sábado, 12 de maio de 2012

RUA VÍTOR CORDON [ XIV ]

 Rua Vítor Cordon - (2012) - (Edifício à esquerda representa o local do antigo "Palácio dos "Condes de Vila Franca" depois "Condes da Ribeira Grande", durante anos um refeitório da ex-F.N.A.T.(INATEL), hoje Sede da INTERSINDICAL) in GOOGLE EARTH
 Rua Vítor Cordon,1 - (1968) Foto de Armando Serôdio (Palácio dos "Condes de Vila Franca" onde funcionou a F.N.A.T.) (No ano de 1964 funcionava no 2º andar a 3ª Repartição da Administração Geral do Porto de Lisboa) in AFML 
Rua Vítor Cordon,1 - (1941) Foto de Eduardo Portugal (Local onde existiu o Palácio dos "Condes de Vila Franca", depois "Condes da Ribeira Grande" "Os Câmaras". Mais tarde seria as instalações da F.N.A.T. hoje INATEL) in AFML

(CONTINUAÇÃO) - RUA VÍTOR CORDON [ XIV ]

«CONDES DE VILA FRANCA DEPOIS CONDES DA RIBEIRA GRANDE ( 2 )»

A vida de «D. RODRIGO DA CÂMARA» «3º CONDE DE VILA FRANCA»(1594-1662) era deveras agitada e cheia de contornos, pouco aceitáveis no século XVII.
Estava no ano de 1629 a residir no seu Palácio de LISBOA com vistas para o Tejo. No ano seguinte nasce a sua primeira filha e logo em 1630 o filho primogénito «D. MANUEL LUÍS BALTASAR DA CÂMARA».  
Nesse ano deixa a família em Lisboa e parte para Ponta Delgada, onde coordenou o socorro e a reconstrução na sequência da grande erupção das "FURNAS" de Setembro do mesmo ano.
Anos depois começam a surgir rumores em LISBOA, apontando o CONDE como bissexual, já que, para além de ser surpreendido na cela de uma freira do «CONVENTO DA ESPERANÇA», era sabido que mantinha relacionamento homossexual com os seus pajens e escudeiros. Devido ao escândalo com as denúncias para as Cortes de Madrid nesse sentido, volta para "SÃO MIGUEL" em 1639 por imposição real. Na ilha,  voltaram os escândalos, com rumores de sodomia e relacionamento com freiras.
Encontrava-se o Conde na Ilha, quando se dá a «RESTAURAÇÃO DE PORTUGAL», recebendo a notícia da aclamação de «D. JOÃO IV» em meados de Janeiro de 1641.
Em princípio assumindo uma posição dúbia, só acede aclamar o novo rei quando ele já estava seguro no trono. Perante uma carta régia de 6 de Abril de 1641, a ele pessoalmente dirigida, que lhe ordenava a aclamação, o que acabou por acontecer.
Regressado em 1642 à Corte de Lisboa, passou a fazer parte da vida da Corte, foi provedor da «SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE LISBOA»(1644), e em 1646 comandava uma Campanha no Alentejo durante a «GUERRA DA RESTAURAÇÃO».
Ao longo deste tempo a sua homossexualidade foi novamente posta em causa, pelo rasto de escândalos, que só a sua alta hierarquia lhe permitia abafar.
Regressa a "PONTA DELGADA" em 1648, instalando-se no Paço com o seu habitual estadão. Entre o seu séquito existiam pajens com idades entre os 13 e os 24 anos, que dormiam alternadamente num quarto adjacente ao do seu senhor, supostamente velando pelo seu sono.
Regressa a LISBOA em 1650 aparentemente adoentado. No ano seguinte, a 4 de Maio de 1651, aconteceu o inevitável. «LUCAS LEITE PEREIRA», que tinha sido seu pajem, apresenta nova queixa à "INQUISIÇÃO", a qual, perante o escândalo público, se vê obrigada a abrir um processo contra o poderoso «CONDE DE VILA FRANCA».
Um processo Inquisitorial contra o "3º Conde de Vila Franca", condenando-o a perda de bens para  a Coroa, incluindo a Capitania das Ilhas. Este processo é um extremo explícito quanto às práticas sexuais da época, sendo um documento muito interessante para um possível desenvolvimento mais profundo no futuro, estando relacionado com as práticas da homossexualidade vistas no século XVII. Existe uma cópia do processo nos "AÇORES", que bem merecia ser editado.

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