quarta-feira, 19 de maio de 2010

RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ IX ]

Rua do Terreiro do Trigo - (1951) Foto de Eduardo Portugal - (Na Rua do Terreiro do Trigo, 52 a 60 existiu as "ALCAÇARIAS DO DUQUE") in AFML
Rua do Terreiro do Trigo - (1961) Foto de Armando Serôdio ( Um troço da Rua do Terreiro do Trigo) in AFML

Rua do Terreiro do Trigo - (1939) Foto de Eduardo Portugal (Largo do Chafariz de Dentro, local onde se exercia os "BANHOS DO DOUTOR") in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ IX ]
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«AS ÁGUAS DE ALFAMA (1)»
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Num pitoresco recanto de Lisboa «ALFAMA» que em Árabe quer dizer "al-hamma" com o significado de "fonte quente", ainda esconde muita água no seu solo, não só fria, como também quase a borbulhar de quente (a maiores profundidades).
Dos "SPA" seculares, (de que nos vamos debruçar um pouco) dos muitos que existiam até meados do século passado, hoje restam-nos apenas as suas memórias.
No período do domínio "MUÇULMANO" existia uma «ALFAMA DO ALTO», mais aristocrata, situada na «CERCA MOURA», na parte Oriental da actual freguesia da «», que comunicava pela «PORTA DE ALFAMA» ou de «SÃO PEDRO» (na actual "RUA DE S. JOÃO DA PRAÇA") com uma «ALFA MA DO MAR», arrabalde popular.
Já no domínio «CRISTÃO» a designação «ALFAMA» foi-se alargando mais para Leste, dentro do limite da «CERCA NOVA» ou «CERCA FERNANDINA», passando para lá do «CHAFARIZ DE DENTRO».
A origem do seu declínio surgiu possivelmente na «IDADE MÉDIA», quando os residentes ricos se mudaram para o OESTE, deixando esta bairro para a população de pescadores e marinheiros.
Apesar de já não existirem casas mouriscas, o bairro conserva um pouco o seu ambiente típico, com as suas "ruas, ruelas, becos e escadinhas".
As áreas mais degradadas estão a ser restauradas e a vida desenvolve-se em volta do pequeno comércio.
«ALFAMA» possuía um conjunto de nascentes, cujas águas quentes foram classificadas no século XIX como «minero-medicinais».
Como se refere o estudo de «ELSA CRISTINA RAMALHO e MARIA CLARA LOURENÇO»(1), grande parte destas águas tinham temperaturas acima dos 20ºC.
As últimas foram seladas e abandonadas há mais de 47 anos anos, (1963-Fonte das Ratas) no entanto chegaram a ser aproveitadas em vários «BALNEÁRIOS PÚBLICOS» que durante décadas serviram a população de Lisboa e arredores, essencialmente as pessoas de mais fracos recursos financeiros.
Em 1716 são abertos os «BANHOS DO DUQUE», uma referência ao seu proprietário o «DUQUE DO CADAVAL». Em 1810 existiam três estabelecimentos: «BANHOS DO DUQUE», «BANHOS DA DONA CLARA» e «BANHOS DO DOUTOR».
No ano de 1893 (quando da aprovação da concessão) era conhecido mais uma «ALCAÇARIA», esta com o nome de «J.A.BAPTISTA».
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(1) - Técnicas Superiores do Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI).
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ X ] - AS ÁGUAS DE ALFAMA (2)»

sábado, 15 de maio de 2010

RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ VIII ]

Rua do Terreiro do Trigo - (2009) Fotógrafo não identificado (Largo do Chafariz de Dentro e o seu antigo "ROSSIO") in SKYSCRAPERCITY
Rua do Terreiro do Trigo - (s/d) Foto de Eduardo Portugal (Largo do Chafariz de Dentro) in AFML

Rua do Terreiro do Trigo - (s/d) Foto de Mário Novais (Largo do Chafariz de Dentro) in AFML Rua do Terreiro do Trigo - (1940) Foto de Eduardo Portugal - (O Largo do Chafariz de Dentro era atravessado paralelamente pela muralha da Cerca Fernandina) in AFML


Rua do Terreiro do Trigo - (entre 1898 e 1908) Fotógrafo não identificado ( Largo do Chafariz de Dentro e Rua do Terreiro do Trigo - Neste edifício ficou situado o antigo Torreão da Cerca Fernandina) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ VIII ]
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«O CHAFARIZ DE DENTRO»
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A designação de «CHAFARIZ DE DENTRO» tem a ver com o facto de se tratar dum chafariz no interior da «CERCA FERNANDINA». Também era conhecido por «CHAFARIZ DOS CAVALOS». Em 1622, foi reformado pelo Senado da Câmara, passando a abastecer o público, encontrando-se actualmente desactivado.
O «CHAFARIZ» ou «FONTE DOS CAVALOS» ou ainda «CHAFARIZ DE DENTRO» é uma nascente bastante antiga, sendo que a referência mais primitiva que se conhece data do ano de 1285. (1)
Em (1384 e 1650) era denominado por «FONTE OU CHAFARIZ DE ALFAMA». (2) Contudo, só muito tempo depois da construção da segunda cerca de Lisboa a «CERCA FERNANDINA» e, possivelmente, nos princípios do século XVII, este lugar passou a ser chamado de «CHAFARIZ DE DENTRO», por ficar situado do lado de dentro da «CERCA FERNANDINA» e em contraste ao «CHAFARIZ DA PRAIA» ou ao «CHAFARIZ DOS PÁOS» (mais antigos) que ficavam do lado de fora da cerca.
«FERNÃO LOPES» refere-se a uma fonte dos cavalos, existente em (1373), dizendo que se devia o seu nome a uns cavalos de bronze (que adornavam a frontaria) por cujas bocas saia abundantemente a água; este chafariz, porém , era o actual «CHAFARIZ DE DENTRO» cujos cavalos parece que já tinham sido retirados, mas a denominação conservou-se.
O facto é conhecido de que os «CASTELHANOS» quiseram levar como recordação, quando em 1373 levantaram o cerco a LISBOA. Numa das Crónicas de «FERNÃO LOPES» esclarece ainda que as bicas do chafariz tinham o feitio de cabeças de cavalos em bronze, e que graças à prudência dos lisboetas, foram escondidas atempadamente.
Existem ainda várias referências históricas que apontam para que debaixo do chafariz existisse um lago.
Com efeito, encontram-se no local duas casas de água, cada uma com as sua nascente. Uma é a do «CHAFARIZ DE DENTRO», onde está uma arca da água, a outra é a do tanque das lavadeiras, no «BECO DO MEXIA». Tanto o chafariz como o lavadouro municipal, que estavam ao serviço da população em (1937) eram abastecidos com a água da «COMPANHIA DAS ÁGUAS DE LISBOA».
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( 1 ) - Chancellaria de D. Dinis, Livro I, fl. 163v., era de 1323.
( 2 ) - Chancellaria de D. João I, Livro I, fl, 53 era de 1422 - Elementos, etc., Tomo V, pág. 201, ano 1650.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ IX ] - AS ÁGUAS DE ALFAMA (1)»





quarta-feira, 12 de maio de 2010

RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ VII ]

Rua do Terreiro do Trigo - (1910) (Pintura a óleo de JOSÉ MALHOA) (Museu do Fado no Largo do Chafariz de Dentro - O quadro de Malhoa pode ser visitado neste Museu) in MUSEU DO FADO
Rua do Terreiro do Trigo - (2008) Fotógrafo não identificado (Interior do Museu do Fado - obra de Malhoa - no Largo do Chafariz de Dentro) in MUSEU DO FADO

Rua do Terreiro do Trigo - (2008) Fotógrafo não identificado (Museu do Fado e da Guitarra-Largo do Chafariz de Dentro) in ENGRANDE
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(CONTINUAÇÃO)
RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ VII ]
«O MUSEU DO FADO»
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No envolvente à Rua tratada por nós, existe hoje um edifício no local da antiga «Estação Elevatória da Praia», com o nome de «MUSEU DO FADO».
Foi inaugurado a 25 de Setembro de 1998, contém um riquíssimo acervo documental constituído por várias colecções discográficas, fotografias de fadistas, cartazes, filmes, programas, troféus, adereços, instrumentos musicais e objectos diversos.
Existe um sistema ambiental que nos recreia por meio áudio-visuais, sendo o visitante convidado a conhecer a história do fado.
O «MUSEU DO FADO» é um espaço cultural, hoje uma referência entre os espaços culturais de Lisboa.
O Museu além das suas exposições temporárias, contém uma permanente, prestando um tributo ao fado e ao seu culto, homenageando autores e interpretes, contando também, a história do fado através dos diferentes ambientes, onde o FADO teve papel importante.
O «FADO» já foi tema de teatro, de cinema, de rádio, de televisão e fez sucesso em muitas revistas no «PARQUE MAYER».
Vamos encontrar neste espaço um grande número de exemplares de guitarras portuguesas, permanentemente em exposição, repositório de mestres a artesãos.
Encerrou em Março de 2008 para remodelação e reabriu a 2 de Outubro do mesmo ano renovado, com uma maior aposta nas novas tecnologias e com diversificado programa museológico.
Das colecções municipais temos a destacar «O FADO», pintura a óleo de «JOSÉ MALHOA» e uma litografia de «RAFAEL BORDALO PINHEIRO» «OS FADISTAS», de 1873.
O autor do primeiro Museu, voltou a ser escolhido para esta renovação.
Um painel de fotografias de fadistas que ocupa os três pisos do Museu, dá as boas vindas ao público, enquanto o visitante munido de um audioguia, disponível em quatro línguas, explica a colecção e permite seleccionar os fados que cada um pretende ouvir.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ VIII ] - O CHAFARIZ DE DENTRO»



sábado, 8 de maio de 2010

RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ VI ]

Rua do Terreiro do Trigo - (2009) - Fotógrafo não identificado (Museu do Fado antiga Estação Elevatória da Praia) in SKYSCRAPERCITY
Rua do Terreiro do Trigo - (2009) Fotógrafo não identificado (Espaço do antigo Chafariz da Praia mais tarde estação Elevatória da Praia, hoje integrado no Museu do Fado) in SKYSCRAPERCITY

Rua do Terreiro do Trigo - (2008) - Fotógrafo não identificado (Museu do Fado, antiga Estação Elevatória da Praia) in SKYSCRAPERCITY
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(CONTINUAÇÃO)
RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ VI ]
«A ESTAÇÃO ELEVATÓRIA DA PRAIA ( 2 )»
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Tudo se resolveu sem dificuldade, pois esse local, conhecido pela designação de «MERCADO DOS PORCOS», logo foi cedido à Companhia por portaria do «MINISTÉRIO DA FAZENDA».
Como era urgente e lhe fora expressamente recomendado pelo Ministério, deu a Companhia das Águas começo de imediato à demolição do «CHAFARIZ DA PRAIA»(1) e do «TANQUE DAS LAVADEIRAS» e à construção do edifício onde deveriam ser instaladas as máquinas elevatórias.
Tratava-se de duas máquinas, cada uma deveria elevar, em cada vinte e quatro horas, o volume de Mil e Novecentos metros cúbicos de água à altura de 73 metros, acima do reservatório de alimentação.
Dizia a Companhia que só em meados de Outubro desse ano, foi possível que as águas chegassem ao depósito da «VERÓNICA».
A casa de aproveitamento das nascentes de «ALFAMA» e do antigo tanque, edificou-se com o dobro da altura projectada e exigiu alicerces mais profundos.
O «RESERVATÓRIO DA PRAIA», ao qual se deu mais pé-direito para obter uma capacidade de novecentos e setenta metros cúbicos, teve de ser assente sobre estacaria, para consolidar o terreno e desviar dele várias nascentes inaproveitáveis. Também a «CASA DAS MÁQUINAS» e as fundações sobre que estas deveriam apoiar-se foram executadas segundo novos planos, de factos magníficos mas mais dispendiosos.
No edifício da «ESTAÇÃO ELEVATÓRIA DA PRAIA» funcionou também uma oficina de reparação de contadores. Após o 25 de Abril de 1974 (até às obras do "MUSEU DO FADO" sensivelmente 1996/7), esteve instalado neste espaço o «CENTRO DE TRABALHO DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS».
( 1 ) - Na praia do Tejo, em frente da muralha Fernandina do «LARGO DO CHAFARIZ DE DENTRO», construiu-se no século XVII um outro chafariz, alimentado com água canalizada do «CHAFARIZ DE DENTRO». Chamava-se «CHAFARIZ DA PRAIA» e foi feito à custa do real do povo em 1625. A planta da Cidade de Lisboa (1650) por J. Nunes Tinoco lá o representa, com a rubrica "CHAFARIZ NOVO". Foi Aformoseado ou reconstruído em 1836, no lado Oriental do edifício do «TERREIRO DO TRIGO».
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ VII ] - O MUSEU DO FADO»



quarta-feira, 5 de maio de 2010

RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ V ]

Rua do Terreiro do Trigo - (2006) - Fotógrafo não identificado - (Museu do Fado e da Guitarra no Largo do Chafariz de Dentro, antiga "ESTAÇÃO ELEVATÓRIA DA PRAIA" in WIKIPÉDIA
Rua do Terreiro do Trigo - (ant. 1998) Fotógrafo não identificado (Antiga Estação elevatória da Praia) in AMAR ALFAMA

Rua do Terreiro do Trigo - (1948) Autor da obra A. Vieira da Silva (Mapa do postigo da Lapa ao Chafariz de Dentro - neste mapa podemos localizar o "CHAFARIZ DA PRAIA" e o corte da Cerca Fernandina no largo, bem assim como as "Tercenas") in A CERCA FERNANDINA DE LISBOA Volume II - Lisboa - 1987 - CML.
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(CONTINUAÇÃO)
RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ V ]
«A ESTAÇÃO ELEVATÓRIA DA PRAIA (1)»
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No edifício onde está hoje instalado o «MUSEU DO FADO» ou «CASA DO FADO E DA GUITARRA», foi a primeira «ESTAÇÃO ELEVATÓRIA» a vapor de Lisboa, localizada no «LARGO DO CHAFARIZ DE DENTRO» (em Alfama), edificada em 1868 pela «COMPANHIA DA EMPRESA DAS ÁGUAS DE LISBOA».
Esta estação servia para o aproveitamento das águas subterrâneas existentes em «ALFAMA», algumas até com relevantes características medicinais que, lamentavelmente, se perdiam para o rio Tejo.
Com a existência de vários chafarizes na zona, foi escolhido o «CHAFARIZ DA PRAIA», (localizado junto à praia, onde antigamente os barcos faziam as aguadas) para ser demolido e no seu lugar ser construída uma estação elevatória movida a vapor que, por sua vez, elevava a água aí captada até ao «RESERVATÓRIO DA VERÓNICA».
Uma sinopse da «COMPANHIA DA EMPRESA DAS ÁGUAS DE LISBOA» e seu percurso quanto à construção da «ESTAÇÃO ELEVATÓRIA DA PRAIA» e o seu empenhamento para resolver o problema de levar água aos lisboetas.
No dia 2 de Abril de 1868, quase um ano decorrido sobre a celebração do contracto de exploração, foi finalmente assinado pelo Ministro «SEBASTIÃO DO CANTO E CASTRO MASCARENHAS» o decreto declarando constituída a «COMPANHIA DA EMPRESA DAS ÁGUAS DE LISBOA».
Em 4 de Abril do mesmo ano era apresentado à Direcção da Companhia pelo engenheiro «NUNES DE AGUIAR», o projecto das obras para o sistema elevatório das águas orientais, ao reservatório da «VERÓNICA». A Companhia quis iniciar de imediato as obras ( 1 ), para o que, de acordo com o projecto aprovado, era necessário demolir não só o «CHAFARIZ DA PRAIA» como também o «TANQUE DAS LAVADEIRAS» anexo, para construir no mesmo sítio o reservatório das águas a elevar.
Além do terreno ocupado pelo chafariz e tanque das lavadeiras, exigia a execução do projecto que fosse posto à disposição da Companhia um outro terreno, contíguo, onde a «ALFÂNDEGA MUNICIPAL» fazia a pesagem do gado suíno vivo, e que pertencia ao «PATRIMÓNIO NACIONAL».
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( 1 ) - Embora essas obras não sendo obrigação da Companhia, nem o contracto a elas se referir, a Direcção empreendeu-as porque, vendo a cidade ameaçada de uma estiagem decididamente superior a todas as anteriores, desejava inaugurar a sua gerência por uma obra de incontestável interesse público, que viria libertar os habitantes da sede que estava eminente.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ VI ] - A ESTAÇÃO ELEVATÓRIA DA PRAIA ( 2 )».

sábado, 1 de maio de 2010

RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ IV ]

Rua do Terreiro do Trigo - (2009) Foto de APS ( Fachada poente do edifício do antigo Celeiro Público, actual Alfândega de Lisboa, vista obtida da Rua do Cais de Santarém) ARQUIVO/APS
Rua do Terreiro do Trigo - (ant. 1932) Foto de Joshua Benoliel (Edifício da Alfândega, fachada para a antiga Rua João Evangelista, hoje Avenida Infante D. Henrique) in AFML

Rua do Terreiro do Trigo - (s/d) - Foto de Eduardo Portugal (Mercado Central de Produtos Agrícolas, actual edifício da Alfândega) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)

RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ IV ]

«A ALFÂNDEGA DE LISBOA»
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O edifício do «MINISTÉRIO DAS FINANÇAS», onde funciona presentemente a «DIRECÇÃO-GERAL DAS ALFÂNDEGAS E DOS IMPOSTOS ESPECIAIS SOBRE O CONSUMO» conjuntamente com outros serviços do mesmo Ministério, construído após o terramoto de 1755 em substituição da «ALFÂNDEGA NOVA» de «D. MANUEL I», que substituíra, por sua vez, a «ALFÂNDEGA VELHA» de «D. DINIS», (esta em outro local), foi destinado para a «ALFÂNDEGA DE LISBOA» pelo «MARQUÊS DE POMBAL».
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Perde-se nos alvores da nacionalidade a história das «ALFÂNDEGAS PORTUGUESAS». Na entrada da biblioteca da «DIRECÇÃO-GERAL DAS ALFÂNDEGAS», junto ao Salão Nobre, encimando os lambris de belos azulejos setecentistas com desenhos de cenas de cargas, medição, armazenagem e despacho de trigo (segundo andar, do edifício pombalino, na "RUA DO TERREIRO DO TRIGO", construído para o "CELEIRO DA CIDADE DE LISBOA", encontra-se ali uma placa bem elucidativa da sua existência, referenciando os «800 ANOS DE SERVIÇOS ADUANEIROS/FORAL DA CIDADE DE LISBOA 1 MAIO DE 1179», lembrando aos que por ali passavam a vestuta idade desta instituição.
Certamente que, nessa época recuada do século XII, não existiriam serviços tão bem estruturados como posteriormente viria a acontecer, porém as funções já se exerciam.
A grande reforma da Alfândega deu-se por volta de 1834-1836. O processo de unificação estrutural das diferentes Alfândegas de Lisboa estava iniciado. De facto, a estrutura da Alfândega de Lisboa, em finais do século XIX, é resultante da fusão, em 1833, da «CASA DA ÍNDIA»; «ALFÂNDEGA DO TABACO»; «PAÇO DA MADEIRA» e «ALFÂNDEGA GRANDE DE AÇÚCAR», na «ALFANDEGA GRANDE DE LISBOA» e, paralelamente, da «CONTADORIA DA FAZENDA» e do «TERREIRO PÚBLICO» na «ALFANDEGA DAS SETE CASAS», a qual por sua vez, em 1852, se transformou na «ALFANDEGA MUNICIPAL», que foi incorporada na «ALFANDEGA DE LISBOA» em 1864.
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Com estas alterações e mudanças de designação ao longo do seu percurso, chamou-se ainda «DIRECÇÃO REGIONAL DE CONTENCIOSO E CONTROLO ADUANEIRO DE LISBOA», sendo promovidas a alfandegas as antigas «DELEGAÇÕES ADUANEIRAS» existentes na cidade bem como muitas outras espalhadas pelo território nacional.
Por mera curiosidade nossa podemos dizer que as Alfândegas estão intimamente ligadas ao desenvolvimento do Comércio, observa-se desde o século XV em diante um aumento das casas fiscais em Lisboa. Desde as chamadas «CASAS DE LISBOA» até às actuais Alfândegas Coordenadas pela «DIRECÇÃO DAS ALFÂNDEGAS DE LISBOA», muitas se criaram e se extinguiram.
Assim, citam-se, no século XV, as seguintes:
«CASA DA PORTAGEM»; «TERCENAS»; «PAÇO DA MADEIRA» e «CASA DE CEUTA-GUINÉ-MINA».
Mas, já no século seguinte aparecem: «ALFANDEGA GRANDE» compreendendo:
«CASA DOS PORTOS SECOS»; «CONSULADO»; «CASA DOS PANOS»; «CASA DA MARÇARIA»; «PAÇO DA MADEIRA» e «CASA DOS CINCO».
«SETE CASAS» englobando:
«VER-O-PESO»; «CASA DA PORTAGEM»; «CASA DA SISA DAS CARNES»; «CASA DA SISA DAS FRUTAS»; «CASA DA SISA DO PESCADO»; «CASA DA SISA DAS HERDADES» e «TERREIROS».
«CASA DA ÍNDIA» e «MINA». E, até ao fim do século XVIII, pelo menos:
«ALFÂNDEGA GRANDE», com:
«CASA DOS CINCOS»; «PORTOS SECOS»; «MESA DO SAL»; «PAÇO DA MADEIRA» e uma casa de despacho em Belém.
«ALFANDEGA DO TABACO».
«CASA DA ÍNDIA» e MINA com o CONSULADO.
«TERREIRO PÚBLICO».
«CONTADORIA DA FAZENDA», com os Almoxarifados - dos vinhos, azeites, mel, cera, sabão, mercearia, fruta, pescado, portagem, carnes e herdades.
O movimento centralizador só se viria a efectuar a partir de 1833 com o decreto de 27 de Setembro, que criou uma «DIRECTORIA GERAL DAS ALFÂNDEGAS» e acabou com a ingerência da «JUNTA DO COMÉRCIO» ou qualquer outra autoridade no serviço das Alfândegas.
No edifício do «TERREIRO DO TRIGO» estão hoje instalados, além da «DIRECÇÃO REGIONAL», muitos outros serviços da própria « DIRECÇÃO-GERAL DAS ALFÂNDEGAS E DOS IMPOSTOS ESPECIAIS SOBRE O CONSUMO» como a Biblioteca, em cujas instalações se encontra também um «ARQUIVO HISTÓRICO» e um «MUSEU HISTÓRICO».
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ V ] - A ESTAÇÃO ELEVATÓRIA DA PRAIA (1)»

quarta-feira, 28 de abril de 2010

RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ III ]

Rua do Terreiro do Trigo - (2009) Foto de APS (Parte do edifício da Alfândega no lado Sul e início do Largo do Terreiro do Trigo) ARQUIVO/APS
Rua do Terreiro do Trigo - (2009) (Foto de autor não identificado) (A Rua do Terreiro do Trigo - o segundo prédio à direita com os números 78 a 84, foi em tempos "OS BANHOS DO BAPTISTA", hoje uma agência do BPI) in SKYSRAPERCITY

Rua do Terreiro do Trigo - (s/d) - Fotógrafo não identificado (Mercado Central de Produtos Agrícolas, actual edifício da Alfândega) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ III ]
«O CELEIRO PÚBLICO DE LISBOA (2)»
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No meio das pilastras abre-se um portal, de grande efeito arquitectónico e por cima, sobre plataforma de cantaria apoiada em robustas consolas divergentes, uma janela de sacada entre dois remates piramidais adoçados à parede, parcialmente cobertos por salientes espigas de trigo.
Embora não visível do exterior, e talvez mais engenhoso o reforço da parede Sul do bloco Norte do edifício só observável da passagem interior, também era utilizado para depósito do cereal, por beneficiar do calor do sol.
Quando a utilização do edifício mudou para a actual, os artifícios técnicos descritos perderam todo o sentido. A passagem longitudinal média, a céu aberto, foi coberta e alterada a disposição de alguns espaços interiores; e os gigantes, de funcionais passaram a decorativos, numa fachada de grande impacto visual.
Este espaço funcionava como depósito obrigatório, mercado regulador e alfandega de trigo e outros cereais, proibindo-se a venda fora do terreno, sob pena de multa e de açoites com baraço e pregão. O «CELEIRO DE PORTUGAL», assim lhe chamou o padre «DUARTE DE SANDE», na centúria de quinhentos, não deixando de enaltecer a mestria das padeiras alfacinhas e o «SABOR FINÍSSIMO» do seu pão.
Não se pode imaginar a miscelânea de gente que davam vida e cor a esta local. Se os moços vadios e amigos do alheio que por aqui abundavam não destoam num cenário onde outrora se realizavam «EXECUÇÕES CAPITAIS», já o mesmo não se pode dizer da convivência entre os carregadores do trigo e as centenas de «MEDIDEIRAS», que ali trabalhavam e cuja reputação deveria ser incontestável, pois teriam de ser "casadas ou viúvas honestas, mulheres de homem de idade, que não presuma delas fazerem o que não devem".
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O «CELEIRO PÚBLICO DE LISBOA» há muito que cessou a função para que foi destinado. Com o aparecimento das fábricas de Moagem e em determinada época foi o «GRÉMIO DO TRIGO» que se encarregava de gerir o cereal.
O tão falado "agasalho do pão" do tempo de «D. MANUEL I», tomou então variantes, hoje irreconhecíveis na expressão orgânica e administrativa.
Neste edifício funcionou o «MERCADO CENTRAL DE PRODUTOS AGRÍCOLAS», e recebeu obras de limpeza em 1911, tendo funcionado até Março de 1937, os seguintes serviços: «DIRECÇÃO GERAL DE PECUÁRIA»; «DIRECÇÃO GERAL DOS SERVIÇOS FLORESTAIS E AGRÍCOLAS».
A transformação do velho «TERREIRO DO TRIGO» no seu interior, esteve subordinada à «DIRECÇÃO GERAL DOS EDIFÍCIOS E MONUMENTOS NACIONAIS», dirigida pelo arquitecto «JORGE BERMUDES» e pelo engenheiro «DÁCOME DE CASTRO». No edifício após a sua renovação, foram instaladas a «DIRECÇÃO GERAL DAS ALFÂNDEGAS» e seus serviços anexos, bem como a «GUARDA FISCAL»(1937).
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) -«RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ IV ] - A ALFÂNDEGA DE LISBOA»