quarta-feira, 9 de maio de 2018

RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO[ VIII ]

«O CONDE DE FARROBO E O PALÁCIO DAS LARANJEIRAS ( 3 )»
 Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo- (Século XIX) Foto de Thomas L. Rence  -  (O CONDE DE FARROBO vestido para uma caçada)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  WIKIPÉDIA
 Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo - (Século XX) Autor não identificado )  -  (Início da "RUA DO ALECRIM" rua que está inserido o antigo "PALÁCIO QUINTELA"  in  Jornal A CAPITAL
Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo - ( 2005) - Foto de APS  -  (Um aspecto da RUA DO ALECRIM, o prédio em construção com o traço do Arquitecto SISA VIEIRA, ao fundo no lado direito o antigo (PALÁCIO QUINTELA), hoje "PALÁCIO CHIADO".   in  ARQUIVO/APS

(CONTINUAÇÃO)-RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO [ VIII ]

«O CONDE DE FARROBO E O PALÁCIO DAS LARANJEIRAS ( 3 )»
Por decreto do Governo de "DOM MIGUEL", o "CONDE DE FARROBO" foi exautorado de todos as honras, privilégios e direitos, e teve de fugir, para não ser preso, a bordo de um navio inglês, tendo conseguido fase-lo fardado de oficial da marinha daquele país, misturado num grupo com vários oficiais do navio e senhoras convidadas para ir a bordo.
A amizade dos INGLESES permitiu-lhe arvorar a bandeira no seu PALÁCIO da RUA DO ALECRIM. Entre este e o navio, um telégrafo de sinais ia dando conta à família  e amigos, das notícias do CAMPO LIBERAL que ali chegavam. A posição precária de "DOM PEDRO" fazia hesitar os capitalistas, cujo reembolso dependia da vitória dos LIBERAIS, a arriscar grandes somas a favor daquilo que parecia votado ao insucesso. Resolveu um emissário de DOM PEDRO ir a bordo falar com "JOAQUIM PEDRO QUINTELA, "CONDE DE FARROBO", o qual generosamente e sem hesitar, pôs imediatamente 30,000 libras esterlinas à disposição de DOM PEDRO.
Deve o facto ter chegado ao conhecimento da polícia de DOM MIGUEL, pois logo se seguiu, em ABRIL de 1832, um Decreto que o obrigava a sair de LISBOA em 24 horas, o que o forçou a vender precipitadamente todos os seus bens imóveis a "LORDE WILLIAM RUSSEL", seu amigo e a esconder-se em casa do súbdito inglês "DIOGO CARLOS DUFF", sob o nome suposto de «MR. SMITH». Apesar das elevadas recompensas prometidas pelo governo MIGUELISTA a quem o entregasse, conseguia manter-se no seu esconderijo, pois só três pessoas, além do dono da casa, sabiam a verdadeira identidade de "MR. SMITH": o criado "JOÃO ALEMÃO", INÁCIO HIRSCH" e um carteiro de nome "JOAQUIM". 
As coisas iam de mal a pior para os LIBERAIS e "LORD WILLIAM RUSSEL fez avisar "JOAQUIM PEDRO QUINTELA", por intermédio de seu sogro, FRANCISCO LODI", da situação, aconselhando-o a não comprometer mais a sua fortuna, por uma causa que ele reputava perdida. Este facto só se tornou público por morte do "CONDE DE FARROBO" (JORNAL DO COMÉRCIO DE 26.10.1869).
Com uma dedicação sem limite à causa CONSTITUCIONAL, não só não seguiu o aviso, como resolveu pôr toda a sua fortuna ao serviço do IMPERADOR, mobilizando na praça de LONDRES os créditos necessários.
Diz-nos o amigo "JOSÉ NORTON" no seu livro "O MILIONÁRIO DE LISBOA", pág. 8: "Enquanto investigador do passado, não me deixa de causar estranheza que, sobre um homem com a dimensão pública de FARROBO, tenha caído um tão pesado silêncio a que acresce uma flagrante ausência de registos documentais. Atribuo essa circunstância a duas situações que, especulando, faço por adivinhar: um sentimento de culpa colectiva por o ESTADO ter traído aquele que foi, na prática, o salvador, do «LIBERALISMO»; e o desconforto da família perante a brutal derrocada que a casa QUINTELA sofreu depois da sua norte".

Depois da vitória de DOM PEDRO IV elevou "FARROBO" à grandeza do Reino como " "CONDE" tendo escolhido a data do aniversário de DONA MARIA II, para tal mercê. Passou a PAR do REINO "2.º Senhor da VILA DE PRÉSTIMO e 2.º ALCAIDE-MOR de SORTELHA e várias condecorações.
As despesas excessivas de tão faustosa vida e alguma infelicidade em negócios, começaram a abanar a brilhante posição financeira de FARROBO. A perda de uma demanda intentada contra ele pelo capitalista "MANUEL JOAQUIM PIMENTA", que lhe tomara o monopólio do TABACO, que o CONDE recebera em recompensa dos serviços pecuniários à CAUSA DA CARTA e da RAINHA, veio dar o golpe final. Durou o processo 30 anos, e o CONDE foi condenado a pagar mais de mil contos de réis.
Nas "LARANJEIRAS" o PALÁCIO muito danificado, praticamente em ruínas e talvez à espera de um mecenas equiparável ao seu fundador.       O "TEATRINHO" ainda  lá    está.    [ FINAL ]

BIBLIOGRAFIA

- ARAÚJO, Norberto de - PEREGRINAÇÕES EM LISBOA - LIVRO XIII -2.ª Ed. 1993-LISBOA.
- DICIONÁRIO ILUSTRADO DA HISTÓRIA - Editado Pub. ALFA - VOL. I e II 1986- LISBOA.
- NOBREZAS DE PORTUGAL E DO BRASIL - Direcção de A.Eduardo M. Zuquete-Editorial Enciclopédica, LDA.-RIO DE JANEIRO-LISBOA - VOLUMES II e III - 1960 - 1961.
- O MILIONÁRIO DE LISBOA - de JOSÉ NORTON - Pub. DOM QUIXOTE - 2009 - LISBOA.
- OLHARES DE PEDRA - A Global Notícias Publicações S.A. - 2004 - LISBOA

INTERNET

- ARQUIVO MUNICIPAL DE LISBOA - AML 
- DIRECÇÃO-GERAL DO PATRIMÓNIO CULTURAL
- LISBOA DE ANTIGAMENTE  (Blogue)
(PRÓXIMO)«CALÇADA MARQUÊS DE TANCOS [ I ] - ENQUADRAMENTO DA CALÇADA, PALÁCIO e MERCADO CHÃO DE LOUREIRO»
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