quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS [ IV ]

 Rua Angelina Vidal - (2009) (Autor CTT de Portugal)  (Selo com a figura da jornalista "Angelina Vidal" emitido pelos CTT, dedicado às "Mulheres da República") in BE/CRE MARIA VELADA
 Rua Angelina Vidal - (2007) (Panorama da "Rua Angelina Vidal" antigo "Caminho do Forno do Tijolo" que vem juntar-se à "Rua da Graça", "Rua da Penha de França" e "Rua dos Sapadores. Nos finais do século XIX ao Largo irregular formado pelo cruzamento de quatro caminhos, era chamado de "CRUZ DOS QUATRO CAMINHOS") in GOOGLE EARTH
 Rua Angelina Vidal - (2012) (O início da "RUA ANGELINA VIDAL" na freguesia da "Graça" (hoje S. VICENTE) desde 1924) in GOOGLE EARTH
 Rua Angelina Vidal - (2012) - (A "RUA ANGELINA VIDAL" na parte descendente) in GOOGLE EARTH
Rua Angelina Vidal - (2012) - (A "RUA ANGELINA VIDAL" na convergência com a "Rua da Graça", local do antigo largo da "Cruz dos Quatros Caminhos") in GOOGLE EARTH

(CONTINUAÇÃO) - RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS [ IV ]

«RUA ANGELINA VIDAL (1)»

A «RUA ANGELINA VIDAL» pertencia a três freguesias: «ANJOS», «GRAÇA» e «PENHA DE FRANÇA», depois da "Reorganização Administrativa de Lisboa" passou para as freguesias de: «ARROIOS», «PENHA DE FRANÇA» e «SÃO VICENTE».
Com início na «RUA DA GRAÇA»,  termina na «RUA DO FORNO DO TIJOLO», tem no seu lado direito a «RUA HELIODORO SALGADO» e na parte esquerda a «RUA MARIA DA FONTE».
Esta artéria era o antigo "Caminho do Forno do Tijolo", em toda a sua extensão, sendo uma das vias que convergia para o chamado "CRUZ DOS QUATRO CAMINHOS». O topónimo da «RUA ANGELINA VIDAL» foi atribuído por deliberação camarária de 04.12.1922 e respectivo Edital de 17.10.1924.
Nesta rua urbanizada em 1908, consagrou-se "ANGELINA VIDAL" nascida em 11 de Março de 1853 e falecida a 1 de Agosto de 1917 quase na miséria, no número 41 da "Rua de S. Gens" (antiga freguesia da GRAÇA, hoje "SÃO VICENTE"), já que o Estado lhe negou a pensão a que tinha direito devido aos seus ideais políticos.
A «RUA ANGELINA VIDAL» uma artéria íngreme, entre os "ANJOS" e a "GRAÇA", percorrida diariamente por centenas de veículos e cheia de tradições alfacinhas, tem o nome de uma mulher que foi revolucionária no seu tempo e ainda hoje por certo o seria.
O antigo "Caminho do Forno do Tijolo", um nome velho, como é bom de ver, provinha da existência da oficina e dos fornos de telha e tijolos que ali existiam. Desde o século XVIII, aliás, que aqueles caminhos foram conhecidos pelas actividades circundantes.
Antes disso - garante o mestre "Pastor de Macedo", baseando-se em estudos do arqueólogo "Sommer Ribeiro - a denominação do sírio era mais vaga, dizendo-se simplesmente que eram "terras ao "ALMOCAVAR" ou ao pé da "Senhora do Monte". "ALMOCAVAR" é uma palavra árabe que significa cemitério. E, na verdade era o campo onde os mouros enterravam os seus mortos, não muito distante da "MOURARIA". A instalação dos fornos - que teve por base, obviamente, a riqueza dos terrenos em argila - deu, porém, um cariz especial a toda a zona que vai da «TRAVESSA DO MALDONADO" a «SAPADORES», com reflexos na toponímia: o "FORNO DO TIJOLO" até foi padrinho de um mercado. De qualquer forma, a actual «RUA ANGELINA VIDAL» ainda passou por outro nome: em finais do século XVIII, chamava-lhe o povo "RUA DE S. VICENTE FERREIRA», sendo este apelido uma corruptela de "FERRER". De facto, ali existiu a ermida de «S. VICENTE FERRER», com umas casas anexas, que parecem ter servido para recolhimento de órfãs. Tudo isto foi vendido em princípios do século XIX e não restam vestígios. 

A «ANGELINA DO CARMO VIDAL» nada parecia prever uma jovem lisboeta, filha de um maestro querido na corte, para tão agitadas tarefas que teve durante a vida.
Na verdade, «ANGELINA» tinha por pai o maestro «JOAQUIM CASIMIRO JUNIOR» dedicado servidor de el-Rei como organista da Real  Capela da Bemposta e, mais tarde, mestre da Sé Patriarcal de Lisboa. Seu pai terá falecido quando «ANGELINA» tinha a idade de nove anos.  Casou na idade própria, com um oficial médico da Armada, «LUÍS DE CAMPOS VIDAL» que viria a falecer em 1894.
Estaria, pois, destinada a uma "vidinha" de dona de casa e educadora de filhos. Em vez disso, saiu política, republicana, professora, poetisa, pouco ou nada bem querida das pessoas.
Muito cedo começou a dar nas vistas pelo seu talento evidenciado nos seus escritos.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)-RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS[ V ]-RUA ANGELINA VIDAL (2)»   
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