sábado, 20 de setembro de 2014

TERREIRO DO PAÇO [ IV ]

O PAÇO DA RIBEIRA ( 4 )
 Terreiro do Paço - (Primeira metade do século XVIII)(Tinta-da-China com aguada sobre papel, atribuído a FRANCISCO ZUZARTE possivelmente em 1740) (Em primeiro plano o edifício da VEDORIA, ao fundo o Palácio do Paço da Ribeira, salientando-se o imponente torreão mandado construir por FILIPE II, bem como a Torre do Relógio. Em rodapé uma legenda remissiva relativa aos principais edifícios representativos, interrompida ao centro pelas armas Joaninas) in  MUSEU DA CIDADE
 Terreiro do Paço - (Século XVIII) (Banda Desenhada de Jacques Martin e Luís Diferr) (O "PALÁCIO DO PAÇO DA RIBEIRA" com seu torreão e parte do Terreiro do Paço, desenhado em BD, por dois artistas Belgas, retirado do Facebook de JOSÉ VALENTE) in  JOSÉ VALENTE - FACEBOOK 
 Terreiro do Paço - (Século XVIII-Gravura) (O "PALÁCIO DO PAÇO DA RIBEIRA" que no tempo do rei D. Manuel I era seu passatempo favorito ver os barcos saírem dos estaleiros reais. Ninguém se admirou quando o monarca mandou concluir o "PAÇO DA RIBEIRA", mesmo ao lado da fábrica de navios o ARSENAL) in (O Link encontra-se em espelho)  REVISTA MUNICIPAL DE LISBOA - C.M.L.
Terreiro do Paço - (Século XVIII) Gravura de autor não identificado (Palácio dos Paços da Ribeira, a gravura representa os Paços Manuelinos já modificados pelas obras empreendidas por D. João III e Filipe II. Nas águas do TEJO,  vinha reflectir-se o pavilhão monumental de FILIPE TORZI, com sua cúpula coroada ) in  COM JEITO E ARTE

(CONTINUA) - TERREIRO DO PAÇO [ IV ]

«O PAÇO DA RIBEIRA ( 4 )»

Em 1874 publicava "CAMILO CASTELO BRANCO"(1825-1890) uma obra "NOITES DE INSÓNIA" extracto de um manuscrito que encontrou, e cujo autor infelizmente não é referido, onde um erudito do século XVIII considerava em termos minuciosos a descrição do PAÇO em tempo de El-REI D. JOSÉ. "É a mais detida descrição que ainda vimos" - diz CAMILO.
Pois esse tal autor anónimo, que parece ter conhecido de perto o edifício, e com os seus pormenores nos vinga de silêncio de outras testemunhas oculares. 
Segundo tão bom informador, continha o edifício dentro em si três grandes quadras ou pátios, com galerias à volta. (CASTILHO refere-se que tem na sua Colecção de estampas um plano, que perfeitamente designa todas as três quadras ou pátios).
O pátio que ficava junto da IGREJA Patriarcal, chamado "PÁTIO DA CAPELA", era rodeado de arcadas com longas janelas no andar superior. Por baixo das arcadas existiam lojas de tudo quanto se podia imaginar precioso, entre oiro e até diamantes. Deste pátio comunicava-se por um vasto pórtico voltado ao Sul, com outro pátio em corredor, não menos rodeado de galerias, e também com lojas ricas; sobre essa galeria ficavam as janelas do chamado "QUARTO DA RAINHA". Junto ficava o quarto de El-Rei D. JOÃO V e a  ala  majestosa da  torre de mármore, com dois sinos para os quartos de hora, e outro de timbre mais grave para as horas.
Sobre a RIBEIRA DAS NAUS edificara o mesmo soberano outra ala chamada "QUARTOS DOS INFANTES", e terminada ao Poente por uma formosa varanda, ou terraço, gradeada de balaústres de mármore primorosamente lavrado, sobre pilares onde assentavam vasos cheios de murtas e outras flores. Tudo do mais apurado estilo da época. 
Toda a fachada Oriental do Palácio, isto é, a que dava sobre o TERREIRO DO PAÇO, era ocupada por uma espaçosa galeria, que pegava pelo lado Sul com o magnifico pavilhão denominado "O FORTE", obra de FILIPE TERZI por ordem de FILIPE II.
É esse justamente a galeria a que alude "SOUSA", e que partia "do Canto da Torre que fica na parte do RIO, até ao outro canto da varanda de pedraria que fica na parte da terra".
Diz ainda o anónimo redactor do manuscrito de CAMILO, que se tinha delineado fechar com o mesmo risco toda a Praça em volta, com outro pavilhão fronteiro, no sítio da ALFÂNDEGA. Nunca vi esta notícia, mas é curioso notar como esse plano veio a realizar-se, graças ao lápis de EUGÉNIO DOS SANTOS DE CARVALHO, e ao quero-posso-e- mando do MARQUÊS DE POMBAL.
Contígua a este lanço (diz no manuscrito) corria uma varanda de arcos que dava serventia para a "SALA DOS TUDESCOS". Essa varanda de arcos era chamada de "VARANDA DE PEDRARIA", e aparece em quase todas as estampas da época.

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