quarta-feira, 16 de junho de 2010

RUA LUÍSA TODI [ V ]

Rua Luísa Todi - (195_) Foto de Mário de Oliveira (Convento de S. Pedro de Alcântara, fachada principal na Rua de S. Pedro de Alcântara esquina com a Rua Luísa Todi) in AFML
Rua Luísa Todi - (Início do século XX ?) - Fotógrafo não identificado (Convento de S. Pedro de Alcântara esquina com a Rua Luísa Todi) in AFML

Rua Luísa Todi - (s/d) - Fotógrafo não identificado (Ao fundo à direita o Convento de S. Pedro de Alcântara, o burro e a moça encontram-se na Rua D. Pedro V) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
RUA LUÍSA TODI [ V ]
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«MOSTEIRO DE SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA»
Quem entrar na «RUA LUÍSA TODI», estando de costas para a «RUA D. PEDRO V», no lado esquerdo da rua fica-nos o «RECOLHIMENTO DAS ORFÃS», dependência da Misericórdia de Lisboa, que em tempos idos, foi o «MOSTEIRO DE S. PEDRO DE ALCÂNTARA».
Fundado por «D.ANTÓNIO LUÍS DE MENESES», «CONDE DE CANTANHEDE» e «MARQUÊS DE MARIALVA», em 12 de Agosto de 1680, para dar cumprimento de votos feitos na batalha de «MONTES CLAROS», que aquele fidalgo militar ganhou aos espanhóis, na «GUERRA DA RESTAURAÇÃO».
Para este convento foram viver os «FRADES ARRÁBIDOS», da Ordem que já existia na «SERRA DA ARRÁBIDA». De inicio as instalações eram muito pequenas, após influência do «MARQUÊS DE MARIALVA», foi conseguido mais espaço e significados melhoramentos.
Na época de «D. JOÃO V» o MOSTEIRO recebeu benefícios e a Igreja melhorou substancialmente. A casa do Capitulo foi construída pelo célebre engenheiro «MANUEL DA MAIA».
Com o Terramoto de 1755, sofreram avultados estragos, tendo o seu restauro sido efectuado no ano de 1783, os seus frades viveram até essa altura, na sua casa arruinada.
Na fachada da antiga Igreja, onde se rasgam duas janelas, e coroada por uma cimalha com tímpano adornado com um nicho, é harmoniosa na sua modéstia. Na galilé vemos ao centro a porta de entrada da IGREJA, à esquerda a porta de ingresso ao Convento, e à direita, sobrepujado por um brasão, o pórtico que abria para a antiga Capela dos «LENCASTRES». No recolhimento propriamente dito, vários anexos ocupam hoje a área antiga da cerca. Fica todo o edifício contido, com frente para a «RUA DE S. PEDRO DE ALCÂNTARA», entre a «TRAVESSA DE S. PEDRO» e a «RUA LUÍSA TODI», com o muro posterior da cerca defendendo a «RUA DA ROSA».
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«SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA-PADROEIRO DO BRASIL»
No sítio desta rua de «S. PEDRO DE ALCÂNTARA» descobrimos que o primeiro padroeiro do «BRASIL» foi «SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA».
Embora este santo esteja hoje como co-padroeiro, paralelamente com a «NOSSA SENHORA APARECIDA», ainda é evocado para proteger e zelar pelo «BRASIL».
Só algumas linhas de história.
Após a Independência, D. Pedro I entendeu que o «BRASIL» precisava de um Santo como padroeiro oficialmente autorizado pelo Papa, embora «D.PEDRO», já tivesse feito a consagração do «BRASIL» a «N.Sª. APARECIDA», numa viagem de «S. PAULO» para o «RIO», logo após o 7 de Setembro. Assim, solicitou ao «PAPA PIO IX» que fizesse de «SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA», o padroeiro do «BRASIL» o que aconteceu em 1862.
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«QUEM FOI "S. PEDRO DE ALCÂNTARA?»
De seu nome verdadeiro «JUAN DE GARABITO Y VILELA DE SANABRIA», nasceu no seio de uma família nobre, estudou Direito na Universidade de SALAMANCA, mas abandonou os estudos e tomou uma vida religiosa em 1515 no «CONVENTO DE S. FRANCISCO DE LOS MAJARRETES», perto de «VALÊNCIA DE ALCÂNTARA», onde toma o nome de frade «PEDRO DE ALCÂNTARA». Viaja até PORTUGAL para reformar uma das províncias Franciscanas da altura. Estabeleceu-se na «SERRA DA ARRÁBIDA», no século XVI, sendo bastante apreciado pelo rei «D. JOÃO III». Fundou vários Mosteiros para os chamados «ARRÁBIDOS» ou «CAPUCHOS». Foi beatificado pelo «PAPA GREGÓRIO XV» em 1622 e canonizado por «CLEMENTE IX» em 1669.
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BIBLIOGRAFIA
(Fontes e Obras Consultadas)
- ARAÚJO, Norberto de - 1992 - PEREGRINAÇÃO EM LISBOA - Volume V- VEGA - Lisboa
- MACEDO, Luiz Pastor - 1985 - LISBOA DE LÉS A LÉS, Volume III 3ª ed. - Publicações Culturais da Câmara Municipal de Lisboa.
- MOREAU, Mário - 1981 - CANTORES DE ÓPERA PORTUGUESES-VOLUME I- LIVRARIA BERTRAND - LISBOA.
- OLHARES DE PEDRA - 2004 - ESTÁTUAS PORTUGUESAS - Uma edição de PROSAFEITA, LDA. para a GLOBAL NOTICIAS, PUBLICAÇÕES, S.A.
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BLOGUES E SITES
(PRÓXIMO) - «RUA DO POÇO DOS NEGROS [ I ] - A RUA DO POÇO DOS NEGROS ( 1 )»


sábado, 12 de junho de 2010

RUA LUÍSA TODI [ IV ]

Rua Luísa Todi - (2009) Foto de Maria Emília (Desenho de ABEL PASCOAL e escultura de LEOPOLDO DE ALMEIDA - inaugurado em 1933 em Setúbal) in OLHARES
Rua Luísa Todi - (s/d) Autor não identificado (Lápide de Luísa Todi na casa de Setúbal onde nasceu) in PÁGINA DOS CONCURSOS

Rua Luísa Todi - (s/d) Autor não identificado (Casa onde nasceu LUÍSA TODI na Rua da Brasileira em Setúbal, muito mal tratada nesta altura) in PÁGINA DOS CONCURSOS
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(CONTINUAÇÃO)
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RUA LUISA TODI [ IV ]
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«LUISA TODI ( 3 )»
Em 1793, sabe-se que «LUÍSA TODI» estava em LISBOA, já que colaborou nas comemorações do nascimento da princesa da BEIRA «D. MARIA TERESA», filha primogénita de «D. JOÃO VI» e de «D. CARLOTA JOAQUINA»; de facto, a princesinha, que não chegou a reinar, nasceu na «AJUDA» em 29 de Abril de 1793.
Há ainda notícia de ter a «LUÍSA TODI» cantado em casa de «ANSELMO JOSÉ DA CRUZ SOBRAL» no «PALÁCIO SOBRAL» situado no «CALHARIZ», onde hoje se encontra a «CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS». Ficou registado também um espectáculo dado em favor da então muito recente «CASA PIA DE LISBOA», que tinha ao tempo as suas instalações no «CASTELO DE S. JORGE».
A capacidade de «LUÍSA TODI» era invulgar, cantava com a maior perfeição e expressão em francês, inglês, italiano e alemão.
Em 1799 terminou a sua carreira em «NAPOLES». Regressou a PORTUGAL e cantou ainda em 1801 no PORTO, tendo enviuvado em 1803. Viveu naquela cidade, onde viria a perder as suas famosas jóias no trágico acidente da «PONTE DAS BARCAS», por ocasião da sua fuga das tropas de NAPOLEÃO em 29 de Março de 1809, na altura da segunda invasão francesa a PORTUGAL, comandada pelo Marechal «SOULT».
Quando «LUÍSA TODI» regressou definitivamente a LISBOA, em 1811, morou na «RUA DO TESOURO VELHO» actual «RUA ANTÓNIO MARIA CARDOSO»; daí se mudou para a «RUA DA BARROCA», na esquina com a «TRAVESSA DO POÇO DA CIDADE»; passou ainda pela «RUA DA ATALAIA» e pela baixa (frente à Igreja de S. NICOLAU), até se fixar na casa da antiga «TRAVESSA DA ESTRELA» hoje com o seu nome. Cega, aí viveu na companhia de uma filha. A «IGREJA DA ENCARNAÇÃO», no CHIADO, recebeu o seu corpo em Outubro de 1833.
Lisboa homenageou ainda esta filha adoptiva em 9 de Janeiro de 1957, data em que foi inaugurado no «CAMPO GRANDE» um busto de bronze da cantora, da autoria de «MARTINS CORREIA».
O canto lírico passou a ter monumento próprio nas ruas da capital, lembrando uma intérprete de nível europeu.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA LUÍSA TODI [ V ] - MOSTEIRO DE S. PEDRO DE ALCÂNTARA» (FINAL).

quarta-feira, 9 de junho de 2010

RUA LUÍSA TODI [ III ]

Rua Luísa Todi - (1785) (Louisé Elisabeth Vigée-Lebrum) (Retrato a Óleo de Luísa Todi em Paris) in BIOCRAWLER
Rua Luísa Todi - (1944) (Eduardo Portugal) (Lápide de homenagem a "SILVA PORTO", colocada no prédio da Rua Luísa Todi no número 6, onde este pintor faleceu) in AFML

Rua Luísa Todi - (Entre 1898 e 1908) Fotógrafo não identificado ( Antiga Travessa da Estrela, hoje Rua Luísa Todi) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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RUA LUISA TODI [ III ]
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«LUÍSA TODI (2)»
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Não é nosso propósito elaborar aqui uma exaustiva biografia de «LUÍSA TODI», queremos apenas realçar algumas passagens da sua brilhante vida. Interessará aqui especialmente focar as ligações da artista com LISBOA, terra onde como se disse, começou a sua carreira. Foi também em LISBOA onde muitas vezes se acolheu e onde acabou por falecer.
A traços muito largos e a título de curiosidade, lembre-se apenas que a vida da cantora não a impedia de dar muitos filhos ao mundo: sabe-se que foi mãe no «PORTO» em 1772 e 1773; em 1775, deu à luz outra criança numa localidade perto de «GUIMARÃES»; outra filha nasceu em «ARANJUEZ», ainda outra em «PARIS»; o filho que vingou, «LEOPOLDO RODRIGO», era natural de «TURIM» (viveu em LISBOA, foi dono de uma fábrica de massas alimentícias e teve casa na «RUA DO BARÃO» na freguesia da «».
A cantora despontou no «TEATRO DO BAIRRO ALTO», que juntamente com o «PÁTIO DA ÓPERA», existiu na actual «TRAVESSA DO CONDE DE SOURE», no «BAIRRO ALTO», junto à «RUA DE S. BOAVENTURA». A casa de espectáculos já era famosa, nomeadamente desde que ali tinham sido representadas as peças de «ANTÓNIO JOSÉ DA SILVA-O JUDEU».
O esplendor da ópera teve lugar exactamente na época em que «LUÍSA TODI» ali fez a sua estreia como cantora, o que sucedeu em 1770 com «IL VIAGGIATORE RIDICOLO», do compositor italiano «JOSÉ SCOLARI», que viveu em «LISBOA» e dirigiu o espectáculo.
Após o casamento andou a artista pelo estrangeiro. Voltou, porém, a LISBOA em 1773 (com apenas 20 anos), sendo então contratada pelo «TEATRO DA RUA DOS CONDES», na época em que ali cantavam também as célebres «SESTINI» e «ZAMPERINI». Esta última mais conhecida ainda pelos escândalos a que deu azo do que pela própria voz, tendo sido afastada após um tórrido romance com um filho do «MARQUÊS DE POMBAL».
«LUÍSA TODI» correspondeu à sua grande projecção na EUROPA, ao tempo em que a convidaram para cantar em «PÁDUA» na «FEIRA DEL SANTO» e, pelos 15 dias de permanência, lhe pagaram 600 SEQUINS de ouro e a instalaram em casa mobilada, com mesa posta para seis pessoas durante a estadia, carruagem às ordens, liteira para as deslocações particulares e camarote privado no teatro.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA LUÍSA TODI [ IV ] - LUÍSA TODI (3)»


sábado, 5 de junho de 2010

RUA LUÍSA TODI [ II ]

Rua Luísa Todi - (s/d) Autor não identificado (Retrato de Luísa Todi) in BATGUANO
Rua Luísa Todi - (1966) - Foto de Armando Serôdio (Convento de S. Pedro de Alcântara actual Recolhimento de Orfãs, esquina com a Rua Luísa Todi) in AFML

Rua Luísa Todi - (Entre 1898 e 1908) Fotógrafo não identificado (Um troço da Rua Luísa Todi ) in AFML


Rua Luísa Todi - (Entre 1898 e 1908) Fotógrafo não identificado (A Travessa da Estrela, hoje Rua Luísa Todi) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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RUA LUÍSA TODI [ II ]
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«LUÍSA TODI ( 1 )»
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Foi assinalado no ano de 2o03 em Lisboa os 250 anos do nascimento da cantora «LUÍSA TODI» (LUÍSA ROSA DE AGUIAR), nasceu em SETÚBAL na «RUA DA BRASILEIRA» no dia nove de Janeiro de 1753. A sua terra natal não esqueceu a efeméride e, de um modo geral, várias iniciativas a assinalaram com relevo para a edição de um livro sobre a artista, obra do musicólogo «MÁRIO MOREAU».
Luísa, ainda com muito pouca idade, acompanhou seu pai, um professor de música, na vinda para Lisboa, juntamente com suas irmãs. Cedo entrou no mundo musical. Foi, porém, o seu casamento com o italiano «FRANCESCO TODI», rabequista da Real Câmara e do «TEATRO DO BAIRRO ALTO» que, conhecendo bem os seus recursos vocais e talento dramático, a entusiasmou para o teatro lírico, trazendo-lhe depois a internacionalização e a consagração.
Estudando música e canto primeiro com seu marido, depois com o compositor «DAVID PERES», veio a obter grandes triunfos no estrangeiro.
Se «LONDRES» não se lhe rendeu totalmente, outro tanto não sucedeu com «MADRID», «PARIS», «TURIM», «VIENA», BERLIM», «S.PETERSBURGO», a EUROPA em geral.
A Imperatriz «CATARINA II», verdadeira Mecenas de artistas, convidou-a para um contrato em exclusivo na Corte Russa. A tal respeito, não faltaram mais tarde os inevitáveis mexericos provocados pela inveja, dizendo alguns que a cantora portuguesa tinha tal influência na Czarina que só era beneficiado quem ela indicasse. O habitual, em toda a parte e em todos os tempos...
Curiosamente, porém, contava o Conde «WALAWESKI», no seu «ROMANCE DE UMA IMPERATRIZ» que «CATARINA» tinha uma audição defeituosa e nem sequer apreciava especialmente a música, embora não o confessasse geralmente. Quanto às relações entre a Imperatriz e a Cantora, diz o mesmo autor que a primeira contava que por vezes encontrava «MADAME TODI» em passeio. "Ela beija-me as mãos e eu beijo-a na face; os nossos cães farejam-se, ela toma o seu debaixo do braço, eu chamo os meus e seguimos os nossos caminhos".
Apesar desta aparente indiferença, o certo é que a Czarina não dava a qualquer pessoa a importância de a "Beijar na face". E, além disso, acrescentava que "quando canta, ouço-a, aplaudo-a e sentimo-nos bem a conversar as duas".
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA LUÍSA TODI [ III ] - LUÍSA TODI (2)»

quarta-feira, 2 de junho de 2010

RUA LUÍSA TODI [ I ]

Rua Luísa Todi - (1965) Foto de Armando Serôdio (Convento de S. Pedro de Alcântara no lado direito a Rua Luísa Todi) in AFML
Rua Luísa Todi - (2007) (Autor não identificado) (Rua Luísa Todi esquina com a Rua da Rosa) in MARCAS DAS CIÊNCIAS

Rua Luísa Todi (2009) - (Foto da Rua Luísa Todi tirada da Google) in GOOGLE


Rua Luísa Todi, 34-38 ( entre 1898 e 1908) - Fotógrafo não identificado ( A antiga Travessa da Estrela depois Rua Luísa Todi) in AFML
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RUA LUÍSA TODI [ I ]
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«A RUA LUÍSA TODI»
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Começa na «RUA DE S. PEDRO DE ALCÂNTARA» e termina na «RUA DA ROSA» no número 228.
Ostentava esta artéria o nome de «TRAVESSA DA ESTRELA» pelo menos, desde o século XVIII(1782), (1) até que em 12 de Junho de 1917, pelo Edital emanado da Câmara de Lisboa, foi o nome mudado para «LUÍSA TODI».
Era assim prestada homenagem municipal à mulher que fora a mais ilustre moradora da rua e ali veio a falecer (na casa com o antigo número 2), no já distante dia 1 de Outubro de 1833.
Foi aquela uma artéria de certa importância, aberta junto ao «BAIRRO ALTO» e ao «MOINHO DE VENTO», sítio que viria a dar a actual «RUA D. PEDRO V » (ver mais aqui).
De facto, antes de lá ter residido a notável cantora que lhe dá o nome, ali tinha tido lugar um hospício dito de «NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO», onde pontificavam religiosos franciscanos. E, segundo as preciosas investigações do mestre «PASTOR DE MACEDO», na então «TRAVESSA DA ESTRELA» moravam por exemplo «CAETANO TOMÁS DE SOUSA» (também ele com rua em Lisboa, no sítio de Marvila); um poeta hoje já praticamente esquecido, «JOSÉ TOMÁS DA SILVA QUINTANILHA», o desembargador «JOSÉ PEDRO FERRAZ GRAMOSO», que foi autor dos «Sucessos de Portugal», onde historiou em pormenor a segunda metade do século XVIII. E, segundo reza, no número 6 está colocada uma lápide de homenagem ao pintor «SILVA PORTO», no prédio onde faleceu.
Temos pois que a «RUA LUÍSA TODI» é uma das raras artérias lisboetas em que o nome corresponde a alguém que tem directamente a ver com o local.
Dizia-nos ainda «NORBERTO DE ARAÚJO» (...) "Já agora observem esse alto prédio moderno de gaveto da «RUA LUÍSA TODI», propriedade de «MANUEL MADEIRA», começado a construir sobre o terreno de um velho barracão em fins de 1935.
O barracão, a que várias vezes se tentou imprimir um certo aspecto decente, passando de madeira para tijolo, mas sempre acanhado e desprovido de comodidade, foi animatógrafo popular durante três anos, e depois serralharia, armazém de sucata, havendo servido também de atelier de pintura.
Era uma relíquia teimosa da artéria nova, e que custou a entregar-se ao fatal destino da demolição.
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- (1) - Cerogr. Port., Padre Carvalho da Costa, vol. III, pag. 351 - Nos livros paroquiais da Encarnação a primeira vez que a «TRAVESSA DA ESTRELA» é apontada em 1782 - Liv., VI de Óbitos, fl. 91.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA LUÍSA TODI [ II ] - LUÍSA TODI (1)»


sábado, 29 de maio de 2010

RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ XII ]

Rua do Terreiro do Trigo - (1963) Foto de Garcez (Recolha de água em garrafões na última fonte que tinha "múltiplas virtudes terapêuticas", a "FONTE DAS RATAS" em ALFAMA.
Rua do Terreiro do Trigo - (1963) (Recorte do Diário Popular de 4 de Dezembro de 1963, referente ao encerramento da FONTE DAS RATAS.

Rua do Terreiro do Trigo - (c. de 1951) Foto de Eduardo Portugal (Local dos antigos "Banhos de J.A. Baptista" na Rua do Terreiro do Trigo do 78 ao 84, hoje uma agência do BPI. in AFML

Rua do Terreiro do Trigo - (entre 1898 e 1908) Fotógrafo não identificado (Balneário público "Banhos do Doutor" nas traseiras do "Chafariz de Dentro") in AFML

Rua do Terreiro do Trigo - s/d (Adaptado de DRHG) (Planta do "Balneário público dos Banhos do Doutor", licenciado pela inspecção de Águas no ano de 1894. Escala original 1:100).
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(CONTINUAÇÃO)
RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ XII ]
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«AS ÁGUAS DE ALFAMA ( 4 ) »
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BANHOS DO DOUTOR
Estes «BANHOS DO DOUTOR» (FERNANDO) localizavam-se nas traseiras do «CHAFARIZ DE DENTRO», nos números 19 e 20 e tiveram a sua origem provável na época filipina. Tinha o balneário mais pequeno com apenas cinco quartos e a temperatura das suas águas não ia além dos (27ºC).
As estruturas de apoio aos banhos foram reformadas em 1776. O pedido da concessão foi feita em meados de 1893 por «DOMINGOS JOSÉ VIEIRA».
Levamos a admitir que as águas destes banhos é de todas a mais baixa em temperatura e de menor mineralização.
Actualmente encontra-se neste local um restaurante, o edifício guarda um portão ladeado de imponentes colunas.
ALCAÇARIAS DO BAPTISTA
As «ALCAÇARIAS DO (J.A.) BAPTISTA» estavam situadas na «RUA DO TERREIRO DO TRIGO» nos números 78 a 84, não muito longe das «ALCAÇARIAS DA D. CLARA» e muito perto do «LARGO DO TERREIRO DO TRIGO» antigo «CAMPO DA Lû.
Foi pedida a concessão em nome de «MARIA JOSÉ DA CONCEIÇÃO BAPTISTA» em meados de 1893. Tinha sete quartos e a temperatura das suas águas era de (32ºC) a (34ºC).
Presentemente está instalado neste local uma agência bancária do grupo BPI.
O preço dos banhos nestas «ALCAÇARIAS», dependiam do balneário escolhido pelo cliente. No século XIX, um banho quente nas «ALCAÇARIAS DE D. CLARA» podia atingir os 400 réis. Nas «ALCAÇARIAS DO DUQUE», a despesa podia variava entre 200 e os 300 réis, dependendo da nascente que abastecia a tina.
Para os MONTEPIOS, ASILOS e outras instituições, cada banho rondava os 100 réis. Os indigentes tomavam banho sem pagar, caso apresentassem um atestado de pobreza passado pelo padre e reconhecido pelo Notário. Todas as termas tinham um quarto para portadores de doenças contagiosas. (Mais documentação inerente ao assunto ver aqui).
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«A FONTE DAS RATAS»
Durante o período de três séculos, o espaço hoje conhecido como «FONTE DAS RATAS», no «LARGO DAS ALCAÇARIAS», foi utilizado como «LAVADOURO PÚBLICO».
No ano de 1880 a Companhia das Águas de Lisboa fechou o tanque e transformou-o em depósito. Mais tarde o local da nascente foi posto a descoberto devido à demolição de um muro, ao lado do edifício onde se localizavam as «ALCAÇARIAS DO DUQUE» no «BECO DOS CURTUMES».
A popularidade desta nascente, que de acordo com a crença popular "tinha múltiplas virtudes terapêuticas" e cuja reputação da água se espalhou rapidamente, atingiu o auge no início da década de 60 do século passado, quando milhares de pessoas esperavam horas para encher os seus garrafões. A média era de 360 garrafões por hora e o ritmo só abrandava entre as 3 e as 5 da manhã. A contaminação detectada pela «INSPECÇÃO DE ÁGUAS», ainda na década de 60, levou ao seu encerramento, apesar da resistência popular.
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Assim, os chafarizes, bicas, poços e cisternas ainda visíveis em «ALFAMA» atestam a importância que a água teve na zona e que era a mais mineralizada e abundante de toda a cidade de Lisboa.
Hoje, contudo, essa imensa riqueza está desaproveitada e, em maior parte dos casos, oculta e destruída de forma irrecuperável ou a correr para o Tejo.
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BIBLIOGRAFIA
(Fontes e Obras consultadas)
- ARAÚJO, Norberto de - 1993 - PEREGRINAÇÕES EM LISBOA - Livro X - Lisboa - Vega.
- ATAÍDE, Manuel José Maia - 1979 - ANTIGO CELEIRO PÚBLICO - MONUMENTOS E EDIFÍCIOS NOTÁVEIS DO DISTRITO DE LISBOA - Volume V - 1º TOMO - Junta Distrital de Lisboa.
- PINTO, Luís Leite - 1972 - HISTÓRIA DO ABASTECIMENTO DE ÁGUA A LISBOA - Imprensa Nacional Casa da Moeda - Lisboa .
- RAMALHO, Elsa Cristina e LOURENÇO, Maria Carla - (Técnicas Superiores do Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI) - "As águas de Alfama - memórias do passado da cidade de Lisboa" - Zambujal - Alfragide.
- SANTANA, Francisco e SUCENA, Eduardo - 1994 - Dicionário da História de Lisboa - Lisboa.
- SILVA, A. Vieira da - 1987 - A Cerca Fernandina de Lisboa - Volume II - Lisboa - CML.
- SILVA, A. Vieira da - 1987 - As Muralhas da Ribeira de Lisboa - Volume I-Lisboa - CML.
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BLOGUES E SITES
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(PRÓXIMO) - «RUA LUÍSA TODI [ I ] - A RUA LUÍSA TODI»


quarta-feira, 26 de maio de 2010

RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ XI ]

Rua do Terreiro do Trigo, 52 a 60 - (200_?) Fotógrafo não identificado ( Edifício onde funcionou as "ALCAÇARIAS DO DUQUE")
Rua do Terreiro do Trigo - (1965-03) Foto de Armando Serôdio (As "ALCAÇARIAS DO DUQUE" na Rua do Terreiro do Trigo) in AFML

Rua do Terreiro do Trigo (1894) (Adaptado da DRHG) (Planta do "Balneário Público" das "ALCAÇARIAS DO DUQUE", licenciado pela inspecção de Águas no ano de 1894-Escala original 1:100)
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(CONTINUAÇÃO)
RUA DO TERREIRO DO TRIGO [ XI ]
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«AS ÁGUAS DE ALFAMA (3)»
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ALCAÇARIAS DO DUQUE
As «ALCAÇARIAS DO DUQUE» eram as maiores e as que sobreviveram até mais tarde. Os balneários foram construídos em 1640, mas só foram concessionados para o público em 1894. Tinham 15 quartos para banhos e a concessão foi anulada em 1978.
Estas «ALCAÇARIAS DO DUQUE», localizadas na «RUA DO TERREIRO DO TRIGO» dos números 52 a 60, pertencentes à «CASA DO CADAVAL», foram construídas em 1640 por um mercador Veneziano no sítio da quinhentista «CASA DA ÁGUA DAS MURALHAS» e ampliada em 1716 através da construção de novo estabelecimento; este edifício setecentista foi substituído em 1864 e revestida toda a sua fachada com «azulejo alegre», segundo "CASTILHO".
Foi concedido alvará para exploração termal em 1894 a «D. MARIA DA PIEDADE CAETANO ÁLVARES PEREIRA DE MELO» senhora da «CASA DO CADAVAL» e viúva de «D. JOAQUIM DE MELO».
As «ALCAÇARIAS DO DUQUE» foram objecto de uma concessão, que abrangia duas nascentes distintas: uma das nascentes, denominada «GRANDE ALCALINA», apresentava um caudal abundante de água bicarbonatada a uma temperatura cerca de (30.8º C), enquanto a outra, designada por «SULFÚREA», era um pouco menos mineralizada e com temperaturas mais elevadas (31º C).
O reservatório desta nascente localizava-se por baixo da parede do balneário que ladeava o «BECO DOS CURTUMES», sendo constituído por um poço de cantaria, em que o fundo assentava sobre argila muito finas e micáceas para onde convergia a água, cuja nascente se situava para Sul e Leste (1935). O mesmo autor refere que, segundo informações verbais, a nascente «SULFÚREA» brotava num pequeno reservatório na «TRAVESSA DO TERREIRO DO TRIGO», junto à parede do edifício do balneário.
Quando da aprovação da "concessão" num relatório técnico dos serviços, mencionava que o estabelecimento balnear das «ALCAÇARIAS DO DUQUE» era o único que, de todas as Alcaçarias, tinha sido expressamente construído para esse fim, sendo, de todos, o que exibia melhor aparência, tanto exteriormente como no seu interior.
Segundo «ALBUQUERQUE DE OREY(1894)» engenheiro inspector dizia: "no rés do chão do prédio (...) estão instaladas as tinas de mármore ordinário, em quartos de diversas dimensões, dispostas em três fileiras, separadas por dois corredores. A um e outro lado do corredor principal, encontra-se oito quartos de 1ª classe, e, ao fundo de um lado, um quarto maior, com duas tinas, e do outro lado, um dos reservatórios; outro corredor, mais estreito, paralelo ao primeiro, dá acesso a cinco quartos mais pequenos, onde se dão os banhos de 2ª classe e os banhos dos indigentes, e a um reservatório mais fundo do referido corredor. Nestes dois reservatórios, que comunicam um com o outro, juntam-se as águas das nascentes (...); ao meio do corredor mais largo, é que atravessa a tubagem conduzindo, para dois dos quartos de 1ª classe, especialmente reservados para esse fim, as águas de uma nascente descoberta mais recentemente, por ocasião de se abrir a canalização no «BECO DE ALFAMA».
A água escoa-se para um canal aberto por baixo do edifício, o qual vai desaguar directamente ao Rio Tejo".
Em 1927, o concessionário foi autorizado pela tutela a fazer algumas modificações no balneário.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DO TERREIRO DO TRIGO [XII]- AS ÁGUAS DE ALFAMA (4)» (ÚLTIMO).