quarta-feira, 1 de junho de 2016

GENTE DE LISBOA [ I ]

«OS ALFACINHAS ( 1 )»
 Gente de Lisboa - (Século XIX) Aguarela de Alberto Souza - (Uma Alfacinha da época dos franceses) in  "ALFACINHAS" os Lisboetas do Passado e do Presente
 Gente de Lisboa - (1814) Água tinta de H.L' Éveque - (Publicado em Costume of Portugal-London-1814) (Mulheres que vão à Igreja - Mulher com a criada e filha. A criada usa um "Josézinho" vermelho sobre os ombros e lenço de cambraia branca sobre a cabeça. a mulher apresenta-se de véu escuro, com saia e corpete de veludo e, luvas de canhão. A criança veste também um conjunto de corpete sobre saia branca e azul. in   O POVO DE LISBOA - C.M.L.
 Gente de Lisboa - (182?) - Desenho de Alberto de Souza - (Mulher de Capote Rodado e lenço, moda durante um período do século XIX)  in  ALFACINHAS os Lisboetas do Passado e do Presente
 Gente de Lisboa - (século XIX) Gravura de J. Novais - ( Um homem e uma mulher do povo naquela época )  in   LISBOA de ALFREDO MESQUITA
 Gente de Lisboa - (Século XIX) Gravura J. Novais - (Alfacinhas nas hortas, debaixo de uma parreira)  in   LISBOA de ALFREDO MESQUITA
Gente de Lisboa - (Século XIX) Gravador J. Novais - (O povo de LISBOA nas hortas em pleno convívio)  in   LISBOA de ALFREDO MESQUITA

- GENTE DE LISBOA [ I ] 

«OS ALFACINHAS ( 1 )»

À cidade de LISBOA chegaram em determinadas épocas , fluentes camadas de pessoas, na procura de melhores facilidades de vida ou melhores condições de trabalho que por aqui era possível encontrar.
Falamos hoje da «GENTE DE LISBOA» em geral, no entanto podemos já discernir, por um lado, o substracto populacional estável dos «ALFACINHAS», e por outro, uma população inconstante, constituindo ou não grupos etnicamente caracterizados, constantemente renovados pela chegada de novos contingentes. (Elementos que aqui vinham eventualmente à procura de compradores para os seus produtos ou oferecer o seu trabalho, regressando às suas terras, outras por cá ficavam, acabando, com o tempo, por se integrar na população local).
A população formada por alguns grupos bem evidenciados como "OS SALOIOS" dos limites de LISBOA, "OS GALEGOS", oriundos da Galiza (ESPANHA) ao Norte de Portugal, "OS VARINOS" da região de AVEIRO, "OS NEGROS" das nossas antigas Colónias e os ALGARVIOS oriundos do Sul de Portugal, etc., que constituía a principal força de trabalho da cidade de LISBOA.
Pelo seu número, importância e permanência entre a população da cidade, tornando-se um complemento indissociável desta, não podendo excluir-se a sua presença, sempre que se pretenda dar a paisagem humana de LISBOA de outrora.
Vamos pois tentar caracterizar cada um dos grupos ou tipos que constituíram, no passado a população de LISBOA.  

OS ALFACINHAS
Produto híbrido, resultante de cruzamentos diversos e de diversas etnias. Ao substracto populacional de raiz "CÉLTICO-IBÉRICA" da região lisbonense, inseriu-se o extracto ROMANO de origem ITÁLICA, enriquecido de elementos de outras proveniências, GREGOS, GAULESES, ou do NORTE DE ÁFRICA. Ainda que pouco significativa há também que ter em conta a inserção do elemento GERMÂNICO, representado na Península pelos ALANOS, SUEVOS, VÂNDALOS e VISIGODOS.
Importante e decisiva foi, porém, a influência operada pela população MOURISCA-BERBERE trazida pelo invasor SARRACENO que permaneceu na região lisbonense, durante cinco séculos e que aqui permaneceu mesmo depois da reconquista, após tratado de paz feito por D. AFONSO HENRIQUES com os  vencidos, permitindo-lhes que estes se fixassem no termo da cidade como trabalhadores rurais.
Esta população, primeiramente marginalizada devido às diferenças de religião, acabou por ser assimilada, tornando-se, assim. além de um factor de influência decisiva nos costumes e mentalidades uma importante componente ética do povo de LISBOA.
E será neste contexto de raízes plurinacionais, que se explica a grande abertura que sempre mostrou o povo de LISBOA em relação para todos os povos que a ele vieram posteriormente acolher, sem atender a preconceitos rácios, de cor  ou de costumes. E, se em outra época marginalizou o elemento JUDEU e o elemento CIGANO esse facto deveu-se, à resistência oferecida por eles.
Aos numerosos elementos de diversas origens europeias que as embarcações que demandavam o TEJO  e aqui iam  depositando, simples aventureiros ou marginais, mas também gente que em LISBOA encontravam melhores condições de trabalho, vieram juntar-se os nativos das terras que os descobrimentos puseram à nossa disposição. Trazidos na condição de escravos, fixaram-se preferencialmente na CAPITAL, onde eram empregados nos trabalhos domésticos, chegando a ser tão numerosos que se considerava constituírem, em finais do século XVIII, cerca de um terço ou um quarto da população de LISBOA, cálculo sem dúvida muito exagerado.

UMA CURIOSIDADE SOBRE O NOME DE LISBOA

A formação do termo LISBOA, perde-se invariavelmente nas trevas da antiguidade. Cada povo que por aqui passou lhe deu uma identificação. Os FENÍCIOS chamaram-lhe "alisubo", o que significa "amena enseada", composta de "ALISUBO" ou "LISUBO", que os ROMANOS trocaram por "OLISIPO", donde os "GODOS" tiraram a sua "OLISIPONA", que os "MOUROS", por falta de "p" no seu idioma, lhe chamaram "OLISIBONA" os "LISSIBONA", e finalmente veio o nome de LISBOA.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«GENTE DE LISBOA [ II ]-OS ALFACINHAS ( 2 )».  

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