quarta-feira, 30 de outubro de 2013

RUA DA JUNQUEIRA [ XXIV ]

Rua da Junqueira - (2008) - Foto de Dias dos Reis (O "Instituto de Higiene e Medicina Tropical", com frente para a "Rua da Junqueira") in DIAS DOS REIS
 Rua da Junqueira - (1958) Foto de Salvador de Almeida Fernandes ( O "IMT-Instituto de Medicina Tropical" nos anos cinquenta) in  AFML
 Rua da Junqueira - (1961) Foto de Arnaldo Madureira (O "IMT-Instituto de Medicina Tropical", fachada principal)  in  AFML
 Rua da Junqueira - (1961) (Fachada Sul do edifício do "IMT-Instituto de Medicina Tropical) in  AFML
 Rua da Junqueira - (1961) Foto de Arnaldo Madureira (A estátua decorativa representando "a ciência e o homem", que ladeiam as escadas da entrada principal do "Instituto de Medicina Tropical", na "Rua da Junqueira") in  AFML 
 Rua da Junqueira - (1961) Foto de Arnaldo Madureira (A estátua decorativa representando "A Medicina e a Farmácia", ladeando as escadas da entrada principal do "Instituto de Medicina Tropical) in  AFML
 Rua da Junqueira - (1966) Foto de Armando Serôdio (Entrada principal do "Instituto de Medicina Tropical", com a estátua de "Garcia de Orta")  in  AFML

(CONTINUAÇÃO) - RUA DA JUNQUEIRA [ XXIV ]

«O INSTITUTO DE HIGIENE E MEDICINA TROPICAL»

O «INSTITUTO DE HIGIENE E MEDICINA TROPICAL» foi criado em 24 de Abril de 1902, por carta de lei do Rei "D. CARLOS I", com a designação inicial de «ESCOLA DE MEDICINA TROPICAL».
Desde 1887, este ensino de "Medicina Tropical" era desempenhado na "ESCOLA NAVAL", destinando-se exclusivamente aos médicos do "MINISTÉRIO DA MARINHA E ULTRAMAR".
Foi no edifício da "CORDOARIA NACIONAL" na ala  nascente instalada a (primeira) "ESCOLA", sendo o ensino vocacionado para a melhoria do conhecimento cientifico dos problemas de saúde ligadas aos meios tropical e intertropical, especialmente no "ULTRAMAR PORTUGUÊS". 
No ano de 1937, a "ESCOLA DE MEDICINA TROPICAL" foi transformada em "INSTITUTO DE MEDICINA TROPICAL-IMT", com laboratórios, biblioteca especializada e instalações para Higiene e Patologias Exóticas.
A construção do novo edifício para o INSTITUTO deu-se entre 1954 e 1958 em terrenos que pertenciam ao "MORGADO DOS SALDANHAS".
Com a nova instalação no moderno edifício construído junto do "HOSPITAL DO ULTRAMAR" (actual Hospital Egas Moniz), o qual - como Hospital especializado em doenças tropicais - lhe servia de apoio. Estas instalações foram sendo alargadas, encontrando-se presentemente nos jardins do antigo "PALÁCIO BURNAY" (mesmo ao lado) modernos edifícios, construídos para dar apoio ao "INSTITUTO".
O "INSTITUTO DE HIGIENE E MEDICINA TROPICAL" na "RUA DA JUNQUEIRA", 96 é uma instituição centenária, ímpar na academia portuguesa. Vocacionada inicialmente para o estudo, ensino e clínica das doenças tropicais, evoluiu recentemente para uma abordagem integrada que vai desde o nível molecular aos sistemas globais de saúde, adoptando, sem abandonar a sua vocação tropical, um forte empenho na resolução de problemas de saúde que, em todos os Continentes, afligem os mais pobres e os excluídos.
 Aquando da inauguração das novas instalações do "IMT" em 1958, foi também colocado na entrada da porta principal, virada para a "RUA DA JUNQUEIRA", a estátua do médico e naturalista, "GARCIA DE ORTA", figura do século XVI ligada aos DESCOBRIMENTOS e à expansão Marítima Nacional. É justamente considerado o fundador da "MEDICINA TROPICAL". Tem uma estátua de bronze, com pedestal em pedra, obra executada pelo escultor "JOAQUIM MARTINS CORREIA".
Pelo Decreto-Lei número 47 102 de 16 de Julho de 1966, o "INSTITUTO DE MEDICINA TROPICAL" passou a chamar-se "ESCOLA NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA E DE MEDICINA TROPICAL - ENSPMT", que se ocupava também da vertente da saúde pública.
No ano de 1972, com o Decreto-Lei nº 372/72 de 2 de Outubro, o "ENSPMT"  divide-se em duas instituições, dando origem ao actual "INSTITUTO DE HIGIENE E MEDICINA TROPICAL" e à "ESCOLA NAVAL DE SAÚDE PÚBLICA".
O "INSTITUTO DE HIGIENE E MEDICINA TROPICAL" manteve-se na dependência do "MINISTÉRIO DO ULTRAMAR até à sua extinção. Em 1980 foi integrado na «UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA».

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA JUNQUEIRA [ XXV ] A FIL-FEIRA DAS INDUSTRIAS DE LISBOA»

sábado, 26 de outubro de 2013

RUA DA JUNQUEIRA [ XXIII ]

 Rua da Junqueira - (2009) Foto de autor não identificado (A "Capela" construída pelos "Lavradios" no pátio do antigo "Palácio do Marquês de Angeja", com o portão virado para a "Rua da Junqueira") in  BERNARDINO MACHADO
 Rua da Junqueira - (2009) Foto de autor não identificado ( Pormenor da "Capela" do antigo "Palácio do Marquês de Angeja", mandada construir pelos familiares de "D. Francisca Teresa de Almeida", os "Condes do Lavradio") in IGESPAR
 Rua da Junqueira - (2007) (As antigas instalações do "Palácio do Marquês de Angeja" vistas de Sul para Norte) in  GOOGLE EARTH
 Rua da Junqueira - (19__) Foto de Paulo Guedes (Neste antigo "Palácio do Marquês de Angeja", construído depois de 1755, e propriedade da família até 1910, passou para a posse da CML e está hoje a funcionar neste edifício a "Biblioteca Municipal de Belém") (Abre em tamanho grande) in  AFML
 Rua da Junqueira - (1967) Foto de Vasco Gouveia Figueiredo (A "Biblioteca Municipal de Belém" a funcionar no antigo "Palácio do Marquês de Angeja", na "Rua da Junqueira") in  AFML
Rua da Junqueira - (1967) - Foto de Vasco Gouveia de Figueiredo (A "Biblioteca Municipal de Belém" no antigo "Palácio do Marquês de Angeja")  in  AFML 

(CONTINUAÇÃO) RUA DA JUNQUEIRA [ XXIII ]

«O PALÁCIO DO MARQUÊS DE ANGEJA ( 2 )»

O «PALÁCIO DO MARQUÊS DE ANGEJA» imóvel de planta centralizada e irregular, é constituído por um edifício principal, de dois andares, com janelas de peito no primeiro andar e de sacada emoldurada com cantaria no piso superior, e por um conjunto de construções anexas. a "CAPELA" situa-se no pátio, apresentando fachada de feição neoclássica desenhada por um portal sobrepujado por uma janela e rematado por um frontão triangular, com fogaréus a  coroar os acrotérios.
O Palácio prolonga-se até à área onde se fez o "Largo" (que tem o nome do fundador da casa) cujos terrenos faziam parte do pátio da casa. Na parte de trás do "PALÁCIO ANGEJA" vamos encontrar prédios de rendimento. A CAPELA mantém a nota  solarenga Setecentista existindo ainda restos do "FORTE DE S. PEDRO DE BELÉM ou ESTRELA", cujo paredão se tem conservado, distribuindo-se na antiga "RUA DA PRAIA DA JUNQUEIRA", - já tão longe, afinal da praia tornada cais -  as pedras velhinhas onde o mar batia nesses tempos.
O Palacete manteve-se propriedade da família "ANGEJA" até 1910, altura em que foi adquirida pelo comerciante "JOSÉ ALVES DINIZ", que o converteu em prédio de rendimento.
Possivelmente neste Palácio o escritor "JOÃO BAPTISTA DA SILVA LEITÃO DE ALMEIDA GARRETT" "VISCONDE DE ALMEIDA GARRETT" (1799-1854), sendo nesta residência que viveu e adoeceu ( 1 ).
Outro ilustre residente foi o "Dr. BERNARDINO MACHADO" "VISCONDE DE "SÃO LUÍS", que no período da sua estadia entre 1888 a 1895, foi DEPUTADO, PAR DO REINO e "MINISTRO DAS OBRAS PÚBLICAS, COMÉRCIO E INDUSTRIA".
Em 1913 era demolida a última guarita sobrevivente do "FORTE DE SÃO PEDRO DE BELÉM" (depois da "ESTRELA").
O corpo poente do Palácio foi habitado durante largos anos e serviu também de COLÉGIO, vindo finalmente a ser adquirido pela CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA no ano de 1962, que depois de o reabilitar o adaptou para ali instalar uma biblioteca.
A "BIBLIOTECA MUNICIPAL DE BELÉM", inaugurada em 11 de Junho de 1965, encontra-se instalada no corpo poente deste Palacete Setecentista. Esta Biblioteca tem um fundo bibliográfico de aproximadamente vinte e quatro mil volumes, que se encontram em grande parte informatizados e em livre acesso.

( 1 ) - (BIBLIOTECA NACIONAL - BICENTENÁRIO DE ALMEIDA GARRETT)

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)-«RUA DA JUNQUEIRA [ XXIV ]-O INSTITUTO DE HIGIENE E MEDICINA TROPICAL»

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

RUA DA JUNQUEIRA [ XXII ]

 Rua da Junqueira - (2009) Foto de autor não identificado (Lado Norte do conjuntos de edifícios do antigo "Palácio do Marquês de Angeja" no "Altinho" virado para a "Rua da Junqueira") in MANUEL BERNARDO MACHADO
 Rua da Junqueira - (2007) (Os limites do "PALÁCIO ANGEJA" tinham grande dimensão. A Norte da "Rua da Junqueira", a Sul "Avenida da Índia", Nascente "Largo Marquês de Angeja" e a Poente a Travessa da Pimenteira") in GOOGLE EARTH
 Rua da Junqueira - (2013) (A "Biblioteca Municipal de Belém" está instalada na parte poente do antigo "Palácio do Marquês de Angeja"  in  GOOGLE EARTH
 Rua da Junqueira - (1939) Foto de Eduardo Portugal ("Palácio do Marquês de Angeja" virado para a "Avenida da Índia", que nesta altura podia ver-se ainda a sua antiga muralha) in AFML
 Rua da Junqueira - (1939) Foto de Eduardo Portugal ("Palácio do Marquês de Angeja" foi construído em cima das ruínas do "Forte de S. Pedro de Belém". Em 1913 existia ainda uma guarita que foi demolida, hoje resta apenas um pouco da sua antiga muralha) in AFML 
Rua da Junqueira - (Século XIX) Desenho de autor ilegível (Desenho da casa do "Marquês de Angeja" na "Rua da Junqueira", onde viveu e adoeceu "Almeida Garrett(1799-1857) in MANUEL BERNARDO MACHADO


(CONTINUAÇÃO) - RUA DA JUNQUEIRA [ XXII ]

«O PALÁCIO DO MARQUÊS DE ANGEJA ( 1 )»

Antes de se falar no «PALÁCIO DO MARQUÊS DE ANGEJA» vamos situar-nos numa construção que por ali existiu e suas consequências subjacentes.
Com a necessidade de reforçar a nossa defesa marítima após a "RESTAURAÇÃO", levou a que muitas fortificações fossem implantadas na margem direita do Tejo.
Assim, desde CASCAIS a XABREGAS, vários tipos de defesa marítima foram construídos: FORTES, FORTINS, BALUARTES, FORTALEZAS e TORRES.
A Poente da "Rua da Junqueira" foi edificado o "FORTE DE S. PEDRO DE BELÉM ou ESTRELA".
A guerra da "Sucessão de Espanha" no ano de 1702 em que Portugal se viu envolvido, fez com que o rei "D. PEDRO II" mandasse fortificar LISBOA a toda a pressa, construindo muros, fortes e artilhando Torres.
Entretanto a guerra da "Sucessão de Espanha" chega efectivamente ao fim em 1713, graças à preciosa intervenção do nosso diplomata "D. LUÍS DA CUNHA", que juntamente com o "CONDE DE TAROUCA", representaram com mérito os interesses portugueses no chamado "TRATADO DE UTREQUE", no congresso que tinha como finalidade por fim ao conflito entre PORTUGAL e ESPANHA. Do congresso saíram vários acordos que estabeleceram as condições de paz entre a FRANÇA, INGLATERRA a ESPANHA e outros países envolvidos.
Em consequência de uma notícia publicada em "AMESTERDÃO" no ano de 1719 mas referida aos anos de 1706 e 1707, indicava já a existência nessa época do "FORTE DE S. PEDRO DE BELÉM" (mais tarde designado também por ESTRELA) no local, onde mais tarde viria a ser edificado o "PALÁCIO DO MARQUÊS DE ANGEJA".
O "Palácio do Marquês de Angeja" foi mandado construir a sua nova habitação - a anterior tinha ficado destruída por efeito do terramoto de 1755 - em terrenos cedidos pela Coroa ao "1º MARQUÊS DE ANGEJA" e "2º CONDE DE VILA VERDE", "D. PEDRO ANTÓNIO DE NORONHA E ALBUQUERQUE" (1661-1731). Inicialmente erigido na parte mais recuada da face da Rua Principal, tendo sido edificado sobre os restos do "FORTE DE S. PEDRO DE BELÉM". Existe uma foto neste blogue onde podemos ver uma parte substancial da muralha que ficava mais virada ao rio.
Esta Palácio pertenceu também aos "CONDES DO LAVRADIO", em virtude do "4º Marquês de Angeja" e "6º CONDE DE VILA VERDE", "D. JOSÉ XAVIER DE NORONHA CAMÕES DE ALBUQUERQUE DE SOUSA MONIZ(1741-1811), ter casado com a filha do "2º CONDE DO LAVRADIO" em 23.01.1768; "D. FRANCISCA TERESA DE ALMEIDA", acabando por ser a família da esposa a edificar a "CAPELA DO PALÁCIO".
O "1º MARQUÊS DE ANGEJA" foi entre 1714-1718 "3º VICE-REI DO BRASIL". E pelo tratado de "UTREQUE" (nos Países-Baixos) foi reconhecido de novo a "PORTUGAL" a posse da "COLÓNIA DO SACRAMENTO" em terras SUL-AMERICANAS.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA JUNQUEIRA [ XXIII ]-O PALÁCIO DO MARQUÊS DE ANGEJA ( 2 )»

sábado, 19 de outubro de 2013

RUA DA JUNQUEIRA [ XXI ]

 Rua da Junqueira - (2011) Foto de autor não identificado (A "Casa Nobre de Lázaro Leitão Aranha", hoje "Universidade Lusíada" vista do lado poente)  in  REITORIA DA UNIVERSIDADE LUSÍADA
 Rua da Junqueira - (2011) Foto de autor não identificado (Ao lado do "Torreão" com telha de mansarda, podemos observar a antiga capela, com porta de verga recta e dupla moldura recortada, encimada por óculo ovalado e por cima, rematado em cornija onde assenta a sineira em arco de volta perfeita) in  SIPA
 Rua da Junqueira - (2008)? Foto de autor não identificado (Pormenor do torreão com telhado de mansarda, na antiga "Casa Nobre de Lázaro Leitão Aranha", hoje "Universidade Lusíada", fachada principal) in  IGESPAR
 Rua da Junqueira - (2011) (A escadaria nobre de pedra na antiga "Casa Nobre de Lázaro Leitão Aranha", construída já no século XX, está ladeada de 12 figuras sobre plintos decorados em azulejos recortado, em monocromia, azul de cobalto sobre fundo branco, representando os doze meses do ano, identificados por cartela inferior. Hoje entrada principal da Reitoria da Universidade Lusíada)  in  SIPA
 Rua da Junqueira - (2011) (No cimo da escadaria nobre uma porta de arco abatido, ladeada de janela, com silhar de azulejos do mesmo perfil e moldura recortada, dá acesso a uma ampla sala com pavimento em "parquet" in  SIPA
Rua da Junqueira - (1950)? Foto de Horácio Novais (A antiga "Casa Nobre de Lázaro Leitão Aranha", na "Rua da Junqueira". Palacete que mudou várias vezes de proprietário) (Abre em tamanho grande) in AFML 


(CONTINUAÇÃO) - RUA DA JUNQUEIRA [ XXI ]

«A CASA NOBRE DE LÁZARO LEITÃO ARANHA (2)»

Em 15.03.1902 a casa e quinta foram compradas pelo "1º Visconde do Marco" "CARLOS ALBERTO SOARES CARDOSO(1863-1936), bacharel em Matemática pela Universidade de Coimbra, casado com a filha dos primeiros "CONDES DE BURNAY", "D. AMÉLIA CAROLINA DA CONCEIÇÃO OLIVEIRA GONÇALVES", herdeira do proprietário anterior.
O "VISCONDE DO MARCO" procurou de imediato executar obras de remodelação no edifício, começando por um armazém que ficava atrás da capela, um corpo de dois pisos, com vários quartos, colocação de um sistema de drenagem na cave, que se alagava frequentemente. Transferiu a primitiva entrada principal da casa para a porta do lado nascente e no novo átrio foi construída uma escadaria nobre de pedra, cujas paredes foram revestidas de azulejos setecentistas, recortado em monocromia, azul cobalto sobre fundo branco, representando os doze meses do ano, identificados por cartela inferior, conforme projecto de "FRANCISCO VILAÇA".
Muitas das transformações que esta casa sofreu foram da mão dos  arquitectos: "ERNEST KORRODI", "NICOLA BIGAGLIA", "FRANCISCO VILAÇA" e "RAUL LINO".

Entretanto e antes da compra da casa pelo "1º VISCONDE DO MARCO", a CAPELA já tinha sido transformada em Cocheira, as paredes cobertas de alvenaria e o chão de asfalto.
Das obras mandadas ainda realizar pelo Visconde, na antiga entrada, construiu-se a biblioteca, cujo recheio era precioso. Foi acrescentada uma galeria superior no Torreão poente e no Torreão nascente mandou fazer mais quartos.
Quando do restauro na CAPELA (que tivera o orago de Nª. Senhora dos Aflitos) depois de picado o reboco das paredes e o chão, surgiram na sua beleza os painéis de azulejos representando, lateralmente o "CAMINHO DO CALVÁRIO" e a "CRUCIFICAÇÃO"(Evangelho), e nas da entrada as figuras de "JOSÉ DE ARIMATEIA" e de "NICODEMUS". No chão apareceram belos desenhos em xadrez de pedras cinza e roxa.

Nos anos quarenta do século vinte o palácio é comprado pelo antiquário "JOSÉ NASCIMENTO" que ai habitou até cerca dos anos cinquenta. No ano seguinte num leilão é vendido grande parte do recheio da casa.
Em 1980 o ESTADO pensa adquirir o imóvel para ali instalar a "DIRECÇÃO-GERAL DE COOPERAÇÃO DO MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS". No ano de 1983 o Palácio era propriedade de uma Seguradora, passando ainda nessa década para a posse da "COOPERATIVA DE ENSINO UNIVERSIDADE LUSÍADA", que ainda neste Palácio funciona. Sendo o edifício classificado como imóvel de interesse público.

COMO CURIOSIDADE
«LÁZARO LEITÃO ARANHA» terá fundado um recolhimento para viúvas nobres, no ano de 1747, na "TRAVESSA DO RECOLHIMENTO DE LÁZARO LEITÃO", com acesso pela "RUA DE SANTA APOLÓNIA" a (XABREGAS).

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA JUNQUEIRA [ XXII ]-O PALÁCIO DO MARQUÊS DE ANGEJA ( 1 )»
  

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

RUA DA JUNQUEIRA [ XX ]

 Rua da Junqueira - (2008) Foto de autor não identificado (A "Casa Nobre de Lázaro Leitão Aranha" na "Rua da Junqueira" vista do lado nascente) in MARCAS DAS CIÊNCIAS E DAS TÉCNICAS
 Rua da Junqueira - (2011) Foto de autor não identificado (Fachada da entrada da "Casa Nobre de Lázaro Leitão Aranha", hoje "Universidade Lusíada" onde podemos ver sete janelas viradas para a "Rua da Junqueira", sendo as três centrais mais elaboradas, estando a central encimada por frontão triangular) in   GEOLOCATION
 Rua da Junqueira - (2008)? Foto de autor não identificado (Fachada da antiga "Casa Nobre de Lázaro Leitão Aranha", destacando-se o torreão com telhado de mansarda) in  IGESPAR
 Rua da Junqueira - (1930)? Foto de Eduardo Portugal (O Torreão do lado poente da antiga "Casa Nobre da Lázaro Leitão Aranha" na "Rua da Junqueira") in  AFML
 Rua da Junqueira - (1959) Foto de Armando Serôdio ("Casa Nobre de Lázaro Leitão Aranha" um pormenor gracioso das sete janelas de peitoril rectilíneas e com molduras de cantaria, assentes em pequenas mísulas e recortadas na zona superior; as centrais são mais elaboradas, duas com remate em cornija e a central com friso côncavo e pedra de fecho, encimada por frontão triangular) in   AFML
 Rua da Junqueira - (1966) Foto de Garcia Neves (A antiga "Casa nobre de Lázaro Leitão Aranha" na "Rua da Junqueira") in  AFML
Rua da Junqueira - (1930) Foto de Eduardo Portugal (A antiga "Casa Nobre de Lázaro Leitão Aranha" na "Rua da Junqueira", encontrando-se a Capela no primeiro edifício do conjunto nobre) in  AFML

(CONTINUAÇÃO) - RUA DA JUNQUEIRA [ XX ]

«A CASA NOBRE DE LÁZARO LEITÃO ARANHA (1)»

O "PALÁCIO DE LÁZARO LEITÃO ARANHA" na "RUA DA JUNQUEIRA" com os números 194 e 196, foi edificado pelo Principal da Igreja Paroquial e lente da "Universidade de Coimbra" «LÁZARO LEITÃO ARANHA» em 1734, após ter mandado demolir as casas que ali existiam.
«LÁZARO LEITÃO ARANHA» foi uma importante personagem do reinado de "D. JOÃO V", tendo feito parte da "EMBAIXADA ENVIADA A ROMA EM 1712".
«CARLOS MARDEL» chegou a LISBOA em 1733, com ideias inovadoras em matéria de arquitectura, por isso, teve o privilégio de lhe ser entregue a obra da construção deste Palácio junto ao rio TEJO.
A fachada principal é de um só andar, rematada por uma cimalha com quatro vasos.
Tem o conjunto sete janelas de peitoril rectilíneas com moldura de cantaria, sendo as três do centro elaboradas, seguindo duas com remates em cornija e uma com friso côncavo de pedra de fecho, encimada por frontão triangular. De cada lado existe um corpo de duas portas ladeadas por óculos ovalizados para iluminação. Cada um destes corpos tem outro andar de torreão com telhados de mansarda.
Do lado direito, um pequeno corpo com portas em verga recta e dupla moldura recortada com pingentes laterais, encimado por óculo ovalizado com dupla moldura, a exterior formando volutas, rematando em cornia onde assenta a sineira de arco de volta perfeita e corresponde à Capela, construída em 1740.

Esta casa tornou-se célebre no século XIX quando deste Palácio foi raptada pelo "Dr. JOÃO FRANCISCO DE OLIVEIRA", médico da REAL CÂMARA, na noite de 27 de Maio de 1803, uma linda senhorinha, "D. EUGÉNIA JOSÉ DE MENESES", filha do 1º CONDE DE CAVALEIROS neta do 5º MARQUÊS DE MARIALVA, dama da Princesa Regente, e que meses depois deu à luz uma menina.
O raptor foi sentenciado à forca, mas logrou fugir para a América, de onde regressou vinte anos depois, para ser MINISTRO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS. Mãe e filha entraram num Convento, tendo mais tarde "D. EUGÉNIA" sido perdoada e reabilitada a menina que veio a casar em 1847 com "WILLIAM SMITH", Cônsul-Geral da Grã-Bretanha, já viúvo e apontado como filho natural do Rei Guilherme IV da Inglaterra.
O interesse escandaloso - a coincidência - desta história está em supor-se, quase sem erro, que a aventura do médico da REAL CÂMARA foi um serviço por ele prestado ao príncipe "D. JOÃO" de quem era íntimo, príncipe que teria sido o verdadeiro sedutor de "D. EUGÉNIA JOSÉ".
Também nesta casa viveu como inquilino o "PRÍNCIPE CARLOS LUÍS FREDERICO MECKLEMBURGO", cunhado do rei de Inglaterra, um dos oficiais que viera na companhia do "CONDE DE LIPPE", em 1762.
A casa foi mudando sucessivamente de mãos, até que no século XIX era vendida em haste pública no ano de 1839 e adquirida por "CAETANA MARIA ROSA". A casa encontrava-se arruinada por não ser habitada, assim, em 16 de Setembro de 1843, "CAETANA MARIA ROSA" vendeu toda a Quinta a "MANUEL JOAQUIM DA COSTA E SILVA".
Entretanto no ano de 1880 tendo o proprietário partido para o Brasil, colocou a Quinta à venda, sendo adquirida por "MANUEL JOAQUIM DE OLIVEIRA" que alugava a casa a vários locatários. No local ainda funcionou a "ADMINISTRAÇÃO DO 4º BAIRRO" e uma Esquadra.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA JUNQUEIRA [ XXI ] A CASA NOBRE DE LÁZARO LEITÃO ARANHA (2)»

sábado, 12 de outubro de 2013

RUA DA JUNQUEIRA [ XIX ]

 Rua da Junqueira - (depois de 20.03.1940) -Foto de autor não identificado (O "Forte de São João da Junqueira" depois de começarem os trabalhos de demolição) in  PEREGRINAÇÕES EM LISBOA (LIVRO)
 Rua da Junqueira - (Ant. 20.03.1940) Foto de José Artur Leitão Bárcia (O "Forte de S. João da Junqueira" que serviu no século XVIII de prisão do ESTADO) (Abre em tamanho grande) in AFML 
 Rua da Junqueira - (depois de 20.03 1940) Foto de autor não identificado (O "Forte de S. João da Junqueira", conhecido também por prisão da JUNQUEIRA, serviu ainda de "Posto da Guarda Fiscal") in  PEREGRINAÇÕES EM LISBOA(LIVRO)
 Rua da Junqueira - (Ant. a 1940) Foto de autor não identificado (O Forte da Junqueira actualmente demolido, tratava-se de uma construção do século XVII, que cumpriu, durante o reinado de D. JOSÉ, a função de cadeia. Nela se aprisionaram os "supostos" implicados no atentado contra a vida do monarca) in  BELÉM REGUENGO DA CIDADE (LIVRO)
 Rua da Junqueira - (séc. XVIII-Gravura de H. L´Eveque) (Panorama de Lisboa vista da Junqueira. No primeiro plano, grupos de populares, entre os quais um ajuntamento de Galegos dançando. Em plano secundário, provavelmente o "FORTE DE S. JOÃO DA JUNQUEIRA", cuja existência remonta ao séc. XVII. Reconhecemos que a localização não era bem na frente do "Palácio Burnay" (segundo outra fonte), no entanto como se trata de uma gravura, poderá o autor ter usado a "liberdade visual") in O POVO DE LISBOA(LIVRO)-MUSEU DA CIDADE
 Rua da Junqueira - (Início dos anos 50 do Séc. XX) (Vista aérea da zona da JUNQUEIRA e terrenos onde veio a ser construída a FIL. Assinalamos com um X em azul, o local aproximado do antigo "Forte de S. João da Junqueira". Nesta foto ainda não existia o complexo do "Instituto de Medicina Tropical" que se instalou num edifício construído junto ao "Hospital do Ultramar" em 1958) in SKYSCRAPERCITY
Rua da Junqueira - (2001) (O saudoso "Henrique Viana" na interpretação de "D. Francisco de Távora". Uma série histórica televisiva, realizada pela RTP, em que a prisão original da "Família dos Távoras" foi precisamente neste "Forte de S. João da Junqueira" in O PROCESSO DOS TÁVORAS NA RTP

(CONTINUAÇÃO) - RUA DA JUNQUEIRA [ XIX ]

«O FORTE DE SÃO JOÃO DA JUNQUEIRA»

O «FORTE DE S. JOÃO DA JUNQUEIRA» ou simplesmente «FORTE DA JUNQUEIRA» terá sido construído no reinado de D. JOÃO IV, provavelmente após 1649, com a finalidade de reforçar a defesa marítima portuguesa depois da RESTAURAÇÃO, e dos eventuais ataques que pudessem suceder por parte dos espanhóis. Este forte ficava junto do areal da JUNQUEIRA, com a sua frente virada para a (actual) "AVENIDA DA ÍNDIA", a nascente do "EDIFÍCIO DA CORDOARIA NACIONAL", em terrenos que hoje são da "RUA MÉCIA MOUSINHO DE ALBUQUERQUE" e a "FIL".

O Plano Joanino de defesa do PORTO DE LISBOA e da barra do TEJO, resultava da construção de uma série de fortes nas enseadas arenosas entre "XABREGAS" e o "CABO DA ROCA". 
O sistema de defesa marítima de Lisboa, constituído por três sub-sistemas, as "REPARTIÇÕES DE LISBOA" (nas margens Norte e Sul do TEJO), CASCAIS (dividia entre a "parte de dentro" e a "parte de fora") e SETÚBAL. Vamos hoje falar da "REPARTIÇÃO DE CASCAIS" e da "parte de dentro" que representava: 1 TORRE; 2 FORTALEZAS e 20 FORTES entre eles o "FORTE DE S. JOÃO DA JUNQUEIRA" e o "FORTE DE S. PEDRO DE BELÉM" (também chamado da ESTRELA). Deste último, mais tarde será referido quando falarmos dos «MARQUESES DE ANGEJA» no lugar da «BIBLIOTECA MUNICIPAL DE BELÉM".
De acordo com uma carta dirigida a ,D. JOÃO IV o "CONDE DE CANTANHEDE", "D. LUÍS DE MENESES" declarava-se pronto a iniciar as fortificações da parte ribeirinha da cidade. Em 1763, existiam para nascente da "TORRE DE BELÉM" 12 fortificações ribeirinhas (Mapa de Portugal Antigo e Moderno, Vol. 2 do P. João Baptista de Castro), entre elas, o "FORTE DE S. JOÃO DA JUNQUEIRA". Muito modificado, conseguiu chegar ao século XX, tendo sido demolido em  (20.03.1940) aquando da abertura da "AVENIDA DA ÍNDIA", nos trabalhos preparatórios dos acessos à "EXPOSIÇÃO DO MUNDO PORTUGUÊS".
O Forte já no ano de 1666 se encontrava praticamente concluído. Tinha, nessa altura, pequenas dimensões; uma casa forte à retaguarda e uma bateria voltada ao TEJO. Foi sucessivamente aumentado e transformado, sendo provavelmente no reinado de D. JOSÉ I que atingiu as grandes dimensões.
Este forte de "São João da Junqueira" no tempo deste monarca foi convertido em prisão do ESTADO. Tenebroso cárcere, com suas casas subterrâneas, suas lendas tristes, horríveis narrações que por muito exageradas  que tivessem sido pelo desespero das vítimas e pela "piedade", sempre presente dos inimigos do "Marquês de Pombal" bastante deverá ter de verdadeiro e abominável.
Cadeia severa dos presos políticos, tantos deles inocentes - túmulo em vida, do qual grande parte dos encarcerados nunca mais saiu para ver o Sol - ela está ligada à história do século XVIII; encheu-se de nobres e de plebeus, réus confessos e  simples suspeitos, principalmente quando da «CONSPIRAÇÃO DOS TÁVORAS».
O forte-prisão, tinha três pavimentos abaixo do nível do solo; o mais fundo era o "cemitério"; pois nele se enterravam os que morriam durante o cativeiro, e os outros dois constituíam propriamente as prisões.
Após a queda do MARQUÊS, a prisão foi extinta. Por carta de 1796 do príncipe regente D. JOÃO, foi criada "nas casas e armazéns do Forte de São João da Junqueira" um "PORTO FRANCO" (num edifício acrescentado e desenhado por "FRANCISCO FABRI") a iniciar a sua actividade a 1 de Janeiro de 1797
Em 1806, o "PORTO FRANCO" foi extinto, por se ter tornado "casa de contrabando público". Este casarão do areal da Junqueira e antes de ser demolido, esteve assim durante anos abandonado. Embora atarracado e misterioso, veio depois a servir de POSTO DA GUARDA FISCAL, e cujo semblante não desdiz da função odiosa que teve um dia.
Á sua demolição se refere o "DIÁRIO DE NOTÍCIAS" de 23.11.1939, "Nogueira de Brito", sob o título «A JUNQUEIRA DE OUTROS TEMPOS E O FORTE DE SÃO JOÃO QUE VAI A DEMOLIR».

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA JUNQUEIRA [ XX ] A CASA NOBRE DE LÁZARO LEITÃO ARANHA ( 1 )»

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

RUA DA JUNQUEIRA [ XVIII ]

 Rua da Junqueira - (1950)? Foto de Horácio Novais ("Palacete da Quinta das Águias" que no século XIX foi adquirido pelo Visconde da Junqueira, abastado contratador de tabaco e sabão, e dono da "Quinta de Alorna" em Almeirim) in   AFML 
 Rua da Junqueira - (Anos 50 do séc. XX)? Foto de autor não identificado (A entrada  do "Palácio das Águias" pela "TRAVESSA DA BOA-HORA") in   SKYSCRAPERCITY
 Rua da Junqueira - (1924) Foto de Eduardo Portugal ("Quinta das Águias ou Palácio das Águias" uma parte do seu Jardim) in  AFML 
Rua da Junqueira - (2006) (Silhar de azulejos com cenas campestres do século XVIII na entrada do Palácio) in  SKYSCRAPERCITY

(CONTINUAÇÃO) - RUA DA JUNQUEIRA [ XVIII ]

«O PALÁCIO E QUINTA DAS ÁGUIAS ( 3 )»

Com as sucessivas cedências de quotas na «SOCIEDADE AGRÍCOLA DE ALORNA», a QUINTA e a CASA  vieram a pertencer à família do «DR. FAUSTO LOPO DE PATRÍCIO CARVALHO», que com o Arquitecto "VASCO REGALEIRA" empreenderam vastas obras de restauro, não só na casa como no jardim e na quinta. 

A QUINTA era murada e o gradeamento que hoje a circunda foi encomendado, bem como os pavilhões dos extremos que dão para a "RUA DA JUNQUEIRA", por "JOSÉ DIAS LEITE SAMPAIO" a "FORTUNATO LODI".
Em 1876, uma grande chuvada provocou uma torrente tão impetuosa no «RIO SECO», que derrubou o gradeamento, levando-o até à parede da "CORDOARIA NACIONAL".

A casa tem a entrada principal virada a nascente e acesso pelo portão na "TRAVESSA DA BOA-HORA", apresenta dois corpos salientes em relação ao do centro, que é recuado e com telhado de telha vidrada.
O corpo central tem três vãos ladeados por colunas geminadas cujo remate central é um arco que intercepta a balaustrada, sobrepujando o conjunto a varanda do primeiro andar, com balaustrada interrompida ao centro.
Os corpos salientes têm uma porta e uma janela no primeiro andar, e as do lado direito são correspondentes à pequena capela, fundada por "JOSÉ NOGUEIRA" em 1748. No altar.mor havia um retábulo de "GUILLARD", representando a "ANUNCIAÇÃO", que foi retirado. O portal nobre é emoldurado de cantaria, com tímpanos triangulares e ladeado por janelas. O terraço, no plano superior, tem balaustrada interrompida ao centro por arco de volta batida. Para ele abrem cinco janelas-portas de arco abatido.
A fachada Sul, que dá para o jardim e para a "RUA DA JUNQUEIRA", é sobranceira a uma esplanada guarnecida de balaustradas onde havia quatro estátuas de mármore recentemente transferidas para a "QUINTA DE ALORNA".
O conjunto está dividido em três corpos, sendo o central recuado em relação aos dos extremos, que têm janela de peitoril no andar térreo e de sacada no 1º andar. No corpo central tem ainda arcaria de sete vãos com pilares de cantaria de secção piramidal a sustentar o varandim do primeiro andar. Cinco janelas-portas no andar superior e duas janelas e duas portas no andar térreo completam o conjunto.
A fachada poente é idêntica à do nascente. Exteriormente, na fachada da frente, vê-se um silhar de azulejos de figuras avulsa, como outros existentes nas salas e na cozinha. O jardim à francesa, mal conservado, tem tanques e bancos revestidos lateralmente de azulejos com figuras de meninos.

O "Palácio e a Quinta" pertencem hoje a um fundo do BES e encontra-se para venda.
O jardim possuía alguma flora rara está inventariada não podendo por isso, ser destruída. Mas a incúria dos homens e a erosão natural do tempo tem-se encarregado de contrariar esse impedimento legal.
O lugar possui uma decoração rica em azulejos tanto no jardim como no PALÁCIO, onde infelizmente, muitos azulejos têm vindo a ser saqueados.
Este é mais um imóvel na "RUA DA JUNQUEIRA" que parece votado ao abandono, como acontece também com o "PALÁCIO DOS CONDES DA RIBEIRA GRANDE", que vão "morrendo" lentamente nesta LISBOA de bizarrice. Mas a situação parece não incomodar muito boa gente.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA JUNQUEIRA [ XIX ] O FORTE DE SÃO JOÃO DA JUNQUEIRA»

sábado, 5 de outubro de 2013

RUA DA JUNQUEIRA [ XVII ]

 Rua da Junqueira - (1930?) Foto de Eduardo Portugal (Gradeamento com torres nas extremidades da "Quinta e Palácio das Águias", virada para a "Rua da Junqueira") in AFML 
 Rua da Junqueira - (Provavelmente anos 50 séc. XX) Foto de autor não identificado (Portão principal da "Quinta das Águias", encimada com as águias nos pilares das ombreiras do portão) in  SKYSCRAPERCITY
 Rua da Junqueira - (Possivelmente nos anos 50 do séc. XX) (Palácio e jardim da "Quinta das Águias") in SKYSCRAPERCITY

Rua da Junqueira - (ant. 2006) Foto de autor não identificado (Silhar de azulejos com figuras diversas na parte da escada de acesso ao primeiro andar) in  SKYSCRAPERCITY


(CONTINUAÇÃO) - RUA DA JUNQUEIRA [ XVII ]

«O PALÁCIO E QUINTA DAS ÁGUIAS ( 2 )»

A sua mãe era "D. TERESA DE BOURBON", filha do "2º CONDE DE "AVINTES" e irmã do Patriarca "D. TOMÉ DE ALMEIDA". Parece que "DIOGO DE MENDONÇA" tivera intenção de fazer testamento em favor da sobrinha "MARIA FRANCISCA", mas, por os pais desta lhe terem delapidado os bens, ao ponto de ter passado necessidade em "MAZAGÃO", anulou a intenção e fez em favor dos pobres doentes do "HOSPITAL REAL DE TODOS-OS-SANTOS".

Em 1764, os descendentes de "JOÃO PEDRO DE MENDONÇA" não se conformando com aquelas disposições testamentárias, moveram uma acção judicial que durou até 1838.
Por fim, a Mesa da "Santa Casa da Misericórdia", representando a entidade detentora do legado, após setenta e três anos e tendo gasto uma fortuna ganhou a demanda e colocou a Quinta à venda, devido ao seu estado de ruína.
Foi à praça nove vezes e só na última (1841) se encontrou comprador: "JOSÉ DIAS LEITE SAMPAIO", feito barão em 1843 e "VISCONDE DA JUNQUEIRA" em 1856, contratador do Tabaco e do Sabão, e dono de fábricas de Óleo em "ALCÂNTARA" e da "QUINTA DO VALE DE NABAIS", em ALMEIRIM (passando a ser conhecida por QUINTA DE ALORNA por ter pertencido a um descendente desta família).
O "VISCONDE DA JUNQUEIRA" viveu na sua casa de LISBOA até 1870. Sua filha, "EMÍLIA MONTEIRO SAMPAIO", que vivia muito mais na "QUINTA DE ALORNA", e pouco vinha à casa da JUNQUEIRA, tendo morrido em 1913 sem descendência directa, deixou a propriedade da JUNQUEIRA aos seus seis primos, que em 1915, constituíram a «SOCIEDADE AGRÍCOLA ALORNA».
Em 1914 foi a casa de LISBOA arrendada a "JOSÉ MORALES DE LOS RIOS".
Por sucessivas cedências de quotas, os novos proprietários moveram uma acção de despejo ao arrendatário. No princípio do século, em construções feitas na propriedade da JUNQUEIRA, que arderam em 1924, estiveram instaladas as  cocheiras da "EMPRESA DE VIAÇÃO EDUARDO JORGE", depois mudadas para a  "QUINTA DO ALMARGEM".

Após o falecimento do meio-irmão e da cunhada de "DIOGO DE MENDONÇA CORTE-REAL",  a casa e quinta foram alugadas aos "CONDES DE AVEIRAS" e "MARQUESES DE VAGOS". Entretanto, a filha de "JOÃO DE MENDONÇA", "MARIA FRANCISCA", julgando-se com direitos à propriedade e não conseguindo arrendá-la, foi viver para a casa com os seus filhos.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA JUNQUEIRA [ XVIII ]-O PALÁCIO E QUINTA DAS ÁGUIAS ( 3 )»

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

RUA DA JUNQUEIRA [ XVI ]

 Rua da Junqueira - (2008) ("Palácio das Águias" na  "Quinta das Águias", virado para a "Rua da Junqueira") (Abre em tamanho grandein  LISBOA S.O.S.
 Rua da Junqueira - (2008) (Fachada do "Palácio das Águias" num estado de degradação) (Abre em tamanho grande)  in  LISBOA S.O.S.
 Rua da Junqueira - (1966) Foto de Armando Serôdio ("Quinta e Palácio das Águias" iniciado por "Diogo de Mendonça Corte-Real, com projecto provável de Carlos Mardel. O gradeamento e dois pavilhões nos extremos e o portão, dão para a "Rua da Junqueira" ) in   AFML 
Rua da Junqueira - (séc. XVIII) ("Diogo de Mendonça Corte-Real"(1658-1736), Secretário de Estado de D. João V, um dos proprietários do "Palácio e Quinta das Águias" na Junqueira) in   WIKIPÉDIA

(CONTINUAÇÃO) - RUA DA JUNQUEIRA [ XVI ]

«O PALÁCIO E QUINTA DAS ÁGUIAS ( 1 )»

O "PALÁCIO E QUINTA DAS ÁGUIAS", como hoje é conhecido, tem entrada pela "RUA DA JUNQUEIRA" número 138 e ainda pelos números 1 e 5 da "CALÇADA DA BOA-HORA".
Foi no seu tempo uma atraente quinta e pertenceu à família de «DIOGO DE MENDONÇA CORTE-REAL», que foi Secretário de Estado de "D. José I".

Está situada entre a "CALÇADA DA BOA-HORA" a nascente e o antigo "RIO SECO" a poente, tendo a frente virada para a "RUA DA JUNQUEIRA" defendida por gradeamento. A entrada principal é feita por um portão de ferro ladeado de pilares encimados por duas águias com a letra "S" no peito, correspondente à heráldica dos «SAMPAIOS».

Foi redigida uma escritura no ano de 1713, que permitiu o administrador do vínculo, "JOÃO SALDANHA", que "MANUEL LOPES BICUDO", advogado da CASA DA SUPLICAÇÃO e dele próprio, fizessem uma quinta em chão que lhe pertencia na condição de aí viverem ele e sua mulher, e por morte de ambos, pertencer às suas quatro filhas, freiras no "CONVENTO DO CALVÁRIO", e de por morte destas o terreno voltar a ser incorporado no vínculo.
Em 1731 "DIOGO DE MENDONÇA CORTE_REAL", com o consentimento do administrador do vínculo, que já era então "AIRES SALDANHA", adquiriu todos os direitos e, por aforamento perpétuo, o domínio útil da quinta. Pelo lado Norte, comprou mais um pedaço de chão, denominado "QUINTA DA EIRA" ou "QUINTA DA ROSA". Ficando assim definido o terreno da "QUINTA DAS ÁGUIAS".

"DIOGO DE MENDONÇA CORTE-REAL" era filho legitimo do Secretário de Estado de D. João V. Tendo  o mesmo nome de seu pai, era filho de uma dama espanhola, nascera em MADRID quando seu pai ali se encontrava como representante de PORTUGAL, no final do século XVII. Era solteiro, depois de se tornar eclesiástico foi abade de "Santa Maria de Fragosa", deputado, provedor da CASA DA ÍNDIA e enviado às CORTES DE HAIA e de ROMA.
Quando "D.JOSÉ" subiu ao trono, em 1750, nomeou-o SECRETÁRIO DE ESTADO DOS NEGÓCIOS DO ULTRAMAR E DA MARINHA, mas não hesitou em o degredar, em 31.08.1756, "por desagrado" do seu real serviço para 40 léguas de LISBOA.
Foi então para uma quinta em SALREU, no norte, e pouco tempo depois era enviado para MAZAGÃO, onde esteve alguns anos até que PORTUGAL abandonou a praça, em 1768, vindo para as BERLENGAS, e depois, para o "CONVENTO DE S. BERNARDO" de frades Franciscanos, perto de PENICHE.
Tendo falecido em 1771, foi sepultado na Igreja de S. Francisco, daquela localidade. Durante a ausência no desterro do dono da casa, a quinta ficou entregue aos cuidados da governanta, senhora francesa a quem chamavam de "Madame" ou "Mademoiselle" "Maria Catarina Josefa du  Pressieux".
A casa foi arrendada ao "Cardeal Patriarca", "D. JOSÉ MANUEL", filho do 4º CONDE DE ATALAIA. Falecido aquele em 1758, foi habitada pelo meio-irmão de "DIOGO DE MENDONÇA", "D. JOÃO PEDRO DE MENDONÇA CORTE-REAL", sua mulher e filha, "MARIA FRANCISCA", de 11 anos. Mas este, pelo menos vinte anos mais novo, era gastador e, também perseguido, foi enviado para ANGOLA.

SUGESTÃO
Este blogue - «LISBOA S.O.S.» - tem uma importante reportagem fotográfica muito completa, do estado em que se encontrava  a Quinta no ano de 2008.


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA JUNQUEIRA [ XVII ]O PALÁCIO E QUINTA DAS ÁGUIAS ( 2 )»