sábado, 31 de agosto de 2013

RUA DA JUNQUEIRA [ VII ]

 Rua da Junqueira - (2008) Foto de Dias dos Reis (Antigo "Palacete dos Condes da Ponte", hoje edifício da "Administração do Porto de Lisboa") in  DIAS DOS REIS 
 Rua da Junqueira - (2011) Foto de João Carvalho (Antigo "Palacete dos Condes da Ponte" na "Rua da Junqueira, 94-96, hoje instalações da "Administração do Porto de Lisboa")(Abre em tamanho grandein   WIKIPÉDIA COMMONS
Rua da Junqueira - (2011) - Foto de autor não identificado (Pormenor do antigo "Palacete dos Condes da Ponte" hoje na posse da "APL", na "Rua da Junqueira") in    MARCAS DAS CIÊNCIAS E DAS TÉCNICAS
Rua da Junqueira - (2011) Foto de autor não identificado ("Palacete dos Condes da Ponte" hoje instalações da "Administração do Porto de Lisboa")   in   MARCAS DAS CIÊNCIAS E DAS TÉCNICAS
Rua da Junqueira - (1950) - Foto de autor não identificado (Antigo "Palácio dos Condes da Ponte", fachada principal, antes da subida dos andares laterais) in AFML
Rua da Junqueira - (1966) Foto de Armando Serôdio (Edifício onde funciona a "Administração do Porto de Lisboa", antigo "Palácio dos Condes da Ponte", na "Rua da Junqueira, 94-96, antes de ser aumentado mais um andar lateralmente)  in   AFML 

(CONTINUAÇÃO) - RUA DA JUNQUEIRA [ VII ]

«O PALACETE DOS CONDES DA PONTE»

Na "RUA DA JUNQUEIRA" dos actuais números  94 a 96 está instalada desde meados do século XX a "ADMINISTRAÇÃO DO PORTO DE LISBOA". 
Este "Palacete" foi mandado construir pelos "CONDES DA PONTE", que o habitaram até finais do segundo quartel do século XVIII. 
O membro mais proeminente desta família foi, sem dúvida o 8º Conde, «D. JOÃO DE SALDANHA DA GAMA MELO TORRES GUEDES DE BRITO»,  nascido no Brasil em 1816 veio a falecer em LISBOA no ano de 1874.
Era gentil-homem e Administrador da Casa Real, quando em 06.11.1861, faleceu no "PALÁCIO DAS NECESSIDADES" o "INFANTE D. FERNANDO" e cinco dias depois, a 11 de Novembro, o próprio Rei "D. PEDRO V" e, depois, em 27 de Dezembro do mesmo ano, o "INFANTE D. JOÃO", "DUQUE DE BEJA", no "PALÁCIO DE BELÉM".
O "CONDE DA PONTE" foi vítima de fortes suspeitas de os ter envenenado.
Neste palácio funcionou o "COLÉGIO DA IMACULADA CONCEIÇÃO" e nele esteve instalada a representação da NORUEGA.
Foi também propriedade (em 1762) de um membro da família "POSSER DE ANDRADE". Dois irmãos "POSSER" casaram com duas irmãs "SCARLATTI", sendo uma delas "MARIA JUSTINA SCARLATTI", que cantou nesta casa um serão dedicado a "BECKFORD", em 26.06.1787. Igualmente esteve neste palácio  hospedado o Núncio  Apostólico "ACCIAIOLI", que se presume ter sido expulso de Portugal, no tempo do Marquês de Pombal.

O Palácio sofreu ao longo destes anos várias transformações e viu o seu vasto jardim e a cerca amputados, para ser construído o "INSTITUTO DE HIGIENE E MEDICINA TROPICAL" e alguns pavilhões do "HOSPITAL DE EGAS MONIZ".
Foi acrescentado ao edifício mais um piso lateralmente, pois só existia no corpo central do prédio. A fachada principal apresenta três corpos articulados por pilastras. As janelas são semelhantes às laterais. O portão tem arco contracurvado cuja parte superior se situa entre duas varandas do andar nobre.
As janelas térreas são defendidas por gradeamento de varões. Existe uma platibanda de círculos intersectados por cima do andar nobre, que se prolonga pelas fachadas laterais e serve de friso. Um frontão triangular adornado de acrotérios e urna, remata a cimalha. O interior foi muito alterado e, como nota curiosa, na entrada tem dois painéis de azulejos, a sépia representando uma caçada ao javali, encimados por medalhões a cores, um com efígie de "D. DINIS" e o outro com a da "RAINHA SANTA", assinado por "JORGE COLAÇO" sem data. De cada lado destes painéis, outros complementam o tema daqueles, igualmente a sépia, da "FÁBRICA VIÚVA LAMEGO". Ao fundo, entre o início dos lanços de escada, vê-se um vitral "NEO-ARTE NOVA" com motivos de flores. No primeiro andar, ao topo da escada, existe outro com alegoria ao "PORTO DE LISBOA", ambos têm a data de 1991. No topo da escada encontramos ainda telas pintadas por "R. ORDONAR" do final do século XIX.
No ano de 1945, o PALÁCIO foi adquirido pela A.G.P.L., pela quantia de dois milhões e duzentos e trinta e oito mil escudos.
Ainda no interior do palácio, também no primeiro piso, podemos apreciar 8 peças de mobiliário gótico de raro valor histórico, recentemente restaurados, e que foram adquiridas pela "APL" em 1956 ao "DR. MANUEL RICARDO ESPÍRITO SANTO" para guarnecer a "Torre de Belém". Estas peças são originais de proveniência inglesa (final do século XV, princípio do século XVI), da casa "W.WOLSEY", de Londres; "que no seu conjunto representa a forma elucidativa e exemplar a recreação de modelos e técnicas quinhentistas, bem como do espírito da época que a ditou", como escreveu o "DR. BAIRRÃO OLEIRO". 

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA JUNQUEIRA [ VIII ]-O 1º CONDE DA PONTE - MARQUÊS DE SANDE»

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

RUA DA JUNQUEIRA [ VI ]

 Rua da Junqueira - (2007) - Foto de autor não identificado ( O "Palácio Burnay" na "Rua da Junqueira" visto do lado Nascente in SABER TROPICAL 
 Rua da Junqueira - (2007) - Foto de autor não identificado (O "Palácio Burnay" na "Rua da Junqueira" onde funciona o "Instituto de Investigação Cientifica Tropical-IICT) in SABER TROPICAL 
 Rua da Junqueira - (finais do séc. XIX) Foto de Francesco Rochini (Jardins e Palácio do Conde Burnay visto do lado Norte, com o rio Tejo em fundo)(Abre em tamanho grandein AFML 
 Rua da Junqueira - (1930) Foto de Eduardo Portugal ( O "Palácio Burnay" na "Rua da Junqueira" no segundo quartel do século XX) in  AFML 
 Rua da Junqueira - (1965) Foto de Armando Serôdio ("Palácio Burnay" na "Rua da Junqueira" visto de Nascente) in AFML
Rua da Junqueira - (2007) Foto de autor não identificado (O antigo Salão de baile do "Palácio Burnay", o tecto de estuque de "Rodrigues Pita", tem medalhões alusivos à música" in SABER TROPICAL

(CONTINUAÇÃO) - RUA DA JUNQUEIRA [ VI ]

«O PALÁCIO BURNAY  OU  PALÁCIO DOS PATRIARCAS ( 2 )»

Após 1974, e depois de muitas vicissitudes, ficou no pavimento térreo o «INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS SOCIAIS E POLÍTICAS-ISCSP». No andar nobre e num pavilhão ao fundo do jardim estão os serviços do «INSTITUTO DE INVESTIGAÇÃO CIENTIFICA TROPICAL-IICT».
O palácio é um grande imóvel com varanda corrida avançada no andar nobre e uma frente com três janelas de peitoril sobre o portal de entrada. Os corpos laterais, de duas janelas cada, são coroados por torreões.
No centro do edifício, pelo lado de dentro, sobressai um zimbório ( 1 ) a nível superior ao dos torreões, com lanternim de quatro faces e quatro janelas. A construção deste zimbório é posterior à do edifício. 
De cada lado, nascem dois corpos com platibanda de balaústres ornada de estátuas de mármore, vasos e urnas.
O andar térreo deste corpo tem seis janelas e duas portas largas que dão para o espaço onde talvez tivessem sido as cocheiras. O interior dá para um átrio com escadaria de dois ramos, de tecto de abóbada de aresta, e em cada lado existe uma porta que dá acesso aos corpos térreos. A escadaria é de um só lanço, em curva, tem corrimão e grades de ferro do século XVIII.
As paredes são pintadas a claro-escuro, trabalho do último quartel do século XIX. A abóbada é de aresta oitavada. As salas foram beneficiadas em 1942 com restauros das pinturas dos tectos e das paredes, de "CONCEIÇÃO E SILVA".
O átrio superior, de talha escura, abre-se sobre uma galeria envidraçada que dá para os jardins, e tem cinco portas para as várias salas. As sobrepostas estão decoradas com um castelo ou com um leão. 
O antigo salão de baile, com tecto de estuque de  "RODRIGUES PITÁ", tem medalhões alusivos à música. A antiga sala de jantar, de forma elíptica, tem o tecto pintado por "JOSÉ MALHOA" (1886), representando um céu com meninos alados conduzindo flores e frutos. A antiga sala das colunas tem quatro colunas de madeira, caneladas, de capitéis dourados e tecto de estuque com ornatos. "ORDÑES" foi o artista que se ocupou da decoração pictórica do teatro anexo ao palácio. Outras salas, por terem sofrido muitas alterações são destituídas de interesse.
No JARDIM, com acesso para as esplanadas, existem duas estufas, e na do lado poente via-se uma porta de mármore com colunas salomónicas e pedra de armas do século XVIII. Existe também do mesmo lado, um teatro muito danificado. Os Jardins, completamente deteriorados, ainda têm algumas estátuas e nelas se encontram os edifícios modernos do "INSTITUTO DE INVESTIGAÇÃO CIENTIFICA TROPICAL-IICT".
CURIOSIDADE
Uma grande reportagem fotográfica feita em 23 de Novembro de 2008 pelo blogue «LISBOA S.O.S.» sobre este palácio, durante o período que era permitida a sua visita.
O documento fotográfico mostra bem como o nosso património é tratado.

( 1 ) - ZIMBÓRIO - A parte mais alta que exteriormente remata ou cobre a cúpula das grandes Igrejas ou dos edifícios monumentais.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA JUNQUEIRA [ VII ] - O PALACETE DOS CONDES DA PONTE»  

sábado, 24 de agosto de 2013

RUA DA JUNQUEIRA [ V ]

 Rua da Junqueira - (2013) Foto de APS (O antigo "Palácio Burnay" na "Rua da Junqueira" actualmente) in ARQUIVO/APS
 Rua da Junqueira - (século XIX) Autor da foto não identificado (O "Palácio Burnay" com a frente virada para a "Rua da Junqueira" no final do século XIX) (Abre em tamanho grandein  AFML
 Rua da Junqueira - (1945) Foto de André Salgado ( O "Palácio Burnay" fachada Sul na "Rua da Junqueira" número 86, nos anos quarenta do século XX) in AFML
 Rua da Junqueira - (c. de 1907) Foto de Joshua Benoliel (O "Palácio Burnay" decorado com bandeiras e colchas  na "Rua da Junqueira")(Abre em tamanho grande) in AFML
 Rua da Junqueira - (c. de 1907) Foto de Joshua Benoliel (Pormenor da fachada central do "Palácio Burnay" na "Rua da Junqueira" ) (A foto abre em tamanho grande) in AFML
Rua da Junqueira - (finais do séc. XIX) (A chegada da palmeira ao "Palácio do Conde Burnay" na "Rua da Junqueira", foram necessárias oito juntas de bois e uns quantos homens, que ordenados entre si, fizeram deslocar a palmeira sobre um carro improvisado. Um sistema complexo, mantendo-a na vertical durante a viagem) in PROVAS ORIGINAIS (1858-1910) - CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA


(CONTINUAÇÃO) - RUA DA JUNQUEIRA [ V ]

«O PALÁCIO BURNAY OU PALÁCIO DOS PATRIARCAS ( 1 )»

O «PALÁCIO BURNAY" no número 86 da "RUA DA JUNQUEIRA" que depois de 1940 albergou diversos organismos. Uma parte dos seus jardins está ocupada por modernos edifícios que pertencem ao "INSTITUTO DE HIGIENE E MEDICINA TROPICAL".
Esta Palácio no século XVIII, foi também conhecido pelo "Palácio dos Patriarcas".
O Palácio teve o seu fundamento nas casas nobres que "D. JOSÉ CÉSAR DE MENESES", irmão do primeiro "CONDE DE SABUGOSA", "PRINCIPAL DE LISBOA", ali fez erguer depois de 1701 em terrenos aforados por "D. JOÃO SALDANHA E ALBUQUERQUE". Em 1734, o palácio encontrava-se rodeado de lindos jardins. Depois do terramoto de 1755, foi vendido ao PATRIARCADO DE LISBOA para residência de Verão dos prelados e a ele ligaram o seu nome "D. FRANCISCO DE SALDANHA", "D. FERNANDO DE SOUSA E SILVA" e "D. JOSÉ FRANCISCO DE MENDONÇA"Em 1818 funcionou no palácio o seminário de "S. JOÃO BAPTISTA".
Na primeira metade do século XIX, um capitalista apelidado de (MONTE CRISTO) "MANUEL ANTÓNIO DA FONSECA" homem muito rico e excêntrico - que chegava a beber chá por taças de ouro - tornou-se dono do palácio e fez-lhe inúmeras alterações, quer externas como interiormente.
A partir de 1865, o edifício voltou a mudar de proprietário, tendo sido comprado por "D. SEBASTIÃO DE BOURBOM", filho da princesa da BEIRA, "D. MARIA TERESA DE BRAGANÇA" e do INFANTE DE ESPANHA, "D. PEDRO CARLOS DE BOURBOM". Morou nele, também, o EMBAIXADOR DE ESPANHA, "D. ALEJANDRO DE CASTRO". 
No último quartel do mesmo século foi vendido a «HENRIQUE DE BURNAY», uma figura distinta da sociedade financeira portuguesa. Filho do médico "DR. HENRIQUE BRUNAY", de origem BELGA, e irmão do professor, médico também, "EDUARDO BURNAY", académico e jornalista.
O banqueiro «HENRIQUE BURNAY", que o enriqueceu com belas decorações e mobiliário. A partir de 1895 dois italianos "CARLO GROSSI" pintor e "PAOLO SOZZI" escultor, trabalharam na decoração dos interiores. Ambos residentes em MILÃO, foram contratados pelo "CONDE DE BURNAY" para trabalharem na reconstrução deste palácio, onde se deram grandes festas famosas. Em 1936, ficando viúva a Condessa de BURNAY, "D AMÉLIA KRUS", devido a partilhas foi o palácio vendido e o recheio leiloado, tendo os seus interiores ficado destroçados. 
Em 1940 o palácio foi adquirido pelo ESTADO, para o "MINISTÉRIO DAS COLÓNIAS", sujeitando-o a obras sob a orientação da "DIRECÇÃO GERAL DOS EDIFÍCIOS E MONUMENTOS NACIONAIS".
Após a conclusão em 1942 das principais obras de restauro das salas, o edifício serviu de residência do general "CONDE DE JORDANA", então "MINISTRO DOS ESTRANGEIROS DO GOVERNO ESPANHOL" e sua comitiva.
Em 1944 estiveram ali instalados o "CONSELHO SUPERIOR DO IMPÉRIO COLONIAL", o "CONSELHO TÉCNICO DE FOMENTO COLONIAL", a "JUNTA DAS MISSÕES GEOGRÁFICAS" e a "INSPECÇÃO SUPERIOR DE ADMINISTRAÇÃO COLONIAL".

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA JUNQUEIRA [ VI ]-O PALÁCIO BURNAY OU PALÁCIO DOS PATRIARCAS ( 2 )»

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

RUA DA JUNQUEIRA [ IV ]

 Rua da Junqueira - (1965) - Foto de Armando Serôdio ( Fachada Sul do "PALÁCIO DOS CONDES DA RIBEIRA GRANDE", palácio fundado no século XVIII e reedificado em meados do século XIX. Nele viveram os "Condes da Ribeira Grande" e nasceu e morreu "D. JOÃO DA CÂMARA», escritor e dramaturgo. Em 1939 foi ocupado pelo "Liceu João de Castro", chegando a funcionar também o "Liceu Rainha D. Amélia")(Abre em tamanho grande) in AFML 
 Rua da Junqueira - (1959) Foto de Armando Serôdio (Pormenor do BRASÃO encimado pelo coroado, rodeada de faixa onde se lê -  Pela Fé pelo Príncipe, pela Pátria - pertencente ao "Palácio dos Condes da Ribeira Grande", na "Rua da Junqueira") in AFML  
 Rua da Junqueira - (1935) - Foto de Eduardo Portugal ("Palácio dos Condes da Ribeira Grande" na "Rua da Junqueira") in AFML 
 Rua da Junqueira - (Século XVII) (Armas dos Câmaras referente aos "Condes da Ribeira Grande" in WIKIPÉDIA
Rua da Junqueira - (2008) Foto de autor não identificado (Ligada ao "Palácio dos Condes da Ribeira Grande" está a CAPELA de grandes dimensões, dedicada a "Nossa Senhora do Monte do Carmo") in MARCAS DAS CIÊNCIAS E DAS TÉCNICAS


(CONTINUAÇÃO) - RUA DA JUNQUEIRA [ IV ]

«O PALÁCIO DOS CONDES DA RIBEIRA GRANDE ( 2 )»

No lado poente do "PALÁCIO DOS CONDES DA RIBEIRA GRANDE", adossado a este, surge a «CAPELA DE Nª. SENHORA DO MONTE DO CARMO", desproporcionada para uma capela de palácio. A fachada tem três corpos correspondentes à nave e capelas laterais. O corpo central é coroado por um frontão triangular. O interior da capela é original. A nave é quase quadrada e tem no tecto uma abertura circular com varandim de balaústre.
A Capela-mor tem abóbada de canhão. O Retábulo, de duas colunas, tem uma pintura de "NOSSA SENHORA DO CARMO", de "MÁXIMO PAULINO DOS REIS"(1781-1866).
Lateralmente existe um quadro que representa "NOSSA SENHORA" sentada com o "MENINO", trabalho iniciado pelo pintor açoriano "MARCIANO HENRIQUES DA SILVA"(1833-1867) e, após a sua morte, acabado por "MANUEL MARIA BORDALO PINHEIRO"(1815-1880) e datado de 1875.
Os tectos da capela-mor e da nave estão cobertos de ornatos de estuque e pinturas a têmpera representativos da invocação da capela. 

Neste palácio instalaram-se durante o século XX, diferentes ocupações relacionadas com o ensino. Na parte principal do edifício foi instalado nos anos vinte o «COLÉGIO ARRIAGA», muito frequentado por alunos vindos do Ultramar e, depois, em 1936 o «COLÉGIO NOVO DE PORTUGAL», noutra parte do edifício. Em 1940, o «LICEU D. JOÃO DE CASTRO» transferido depois para BELÉM. Seguiu-se o «LICEU RAINHA D. LEONOR» e «LICEU RAINHA D. AMÉLIA», depois de 1974 rebaptizada como "ESCOLA SECUNDÁRIA", foi transferida em 2002 para a "RUA JAU", ao (Alto de Santo Amaro).
O edifício foi profundamente alterado interiormente para albergar os vários estabelecimentos de ensino, felizmente e apesar disso, ainda conserva muitos elementos originais do primitivo Palácio, como seja a fachada monumental, os jardins e a Capela, embora todo este edifício se encontra num estado de degradação.
O «PALÁCIO DOS CONDES DA RIBEIRA GRANDE» construído no início do século XVIII, está em vias de classificação pelo "INSTITUTO DE GESTÃO DO PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO", vai converter-se num hotel de cinco estrelas e num Museu de Arte Contemporânea. Trata-se de uma oportunidade única  para recuperar um edifício de elevado valor patrimonial, altamente degradado.
COMO CURIOSIDADE
A "FILIPA" foi estudante no "LICEU RAINHA D. AMÉLIA" neste palácio, na sequência de tudo que me referi, era bom visitar o seu blogue; «A ALFACINHA» que lá encontrará muitas fotos do interior deste palácio, além de um agradável texto.


(CONTINUA)-(PRÓXIMA)«RUA DA JUNQUEIRA [ V ]-O PALÁCIO BURNAY OU PALÁCIO DOS PATRIARCAS ( 1 )» 

sábado, 17 de agosto de 2013

RUA DA JUNQUEIRA [ III ]

 Rua da Junqueira - (2013) - Foto de APS (Fachada do "PALÁCIO DOS CONDES DA RIBEIRA GRANDE" na "Rua da Junqueira", já um pouco degradado) in ARQUIVO/APS
 Rua da Junqueira - (2011) Foto de autor não identificado (Fachada do "Palácio dos Condes da Ribeira Grande" na "Rua da Junqueira,66) in VALE DA TERRUGEM
 Rua da Junqueira - (2011) - Foto de autor não identificado (Pedra de Armas com Brasão dos "Câmaras" no "Palácio dos Condes da Ribeira Grande" in VALE DA TERRUGEM
 Rua da Junqueira - (2008) Foto de Dias dos Reis (Palácio dos Condes da Ribeira Grande" do século XVIII) in DIAS DOS REIS
 Rua da Junqueira - (1953) Foto de Fernando Martins Pozal (Pormenor dos "Frades de Pedra" junto das cocheiras do "Palácio dos Condes da Ribeira Grande" in AFML 
Rua da Junqueira - (1935) ? Foto de Eduardo Portugal ("Palácio dos Condes de Ribeira Grande" fachada principal na "Rua da Junqueira, 66) in  AFML


(CONTINUAÇÃO) - RUA DA JUNQUEIRA [ III ]

«O PALÁCIO DOS CONDES DA RIBEIRA GRANDE ( 1 )»

O «PALÁCIO DOS CONDES DA RIBEIRA GRANDE» resultou de transformações feitas nas casas nobres do século XVIII, pertencentes ao «MARQUÊS DE NISA».
O primeiro proprietário foi o 1º Marquês (e único) da RIBEIRA GRANDE "D. FRANCISCO DE SALES GONÇALVES ZARCO DA CÂMARA", 8º Conde da Ribeira Grande (1819-1872), casado em terceiras núpcias com "D. LUÍSA CUNHA E MENESES", da "CASA LUMIARES". O filho único do 3º casamento, "D FRANCISCO DA CÂMARA", nasceu, viveu e morreu neste "PALÁCIO DA JUNQUEIRA".
A fachada é extensa e imponente, de dois andares e quinze tramos separados por frades de cantaria no andar térreo. O corpo Central é avançado em relação aos laterais, criando espaços de protecção às janelas do andar térreo por meio de gradeamentos implantados em murete e ritmados por  pilares de pedra. 
Ao centro rasga-se o largo portão, ladeado por dois mais estreitos. Abrange as três portas a varanda nobre, que é encimada por um frontão triangular com as armas dos «CÂMARAS»; com uma torre coberta de prata, rematada por uma cruzeta de ouro e sustido por dois lobos rampantes afrontados. Divisa: «Pela Fé, pelo Príncipe, pela Pátria». Remata o conjunto uma platibanda arrendada adornada de acrotérios aos lados e fogaréu ao centro.
As janelas do andar nobre são de sacada coroadas de sobreverga angular. De cada lado, o corpo principal tem dois corpos dum só piso e três vãos cobertos por terraço e coroados por platibanda de balaústre. Por baixo dos terraços existem dois portais com as molduras trabalhadas que dão para grandes espaços cobertos de tecto de abóbada de aresta  e arcaria.
Ao nível do primeiro andar encontra-se uma lápide mandada colocar, em 1922 pela CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA para recordar o nascimento, vida e morte no palácio,  do poeta e dramaturgo «D. JOÃO DA CÂMARA» (1852-1908). 
O exterior esconde por completo a arquitectura interior do edifício, que foi remodelado e adaptado às funções da escola. Perto da antiga entrada das carruagem situa-se a escada nobre, que se desenvolve em dois ramos inscritos num cilindro de base elíptica coberto por uma cúpula com óculos iluminantes e uma clarabóia.
A fachada Norte do Palácio dá para os antigos jardins e remata, no corpo central, por um frontão triangular com as armas dos "Câmaras".
CURIOSIDADE - Foi neste palácio que em 4 de Novembro de 1836, se reuniram o "MARECHAL SALDANHA" e o "VISCONDE DE SÁ DA BANDEIRA", pondo termo ao movimento político conhecido por «BELENZADA» ( 1 ).

( 1 ) - BELENZADA - Nome por que ficou conhecido, na história portuguesa, a conspiração palaciana e tentativa de golpe de Estado de Novembro de 1836, para destruir a obra da Revolução de Setembro que, restabelecera a «CONSTITUIÇÃO DE 1822»; conspiração e tentativa que o povo e a "Guarda Nacional", tendo à sua frente "PASSOS MANUEL" e "SÁ DA BANDEIRA" fizeram malograr.

(CONTINUA) - (PRÓXIMO)«RUA DA JUNQUEIRA [ IV ] -O PALÁCIO DOS CONDES DA RIBEIRA GRANDE ( 2 )».

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

RUA DA JUNQUEIRA [ II ]

 Rua da Junqueira - (2013) Foto de APS (A "Travessa da Galé" vista da parte Sul, ao fundo a "RUA DA JUNQUEIRA". Esta "Travessa da Galé" é um arruamento muito antigo para o qual não existem registos de oficialização.) in ARQUIVO/APS
 Rua da Junqueira - (2013) -Foto de APS (A "Travessa da Galé" com vista para a "RUA DA JUNQUEIRA", muito embora actualmente seja interrompida por uma escadaria de 3 degraus, tendo perdido a sua ligação rodoviária à "Rua da Junqueira". O termo "GALÉ" refere-se a uma antiga embarcação de guerra de baixo bordo, movida essencialmente a remos) in ARQUIVO/APS 
 Rua da Junqueira - (1967) Foto de Armando Serôdio (Panorama da "RUA DA JUNQUEIRA" vista para Poente, algumas casas apalaçadas que continuavam a resistir) in AFML
 Rua da Junqueira - (1966) Foto de Armando Serôdio (A "RUA DA JUNQUEIRA", esquina da "Travessa de Santo Amaro à Junqueira", ao fundo o sítio de "BELÉM") in AFML
 Rua da Junqueira - (1965) Foto de Armando Serôdio (A "RUA DA JUNQUEIRA" no seu lado par com seus palacetes antigos) in AFML
 Rua da Junqueira - (anos 50 do século XX) Foto de Armando Madureira (O edifício do "Ferrador do Altinho" na "Rua da Junqueira, 271) in AFML
Rua da Junqueira - (2013) (A antiga oficina do "Ferrador do Altinho", este edifício mais recuado que se apresenta fechado e em mau estado de conservação. Acabou o "ferrador", morreu mais uma memória de Lisboa) in  GOOGLE EARTH

(CONTINUAÇÃO - RUA DA JUNQUEIRA [ II ]

«A RUA DA JUNQUEIRA E SEU ENVOLVENTE ( 2 )»

Toda a zona fazia parte no século XVI, da "QUINTA DO CALDAS", estando estas terras vinculadas à família «SALDANHA» até à extinção do vínculo, em 15.01.1701. Nesta data, "JOÃO DE SALDANHA ALBUQUERQUE COUTINHO MATOS e NORONHA" presidente do "SENADO DA CÂMARA DE LISBOA", obteve de «D. PEDRO II» um alvará pelo que lhe foi concedida licença para aforar umas tantas braças de terreno à face da estrada desde as "Escadinhas de Santo Amaro" até "Belém", para aumentar os rendimentos do "MORGADO", a fim de fazer face às elevadas despesas da ampliação do seu solar da "CALÇADA DA BOA-HORA" e, também, para utilidade do público, obtendo efectivamente licença para esse aforamento. 
O "Morgado" guardou para si os terrenos do "GIESTAL" e do "ALTO DE SANTO AMARO" e transformou a casa em palácio.
Devido a este facto, a "JUNQUEIRA" passou a ser um sítio aprazível, onde se foram erguendo várias casas  nobres, do lado norte, com jardins ou terraços donde os proprietários podiam desfrutar das vistas e dos ares do TEJO.
Destes tempos remotos a "JUNQUEIRA" foi quinta de veraneio, com boas casas e excelentes hortas e pomares. Os palácios ou casas da Burguesia, que a esta zona se deslocavam para usufruir os seus tempos de lazer, são hoje testemunho indiscutíveis dessa época.
A «JUNQUEIRA» começou a perder o seu cunho de  paraíso junto do rio quando se iniciaram as construções do lado Sul, como a "CORDOARIA NACIONAL". Também ajudaram a afastar os palácios da zona ribeirinha os aterros da praia feitos pelo empreiteiro "HERSENT", no século XIX, aquando da construção do "PORTO DE LISBOA" e do alinhamento das margens do Rio.
Entretanto, o tempo e a ruína em que caíram muitas famílias fidalgas, fizeram degradar  os seus palácios. Por esse motivo, alguns entraram na posse do Estado, para Jardins e terrenos foram construídos edifícios necessários ao bem-estar da população, como o «HOSPITAL DE EGAS MONIZ» e o «INSTITUTO DE HIGIENE E MEDICINA TROPICAL».
Em 1912, o vereador "MANUEL EUGÉNIO PETRONILA" propôs a alteração do nome da "RUA DA JUNQUEIRA" para a do dramaturgo e poeta "D. JOÃO DA CÂMARA". imediatamente, os junqueirenses fizeram uma exposição à CÂMARA dizendo que não eram contra a homenagem que a CML pretendia fazer ao escritor, mas que a fizessem numa larga e ajardinada Avenida de Lisboa e que conservassem o nome da "JUNQUEIRA", que já vinha do século XIII. E o que é certo, é que a "RUA DA JUNQUEIRA" manteve o nome.
Um breve apontamento para «MÁRIO FERRADOR» ou o "FERRADOR DO ALTINHO" como era mais conhecido. Durante longas décadas ferrou cavalos e praticou a actividade de "endireita" na "RUA DA JUNQUEIRA número 271. Hoje as instalações encontram-se degradadas num edifício nesta rua, embora o prédio um pouco mais recuado, e que paralelamente dava para o "LARGO MARQUÊS DE ANGEJA". Um dia, nos anos 80 do século passado "MÁRIO FERRADOR" foi atropelado, falecendo tempos depois.
E assim acabou mais uma figura típica de LISBOA.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA JUNQUEIRA [ III ]-O PALÁCIO DOS CONDES DA RIBEIRA GRANDE ( 1 )»

sábado, 10 de agosto de 2013

RUA DA JUNQUEIRA [ I ]

 Rua da Junqueira - (2013) (Desenho adaptado da "Rua da Junqueira" - Sem Escala - LEGENDA - 1)Rua da Junqueira - 2)Palácio dos Condes da Ribeira Grande - 3)Palácio Burnay ou dos Patriarcas - 4)Palácio dos Condes da Ponte/AGL - 5)Centro de Congressos de Lisboa - 6)FIL - 7)Palácio Pessanha/Valada - 8)Consulado Geral do Mónaco - 9)Instituto de Higiene e Medicina Tropical - 10)Hospital de Egas Moniz(antigo Hospital do Ultramar) - 11)Palácio da Ega/Palácio Saldanha - 12)Palácio e Quinta das Águias - 13)Chafariz da Junqueira ou da Cordoaria - 14)Cordoaria Nacional e Instituto Superior Naval de Guerra - 15)Palácio de Lázaro Leitão Aranha - 16)Universidade Lusíada - 17)Palácio do Marquês de Angeja/(antigo Forte de S. Pedro) actual Biblioteca Municipal de Belém - 18)Ferrador do Altinho - 19)Forte de S. João da Junqueira) in  ARQUIVO/APS
 Rua da Junqueira - (1856-1858) Mapa de Filipe Folque (A "Rua da Junqueira", no lado esquerdo inferior podemos ver o "Palácio do Marquês de Angeja" no centro e direita a "Cordoaria Nacional" e o cano que completava a foz do "Rio Seco" que vinha da encosta) in ATLAS DA CARTA TOPOGRÁFICA DE LISBOA
 Rua da Junqueira - (1856-1858) Mapa de Filipe Folque (A "Rua da Junqueira" no século XIX, na parte inferior esquerda o resto da "Cordoaria Nacional", mais à frente o "antigo Forte de S. João da Junqueira" depois prisão do Estado. O espaço da FIL ainda se encontrava no domínio do Tejo) in ATLAS DA CARTA TOPOGRÁFICA DE LISBOA
 Rua da Junqueira - (1856-1858) Mapa de Filipe Folque (No lado direito vamos encontrar o início da "Rua Direita da Junqueira". Em frente da "Calçada de Santo Amaro" os jardins e terrenos na parte inferior, mais tarde seria CARRIS. No inicio da "Rua da Junqueira" a primeira artéria à esquerda representa a actual "Travessa do Conde da Ponte") in ATLAS DA CARTA TOPOGRÁFICA DE LISBOA
 Rua da Junqueira (1968) Foto de Armando Serôdio (A "RUA DA JUNQUEIRA" na direcção a Belém com edifícios de habitação de rendimento) in AFM
 Rua da Junqueira - (1967) Foto de Vasco Gouveia de Figueiredo (A "Travessa dos Algarves" na "Rua da Junqueira", deve o seu nome a um telheiro que aí existia, sob o qual se albergavam os remadores algarvios, vulgarmente conhecidos por "Algarves") in AFML
Rua da Junqueira - (1961) Foto de Artur Goulart (A "Travessa dos Algarves" que liga com a "Rua da Junqueira" por arco) in AFML

RUA DA JUNQUEIRA [ I ]

«A RUA DA JUNQUEIRA E SEU ENVOLVENTE ( 1 )»

A «RUA DA JUNQUEIRA» pertence a duas freguesias. À freguesia de «ALCÂNTARA» pertencem os números 1 a 65 e do 2 a 166. À freguesia de «BELÉM» pertence do número 65 em diante no lado Sul, e do 168 em diante do lado Norte.
A artéria começa no número 105 da "Rua Primeiro de Maio" e finaliza na "Praça Afonso de Albuquerque". Em consequência da "REFORMA ADMINISTRATIVA DE LISBOA(2013), a freguesia a que correspondia parte desta via, foi substituída por «BELÉM». Assim, a antiga freguesia de "Santa Maria de Belém" e "São Francisco Xavier" passam a designar-se; freguesia de «BELÉM».
São convergentes à "RUA DA JUNQUEIRA" os seguintes arruamentos: 
Na parte Norte de nascente para poente - "TRAVESSA CONDE DA RIBEIRA"; "CALÇADA DA BOA-HORA"; "RUA PINTO FERREIRA"; "RUA ALEXANDRE DE SÁ PINTO" e  "TRAVESSA DE SANTO ANTÓNIO".
Na parte Sul de nascente para poente - "TRAVESSA CONDE DA PONTE"; "TRAVESSA DA GALÉ"; "TRAVESSA DA PRAIA"; "TRAVESSA DO PINTO"; "TRAVESSA DA GUARDA"; "RUA MÉCIA MOUZINHO DE ANDRADE"; "TRAVESSA DAS GALEOTAS"; "TRAVESSA DOS ESCALERES"; "TRAVESSA DOS ALGARVES"; "LARGO MARQUÊS DE ANGEJA"; "TRAVESSA PIMENTA" e TRAVESSA CAIS DE ALFÂNDEGA VELHA".

O nome do topónimo «JUNQUEIRA» é bastante antigo, remonta pelo menos ao início do século XIII. É provável que a sua origem esteja ligada à grande quantidade de juncos que proliferavam no local, então pantanoso, se acumulavam no designado "Sítio da Junqueira", por aí existir a foz do "RIO SECO".
A denominação "JUNQUEIRA" já é mencionada num dos livros da "Chancelaria do Rei D. DINIS", no qual se encontra registada uma carta em que o monarca doa o "sítio da Junqueira" e vários outros do seu reguengo de "Algés de Ribamar" a "D.URRACA PAIS", abadessa do Mosteiro de "S. Dinis", de Odivelas, onde se encontra sepultada.
"AIRES DE SALDANHA", filho do 3º casamento de "DIOGO SALDANHA", fidalgo Castelhano que acompanhou como mordomo-mor e secretário a Princesa "D. JOANA DE CASTELA", foi o fundador do "MORGADO DA JUNQUEIRA", que veio a terminar com o " CONDE DA EGA". "D. JOANA ALBUQUERQUE", casando com "AIRES DE SALDANHA", levou-lhe em dote a "QUINTA DAS CALDAS", que se estendia do início da "JUNQUEIRA" até "BELÉM" e se prolongava das praias do TEJO até ao "PÁTIO DO SALDANHA", sensivelmente a meio da "CALÇADA DA BOA-HORA".
À antiga estrada para "BELÉM" (que ligava o princípio da "Calçada de Santo Amaro" ao da "Calçada da Ajuda") foi dada a designação de «RUA DA JUNQUEIRA» no século XVIII.
Trata-se de um extenso percurso com características próprias em que a área residencial com carácter popular ocupa uma extensão limitada entre "SANTO AMARO" e o "ALTINHO".

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA JUNQUEIRA [ II ] A RUA DA JUNQUEIRA E SEU ENVOLVENTE ( 2 )»

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

RUA DO AÇÚCAR [ XXVII ]

 Rua do Açúcar - (2009) Foto de autor não identificado (Palácio dos "Condes de Figueiró" mais tarde dos "Marqueses de Abrantes". O acesso é efectuado através do pátio, cuja fachada constitui uma atraente nota arquitectónica seiscentista, na "Rua de Marvila") in MARCAS DAS CIÊNCIAS E DAS TÉCNICAS
 Rua do Açúcar - (1998) Foto de António Sacchetti (Coroamento do Janelão gradado do pátio, datável possivelmente dos finais do século XVII, na entrada do "Palácio dos Marqueses de Abrantes" na "Rua de Marvila") in CAMINHO DO ORIENTE
Rua do Açúcar - (2011) - (Foto de autor não identificado) ("Pátio do Colégio", acesso por portal com brasão picado ao antigo Palácio dos "Marqueses de Abrantes" na "Rua de Marvila") in MARCAS DAS CIÊNCIAS E DAS TÉCNICAS


(CONTINUAÇÃO) - RUA DO AÇÚCAR [ XXVII ]

«A QUINTA E PALÁCIO DOS MARQUESES DE ABRANTES ( 4 )»

O edifício principal dos «MARQUESES DE ABRANTES» abre sobre o lado Sul de um pátio quadrangular, com portão de acesso para a "RUA DE MARVILA", a velha via estruturante de toda a zona.
O projecto inicial desenhou um edifício quadrado de dois pisos, um térreo e outro nobre, com torreão aos cantos - hoje prejudicados na sua leitura pelo acrescento de mais um andar - no respeito por um formulário muito em voga desde a segunda metade do século XVI, continuado ao longo do século XVII, com manifesta influência erudita dos tratados de arquitectura de matriz renascentista. 
No piso térreo, sobre o pátio, abrem-se três arcos sobre uma ampla galeria de entrada, de onde nasce a escadaria para o piso nobre, bastante sóbria no lançamento dos seus dois lanços. A peça mais interessante deste conjunto, a sua verdadeira fachada, é o grande portão de entrada do pátio, em cantaria rusticada, cujo desenho deverá ter sido recomposto quando das grandes obras levadas a cabo no início do século XVIII, de quando por certo deverão datar as janelas que abrem do referido pátio para a via pública.
Temos informação de duas principais campanhas de obras realizadas nesta quinta. A primeira, levada a cabo na época de «D. HELENA DE NORONHA», na transição do século XVI para o seguinte, de certo com a influência de seu terceiro marido, "Manuel de Vasconcelos", "Morgado do ESPORÃO" e regedor da justiça, figura de grande relevo público e social nesse período. Estamos em crer - por mera intuição decorrente do gosto sóbrio expresso e o evidente carácter de pavilhão quadrangular, de dimensões mais de recreio que propriamente palacianas - que é da responsabilidade deste casal a estrutura base do edifício existente, bem como o portal original, aliás cópia de modelos então vulgares nos tratados de arquitectura.
A segunda campanha, posterior a 1705, iniciativa do "5º Conde de VILA NOVA DE PORTIMÃO", limitou-se a alargar as dependências iniciais de um pavilhão de recreio, demasiado apertado para as novas exigências da vida de corte, e, sobretudo, renovou o muro de entrada no pátio, através da abertura de duas janelas sobre a entrada com acentuados frontões triangulares, e procedeu à transformação do portão existente, conformando-o necessariamente ao novo arranjo do muro, introduzindo-lhe uma dinâmica formal barroca, originariamente ausente no desenho de recorte mais clássico.
Apesar de a leitura deste conjunto ser naturalmente falível, julga-se indispensável inseri-la numa visão de conjunto que nos permita começar a definir os modelos palacianos cortesão - quer sejam urbanos, quer de recreio - cuja lenta aclimatação entre nós se inicia sobretudo no último quartel do século XVI.
A ZONA ORIENTAL DE LISBOA guarda assim, alguns dos primeiros exemplares, todos de nítido sabor erudito, como será o caso deste de MARVILA, ou a casa de "MANUEL QUARESMA" a "SANTA APOLÓNIA", ou sobretudo o "PAÇO DE XABREGAS", iniciativa um pouco anterior do próprio rei. Além de ganhar neste período um novo eixo viário principal, com a consolidação definitiva da via ribeirinha, o novo caminho para oriente, também se adorna com um novo visual, imposto pelas novas construções, fossem religiosas ou civis. A zona ORIENTAL torna-se, assim, território privilegiado para a explanação de um gosto novo, professado pela gente de corte que, a pouco e pouco, ganha características de verdadeira aristocracia. [ FINAL ]

BIBLIOGRAFIA
-ARAÚJO, Norberto de - Peregrinações em LISBOA-Livro XV- Ed. VEGA-1992-LISBOA
-CAEIRO, Baltazar Matos - OS CONVENTOS DE LISBOA-Ed. 1ª 1989 - LISBOA
-CASTILHO, Júlio de, -Lisboa Antiga O Bairro Alto-Volume III-CML-1956-LISBOA
-CUSTÓDIO, Jorge - "Reflexos da Industrialização na fisionomia e vida da cidade", in Livro de Lisboa, Lisboa, Livros Horizonte, 1994.
-DELGADO, Ralph - A antiga Freguesia dos Olivais-Ed. Grupo Amigos de Lisboa- 1969 - LISBOA.
-ESTATUTOS da Comp. Portuguesa de Phosphoros, Lisboa, Typografia de A.M.Pereira-1909
-FOLGADO, Deolinda e CUSTÓDIO, Jorge-Caminho do Oriente- Guia do Património Industrial - Livros Horizonte - 1999 - LISBOA.
-LISBOA - Revista Municipal Nº12-2º Trimestre de 1985 - CML - LISBOA
-LISBOA - Revista Municipal Nº13-3º Trimestre de 1985 - CML - LISBOA
-LISBOA - Revista Municipal Nº14-4º Trimestre de 1985 - CML - LISBOA
-LISBOA vista do céu - fotos de Filipe Jorge - ARGUMENTUM -1994 LISBOA
-MATOS, José Sarmento de - LISBOA, um passeio a Oriente-Ed. Parque EXPOR'98-1993-LISBOA.
-MATOS, José Sarmento de - e PAULO, Jorge Ferreira - Caminho do Oriente - Guia Histórico - Liv. Horizonte - 1999 - LISBOA.
-PELAS FREGUESIAS DE LISBOA - Lisboa Oriental - Pelouro da Educação-CML-1993.
-SILVA, Antº. Joaquim Ferreira da, -Acendalhas Phosphoricas, in Relatório da Exposição Industrial Portuguesa de 1891 no Palácio Crystal Portuense, Lisboa, in 1893.
-SOCIEDADE NACIONAL DE FÓSFOROS-Assistência ao pessoal, in Industria Portuguesa, Revista da Asso. Industrial Portuguesa, Número especial, Lisboa 1937.

INTERNET

(PRÓXIMO)«RUA DA JUNQUEIRA [ I ]-A RUA DA JUNQUEIRA E SEU ENQUADRAMENTO ( 1 )»

sábado, 3 de agosto de 2013

RUA DO AÇÚCAR [ XXVI ]

 Rua do Açúcar - (1992/93) Foto de Filipe Jorge (BAIRRO CHINÊS- Com a implantação industrial, o abandono prematuro de muitas explorações agrícolas, a falta de habitação acessível e a progressiva degradação da paisagem e do ambiente, vão fornecendo a invasão por ocupação espontânea, sobretudo em terrenos públicos, mas também nalguns privados que originam "Bairros de Lata", de que o famoso "Bairro Chinês", na "Quinta dos Marqueses de Abrantes", constitui exemplo típico e duradouro, embora o seu fim se aproximasse no final da década de 80, início de noventa, motivado pela EXPO'98 que veio alterar radicalmente uma parte substancial desta zona Oriental de Lisboa) (Foto abre em tamanho grandein LISBOA VISTA DO CÉU
 Rua do Açúcar - (1998) Foto de António Sacchetti (Acesso por Portal com Brasão picado, pertencente ao antigo "Palácio dos Marqueses de Abrantes", na "Rua de Marvila, 34. Encontrando-se ali instalada a "Sociedade Musical 3 de Agosto de 1885", local onde se ensaia a marcha que representa a freguesia de  MARVILA)  in  CAMINHO DO ORIENTE
 Rua do Açúcar - (anos 50 do século XX) -Foto de autor não identificado ("Palácio dos Marqueses de Abrantes" parte virada para o pátio) in ANTIGA FREGUESIA DOS OLIVAIS
Rua do Açúcar - ( A Casa de "VILA NOVA DE PORTIMÃO/ABRANTES". Uma sucessão complexa de heranças transformou a "CASA DOS CONDES DE VILA NOVA DE PORTIMÃO", depois também herdeiros dos Marqueses de Abrantes e Fontes, numa das maiores propriedades na zona envolvente de Lisboa)  in  CAMINHO DO ORIENTE

(CONTINUAÇÃO) - RUA DO AÇÚCAR [ XXVI ]

«A QUINTA E PALÁCIO DOS MARQUESES DE ABRANTES ( 3 )»

Na década de sessenta, com um dos quartos térreos arrendados a "JOÃO LOURENÇO VELOSO"(1762-69), irmão de "VASCO LOURENÇO VELOSO" (de Santa Apolónia), as alusões à decadência das casas nobres são frequentes. Manteve-se a situação ao longo do século XIX, embora tivesse o cuidado por parte dos Marqueses de salvaguardarem nos arrendamentos a preservação da quinta - do bom amanho das vinhas, árvores e todas as terras cultiváveis, comprometendo-se os rendeiros, uma vez findos os arrendamentos, a deixar a quinta povoada e cheia de bacelos e cepas - casos de "ANTÓNIO JOAQUIM DOS REIS", mercador de lã e seda, pela renda anual de 400 000 réis e um pipa de vinho (1819-27) ( 1 ), em cuja renda eram abonados 60 000 réis para as obras do referido Palácio.
No ano de 1854, pela expropriação feita em parte do domínio útil do prazo da «QUINTA DE MARVILA» pelos Caminhos-de-ferro, o "Morgado do Esporão" foi compensado pela sub-rogação de 37 700 réis, e em parte do domínio directo pela quantia de 92 320 réis ( 2 ).
Em meados do século XIX foi ali instalada a «ESCOLA NORMAL DE MARVILA», estabelecimento de referência para a formação de professores do ensino primário. Em 1869, depois do Governo manifestar interesse em arrendar à "CASA DE ABRANTES" a "QUINTA DE MARVILA" ( 3 ), era anunciada a sublocação do terreno anexo à "ESCOLA NORMAL DE MARVILA" ( 4 ), constando então a quinta, arrendada em haste pública, de "12 hectares de terra lavradia e dez oficinas rústicas não incluídas nos logradouros reservados ao edifício da referida escola(...) ( 5 ). Depois de desactivada a escola o edifício foi sendo ocupado por várias famílias, e no pátio instalou-se uma uma Associação Desportiva, enquanto o extenso terreno da quinta se transformava em "ilha" habitacional o «BAIRRO CHINÊS». O antigo Palácio interiormente degradado e descaracterizado, mantém a sua traça exterior, acrescentada em mais um piso.
O "BAIRRO CHINÊS"
Nesta grande quinta dos "MARQUESES DE ABRANTES" anteriormente «QUINTA DE MARVILA», dominada pelas explorações agrícolas, este espaço esteve ocupado até finais dos anos 80 início de noventa. As actividades industriais ferroviárias e portuárias deram origem à formação de novas áreas residenciais, que se podem distinguir por uma imagem que hoje publicamos. Assim, coexistiam residências nobres, vilas operárias e habitações clandestinas. O chamado "Bairro Chinês", o maior bairro de barracas na ZONA ORIENTAL DE LISBOA, ficava onde hoje podemos ver os bairros: "MARQUES DE ABRANTES", "ALFINETES", das "SALGADAS" e "QUINTA DO CHALÉ".

Com a entrada do século XIX, após a revolução liberal, houve diversas mudanças na zona Oriental de LISBOA, em que as antigas quintas e outras novas que surgiram, se tornaram propriedade de comerciantes e industriais em ascensão.
A antiguidade desta propriedade da «QUINTA DE MARVILA» e o relevo histórico dos seus proprietários bem assim, como a qualidade arquitectónica das construções ainda subsistentes, fazem dela uma das mais importantes quintas arrabaldinas de LISBOA.
Da sua história, que se confunde com a do sítio de MARVILA, de que constitui o verdadeiro centro, já se falou atrás e no texto genérico sobre Marvila, cabendo aqui tentar sobretudo uma análise estilista resumida do conjunto palaciano, inserindo-o no panorama lisboeta.  É claro que, como acontece com a generalidade destas Quintas, o edifício dos "Marqueses de Abrantes" resulta de várias campanhas de obras, devendo ainda ter-se em conta que a antiguidade quase imemorial da Quinta impôs por certo o aproveitamento de construções preexistentes, condicionantes sempre a ter em conta na leitura de qualquer destes conjuntos.   

( 1 ) - IAN/TT, ACA - Morgado do Esporão, Mç. 192, Doc. 3942
( 2 ) -     IDEM     Mç. 194, doc. 4037, fl. 4.
( 3 ) -        "         Mç. 194, doc. 4030.
( 4 ) -        "         Mç. 194, doc. 4046.
( 5 ) -        "         Mç. 194, doc. 4031.
SIGLAS
IAN/TT = Instituto de Arquivos Nacionais/Torre do Tombo
ACA = Arquivo da Casa de Abrantes

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DO AÇÚCAR [ XXVII ]-A QUINTA E PALÁCIO DOS MARQUESES DE ABRANTES ( 4 )»