sábado, 2 de julho de 2016

GENTE DE LISBOA [ X ]

«OS NEGROS AFRICANOS ( 2 )
 Gente de Lisboa - (1912) - (Ilustração e aguarela de Alberto Sousa) - (A "PRETA FERNANDA" tornou-se figura popular como cavaleira tauromáquica, intervindo em touradas que ficaram célebres na "Praça de Touros de Algés" )  in   "ALFACINHAS" os lisboetas do Passado e do Presente
 Gente de Lisboa - (Janeiro de 1982) - Aguarela de Calderon Dinis - (Também CALDERON DINIS retratou "O PRETO CAIADOR DE LISBOA" no seu livro)  in  TIPOS E FACTOS DA LISBOA DO MEU TEMPO
 Gente de Lisboa - (1609) Desenho de Philipe Lupus - cópia aguarelada de ALBERTO SOUSA - (A "PRETA DO MEXILHÃO que vendia em LISBOA . Museu Nacional de Arte Antiga) in  ALFACINHAS os lisboetas do Passado e do Presente 
 Gente de Lisboa - ( Século XIX) - ("OS PRETOS DE SÃO JORGE" escultura miniatura em madeira pintada, dentro duma redoma de vidro - Manequins Miniaturas - do Gab. de Estudos Olisiponenses, CML) in  ALFACINHAS os lisboetas do Passado e do Presente
 Gente de Lisboa - (1826) Litografia colorida de A.P.D.G. - ("PRETOS DANÇANDO" no peditório para a festa de Nossa Senhora da Atalaia. - "Sketches of Portuguese Life")   in    ALFACINHAS os lisboetas do Passado e do Presente 
 Gente de Lisboa - (1932) Caricatura em carvão de ALBERTO SOUSA - (Desenho a carvão representando uma sátira de ALBERTO SOUSA a "NORBERTO DE ARAÚJO, PEREIRA COELHO e MATOS SEQUEIRA", simbolizando os caiadores, com a legenda - "A COR DE LISBOA. Os três pretos caiadores que se propõem caiar o tecto do Rossio")  in  ALFACINHAS os lisboetas do Passado e do Presente
Gente de Lisboa - ( 1940 ) Atribuído a Francisco Câncio - [A NEGRA da "FAVA-RICA" que trazia à cabeça a sua mercadoria cuidadosamente tapada com um pano alvinitente (branco imaculado)] in  LISBOA - Revista Municipal - CML 


(CONTINUAÇÃO) - GENTE DE LISBOA [ X ]

«OS NEGROS AFRICANOS ( 2 )»

Quase sempre a Igreja manifestou protecção, não isenta de interesse Catequizante, para com a Colónia negra, aproveitando-a, como elemento decorativo e animador, em certas cerimónias litúrgicas, principalmente nas procissões. Os pretos de SÃO JORGE, vestidos de vermelho e tocando pífaro e tambor, constituíam o conjunto mais fortemente decorativo da "PROCISSÃO DO CORPO DE DEUS" e, eram sem dúvida, o elemento de maior atracção popular.
Por vezes, constituíam-se em Irmandades, algumas das quais, como a "IRMANDADE DOS HOMENS PRETOS DO CONVENTO DA GRAÇA" teve muita nomeada e eram elementos importantes da "PROCISSÃO DOS PASSOS".
A "IRMANDADE DOS PRETOS DE S. BENEDITO" que tiveram a seu cargo o peditório para a "PROCISSÃO DO TERÇO", gozava. por seu lado, de particular importância.
Os negros foram também grandes animadores dos concorridos "CÍRIOS DA SENHORA DA ATALAIA", (emprestando-lhe com seus cantares e danças exóticas, uma nota fortemente pagã).
Juntando-se vários Círios de LISBOA, uma vez chegados a "ERMIDA DA SENHORA DA ATALAIA" (perto da antiga ALDEIA GALEGA, hoje MONTIJO) as fanfarras e os Círios não paravam de chegar durante todo o dia, "na algazarra, no ruído das gaitas de foles e dos bombos, os que querem praticam as suas devoções, mas a maioria estende-se regaladamente nas sombras e dá começo ao seu repasto" ( 1 ).
Fora do grémio da IGREJA intervinham também noutros espectáculos, como nas touradas, onde era número muito popular a retirada dos touros da arena, depois de corridos por um grupo de possantes negros, ataviados para a circunstância.
A sua influência fez-se sentir, praticamente, no domínio das artes rítmicas, para as quais manifestaram sempre uma tendência natural. Muitas das danças e cantos entraram no folclore tradicional do povo de LISBOA, como a "FOFA" ( 2 ), o "LUDUM" ( 3 ) ou o fado, revelam uma expressiva influência negra, que lhe emprestara acento fortemente sensual.

ALGARVIOS

A colónia de ALGARVIOS foi muito numerosa no passado, assegurando uma grande parte das tarefas marítimas do estuário do TEJO e PORTO DE LISBOA,sendo, entre eles, que se recrutavam, de ordinário, marinheiros, remadores e catraeiros que asseguravam as comunicações entre as duas margens do RIO, constituíam um grupo distinto. Eram activos, laboriosos, inteligentes e muito económicos. O seu traje resumia-se a um casaco de que nunca enfiavam as mangas, atirando-o, negligentemente, sobre o ombro, chapéu desabado, pernas e pés nus. Estava sempre pronto a mergulhar na água. Quando os barcos não podiam atracar, mergulhava até meia-perna e transportava, às costas, os passageiros para terra. 
Eram muito devotos de SANTO ANTÓNIO, mas quando o Santo não correspondia aos seus pedidos, castigavam-no, mergulhando-o no RIO. [ FINAL ]

- ( 1 ) - «Arquivo Alfacinha», Francisco Câncio (1953)
- ( 2 ) - "FOFA" - Era uma dança portuguesa do século XVII, que chegou a ser dançada no Brasil.
- ( 3 ) - "LUDUM" Dança desenvolta, própria dos Negros. Canto ou Música correspondente a essa dança

BIBLIOGRAFIA

- ARAÚJO, Norberto de - Peregrinações em Lisboa livro VII VEGA-1933-LISBOA
- DINIS, Calderon - TIPOS E FACTOS DA LISBOA DO MEU TEMPO-Pub. Dom Quixote-1986-Lisboa
- FURTADO, Mário - Do antigo sítio de Xabregas-Vega-1997 - Lisboa
- HISTÓRIA DO TRAJE EM PORTUGAL -ENC. PELA IMAGEM-LELLO-1930-PORTO.
- LISBOA - Encyclopédia pela imagem- Lello & Irmãos-1930- PORTO.
- LISBOA Luxo e Distinção - 1750-1830-Nuno Luís Madureira-Ed. Fragmt.-1990-LISBOA.
- LISBOA Revista Municipal -2ª S. nªS. 5 E 6 1983 ED. CML -1983 - LISBOA. 
- LISBOA Revista Municipal - 2ª. S. Nº 22 - 1987 ED- CML- 1987 - LISBOA.
- LISBOA Revista Municipal - 2ª. S. Nº 23 - 1988 - ED. CML - 1988 - LISBOA.
- MESQUITA, Alfredo - LISBOA . Ed. Prespectiva & Real. 1987 - LISBOA.
- O POVO DE LISBOA - Exposição iconográfica-CML-1978-1979- LISBOA.
- SANTOS, Piedade - RODRIGUES, Teresa - NOGUEIRA, Margarida Sá-LISBOA Setecentista vista por estrangeiros-Ed. Liv. Horizonte-1996 - LISBOA.

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