sábado, 5 de junho de 2010

RUA LUÍSA TODI [ II ]

Rua Luísa Todi - (s/d) Autor não identificado (Retrato de Luísa Todi) in BATGUANO
Rua Luísa Todi - (1966) - Foto de Armando Serôdio (Convento de S. Pedro de Alcântara actual Recolhimento de Orfãs, esquina com a Rua Luísa Todi) in AFML

Rua Luísa Todi - (Entre 1898 e 1908) Fotógrafo não identificado (Um troço da Rua Luísa Todi ) in AFML


Rua Luísa Todi - (Entre 1898 e 1908) Fotógrafo não identificado (A Travessa da Estrela, hoje Rua Luísa Todi) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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RUA LUÍSA TODI [ II ]
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«LUÍSA TODI ( 1 )»
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Foi assinalado no ano de 2o03 em Lisboa os 250 anos do nascimento da cantora «LUÍSA TODI» (LUÍSA ROSA DE AGUIAR), nasceu em SETÚBAL na «RUA DA BRASILEIRA» no dia nove de Janeiro de 1753. A sua terra natal não esqueceu a efeméride e, de um modo geral, várias iniciativas a assinalaram com relevo para a edição de um livro sobre a artista, obra do musicólogo «MÁRIO MOREAU».
Luísa, ainda com muito pouca idade, acompanhou seu pai, um professor de música, na vinda para Lisboa, juntamente com suas irmãs. Cedo entrou no mundo musical. Foi, porém, o seu casamento com o italiano «FRANCESCO TODI», rabequista da Real Câmara e do «TEATRO DO BAIRRO ALTO» que, conhecendo bem os seus recursos vocais e talento dramático, a entusiasmou para o teatro lírico, trazendo-lhe depois a internacionalização e a consagração.
Estudando música e canto primeiro com seu marido, depois com o compositor «DAVID PERES», veio a obter grandes triunfos no estrangeiro.
Se «LONDRES» não se lhe rendeu totalmente, outro tanto não sucedeu com «MADRID», «PARIS», «TURIM», «VIENA», BERLIM», «S.PETERSBURGO», a EUROPA em geral.
A Imperatriz «CATARINA II», verdadeira Mecenas de artistas, convidou-a para um contrato em exclusivo na Corte Russa. A tal respeito, não faltaram mais tarde os inevitáveis mexericos provocados pela inveja, dizendo alguns que a cantora portuguesa tinha tal influência na Czarina que só era beneficiado quem ela indicasse. O habitual, em toda a parte e em todos os tempos...
Curiosamente, porém, contava o Conde «WALAWESKI», no seu «ROMANCE DE UMA IMPERATRIZ» que «CATARINA» tinha uma audição defeituosa e nem sequer apreciava especialmente a música, embora não o confessasse geralmente. Quanto às relações entre a Imperatriz e a Cantora, diz o mesmo autor que a primeira contava que por vezes encontrava «MADAME TODI» em passeio. "Ela beija-me as mãos e eu beijo-a na face; os nossos cães farejam-se, ela toma o seu debaixo do braço, eu chamo os meus e seguimos os nossos caminhos".
Apesar desta aparente indiferença, o certo é que a Czarina não dava a qualquer pessoa a importância de a "Beijar na face". E, além disso, acrescentava que "quando canta, ouço-a, aplaudo-a e sentimo-nos bem a conversar as duas".
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA LUÍSA TODI [ III ] - LUÍSA TODI (2)»

quarta-feira, 2 de junho de 2010

RUA LUÍSA TODI [ I ]

Rua Luísa Todi - (1965) Foto de Armando Serôdio (Convento de S. Pedro de Alcântara no lado direito a Rua Luísa Todi) in AFML
Rua Luísa Todi - (2007) (Autor não identificado) (Rua Luísa Todi esquina com a Rua da Rosa) in MARCAS DAS CIÊNCIAS

Rua Luísa Todi (2009) - (Foto da Rua Luísa Todi tirada da Google) in GOOGLE


Rua Luísa Todi, 34-38 ( entre 1898 e 1908) - Fotógrafo não identificado ( A antiga Travessa da Estrela depois Rua Luísa Todi) in AFML
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RUA LUÍSA TODI [ I ]
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«A RUA LUÍSA TODI»
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Começa na «RUA DE S. PEDRO DE ALCÂNTARA» e termina na «RUA DA ROSA» no número 228.
Ostentava esta artéria o nome de «TRAVESSA DA ESTRELA» pelo menos, desde o século XVIII(1782), (1) até que em 12 de Junho de 1917, pelo Edital emanado da Câmara de Lisboa, foi o nome mudado para «LUÍSA TODI».
Era assim prestada homenagem municipal à mulher que fora a mais ilustre moradora da rua e ali veio a falecer (na casa com o antigo número 2), no já distante dia 1 de Outubro de 1833.
Foi aquela uma artéria de certa importância, aberta junto ao «BAIRRO ALTO» e ao «MOINHO DE VENTO», sítio que viria a dar a actual «RUA D. PEDRO V » (ver mais aqui).
De facto, antes de lá ter residido a notável cantora que lhe dá o nome, ali tinha tido lugar um hospício dito de «NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO», onde pontificavam religiosos franciscanos. E, segundo as preciosas investigações do mestre «PASTOR DE MACEDO», na então «TRAVESSA DA ESTRELA» moravam por exemplo «CAETANO TOMÁS DE SOUSA» (também ele com rua em Lisboa, no sítio de Marvila); um poeta hoje já praticamente esquecido, «JOSÉ TOMÁS DA SILVA QUINTANILHA», o desembargador «JOSÉ PEDRO FERRAZ GRAMOSO», que foi autor dos «Sucessos de Portugal», onde historiou em pormenor a segunda metade do século XVIII. E, segundo reza, no número 6 está colocada uma lápide de homenagem ao pintor «SILVA PORTO», no prédio onde faleceu.
Temos pois que a «RUA LUÍSA TODI» é uma das raras artérias lisboetas em que o nome corresponde a alguém que tem directamente a ver com o local.
Dizia-nos ainda «NORBERTO DE ARAÚJO» (...) "Já agora observem esse alto prédio moderno de gaveto da «RUA LUÍSA TODI», propriedade de «MANUEL MADEIRA», começado a construir sobre o terreno de um velho barracão em fins de 1935.
O barracão, a que várias vezes se tentou imprimir um certo aspecto decente, passando de madeira para tijolo, mas sempre acanhado e desprovido de comodidade, foi animatógrafo popular durante três anos, e depois serralharia, armazém de sucata, havendo servido também de atelier de pintura.
Era uma relíquia teimosa da artéria nova, e que custou a entregar-se ao fatal destino da demolição.
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- (1) - Cerogr. Port., Padre Carvalho da Costa, vol. III, pag. 351 - Nos livros paroquiais da Encarnação a primeira vez que a «TRAVESSA DA ESTRELA» é apontada em 1782 - Liv., VI de Óbitos, fl. 91.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA LUÍSA TODI [ II ] - LUÍSA TODI (1)»


sábado, 29 de maio de 2010

RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ XII ]

Rua do Terreiro do Trigo - (1963) Foto de Garcez (Recolha de água em garrafões na última fonte que tinha "múltiplas virtudes terapêuticas", a "FONTE DAS RATAS" em ALFAMA.
Rua do Terreiro do Trigo - (1963) (Recorte do Diário Popular de 4 de Dezembro de 1963, referente ao encerramento da FONTE DAS RATAS.

Rua do Terreiro do Trigo - (c. de 1951) Foto de Eduardo Portugal (Local dos antigos "Banhos de J.A. Baptista" na Rua do Terreiro do Trigo do 78 ao 84, hoje uma agência do BPI. in AFML

Rua do Terreiro do Trigo - (entre 1898 e 1908) Fotógrafo não identificado (Balneário público "Banhos do Doutor" nas traseiras do "Chafariz de Dentro") in AFML

Rua do Terreiro do Trigo - s/d (Adaptado de DRHG) (Planta do "Balneário público dos Banhos do Doutor", licenciado pela inspecção de Águas no ano de 1894. Escala original 1:100).
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(CONTINUAÇÃO)
RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ XII ]
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«AS ÁGUAS DE ALFAMA ( 4 ) »
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BANHOS DO DOUTOR
Estes «BANHOS DO DOUTOR» (FERNANDO) localizavam-se nas traseiras do «CHAFARIZ DE DENTRO», nos números 19 e 20 e tiveram a sua origem provável na época filipina. Tinha o balneário mais pequeno com apenas cinco quartos e a temperatura das suas águas não ia além dos (27ºC).
As estruturas de apoio aos banhos foram reformadas em 1776. O pedido da concessão foi feita em meados de 1893 por «DOMINGOS JOSÉ VIEIRA».
Levamos a admitir que as águas destes banhos é de todas a mais baixa em temperatura e de menor mineralização.
Actualmente encontra-se neste local um restaurante, o edifício guarda um portão ladeado de imponentes colunas.
ALCAÇARIAS DO BAPTISTA
As «ALCAÇARIAS DO (J.A.) BAPTISTA» estavam situadas na «RUA DO TERREIRO DO TRIGO» nos números 78 a 84, não muito longe das «ALCAÇARIAS DA D. CLARA» e muito perto do «LARGO DO TERREIRO DO TRIGO» antigo «CAMPO DA Lû.
Foi pedida a concessão em nome de «MARIA JOSÉ DA CONCEIÇÃO BAPTISTA» em meados de 1893. Tinha sete quartos e a temperatura das suas águas era de (32ºC) a (34ºC).
Presentemente está instalado neste local uma agência bancária do grupo BPI.
O preço dos banhos nestas «ALCAÇARIAS», dependiam do balneário escolhido pelo cliente. No século XIX, um banho quente nas «ALCAÇARIAS DE D. CLARA» podia atingir os 400 réis. Nas «ALCAÇARIAS DO DUQUE», a despesa podia variava entre 200 e os 300 réis, dependendo da nascente que abastecia a tina.
Para os MONTEPIOS, ASILOS e outras instituições, cada banho rondava os 100 réis. Os indigentes tomavam banho sem pagar, caso apresentassem um atestado de pobreza passado pelo padre e reconhecido pelo Notário. Todas as termas tinham um quarto para portadores de doenças contagiosas. (Mais documentação inerente ao assunto ver aqui).
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«A FONTE DAS RATAS»
Durante o período de três séculos, o espaço hoje conhecido como «FONTE DAS RATAS», no «LARGO DAS ALCAÇARIAS», foi utilizado como «LAVADOURO PÚBLICO».
No ano de 1880 a Companhia das Águas de Lisboa fechou o tanque e transformou-o em depósito. Mais tarde o local da nascente foi posto a descoberto devido à demolição de um muro, ao lado do edifício onde se localizavam as «ALCAÇARIAS DO DUQUE» no «BECO DOS CURTUMES».
A popularidade desta nascente, que de acordo com a crença popular "tinha múltiplas virtudes terapêuticas" e cuja reputação da água se espalhou rapidamente, atingiu o auge no início da década de 60 do século passado, quando milhares de pessoas esperavam horas para encher os seus garrafões. A média era de 360 garrafões por hora e o ritmo só abrandava entre as 3 e as 5 da manhã. A contaminação detectada pela «INSPECÇÃO DE ÁGUAS», ainda na década de 60, levou ao seu encerramento, apesar da resistência popular.
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Assim, os chafarizes, bicas, poços e cisternas ainda visíveis em «ALFAMA» atestam a importância que a água teve na zona e que era a mais mineralizada e abundante de toda a cidade de Lisboa.
Hoje, contudo, essa imensa riqueza está desaproveitada e, em maior parte dos casos, oculta e destruída de forma irrecuperável ou a correr para o Tejo.
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BIBLIOGRAFIA
(Fontes e Obras consultadas)
- ARAÚJO, Norberto de - 1993 - PEREGRINAÇÕES EM LISBOA - Livro X - Lisboa - Vega.
- ATAÍDE, Manuel José Maia - 1979 - ANTIGO CELEIRO PÚBLICO - MONUMENTOS E EDIFÍCIOS NOTÁVEIS DO DISTRITO DE LISBOA - Volume V - 1º TOMO - Junta Distrital de Lisboa.
- PINTO, Luís Leite - 1972 - HISTÓRIA DO ABASTECIMENTO DE ÁGUA A LISBOA - Imprensa Nacional Casa da Moeda - Lisboa .
- RAMALHO, Elsa Cristina e LOURENÇO, Maria Carla - (Técnicas Superiores do Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI) - "As águas de Alfama - memórias do passado da cidade de Lisboa" - Zambujal - Alfragide.
- SANTANA, Francisco e SUCENA, Eduardo - 1994 - Dicionário da História de Lisboa - Lisboa.
- SILVA, A. Vieira da - 1987 - A Cerca Fernandina de Lisboa - Volume II - Lisboa - CML.
- SILVA, A. Vieira da - 1987 - As Muralhas da Ribeira de Lisboa - Volume I-Lisboa - CML.
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BLOGUES E SITES
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(PRÓXIMO) - «RUA LUÍSA TODI [ I ] - A RUA LUÍSA TODI»


quarta-feira, 26 de maio de 2010

RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ XI ]

Rua do Terreiro do Trigo, 52 a 60 - (200_?) Fotógrafo não identificado ( Edifício onde funcionou as "ALCAÇARIAS DO DUQUE")
Rua do Terreiro do Trigo - (1965-03) Foto de Armando Serôdio (As "ALCAÇARIAS DO DUQUE" na Rua do Terreiro do Trigo) in AFML

Rua do Terreiro do Trigo (1894) (Adaptado da DRHG) (Planta do "Balneário Público" das "ALCAÇARIAS DO DUQUE", licenciado pela inspecção de Águas no ano de 1894-Escala original 1:100)
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(CONTINUAÇÃO)
RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ XI ]
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«AS ÁGUAS DE ALFAMA (3)»
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ALCAÇARIAS DO DUQUE
As «ALCAÇARIAS DO DUQUE» eram as maiores e as que sobreviveram até mais tarde. Os balneários foram construídos em 1640, mas só foram concessionados para o público em 1894. Tinham 15 quartos para banhos e a concessão foi anulada em 1978.
Estas «ALCAÇARIAS DO DUQUE», localizadas na «RUA DO TERREIRO DO TRIGO» dos números 52 a 60, pertencentes à «CASA DO CADAVAL», foram construídas em 1640 por um mercador Veneziano no sítio da quinhentista «CASA DA ÁGUA DAS MURALHAS» e ampliada em 1716 através da construção de novo estabelecimento; este edifício setecentista foi substituído em 1864 e revestida toda a sua fachada com «azulejo alegre», segundo "CASTILHO".
Foi concedido alvará para exploração termal em 1894 a «D. MARIA DA PIEDADE CAETANO ÁLVARES PEREIRA DE MELO» senhora da «CASA DO CADAVAL» e viúva de «D. JOAQUIM DE MELO».
As «ALCAÇARIAS DO DUQUE» foram objecto de uma concessão, que abrangia duas nascentes distintas: uma das nascentes, denominada «GRANDE ALCALINA», apresentava um caudal abundante de água bicarbonatada a uma temperatura cerca de (30.8º C), enquanto a outra, designada por «SULFÚREA», era um pouco menos mineralizada e com temperaturas mais elevadas (31º C).
O reservatório desta nascente localizava-se por baixo da parede do balneário que ladeava o «BECO DOS CURTUMES», sendo constituído por um poço de cantaria, em que o fundo assentava sobre argila muito finas e micáceas para onde convergia a água, cuja nascente se situava para Sul e Leste (1935). O mesmo autor refere que, segundo informações verbais, a nascente «SULFÚREA» brotava num pequeno reservatório na «TRAVESSA DO TERREIRO DO TRIGO», junto à parede do edifício do balneário.
Quando da aprovação da "concessão" num relatório técnico dos serviços, mencionava que o estabelecimento balnear das «ALCAÇARIAS DO DUQUE» era o único que, de todas as Alcaçarias, tinha sido expressamente construído para esse fim, sendo, de todos, o que exibia melhor aparência, tanto exteriormente como no seu interior.
Segundo «ALBUQUERQUE DE OREY(1894)» engenheiro inspector dizia: "no rés do chão do prédio (...) estão instaladas as tinas de mármore ordinário, em quartos de diversas dimensões, dispostas em três fileiras, separadas por dois corredores. A um e outro lado do corredor principal, encontra-se oito quartos de 1ª classe, e, ao fundo de um lado, um quarto maior, com duas tinas, e do outro lado, um dos reservatórios; outro corredor, mais estreito, paralelo ao primeiro, dá acesso a cinco quartos mais pequenos, onde se dão os banhos de 2ª classe e os banhos dos indigentes, e a um reservatório mais fundo do referido corredor. Nestes dois reservatórios, que comunicam um com o outro, juntam-se as águas das nascentes (...); ao meio do corredor mais largo, é que atravessa a tubagem conduzindo, para dois dos quartos de 1ª classe, especialmente reservados para esse fim, as águas de uma nascente descoberta mais recentemente, por ocasião de se abrir a canalização no «BECO DE ALFAMA».
A água escoa-se para um canal aberto por baixo do edifício, o qual vai desaguar directamente ao Rio Tejo".
Em 1927, o concessionário foi autorizado pela tutela a fazer algumas modificações no balneário.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DO TERREIRO DO TRIGO [XII]- AS ÁGUAS DE ALFAMA (4)» (ÚLTIMO).



sábado, 22 de maio de 2010

RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ X ]

Rua do Terreiro do Trigo - s/d - Fotógrafo não identificado (Edifício onde funcionou as "ALCAÇARIAS DE D. CLARA", hoje uma agência do Millennium-bcp).
Rua do Terreiro do Trigo - s/d - Foto de Eduardo Portugal ( A Rua do Terreiro do Trigo, meados do século XX) (Antes da Travessa eram as Alcaçarias de D. Clara, no edifício seguinte estavam instaladas as Alcaçarias do Duque) in AFML

Rua do Terreiro do Trigo - s/d - (Adaptado do DRHG) (Planta do "balneário público" das "ALCAÇARIAS DA D. CLARA", licenciado pela Inspecção de Águas no ano de 1894, de onde ressalta a exiguidade do espaço e o carácter rudimentar das instalações balneoterápicas da época - Escala original 1:100).
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(CONTINUAÇÃO)
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RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ X ]
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«AS ÁGUAS DE ALFAMA ( 2 ) »
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A razão do nome «ALFAMA» é confirmado pela «CARTA GEOLÓGICA DO CONCELHO DE LISBOA», que nos mostra um grupo de nascentes minero-medicinais associadas a uma falha Geológica que corta as camadas do «MIOCÉNICO». Ao longo da história, estas nascentes foram utilizadas em banhos públicos ou encanadas para alimentação de chafarizes, como o «CHAFARIZ DE EL-REI», «CHAFARIZ DE DENTRO» e o «CHAFARIZ DA PRAIA» este último já demolido.
Assim as nascentes de água quente do «GRUPO DAS ALCAÇARIAS» encontram-se alinhadas na zona entre o «LARGO DO CHAFARIZ DE EL-REI» e o «LARGO DO CHAFARIZ DE DENTRO», ao longo da «RUA DO TERREIRO DO TRIGO» e deram origem a um conjunto de ocorrências que foram exploradas como «BALNEÁRIOS PÚBLICOS» concessionados, durante algumas décadas.
Apenas algumas nascentes de água quente foram objecto de pedido de concessão, tendo as restantes Alcaçarias entretanto caído no esquecimento.
Em meados do ano de 1893 foram pedidas à «REPARTIÇÃO DE MINAS DO MINISTÉRIO DAS OBRAS PÚBLICAS, COMÉRCIO E INDUSTRIA», as concessões das «ALCAÇARIAS DO DUQUE», «ALCAÇARIAS DE D. CLARA», «BANHOS DO DUQUE» e «ALCAÇARIAS DO BAPTISTA». Ao que tudo indica, tratou-se da legalização de estabelecimentos que já eram utilizados em circunstancias idênticas.
Todos os alvarás de concessão das nascentes de água quente do «GRUPO DAS ALCAÇARIAS» foram publicados no «DIÁRIO DO GOVERNO», ainda em 1895. Por se tratarem de estabelecimentos termais bastante rudimentares, o seu licenciamento adoptava o nome de «BALNEÁRIOS PÚBLICOS» em vez de «TERMAS» que já pressupõe o cumprimento dos requisitos legais impostos pelo organismo da tutela.
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«BANHOS DE D. CLARA»
Na «RUA DO TERREIRO DO TRIGO» nos números 64 a 68 funcionaram as antigamente denominadas «ALCAÇARIAS ou BANHOS DE D. CLARA».
Edificada em 1759 por «D.CLARA XAVIER DE AGUIAR», esposa do Sargento-mor «AURÉLIO DA SILVA CASTILHO».
Ficavam separadas das «ALCAÇARIAS DO DUQUE» apenas pela «TRAVESSA DO TERREIRO DO TRIGO».
Dizem alguns autores que a água mais mineralizada aparentava ser as de D. CLARA, tinham nove quartos e que o custo dos seus banhos quentes podiam chegar a 400 réis.
A sua concessão foi requerida em 1893 por «JOSÉ PEDROSO GOMES DA SILVA».
Actualmente neste local está instalada uma agência bancária do grupo MILLENNIUM-bcp.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ XI ] - AS ÁGUAS DE ALFAMA (3)».


quarta-feira, 19 de maio de 2010

RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ IX ]

Rua do Terreiro do Trigo - (1951) Foto de Eduardo Portugal - (Na Rua do Terreiro do Trigo, 52 a 60 existiu as "ALCAÇARIAS DO DUQUE") in AFML
Rua do Terreiro do Trigo - (1961) Foto de Armando Serôdio ( Um troço da Rua do Terreiro do Trigo) in AFML

Rua do Terreiro do Trigo - (1939) Foto de Eduardo Portugal (Largo do Chafariz de Dentro, local onde se exercia os "BANHOS DO DOUTOR") in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ IX ]
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«AS ÁGUAS DE ALFAMA (1)»
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Num pitoresco recanto de Lisboa «ALFAMA» que em Árabe quer dizer "al-hamma" com o significado de "fonte quente", ainda esconde muita água no seu solo, não só fria, como também quase a borbulhar de quente (a maiores profundidades).
Dos "SPA" seculares, (de que nos vamos debruçar um pouco) dos muitos que existiam até meados do século passado, hoje restam-nos apenas as suas memórias.
No período do domínio "MUÇULMANO" existia uma «ALFAMA DO ALTO», mais aristocrata, situada na «CERCA MOURA», na parte Oriental da actual freguesia da «», que comunicava pela «PORTA DE ALFAMA» ou de «SÃO PEDRO» (na actual "RUA DE S. JOÃO DA PRAÇA") com uma «ALFA MA DO MAR», arrabalde popular.
Já no domínio «CRISTÃO» a designação «ALFAMA» foi-se alargando mais para Leste, dentro do limite da «CERCA NOVA» ou «CERCA FERNANDINA», passando para lá do «CHAFARIZ DE DENTRO».
A origem do seu declínio surgiu possivelmente na «IDADE MÉDIA», quando os residentes ricos se mudaram para o OESTE, deixando esta bairro para a população de pescadores e marinheiros.
Apesar de já não existirem casas mouriscas, o bairro conserva um pouco o seu ambiente típico, com as suas "ruas, ruelas, becos e escadinhas".
As áreas mais degradadas estão a ser restauradas e a vida desenvolve-se em volta do pequeno comércio.
«ALFAMA» possuía um conjunto de nascentes, cujas águas quentes foram classificadas no século XIX como «minero-medicinais».
Como se refere o estudo de «ELSA CRISTINA RAMALHO e MARIA CLARA LOURENÇO»(1), grande parte destas águas tinham temperaturas acima dos 20ºC.
As últimas foram seladas e abandonadas há mais de 47 anos anos, (1963-Fonte das Ratas) no entanto chegaram a ser aproveitadas em vários «BALNEÁRIOS PÚBLICOS» que durante décadas serviram a população de Lisboa e arredores, essencialmente as pessoas de mais fracos recursos financeiros.
Em 1716 são abertos os «BANHOS DO DUQUE», uma referência ao seu proprietário o «DUQUE DO CADAVAL». Em 1810 existiam três estabelecimentos: «BANHOS DO DUQUE», «BANHOS DA DONA CLARA» e «BANHOS DO DOUTOR».
No ano de 1893 (quando da aprovação da concessão) era conhecido mais uma «ALCAÇARIA», esta com o nome de «J.A.BAPTISTA».
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(1) - Técnicas Superiores do Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI).
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ X ] - AS ÁGUAS DE ALFAMA (2)»

sábado, 15 de maio de 2010

RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ VIII ]

Rua do Terreiro do Trigo - (2009) Fotógrafo não identificado (Largo do Chafariz de Dentro e o seu antigo "ROSSIO") in SKYSCRAPERCITY
Rua do Terreiro do Trigo - (s/d) Foto de Eduardo Portugal (Largo do Chafariz de Dentro) in AFML

Rua do Terreiro do Trigo - (s/d) Foto de Mário Novais (Largo do Chafariz de Dentro) in AFML Rua do Terreiro do Trigo - (1940) Foto de Eduardo Portugal - (O Largo do Chafariz de Dentro era atravessado paralelamente pela muralha da Cerca Fernandina) in AFML


Rua do Terreiro do Trigo - (entre 1898 e 1908) Fotógrafo não identificado ( Largo do Chafariz de Dentro e Rua do Terreiro do Trigo - Neste edifício ficou situado o antigo Torreão da Cerca Fernandina) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ VIII ]
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«O CHAFARIZ DE DENTRO»
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A designação de «CHAFARIZ DE DENTRO» tem a ver com o facto de se tratar dum chafariz no interior da «CERCA FERNANDINA». Também era conhecido por «CHAFARIZ DOS CAVALOS». Em 1622, foi reformado pelo Senado da Câmara, passando a abastecer o público, encontrando-se actualmente desactivado.
O «CHAFARIZ» ou «FONTE DOS CAVALOS» ou ainda «CHAFARIZ DE DENTRO» é uma nascente bastante antiga, sendo que a referência mais primitiva que se conhece data do ano de 1285. (1)
Em (1384 e 1650) era denominado por «FONTE OU CHAFARIZ DE ALFAMA». (2) Contudo, só muito tempo depois da construção da segunda cerca de Lisboa a «CERCA FERNANDINA» e, possivelmente, nos princípios do século XVII, este lugar passou a ser chamado de «CHAFARIZ DE DENTRO», por ficar situado do lado de dentro da «CERCA FERNANDINA» e em contraste ao «CHAFARIZ DA PRAIA» ou ao «CHAFARIZ DOS PÁOS» (mais antigos) que ficavam do lado de fora da cerca.
«FERNÃO LOPES» refere-se a uma fonte dos cavalos, existente em (1373), dizendo que se devia o seu nome a uns cavalos de bronze (que adornavam a frontaria) por cujas bocas saia abundantemente a água; este chafariz, porém , era o actual «CHAFARIZ DE DENTRO» cujos cavalos parece que já tinham sido retirados, mas a denominação conservou-se.
O facto é conhecido de que os «CASTELHANOS» quiseram levar como recordação, quando em 1373 levantaram o cerco a LISBOA. Numa das Crónicas de «FERNÃO LOPES» esclarece ainda que as bicas do chafariz tinham o feitio de cabeças de cavalos em bronze, e que graças à prudência dos lisboetas, foram escondidas atempadamente.
Existem ainda várias referências históricas que apontam para que debaixo do chafariz existisse um lago.
Com efeito, encontram-se no local duas casas de água, cada uma com as sua nascente. Uma é a do «CHAFARIZ DE DENTRO», onde está uma arca da água, a outra é a do tanque das lavadeiras, no «BECO DO MEXIA». Tanto o chafariz como o lavadouro municipal, que estavam ao serviço da população em (1937) eram abastecidos com a água da «COMPANHIA DAS ÁGUAS DE LISBOA».
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( 1 ) - Chancellaria de D. Dinis, Livro I, fl. 163v., era de 1323.
( 2 ) - Chancellaria de D. João I, Livro I, fl, 53 era de 1422 - Elementos, etc., Tomo V, pág. 201, ano 1650.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ IX ] - AS ÁGUAS DE ALFAMA (1)»