sábado, 25 de junho de 2016

GENTE DE LISBOA [ VIII ]

«OS GALEGOS ( 2)»
 Gente de Lisboa - (1832) Desenho de ALBERTO SOUSA - (Desordem entre aguadeiros possivelmente de etnia "GALEGA", num chafariz de LISBOA)  in  "ALFACINHAS"  os lisboetas de Passado e do Presente 
 Gente de Lisboa - (Século XIX) - Gravador J. NOVAIS - ( Um aguadeiro de origem "GALEGA", apregoando nas Ruas de Lisboa o seu negócio)   in  LISBOA DE ALFREDO MESQUITA
 Gente de Lisboa - (1908-9) Foto de Joshua Benoliel ("GALEGOS" Moços de fretes com padiola, numa mudança em LISBOA ) (ABRE EM TAMANHO GRANDE) in  AML 
 Gente de Lisboa - (1967) Foto de João H. Goulart - (O antigo edifício da "PADARIA DO GALEGO" no LARGO MARQUÊS DE NISA em XABREGAS, neste momento já demolido)  in   AML 
 Gente de Lisboa - (2011)-Foto de APS -  (Local onde estava o edifício da "PADARIA DO GALEGO" "RIBEIRO" em Xabregas)  in     ARQUIVO/APS
Gente de Lisboa - (2015) - (Restaurante "O CAÇADOR" na RUA DE XABREGAS,81 - (antiga taberna do "GALEGO" nos anos 40/50 do século XX)  in   GOOGLE EARTH 


(CONTINUAÇÃO) - GENTE DE LISBOA [ VIII ]

«OS GALEGOS ( 2 )»

OS GALEGOS
Para os trabalhos mais pesados e para recados, eram preferidos aos nacionais, não só pela sua maior vivacidade e prontidão, mas também pela ambição de ganhar dinheiro, (patente em muitos emigrantes), levando-os a sujeitar-se a qualquer trabalho por duro e ingrato que fosse.
Esta sujeição mesquinha prende-se com a poupança de dinheiro, levava-os a dormir nas imundas " CASA DA MALTA" e a comer "o pão que o diabo amassou", suscitava o desprezo por parte dos naturais e dos seus companheiros de trabalho que, por isso, os tratavam com certo desdém, dando à palavra de «GALEGO» um sentido pejorativo de "burro de carga".
  Devido à sua grande discrição alguns foram, porém, muito utilizados como "moços de recados" que envolviam "segredos", servindo, com frequência, de portadores de cartas de namorados.
A sua grande simplicidade e natural "avareza" fazia-os presa fácil do regozijo do povo e dos seus próprios companheiros que os ridicularizavam com enganos frequentes.
Nas paródias da "SERRAÇÃO DA VELHA", com o engodo da herança que lhes devia caber quando a velha fosse serrada, houve "galeguito" recém chegado da terra que cruzou a cidade de lés-a-lés de escada às costas.

A comunidade foi muito numerosa em LISBOA do século XVII a século XIX, constituindo um grupo inconfundível, com seu calção com "folhos", jaqueta apertada, boné de pele, corda e "chinguiço" ( 1 ) ao ombro, encostado às esquinas das RUAS ou, em grupos no ROSSIO ou na PRAÇA DO COMÉRCIO, esperando a freguesia.
Com a habitual algazarra que os caracterizavam e as suas danças e cantares ao som do tambor e da "GAITA DE FOLES" foi, durante muito tempo presença obrigatória no folclore alfacinha.
Muito apegados à sua terra Natal, a ela regressavam, quase sempre levando tudo o que tinham conseguido amealhar. Alguns, porém, por cá ficaram, constituindo família e acabando por implementar o seu próprio negócio, como: MERCEARIAS, TALHOS, TABERNAS e PADARIAS. 

No  anos 40 e 50 do século XX, existiu no "sítio de Xabregas"  um edifício no "LARGO MARQUÊS DE NISA, Nº. 1 (Actualmente demolido), cujo proprietário era "GALEGO" e tinha o negócio de fabricação de pão com loja de venda ao público. Um dos responsáveis pela padaria o "tio RIBEIRO" era um vernáculo "Galego", mas boa gente, tendo a sua permanência como padaria finalizado nos aos 60 do século passado.
Na "RUA DE XABREGAS" número 81 existe hoje  o "RESTAURANTE O CAÇADOR", que também nas décadas de 40 e 50, foi a TABERNA do "GALEGO" da firma "GERALDO & SEBASTIÃO".

- ( 1 ) - CHINGUIÇO - Espécie de redouça, em forma de ferradura (semi-circular), que os "moços de fretes" ajustavam ao pescoço para apoiarem o pau quando carregavam  "a pau e corda".

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«GENTE DE LISBOA [ IX ]-OS NEGROS AFRICANOS ( 1 )»

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