quarta-feira, 23 de novembro de 2016

LARGO DE ANDALUZ [ III ]

«O LARGO DE ANDALUZ ( 3 )»
 Largo de Andaluz - (2014) - (O "LARGO DE ANDALUZ" ao fundo, à nossa direita  o VIADUTO, na esquerda a "RUA ACTOR TASSO")  in   GOOGLE EARTH 
 Largo de Andaluz - ( 2014 ) - (Outro aspecto do "CHAFARIZ DE ANDALUZ", já depois das obras de intervenção)  in    GOOGLE EARTH
 Largo de Andaluz - (1961) Foto de Armando Serôdio - ( "Lápide" no "CHAFARIZ DE ANDALUZ" com as Armas do Reino e de LISBOA)   in    AML  
 Largo de Andaluz - (1951) Foto de Eduardo Portugal - (Aspecto do "Chafariz de Andaluz" com sua lápide e escudos colocados na parede do espaldar do Chafariz) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   AML
Largo de Andaluz - (C. de  1940) - Foto de Eduardo Portugal - Aspecto do "LARGO DE ANDALUZ"  na década de quarenta do século vinte)   in   AML



(CONTINUAÇÃO) - LARGO DE ANDALUZ [ III ]

«O LARGO DE ANDALUZ ( 3 )»

Falando ainda da água que passava no "CHAFARIZ DE ANDALUZ".
No lugar onde hoje existe este CONVENTO havia unicamente a IGREJA DE SANTA JOANA, pertença de uma QUINTA de D. ÁLVARO DE CASTRO que, por seu falecimento foi deixada em testamento para ali se estabelecer um "COLÉGIO DE MISSIONÁRIOS DA ÍNDIA"; cuja função teve lugar em 25 de Novembro de 1699; e quando estas FREIRAS fugiram do seu CONVENTO DA ANUNCIADA, assustadas de verem morrer dez religiosas nas  RUÍNAS pelo TERRAMOTO de 1755, e juntas com as dos CONVENTOS da ROSA e SALVADOR, entraram neste seu actual CONVENTO; se bem que tivessem tão poucas acomodações, pois logo em seguida se gastaram duzentos mil cruzados nas Obras, que mandaram fazer.  Não foram por certo aqueles tanques e canos, que se diz - antiquíssimos - e as ditas FREIRAS, apenas ali contavam onze anos de existência, logo temos por mais coerente, que os sobejos haviam de há muito sido dados ao acima mencionado (D. ÁLVARO), e as mencionadas FREIRAS na falta de titulo legal, propunham aquele aforamento.

Diz-nos ainda "ANGELINA VIDAL" no seu livro "LISBOA ANTIGA E LISBOA MODERNA" no século dezanove: "No "LARGO DE ANDALUZ" temos um chafariz de água transparente e muito límpida, levemente salgada, sem cheiro, e tendo diluídos sulfatos de magnésio e silício-carbonatos com as mesmas bases, e cloretos de potássio e sódio, são bastante procurados para enfermos de doenças cutâneas".

Já no século XIX esta pacato "LARGO DE ANDALUZ" que outrora terá sido também conhecido pela "TRAVESSA DOS CARROS" mas venceu a designação do "CHAFARIZ DE ANDALUZ" em memória da obra realizada no abastecimento de água aos moradores da região dos "ANDALUCES".
Viu-se subitamente invadido por uma multidão ruidosa que, empunhavam copos, bilhas e garrafões, discutia-se com desrespeitosos atropelos a sua vez na fila.
Deu-se o caso de "LEPIERRE" analisar a água desta histórica "bica de Andaluz", publicando nos jornais a sua composição "Sulfatada - calcária" e o seu possível valor medicinal, sugerido pela comparação com a sua similar nas "TERMAS DA CURIA".
Mas "ARMANDO NARCISO", protestou nos periódicos que a água oferecia perigo para uso interno. E, enquanto os dois mestre da Hidrologia discordavam, o reclamo à americana, foi-se produzindo e podemos dizer que nunca nenhuma água foi tão procurada por tanta gente em tão curto espaço de tempo. Certo é que o produto funcionou até 1945, altura em que as suas águas foram desviadas para o esgoto. Tendo o "CHAFARIZ DE ANDALUZ" chegado a um estado de degradação considerado, sendo restaurado na década de 60 do século XX, bem como toda a zona envolvente ao "CHAFARIZ".

A nossa abordagem foi mais o chafariz e a ele demos mais destaque. Convém frisar que toda esta zona é de muito antigo povoamento e era de extensão incomparavelmente superior à actual. Hoje «ANDALUZ" está confinado a um "LARGO"; outrora foi toda uma zona larga. Ora, o CHAFARIZ é como que a certidão de idade do local. Embora seja hoje um pouco ignorado da maioria dos lisboetas, data do século XIV e nele surgiu a primeira representação em pedra do BRASÃO da CIDADE DE LISBOA, com a sua BARCA e os seus CORVOS. É efectivamente muito modesto o monumento, como se pode ver, mas isso não lhe tira a antiguidade e a utilidade que teve, até as suas águas serem consideradas impróprias para consumo. 

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DE ANDALUZ [ IV ]-O LARGO DE ANDALUZ ( 4 )».

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