sábado, 15 de junho de 2013

RUA DO AÇÚCAR [ XII ]

 Rua do Açúcar - (2013) (Foto gentilmente cedida por Ricardo Moreira) (Actual aspecto da fachada da "Sociedade Nacional de Fósforos" na "Rua do Açúcar") in ARQUIVO/APS
 Rua do Açúcar - (Finais do séc. XIX) (Aspecto da fachada na "Rua do Açúcar" da "Fábrica de Fósforos" in CAMINHO DO ORIENTE
 Rua do Açúcar - (1998) (Planta Aerofotogramética 6/8 escala 1:2000, actualizada em 1987, das antigas instalações da "Sociedade Nacional de Fósforos" na "Rua do Açúcar", contornando para a "Rua Capitão Leitão" e traseira para a "Rua Afonso Anes Penedo") in CAMINHO DO ORIENTE
 Rua do Açúcar - (1920) - (Planta do Pavimento da "Companhia Portuguesa de Fósforos" sua fábrica do Beato, com frente para a "Rua do Açúcar", pertencente ao Arquivo de Obras da CML.)(Processo de obras nº 8517-Fábrica dos Fósforos) in  CAMINHO DO ORIENTE
 Rua do Açúcar - (depois de 1925) (Caixa de fósforos produzida na "Sociedade Nacional de Fósforos" na "Rua do Açúcar", alusiva a LISBOA) in  MUSEU DOS FÓSFOROS
Rua do Açúcar - (depois de 1926) (Desenho gráfico de Roberto) (Anúncio da "SOCIEDADE NACIONAL DE FÓSFOROS" incentivando, ricos, remediados e pobres a juntar 100 tampas de caixas para se habilitarem a um "Citroen") in RESTOS DE COLECÇÃO

(CONTINUAÇÃO) - RUA DO AÇÚCAR [ XII ]

«A COMPANHIA PORTUGUESA DE FÓSFOROS, DEPOIS SOCIEDADE NACIONAL DE FÓSFOROS ( 1 )»

A extensão da «QUINTA DOS MARQUESES DE MARIALVA» era enorme, embora tivessem as suas casas nobres no topo com frente para a "ESTRADA DE MARVILA", adquirem em 1707 mais casas e terreno, ficaram também com frente para a antiga "ESTRADA DE SÃO BENTO PARA O POÇO DO BISPO" (hoje "RUA DO AÇÚCAR"). São nestes terrenos que vamos encontrar instalada entre 1895 e 1985 esta actividade de fósforos tão peculiar nesta zona Oriental da Cidade de LISBOA.
Nos finais do século XIX, o fabrico de fósforos ou acendalhas passou da fase oficial e manufactureiro para a industrial. Este processo tecnológico deve-se às significativas descobertas dos processos químicos para o aperfeiçoamento da acendalha, registados na primeira metade de oitocentos. Um dos avanços mais significativos ficou a dever-se a «E. KOPP» e a «SCHROTTER» que introduziram uma modificação alotrópica do fósforo ordinário, ou seja, a combustão deixou de ser tóxica ou inflamável.
Em 1855, industriais suecos começaram a aplicar estas propriedades ao fósforo ordinário, passando no futuro a ser denominado este produto por "fosforo vermelho", "fósforo sueco ou fósforo de segurança".
O "INQUÉRITO INDUSTRIAL de 1890" testemunha este facto, pois menciona, em Lisboa, diversas pequenas unidades fosforeiras, onde o carácter mecanizado da produção é diminuto.
O ESTADO pretendeu inverter esta situação, alargando à produção fosforeira as tendências de centralização e monopólio ou exclusivo, estratégia aplicada, na maior parte das vezes aos sectores dos "TABACOS" e dos "SABÕES".
Assim, a partir de 1891, lançou-se um concurso com o objectivo de desenvolver uma industria exclusiva de fósforos. Mas dificuldades diversas e a renda elevada da oferta da concessão, situada em 280.500$000 réis anuais, afastava os candidatos a empresários.
Em 1895 surge a "COMPANHIA PORTUGUESA DE FÓSFOROS" através de uma proposta do político "HINTZE RIBEIRO". O ESTADO viabilizou um contrato que acabou por ser assinado com os accionistas dos fósforos, em 25 de Abril desse ano. O objectivo consistia na exploração exclusiva do fabrico e venda de fósforos em Portugal.
Assim, a "COMPANHIA" liquidou todas as pequenas fábricas que existiam no país instalando as novas unidades fabris em LISBOA na "RUA DO AÇÚCAR" ao BEATO, e no PORTO em (Lordelo).
A exclusividade da produção prolongava-se por um período de trinta anos, durante o qual se procedia ao prolongamento da renda anual ao ESTADO, estabelecida em contrato.
Anterior a esta firma já tinha existido neste espaço, em regime livre, como hoje, a «FÁBRICA LISBONENSE»( 1 ).

( 1 ) - Norberto de Araújo - Peregrinações em Lisboa, livro XV - LISBOA pág. 74 - 1993

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DO AÇÚCAR [ XIII ]A COM. PORTUGUESA DE FÓSFOROS, DEPOIS "SOCIEDADE NACIONAL DE FÓSFOROS"( 2 )»

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