quarta-feira, 20 de maio de 2015

LARGO DO INTENDENTE PINA MANIQUE [ IV ]

«DIOGO INÁCIO DE PINA MANIQUE ( 2 )»
 Largo do Intendente Pina Manique - (1780) - ("PINA MANIQUE" em 03.07.1780 cria a REAL CASA PIA DE LISBOA, instalando-a no que restava do velho PAÇO DAS ALCÁÇOVA do Castelo de São Jorge) in CASA PIA DE LISBOA
 Largo do Intendente Pina Manique (2011-09-16) Foto de Luís Pavão (Reabilitação de um edifício do "LARGO DO INTENDENTE") (Abre em tamanho grande) in  AML 
 Largo do Intendente Pina Manique ( entre 1849 e 1917) Foto de autor não identificado  (Chafariz do LARGO DO INTENDENTE, antes de ser transferido para a "Rua da Palma".Na imagem podemos observar um carro "chora", transporte de atracção animal mais utilizado no século XIX até meados do século XX. Alguns faziam o itinerário - MOURARIA-INTENDENTE-BELÉM) (Abre em tamanho grande)  in  AML
 Largo do Intendente Pina Manique (1911) Foto de Jushua Benoliel ("LARGO DO INTENDENTE" a ASSOCIAÇÃO DO REGISTO CIVIL fundada em 1895, no lado esquerdo uma loja de ferragens e no lado direito a Drogaria Americana) (Abre em tamanho grande)  in  AML 
 Largo do Intendente Pina Manique (entre 1940 e 1959) Foto de António Passaporte (Prédio atribuído o prémio VALMOR entre a Rua da Palma e o Largo do Intendente. O Chafariz na esquerda e início da Av. Almirante Reis, (antiga Avenida Rainha D. Amélia) (Abre em tamanho grande) in  AML
Largo do Intendente Pina Manique (2014) (Antiga entrada para o LARGO DO INTENDENTE PINA MANIQUE e prédio de gaveto do notável  arquitecto Adães Bermudes "1864-1947, que lhe valeu o prémio VALMOR em 1908)  in  GOOGLE EARTH 


(CONTINUAÇÃO) - LARGO DO INTENDENTE PINA MANIQUE [ IV ]

«DIOGO INÁCIO DE PINA MANIQUE ( 2 )»

Com a elaboração em 1788 do «MAPA DE TODAS AS FÁBRICAS QUE EXISTEM EM LISBOA E NO REINO», a construção do "TEATRO DE S. CARLOS" (inaugurado em 30 de Junho de 1793), e a plantação na região de LISBOA, em 1799 de 40 000 árvores, foram outras não menos importantes iniciativas de PINA MANIQUE.
Mas as listas e medidas tomadas em benefício de LISBOA  não se fica por aqui. Ele interveio, praticamente, em todas as áreas da vida da cidade, quer se tratasse de moralizar os costumes quer providenciando quanto à higiene, à saúde e à assistência pública, e quanto à melhoria e embelezamento da cidade. 
A supressão de cães vadios; a proibição de lançamento ao rio de animais mortos; a limpeza dos ribeiros; a criação do serviço de carroças para recolha do lixo (que passou a ser reunido ma praia da BOAVISTA, junto do CAIS DO TOJO, e na praia de ALFAMA, donde era transportado para o ALFEITE); a remoção de lamas; a construção de esgotos; o registo e inspecção sanitária das prostitutas; a fiscalização de produtos alimentares adulterados; a entrega à MISERICÓRDIA, da "RODA DOS ENJEITADOS" (para acabar com o comércio de espanhóis com crianças portuguesas); a construção e conservação de CALÇADAS; o apoio à reconstrução da cidade (proibindo a construção de casas clandestinas, promovendo a demolição de barracas de madeira e de pano, na área urbana e nos subúrbios); a canalização na "RUA DIREITA DOS ANJOS"; das águas provenientes das áreas a Norte da cidade; a tentativa de rasgar uma praça (que só chegou a LARGO) que hoje tem o seu nome, onde colocou o chafariz que agora está no DESTERRO;a abertura da estrada orlada de árvores desde o portão da REAL QUINTA DE QUELUZ, pela "PORCALHOTA" (actual AMADORA), até à AJUDA; a construção e reparação de fontes e chafarizes; o projecto da implantação de uma fonte monumental no CAMPO DE SANTANA com elementos escultóricos do "PASSEIO PÚBLICO" e de outros chafarizes da cidade, tudo isto revela quanto esse homem austero amava a sua cidade natal. 
Finalmente, em 1803, a diplomacia francesa consegue que o príncipe Regente, D. JOÃO, que resistira a anterior pressão, afasta PINA MANIQUE da INTENDÊNCIA-GERAL DA POLÍCIA, nomeando-o CHANCELER-MOR DO REINO, cargo que em pouco tempo permaneceu, vindo a falecer cerca de dois anos depois.
No livro de óbitos da freguesia dos ANJOS, existente na TORRE DO TOMBO, lê-se com efeito: «"No primeiro dia do mez de Julho de 1805, faleceu com todos os Sacramentos, na idade de 72 anos, de um tumor, o Ilustríssimo Diogo Inácio de Pina Manique, Senhor de Manique, Alcaide-Mor de Portalegre, Chanceler-Mor do Reino, e Intendente-Geral da Polícia da Corte e Reino; casado com a D. Inácia Margarida Umbelina de Brito Nogueira e Matos, Moradores na Travessa da Cruz, desta freguesia; fez testamentos; e foi sepultado no seu jazigo, no Convento de Nª. Senhora da Penha de França. O Prior L. do José Ferrão de Mendonça e Sousa"».
Neste assento consta o registo de óbito na antiga freguesia dos ANJOS,  onde se pode ler que "no primeiro dia do mês de Julho de mil oitocentos e cinco",  faleceu, com 72 anos, aquele que mais trabalhou pelo engrandecimento e embelezamento desta cidade. Assim, segundo fez notar uma paciente investigação do olisipógrafo e grande amigo desta cidade, EDUARDO SUCENA, alguém está enganado: ou o registo de óbito (o que parece pouco provável) ou a lápide que se vê no prédio, mandado ali apor pela CASA PIA DE LISBOA, da qual consta que o INTENDENTE PINA MANIQUE morreu... na véspera, ou seja, em 30 de Junho.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DO INTENDENTE PINA MANIQUE [ V ]DIOGO INÁCIO DE PINA MANIQUE( 3 )».
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