quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

LARGO RAFAEL BORDALO PINHEIRO [ VIII ]

«RAFAEL BORDALO PINHEIRO  ( 2 )»
 Largo Rafael Bordalo Pinheiro - (2014)  -  (Este edifício de esquina à direita Sul do Largo, dali se podiam ver os "pardieiros", foi habitado por "RAFAEL BORDALO PINHEIRO" de 1883 até 1905)  in  GOOGLE EARTH
 Largo Rafael Bordalo Pinheiro - ( 2014)  -  (Visto do "LARGO" a tal abertura que deu a continuação da "RUA DA TRINDADE" onde estiveram durante vários anos os "pardieiros" da TRINDADE")  in  GOOGLE EARTH
 Largo Rafael Bordalo Pinheiro - (08 de Abril de 1880)  -  (Cabeçalho do Jornal "ANTÓNIO  MARIA" - A figura da viúva do António, e Maria, que abre o número do programa "PONTOS NOS i i)   in   BLOG DA RUA NOVE
 Largo Rafael Bordalo Pinheiro - (Março de 1880)  -  ("ANTÓNIO MARIA FONTES PEREIRA DE MELO" em "ÁLBUM DAS GLÓRIAS"  Nº. 2 - 1880 a 1883 de RAFAEL BORDALO PINHEIRO)  in    DESENVOLTURAS E DESACATOS
Largo Rafael Bordalo Pinheiro -  (1880) -  ("RAMALHO ORTIGÃO retratado no "ÁLBUM DAS GLÓRIAS" , Litografia de Rafael Bordalo Pinheiro)  ( ABRE EM TAMANHO MAIORin  ABEBOOKS

(CONTINUAÇÃO) - LARGO RAFAEL BORDALO PINHEIRO [ VII ]

«RAFAEL BORDALO PINHEIRO ( 2 )»

Residia "RAFAEL BORDALO PINHEIRO" no prédio que fazia curva para a "RUA DA TRINDADE" no primeiro andar.  "RAFAEL" teve alguns conflitos com a "CÂMARA",  tudo referente a uns casebres e a uma "Fábrica de Gesso" que existiam naquela localidade.
No início de 1867 a CÂMARA resolveu expropriar o prédio que tornejava pelo NORTE, da "RUA DA TRINDADE para alargamento daquela serventia e desafogo das entradas para o novo "TEATRO DA TRINDADE".
Em Novembro do mesmo ano seguiu-se a "FÁBRICA DO GESSO", então propriedade de "BERNARDO LUIZELLO", tendo a CÂMARA aprovado a sua demolição por utilidade pública. Aprovou, mas nada se fez. Em 1873, na Sessão de 22 de Dezembro foi presente um requerimento dos moradores locais pedindo se alargasse aquela serventia. Tudo inútil. As barracas continuavam de pé e a "RUA DA TRINDADE" continuou a estar atravancada. Dez anos depois ainda estavam firmes os pardieiros.
"RAFAEL BORDALO PINHEIRO", vizinho fronteiriço, irritado com o desleixo Municipal, iniciou então no "ANTÓNIO MARIA" (Jornal que teve duas séries sendo a primeira de 1879-1885 e a segunda de 1891 a 1898), uma campanha de "Blagues" (dito espirituoso)  -  a mais devastadora de todas as campanhas - contra os "mostrengos".
No número 20 de Setembro de 1883, publicava um enigma pitoresco, dedicado à CÂMARA, onde se desenham os pardieiros, e no mês seguinte outro do mesmo género com a decifração do primeiro que dizia o seguinte: "QUE GRANDE, QUE RICO CHEIRO  / DA MAIS SAUDÁVEL MARZIA(SIC) / QUE NOS VEM DO PARDIEIRO / DO LARGO DA ABEGOARIA". Do segundo vem esta decifração, no número de 4 de Outubro: "ANTES DO MÊS DE JANEIRO, /  À PRIMEIRA VENTANIA /  VEM ABAIXO O PARDIEIRO / DO LARGO DA ABEGOARIA".
Catorze dias depois, era dedicado no alegre semanário, oito quadras à CÂMARA sobre o mesmo assunto. A CÂMARA lia... e reflectia.  "RAFAEL BORDALO PINHEIRO"  -  estava-se então em período de eleições Camarárias -  resolve que o pardieiro também vai votar a favor de "ROSA ARAÚJO", e desenha-o com uma lista na mão no número de 1 de Novembro, sentando-o satisfeito e inamovível, numa cadeira. Depois de mais três ou quatro publicações, a campanha do "ANTÓNIO MARIA" acaba então. "RAFAEL" depõe as armas e o lápis. Passaram quatro anos. A hora desejada chegara enfim. A CÂMARA acordara, e o pardieiro com os restos do gesso da fábrica, os cueiros à janela, as chaminés enfarruscadas, as empenas desaprumadas lá eram removidos, estava-se em MARÇO de 1887.

Quando se começou a erguer o prédio do "DR. LOURENÇO DE ALMEIDA E AZEVEDO", lente da POLITÉCNICA, prédio que ainda lá permanece, o saudoso caricaturista, nos "PONTOS NOS i i" de 14 de Abril , dedica, de novo, o seu lápis ao assunto, pintando o aspecto da obra e fazendo votos para que naquele local se não erga qualquer outro pardieiro em estilo GÓTICO ou BIZANTINO que venha a fazer saudades da mesquinha ruína ( 1 ).


- ( 1 ) - Referia a mãe do DR. LOURENÇO DE ALMEIDA E AZEVEDO que, ao abrirem os caboucos para a edificação, se encontraram valiosos restos de loiças antigas (detritos do Terramoto) e muita ossada que certamente eram, (porque se desfaziam ao tocar), vestígios do velho Cemitério do "CONVENTO DA TRINDADE".  

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO RAFAEL BORDALO PINHEIRO[ IX ]RAFAEL BORDALO PINHEIRO ( 3 )».
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