quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS - 3.ª SÉRIE [ IV ]

«A PRAÇA ARTUR PORTELA»
 Praça Artur Portela - (2015) - (Uma panorâmica da "PRAÇA ARTUR PORTELA" na antiga praceta da "QUINTA DO BRITO", à ESTRADA DO POÇO DO CHÃO)  in GOOGLE EARTH
 Praça Artur Portela - ( 2015 ) - (Panorâmica da "PRAÇA ARTUR PORTELA" próximo da "RUA DA REPÚBLICA DA BOLÍVIA", onde está colocado o busto do Jornalista) in GOOGLE EARTH
 Praça Artur Portela - (2015) - (Panorâmica da "PRAÇA ARTUR PORTELA" na freguesia de «BENFICA», onde se insere desde 11 de Abril de 1969)  in  GOOGLE EARTH
Praça Artur Portela - (1971) Foto de João Brito Geralda - ( Busto de Bronze sobre pedestal de pedra do jornalista"ARTUR PORTELA" obra executada por "LEOPOLDO DE ALMEIDA") in  AML

(CONTINUAÇÃO) - RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS - 3.ª SÉRIE [ IV ]

«A PRAÇA ARTUR PORTELA»

A «PRAÇA ARTUR PORTELA» pertence à freguesia de «BENFICA». Numa antiga Praceta da "QUINTA DO BRITO", à ESTRADA DO POÇO DO CHÃO, mandou um EDITAL de 10 de Abril de 1969 criar a «PRAÇA ARTUR PORTELA», dez anos após a sua morte.
Esta "PRAÇA" formando um rectângulo, começa e acaba na "RUA DA REPÚBLICA DA BOLÍVIA".
No espaço ajardinado desta "PRAÇA", foi colocado o busto de Bronze sobre pedestal de pedra a figura de "ARTUR PORTELA", uma obra executada pelo escultor "LEOPOLDO DE ALMEIDA" em 1960, inaugurada em 11 de Outubro de 1971.
A maneira de escrever em jornais - mais viva ou mais sóbria, mais dirigida à satisfação de um gosto ou mais destinada a fazer reflectir - tem sido a marca de distinção entre os órgãos de Comunicação escrita, praticamente desde que eles existem.
O que é indesmentível é haver jornais que marcam os seus leitores fiéis. E, para falar apenas dos já desaparecidos, recordamos por exemplo, a influência que exerceu, durante muitos anos, entre certo público, talvez predominantemente urbano e dono de alguma cultura o extinto "DIÁRIO DE LISBOA". (nessa altura não existia a Internet, nem o FACEBOOK).
Além de emitir opiniões que iam de encontro ao pensamento de muito boa gente, aquele vespertino era geralmente um jornal bem escrito, servido por um corpo redactorial de grande nível. Lá escreviam, entre muitos outros; NORBERTO LOPES e MÁRIO NEVES; o alfacinha-mor NORBERTO DE ARAÚJO e o enciclopédico "ARTUR PORTELA".

O nosso homenageado de hoje chama-se "ARTUR PORTELA" (pai), nascido em LEIRIA no dia 24 de Abril de 1901. falecido em LISBOA no dia 12 de Março de 1959.
Começou muito cedo - ainda aluno do Liceu - a escrever em jornais estudantis. E daí passou para publicações mais "a sério" como o "COMBATE" ou jornal sindicalista " A BATALHA".
Deste homem de vasta cultura não se pode, aliás, imaginar que outra profissão pudesse ter tido que não a de jornalista. Na reportagem como na entrevista, na crítica literária como na artística, em todo o género se distinguiu e a sua assinatura em breve se tornou sinónimo de seriedade e de critério. Entre os seus entrevistados figuram personalidades como: WINSTON CHURCHILL (na altura primeiro-ministro inglês, dois meses antes de se iniciar a II GUERRA MUNDIAL), FRANCISCO FRANCO ou MIGUEL DE UNAMUNO. Passou "ARTUR PORTELA" (pai do escritor e jornalista do mesmo nome) por múltiplas redacções. Esteve em "A PÁTRIA", em "O MUNDO", na "ÚLTIMA HORA", no "DIÁRIO DE NOTÍCIAS"; colaborou assiduamente nas revistas "DOMINGO ILUSTRADO", "NOTÍCIAS ILUSTRADO", "SÉCULO ILUSTRADO". Durante a "II GUERRA MUNDIAL", criou e foi director da publicação "MUNDO GRÁFICO", nitidamente favorável à causa dos Aliados contra o nazismo.
Foi, porém, no "DIÁRIO DE LISBOA" (para onde foi trabalhar em 1921) que mais se notabilizou. Ali tinha a sua tribuna, nomeadamente no tocante a notícias, recensões e críticas de carácter literário. É digna de registo a sua passagem por ESPANHA, como correspondente de guerra, tendo assistido ali à queda da monarquia. A tensão anglo-italiana por causa da ETIÓPIA, foi outro dos acontecimentos relatados por si. Foi ainda por ideia sua que o DIÁRIO DE LISBOA lançou nas suas páginas uma campanha a favor da transladação dos restos mortais de D. MANUEL II de PORTUGAL.
Apesar de "ARTUR PORTELA" ser um homem nitidamente de esquerda, não deixou de publicar um texto no seu "DIÁRIO DE LISBOA" em 6 de Julho de 1947, alusivo ao "CORTEJO HISTÓRICO DE LISBOA(1947)", cortejo comemorativo do "VIII centenário da Tomada de Lisboa aos MOUROS", em 1147. Dizia ARTUR PORTELA: " Cortejo de dois quilómetros e dois mil e quinhentos figurantes que perpassa incessantemente, entre a cidade atónica, (...) espectadores que densamente recobrem as ruas, as praças, os telhados, os edifícios, as árvores como enxames de abelhas, multidão absurda, (...) numa suprema glorificação, coroada com tiara de fogo este jubileu monumental de grandeza"».

O grande senão de ARTUR PORTELA era, ao que parece a sua caligrafia. Os tipógrafos eram inimigos declarados, não do jornalista mas dos seus "hieróglifos" quase indecifráveis. Atendendo às multiplas reclamações, acabou o homem de letras por se render e aderir à máquina de escrever. Agradecido, um tipógrafo do "DIÁRIO DE LISBOA" teceu um comentário que ficou célebre: "A escrita do senhor PORTELA é como certos bifes: só se conseguem mastigar depois de passados pela máquina".
Muito deve a este homem também o associativismo da classe jornalística. 
Com JAIME BRASIL e JULIÃO QUINTINHA, procedeu à renovação do SINDICATO, de que foi presidente, e ao lançamento da CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS PROFISSIONAIS DA IMPRENSA. Foi ainda um lutador persistente pela criação da CARTEIRA PROFISSIONAL.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS - 3.ª SÉRIE [ V ]-RUA ALBERTO DE SOUSA».
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