sábado, 3 de abril de 2010

RUA DE XABREGAS [ XV ]

Rua de Xabregas - (2009) - Foto de Dias dos Reis (Palácio dos Marqueses de Olhão e o portão que restou da Fábrica das Varandas de 1888) in DIAS DOS REIS
Rua de Xabregas - (1989) - Foto de APS (Fachada do Palácio dos Marqueses de Olhão, também conhecido pelo Palácio de Xabregas) ARQUIVO/APS

Rua de Xabregas - (194_?) Foto de Horácio Novais (Palácio Olhão também chamado de Palácio de Xabregas) in AFML


Rua de Xabregas - (193_?) Foto de Eduardo Portugal (Portal nobre e brasão no pátio do Palácio Olhão da Rua de Xabregas) in AFML
(CONTINUAÇÃO)
RUA DE XABREGAS [ XV ]
«PALÁCIO DOS MARQUESES DE OLHÃO (1)»
Não muito longe (cerca de cem metros) do antigo «CONVENTO DE S. FRANCISCO DE XABREGAS» existe um dos palácios de grandes tradições em Xabregas.

O «PALÁCIO DOS MARQUESES DE OLHÃO» (dos finais do século XVII, restauro do século XVIII) pertenceu aos «CONDES DE CASTRO MARIM».
O primeiro proprietário (das casas anteriores ao Palácio) foi «TRISTÃO DA CUNHA», fidalgo dos mais conceituados nas Cortes de «D. MANUEL I» e de «D. JOÃO III».
Edifício de dois andares, arquitectura simples e pendor solarengo, domina com a sua fachada de 14 janelas de andar nobre, sobre a antiga «ESTRADA DE XABREGAS» abrangendo do número 22 ao 40-A.
O portal brasonado sobre a verga, conduz ao «PALÁCIO NOBRE» através de uma passagem. Neste pátio, do lado Sul, rasga-se, acima de uns tantos degraus, o pórtico nobre, com um grande brasão de armas dos «CUNHAS, MENDONÇAS e MENEZES», em boa lavra de pedra.
O vestíbulo exterior, de tecto liso, em madeira, mostra azulejos de setecentos e um empedrado de laje de mármore branco e rosa, já muito desgastado.
Interiormente, o palácio transpira um ambiente antigo sem sumptuosidade mas com indiscutivel carácter.
O salão de entrada, já no interior do Palácio, é de tecto apainelado, muito ao gosto de seiscentos, e nele se ostentam retratos a óleo de «D. TRISTÃO DA CUNHA», de «D. PEDRO DA CUNHA», e do 1º Marquês de Olhão, «D. FRANCISCO DE MELLO DA CUNHA DE MENDONÇA E MENEZES».
Tem frescos em várias salas, assim como pinturas nas paredes, atribuídas ao célebre pintor «PILMENT».
Este Palácio é constituído por 64 divisões, sendo 27 no seu andar nobre, e as restantes distribuidas pelos outros pisos, bem como jardins e terrenos anexos. No andar térreo tem lojas e armazéns.
O «PALÁCIO DOS MARQUESES DE OLHÃO», com boas lembranças em Xabregas, e memórias escritas em letras de ouro nas páginas da nossa história, sendo um dos poucos edifícios nobres que se mantiveram até ao início do século XXI na posse dos seus legítimos proprietários (e atravessou quinze gerações), cuja linhagem remonta à época da nossa epopeia marítima.
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DE XABREGAS [ XVI ] - O PALÁCIO DOS MARQUESES DE OLHÃO (2)»

quarta-feira, 31 de março de 2010

RUA DE XABREGAS [ XIV ]

Rua de Xabregas - (1939) - Foto de Eduardo Portugal (Chafariz de Xabregas e Lavadouro Público que existia no "Largo de Xabregas") Nota: Junto a esta bica ou tanque localizava-se a "Fonte Samaritana", coeva do Convento da Madre de Deus. Actualmente não restam vestígios ornamentais da primitiva fonte. Podemos observar contudo, um baixo-relevo, simbolizando uma caravela, esculpida em pedra de feição seiscentista. in AFML
Rua de Xabregas - (1954) - Foto de Fernando Martinez Pozal (Pormenor do antigo Chafariz no "LARGO DE XABREGAS" in AFML

Rua de Xabregas - (1949) - Foto de Eduardo Portugal - (Caravela foreira na Bica de Xabregas) Nota: Símbolo ornamental da Bica e Tanque de Xabregas. Trata-se de uma intervenção de seiscentos, quando a primitiva "FONTE SAMARITANA" foi deslocada do Convento da Madre de Deus para este sítio. in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
RUA DE XABREGAS [ XIV ]
«CHAFARIZ E LAVADOURO PÚBLICO DE XABREGAS»
«XABREGAS» como quase toda a LISBOA não dispunha geralmente (nas primeiras décadas do século XX) de água encanada, pelo que se tornava necessário acarretá-la e, com alguma sorte, quando uma torneira se situava por perto.
Assim, regra geral, neste sítio modesto vamos encontrar o POTE ou a TALHA DE BARRO, alta, bojuda, ovóide, de bocal largo e gola voltada ou a prumo, coberta com um prato e sobre este um pano. Para retirar a água deste recipiente utilizava-se um púcaro de esmalte, mas o normal e mais prático era a TALHA que possuía uma torneira junto da base.
Para se proverem de água, as pessoas tinham necessidade de ir buscá-la ao chafariz mais próximo, ou então, o que era vulgar, contratar a "mulher da água" ou aguadeiro, para lhe fornecer mediante o preço convencionado.
Nos anos 50 do século XX, cada lata de água (20 litros) que a mulher acarretava custava 50 centavos, claro está estes preços podiam variar, dependendo sempre da distância a percorrer.
Na «RUA DE XABREGAS» propriamente dito no «LARGO DE XABREGAS», existiu um «CHAFARIZ E LAVADOURO PÚBLICO» agarrado ao muro de suporte à linha-férrea. Nesse chafariz era um vai vem de pessoas de vasilhas na mão, aguardando a sua vez. Depois saiam derreados, eles de barril ou bilha ao ombro, elas de latas na mão ou à cabeça apoiadas numa rodilha ou "sogra".
E era assim todo o santo dia, nesta faina, percorrendo sempre o mesmo caminho.
Nesse tempo, logo à direita do chafariz, existia ainda o rectangular e alpendrado lavadouro, que se animava de mulheres, irrequietas e tagarelas. Cenário pitoresco das lavadeiras do tanque de «XABREGAS».
Depois do «CHAFARIZ» e antes do «LAVADOURO PÚBLICO», existe um tanque de dimensões reduzidas, onde os animais de raça cavalar, iam beber água, embora esse tanque servisse também para passar a roupa já lavada.
Como curiosidade, existe mesmo na parte superior do pequeno tanque um baixo-relevo simbolizando uma caravela, esculpido em pedra de feição seiscentista, assinalando o provável sítio onde existiu em tempos a «FONTE SAMARITANA».
Presentemente nada resta no local do «CHAFARIZ » e do seu «LAVADOURO».
CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DE XABREGAS [ XV ] - PALÁCIO DOS MARQUESES DE OLHÃO (1)»


sábado, 27 de março de 2010

RUA DE XABREGAS [ XIII ]

Rua de Xabregas - (Século XIX ?)(Fotógrafo não identificado) (Fonte da Samaritana hoje recolhida no Museu da Cidade, esteve localizada perto do Terreiro de Xabregas) in MUSEU DA CIDADE
Rua de Xabregas - (Autor desconhecido) (Jesus falando com a Samaritana...) (Ali havia o POÇO DE JACÓ. E Jesus, fatigado da viagem, sentou-se à beira do poço. Era por volta do meio-dia. Veio uma mulher da SAMARIA tirar água. Pediu-lhe Jesus: Dá-me de beber. SÃO JOÃO, 4:6,7. in PRESENTE PARA VOCÊ

Rua de Xabregas - (Século XIX ?) - Fotógrafo não identificado (Fonte SAMARITANA, um baixo relevo mandado construir pela rainha D. Leonor para o Convento da Madre de Deus em Xabregas, hoje pertença do Museu da Cidade de Lisboa in MUSEU DA CIDADE
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(CONTINUAÇÃO)
RUA DE XABREGAS [ XIII ]
«FONTE DA SAMARITANA»
A «FONTE DA SAMARITANA» hoje exposta no «MUSEU DA CIDADE», foi mandada edificar em 1508 pela rainha «D.LEONOR». De início estava encostada à «IGREJA DA MADRE DE DEUS» junto do Tejo, fazendo parte do sistema de abastecimento de água ao MOSTEIRO e à população local.
Em finais do século de seiscentos era normal as freiras subtraírem a água que, destinada ao povo, corria num encanamento pela Cerca Conventual; o «BARÃO DO ALVITO» tomou medidas mas os abusos continuaram.
Em 1700 «D. FRANCISCO DE SOUSA COUTINHO», sucessor na Câmara do «BARÃO DO ALVITO», transferiu a «FONTE DA SAMARITANA» para junto do Terreiro, a Norte do actual «PALÁCIO DO MARQUÊS DE NISA».
Quando chegaram as obras dos caminhos-de-ferro de Leste ao sítio de Xabregas, existiu a ideia de desmanchar esta velha fonte. Felizmente apareceu na imprensa quem se opusesse à demolição deste apreciável monumento (1).
A «FONTE DA SAMARITANA» trata-se de um baixo-relevo, à direita, «JESUS» está sentado na borda do poço, frente à «SAMARITANA». A meio, ao alto, uma bica deixa cair água para um tanque pequeno de meia laranja, que se precipita num outro maior. Ostentava a insígnia evocativa da «RAINHA D. LEONOR» um Camaroeiro.
Todo o conjunto arruma-se num nicho pouco profundo - 2,90 metros de altura por 1,87 metros de largura - construído por duas pilastras da «RENASCENÇA ITALIANA», sobre as quais se apoiava uma grossa cornija com cimalha angulada.
Por ocasião de 1860 a fonte já não existia em «XABREGAS» tendo sido levada inicialmente para o jardim do «MUSEU DAS JANELAS VERDES», embora um pouco mal tratado, acabou por ir parar ao «MUSEU DA CIDADE».
No local do chafariz não há sinal da «FONTE DA SAMARITANA». Apenas ao lado, na parede exterior do pequeno e antigo «LAVADOURO PÚBLICO» no "LARGO DE XABREGAS" existiu uma curiosa NAU, em pedra de talha seiscentista.
(1) - «ARQUIVO PITORESCO» Tomo V, 1862.
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DE XABREGAS [ XIV ] - (CHAFARIZ E LAVADOURO PÚBLICO DE XABREGAS)»


quarta-feira, 24 de março de 2010

RUA DE XABREGAS [ XII ]

Rua de Xabregas - (2005) - Foto de APS (Antiga Fábrica da Samaritana, depois Sociedade Têxtil do Sul, Lda. no Beco dos Toucinheiros) ARQUIVO/APS
Rua de Xabregas - (2004) - Fotógrafo não identificado (Entrada do Beco dos Toucinheiros da Fábrica de Fiação de Xabregas (vulgo) FÁBRICA DA SAMARITANA) in UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA

Rua de Xabregas - (1989) Foto de APS ( A Sociedade Têxtil do Sul, antiga fábrica da Samaritana na sua agonia) ARQUIVO/APS
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(CONTINUAÇÃO)
RUA DE XABREGAS [ XII ]
«FÁBRICA DE FIAÇÃO DE XABREGAS (vulgo) FÁBRICA DA SAMARITANA (2)»
Do ponto de vista empresarial a «FÁBRICA DE FIAÇÃO DE XABREGAS» foi pertença de duas entidades, a Companhia acima referida (entre 1854 e 1936) e a «SOCIEDADE TÊXTIL DO SUL, LIMITADA» de (1934-1951). Durante o período da sua vida, esta Companhia teve diferentes direcções fabris, que marcaram a sua evolução técnica, industrial e social.
Uma mudança qualitativa correspondeu a seguir ao incêndio de 3 de Agosto de 1877, que criou as condições de completa renovação, apetrechando-se com a tecelagem mecânica e nova potência de vapor. Deve datar desta altura a nova casa das máquinas e a nova chaminé da Fábrica que, com a primeira, marca ainda a paisagem daquele local.
Outro pavoroso incêndio, datado de 1948 (a que assistimos), consumiu grande parte do edifício, quando já pertencia à «SOCIEDADE TÊXTIL DO SUL, LDA.». Actualmente persistem vestígios desse acidente, nas fachadas, coberturas e janelas, que não foram objecto de qualquer recuperação.
O ponto alto desta têxtil, atendendo à informação nos Inquéritos Industriais de 1881 e 1890, ocorreu no final do século. Nessa altura, laboravam 531 operários, funcionavam 213 teares, dispondo de uma potência de 120 C/V distribuída pelas duas máquinas. Data deste período a construção de um bairro social para os seus trabalhadores a «VILA FLAMIANO» (inaugurada em Outubro de 1888).
Esta fábrica dispôs de um internato para aprendizes no seu interior, sistema utilizado para suprir a falta de qualificação de mão-de-obra, aspecto laboral criticado pela opinião pública contrária à utilização de crianças como operários (2/3 do total dos trabalhadores).
A cada criança do internato abriu-se uma conta corrente referente ao respectivo salário, sendo-lhe entregue quando acabasse o aprendizado, facto que também levantou alguma celeuma na capital.
Criticava-se ainda o excessivo tempo de trabalho. Todos estes factos e outros que envolveram os pais dos menores e as diversas movimentações grevistas ligadas aos seus trabalhadores, foram matéria aproveitada pelo romancista «ABEL BOTELHO», cujos cenários fabris parecem coincidir com a «FABRICA DO BLACK», por um lado e com a «FABRICA DE FIAÇÃO E TECIDOS ORIENTAL» situada nas proximidades do antigo «CONVENTO DE SÃO FRANCISCO».

Foi integrada na «SOCIEDADE TÊXTIL DO SUL, LDA.», entre 1932 e 1934, mantendo a fiação e a tecelagem juntas, funcionando até à data do último incêndio de 1948. Fornecia então, como outras fábricas daquela sociedade, os «GRANDES ARMAZÉNS DO CHIADO».
O seu espaço foi depois aproveitado para pequenos negócios e firmas. Apesar da degradação destas instalações o monumento industrial teima em continuar, chamando a este sítio «O CEMITÉRIO DAS FÁBRICAS».
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) -«RUA DE XABREGAS [ XIII ] - A FONTE SAMARITANA».


sábado, 20 de março de 2010

RUA DE XABREGAS [ XI ]

Rua de Xabregas - (200_?) - (Fotografia de autor desconhecido) (FÁBRICA DE FIAÇÃO DE XABREGAS (Vulgo) "FÁBRICA DA SAMARITANA"- o edifício mais baixo com telhado de duas águas e janela circular, era a localização da casa da máquina a Vapor, virado a Sul).
Rua de Xabregas - (1989) Foto de APS - (Antiga Fábrica da Samaritana, depois do incêndio de 1948, vista da "RUA GUALDIM PAIS") ARQUIVO/APS

Rua de Xabregas - (1887) - Gravura publicada no Diário Ilustrado Nº 1617 -Ano VI - Lisboa 1887) (Baseada na gravura do Archivo Pitoresco-1864 p. 182) (Fábrica de Fiação de Xabregas (Vulgo) "FABRICA DA SAMARITANA" no "BECO DOS TOUCINHEIROS" Nº 1 em XABREGAS).
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(CONTINUAÇÃO)
RUA DE XABREGAS [ XI ]
«FÁBRICA DE FIAÇÃO DE XABREGAS (Vulgo) "FÁBRICA DA SAMARITANA" (1)»
A «FÁBRICA DE FIAÇÃO DE XABREGAS» podemos considerar ser uma das mais antigas fábricas "maquinofactureiras" de Lisboa, edificada de raiz para essa finalidade, na segunda metade do século XIX.
Instalada em 1857 no sítio de «XABREGAS», era igualmente conhecida por «FÁBRICA DA SAMARITANA» (em virtude de se encontrar nas proximidades da "FONTE DA SAMARITANA") e por «FÁBRICA DO BLACK», em homenagem ao antigo fundador, engenheiro «ALEXANDRE BLACK», a quem se deve a arquitectura industrial a moagem dos seus primeiros equipamentos e máquinas.
Situa-se à entrada do «VALE DE CHELAS», junto às linhas férreas do LESTE e NORTE e da Circunvalação de Lisboa. Encontra-se também junto à antiga "Circunvalação fiscal", da parte Oriental da cidade de Lisboa. A edificação desta unidade fabril é contemporânea da construção do troço de «CAMINHO-DE-FERRO», entre «LISBOA E O CARREGADO», acessibilidade a que se ligou desde então.
As obras começaram em 1854, em terrenos arrendados ao «HOSPITAL DE S. JOSÉ». A laboração inaugurou-se em 1857, altura em que o edifício rectangular, construído de raiz e com todos os apetrechos para a mecanização da fiação de algodão se concluiu. O seu plano inicial obedecia aos modelos mais avançados das fábricas inglesas.
O edifício, descrito por «PINHO LEAL», tinha então 36 metros de comprimento e 21 metros de largura, com 108 janelas nas quatro fachadas.
Os fundadores de origem britânica, constituíram uma companhia por acções para a sua administração, com o capital de 150 contos de réis, a duzentos mil réis por cada acção. «ALEXANDRE BLACK» notabilizara-se nas obras de engenharia na «FÁBRICA DE SANTO AMARO», da «COMPANHIA DE FIAÇÃO E TECIDOS LISBONENSE» (1), entre 1847-49, depois da prova dada, se juntou aos "SCOTT".
Inicialmente era apenas uma unidade mecanizada de fiação, apesar dos seus primeiros estatutos, datados de 1857, preverem também tecelagem, tinturaria e calandragem do algodão.
As condições de mercado facilitaram a instalação da energia a vapor, até porque «XABREGAS» conhecia desde a década de quarenta as primeiras máquinas motoras. A localização da máquina a vapor fez-se em casa própria, exterior ao edifício, virada a Sul. Com a máquina moviam-se os 4 600 fusos iniciais.
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- (1) - A «COMPANHIA DE FIAÇÃO E TECIDOS LISBONENSE», foi a primeira fábrica a instalar-se no «CONVENTO DE SÃO FRANCISCO DE XABREGAS». Depois do violento incêndio de 1844, foi transferida para o vizinho «PALÁCIO DOS MARQUESES DE NISA», no ano seguinte era instalada definitivamente nos terrenos do «CONDE DA PONTE» na Junqueira.
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DE XABREGAS [ XII ] - FÁBRICA DE FIAÇÃO DE XABREGAS (Vulgo) "FÁBRICA DA SAMARITANA" (2)».

quarta-feira, 17 de março de 2010

RUA DE XABREGAS [ X ]

Rua de Xabregas - (1989) - Foto de APS - A Companhia NACIONAL de moagem permaneceu parada desde o incêndio de 1947, nos seus terrenos foi aberta a «RUA BISPO DE COCHIM» ARQUIVO/APS.
Rua de Xabregas - (1946) - (Foto de Ferreira da Cunha) (Antigo mercado de Xabregas depois de uma cheia em Xabregas, ao fundo o edifício da antiga Aliança, antes do incêndio) in AFML

Rua de Xabregas - (1939-07) Foto de Eduardo Portugal - (Antigo Mercado de Xabregas no Largo Marques de Nisa, vendo-se em segundo plano as instalações da antiga Fábrica de Moagem a Vapor Aliança) in AFML


Rua de Xabregas - (1938) - Foto de Eduardo Portugal ( Viaduto de Xabregas a Fábrica de Moagem a Vapor Aliança, mais tarde Nova Companhia NACIONAL de Moagem) in AFML



Rua de Xabregas - (1903) Foto de autor desconhecido (Anúncio da Fábrica a Vapor Aliança no Anuário Comercial de 1903) in FARINHAS, MOINHOS E MOAGENS.
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(CONTINUAÇÃO)
RUA DE XABREGAS [ X ]
«FABRICA DE MOAGEM A VAPOR ALIANÇA»
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Em «XABREGAS» situada junto ao viaduto ferroviário em terrenos roubados ao Tejo, funcionava desde 1877 a «FABRICA DE MOAGEM A VAPOR ALIANÇA», num vasto edifício de três andares, expressamente construído para esta fim.
Era uma fábrica de moagem de trigo pelo sistema Austro-Hungaro, e empregava uma máquina e caldeira a vapor com força de 15 cavalos. Em 30 de Julho de 1900 temos a informação de que tinha um sistema de trituração e conversão de quatro nós e de cilindros.
A sua força produtiva anual era de 21 300 000Kg/trigo. No ano de 1903 surge com a designação de «FÁBRICA A VAPOR ALIANÇA» de «JOÃO LUÍS DE SOUSA E FILHO».
Por despacho de 14 de Janeiro de 1905 esta firma, proprietária da «FABRICA DE MOAGEM DE SANTARÉM», foi autorizada a farinar, por um ano, na fábrica que possuía em XABREGAS.
Depois de 1908 integrou-se na «NOVA COMPANHIA NACIONAL DE MOAGEM» e foi avaliada em quinhentos mil réis.
No ano de 1917 esta empresa é integrada na firma de «JOÃO DE BRITO, LDA.», e em 17 de Dezembro de 1919, constitui-se a «COMPANHIA INDUSTRIAL DE PORTUGAL E COLÓNIAS, S.A.R.L.», através da fusão da «NOVA COMPANHIA NACIONAL DE MOAGEM» e da «COMPANHIA NACIONAL DE ALIMENTAÇÃO». No início dos anos 80 é transformada em Sociedade Anónima, com a designação «NACIONAL-COMPANHIA INDUSTRIAL DE TRANSFORMAÇÃO DE CEREAIS, SA»(ver mais aqui).
No ano de 1843 o industrial »João de Brito» instala no «CONVENTO DO BEATO» uma moenda de cereais. A utilização da marca «NACIONAL» foi-lhe concedida pela rainha «D. MARIA II». no ano de 1840, devido à relevância dos serviços prestados à Nação pelo empresário, através dos produtos comercializados na época.
A fabrica de moagem da «COMPANHIA INDUSTRIAL DE PORTUGAL E COLÓNIAS» sucessora da «NOVA COMPANHIA NACIONAL DE MOAGEM» situada perto do Viaduto Ferroviário de Xabregas, em 28 de Fevereiro de 1947 foi destruída totalmente por um violento incêndio.
Quanto à «FÁBRICA DE MOAGEM A VAPOR ALIANÇA» integrada nesta grande empresa «NACIONAL» e depois do incêndio, esteve largos anos em ruínas. Foi demolida e o seu espaço aproveitado para a «RUA BISPO DE COCHIM» para fazer a ligação entre a «RUA DE XABREGAS» e a «AVENIDA INFANTE D. HENRIQUE».
Desde o ano de 1990 que a «NACIONAL» faz parte do «GRUPO EMPRESARIAL DE AMORIM» e em 2005 sofreu outra reestruturação.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DE XABREGAS [ XI ] -FÁBRICA DE FIAÇÃO DE XABREGAS (vulgo)-FÁBRICA SAMARITANA (1)»


sábado, 13 de março de 2010

RUA DE XABREGAS [ IX ]

Rua de Xabregas - (2005) Foto de APS (Rua de Xabregas e Viaduto visto da Rua Bispo de Cochim) ARQUIVO/APS
Rua de Xabregas - (1989) - Foto de APS ( Rua de Xabregas, ao fundo o Viaduto Ferroviário e parte do Palácio Marques de Nisa) ARQUIVO/APS

Rua de Xabregas - ( 1970 ?) Foto de João H. Goulart (O último edifício que se vê à direita, era a Cozinha Económica Nº 4) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
RUA DE XABREGAS [ IX ]
«A COZINHA ECONÓMICA Nº4 EM XABREGAS»
Na «RUA DE XABREGAS» frente ao antigo «CONVENTO DE S.FRANCISCO DE XABREGAS», existiu um edifício (hoje um pouco alterado) que a «SOCIEDADE PROTECTORA DAS COZINHAS ECONÓMICAS DE LISBOA», mandou construir, sendo inaugurada a 20 de Fevereiro de 1896 com o nome de: «COZINHA ECONÓMICA Nº4» de XABREGAS.
Deve-se a iniciativa desta prestigiosa acção de beneficência a «MARIA LUÍSA DE SOUSA HOLSTEIN» 3ª Duquesa de Palmela, neta do primeiro «DUQUE DE PALMELA».
Nasceu em Lisboa na freguesia dos «MÁRTIRES» a 4 de Agosto de 1841 e faleceu na sua Quinta de Sintra em 2 de Setembro de 1906.
Dama de grande cultura, tinha estudado em França e conhecia vários países, privava com embaixadores, falando-lhes normalmente na língua deles. Interessada por tudo o que a rodeava estava sempre bem informada. Dai, podermos afirmar que conhecia bem o que se passava no resto do mundo e a evolução que a Sociedade Portuguesa iria sofrer.
A 8 de Dezembro de 1893 foi inaugurada a primeira «COZINHA ECONÓMICA» na «TRAVESSA DO FORNO» aos «PRAZERES», zona de grande população de operários na altura.
Depois desta cozinha, outras se lhe seguiram: Em 1893 a 1 na «TRAVESSA DO FORNO-PRAZERES»; - 1894 a 2 nos «ANJOS»; - 1895 a 3 em «ALCÂNTARA»; - 1896 a 4 em «XABREGAS»; - 1897 a 5 na «RIBEIRA VELHA»; - 1898 a 6 na «RUA DE SÃO BENTO».
Nestes locais era garantido, um mínimo de alimentação a muitas famílias operárias, que viviam numa situação onde as condições de vida, trabalho e habitação eram cheias de dificuldades.
A partir do ano de 1918, estas instituições viriam a ser conhecidas pela «SOPA DO SIDÓNIO».
Os tempos da guerra (1914-1918) trouxeram a miséria a muitas famílias portuguesas e em particular na zona operária de Xabregas.
Conta-se que era o próprio «SIDÓNIO PAIS», (que foi Presidente da República Portuguesa entre 1917 e 1918 e morreu assassinado) e um seu filho que, de noite, iam fornecer as «COZINHAS ECONÓMICAS» para que, pelo menos, a sopa não faltasse aos mais pobres.
Estas cozinhas depois da República, passaram a ser geridas pela «SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE LISBOA».
Presentemente funciona no número 49 da «RUA DE XABREGAS» um departamento da «CASA PIA DE LISBOA» com o nome de «LAR DE SANTO ANTÓNIO».
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DE XABREGAS [ X ] - FÁBRICA DE MOAGEM A VAPOR ALIANÇA».