quarta-feira, 5 de setembro de 2012

PRAÇA DO CHILE [ III ]

 Praça do Chile - (1813) Gravura em buril e água forte de "Gregório Fernandes de Queiroz" desenho de  "DOMINGOS ANTÓNIO DE SEQUEIRA"1768-1837 -  (A "SOPA DE ARROIOS" no "LARGO DE ARROIOS" por altura de 1810) in BIBLIOTECA NACIONAL DIGITAL
 Praça do Chile - (Século XIX) (O "Largo de Arroios" em 1810, estudo do desenho de "Domingos António de Sequeira" intitulado "A SOPA DE ARROIOS) in DISPERSOS
 Praça do Chile - (1937) Foto de Eduardo Portugal (Planta, entre o "LARGO DE SANTA BÁRBARA" e o "LARGO DE ARROIOS" in AFML
 Praça do Chile - (1962) Foto de Artur Goulart (Local do antigo "Palácio dos Senhores de Pancas" - Palácio de Arroios na "Rua de Arroios") in AFML
 Praça do Chile - (2012) - ("LARGO DE ARROIOS" visto da parte Sul, a Igreja ao fundo na direita) in  GOOGLE EARTH
Praça do Chile - (2012) - (O "LARGO DE ARROIOS" no final da "Rua de Arroios" no lado direito ficava o "Palácio dos Senhores de Pancas") in GOOGLE EARTH

(CONTINUAÇÃO) - PRAÇA DO CHILE [ III ]

«O LARGO DE ARROIOS»

Por altura de 1810 novamente o «LARGO DE ARROIOS» seria palco de tragédia, mas desta vez,  era o êxodo das populações que abandonavam as suas terras a caminho de LISBOA, fugindo à invasão comandada pelo general "MASSENA". 
Foi numa casa velha, talvez uma "estrebaria", ou um palheiro, que se instalou o que se chamou a «SOPA DE ARROIOS», o caldo distribuído aos povos famintos que vinham de longe à frente do exército «ANGLO-LUSO» deixando um rasto de devastação para que o inimigo não encontre abrigo.
O «LARGO DE ARROIOS» transformou-se num acampamento obstruído de bagagens, no meio dos quais se aninhavam as famílias desoladas.
Este espectáculo foi presenciado pelo grande pintor «DOMINGOS ANTÓNIO SEQUEIRA», que ao tempo morava em «SANTA BARBARA» e com o seu habilissimo lápis procurou desenhar e imortalizar este "quadro" e o drama popular, no momento em que se distribuía aos míseros fugitivos, por ordem do governo, a sopa diária. Terá depois sido legendado como sendo: "a distribuição do alimento que se repartia no CRUZEIRO DE ARROIOS aos infelizes emigrados que debandaram as suas terras assoladas pelo exército francês, na invasão de Outubro de 1810 e foram acolhidos e sustentados pelos moradores de Lisboa, com o mais louvável patriotismo e humanidade".
Deste desenho de «DOMINGOS SEQUEIRA» foi executada uma grande e excelente gravura de «GREGÓRIO FERNANDES DE QUEIROZ», discípulo do celebre «BARTOLOZZI».
Diz-nos o mestre «NORBERTO DE ARAÚJO» nas suas «PEREGRINAÇÕES EM LISBOA» que: "o Palácio dos senhores de Pancas - Pertenceu na primeira metade do século XVII ao Desembargador André Valente (o que deu o nome à Travessa que sai da Calçada do Combro e em cotovelo acaba na Rua do Século). Depois passou por compra aos Manueis de Vilhena, Condes de Vila Flor, ainda no século XVII, e em 1810 (o tempo da "SOPA DE ARROIOS") era de uma filha de "D. Cristóvão Manuel Vilhena" que casara com o 1º e único "Conde de Alpedrinha", neto do "Marquês de Pombal". Como os Vilhenas eram senhores de "Pancas", o Palácio passou a ser conhecido por aquele título. Em 1863-1864 recebeu grandes transformações urbanas, mas a linha geral de sacadas ficou sensivelmente a mesma. Já então a quinta havia sido aforada para construções de moradores".
Deste «LARGO DE ARROIOS» saia a velha «CALÇADA DE ARROIOS" (antigo caminho para o "ARCO DO CEGO" e "CAMPO PEQUENO"), a nova «RUA CARLOS JOSÉ BARREIROS» (antiga "Estrada da Charneca" ou das "Amoreiras") que ligava ao «LARGO DO LEÃO». A «RUA ALVES TORGO» (antiga "Estrada de Sacavém") e para sul apresenta-se a «RUA DE ARROIOS».
O «LARGO DE ARROIOS» terá sido de novo transformado por volta do ano 1898, apresentando um aspecto mais moderno; no largo edificaram-se prédios, alguns com fachadas em azulejos; outros no estilo destacante das casas portuguesas, com balcões salientes, lembrando amuradas de barcos; ao fundo eleva-se o viaduto e no sítio onde deviam ter estado as cavalariças pertencentes aos senhores de LINHARES, e aos nobres «SOUSAS COUTINHOS», levantaram-se prédios até próximo da «RUA PASCOAL DE MELO».
O «LARGO DE ARROIOS» tem presentemente um aspecto diferente do velho campo arrabaldino; os Palácios tiveram destinos diferentes dos que tinham na época de oitocentos. O do "LINHARES", onde talvez o principal "SOUSA", então membro da "REGÊNCIA", tivesse assistido à distribuição da «SOPA DE ARROIOS», foi depois um refúgio dos "Mutilados da Guerra"; o dos "Condes de S. Miguel" foi a estação dos carros do "LARMANJAT"; outras transformaram-se em oficinas de tecidos e também existiu no sítio a famosa "Fábrica de Cerveja LEÃO".
O «LARGO DE ARROIOS» agora mais modernizado com um pequeno jardim, "vê" de longe o "CRUZEIRO" que tão dignamente ficou resguardado na entrada da "IGREJA DE S. JORGE DE ARROIOS" de estilo moderno e bela aparência interior.

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «PRAÇA DO CHILE [ IV ] - O CHAFARIZ DE ARROIOS»

1 comentário:

Boonlom Boolanawat disse...

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