quarta-feira, 23 de março de 2011

CALÇADA DOS BARBADINHOS [ III ]

Calçada dos Barbadinhos - (2005) Autor da foto não identificado (Fachada da Igreja de Nª. Sª. da Porciúncula dos Barbadinhos Italianos) in SANTA ENGRACIA - CDS
Calçada dos Barbadinhos - (1998) - Foto de António Sacchetti (A pedra de armas reais de desenho rocaille, sobre o arco central da entrada da Igreja do Conventos dos Barbadinhos) in CAMINHO DO ORIENTE

Calçada dos Barbadinhos - (1998) Foto de António Sacchetti (Busto-Relicário de prata e pedraria de Santa Engrácia, mandado executar pela Infanta D. Maria, fundadora da freguesia, por disposição testamentária de 1576. A obra só veio a ser executada no tempo do Arcebispo de Lisboa, D. Miguel de Castro, em 1595, sendo transferida para esta Igreja depois de esta se tornar sede paroquial) in CAMINHO DO ORIENTE

Calçada dos Barbadinhos - (entre 1898 e 1908) Fotógrafo não identificado (Igreja de Nª. Sª. da Porciúncula fachada principal) in AFML

Calçada dos Barbadinhos - (Século XIX) Gravura de J. Novaes Jr. (Igreja de Nª. Srª. da Conceição da Porciúncula sede da Paróquia de Santa Engrácia desde 05.04.1835) in LISBOA de ALFREDO MESQUITA



(CONTINUAÇÃO)
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CALÇADA DOS BARBADINHOS [ III ]
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«A IGREJA DO CONVENTO DOS BARBADINHOS ITALIANOS»
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A «IGREJA DE NOSSA SENHORA DA PORCIÚNCULA» do Convento dos «BARBADINHOS ITALIANOS», sede da antiga freguesia de «SANTA ENGRÁCIA», construída sob os auspícios de «D. JOÃO V» e inaugurada em 1742, a qual se situa na «CALÇADA DOS BARBADINHOS». Representa um dos vários conjuntos conventuais desta «LISBOA ORIENTAL» que tem passado quase despercebida.
A Igreja tem um corpo central com galilé de três arcadas, gradeadas e encimadas por outras tantas janelas iluminantes, sendo a central maior e dois corpos laterais, o da esquerda com torre sineira, e o da direita rebaixado. Sobre a arcada central tem uma pedra com as armas reais contorcidas e, sobrepujando a janela correspondente, um nicho com uma escultura, em pedra , da padroeira.
Dela se fala a propósito quando entramos à direita. Sobre uma mísula, está o «BUSTO-RELICÁRIO» de prata e pedraria de «SANTA ENGRÁCIA» como relíquia, doado à freguesia pela fundadora desta Igreja «INFANTA D. MARIA» (filha do Rei D. Manuel I e de sua terceira esposa, D.LEONOR, irmã de CARLOS V).
Interiormente, e em contraste com a maioria das Igrejas de Lisboa, a de «Nª.Sª. da PORCIÚNCULA» não tem talha dourada. No entanto, constitui um interessante conjunto a merecer uma atenção cuidada, pois revela uma sensibilidade mais italiana no tratamento das riquíssimas madeiras do «BRASIL», sem recurso à cobertura em ouro habitual na talha portuguesa.
Aqui, pelo contrário, o efeito decorativo é conseguido pelo jogo dos embutidos, numa variedade colorida a partir dos vários tons da madeira.
De realçar o «ALTAR-MOR». sobretudo o seu magnifico tabernáculo, peça de grande requinte e qualidade na sua forma de «TEMPLO» e no tratamento escultórico dos relevos que o adornam. Os retábulos, inclusive o do «ALTAR-MOR» são talhados em madeira escura, vendo-se neste uma pintura representando «Nª. Sª. DA CONCEIÇÃO» entre os anjos e as imagens setecentistas de «SANTO ANTÓNIO» e de «SANTA ENGRÁCIA». O sacrário, oferta de «D. JOÃO V», tem a porta chapeada a ouro.
Embora o seu interior constitua um dos mais ricos repositórios das encomendas italianas no período joanino, já o mesmo não se poderá dizer da sua arquitectura, conformada ainda por valores ligados a uma tradição bem arreigada, facto a que não será estranho a sensibilidade estética dominante entre os vários ramos franciscanos, dos quais se contam os «BARBADINHOS».
No entanto, a solidez das cantarias resulta dum efeito que marca todo o conjunto, aproximando-se de um certo gosto comum em PORTUGAL na transição do século XVII para o XVIII, mas que surge um pouco desfasado numa iniciativa régia da construção, quando o espírito do barroco romano se impunha.
Esta igreja foi requisitada pelo GOVERNO CÍVIL DE LISBOA para a freguesia de «SANTA ENGRÁCIA» em 27 de Abril de 1836, merecendo a transferência uma procissão em que não iam andores com as santas imagens, mas só o pálio com o santíssimo Sacramento ( 1 ).
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-( 1 ) - Luís Gonzaga Pereira - MONUMENTOS SACROS DE LISBOA, Lisboa, BNL, 1927, p.80.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) -«CALÇADA DOS BARBADINHOS [ IV ] - O CONVENTO DOS BARBADINHOS ITALIANOS (1)».


5 comentários:

Gracioso disse...

Uma Santa emigrante.
Aragão devolveu muito mais tarde uma outra Santa, Isabel de Aragão, Raínha de Portugal.

O relógio em fachada é muito recente.
Uma escada em caracol permite de aceder ao campanário. Bela vista sobre o Tejo.
As instalações da igreja, além dum imenso cartório e sacristia à esquerda, comportam uma sala que serviu de sala velatória à direita, frente à sacristia.
Mais ao fundo do lado direito, existem várias pequenas salas e uma grande sala com palco.
Mais perto do claustro, está o domicílio do prior.
Do lado oposto, estão os escuteiros e o alojamento do sacristão.
Aqui já estamos na grande entrada de serviço do lado direito.

O desnível entre o adro da igreja e a Rua do Alviela é importante.
Alguma coisa lá deve estar.
Não existe nenhuma entrada na Rua do Alviela.
Como se terá que fazer para lá entrar ?
Eu nunca fui lá mas já lá foi quem me baptizou.
Ele não me mostrou o caminho. Talvez que ele não me quisesse que eu tivesse medo dentro duma caverna pavorosa.
Cumpts

José Luís Espada Feio disse...

Caro Agostinho
serve o presente para renovar os meus parabéns por este magnífico espaço, uma verdadeira enciclopédia olissiponense. As fotografias, os textos, o enquadramento histórico, as informações complementares, prefazem, no seu conjunto, um resultado ímpar que a todos enriquce. Muito obrigado por este autêntico "serviço público municipal".
um abraço,
José Luís Espada Feio

APS disse...

Caro Gracioso

Coadjuvando o que eu vou investigando, o amigo por experiência vivida "in loco", vai acrescentando mais elementos à história da Calçada.

Um abraço
APS

APS disse...

Caro José Luís Espada Feio

Fico muito agradecido pelas suas simpáticas palavras.

É muita bondade sua, chamar a este espaço de "serviço público municipal". Não pretendo que assim seja, embora reconheça que são palavras como as suas, que nos dão animo para continuar este trabalho.
Bem-haja!
Um abraço
APS

Gracioso disse...

Caro APS
Confirmo que o que acrescentei foi por experiência vivida lá.
Por si, era um microcosmos com horizontes, mais vastos do que os clubes da vizinhança.
Se, no caso presente, as imagens apresentadas e a descrição me foram familiares, a história não o foi, pelo que agradeço também as suas explicações.
Por isso também partilho da ideia que se trata dum "serviço público municipal".
Um abraço
Gracioso