quarta-feira, 19 de julho de 2017

RUA ALFREDO DA SILVA [ XIV ]

«A C.U.F. NO BARREIRO ( 2 )»
 Rua Alfredo da Silva - ( 1930 )  -  ( Até o  "ZÉ POVINHO" já anda de "charrete" puxada a cavalos, depois de ter usados os nossos ADUBOS)  in   FOTOBIOGREFIAS SÉCULO XX
 Rua Alfredo da Silva - (1907)  -  (Início da construção do grande armazém fabril, que resultaria no complexo Industrial no BARREIRO)  in  FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX
 Rua Alfredo da Silva - (1909)  -  (O desenvolvimento das obras, enquanto avança o projecto e se adquirem os alvarás para as fábricas)  in    FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX
 Rua Alfredo da Silva - (1916)  -  ("ALFREDO DA SILVA" -à direita- com o Embaixador "BIRCH", numa visita às instalações da fábrica da CUF no BARREIRO)  in  UM OLHAR SOBRE O BARREIRO
 Rua Alfredo da Silva - ( 1932) -  (Vista parcial, tirada de avião, à fábrica e porto fluvial da CUF no BARREIRO que, com menos de três décadas, sob a constante direcção do seu principal impulsionador "ALFREDO DA SILVA") in    RESTOS DE COLECÇÃO
 Rua Alfredo da Silva - (1983)  -  (Uma fotografia do Centro Informático da CUF/QUIMIGAL no BARREIRO, computador UNIVAK 90/30)   in  RESTOS DE COLECÇÃO
Rua Alfredo da Silva  - ( Século XX)  -  (Cinzeiro uma oferta do grupo CUF aos seus clientes)  in   ARQUIVO/APS


(CONTINUAÇÃO) - RUA ALFREDO DA SILVA [ XIV ]

«A C.U.F. NO BARREIRO ( 2 )»

Nesse sentido, ele estuda o problema e enceta os trabalhos preliminares para a sua concretização do que tem em mente. Percorre o ALENTEJO, numa tentativa para encontrar o melhor local para edificação do que pretende. Hesita entre CASA BRANCA e VILA NOVA DE BARONIA, chegando mesmo a adquirir alguns terrenos nesta última localidade, já que a falta de água que ali se fazia sentir, logo o obriga a por a hipótese de parte. Contudo, surge nova ideia: O BARREIRO.  Na certeza de ter ali encontrado o locar ideal, logo entra em negociações na compra de uma faixa de terreno pertencente à firma "BENSAÚDE & Cª." (uma antiga fábrica de cortiça), era perfeito para a futura expansão da Empresa, além de uma ligação com o CAMINHO DE FERRO, existindo ainda um "CAIS ACOSTÁVEL", o que equivale a dizer que reunia dois factores que o tornavam muito valioso.
Ultimadas as negociações e assinada a escritura de compra, "ALFREDO DA SILVA" com o intuito de se documentar perfeitamente sobre as técnicas mais evoluídas, parte para a ALEMANHA em visita ao que, na altura, existia de mais aperfeiçoado em matéria de fabrico de  óleos.  De passagem por PARIS, entra em contacto com o Engenheiro francês "A. L. STINVILLE" que viria, depois, a ser o principal orientador das obras a realizar.
Essas obras de uma grandeza ímpar até então no País, são orçadas em 500 Contos de réis, importância que embora elevadíssima para a época, ainda acabaria por ser largamente excedida, ultrapassando os MIL CONTOS DE RÉIS.
O trabalho árduo a que, depois se procede durante cerca de dois anos, torna possível que, no dia 2 de Dezembro de 1909, "ALFREDO DA SILVA" e alguns dos seus mais directos colaboradores, tais como o secretário "AARÃO ANAHORY", o médico "DR. COSTA", VICTOR BELO, os engenheiros "PALLET" e "LACOMBE", o Engº. agrónomo "AMANDO DE SEABRA", "JOÃO SILVA", "ÁLVARO MIRANDA", o francês "DEBROU", encarregado dos carpinteiros, e outros, recebam, no BARREIRO, os accionistas a fim de que todos assistam à inauguração da OBRA.

No entanto, em 19 de Setembro de 1908 é inaugurada a sua primeira unidade fabril no BARREIRO, a "FÁBRICA DE EXTRACÇÃO DE ÓLEO DE BAGAÇO DE AZEITONA" (destinada ao fabrico de sabões) e um pequeno conjunto de unidades fabris que visavam fundamentalmente produções aplicáveis na agricultura: FABRICA DE ENXOFRE (moídos e sublimados) na produção de insecticidas, uma "FÁBRICA DE ADUBOS" (Super-fosfatos), obtido do fabrico do ácido Sulfúrico, a partir da "USTULAÇÃO" ( 1 ) das "PIRITES" ( 2 ).
A breve trecho, este veio fundamentar por reacção com o sal, a produção de sulfatos de cobre e de sódio e também de ácido clorídrico.
Em menos de 10 anos, com o início de ramos industriais coadjuvantes, tratamentos então rudimentar, das cinzas do minério (entre 1911 e 1916), tecelagem e fiação de fibras africanas com que se obtêm sacos para o armazenamento de adubos, estavam lançadas as bases da empresa que viria a ser o primeiro complexo português com nível europeu.

A partir de 1930 apta-se pela concentração fabril no BARREIRO dentro da região de LISBOA; é nessa data que se conclui uma nova ponte-cais que permite a acostagem de vapores com 1 500 Toneladas; é em 1933 que se transfere a "FÁBRICA DE TAPETES DO RATO" e em 1934 que se instala a de "FARINHA E DE ÓLEO DE AMENDOIM", de produção destinada às fábricas de conserva de SETÚBAL e do ALGARVE. 

( 1 ) - USTULAÇÃO - Acto ou efeito de "USTULAR"; Calcinação.   - USTULAR -v. tr. -Secar ao fogo; queimar levemente;queimar um sulfureto metálico, em presença do ar, para obter o anidrido sulfuroso e um óxido do metal.

( 2 ) PIRITES (do Lat pyrites ou pyríte «Grego pyr, pyrós, fogo) - s.f.- Sulfureto metálico, que se encontra no estado natural. Quim. - Combinação de enxofre e de um metal que se encontra no estado natural. PIRITE DE COBRE, sin. de CALCOPIRITE. PIRITE BRANCA, sin. de MARCASSITE. Existe em Portugal.

Com a REVOLUÇÃO INDUSTRIAL, voltou a intensificar-se no séc. XIX a exploração mineira, tendo funcionado largas dezenas de minas que exploravam principalmente "PIRITES".
Sendo a faixa PIRITOSA IBÉRICA que constitui uma vasta área geográfica do Sul da Península Ibérica na designação "ZONA SUL PORTUGUESA". Tem cerca de 250 km de comprimento e 30 a 50 km de largura, desenvolvendo-se desde "ALCÁCER DO SAL" (PORTUGAL) a NOROESTE, até "SEVILHA" (ESPANHA), a SUDESTE. Sendo a mais importante e mais antiga a "MINA DE ALJUSTREL" cuja actividade mineira é anterior aos ROMANOS.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA ALFREDO DA SILVA[ XV ]-A CUF NO BARREIRO ( 3 )»

sábado, 15 de julho de 2017

RUA ALFREDO DA SILVA [ XIII ]

«A C.U.F. NO BARREIRO ( 1 ) 
 Rua Alfredo da Silva - ( 1971 )  -  (Vista aérea do complexo da C.U.F. no BARREIRO, uma obra pensada por ALFREDO DA SILVA)  in  RESTOS DE COLECÇÃO
 Rua Alfredo da Silva - ( 1907)  - (Construção do complexo Industrial da CUF do Barreiro. O empreendimento deve-se à persistência de ALFREDO DA SILVA, que escolheu a VILA (hoje CIDADE), fez uma opção decisiva para o progresso da margem Sul)  in   FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX
 Rua Alfredo da Silva -  (1908)  -  (Uma das fases de construção da Fábrica de Adubos da CUF no BARREIRO)  in  UM OLHAR SOBRE O BARREIRO
 Rua Alfredo da Silva - (ant. 1909)  -  (Assentamento de linhas Férreas para servir as fábricas da Companhia na CUF do BARREIRO)  in  FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX
 Rua Alfredo da Silva - (01.01.1901)  -  Retrato de HENRIQUE BURNAY 1838-1909, par do Reino, empresário, Banqueiro e Industrial português, possuía inicialmente em LISBOA, a "COMPANHIA UNIÃO FABRIL)   in  WIKIPÉDIA
 Rua Alfredo da Silva - (1927) -  (Companhia de Adubos da CUF. Um cartaz para cada ano, mostrando o agricultor "ZÉ POVINHO" cada vez mais prospero)  in  FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX
Rua Alfredo da Silva  - (1931)  - (E assim vão prosperando com a campanha de Adubos dos "PHOSPHATOS" da CUF)  in  FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX


(CONTINUAÇÃO) - RUA ALFREDO DA SILVA [ XIII ]

«A  C. U. F. NO BARREIRO ( 1 ) »


A "ALIANÇA FABRIL" e a "UNIÃO FABRIL", duas companhias congéneres e rivais, tinham alguns accionistas em comum, a começar pelo próprio "1.º CONDE DE BURNAY - HENRIQUE BURNAY " (1838-1909), que "ALFREDO DA SILVA terá conhecido na CARRIS.
A "UNIÃO FABRIL", fundada em 1865, tinha as suas fábricas em ALCÂNTARA e os escritórios na RUA DA ALFANDEGA. Dedicava-se ao fabrico e venda de produtos similares aos produzidos pela "ALIANÇA FABRIL".

Depois da fusão entre a "COMPANHIA ALIANÇA FABRIL" e a "COMPANHIA UNIÃO FABRIL" em 1898, como resultado surge uma "C.U.F."  mais reforçada, passando "ALFREDO DA SILVA" a ser o Administrador Gerente da nova empresa.

Em poucos anos a "C.U.F."  impor-se-à como uma referência no âmbito do programa produtivo nacional. A história e a laboriosa construção do grupo económico a que deu origem surge como o cumprimento dos desígnios de uma lógica concebida, interpretada e executada pelo seu criador.
A C.U.F. continuou a sua actividade dentro dos mesmos produtos ( velas, óleos, adubos...), enfrentando algumas dificuldades, até colocadas pela concorrência, mas beneficiando da pauta proteccionista de 1892, que lhe permitiu um período auspicioso. "ALFREDO DA SILVA" prossegue a sua cruzada; melhora as instalações da fábrica de sabão das FONTAÍNHAS, abre uma Agência em TOMAR para venda de ADUBOS. No final do ano de 1902 apresenta ao Conselho de Administração um projecto e a respectiva planta de um apeadeiro ou Estação de Caminho de Ferro dentro da fábrica das FONTAÍNHAS, que será concretizado em 1903. São-lhe atribuídos alguns galardões, diplomas de honra e medalhas de ouro. Crescem a importância e o respeito pelo INDUSTRIAL que se vai impondo nas diversas esferas da  SOCIEDADE PORTUGUESA; não apenas pelo seu dinamismo e actuação na C.U.F., como participando na vida pública; intervindo no que se refere a matérias económicas junto dos poderes públicos através da sua representação junto da CÂMARA DOS DEPUTADOS e encontros com o "MINISTRO DA FAZENDA" ou participando na actividade da ASSOCIAÇÃO INDUSTRIAL PORTUGUESA.  "ALFREDO DA SILVA" não hesita em acompanhar "JOÃO FRANCO", que em 1901 tinha provocado uma cisão dentro do PARTIDO REGENERADOR, dando origem ao PARTIDO REGENERADOR-LIBERAL. 
"JOÃO FRANCO" é chamado para o GOVERNO e contava já com o apoio de ALFREDO DA SILVA entre outros notáveis. ALFREDO DA SILVA foi eleito deputado "FRANQUISTA". Sabe-se que  "JOÃO FRANCO" em 1907, começa a governar em DITADURA, num ambiente de profundo isolamento e crescente contestação, cai em profundo desamor do povo. Na história, como se sabe, conduz-nos ao regicídio de DOM CARLOS I, a 1 de Fevereiro de 1908. "JOÃO FRANCO" sai da cena política e o homem da C.U.F. vê chegar ao fim esta experiência política em que se envolvera.

Finalmente é tomada a decisão de instalar a C.U.F. no BARREIRO, por volta de 1907, tinha a CUF então já mais de quarenta anos de existência, limitada às suas velhas instalações fabris de LISBOA (com as Fábricas SOL e UNIÃO) e a de ALFERRAREDE; mas a visão de "ALFREDO DA SILVA" fê-lo antever a conveniência da criação, também, de uma instalação na margem esquerda do TEJO, donde pudesse difundir, para o SUL do País, a sua produção de ADUBOS.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA ALFREDO DA SILVA [ XIV ]-A CUF NO BARREIRO (2)» 

quarta-feira, 12 de julho de 2017

RUA ALFREDO DA SILVA [ XII ]

«ALFREDO DA SILVA  E A  C.C.F.L. (2 )»
 Rua Alfredo da Silva - (Século XIX-Gravador J. Novaes)  -  (O antigo "CHAR-À-BANCS" do SALAZAR, era um veiculo de menores dimensões e praticava preços mais baixos)  in  LISBOA DE ALFREDO MESQUITA
 Rua Alfredo da Silva - (1880) Foto de José Chaves Cruz  -  (O "CARRO AMERICANO" no sítio do ATERRO, com destino a BELÉM)  (Abre em tamanho grande)  in    AML 
 Rua Alfredo da Silva - (C. 1890) Foto de Louis Levy Prova em Albumina-Colecção de Eduardo Portugal  -  ("PRAÇA D. PEDRO IV-ROSSIO" junto ao TEATRO D. MARIA II, dois "CARROS AMERICANOS" e um outro tipo "Charrette", todos eles um meio de transporte dos lisboetas)   in  AML
 Rua Alfredo da Silva - (Início da segunda década do século XX)  -  (Caricatura de EMMERICO NUNES, na "A ILUSTRAÇÃO PORTUGUESA 2.º Semestre-1911", nomeadamente aos transportes de Lisboa e em especial aos "CARROS CHORA")  in    EM VOLTA DA TORRE DE BELÉM
 Rua Alfredo da Silva - (Post. a 1901)  -  (Panorâmica da zona da "ROCHA DO CONDE DE ÓBIDOS" e a passagem de um "CARRO AMERICANO" e um "ELÉCTRICO", existindo a particularidade de nesta época circularem pela esquerda)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE )   in  AML
 Rua Alfredo da Silva - (1901)  -  (Eléctrico da linha de BELÉM passando no ATERRO (actual Avenida 24 de Julho) no início do século XX)  in   LISBOA 125 ANOS SOBRE CARRIS
 Rua Alfredo da Silva - (1909) Foto de Joshua Benoliel  -  ("LARGO DO CONDE BARÃO" um "ELÉCTRICO DA CARRIS" e um "CARRO DE EDUARDO JORGE", ambos circulando na época pelo lado esquerdo no sentido Nascente,  um nos carris o outro no empedrado, à esquerda o "PALÁCIO DO ALVITO")  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   AML 
Rua Alfredo da Silva - (1912) - Foto de Joshua Benoliel  -  ("CARRO DA EMPRESA SALAZAR" com destino ao "CONDE BARÃO", já circulando pela direita)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   AML 

(CONTINUAÇÃO) - RUA ALFREDO DA SILVA [ XII ]

«ALFREDO DA SILVA E A C.C.F.L. ( 2 )»

No século XIX mais próximo da segunda metade, LISBOA possuía uma péssima rede de transportes urbanos, baseada particularmente em carruagens de tracção animal de várias configurações e pertença de 15 Companhias diferentes.  O serviço era péssimo, as carruagens muito sujas e os horários bastante irregulares.

Em 1877 é fundada a COMPANHIA CARRIS DE FERRO LISBOA- CCFL, tendo logo obtido da CML autorização para implementar, um novo sistema de transporte em carruagens sobre carris instalados na via pública e conhecidos por "TRAMWAYS" ou "CARROS AMERICANOS". Estes carros eram igualmente de tracção animal, no entanto mais cómodo para o passageiro, deslizando sobre carris, evitava assim o mau estado das RUAS.
A 17 de Novembro de 1873 era inaugurada a primeira linha de carros americanos entra "SANTOS" e "SANTA APOLÓNIA" com um horário determinado de uma regularidade de 15 minutos das seta horas da manhã às dezanove, o que era considerado já muito bom para a época.
Em 17 de Outubro de 1887 a CARRIS consegue finalmente obter da CML uma concessão de exploração e o monopólio virtual por 99 anos findos os quais todo o material e animais passariam a pertencer ao Município. Ainda no ano de 1887 a "CARRIS" chegou a fazer uma experiência nos "CARROS AMERICANOS", movidos a "electricidade". Mas as baterias não tinham a duração desejável. Sob o ponto de vista técnico o carro funcionava bem mas era um desastre sob o ponto de vista económico.

Finalmente no ano de 1892 a CARRIS adquire todas as  empresas de carruagens "OMNIBUS" (que por mau serviço, não lhes são renovadas as concessões) ainda sobreviventes, excepto a Empresa EDUARDO JORGE. Esta Empresa acabou com os "CARROS CHORA" em 1917 e transformou-se numa Empresa de Camionagem de passageiros, ligando LISBOA aos arredores.

Os primeiros eléctricos chegaram no dia 24 de Janeiro de 1901 no VAPOR "ÓSCAR II" proveniente de "NOVA IORQUE".  O primeiro "CARRO ELÉCTRICO" a fazer a experiência foi o Nº. 248 no dia 1 de Agosto de 1901, tendo levado 19 minutos entre SANTO AMARO e as portas de "RIBAMAR" (hoje ALGÉS), fazendo algumas paragens.
Finalmente no dia 31 de Agosto de 1901, pelas 4 horas e 40 minutos da manhã saia da estação de SANTO AMARO o primeiro "CARRO ELÉCTRICO" de LISBOA com o dístico "EXPERIÊNCIA". Ás 6 horas da manhã saia do CAIS DO SODRÉ o primeiro eléctrico em serviço regular com passageiros com destino a RIBAMAR (ALGÉS). Ao longo do dia circularam 16 carros ligando estes dois pontos da cidade, via ATERRO (actual Avenida 24 de Julho). Os resultados foram notáveis e o público passou a gostar dos eléctricos da sua cidade.

Os "CARROS AMERICANOS " foram retirados da circulação em 1905, embora desde 1901 algumas das carruagens mais recentes, pudessem servir de atrelados aos eléctricos, e em boa parte esta decisão coube à vontade intransigente de "ALFREDO DA SILVA" quando director da C.C.F.L..
Numa entrevista em Dezembro de 1904, ALFREDO DA SILVA deixara clara outra etapa do desenvolvimento da rede, agora no CHIADO. Nem todos, no entanto receberam com agrado a decisão. Os comerciantes, por exemplo criticavam o facto de as ruas serem demasiado estreitas para a circulação de eléctricos e peões, podendo assim diminuir o volume dos seus negócios. Mas o Director continuava... quando se estabeleceu a COMPANHIA tínhamos os "velhos americanos puxados a mulas",  os passageiros ouvindo as chicotadas estalantes, e, de quando em vez, asneiras, obscenas. Agora tal situação estava ultrapassada. E, como se provaria pelo aumento substancial de passageiros, a C.C.F.L. vai alterando os hábitos dos lisboetas, quanto à utilização dos transportes públicos.  


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA ALFREDO DA SILVA [ XII ]-A CUF DO BARREIRO ( 1 )».

sábado, 8 de julho de 2017

RUA ALFREDO DA SILVA [ XI ]

«ALFREDO DA SILVA  E A  C.C.F.L. ( 1 )»
 Rua Alfredo da Silva - (189...) (Prova em albumina) - ("CARRO AMERICANO" na "PRAÇA D. PEDRO IV -vulgo ROSSIO- frente ao TEATRO NACIONAL)  (Abre em tamanho grande)  in  AML
 Rua Alfredo da Silva - (finais do século XIX) Foto de Eduardo Portugal  - ( Os "CARROS AMERICANOS" de tracção animal sobre carris, passando na "PRAÇA DO COMÉRCIO") (Abre em tamanho grande)   in   AML 
 Rua Alfredo da Silva - (Finais do Século XIX) Fotografo não identificado, Colecção de Eduardo Portugal  -  (O "CHORA" transporte público de tracção animal e de baixo preço, cheio de passageiros com destino a BELÉM, fazendo publicidade à Sapataria Cintra da Rua de São Paulo)  in   AML
 Rua Alfredo da Silva - (depois de 1873)  -  (Um dos primeiros "CARROS AMERICANOS" a circular em LISBOA, retirados da circulação em 1905 embora desde 1901 alguns carros fossem adaptados para servir de atrelados aos Eléctricos)   in  LISBOA 125 ANOS SOBRE CARRIS
 Rua Alfredo da Silva - (1882) -Gravador J. Novaes  -  (Os "CARROS RIPPERT" que possuíam as carruagens cujos eixos tinham a mesma largura "bitola" usada pelos "CARROS AMERICANOS" "1,435m", teimavam em utilizar as linhas da CARRIS. A polémica só foi resolvida quando a CARRIS alterou a sua "bitola" para  "0,90m", depois usada pelos "CARROS ELÉCTRICOS")  in   LISBOA DE ALFREDO MESQUITA
 Rua Alfredo da Silva - (séc. XIX) Gravador J. Novaes  -  (Os "CARROS DE JOSÉ FLORINDO", veículos de menores dimensões e preço mais acessível)   in  LISBOA DE ALFREDO MESQUITA
 Rua Alfredo Silva - (1901) -31 de Agosto de 1901  -  (Abertura da primeira linha electrificada da CARRIS, entre a PRAÇA DO COMÉRCIO e ALGÉS, quando "ALFREDO DA SILVA" era um dos seus directores)      in  LISBOA 125 ANOS SOBRE CARRIS
 Rua Alfredo da Silva - (depois de 1901) Gravador J. Novaes  -  ( "ELÉCTRICO DA CARRIS" com destino a BELÉM, passando no ATERRO, "mais tarde a RUA,  depois AVENIDA 24 de Julho")   in    LISBOA DE ALFREDO MESQUITA
Rua Alfredo da Silva - (Início da primeira década do século XX)  -  ("CARRO ELÉCTRICO" da CARRIS com bandeira para BELÉM. Os resultados da Carris foram notáveis e o povo passou a gostar dos eléctricos da sua cidade)   in   LISBOA DE ALFREDO MESQUITA

(CONTINUAÇÃO) - RUA ALFREDO DA SILVA [ XI ]

«ALFREDO DA SILVA E A  C.C.F.L.  ( 1 )»

Um contracto de 28 de Março de 1892 com a CML concedeu-lhe grandes privilégios, devido a 30 acções que detinha na CARRIS, tendo-se mesmo falado na detenção de um monopólio virtual dos transportes públicos por tracção animal na cidade de LISBOA.
Cedo "ALFREDO DA SILVA" começou a frequentar as assembleias Gerais da empresa, das quais, pelos Estatutos, fazia parte dos accionistas possuidor de dez ou mais acções do capital social. Essa presença ficou bem marcada desde o início, daí resultando o convite para a sua deslocação ao estrangeiro com o objectivo de estudar os processos relativos à mecânica e aconselhar qual deles poderia ser adoptado em LISBOA com maior vantagem, o que, para espanto de muitos, aceitou e gratuitamente.
Não demorou muito tempo a apresentar dados com vista à adaptação das suas ideias à realidade local.
A desenvoltura de "ALFREDO DA SILVA", e a sua vontade de vencer conduziram-no mais longe, sendo então eleito como Director de C.C.F.L. em 15 de Novembro de 1895.
ALFREDO DA SILVA altera grande parte dos planos da administração em funções na sua Direcção. Necessitava agora de trabalhar em várias frentes com vista à monopolização do ramo. Progressivamente, foram sendo eliminadas as companhias concorrentes. Para tal contribuiu um contracto estabelecido, mais uma vez. entre a C.M.L. e a C.C.F.L.. Datado de 5 de Junho de 1897, e assinado por ALFREDO DA SILVA e CARLOS KRUS (outro Director), na presença do presidente do Município « ZÓFINO GOMES DA SILVA», visava autorizar a "substituição do actual sistema de tracção nas linhas da Companhia pela tracção eléctrica", sendo este segundo o Relatório de 1897 (no qual ALFREDO DA SILVA surge como accionista Nº. 9, detentor de 50 acções). Neste sentido era dado licença pela C.M.L. para a colocação de postes na via pública em todas as RUAS que tenham suficiente largura para que se não tornem incomodativos para o livre transito.
No dia seguinte, a 16 de Agosto, a Direcção de ALFREDO DA SILVA dava outro passo importante para a vida da empresa, ao obter a exclusividade de utilização da rede eléctrica nas zonas que já explorava.  Devido ao escasso financiamento da firma, a Direcção decidiu em 02.02.1899 recorrer a uma firma estrangeira, a inglesa "WERNHER, BEIT & Ca.",  para cumprir o encargo a partir de 7 de Julho seguinte. Passados dias esta cedia à LISBON ELECTRIC TRAMWAYS, LTD., todos esses direitos e obrigações. A C.C.F.L. tirou bastante proveito com estas alterações, os quais vieram a ter a maioria das 500.000 acções ordinárias, chegando HENRIQUE BURNAY e ALFREDO DA SILVA, a serem directores da "LISBON ELECTRIC TRAMWAYS LTD.".

Os transportes públicos de tracção animal mais utilizados no século XIX e que alguns sobreviveram até à segunda década do século XX, foram: o "CHORA", "FLORENTINO", SIMPLÍCIO", EDUARDO JORGE", "SALAZAR", "LUSITANA" e "JACINTO". Eram mais concorridos que os carros "AMERICANOS" por praticar preços mais económicos e assegurarem as viagens entre a "MOURARIA"  o "LARGO DO INTENDENTE" e "BELÉM". Durante um longo período fizeram parte do cenário característico da cidade de LISBOA, principalmente da "RUA DA PALMA", por onde passavam regularmente.

A linha de "CAMINHOS DE FERRO AMERICANO", de tracção animal e "TRANVIAS" sobre carris com percurso entre o "ROSSIO" e "BELÉM", foi inaugurada a 6 de Fevereiro de 1873. Particularmente concorrida aos DOMINGOS, os CARROS AMERICANOS viam-se bastante assediados nos tempos de Verão, em virtude dos grandes pólos de atracção que eram as PRAIAS e a "FEIRA DE SETEMBRO", que se realizava no Largo fronteiro ao "MOSTEIRO DOS JERÓNIMOS".
Como o trajecto se fazia junto ao mar, à componente lúdica da viagem, juntava-se, então, uma forte componente turística, tão do agrado dos seus passageiros.

(CONTINUA)-(PRÓXIMA)«RUA ALFREDO DA SILVA [ XII ]-ALFREDO DA SILVA  e a C.C.F.L. ( 2 )». 

quarta-feira, 5 de julho de 2017

RUA ALFREDO DA SILVA [ X ]

«A REORGANIZAÇÃO DAS FÁBRICAS»
 Rua Alfredo da Silva - (2016)  -  (A "RUA ALFREDO DA SILVA" na freguesia da "AJUDA", praticamente no seu final sem saída)  in   GOOGLE EARTH
 Rua Alfredo da Silva - ( 1900 )  -  (L' EXPOSITION UNIVERSALLE DE PARIS 1900, foi uma Feira Mundial em Paris, onde a CUF esteve representada com seus produtos, obtendo assim uma medalha de Ouro)   in   PINTEREST
 Rua Alfredo da Silva - (1907)  -  (O interior da Fábrica de Azeites de ALFERRAREDE, um engenho motorizado)   in    FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX
 Rua Alfredo da Silva - (1907)  -  (O interior da Fábrica de Azeites  de ALFERRAREDE, a secção de prensas de segunda pressão)   in   FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX
 Rua Alfredo da Silva - ( 1907)  - (Interior da fábrica de azeites de ALFERRAREDE, na escolha da azeitona)    in   FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX
Rua Alfredo da Silva - (1907)  -  (FÁBRICA DE AZEITES DE ALFERRAREDE, escolha da azeitona para as prensas da primeira pressão)    in    FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX


(CONTINUAÇÃO) - RUA ALFREDO DA SILVA [ X ]

«A REORGANIZAÇÃO DAS FÁBRICAS»

"ALFREDO DA SILVA" desejava a concentração de algumas companhias, em especial as de HENRIQUE BURNAY, titular de "peso" em quase todas. O empresário torneava assim um embaraço comum a muitos outros industriais: ausência de capital disponível para, por sua conta e risco, fazer arrancar o seu projecto.
A 15 de Abril de 1898, reuniria pela última vez a "ASSEMBLEIA GERAL" da Companhia Aliança Fabril-CAF.", que aprova a proposta de "fusão" com a "Companhia União Fabril". ALFREDO DA SILVA é então nomeado de imediato, (com o auxilio financeiro do Conde BURNAY), a nova empresa formalizada a 20 do mesmo mês, continuará a usar a designação de CUF, sendo o seu capital social elevado para 500 contos.
Ainda em 1898, perante a concorrência nacional e estrangeira, ALFREDO DA SILVA aposta na instalação de uma fábrica de ADUBOS QUÍMICOS. Três dias depois da fusão ordena o levantamento nas FONTAÍNHAS de nova fábrica de sabão, de oficinas de adubos compostos e de massa de purgueira. Pouco depois cria novos depósitos no PORTO e em COIMBRA.

As duas fábricas, ao tempo da fusão, estavam em franca decadência, mal estruturadas e administradas, os negócios não podiam prosperar. Os seus métodos de fabrico estavam antiquados e resultavam altos custos, os preços de venda estabelecidos sem prévio cálculos apropriados, a colocação dos produtos era feita ao acaso sem os convenientes e duradouros contactos com os compradores. Havia toda a necessidade de revolucionar os métodos de trabalho e reorganizar a contabilidade.

«Conta-se que um dos seus primeiros actos, mal aquecida ainda a cadeira da secretária onde se sentava, foi chamar o guarda-livros e perguntar-lhe, à queima-roupa, qual o preço de custo, segundo os cálculos da sua contabilidade, por quanto ficava cada barra de sabão amarelo produzida na antiquada fábrica das FONTAÍNHAS.  O contabilista indicou sem hesitar um preço. "Tem a certeza?", indagou o novo patrão.  "A certeza absoluta senhor SILVA", respondeu o empregado. O senhor SILVA manda-o então sentar-se e chamou o contínuo, a quem ordena que vá comprar uma barra de sabão amarelo à mercearia da esquina. Volvidos instantes regressa o contínuo com a barra de sabão, indicando como tendo sido o preço da compra uma cifra, precisamente igual a metade do preço indicado pelo guarda-livros. O senhor SILVA levanta-se, "carrega o cenho" ( 1 ), oferece a barra de sabão ao desgraçado do homem da contabilidade e "troveja": "o senhor está despedido!. [Fonte José Lello - perfil de ALFREDO DA SILVA, pág. 86].

Ia assim, começar a batalha da CUF pala conquista do Mercado Nacional.
ALFREDO DA SILVA revelava já em 1901 o seu grande espírito de organizador. Este industrial amigo do pormenor via as suas fábricas como unidades vivas, em evolução, susceptíveis de constantes melhorias técnicas e administrativas, sujeitas a uma permanente rectificação de modos de produção. Tudo de forma a impor os seus produtos, sobretudo através da diminuição de custos, única forma de ganhar a guerra dos preços. Era esta a luta a que se entregava. Os seus rivais, seriam em breve cilindrados.

A CUF obteria medalhas de OURO na "EXPOSIÇÃO UNIVERSAL DE PARIS" em 1900, e na EXPOSIÇÃO INDUSTRIAL DE SÃO MIGUEL. O esforço de modernização e expansão da empresa não abrandava.
ALFREDO DA SILVA amplia em 1902 a fábrica de sabão das FONTAÍNHAS e compra material circulante, outra caldeira, novo torno para a serralharia, etc.. Abre ainda nesse ano uma AGÊNCIA em TOMAR.
Propõe-se então ALFREDO DA SILVA alargar o âmbito industrial da CUF à extracção do azeite de oliveira. Não era um disparate. Por um lado pela primazia do azeite na alimentação nacional. Por outro lado havia hipóteses de o colocar na industria, em particular a conserveira. Em Janeiro de 1907 adquire uma fábrica em ALFERRAREDE, perto de ABRANTES, que logo lhe começa a assegurar elevados lucros.

- ( 1 ) - CENHO - Rosto carrancudo; aspecto sombrio.


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA ALFREDO DA SILVA [ XI ] ALFREDO DA SILVA E A C.C.F.L. ( 1 )».

sábado, 1 de julho de 2017

RUA ALFREDO DA SILVA [ IX ]

«O PENSAMENTO DA FUSÃO ENTRE A "CAF" E A "CUF"»
 Rua Alfredo da Silva - (2016)  -  (A "RUA ALFREDO DA SILVA" em LISBOA, no sentido Oeste, na freguesia da "AJUDA")   in   GOOGLE  EARTH
 Rua Alfredo da Silva - (1899)  -  (Uma das FÁBRICAS DA CUF em ALCÂNTARA, LISBOA )  in  FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX
 Rua Alfredo da Silva - (1899)  -  (A Fábrica de Adubos Químicos da CUF em ALCÂNTARA, LISBOA)   in   FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX
 Rua Alfredo da Silva - ( 1903 )  -  (Um DIPLOMA atribuído à "COMPANHIA UNIÃO FABRIL - CUF". na EXPOSIÇÃO AGRÍCOLA e de PRODUTOS MINERALÓGICOS)  in  FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX
Rua Alfredo da Silva - ( 1907 )  -  (Fábrica de Azeites de ALFERRAREDE. adquirida por ALFREDO DA SILVA, fazendo parte do plano de expansão da C.U.F. no início do século XX, a secção de trituradores)   in    FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX


(CONTINUAÇÃO) - RUA ALFREDO SILVA [ IX ]

«O PENSAMENTO DA FUSÃO ENTRE A "CAF" e a "CUF"»


«ALFREDO DA SILVA» tomava posse como administrador-gerente no ano de 1893 da "COMPANHIA ALIANÇA FABRIL -CAF".
O país estava em franca mudança, nesse início da década de 90 do século XIX, "a crise financeira não agiu sobre a economia apenas através da flutuação e baixa de câmbios. Assim ajudou a implantar novas ideias económicas".
Em 1892 "OLIVEIRA MARTINS" na altura MINISTRO DAS FINANÇAS, procura erguer barreiras alfandegárias para suavizar a impetuosa concorrência vinda do exterior, criando assim condições para a industria emergente Nacional. Já na década passada era reclamada esta protecção para a industria, que em 1886 só os TÊXTEIS obtiveram.
Nesse ano de 1893 parece dar o passo decisivo, ao afastar-se dos negócios do "BANCO LUSITANO", entregando-o nas mãos dos seus amigos "PETRA VIANA" e "JOSÉ AUGUSTO MOREIRA DE ALMEIDA", após acórdão favorável do TRIBUNAL DA RELAÇÃO DE LISBOA de 29.08.1894, que homologava a «CONCORDATA» com os principais credores. Talvez eventualmente pretendesse dedicar-se exclusivamente à CAF, mas no ano seguinte já o vemos acumular com o cargo de Director da «CARRIS».
O novo gerente contava com gente da sua total confiança, que vai buscar ao "BANCO LUSITANO". 
A equipa esforça-se por implementar as vendas de determinados produtos. Uma embalagem mais atractiva de VELAS cognominada "NAVIO" venderia muito bem. No ano de 1895 lança uma nova actividade: a importação de ADUBOS QUÍMICOS.
Mas nem tudo era um mar de rosas. Em particular a concorrência com outras empresas do ramo, (em 1896 existiam 24 estabelecimentos de pequena dimensão no sector Industrial do SABÃO). Entre elas uma parece merecer especial atenção, a COMPANHIA UNIÃO FABRIL, sediada em LISBOA, com fábrica no "LARGO DAS FONTAINHAS", também dedicada ao "sabão de todas as qualidades e ainda óleos de palmiste, linhaça, purgueira, amendoim e rícino, além de coconote para engorda de animais e adubos para terra". Esta empresa fundada em LISBOA em 1865 pelo "CONDE DA JUNQUEIRA" com o capital de 200 contos de réis, contava agora com HENRIQUE BURNAY entre os principais accionistas.
Então com 26 anos "ALFREDO DA SILVA", à frente da CAF não se dava por satisfeito. E começa, segundo DIAS MIGUEL, a "GIZAR UM PROJECTO AUDACIOSO": a fusão da sua empresa com a rival C. U. F.. O "estudo do problema deverá ter-se efectuado em meados de 1897". A solução da fusão seguia aliás o "modelo típico das crises capitalistas".

Um incêndio de grandes proporções terá atingido a "COMPANHIA ALIANÇA FABRIL-C.A.F." na noite de 04.02.1889, precipitaria os acontecimentos. Apesar dos avultados prejuízos, traduzidos na destruição de metade da Fábrica, lá estava o jovem Industrial "ALFREDO DA SILVA" nessa difícil segunda-feira a dar mostras de uma enorme presença de espírito, ao fazer publicar na imprensa, logo no dia seguinte, um anúncio aos clientes: sem deixar de pedir a preferência pelos produtos nacionais, assegurava que dentro de dias a fábrica poderia cumprir os contractos de fornecimentos, para isso, estavam a ser tomadas todas as providências para normalizar a situação.


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA ALFREDO DA SILVA [ X ]-A REORGANIZAÇÃO DAS FÁBRICAS».