quarta-feira, 21 de junho de 2017

RUA ALFREDO DA SILVA [ VI ]

«VICISSITUDES NA ASSEMBLEIA DO BANCO LUSITANO ( 1)»
 Rua Alfredo da Sola - (1894) -  (ALFREDO DA SILVA com 23 anos, casa-se poucos meses depois após se iniciar como INDUSTRIAL, à frente da COMPANHIA ALIANÇA FABRIL -CAF)   in   FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX.
 Rua Alfredo da Silva - ( 1895 )  -  (Uma Acção do "BANCO LUSITANO" igual às que seu pai lhe tinha deixado como herança, um bom lote de Acções desta Instituição Bancária, onde acabou por ser Director)  in    FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX
 Rua Alfredo da Silva - (1907)  -  (Anúncio da Companhia União Fabril - CUF, na RUA 24 DE JULHO, 940 LISBOA - Publicitando ADUBOS QUÍMICOS e MASSAS DE PURGUEIRA)  in  RESTOS DE COLECÇÃO
Rua Alfredo da Silva -  (2016)  -  (Um troço da "RUA ALFREDO DA SILVA" no sentido Noroeste, na freguesia da «AJUDA»)    in    GOOGLE EARTH 


(CONTINUAÇÃO) - RUA ALFREDO DA SILVA [ VI ]

«VICISSITUDES NA ASSEMBLEIA DO "BANCO LUSITANO" ( 1 )»

PORTUGAL encontrava-se numa crise POLÍTICA e ECONÓMICA quando o jovem "ALFREDO DA SILVA" entra para o "mundo dos negócios" e, nomeadamente, como gestor dos negócios da família. Mal poderia adivinhar o que vinha pela frente, quando em 1890 se torna responsável pela administração da parte da herança deixada por "CAETANO ISIDORO DA SILVA" aos filhos. onde figurava a sua cobiçada carteira de acções, incluindo as do «BANCO LUSITANO». Isto é, "ALFREDO DA SILVA" desde os 19 anos e ainda estudante do ICIL,  cabia agora zelar pela aplicação do CAPITAL da sua família, no então confuso meio financeiro português.
No final de 1891 já "ALFREDO DA SILVA" se "movimentava" com notória facilidade nos meandros complicados da organização administrativa das Companhias. Este jovem bem parecido, de bigode castanho escuro, cabelo da mesma tonalidade, que trajava com esmero, possuidor de "palavra-fácil" e de "terrível poder de argumentação", começa a dar nas vistas.
O caso do "BANCO LUSITANO" era, sem dúvida um assunto a resolver.
Em 26 de Novembro de 1891 tem a sua primeira intervenção documentada numa Assembleia Geral do Banco. A reunião convocada para apresentação de um relatório que a Direcção não lograria vê-li discutido.
Em vão "ALFREDO DA SILVA" protestaria. A maioria dos accionistas contra a sua proposta de discussão. Ele é ainda uma voz isolada, mas por pouco tempo. 
Na histórica sessão de 28 de Dezembro de 1891, que só por acaso não deu em  conflito. Encontramos um "ALFREDO DA SILVA" mais enérgico que nunca, na companhia de "JOÃO ALFREDO DIAS", dispostos a impedir um novo adiamento da discussão do Relatório da Direcção. "ALFREDO DA SILVA" perfeitamente senhor dos seus objectivos, recusa terminantemente colar-se.  Ameaçando com a sua bengala todos os que ali pretendessem evitar que ele falasse, no que era puro interesse dos accionistas do BANCO. Acabaria por ser expulso. 

O seu nome salta para os jornais. E vamos encontrar no "O COMÉRCIO DO PORTO" que destaca as intenções de "ALFREDO DA SILVA" junto dos accionistas de "BANCO LUSITANO" reunidos na cidade do PORTO, a 2 de Fevereiro de 1892.

"REUNIÃO DE ACCIONISTAS DO BANCO LUSITANO" - «Na casa do "CENTRO COMERCIAL" reuniram ontem os accionistas do "BANCO LUSITANO", a fim de se ocuparem de assuntos importantes. Como na reunião procedente, presidiu o senhor JOSÉ DA SILVA PIMENTA e foram secretariados pelos senhores ISIDORO DA FONSECA MOURO e JÚLIO GONÇALVES MOREIRA.
Aberta a sessão, o senhor Presidente dá conta dos trabalhos a que se procedeu na sessão transacta; do facto da Direcção do BANCO ter dado a sua demissão e de estar convocada uma reunião em LISBOA para o próximo sábado, a fim de se proceder à eleição de nova Direcção, mostrando que alguma coisa havia que resolver sobre este ponto; e, por último, apresenta ao reconhecimento da numerosa assembleia o facto de estar presente o senhor "ALFREDO DA SILVA", accionista do BANCO, residente em LISBOA, que fizera o sacrifício de vir ao PORTO colaborar na obra de alto valor moral, que a mesma Assembleia está resolvida a levar a cabo, custe o que custar.
O Senhor "ALFREDO DA SILVA", tomando a palavra, faz uma exposição desenvolvida de diferentes factos, ignorados pelos accionistas do PORTO, e que impressionaram profundamente.
Diz estar muito penhorado pelo bom acolhimento que os accionistas do "BANCO LUSITANO", aqui residentes, infelizmente seus companheiros na desgraça, lhe faziam, entendendo ser um dever vir ao PORTO mostrar as razões que teve e tem para combater a Direcção demissionária, por causa das operações que efectuaram pouco regularmente e que deram em resultado a perda deste importante estabelecimento de crédito.   Relata em seguida que a sua família é, infelizmente, grande accionista do "BANCO LUSITANO" e explica o modo violento como as duas assembleias Gerais do BANCO, efectuadas em LISBOA, fora obrigado a deixar a sala das sessões. Consta-lhe que a Direcção demissionária terá praticado ilegalidades; quisera explicações e não lhas deram; então o seu procedimento se levantará com a indignação dos indivíduos ligados a essa direcção.»


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA ALFREDO DA SILVA [ VII ]-VICISSITUDES NA ASSEMBLEIA DO "BANCO LUSITANO ( 2 )».

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