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domingo, 6 de janeiro de 2008

RUA DO ALECRIM

Rua do Alecrim - Edifício em acabamento da autoria de Siza Vieira - foto do autor (2005)

Rua do Alecrim no ano 2005 autor desconhecido

( Rua do Alecrim - Foto de APS- 2005)

( Rua do Alecrim nos anos 70 do século XX - Autor desconhecido)

( Rua do Alecrim dos anos 70 do século XX - Autor desconhecido)

A RUA DO ALECRIM pertence à freguesia de SÃO PAULO dos números 1 a 57 e de 2 a 22. Á freguesia da ENCARNAÇÃO os números 59 e de 24 em diante.

Começa na Praça do Duque da Terceira no número 13 e finaliza na Praça de Luís de Camões.


Anteriormente conhecida por "RUA ANTIGA DO CONDE", sendo designada por RUA DIREITA DO ALECRIM a partir de 1693.

Segundo Norberto de Araújo, a Rua do Alecrim tinha um traçado pré-pombalino, sendo «uma das artérias mais características deste sítios, muito lisboeta, com o seu delicioso enfiamento até S. Roque, direita como um fuso e em dois terços da sua extensão corresponde à seiscentista Rua do Conde»


Ao cimo da rua, mesmo em frente do Largo Barão de Quintela, encontramos a fachada do Palácio Quintela Farrobo comprado em 1777, mandado edificar por Luís Rebelo Quintela sobre casas arruinadas pelo Terramoto (1755), que pertenciam aos Condes do Vimioso e Marqueses de Valença, (daí advir a toponímia "RUA DO CONDE").


Com a derrocada da Casa Quintela Farrobo o imóvel é adquirido por um comerciante célebre "Monteiro dos Milhões". Actualmente (2006), funciona neste lugar o IADE, Instituto de Artes Visuais, Design e Marketing.


Somente em 1693, esta via aparece pela primeira vez designada com o nome de RUA DIREITA DO ALECRIM. Anteriormente chamava-se Rua do Conde ou Rua Direita do Conde. No extremo norte, a Rua do Alecrim desemboca no Largo das Duas Igrejas. Uma Igreja, a do Loreto, foi edificada pela devota colónia italiana no ano de 1517. Posteriormente destruída por um violento incêndio, em 1651, reconstruída em 1676, ruiu de novo com o terramoto de 1755 e novamente reedificada pela teimosia fervorosa daqueles colonos, em 1785. Este templo, também conhecido pela designação da Igreja dos Italianos, é decorado com quadros da escola Italiana. A outra igreja faz-lhe face e chama-se Igreja da Encarnação foi erigida em 1698 e deve o seu nome ao orago, Nossa Senhora da Encarnação, sendo a Igreja sede paroquial. Fundou este templo a esposa de D. Nuno da Cunha, conde do mesmo título, D. Elvira Maria de Vilhena, Condessa de Pontevel, que a dotou com peças de grande valor e beleza, destacando-se entre elas uma custódia de prata. Destruída pelo terramoto, foi depois reconstruída, tendo as obras sido concluídas em 1783.


Antes do terramoto de 1755 a Rua do Alecrim apresentava um traçado bastante diferente. Terminava na Rua da Cordoaria Nova e era limitada a Norte pelo Palácio do Marquês de Valência. A Ermida de Nossa Senhora do Alecrim, que lhe deu o nome, ficava no lado oposto a poente e estava inserida na propriedade Nº19 do Tombo Pombalino. É provável que a denominação de Rua do Alecrim prevalecesse quando, em princípio de 1802, a Administração Geral dos Correios mandou, pela primeira vez, por ordem superior, pintar os letreiros nas esquinas das vias públicas da capital. Esta artéria foi beneficiada várias vezes, tendo em Agosto de 1842 recebido um passeio de asfalto ao longo da muralha (Fernandina) que a bordava.


Na esquina para a actual Rua do Alecrim, existiu uma Ermida fundada por D. Ana de Vilhena, entre 1628 e 1641, cuja padroeira era Nossa Senhora do Alecrim, denominação que haveria de se estender à Rua e que, durante algum tempo, foi usada simultâneamente como topónimo anterior que acabou por desaparecer.


A rua do Alecrim teve a sua origem no reinado de D. João III, depois do terramoto que destruiu a bairro de Vila Quente. Quando o Patriarca D. Fernando de Sousa e Silva definiu, em 1780, o plano de Divisão e Translação em Paróquias da cidade de Lisboa, esta rua integrada na freguesia da Encarnação, tomou o nome de NOVA RUA DAS DUAS IIGREJAS e servia de limite, pelo lado oriental, entre a freguesia da Encarnação e a freguesia dos Mártires.


"O começo da rua dá-se por uma subida acentuada que assenta em dois arcos de volta abatida (construídos sobre armazéns abobadados, com entrada pela rua de S.Paulo), é um viaduto bem lançado construído depois do Terramoto por ordem expressa do Marquês do Pombal. Este primeiro lanço da rua foi ocupado por escritórios comerciais e de navegação e pelo Hotel Bragança (1).


Quem sobe a Rua do Alecrim, depois de passar a Rua do Ferragial de Baixo e ainda do seu lado direito,existiu um espaço que ao longo dos anos aparentava um baldio de ruínas várias, aí funcionou por volta de 1934 uma Fábrica de Cervejas. Nessa faixa de terreno, pertença da Casa de Bragança, foi recentemente (2005) construído um edifício com projecto urbanístico da autoria do arquitecto Álvaro Siza Vieira. (ver foto Nº 1)


Segundo o traçado da Rua do Alecrim para Sul, encontra-se a Praça do Duque da Terceira. Ali foi erigida, em 1877, uma estátua evocando aquela personagem, cuja acção foi determinante no confronto entre os partidários de D. Pedro e os de D. Miguel, em 1833. Este monumento em bronze é uma criação do escultor Simão de Almeida e do Arquitecto José António Gaspar.


Ao longo do seu percurso, a Rua do Alecrim ostenta ainda alguns belos exemplares da arquitectura civil portuguesa, divisando-se ao fundo o indispensável e amado Rio Tejo, após o Cais do Sodré, fervilhando na sua vida ribeirinha durante o dia e encobrindo a vida nocturna e castiça de Lisboa.


(1) - REVELAR LX (NET)


sábado, 14 de abril de 2018

RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO [ I ]

«O PALÁCIO DOS BARÕES DE QUINTELA ( 1 )
 Rua do Alecrim-Quintela-Farrofo -  (2009) Foto de Dias dos Reis  -  (O "LARGO BARÃO DE QUINTELA" com a estátua a "EÇA DE QUEIROZ" representando "Sobre a nudez da verdade o manto diáfano da fantasia",  com o PALÁCIO QUINTELA em fundo)   in  DIAS DOS REIS
Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo - (1999) Foto de Alberto Peixoto no Jornal "A CAPITAL"   - (Na RUA DO ALECRIM fica o "PALÁCIO" que pertenceu a alguns dos homens mais ricos de Portugal: Quintela e o "Monteiro dos Milhões")      in   HEMEROTECA DIGITAL 
Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo - (195-) Foto de Horácio Novais  -  "PALÁCIO BARÃO DE QUINTELA E CONDE DE FARROBO", frente ao Largo Barão de Quintela)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)   in    AML 


(INÍCIO) -RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO  [ I ]

«O PALÁCIO DOS BARÕES DE QUINTELA ( 1 )»

Diz-nos a história que «CRESO» foi o último REI da "LÍDIA", um território da "ASIA MENOR" (antiga ANATÓLIA), que acabou por ser conquistada pelos "PERSAS", 547 anos antes de CRISTO. E conta a tradição que «CRESO», o poderoso soberano era tão fabulosamente rico, que não tinha qualquer noção de quanto possuía ao certo, bastando-lhe meter as mãos em sacos ou em arcas para de lá retirar ouro e preciosidades em grandes quantidades.
Aconteceu que em LISBOA tivemos igualmente um «CRESO», embora não fosse rei, mas chegou a ser "BARÃO" e "CONDE"; chamava-se "JOAQUIM PEDRO QUINTELA", tendo ficado mais conhecido para a posteridade como "2.º BARÃO DE QUINTELA" e "1.º CONDE DE FARROBO" (embora na literatura Portuguesa apareça com o título de "O MILIONÁRIO DE LISBOA"). Ao dar-mos uma ideia do seu poder monetário, adiante-se já, que para não ter a maçada de se deslocar ao "TEATRO DE SÃO CARLOS" (do qual, aliás, tinha sido empresário e praticamente dono), mandou construir um pequeno "TEATRO" em sua casa nas LARANJEIRAS, cujo nome  era conhecido pelo "TEATRO TÁLIA".
Embora quando escrevemos a "RUA DAS FLORES" em 2010 (Ver mais aqui...) tivesse-mos abordado um pouco "O PALÁCIO QUINTELA",  muito ficou por dizer.
Quanto à "RUA DO ALECRIM" (de que já falámos também), RUA onde se situa o "nosso" PALÁCIO essa RUA anteriormente conhecida por "RUA ANTIGA DO CONDE", sendo somente em 1693, que esta via aparecia pela primeira vez com a designação de "RUA DIREITA DO ALECRIM".
Ora em plena "RUA DO ALECRIM", frente ao "LARGO" que usa o nome de "BARÃO DE QUINTELA" e mesmo de caras para a estátua erguida em honra de "EÇA DE QUEIRÓS" (1845-1900) (executada pelo escultor "ANTÓNIO TEIXEIRA LOPES" inaugurada neste local em 1903, removido o original em pedra para o MUSEU DA CIDADE, e colocado no mesmo local uma réplica em bronze, no ano de 2011), existe um bonito Palacete com alguma história.
Os terrenos pertenciam em 1521 à CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA, que os aforou e mais tarde vendidos a "DOM JORGE DE MELO", que neles edificou umas casas.
Foi essa a antepassada mais conhecida do actual "PALÁCIO QUINTELA".
Ao que parece, os primeiros proprietários não se fixaram, e terá existido problemas com a Justiça até que, já no século XVII foi o conjunto parar às mãos dos "CONDES DE VIMIOSO", mais exactamente do "4º CONDE DOM AFONSO DE PORTUGAL" (directo ascendente do VIMIOSO que, bem mais tarde, teria o célebre caso com a SEVERA). A tal ponto o CONDE ficou ligado ao local, que a "RUA" que hoje conhecemos por "ALECRIM" (nome que vem de uma "ERMIDA DE NOSSA SENHORA DO ALECRIM", teve no passado o nome de "RUA DO CONDE".

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO[II]-O PALÁCIO DOS BARÕES DE QUINTELA ( 2 )».

sábado, 28 de abril de 2018

RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO [ V ]

«O PALÁCIO DOS BARÕES DE QUINTELA ( 5 )»
 Rua do Alecrim -Quintela-Farrobo - (2016) Foto de Luís Varela de Almeida  - (Fachada do antigo "PALÁCIO QUINTA", hoje "PALÁCIO CHIADO")   in     OITAVA COLINA
 Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo- (2016) Foto de autor não identificado  -  (Interior do antigo Palácio Quintela, hoje Palácio Chiado, na Rua do Alecrim)   in   PALÁCIO CHIADO
 Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo - (2016)  -  (Escadaria principal do Palácio Quintela, hoje Palácio Chiado)  in    LISBON LUX
Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo - (2016) -foto de Joana Balaguer -  (Interior do antigo Palácio Quintela parte da escadaria que dá acesso ao andar nobre, hoje PALÁCIO CHIADO)   in  CIDADES DE PORTUGAL 

(CONTINUAÇÃO)-RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO  [ V ]

«O PALÁCIO DOS BARÕES DE QUINTELA ( 5 )

A partir de meados da década de 30 do século XIX, o "2.º BARÃO DE QUINTELA E l.º CONDE DE FARROBO" fez do PALÁCIO sua sede, lá tendo morrido em 1869. Foi nesses anos que o Edifício e os Jardins conheceram a fase áurea a que já fiz referencia. 
Quando o "CONDE DE FARROBO" expirou, já a sua fortuna estava moribunda e o esplendor de outrora já se tinha apagado. Assim, a casa próxima do CHIADO esteve alugada ao GRÉMIO LITERÁRIO por um tempo e acabou por ser adquirida por outro Milionário "MENDES MONTEIRO", o «MONTEIRO DOS MILHÕES», comprara em 1870 a casa que fora de outros ricaços.
Por herança, o PALÁCIO foi parar à família "DAUN e LORENA" (POMBAL), pelo que alguns começaram a chamar «PALÁCIO POMBAL» ao edifício. O nome de "QUINTELA" (até pela vizinhança do LARGO) ou o de "FARROBO" tinha, no entanto, ficado muito vincado ao sítio.

Por volta de 1937, foi o palacete alugado a uma casa de leilões, a "CASA LIQUIDADORA"( 1 ), que começou com o nome de BAZAR CATÓLICO e que teve sede na "AVENIDA DA LIBERDADE, (esquina com a RUA DO SALITRE). Já em tempos mais próximos, esteve ali a funcionar um "INSTITUTO DE ARTES VISUAIS - DISIGN E MARRKETING", fundado pelo escritor "ANTÓNIO QUADROS" e continuado por "ANTÓNIO FERRO"(neto).

O "PALÁCIO QUINTELA" no coração da cidade, que a partir do meio de Fevereiro de 2016, este palácio da RUA DO ALECRIM conhecia novos inquilinos e outro título na fachada... "PALÁCIO CHIADO".
No seu interior vamos encontrar um conceito novo de Restaurante, dividido pelos seus antigos (mas bonitos) aposentos, dizendo os promotores: "Onde se come como NOBRE E SENHOR". Nasceu no CHIADO um novo espaço gastronómico. O qual dispõe de sete Restaurantes no seu interior e de um bar que promete fazer recuar os clientes até ao século XVIII: são envolvidos por vitrais, escadarias e frescos. Podendo lá degustar, Sushi, Ostras, Carne Wagyu ( 2 ), Cockteils e petiscos tradicionais portugueses"[Fonte:PIECES OF MOMENTS].

- ( 1 ) - A "CASA LIQUIDADORA" foi um famoso antiquário e Leiloeiro de LISBOA, situada na AVENIDA DA LIBERDADE. Tem a sua origem no BAZAR CATÓLICO, inicialmente estabelecido em CASCAIS por "JOSÉ PEDRO DA CRUZ LEIRIA" e mais tarde transferido para a RUA DE SÃO BENTO, depois para a RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA. Em finais de 1892, correspondendo ao sucesso obtido, muda-se para a Av. da Liberdade, 31, onde fazia leilões todas as noites.[Fonte: A FOLHA DE LISBOA, 31.12.1893]. Tendo em 1937 também conhecido este "PALÁCIO QUINTELA".

- ( 2 ) - CARNE WAGYU - (A CARNE MAIS TENRA DO MUNDO) - O termo significa "VACA JAPONESA" criada na província de "HYOGO", JAPÃO. Diz-se que os animais recebem massagens diariamente, dadas pelos seus criadores, para que a gordura se possa distribuir por toda a carne de forma harmoniosa e uniforme, que também lhes dão cerveja e vinho de arroz para beber e que ouvem MOZART nos seus estábulos.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO[ VI ]-O CONDE DE FARROBO E AS LARANJEIRAS ( 1 )».

quarta-feira, 25 de abril de 2018

RUA DO ALECRIM-QUINTE-FARROBO [ IV ]

«PALÁCIO DOS BARÕES DE QUINTELA ( 4 )»
 Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo- (1933) (Fotógrafo não identificado, Arquivo do jornal "O SÉCULO")  -  (O "PALÁCIO DOS BARÕES DE QUINTELA e CONDE DE FARROBO" na Rua do Alecrim 56-72)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE in  LISBOA DO ANTIGAMENTE
 Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo-(Foto possivelmente do século XX)  -  (Fachada do Palácio do Barão de Quintela e 1.º Conde de Farrobo na Rua do Alecrim)  in  DIRECÇÃO-GERAL DO PATRIMÓNIO CULTURAL
 Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo- (ant. a 1893) Foto de Francisco Rocchini  -  (Fachada principal do "PALÁCIO DOS BARÕES DE QUINTELA" )   in      AML
Rua do Alecrim-Quinte-Farrobo- (entre 1955-1970) Foto de Artur Pastor  (O Palácio dos Barões de Quintela, visto do Largo Barão Quintela)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   AML 


(CONTINUAÇÃO)-RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO [ IV ]

«O PALÁCIO DOS BARÕES DE QUINTELA ( 4 )»

Ainda da fachada principal do "PALÁCIO QUINTELA", temos no pano central ligeiramente avançado, rasgam-se no primeiro registo, ladeando o portal principal, duas janelas de moldura, inscrita de perfil abatido, com marcação da pedra de fecho por mísula simples.
O portal de perfil em volta-perfeita, estendendo-se à altura do segundo registo, insere-se em pano de muro, de definição rectangular, forrado a cantoria de junta esquadriada, onde se adossam pilastras de fuste liso, cujos capitéis se confundem com a definição das mísulas, nestas apoia-se a varanda de vão de sacada que sobrepuja o portal; ao centro marca-se o fecho do arco com mísula adornada por sulcos verticalizantes, prolongando-se até ao mascarão de suporte da varanda superior.
No segundo registo rasgam-se, ladeando o portal, duas janelas de peito de moldura e perfil recto simples, inscrita em moldura de perfil recto recortado. 
O terceiro registo, corresponde ao andar nobre, conta com três janelas de sacada, abrindo para a varanda corrida de molduração recta nos extremos e ondulada ao centro, servida por guarda de ferro forjado, assente em mísula, decoradas por sulcos paralelos que, se prolongam para o andar inferior. Ainda sobre o terceiro registo, desenvolve-se um piso em ático - que se prolonga por todos os panos da fachada e fachada laterais - revestido a cantaria, e enquadrado superior e inferiormente por cornija, onde se rasgam pequenas janelas com moldura de perfil recto. Coroando o pano central, dispõe-se frontão triangular, ladeado por acrotérios onde assentam fogaréus, emoldurado por friso de cantaria no centro do qual se rasga um óculo.

O Palácio é um exemplar de arquitectura pombalina caracterizado por um ecletismo de matriz "neo-barroca"; "neo-clássica" e "pré-romantismo", de planta rectangular simples, com dois pequenos pátios inferiores do mesmo formato, a que se adossa um corpo também rectangular correspondente às antigas cocheiras, possuindo um pórtico de acesso no Jardim murado.

Mas voltemos ao palacete em 1807, quando ali se hospedou o general "JUNOT", o Comandante da "primeira invasão francesa".  E, como foi senhor todo-poderoso até ser expulso, outro remédio não haveria se não dar-lhe pousada.
Os "QUINTELAS", proprietários da casa, andariam por outras paragens, já que se sabe que, depois da revolução de 1820, ali estabeleceu quartel-general o General "CABREIRA". E em 1833 a casa foi alugada ao CÔNSUL DE FRANÇA "LESSEPS" de seu apelido, tio de "FERDINAND DE LESSEPS", que viria a ser o construtor do CANAL DO SUEZ e que ali trabalhou também em funções de adido.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO[ V ]O PALÁCIO DOS BARÕES DE QUINTELA( 5 )».                                  

quarta-feira, 2 de maio de 2018

RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO [ VI ]

«O CONDE DE FARROBO E O PALÁCIO DAS LARAJEIRAS ( 1 )»
 Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo- (1823) Pintado por Jean-Paul Delorme -  (Retrato de "DONA MARIANA CARLOTA LODI" esposa do "PRIMEIRO CONDE DE FARROBO"  in   WIKIPÉDIA
 Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo - (1867) ?  - ("1.º CONDE DE FARROBO - JOAQUIM PEDRO QUINTELA FARROBO"- (1801-1869)    in   RESTOS DE COLECÇÃO
 Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo - (191_) Foto de Joshua Benoliel ( O PALÁCIO DO BARÃO DE QUINTELA , na RUA DO ALECRIM)  (ABRE EM TAMANHO GRANDEin  AML 
Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo - (2010)  -  (Antigo "PALÁCIO QUINTELA" entrada para os JARDINS)  in  CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA

(CONTINUAÇÃO)-RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO [ VI ]

«O CONDE DE FARROBO E O PALÁCIO DAS LARANJEIRAS ( 1 )»

"JOAQUIM PEDRO QUINTELA" foi  "2.º CONDE DE QUINTELA" e "1.º BARÃO DE FARROBO", nasceu em LISBOA (no PALÁCIO  da RUA DO ALECRIM) a 11.12.1801 e faleceu no mesmo local, a 24.09.1869.
Grande proprietário, opulento capitalista e um dos homens mais notáveis do seu tempo, pelo  talento, pela sua distinção e pelas suas notáveis qualidades pessoais e méritos artísticos, recebeu esmerada educação, em que a música teve lugar de relevo.

Diga-se, entretanto, que o gosto de FARROBO pela música não era mero diletantismo. Foi casado em primeiras núpcias com "MARIANA CARLOTA LODI", que era filha do primeiro empresário do "TEATRO DE SÃO CARLOS". Ganhou tal gosto, que aprendeu canto, tocava vários instrumentos; violoncelo, contrabaixo e trompa, onde segundo consta, neste último era realmente exímio. 
Foi, por tudo isso, grande colaborador do célebre compositor e maestro "JOÃO DOMINGOS BOMTEMPO", na "SOCIEDADE FILARMÓNICA" por este fundada.
O "CONDE DE FARROBO", dispondo de avultada fortuna, organizou em sua própria casa uma orquestra e banda, educando nesse sentido os seus numerosos servidores, contratando mestres de música para esse efeito, tudo debaixo das suas vistas e direcção.

Tinha perdido o pai em 1817 e ainda lhe restava enorme fortuna, iniciou uma faustosa existência no seu PALÁCIO , nas ESTRADA DAS LARANJEIRAS, à vizinhança do JARDIM ZOOLÓGICO, que, aliás, foi instalado, em parte de terrenos adquiridos à casa daquela CONDE e mecenas.
Logo no começo da ESTRADA, fica o "PALÁCIO DAS LARANJEIRAS", hoje do ESTADO.  O  CONDE começou por mandar edificar ali uma espécie de casa de campo, residência de arrabalde, provida, como lhe convinha, de tudo quanto era comodidade e luxo no tempo. O gás de iluminação teve ali a sua estreia.
As festas naquele lugar realizadas eram o paraíso, daqueles que, nos dias de hoje, formariam um requintado "JET SET".

"TINOP", delicioso cronista das mundanidades lisboetas, garantia que ali «entre o luxo inteiramente assírio, governava a distinção, a graça, uma diplomacia coroada de rosas».

O "CONDE DE FARROBO" na época do maestro JOÃO DOMINGOS BOMTEMPO, acabou por ser empresário do "SÃO CARLOS", financiado muitas vezes do seu bolso as companhias que ali se exibiam. Dirigiu ainda o CONSERVATÓRIO NACIONAL".

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO [VII]-O CONDE DE FARROBO E O PALÁCIO DAS LARANJEIRAS(2)».

segunda-feira, 12 de maio de 2008

PRAÇA DUQUE DA TERCEIRA [ IV ]

Praça Duque da Terceira - (2008) Foto de APS ( Á direita início da Rua do Alecrim, em frente a Rua dos Remolares)
Praça Duque da Terceira - (2005) Foto de APS ( A Praça na actualidade)

Praça Duque da Terceira - (2005) Foto de APS (Desnivelamento da Rua da Rua do Alecrim)

Praça Duque da Terceira - (2004) Foto de Dias dos Reis (Rua de São Paulo - Viaduto de desnivelamento para a Rua do Alecrim) in http://www.pbase.com//

Praça Duque da Terceira - (2003) Foto de Dias dos Reis (Rua Nova do Carvalho - Viaduto de desnivelamento para a Rua do Alecrim) in http://www.pbase.com/


(CONTINUAÇÃO)
PRAÇA DUQUE DA TERCEIRA
«DESNIVELAMENTO DA RUA DO ALECRIM»
Após o terramoto as vivências do lugar não parecem modificar-se, o plano Pombalino constituiu-se como uma radical alteração ao traçado urbano anterior, com uma solução urbanística de crucial importância ao nível da cidade.
Até ao terramoto a Rua do Alecrim, que descia do Loreto e das Portas de Santa Catarina, terminava antes de chegar às margens do Tejo.
Impedia-lhe a continuação um morro escarpado que descia quase a pique na zona ribeirinha. O mesmo acontecia tanto a poente como a nascente da cidade, dificultando uma ampla ligação do porto com a "CIDADE ALTA".
O plano urbanístico Pombalino resolve a forte inclinação da vertente, prolongando a Rua do Alecrim numa espécie de ponte em dois grandes arcos sobre a Rua de S. Paulo e da Rua Nova do Carvalho.
A concretização do projecto mereceu especial atenção por parte do todo poderoso primeiro ministro, que encarregou o seu irmão Paulo de Carvalho e Meneses da administração das obras da Praça, a par de outras obras de primeira importância para a cidade, como os Paços do Concelho, Depósito Público e Cais da Ribeira.


Nesta política tanto o marquês como o seu irmão e ainda outros familiares, caso do Morgado de Oliveira, constroem a seu custo grandes edifícios na zona.O nome da Rua Nova do Carvalho é a memória toponímica do irmão do marquês que foi presidente do Senado da Câmara e Inquisidor-mor.
Rigorosamente no eixo da Rua do Alecrim, a Praça dos Remolares abre-se ao Tejo em forma de trapézio com dois grandes edifícios a contornarem a entrada, e outros dois a conformarem os lados. Embora relativamente de pequenas proporções, a Praça não deixa de ter uma forte unidade e claro valor urbanístico, que perdeu em parte com o aterro do Porto de Lisboa e a sua extensão sobre o Tejo.


(CONTINUA) (Próximo - OS ATERROS DO PORTO DE LISBOA)






quarta-feira, 18 de abril de 2018

RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO [ II ]

«O PALÁCIO DOS BARÕES DE QUINTELA ( 2 )»
 Rua do Alecrim - Quintela - Farrobo - (Século XIX) Retrato a óleo sobre tela - ( (Retrato de JOAQUIM PEDRO QUINTELA - 1.º BARÃO DE QUINTELA)    in   WIKIPÉDIA 
 Rua do Alecrim - Quintela - Farrobo - (Século XIX) (Pintura de Domenico Pellegrini  -  (A família do BARÃO de Quintela ) (Colecção Particular)  in   WIKIPÉDIA
Rua do Alecrim - Quintela - Farrobo - (Início de 1910) Foto de Joshua Benoliel)  -  (O Palácio do Barão de Quintela na Rua do Alecrim, 56-72)  (ABRE EM TAMANHO GRANDEin   AML 

(CONTINUAÇÃO)-RUA DO ALECRIM - QUINTELA - FARROBO [ II ]

«O PALÁCIO DOS BARÕES DE QUINTELA ( 2 )»

Em 1726, eram ainda os "VIMIOSOS" os donos das casas. Entretanto aconteceu um enorme incêndio e tudo ficou em ruínas.
Desinteressaram-se então  aqueles fidalgos do local e não quiseram reedificar as casas. Assim, possivelmente por um preço menor, foram o terreno e as ruínas adquiridos por um negociante "ANDRÉ COSTA BARROS". Este, porém, limitou-se a conservar a posse do sítio para a vender depois por bom preço.
E assim entra na história o primeiro "QUINTELA" "LUÍS REBELO QUINTELA" Desembargador de agravos da "CASA DA SUPLICAÇÃO", que mandara edificar o "PALÁCIO QUINTELA" sobre as ruínas das casas destruídas.
Em 1787, já o palácio se encontrava com a configuração actual, podendo mesmo dizer-se, estava erguido.
"LUÍS REBELO QUINTELA" faleceu sem descendência directa, deixou o PALÁCIO a um sobrinho "JOAQUIM PEDRO QUINTELA". Este familiar que seria o "1.º BARÃO DE QUINTELA" nasceu em LISBOA a 20 de Agosto de 1748 e faleceu igualmente  em LISBOA a 1 de Outubro de 1817, filho de "VALÉRIO JOSÉ DUARTE PEREIRA", Cavaleiro e fidalgo da CASA REAL etc., e de sua mulher "DONA ANA JOAQUINA QUINTELA".
"JOAQUIM PEDRO QUINTELA" foi fidalgo da CASA REAL por (alvará de 06.05.1795) do Conselho da RAINHA DONA MARIA I, Conselheiro da Fazenda, Senhor de VILA DE PRÉSTIMO (Comarca de AVEIRO) ALCAIDE-MOR de SORTELHA, Comendador do FORNO DE PALHAVÃ, na ORDEM DE SÃO TIAGO, Cavaleiro professo da ORDEM DE CRISTO.
Foi uma das grandes fortunas do seu tempo, deixando o seu nome intimamente ligado à vida financeira do fim do século XVIII, passagem para o século XIX. Associa o seu estatuto de negociante de grosso trato das praças de LISBOA, com o de abastado proprietário na zona da ESTREMADURA, chegando a constituir MORGADO, por escritura , em 1801, vinculando propriedades avaliadas em mais de 400 contos de réis, quantia para a data elevadíssima e expressiva do poder económico dessa família, que será uma das grandes do mundo financeiro português do século XIX.
Este 1.º BARÃO DE QUINTELA ampliou e enriqueceu muito o PALÁCIO da RUA DO ALECRIM.(Ver mais aqui...).
Como alguns dos grandes capitalistas do seu tempo, tem a sua fortuna ligada a importantes actividades monopolista, de que participa como contratador. Encontra-se o seu nome ligado ao contrato dos TABACOS, que foi fonte de importantes rendimentos financeiros do ESTADO que fez enriquecer, como ele, outros grandes capitalistas  de onde se destacam os "PINTO BASTOS" . 

(CONTINUA)-(PRÓXIMA)«RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO[ III ] O PALÁCIO DOS BARÕES DE QUINTELA ( 3 )»

quarta-feira, 9 de maio de 2018

RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO[ VIII ]

«O CONDE DE FARROBO E O PALÁCIO DAS LARANJEIRAS ( 3 )»
 Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo- (Século XIX) Foto de Thomas L. Rence  -  (O CONDE DE FARROBO vestido para uma caçada)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  WIKIPÉDIA
 Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo - (Século XX) Autor não identificado )  -  (Início da "RUA DO ALECRIM" rua que está inserido o antigo "PALÁCIO QUINTELA"  in  Jornal A CAPITAL
Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo - ( 2005) - Foto de APS  -  (Um aspecto da RUA DO ALECRIM, o prédio em construção com o traço do Arquitecto SISA VIEIRA, ao fundo no lado direito o antigo (PALÁCIO QUINTELA), hoje "PALÁCIO CHIADO".   in  ARQUIVO/APS

(CONTINUAÇÃO)-RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO [ VIII ]

«O CONDE DE FARROBO E O PALÁCIO DAS LARANJEIRAS ( 3 )»
Por decreto do Governo de "DOM MIGUEL", o "CONDE DE FARROBO" foi exautorado de todos as honras, privilégios e direitos, e teve de fugir, para não ser preso, a bordo de um navio inglês, tendo conseguido fase-lo fardado de oficial da marinha daquele país, misturado num grupo com vários oficiais do navio e senhoras convidadas para ir a bordo.
A amizade dos INGLESES permitiu-lhe arvorar a bandeira no seu PALÁCIO da RUA DO ALECRIM. Entre este e o navio, um telégrafo de sinais ia dando conta à família  e amigos, das notícias do CAMPO LIBERAL que ali chegavam. A posição precária de "DOM PEDRO" fazia hesitar os capitalistas, cujo reembolso dependia da vitória dos LIBERAIS, a arriscar grandes somas a favor daquilo que parecia votado ao insucesso. Resolveu um emissário de DOM PEDRO ir a bordo falar com "JOAQUIM PEDRO QUINTELA, "CONDE DE FARROBO", o qual generosamente e sem hesitar, pôs imediatamente 30,000 libras esterlinas à disposição de DOM PEDRO.
Deve o facto ter chegado ao conhecimento da polícia de DOM MIGUEL, pois logo se seguiu, em ABRIL de 1832, um Decreto que o obrigava a sair de LISBOA em 24 horas, o que o forçou a vender precipitadamente todos os seus bens imóveis a "LORDE WILLIAM RUSSEL", seu amigo e a esconder-se em casa do súbdito inglês "DIOGO CARLOS DUFF", sob o nome suposto de «MR. SMITH». Apesar das elevadas recompensas prometidas pelo governo MIGUELISTA a quem o entregasse, conseguia manter-se no seu esconderijo, pois só três pessoas, além do dono da casa, sabiam a verdadeira identidade de "MR. SMITH": o criado "JOÃO ALEMÃO", INÁCIO HIRSCH" e um carteiro de nome "JOAQUIM". 
As coisas iam de mal a pior para os LIBERAIS e "LORD WILLIAM RUSSEL fez avisar "JOAQUIM PEDRO QUINTELA", por intermédio de seu sogro, FRANCISCO LODI", da situação, aconselhando-o a não comprometer mais a sua fortuna, por uma causa que ele reputava perdida. Este facto só se tornou público por morte do "CONDE DE FARROBO" (JORNAL DO COMÉRCIO DE 26.10.1869).
Com uma dedicação sem limite à causa CONSTITUCIONAL, não só não seguiu o aviso, como resolveu pôr toda a sua fortuna ao serviço do IMPERADOR, mobilizando na praça de LONDRES os créditos necessários.
Diz-nos o amigo "JOSÉ NORTON" no seu livro "O MILIONÁRIO DE LISBOA", pág. 8: "Enquanto investigador do passado, não me deixa de causar estranheza que, sobre um homem com a dimensão pública de FARROBO, tenha caído um tão pesado silêncio a que acresce uma flagrante ausência de registos documentais. Atribuo essa circunstância a duas situações que, especulando, faço por adivinhar: um sentimento de culpa colectiva por o ESTADO ter traído aquele que foi, na prática, o salvador, do «LIBERALISMO»; e o desconforto da família perante a brutal derrocada que a casa QUINTELA sofreu depois da sua norte".

Depois da vitória de DOM PEDRO IV elevou "FARROBO" à grandeza do Reino como " "CONDE" tendo escolhido a data do aniversário de DONA MARIA II, para tal mercê. Passou a PAR do REINO "2.º Senhor da VILA DE PRÉSTIMO e 2.º ALCAIDE-MOR de SORTELHA e várias condecorações.
As despesas excessivas de tão faustosa vida e alguma infelicidade em negócios, começaram a abanar a brilhante posição financeira de FARROBO. A perda de uma demanda intentada contra ele pelo capitalista "MANUEL JOAQUIM PIMENTA", que lhe tomara o monopólio do TABACO, que o CONDE recebera em recompensa dos serviços pecuniários à CAUSA DA CARTA e da RAINHA, veio dar o golpe final. Durou o processo 30 anos, e o CONDE foi condenado a pagar mais de mil contos de réis.
Nas "LARANJEIRAS" o PALÁCIO muito danificado, praticamente em ruínas e talvez à espera de um mecenas equiparável ao seu fundador.       O "TEATRINHO" ainda  lá    está.    [ FINAL ]

BIBLIOGRAFIA

- ARAÚJO, Norberto de - PEREGRINAÇÕES EM LISBOA - LIVRO XIII -2.ª Ed. 1993-LISBOA.
- DICIONÁRIO ILUSTRADO DA HISTÓRIA - Editado Pub. ALFA - VOL. I e II 1986- LISBOA.
- NOBREZAS DE PORTUGAL E DO BRASIL - Direcção de A.Eduardo M. Zuquete-Editorial Enciclopédica, LDA.-RIO DE JANEIRO-LISBOA - VOLUMES II e III - 1960 - 1961.
- O MILIONÁRIO DE LISBOA - de JOSÉ NORTON - Pub. DOM QUIXOTE - 2009 - LISBOA.
- OLHARES DE PEDRA - A Global Notícias Publicações S.A. - 2004 - LISBOA

INTERNET

- ARQUIVO MUNICIPAL DE LISBOA - AML 
- DIRECÇÃO-GERAL DO PATRIMÓNIO CULTURAL
- LISBOA DE ANTIGAMENTE  (Blogue)
(PRÓXIMO)«CALÇADA MARQUÊS DE TANCOS [ I ] - ENQUADRAMENTO DA CALÇADA, PALÁCIO e MERCADO CHÃO DE LOUREIRO»

sábado, 21 de abril de 2018

RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO [ III ]

«O PALÁCIO DOS BARÕES DE QUINTELA ( 3 )»
 Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo- (1813) - Pintura de Domingos Sequeira (Museu Nacional de Arte Antiga)  -  (JOAQUIM PEDRO QUINTELA FARROBO 2.º BARÃO DE QUINTELA e 1.º CONDE DE FARROBO)   in   WIKIPÉDIA
 Rua do Alecrim-QUINTELA-FARROBO - (191-) foto de Joshua Benoliel - Negativo de gelatina e prata em vidro)  -  (O PALÁCIO do BARÃO DE QUINTELA e CONDE de FARROBO na antiga freguesia da ENCARNAÇÃO)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE in    AML
 Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo- (2009) - (Réplica em bronze da estátua a "VERDADE" de ANTÓNIO TEIXEIRA LOPES, com a figura de EÇA DE QUEIROZ, na frente do PALÁCIO QUINTELA)  in    RUAS DE LISBOA 
Rua do Alecrim_Quintela-Farrobo-  (2010)  -  (Traseiras do "PALÁCIO QUINTELA" que deitam para a "RUA ANTÓNIO MARIA CARDOSO", 31 a 35  e  37-37A)  in  CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA


(CONTINUAÇÃO)-RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO [ III ]

«O PALÁCIO DOS BARÕES DE QUINTELA ( 3 )»

«JOAQUIM PEDRO QUINTELA" - 1.º BARÃO DE QUINTELA», foi ainda contratador dos Diamantes e do contrato do azeite de peixe e baleia. As suas actividades estendem-se ainda ao sector industrial, onde deixa o seu nome ligado à Industria de Lanifícios, através da exploração das fábricas de Lanifícios da COVILHÃ e do FUNDÃO. a 17 de Agosto de 1805 é agraciado com o título de BARÃO. Das famílias Capitalistas que marcaram as primeiras décadas do século XIX, a dos QUINTELAS foi sem dúvida a mais polémica e de vida financeira mais atribulada.

As suas actividades políticas financeiras e sociais foram amplamente discutidas e comentadas na época, projectando o seu nome para além da dimensão da fortuna que foram detendo. Foi mais do que qualquer dos seus pares do grande capital um homem que projecta o seu nome na vida social do seu tempo. A sua família, contudo, como todas as outras, com excepção da dos "PINTO BASTOS", constituiu uma fortuna que não conseguiu sobreviver ao desenrolar do século XIX, por se dissipar, deixando frequentemente atrás de si um rasto sumptuário que foi causa do desaparecimento de algumas fortunas.

Finalmente seu filho, também de nome "JOAQUIM PEDRO QUINTELA" - 2.º BARÃO DE QUINTELA e a partir de 1833, 1.º CONDE DE FARROBO, tendo nascido neste edifício, deu ao PALÁCIO maior esplendor de que há memória. "PINHEIRO CHAGAS" chamava-lhe "O CONDE DE MONTE CRISTO da vida real".

Como era usual o primeiro BARÃO mercê dos fabulosos negócios que fazia como proprietário de navios e exclusivo importador e exportador de produtos dos portos da ÁSIA (como o CHÁ em lugar de destaque), arranjou grande fortuna. Seu filho encarregar-se-ia de dissipar a fabulosa fortuna.

O primeiro BARÃO DE QUINTELA adquiriu o terreno fronteiro ao PALÁCIO, com a intenção de o transformar num LARGO e assim aconteceu, circulando pelo LARGO teria melhor acesso com os "COCHES" às suas CAVALARIÇAS, além disso dava uma dinâmica urbanística à RUA DO ALECRIM, e modificava a perspectiva em relação à frontaria do PALÁCIO. Este LARGO  que tem o seu nome, inaugurado por volta de 1788, veio realçar a fachada principal do PALÁCIO, dando-lhe uma dimensão muito maior, aumentando-lhe a sua grandeza. Nas traseiras do PALÁCIO tem uma saída para a RUA ANTÓNIO MARIA CARDOSO (antiga RUA DO TESOURO VELHO) com um extenso muro alto e 3 portas normais com os números 31 a 15, e um portão com moldura representando o número 37.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO[ IV ] O PALÁCIO DOS BARÕES DE QUINTELA ( 4 )».

sábado, 5 de maio de 2018

RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO [ VII ]

«O CONDE DE FARROBO E O PALÁCIO DAS LARANJEIRAS»
 Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo- ( 1999) -  Foto de Alberto Peixoto  -  (No recinto do "Palácio das Laranjeiras", ergue-se um pequeno teatro de ópera também conhecido por "TEATRO THÁLIA"  in  A CAPITAL
 Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo - (1943) Foto de Eduardo Portugal   -  Fachada do Palácio do Conde de Farrobo, na Estrada das Laranjeiras)   in    AML 
Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo - (2005)  Foto de APS   -  (Início da RUA DO ALECRIM no século XXI ao fundo à direita o "PALÁCIO QUINTELA" de finais do século XVIII)  in  ARQUIVO DE APS

(CONTINUAÇÃO)-RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FERROBO[ VII ]

«O CONDE DE FARROBO E O PALÁCIO DAS LARANJEIRAS( 2 )»

Junto ao "PALÁCIO DAS LARANJEIRAS" que o "CONDE DE FARROBO" mandou edificar, para seu prazer e para evitar o incómodo de ir a "SÃO CARLOS", um pequeno "TEATRO" para "ÓPERA"  e CONCERTOS, conhecido (na época) pelo "THÁLIA" ( 1 ), cujas festas e representações ficaram célebres nos anais do TEATRO PORTUGUÊS e da alta elegância lisboeta.
A primeira récita de que há notícia foi a 14.03.1825, com a ópera de SAVERIO MERCADANTE, "IL CASTELLO DEGLI SPIRITI" e "COSTANZA", cantadas normalmente por amadores. No "TEATRO DAS LARANJEIRAS", onde obviamente só se entrava por selecto convite, foi estreada uma obra-prima do teatro português: nada menos do que o "FREI LUÍS DE SOUSA" de GARRETT.  e, no tocante ao "bel canto", bastará talvez dizer que só entre 1834 e 1853 ali subiram à cena 18 óperas.
"FARROBO" não olhava a despesas: no CARNAVAL DE 1858, por exemplo, apeteceu-lhe por em cena, no seu teatro, a ópera cómica "LA FANCHONNETTE", com libereto de "JULES HENRI V. DE SAINT GEORG (1799-1875) e música de "LOUIS CLAPISSON". Ora quem cantava a dita obra na perfeição era uma cantora que, pelo apelido, seria Luso- francesa, "MIOLAN-CARVALHO". Sem problemas ofereceu-lhe 30 mil francos, o que , na época, constituía fortuna apreciável. E ia estourando de raiva porque a artista, embora muito lhe apetecesse o prémio, não podia quebrar o contracto que tinha em PARIS.
Teve o fidalgo lisboeta, contudo, algum azar com uma escolha, ao contratar um maestro privativo para o seu "TEATRINHO DAS LARANJEIRAS". Em MILÃO, indicaram-lhe duas hipóteses: a primeira era a da um músico que estava a ter muito êxito, mas a quem convinha mudar de ares por questões políticas; o outro candidato poderia seu um sujeito com algum futuro, mas que tivera há pouco um fracasso no "TEATRO SCALA"."FARROBO" convenceu o primeiro a vir para LISBOA. Chamava-se "ANGELO FRONDONI". O rejeitado dava pelo nome de "GIUSEPPE VERDI". (O tão conhecido VERDI em PORTUGAL).
Os tempos, no entanto, não corriam de feição a estas manifestações artísticas em consequência das lutas políticas (entre irmãos D. PEDRO e D. MIGUEL, as chamadas "Lutas Liberais") que dividiam os portugueses.
O "CONDE FARROBO" abraça a causa "CONSTITUCIONAL" e para a defender assentara praça em 09.04.1821 no REGIMENTO DE CAVALARIA DOS VOLUNTÁRIOS DO COMÉRCIO, para ser na mesma data promovido a Coronel.
Quando. em 1828 "DOM MIGUEL" se proclama "REI ABSOLUTO", o 2.º BARÃO DE QUINTELA e 1.º CONDE DE FARROBO, mais se entregou à causa constitucional. Em 1831, o Governo de DOM MIGUEL decretou um empréstimo forçado ao "CONDE DE FARROBO", embora este se tenha recusado a contribuir para ele. 

- ( 1 ) - TEATRO  THÁLIA - situado no complexo das Laranjeiras, é um edifício na posse do ESTADO desde o século XIX, recuperado pela Secretaria-Geral para fins científicos e culturais, prioritariamente dos organismos da Ciência, Tecnologia e Ensino e de Educação, mas também da Comunidade em geral, através da utilização.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO[VIII]-O CONDE DE FARROBO E O PALÁCIO DAS LARANJEIRAS( 3 )»    

sábado, 28 de agosto de 2010

RUA DAS FLORES [ V ]

Rua das Flores - (2009) Foto de Dias dos Reis (Largo do Barão de Quintela, Palácio e estátua de Eça) in DIAS DOS REIS
Rua das Flores (1980) Fotógrafo não identificado (Largo do Barão de Quintela e Estátua de EÇA) in TRAGÉDIA DA RUA DAS FLORES

Rua das Flores ( 1965-03) Foto de Armando Serôdio ( Largo do Barão de Quintela ao fundo a Rua das Flores) in AFML


Rua das Flores - (1965-03) Foto de Armando Serôdio (Largo do Barão de Quintela, edifício onde estão instalados os Bombeiros Voluntários de Lisboa) in AFML

Rua das Flores - (ant. 1895) - Foto de Francisco Rochini ( Largo do Barão de Quintela antes da colocação da estátua de EÇA) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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RUA DAS FLORES [ V ]
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«LARGO DO BARÃO DE QUINTELA E PALÁCIO QUINTELA»
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LARGO DO BARÃO DE QUINTELA
O topónimo do «LARGO DO BARÃO DE QUINTELA» é o resultado da convergência entre a «RUA DAS FLORES» e a «RUA DO ALECRIM» (ver mais
aqui) pertencentes à freguesia da «ENCARNAÇÃO».
Este Largo terá a sua origem, após a terraplenagem, que possivelmente decorreu em finais do século XVIII, mandado executar por «JOAQUIM PEDRO QUINTELA» 1º Barão de Quintela. Nessa altura terá comprado uns casebres (entre a antiga «RUA DO CONDE» actual «RUA DO ALECRIM» e a «RUA DAS FLORES») que existiam frente ao seu Palácio.
O LARGO e JARDIM, cujo arranjo data do início do século XIX, demonstra-nos que sempre existiu dificuldades em tratar o problema do seu desnivelamento. Local discreto, com suas palmeiras decorativas, embelezado com a estátua a «EÇA DE QUEIROZ», iniciativa de homens de letras.
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PALÁCIO QUINTELA
Os terrenos onde está instalado este Palácio, pertenciam em 1521 à Câmara, que os aforou a «D. JORGE DE MELO». No ano de 1648 os terrenos eram arrematados na justiça por «D. AFONSO DE PORTUGAL», 4º Conde de Vimioso. Existia no século XVIII um Palácio na posse de outro VIMIOSO «D. FRANCISCO DE PORTUGAL», Marquês de Valença.
No ano de 1726 registou-se no Palácio um poderoso incêndio que o reduziu a ruínas. Em 1731, pelo desinteresse dos VIMIOSOS-VALENÇAS em reedificar, foram estas ruínas adquiridas por «ANDRÉ RODRIGUES DA COSTA BARROSO». No ano de 1777 eram comprados os terrenos e as ruínas pelo desembargador «LUIZ REBELO QUINTELA».
A construção do Palácio deu-se entre 1781 e 1782. Ampliado e muito enriquecido por «JOAQUIM PEDRO QUINTELA», 1º Barão de Quintela (1748-1817), sobrinho do desembargador.
Foi o 2º Barão de Quintela e 1º Conde de Farrobo que instituiu o «MORGADO DE FARROBO», também ele de nome «JOAQUIM PEDRO QUINTELA» (1801-1869) que revestiu o Palácio de uma ostentação pouco frequente em Lisboa.
O odioso general «JUNOT» no período da primeira invasão francesa, foi residente neste Palácio Quintela.
Após a ruína e sucessiva falência da «CASA QUINTELA-FARROBO» este Palácio foi vendido em haste-pública. O novo proprietário seria o capitalista «MENDES MONTEIRO» no início do último quartel do século XIX. O novo proprietário do Palácio seria o filho de «MENDES MONTEIRO» também ele grande capitalista de nome «ANTÓNIO CARVALHO MONTEIRO» a quem toda a Lisboa chamava o «MONTEIRO DOS MILHÕES». (O construtor da "QUINTA DA REGALEIRA" em Sintra).
Por morte do «MONTEIRO DOS MILHÕES» o Palácio foi entregue por partilha a uma sua filha, casada com «D. FRANCISCO DE ALMEIDA».
No anos de 1937 este Palácio (sem o seu recheio interior) foi quase na totalidade arrendado à «CASA LIQUIDADORA», antigo «BAZAR CATÓLICO», fundado em 1882.
Actualmente funciona neste espaço o «IADE-INSTITUTO DE ARTES VISUAIS, DESIGN E MARKETING».
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ASSEMBLEIA BRITÂNICA
Aquele quarteirão que se apresenta na parte Sul do «LARGO DO BARÃO DE QUINTELA», entre as ruas do «ALECRIM» e «DAS FLORES» no século XIX era ali a «ASSEMBLEIA BRITÂNICA».
O prédio, propriedade do «4º MARQUÊS DE MARIALVA» e «ESTRIBEIRO-MOR», «D. PEDRO JOSÉ ANTÓNIO DE MENESES», que em 1783 depois das obras que se realizaram, foi alugado por seiscentos mil reais anuais, a um grupo de homens de negócios da «NAÇÃO BRITÂNICA», representados por «JOÃO BERTHON», «DUARTE MARSHAL» e «JOÃO DIOGO STEPHENS».
Na construção do edifício foi acordado que teria 7 janelas para a «RUA DAS DUAS IGREJAS» (actual RUA DO ALECRIM), 6 janelas para a «TRAVESSA DE S. JOSÉ» ( 1 ) e também 7 janelas para a «RUA DAS FLORES».
Neste edifício há a distinguir, entre a frequência ordinária das «ASSEMBLEIAS» reservadas aos sócios, os grandes bailes sazonais, (com ceia), onde a nata da sociedade lisboeta não podia faltar.
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-( 1 ) - Artéria de ligação entre a «RUA DO ALECRIM» e a «RUA DAS FLORES», desapareceu quando, em finais do século XVIII, «JOAQUIM PEDRO QUINTELA» comprou os terrenos e barracas fronteiro ao seu Palácio, fez o terrapleno e doou à Câmara. O Largo assim formado que por isso recebeu o nome de «BARÃO DE QUINTELA», designação já em uso pelo menos desde finais de 1801-(Júlio Castilho ob. Cit. Vol. 2, pp 114-115 e Amanach... 1802, p. 441).
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Embora exista muita literatura sobre o «CONDE DE FARROBO», aconselho a obra de «JOSÉ NORTON» - «O MILIONÁRIO DE LISBOA» da editora D.QUIXOTE. Um bloguista como nós, mas com a história mais bem contada e desenvolvida sobre o homem que ajudou o liberalismo. Link- http://desunastidade.blogspot.com/ (O MILIONÁRIO DE LISBOA).
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) «RUA DAS FLORES [ VI ] SÍNTESE DA BIOGRAFIA DE EÇA DE QUEIROZ»