO DE SANTA CLARA [ X ] - TEMPLO A SANTA ENGRÁCIA (1)»


2 comentários:

dospalos disse...

Perdón por escribir en castellano, mas no hablo portugués. ¿No queda ningún resto del monasterio? ¿Se sabe que pasó con la sala capitular del mismo?
Parabens ao blogger e moito obrigado

APS disse...

Caro DOSPALOS
Não tem que pedir desculpa por não falar ou escrever português, eu também não entendo nem escrevo Grego.
Agradeço as sua palavras de referência ao blogue.
Quanto ao «CONVENTO DE SANTA CLARA» e conforme o texto do blogue, existiu realmente um grande terramoto (1755) que o danificou quase na totalidade. Anos mais tarde, passou para o Estado.
Cumprimentos
APS