sábado, 6 de março de 2010

RUA DE XABREGAS [ VII ]

Rua de Xabregas - (2009) - Foto de Dias dos Reis (Convento de S. Francisco de Xabregas) in DIAS DOS REIS
Rua de Xabregas - (2009) - (LEGENDA: - A - Antigo Convento de São Francisco - B - Palácio de OLHÃO - C - Antiga fábrica de Fiação e Tecidos (vulgo) Fábrica das Varandas) in WIKIMAPIA

Rua de Xabregas - (1998 ?) - Fotógrafo não identificado - (Convento de Santa Maria de Jesus, Convento de S. Francisco, Convento de Xabregas, Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonense, Companhia dos Tabacos Lisbonense, Companhia dos Tabacos de Portugal, Companhia Portuguesa de Tabacos e em 1980 é instalada a Companhia do Teatro Ibérico). in FACULDADE DE ARQUITECTURA DA UTL


Rua de Xabregas - (1989) - Foto de APS (Rua de Xabregas no lado direito o antigo Convento de S. Francisco, ao fundo o Viaduto de Xabregas e o "Edifício Concorde" implantado no "Baluarte de Santa Apolónia") ARQUIVO/APS.



Rua de Xabregas, 52 a 60 - ( 1970?) Foto de João H. Goulart (Antigo Convento de S. Francisco na Rua de Xabregas, hoje uma dependência da MEDIATECA de FORMAÇÃO PROFISSIONAL) in AFML.
(CONTINUAÇÃO)
RUA DE XABREGAS [ VII ]
«CONVENTO DE SÃO FRANCISCO DE XABREGAS (2)»
Foi desde sempre o «CONVENTO DE XABREGAS» lugar escolhido por gente ilustre para sepultura. Logo a Condessa de «ATOUGUIA» fundadora deste Convento, reservou para si e seus descendentes a capela-mor.
Ali repousavam, pois, tanto o Vice-Rei da Índia, «D. LUÍS DE ATAÍDE», Conde de Atouguia como a Condessa «D. FILIPA DE VILHENA», figura mítica da Restauração.
Outro ilustre sepultado foi «TRISTÃO DA CUNHA», o da Embaixada ao Papa, e vizinho nas suas casas de Xabregas (Palácio Olhão). E muitos outros aqui jazeram, entre eles «D. JOÃO GALVÃO» Arcebispo de Braga e seu irmão «DUARTE GALVÃO», cronista-mor e o primeiro embaixador a «PRESTE JOÃO».
Nada ficou de tanto trabalho e tanta canseira. As velhas paredes de «D. Guiomar», readornadas pelas gerações sucessivas, ruíram como um castelo de cartas com o terramoto de 1755. Mas os frades não esmoreceram e a casa renasceu das cinzas muito maior e imponente. Alargaram-na, viraram a Nova Igreja ao rio e ladearam-na de dois vastos corpos simétricos.
Inicia-se a sua reconstrução no ano de 1766 por determinação do «MARQUÊS DE POMBAL».
Na sequência da extinção das «ORDENS RELIGIOSAS» em 1834, a Igreja é profanada e por isso, são instaladas nas dependências conventuais algumas Corporações do Exército. Designadamente: O «REGIMENTO DE INFANTARIA Nº1», o «BATALHÃO NAVAL DE ARTÍFICES ENGENHEIROS», que em 1839 é transferido para «ALCÂNTARA».
No ano de 1838 são arrendadas estas dependências do Convento à «COMPANHIA DE FIAÇÃO E TECIDOS LISBONENSE» (foi a primeira fábrica a instalar-se neste espaço).
Um violento incêndio em 12 de Janeiro de 1844 destroi grande parte do antigo Convento salvando-se a Igreja. Reconstruído o Convento no ano seguinte e por ordem Governamental, em 1845 é instalada a «COMPANHIA DOS TABACOS LISBONENSE».
Em 1891 o edifício passa a ser propriedade da «COMPANHIA DOS TABACOS DE PORTUGAL».
"Em 1917 a maior empresa da Industria transformadora portuguesa era a «COMPANHIA DOS TABACOS DE PORTUGAL», empregando 3 316 trabalhadores e explorando 4 fábricas em duas cidades diferentes. Também por essa altura, eram menos de 10 as empresas com uma população operária superior a mil trabalhadores"(1)
No ano de 1927 passou a chamar-se «COMPANHIA PORTUGUESA DE TABACOS» que laborou até finais dos anos 50 do século XX.
Realizaram-se obras nos anos de 1929 e 1932 dando continuidade ao processo de transformação do primitivo edifício numa unidade Industrial.
A actual fisionomia do edifício resulta do restauro integral sofrido pós-terramoto de 1755, caracterizando-se por uma fachada rectangular, de grandes dimensões, com Igreja ao centro. A fachada da Igreja é marcada por elegante trabalho de cantaria e rematado por um frontão contra curvado apresentando as armas reais.
Em 1980 na Igreja do antigo Convento (Nº 54) foi instalada a «COMPANHIA DO TEATRO IBÉRICO», que comemora este ano trinta anos de existência.
Presentemente encontra-se ali a funcionar neste antigo Convento no número 52, sob a alçada do «MINISTÉRIO DO TRABALHO E DA SOLIDARIEDADE SOCIAL» o «IEFP-INSTITUTO DO EMPREGO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL»
(1) - (Pedro Neves - ISEG/UTL) (Propriedade e Gestão nas grandes Empresas num pequeno país: Portugal, 1850-1917) - Comunicação apresentada no XXII Encontro da Associação Portuguesa de História Economia e Social em Aveiro, 15 e 16 de Novembro de 2002).
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DE XABREGAS [ VIII ] - O FRADINHO DE XABREGAS».

terça-feira, 2 de março de 2010

RUA DE XABREGAS [ VI ]

Rua de Xabregas - (1989) - Foto de APS (Fachada do antigo Convento de S. Francisco obra pombalina, reconstruída em 1766) ARQUIVO/APS
Rua de Xabregas - (1989) - Foto de APS (Convento de S. Francisco de Xabregas, depois Fábrica de Tabaco actual Mediateca de Formação Profissional na Rua de Xabregas) ARQUIVO/APS

Rua de Xabregas - (ant. 1895) - Foto de Francesco Rocchini (Convento de S. Francisco em Xabregas) in AFML


Rua de Xabregas - (Século XIX) - (Desenho - Estúdio Mário Novais) (Fábrica de Tabaco em Xabregas no antigo Convento de S. Francisco de Xabregas) in AFML



Rua de Xabregas - (Gravura de B. Lima Coelho) (Fábrica do Tabaco de Xabregas no antigo Convento de Santa Maria de Jesus em Xabregas) (Publicado em 1864 no Archivo Pittoresco, Volume VII, página 205) in A FREGUESIA DO BEATO NA HISTÓRIA - JUNTA DE FREGUESIA DO BEATO.
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(CONTINUAÇÃO)
RUA DE XABREGAS [ VI ]
«CONVENTO DE S. FRANCISCO DE XABREGAS ( 1 )»
No local do futuro «CONVENTO DE SANTA MARIA DE JESUS», junto ao Tejo em Xabregas, foi construída uma residência campestre onde «D. AFONSO III» e os monarcas que lhe seguiram passavam largas temporadas.
No século XIV era um lugar recatado cheio de beleza, não existiam edifícios nas proximidades que lhe roubassem as vistas, estava no extremo do vale, recostado numa colina levemente elevada, que o abrigava do vento Norte. Na parte da frente existia um extenso areal, onde as ondas do Tejo se espraiavam à vontade.
Aquando do «CERCO DE LISBOA» em 1373 os «CASTELHANOS» na impossibilidade de entrarem na cidade, vingaram-se incendiando grande número de propriedades dos arredores. O «PAÇO REAL DE XABREGAS» foi uma das mais atingidas, isto já no reinado de «D. FERNANDO».
Em 17 de Outubro de 1455, «D. AFONSO V», por alvará passado na «VILA DE SANTARÉM», doou as ruínas do antigo «PAÇO REAL» a «D. GUIOMAR DE CASTRO», mulher do primeiro «CONDE DE ATOUGUIA». No mesmo ano eram iniciadas as obras para a construção de um Convento, dedicado a «SANTA MARIA DE JESUS».
Concluído no ano de 1460, tomaram posse do «CONVENTO DE SANTA MARIA DE JESUS DE XABREGAS», os frades da Ordem de «SÃO FRANCISCO», vindos da «ILHA TERCEIRA» e desde então esta casa religiosa passou a ser conhecida por «CONVENTO DE SÃO FRANCISCO» ou «CONVENTO DE XABREGAS».
Dizia-nos CRISTÓVÃO RODRIGUES DE OLIVEIRA no seu «SUMÁRIO DE 1551» que: (...) "O Mosteiro de São Francisco de Enxobregas está fora dos muros (ou parte) a um terço de légua. É de frades menores de observância. Há nele cinquenta frades. Tem algumas Capelas, primeiramente uma de invocação dos Reis, sepulturas de muitas pessoas nobres, na qual os padres tem algumas obrigações de missar".
Em 1652 são realizadas obras na Igreja e claustro, conforme projecto de «JOÃO NUNES TINOCO».
Com o terramoto de 1 de Dezembro de 1755, o Convento ficou totalmente destruído, sendo os frades obrigados a viverem largos anos na cerca, em barracas de madeira. Mais tarde as paredes em ruínas acabaram por ser demolidas por questões de segurança.
No ano de 1757 a parte da Igreja (improvisada) do Convento funcionava no antigo celeiro, dentro dos limites da cerca conventual.
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DE XABREGAS [VII]-CONVENTO DE SÃO FRANCISCO DE XABREGAS (2)»



sábado, 27 de fevereiro de 2010

RUA DE XABREGAS [ V ]

Rua de Xabregas - (2009) - (Zona da Rua de Xabregas - LEGENDA de "A" a "O") ; - A - Antiga taberna do "GALEGO" hoje Restaurante "O CAÇADOR"; - B - Antiga Taberna do "PINHA" hoje Restaurante "O RETORNADO"; - C - Antiga "SERRAÇÃO MECÂNICA de JOSÉ PEDRO(desactivada); - D - Antiga "MERCEARIA DO GERMANO" hoje uma "CASA DE PETISCOS O GERMANO"; - E - Antiga Farmácia "PINTO" hoje farmácia "SALTER"; - F - "JUNTA DE FREGUESIA DO BEATO"; - G - "PLANETA DA FRUTA"; - H - Antiga "COZINHA ECONÓMICA Nº4, hoje "LAR DE SANTO ANTÓNIO"; - I - Antiga Serração de Madeiras de "LUÍS RIBEIRO" (já na Rua da Manutenção)(desactivada); - J - Antigo local do "CHAFARIZ e TANQUE DE XABREGAS" (desactivado); - K - "VIADUTO FERROVIÁRIO DE XABREGAS"; - L - Antigo "INFANTÁRIO DA FÁBRICA DOS TABACOS hoje "CAT-XABREGAS - CENTRO DE ATENDIMENTO A TOXICODEPENDENTES"; - M - Antigo "CONVENTO DE S. FRANCISCO DE XABREGAS" hoje "TEATRO IBÉRICO" e "MEDIATECA de FORMAÇÃO PROFISSIONAL"; - N - Antiga "FÁBRICA SAMARITANA" (desactivada); - O - Antigo Palácio dos Marqueses de Nisa, hoje uma secção da CASA PIA DE LISBOA. in WIKIMAPIA
Rua de Xabregas - (2009) - Foto gentilmente cedida por Henrique Marques ( A Rua de Xabregas tirada do viaduto de Xabregas) in VISITANTE

Rua de Xabregas - (1989) - Foto de APS - (Largo de Xabregas - no lado esquerdo podemos observar a entrada do restaurante "O CAÇADOR", antiga taberna do "GALEGO") - ARQUIVO/APS

Rua de Xabregas - (1970) - Foto de João H. Goulart - (Edifício na Rua de Xabregas onde funcionava o "FOTO ORION" e uma estação dos CTT na porta seguinte) in AFML

Rua de Xabregas - (1970) - Foto de João H. Goulart (No primeiro edíficio existia os CTT estação de Xabregas, no mais à frente trata-se do Palácio Olhão, na Rua de Xabregas) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
RUA DE XABREGAS [ V ]
«O BULÍCIO NA RUA DE XABREGAS»
Com a industrialização no século XIX desenha-se uma importante concentração fabril em Xabregas.
Estas fábricas dão lugar a um aglomerado populacional podendo mesmo considerar-se o núcleo da industrialização oitocentista, na Zona Oriental de Lisboa.
Em finais do século XIX as fábricas, as diversas e pequenas oficinas, os armazéns, e os novos bairros operários, iam transformando de certo modo a paisagem de XABREGAS. Era a visão de uma «XABREGAS», já bem alfacinha, mas ainda com as suas reminescências de arrabalde rural, que o progresso imparável e irreversível não perdoa.
O «LARGO DE XABREGAS» tornava-se por vezes curioso na sua fisionomia bairrista e fabril, pelo movimento de gente que deixara de ouvir os sinos da torre da «IGREJA DO CONVENTO DE S. FRANCISCO», para passarem a ouvir as sirenes das fábricas, bem como os apitos dos comboios.
Pela década de 40 e 50 do século passado, «XABREGAS» prosseguia em ser uma importante e activa zona Industrial da Capital.
A vida deste ex-arrabalde continuava a regular-se pelos apitos das fábricas. Ás 7h 45 soava o primeiro, às 7h 55 o segundo e às 8 h 00 (já todo o operário devia estar na frente do seu lugar de trabalho) soava o último. O intervalo para o almoço era das 12 h oo às 13h oo. Para a reentrada soava o primeiro às 12 h 45, o segundo às 12 h 55 e o último às 13h oo.
Durante várias décadas, estas sirenas das fábricas em Xabregas, marcaram o ritmo de milhares de pessoas, quer directa ou indirectamente.
Quem por essa época, se desse ao incómodo de deambular por estas paragens na hora do almoço, depararia com animado e colorido quadro de um pitoresco fora do comum.
Mal soava o meio-dia, abriam-se os portões das fábricas saíam apressadamente, calcorreando os passeios (homens e mulheres, velhos e novos), toda aquela gente parecia ter uma força anímica, que os impelia ou empurrava freneticamente. Assim, durante uma bela hora, «XABREGAS» fazia a sua indispensável paragem para o almoço.
As «TABERNAS» ou «TASCAS» eram ponto de encontro do operariado de «XABREGAS».
Só na «RUA DE XABREGAS» existiam quatro tabernas: a "tasca" do «GERALDO & SEBASTIÃO» conhecida pelo «GALEGO» nos números 81 a 83, hoje com o edifício e instalações remodeladas, vamos encontrar «O CAÇADOR DE XABREGAS-BAR E RESTAURANTE».
Nos números 75 a 77 existiu a "TASCA" do «PINHA» de nome próprio «JAIME PINHA MOURA», hoje é ocupado pelo «RESTAURANTE - O RETORNADO». Existia a «SERRAÇÃO DE MADEIRAS» de «JOSÉ PEDRO» no número 71 (actualmente em ruína). Logo a seguir no número 69 a «MERCEARIA DO GERMANO», hoje uma casa de petiscos «O GERMANO». Na porta com o número 67 vamos encontrar as instalações da «JUNTA DE FREGUESIA DO BEATO», que ocupa todo o primeiro andar do prédio. Nos números 63 a 65 existia a «FARMÁCIA PINTO» hoje substituída pela «FARMÁCIA SALTER» tendo como técnico responsável o «DR. CARLOS COSTA CABRAL SALTER CID».
Ainda no número 7 da «RUA DE XABREGAS» a taberna de «ANTÓNIO TAVARES DA COSTA» e no número 57 a de «JOSÉ JOAQUIM DOS SANTOS».
No antigo «CONVENTO DE S. FRANCISCO DE XABREGAS» existem vários serviços do Estado, no prédio que se lhe segue e antes do «PALÁCIO OLHÃO» existiu nesse edifício num rés-do-chão alto o «FOTO ORION» e na porta mais à frente uma «ESTAÇÃO DOS CTT».
No prédio do «PALÁCIO DE OLHÃO» na parte de baixo existiu uma loja de curtumes e correaria do «FLORA», a seguir uma loja de fanqueiros de «FERNANDO ADÃO» de uma prima da minha mãe. E finalizamos com a «FARMÁCIA CONCEIÇÃO» no início da «RUA DE XABREGAS» e final da «CALÇADA DE D. GASTÃO» que infelizmente se encontra emparedada.
As caracteristicas industriais (têxtil e tabaqueira) deste bairro de «XABREGAS», sucessivamente renovadas nos diversos períodos do desenvolvimento industrial, determinou a concentração operária junto às fábricas e o seu crescimento populacional. Hoje, sobretudo após os anos 80, agonizaram e morreram as fábricas seculares e outras transferem-se para novos arrabaldes da grande LISBOA.
Ficou para trás épocas dos silvos das máquinas a vapor, dos sons rítmicos das máquinas operadoras e dos gritos nervosos das greves operárias.
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DE XABREGAS [ VI ] - CONVENTO DE SÃO FRANCISCO DE XABREGAS (1)».






quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

RUA DE XABREGAS [ IV ]

Rua de Xabregas - (2005) Foto de APS (Uma vista do Viaduto ferroviário no seu aspecto actual) ARQUIVO/APS

Rua de Xabregas - (1983) - Fotógrafo não identificado - (Viaduto Ferroviário de Xabregas já alterado, para possibitar a circulação de dois eléctricos simultâneamente) in AFML


Rua de Xabregas - (1954) - Foto de Fernando Martinez Pozal - (Viaduto Ferroviário de Xabregas visto do lado da Rua da Madre de Deus) in AFML



Rua de Xabregas - (1937?) - (Desenho de Manuel Barata, zincogravura) (Perspectiva do Viaduto de Xabregas) Publicado in "PEREGRINAÇÕES EM LISBOA" livro XV de Norberto de Araújo.


Rua de Xabregas - (1857 ?) - (Desenho de Manuel Maria Bordalo Pinheiro, gravura em madeira de João Maria Baptista Coelho) - (Ponte de Xabregas - Caminho-de-ferro do Leste) in ARCHIVO PITTORESCO, Ano I, (1857) p. 33.

(CONTINUAÇÃO)
RUA DE XABREGAS [ IV ]

«O VIADUTO DE XABREGAS»

A paisagem de «XABREGAS», (antigo arrabalde de Lisboa), foi alterado com a construção do Caminho-de-Ferro e, nomeadamente o seu «VIADUTO FERROVIÁRIO».

Dizia-nos "NORBERTO DE ARAÚJO" nas suas «PEREGRINAÇÕES EM LISBOA» sobre «XABREGAS»: " Não me fatigo na repetição do fenómeno de paisagem social: tudo isto há dois séculos atrás era de feição conventual e nobre: o «PALÁCIO DOS MARQUESES DE NISA», a um lado, o «CONVENTO DOS FRANCISCANOS» a outro. Sem linha férrea nem passagem sobre viadutos, sem edifícios fabris, armazéns e oficinas, sem cortinas de prédios a encobrir o rio - largo como o mar - «XABREGAS», «ENXOBREGAS» dos séculos velhos, era arrabalde, tímido de póvoas ao acaso, luminoso e lavado".

Remonta de 1844 a ideia de dotar o nosso país com uma rede de infra-estrutura ferroviária, à semelhança de que outros países já vinham fazendo.
Em Abril de 1845 é apresentado ao Governo uma proposta para a construção do troço LISBOA-TOMAR-PORTO, proposta esta que foi anulada por outra da «COMPANHIA DAS OBRAS PÚBLICAS». Mas como esta Companhia se dissolveu, tudo voltou à estaca zero.
É aberto novo concurso em Maio de 1852, para o troço inicial LISBOA-SANTARÉM, empreitada adjudicada a um tal «HARDY HISLOP», mandatado pela «COMPANHIA CENTRAL PENINSULAR DOS CAMINHOS DE FERRO DE PORTUGAL».
No dia 29 de Outubro de 1856, era finalmente, aberta à exploração o primeiro troço de 26 quilómetros da linha férrea «LISBOA-CARREGADO». Estava assim, inaugurada a era do comboio no nosso país, passo importante para a «REVOLUÇÃO INDUSTRIAL», que então apenas balbuciava entre nós.
Diga-se em abono da verdade que o corte das «TRINCHEIRAS DE XABREGAS» (na parte de trás do "CONVENTO DE S. FRANCISCO DE XABREGAS"), iniciado em 7 de Novembro de 1853, com uma altura de 43 metros e um comprimento de 738 metros, revelou-se uma tarefa extremamente complicada.
"A nova linha principia em SANTA APOLÓNIA passa em XABREGAS em frente do CONVENTO DA MADRE DE DEUS, e logo ali nos apresenta as principais obras de arte... A primeira é o VIADUTO pelo qual se passa superiormente à FABRICA DE FIAÇÃO DO ALGODÃO.
Esta obra tem a extensão de 83 metros, sendo o seu tabuleiro metálico assente sobre dois encontros e quatro pilares de alvenaria, formando cinco tramos independentes.
Uma parte do viaduto teve de ser coberta por um anteparo metálico, destinado a defender as edificações e fábrica das faúlhas expelidas pelas chaminés das máquinas a vapor, o que poderia por em perigo aqueles importantes estabelecimentos fabris.
A parte coberta foi retirada quando os comboios deixaram de ser movidos a vapor.
Saindo do «VIADUTO» entra-se logo no túnel de (200 metros de comprimento), sendo metade em curva e metade em recta"( 1 ).
O «VIADUTO FERROVIÁRIO DE XABREGAS» localizado junto ao «LARGO DE XABREGAS», projectado por John Sutherland e Valentine C. L., data do terceiro quartel do século XIX, sendo no primeiro e segundo quartel do século XX de grande importância para o sítio de XABREGAS.
(1) - «O OCIDENTE» de 21 de Maio de 1888.
(CONTINUA)-(PRÓXIMO) - «RUA DE XABREGAS [ V ] -O BULÍCIO NA RUA DE XABREGAS»




sábado, 20 de fevereiro de 2010

RUA DE XABREGAS [ III ]

Rua de Xabregas - (2000) - (Foto da Junta de Freguesia do Beato) ( Instalações da Junta de Freguesia do Beato na Rua de Xabregas) in JUNTA DE FREGUESIA DO BEATO
Rua de Xabregas - (2009) - (Vista panorâmica de Xabregas na Google) in GOOGLE

Rua de Xabregas - (1968) - Foto de Arnaldo Madureira (Viaduto ferroviário de Xabregas e "Largo de Xabregas", estrema da Freguesia do Beato) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
RUA DE XABREGAS [ III ]
«A FREGUESIA DO BEATO»
A «FREGUESIA DO BEATO» foi delineada com o Decreto-Lei 4142/1959, embora a história da formação desta freguesia seja bem mais antiga.
A paróquia de «São Bartolomeu», sendo uma das freguesias mais antigas de Lisboa, desde 1168, esta paróquia tinha sede nas vizinhanças do Castelo de São Jorge. Depois do terramoto, esteve provisoriamente instalada na ermida de «NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO» e mais tarde, alojada na «IGREJA do BEATO ANTÓNIO».
Até ao século XVIII, a freguesia como instituição apresentava características estáveis e douradoras. A população estabelecia um contacto constante e afectuoso durante toda a sua vida com a sua paróquia.
Com a «REVOLUÇÃO LIBERAL» de 1832/34, a situação das paróquias alterou-se. A 30 de Julho de 1832 e a 5 de Agosto de 1833 por Decreto-Lei, foram extintas todas as paróquias do reino e foi transferido para o poder executivo a faculdade de nomear e apresentar todas as dignidades e empregos eclesiásticos.
Só em 1911, após a implementação da República, um novo Decreto-Lei separou a Igreja do Estado, e fez passar para a autoridade eclesiastica todas as atribuições relativas aos provimentos da Freguesia.
Paralelamente os livros de «REGISTOS PAROQUIAIS» começaram a ser transferidos para o «REGISTO CIVIL».
Na segunda metade do século XVIII, de alguns terrenos da «FREGUESIA DE SANTA ENGRÁCIA» juntamente com outros dos «OLIVAIS» nasce a «FREGUESIA DE S. BARTOLOMEU DO BEATO», inicialmente sediada na «TRAVESSA DO ROSÁRIO» a «SANTA CLARA»; mas que em 1836 se transfere para o «MONTE OLIVETE», já dentro da área dos actuais limites da Freguesia.
A sede da freguesia esteve para funcionar na «IGREJA DO CONVENTO DOS FRADES FRANCISCANOS» em Xabregas, porém, um mês depois acabou por ser transferida para a «IGREJA DE Nª. Sª. da CONCEIÇÃO DO MONTE OLIVETE», vulgarmente designada por «IGREJA DO GRILO», onde se manteve até 1943.
O nome de «FREGUESIA DO BEATO» terá, porventura raízes na história de um certo «BEATO ANTÓNIO» que viveu na paróquia no século XVI, (Padre António da Conceição beatificado no século XVIII). O padre «ANTÓNIO DA CONCEIÇÃO», apontado por diversos historiadores como um protegido do Rei «D. SEBASTIÃO»; tanto o «MOSTEIRO» onde vivia como o sítio, passaram a chamar-se do «BEATO».
A «JUNTA DE FREGUESIA DO BEATO» presentemente instalada na «RUA DE XABREGAS» num primeiro andar, com entrada pelo número 67, tem as suas Limitações Administrativas desde o ano de 1959.
A «NORTE» - «RUA DO BEATO», desde os números 19 a 34 (limite com a Freguesia de Marvila); «ESTRADA DE MARVILA», desde a «CALÇADA DO DUQUE DE LAFÕES», junto da antiga Escola Secundária Afonso Domingues (limite com a Freguesia de Marvila).
A «NOROESTE» - «RUA DE CIMA DE CHELAS», até aos números 5 e 8 (limite com a Freguesia de Marvila); «ESTRADA DE CHELAS» nos números Ímpares desde o 97 e Pares desde o 106 a 190 (limite com a Freguesia de S. João).
A «OESTE» - «RUA AQUILES MACHADO» (limite com a Freguesia do Alto do Pina); fim da «CALÇADA DA PICHELEIRA» e da «RUA JOÃO DO NASCIMENTO COSTA» (limite com a Freguesia do Alto do Pina).
A «SUL» - «RUA DE SOL A CHELAS», até aos números 23 e 24 (limite com a Freguesia de S. João); «CALÇADINHA DE SANTO ANTÓNIO» a Chelas, desde os números 6 e 11 (limite com a Freguesia de S. João); «RUA GUALDIM PAIS», números Pares (números Ímpares são da Freguesia de S. João); fim da «RUA DE XABREGAS» (limite com a Freguesia de S. João).
A «ESTE» - «AVENIDA INFANTE D. HENRIQUE», desde as traseiras da antiga Fábrica de Portugal e Colónias, em Xabregas (hoje «RUA BISPO DE COCHIM) (limite com a Freguesia de S. João), até ao Quartel da GNR (limite com a Freguesia de Marvila).
Esta Freguesia é constituída por vários lugares que vão desde a «ALAMEDA DO BEATO» até à encosta da «PICHELEIRA», passando por «XABREGAS» e Vale de «CHELAS» - lugares cheios de história, nomeadamente Xabregas e Chelas. ( 1 )
(CONTINUA) - (PRÓXIMO)- «RUA DE XABREGAS [ IV] - O VIADUTO DE XABREGAS»

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

RUA DE XABREGAS [ II ]

Rua de Xabregas - (1989) - (Foto de APS) (Zona de Xabregas viaduto ferroviário, "Largo de Xabregas", em segundo plano o Palácio dos Marqueses de Nisa e Igreja da Madre de Deus) ARQUIVO/APS
Rua de Xabregas - (2006) (Foto de Filipe Jorge) (O sítio de Xabregas visto de cima, nomeadamente os seus antigos Palácios e Conventos) in LISBOA VISTA DO CÉU

Rua de Xabregas - (2006) (Foto de Filipe Jorge) (Panoranica da Rua de Xabregas e Rua da Manutenção) in LISBOA VISTA DO CÉU


Rua de Xabregas - (1859) - (Óleo sobre tela de J. Pedroso) (Vista da zona de Xabregas, tendo em primeiro plano a «FABRICA DE TABACOS DE XABREGAS», no antigo Convento de São Francisco, e vendo-se em segundo plano o «PALÁCIO DOS MARQUESES DE NISA» in «ALFACINHAS» Os lisboetas do passado e do presente de ALBERTO SOUZA.
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(CONTINUAÇÃO)
RUA DE XABREGAS [ II ]
«O INÍCIO DA INDUSTRIALIZAÇÃO EM XABREGAS»
«XABREGAS» vai conhecer uma mutação no seu tecido económico e social, depois da fixação do «CAMINHO-DE-FERRO» neste local, tendo essa viragem contribuído para a sua transformação, podendo mesmo chamar-se de uma «REVOLUÇÃO INDUSTRIAL».
Para este cenário, são vários os factos que se conjugaram. A aproximação do rio, os amplos espaços existentes na zona, permitindo a implantação de complexos fabris, o reordenamento das instalações portuárias, a extinção das Ordens Religiosas, e não menos importante a construção da via ferroviária, que transforma este sítio no principal centro industrial de «LISBOA».
«XABREGAS» era um pólo fabril constituído num espaço relativamente pequeno, sendo o número de quatro fábricas de relevante valor.
A «FÁBRICA DE FIAÇÃO DE XABREGAS (vulgo)-FÁBRICA SAMARITANA», instalada no «BECO DOS TOUCINHEIROS», também conhecida por «FÁBRICA DO BLAK».
A «FÁBRICA DE MOAGEM A VAPOR ALIANÇA» antecessora da «NOVA COMPANHIA NACIONAL DE MOAGEM» que ficava na «RUA DE XABREGAS» perto do «VIADUTO FERROVIÁRIO», em 1947 foi destruída totalmente por um violento incêndio.
A terceira e bastante importante foi a «FÁBRICA DO TABACO LISBONENSE» que em 1927 se chamava de «COMPANHIA PORTUGUESA DE TABACOS», instalada no antigo «CONVENTO DE SÃO FRANCISCO DE XABREGAS».
A quarta era a «FÁBRICA DE FIAÇÃO E TECIDOS ORIENTAL» vulgarmente chamada pela «FÁBRICA DAS VARANDAS», situada no início da «RUA DE XABREGAS». Nesta fábrica existia um enorme janelão em ferro e vidraça, que hoje se encontra colocado a servir de portal num Centro Comercial, nos terrenos que foram pertença da «FÁBRICA DAS VARANDAS».
No que diz respeito à «INDUSTRIA DO TABACO» é necessário ter presente não só a duração do seu fabrico na «FÁBRICA DE XABREGAS», como a população operária que mobilizava na sua manipulação, bem como a série de armazéns que foram construídos em terrenos conquistados ao Tejo.
O avanço das obras do «PORTO DE LISBOA», a Oriente, foi a causa da sucessiva alteração desta orla, levando mesmo ao desaparecimento de um numeroso areal que os populares (naquela época), chamavam de «PRAIA DA MARABANA», transformado hoje num cais para contentores.
A dado momento, essas praias contrariaram o desenvolvimento Industrial e houve necessidade de fazê-las desaparecer. Os interesses Industriais e Comerciais vieram uniformizar essa linha da margem fluvial e, por outro lado, conquistar mais terrenos ao TEJO.
Com a «INDUSTRIALIZAÇÃO EM XABREGAS» nada ficou como antes. Foi a época de trocar a paisagem serena e límpida do Rio e das paisagens campestres, pelos toques das sirenes das fábricas misturados com os silvos dos comboios, e das chaminés de tijolo, algumas delas já desaparecidas.
Sinais do tempo, que, por vezes não se compadecem com a perfeita conjugação da natureza e os novos conhecimentos tecnológicos adquiridos pelo homem.
(CONTINUA)-(PRÓXIMO)- «RUA DE XABREGAS [ III ] - A FREGUESIA DO BEATO»



sábado, 13 de fevereiro de 2010

RUA DE XABREGAS [ I ]

Rua de Xabregas - (2009) - (Panorama da «RUA DE XABREGAS» e o sítio de XABREGAS) in GOOGLE
Rua de Xabregas - (2006) ( O sítio de Xabregas e «RUA DE XABREGAS» vista na GOOGLE) in GOOGLE

Rua de Xabregas - (1942) - Foto de APS (Na praia de Xabregas uma família desfrutando do local numa tarde de Domingo) (Hoje este espaço é um cais para contentores) ARQUIVO/APS


Rua de Xabregas - (C. 1938) - Foto de Eduardo Portugal - (Na Zona fronteira de Xabregas apresentava em finais da Década de 30, um cenário pouco vulgar em toda a orla ribeirinha de Lisboa. Aí existia uma "praia" «A praia da MARABANA», (até 1940/42), altura em que o novo desenvolvimento Industrial da cidade a fez desaparecer para sempre. in AFML



Rua de Xabregas - (Planta Nº 23 onde está representada a «RUA DIREITA DE XABREGAS» e a «FÁBRICA DO TABACO DE XABREGAS» - Atlas da Carta Topográfica de Lisboa, sob a direcção de Filipe Folque: 1856-1858. in CML-Departamento de Património Cultural-Arquivo Municipal de LISBOA.
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RUA DE XABREGAS [ I ]
«O SÍTIO DE XABREGAS»
A «RUA DE XABREGAS» - Pertence à Freguesia do «BEATO».
Começa na «CALÇADA DE DOM GASTÃO» no número 32 e termina na «RUA DA MADRE DE DEUS» junto ao «VIADUTO FERROVIÁRIO».
Este topónimo foi atribuído por Deliberação Camarária de 18 de Maio de 1889, tendo como designação «RUA DIREITA DE XABREGAS», em 1937 passou a chamar-se «RUA DE XABREGAS»(1).
Convergem para esta rua os arruamentos seguintes: (de nascente para poente)- «RUA JOSÉ ANTÓNIO LOPES»; «TRAVESSA DA MANUTENÇÃO»; «RUA DA MANUTENÇÃO»; «BECO DOS TOUCINHEIROS»; «LARGO MARQUÊS DE NISA» e «RUA BISPO DE COCHIM» uma rua recente (2001) que faz a ligação entre a «RUA DE XABREGAS» e a «AVENIDA INFANTE DOM HENRIQUE».
PROVÁVEIS ORIGENS DA PALAVRA «XABREGAS»
Da origem do termo «XABREGAS» a toponímia histórica não nos dá uma explicação segura.
Tentaremos algumas propostas de diversos autores, sem nunca encontrarmos um verdadeiro significado.
Em tempos terá existido por estes sítios um lavadouro público, onde o diálogo entre as suas utilizadoras não era de bom agrado, quando se zangavam. As desordeiras tinham exclamações de: «LEIXA BREGA!» o que correspondia (DEIXA BRIGAS!), sendo frequentemente usada esta expressão no lavadouro, sempre que surgiam «BRIGAS». A partir daqui teríamos «ENXOBREGAS» e, finalmente «XABREGAS».
Ainda, por este local se encontrar muito junto ao TEJO, existe o relacionamento do nome «XAVEGA» (do Árabe XABAKA), rede de arrasto.
O nome de «XABREGAS» também poderá estar associado à existência de diversos vestígios Romanos encontrados na região - (marco miliário, lápide,sarcófago) e uma povoação chamada «AXABRICA».
«XABREGAS» no século XVI, era um lugar dos mais aprazíveis do «TERMO DA CIDADE», com as suas hortas e pomares e também uma praia. Era na praia de «XABREGAS» que se realizavam torneios de cavalaria, touradas e os tradicionais jogos de canas. Esta zona era ideal para a Realeza poder sair da cidade a descanso. Lentamente, os Nobres foram aproveitando os terrenos disponíveis para se instalarem em «XABREGAS».
A «RUA DE XABREGAS» e seu envolvente, representa muita história para a cidade que nessa altura se encontrava às portas de «LISBOA».
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DE XABREGAS [II] - INÍCIO DA INDUSTRIALIZAÇÃO EM XABREGAS»