quarta-feira, 7 de julho de 2010

AVENIDA 24 DE JULHO [ I ]


Avenida 24 de Julho - (2005) Foto de APS (Avenida 24 de Julho vista da Praça Duque da Terceira) ARQUIVO/APS

Avenida 24 de Julho - (2008) Fotógrafo não identificado (Praça D. Luís I junto da Avenida 24 de Julho) in SKYSCRAPERCITY



Avenida 24 de Julho - s/d Fotógrafo não identificado (Avenida 24 de Julho junto da Praça D. Luís) in A CAPITAL





Avenida 24 de Julho - (1950) Fotógrafo não identificado (Avenida 24 de Julho) in SKYSCREPERCITY




Avenida 24 Julho - (191_) Foto de José Manuel da Silva Passos (Vista da Rua 24 de Julho) in BIC LARANJA
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AVENIDA 24 DE JULHO [ I ]
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«A AVENIDA VINTE E QUATRO DE JULHO ( 1 )»
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A «AVENIDA 24 DE JULHO» pertence a três freguesias.
À freguesia de «S. PAULO» do número 2 ao 48. À freguesia de «SANTOS-O-VELHO» do número 50 ao 118. À freguesia dos «PRAZERES» do número 120 em diante. Começa na «PRAÇA DUQUE DA TERCEIRA» no número4 e termina na «RUA DO CAIS DE ALCÂNTARA» e «RUA JOÃO DE OLIVEIRA MIGUEIS».
Em deliberação da Câmara de 09/09/1878 e edital de 13 do mesmo mês e ano, foi dada a denominação de «RUA 24 DE JULHO» à parte do aterro ocidental construído no prolongamento daquela rua, que começando na «PRAÇA D. LUÍS I» termina no caneiro de Alcântara.
Igualmente por deliberação Camarária foi atribuída em 18/10/1928 a alteração de «RUA» para «AVENIDA» a esta artéria.
A esta longa «AVENIDA» convergem: três AVENIDAS; um BECO; uma ESCADARIA; uma ESCADINHA; um LARGO; um PÁTIO; duas PRAÇAS; oito RUAS e três TRAVESSAS.
De nascente para poente: TRAVESSA DOS REMOLARES; PRAÇA DA RIBEIRA NOVA; RUA DO INSTITUTO D. AMÉLIA; PRAÇA D. LUÍS I; RUA BOQUEIRÃO DOS FERREIROS; RUA DO INSTITUTO INDUSTRIAL; RUA BOQUEIRÃO DO DURO; AVENIDA D. CARLOS I; LARGO DE SANTOS; ESCADINHAS DA PRAIA; BECO DA GALHETA; PÁTIO PINZALEIRO; TRAVESSA JOSÉ ANTÓNIO PEREIRA; ESCADARIA JOSÉ ANTÓNIO MARQUES; AVENIDA INFANTE SANTO; RUA TENENTE VALADIM; TRAVESSA DO BALUARTE; RUA VIEIRA DA SILVA e RUA JOÃO OLIVEIRA MIGUEIS. De poente para nascente no lado Sul - RUA DO CAIS DE ALCÂNTARA e AVENIDA DA ÍNDIA.
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A «AVENIDA 24 DE JULHO» uma das mais conhecidas AVENIDAS de LISBOA, que corre paralelamente à linha férrea de CASCAIS (Cais do Sodré a Alcântara) e igualmente ao RIO TEJO (ao qual foi retirado espaço para dar lugar ao aterro), estou em crer que nem toda a gente sabe a razão desta data. Até mesmo poucos saberão ao que ela se refere.
De facto, a data de «24 DE JULHO», marca um episódio transcendente na nossa história e foi um dos momentos bastantes dramáticos do nosso país. Refiro-me como podem calcular às «GUERRAS LIBERAIS» ou «GUERRA CIVIL DE 1828 a 1834», que opôs as tropas absolutistas de «D. MIGUEL» às forças liberais de seu irmão «D. PEDRO IV».
Assim, em «24 DE JULHO DE 1833» as tropas liberais comandadas pelo «DUQUE DA TERCEIRA», desembarcou no ALGARVE, atravessou o ALENTEJO e entrou em LISBOA.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «AVENIDA 24 DE JULHO [ II ] - A AVENIDA 24 DE JULHO (2)»




sábado, 3 de julho de 2010

RUA DO POÇO DOS NEGROS [ V ]

Rua do Poço dos Negros - (2007 ?) - Fotógrafo não identificado - (A Rua do Poço dos Negros) in SKYSCRAPERCITY
Rua do Poço dos Negros - (1911) - Foto de Joshua Benoliel (Festa do primeiro aniversário da República, ornamentação junto do Palácio Flor da Murta, quando ainda estava alugada à firma STREET & CA.) in AFML



Rua do Poço dos Negros - (entre 1898 e 1908) Fotógrafo não identificado (A Rua do Poço dos Negros nos números 50 a 54) in AFML


Rua do Poço dos Negros - (1865) - Fotografia postal de Christiano Júnior- (Imagem de criados negros, possivelmente no século XIX) in ELLENISMOS
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(CONTINUAÇÃO)
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RUA DO POÇO DOS NEGROS [ V ]
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«O NEGÓCIO E TRÁFEGO DE ESCRAVOS NA LISBOA QUINHENTISTA»
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O topónimo «POÇO DOS NEGROS» tem origem no século XVI quando o rei «D. MANUEL I» mandou abrir um poço para onde eram lançados os escravos negros, que morriam em LISBOA.
Conta-nos «JOSÉ RAMOS TINHORÃO» na sua obra «OS NEGROS EM PORTUGAL-UMA PRESENÇA SILENCIOSA», que os cadáveres dos escravos inicialmente eram atirados no monturo das «PORTAS DE SANTA CATARINA» ou para as herdades dos arredores.
Para acabar e evitar as epidemias, toma o rei «D. MANUEL I» a decisão de mandar abrir um POÇO (ou VALA) naquele local ao fundo da «CALÇADA DO COMBRO», para funcionar como cemitério dos negros, já que quando morriam não tinham direito a serem enterrados nos adros das Igrejas.
A decisão surge precisamente porque a presença dos negros em LISBOA tornava-se cada vez mais numerosa. É em pleno século XV que chegam a LISBOA os primeiros cativos negros, com as CARAVELAS regressadas das primeiras descobertas na «COSTA DE ÁFRICA».
Desde então, as embarcações portuguesas trouxeram sucessivamente escravos, cuja mão-de-obra passou a ser reclamada para assegurar os trabalhos domésticos e as tarefas mais árduas.
Vinham nas embarcações, com o ouro, o ébano e o marfim, em número sempre crescente, "empilhados na coberta dos navios, mal alimentados, amarrados uns aos outros, costas com costas", contava «FILIPE SASSETTI», comissário florentino que viveu em LISBOA entre 1573 e 1578.
O negócio do tráfego de escravos provocou na metrópole um surgimento significativo de africanos, alterando o quotidiano na cidade de LISBOA.
Por toda a cidade, a presença dos negros passou a ser visível, sobretudo no que respeita aos ofícios servis: criados, domésticos, lavadeiras, estivadores ou calhandreiras (1).
Diz ainda o autor de «OS NEGROS EM PORTUGAL» recorrendo às descrições do humanista italiano «CLENARDO» para ilustrar a realidade da metrópole no fim do século XVI: "Estou a crer que em LISBOA os escravos são mais que os portugueses livres de condição. Dificilmente se encontrará uma casa onde não haja pelo menos uma escrava (...). É ela que vai comprar as coisas necessárias, que lava a roupa, varre a casa, acarreta a água, faz os despejos à hora conveniente numa palavra, é uma escrava não se distinguindo de uma besta de carga se não pela figura".
Os africanos dos séculos passados foram progressivamente integrando uma população carismática, mantendo a ligação com as actividades fluviais, mas os ex-escravos africanos e o topónimo «MOCAMBO» desapareceram em 1833.
No final da década de setenta do século passado, a «RUA DO POÇO DOS NEGROS» e a «TRAVESSA DO POÇO DOS NEGROS», bem como a zona de «S. BENTO» foram redescobertas pela primeira vaga de imigrantes de «CABO VERDE».
O certo é que quinhentos anos depois não existe nenhum vestígio do POÇO mandado construir por «D. MANUEL I».
-( 1 ) - Mulher que despeja calhandros - calhandro - vaso cilíndrico alto para urinar ou defecar. Bacio alto em forma de cilindro.
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BIBLIOGRAFIA
(Fontes e obras consultadas)
- ARAÚJO, Norberto - 1993 - PEREGRINAÇÕES EM LISBOA - Volumes XI e XIII - LISBOA - VEGA.
- Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais - Palácio Flor da Murta - INTERNET - 2006.
- SANTANA, Francisco e SUCENA, Eduardo - Dicionário de História de Lisboa - 1994.
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(PRÓXIMO) - «AVENIDA 24 DE JULHO [ I ]-A AVENIDA 24 DE JULHO(1)»

quarta-feira, 30 de junho de 2010

RUA DO POÇO DOS NEGROS [ IV ]

Rua do Poço dos Negros - (2009) Fotógrafo não identificado (O Condomínio Palácio da Flor da Murta na Rua do Poço dos Negros esquina com a Rua de S. Bento) in CONDOMíNIO PALÁCIO FLOR DA MURTA


Rua do Poço dos Negros - (2009) - Fotógrafo não identificado ( Condomínio do Palácio Flor da Murta na Rua do Poço dos Negros esquina para a Rua de S. Bento) in LISBOA-SOS




Rua do Poço dos Negros - (2009) - Fotógrafo não identificado (A Rua de S. Bento, o actual "Condomínio Palácio Flor da Murta" e esquina para a Rua do Poço dos Negros) in LISBOA-SOS



Rua do Poço dos Negros - (c. 1900) - Fotógrafo não identificado (Senhoras passeando junto ao Palácio Flor da Murta) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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RUA DO POÇO DOS NEGROS [ IV]
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«PALÁCIO FLOR DA MURTA ( 2 )»
Na fachada Norte, virado para a «RUA FRESCA», tem duas portas, uma das quais servia a CAPELA. Nos andares baixos chegaram a funcionar cinco estabelecimentos comerciais e em parte do primeiro andar, viveu ainda nos anos 40 do século passado, o seu proprietário «D. ANTÓNIO DE MENESES».
Na outra parte do edifício esteve um serviço público e escritórios particulares e residiram vários inquilinos. Passando a entrada nobre tinha um átrio e escadaria de um só lanço e paredes com silhares de azulejos setecentistas de cenas palacianas e campestres emolduradas por pilastras e grinaldas.
Seguem-se vários corredores, também com silhares de azulejos. De entre as várias salas, de tectos apainelados e paredes revestidas a azulejos, alguns holandeses do século XVII, destacava-se a «SALA DOURADA», pequeno toucador de tecto pintado sobre tela (séc. XVIII) com dourados e grinaldas rodeando uma figura feminina com o «AMOR» ao colo, e tendo aos cantos emblemas com setas e cupido.
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Vem a propósito dizer que «FLOR DA MURTA» não era, como se tem escrito, alcunha galante de «D. JOÃO V» à sua amante, e bela «D. LUÍSA CLARA DE PORTUGAL, aia da rainha «D. MARIA ANA DA ÁUSTRIA».
«D. LUÍSA CLARA DE PORTUGAL» era casada e vivia na Corte em 1731 com seu marido, «D. JORGE DE MENESES», filho de «D. ANTÓNIO DE MENESES e de D. ANTÓNIA MARGARIDA», da «CASA DA FLOR DA MURTA».
Por pertencer a esta casa pelo casamento, é que chamavam «FLOR DA MURTA» a «D.LUÍSA», com quem «D. JOÃO V» teve uma filha bastarda, «D. MARIA RITA DE PORTUGAL» nascida em data que se ignora, foi monja do «CONVENTO DE SANTOS-O-VELHO».
«D.JOÃO V» veio a perder a amante a favor de seu sobrinho, o jovem «D. PEDRO HENRIQUE», «DUQUE DE LAFÕES», (neto de D. PEDRO II) que por essa traição ao REI esteve em vias de ficar eunuco, não fora a oportuna intervenção do valido real, «FREI GASPAR DA ENCARNAÇÃO» que convenceu o monarca a esquecer.
«D. JORGE DE MENESES» o marido traído, retirou-se, com os três filhos, para o «PALÁCIO DE TERRUGEM», de onde nunca mais saiu até ao seu falecimento.
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O «PALÁCIO FLOR DE MURTA» sofre alterações no ano de 1950 na compartimentação interna, tendo sido removidos painéis de azulejos (alguns deles terão passado a integrar o acervo do MUSEU DA CIDADE DE LISBOA).
Em 1973 sofreu outra intervenção com obras de demolição no interior do Palácio. Nos anos de 1993/1994 procede-se à reconstrução completa do interior do imóvel e registando-se o acréscimo de mais um piso.
Em 27 de Fevereiro de 2003 foram iniciadas neste Palácio as obras de construção de quatro pisos e duas caves, com a finalidade de ali ser implantado um Condomínio fechado, constituído por 74 apartamentos do tipo T0.
As fachadas exteriores do Palácio foram mantidas e reforçadas. Na parte de trás relacionado com o armazém e anexo, situado a Norte, irá ser implantada a zona de estacionamento, distribuído por duas caves, com entrada pela «RUA FRESCA».
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Tal como este Palácio, outro Palácio seiscentista, no início desta rua, no «LARGO DO DR. ANTÓNIO DE SOUSA MACEDO» entre as Travessas do «JUDEU» e do «ALCAIDE», teve o mesmo destino.
Trata-se do «PALÁCIO DOS CONDES DE MESQUITELA» onde nos anos 50 do século passado esteve instalada a «ESCOLA COMERCIAL D. MARIA I» de grandes recordações.
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(CONTINUA)-(PRÓXIMO)-«RUA DO POÇO DOS NEGROS - O NEGÓCIO E TRÁFEGO DE ESCRAVOS NA LISBOA QUINHENTISTA» (FINAL)



sábado, 26 de junho de 2010

RUA DO POÇO DOS NEGROS [ III ]

Rua do Poço dos Negros - (Depois de 1973) Fotógrafo não identificado (O Palácio Flor da Murta com mais um piso) in SENHORES DE ALCONCHEL
Rua dos Poço dos Negros - (1959) - (Armando Serôdio) (Pedra de armas colocada no cunhal do Palácio Flor da Murta, na Rua do Poço dos Negros esquina com a Rua de S. Bento) in AFML

Rua do Poço dos Negros - (1958) Foto de Armando Serôdio (Palácio Flor da Murta na Rua do Poço dos Negros esquina com a Rua de S. Bento) in AFML


Rua do Poço dos Negros - (194_) Foto de Horácio Novaes (Palácio Flor da Murta do século XVII) in AFML

Rua do Poço dos Negros - (entre 1898 e 1908) - Fotógrafo não identificado (Palácio Flor da Murta) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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RUA DO POÇO DOS NEGROS [ III ]
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«PALÁCIO FLOR DA MURTA ( 1 )»
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O «PALÁCIO FLOR DA MURTA» situa-se na «RUA DO POÇO DOS NEGROS» fazendo esquina com a «RUA DE SÃO BENTO».
A origem deste nome poderá ter começado na casa nobre que no século XVI pertencia aos «PEREIRA FARIA», senhores de «ALCONCHEL». Pelo casamento «D. GUIOMAR DE FARIA» com «D. JORGE DE MENESES» estes passaram a representar a Casa Flor da Murta.
Noutra versão essa primitiva casa nobre terá sido integrada no século XVII no Morgado da Terrugem, instituído em 1681 por «PEDRO JACQUES DE MAGALHÃES», 1º Visconde da Fonte Arcada, que casou em segundas núpcias com «D. MARIA VICÊNCIA DE VILHENA» e dela teve «D. MADALENA DE VILHENA». Esta, casando por sua vez com «D. ANTÓNIO DE MENESES DE SOTTO MAYOR», Morgado de SOUSA, terá trazido para os «MENESES» (de Cantanhede) o Palácio que habitavam no século XVIII, época em que parece ter sido colocado no sólido cunhal do ângulo do edifício a pedra de armas dos «PEREIRA FARIA», de «ALCONCHEL», que ainda se lá existe.
No cunhal do Palácio a Sudoeste existe uma pedra de armas dos «PEREIRA FARIA» de «ALCONCHEL»: centrada pelo brasão dos «SOUSAS DO PRADO» (leões rampantes de CASTELA e quinas de PORTUGAL) esquartelado pelos brasões dos «PEREIRAS» (cruz de prata florenciada), CASTROS (6 arruelas de ouro), BARBOSAS (3 crescentes em orla entre 2 leões) e FARIAS (castelo de 5 flores-de-lis).
O edifício, reedificado no século XVI, sofreu restauros no século seguinte e foi pouco afectado pelo Terramoto de 1755.
Possuía jardins com uma fonte monumental de espaldar e nela uma carranca de BACO. Em 1890, tendo o Palácio sido tomado de arrendamento pela firma «STREET & Cª.», que lá permaneceu até 1920, esta construiu no espaço dos jardins, oficinas, depois substituídas por uma garagem.
Este Palácio possuía também uma capela de invocação a «NOSSA SENHORA DE MONSERRATE», forrada a azulejos setecentista, encerrada ao culto em 1914 e despojada dos seus pertences.
De um só andar, o Palácio tinha, na fachada poente voltada para a «RUA DE S. BENTO» (que nesse troço se chegou a chamar "RUA FLOR DA MURTA"), seis janelas de sacada com varões e o portal da extinta capela de cantaria com tímpano aberto.
Na fachada Sul do «PALÁCIO FLOR DA MURTA» voltada para a «RUA DO POÇO DOS NEGROS», que foi prolongada no início do século XIX para nascente, tinha 15 janelas de sacada e, no corpo central, mais elevado, a entrada nobre com moldura de cantaria e cinco janelas de peitoril.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) «RUA DO POÇO DOS NEGROS [ IV ] - PALÁCIO FLOR DA MURTA ( 2 )».




quarta-feira, 23 de junho de 2010

RUA DO POÇO DOS NEGROS [ II ]

Rua do Poço dos Negros - (1961) Foto de Artur Goulart ( Um troço da Rua do Poço dos Negros, no lado esquerdo fica-nos o Palácio Flor da Murta) in AFML
Rua do Poço dos Negros - (entre 1898 e 1908) Fotógrafo não identificado ( A Rua do Poço dos Negros, 2 a 8 e antigo Largo do Poço Novo) in AFML

Rua do Poço dos Negros - (entre 1898 e 1908) Fotógrafo não identificado ( A Rua do Poço dos Negros) in AFML


Rua do Poço dos Negros, 74 - (Entre 1898 e 1908) Fotógrafo não identificado (A Rua do Poço dos Negros) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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RUA DO POÇO DOS NEGROS [ II ]
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«A RUA DO POÇO DOS NEGROS (2)»
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O olisipógrafo «GUSTAVO DE MATOS SEQUEIRA» na sua obra «DEPOIS DO TERRAMOTO», coloca ainda outra hipótese para a origem deste topónimo, associado à aproximação que existe do «CONVENTO DE SÃO BENTO» (actual Parlamento), e também conhecido no tempo, pelo «CONVENTO DE SÃO BENTO DOS FRADES NEGROS», devido à cor negra dos hábitos de seus frades e ainda da possível existência de um «POÇO» nas hortas dos respectivos frades.
«LUÍS PASTOR DE MACEDO» recolheu nos «LIVROS PAROQUIAIS» as seguintes denominações para esta artéria, nas datas que vão assinaladas: «RUA DIREITA QUE VAI DA ESPERANÇA para a "CALÇADA DO COMBRO" (1576); «RUA DO POÇO» (1578); «RUA DO POÇO DO CAMINHO» (1605); «RUA DA CRUZ DE SÃO BENTO» (1619); «RUA DIREITA DO POÇO DOS NEGROS» (1695).
Afirma-nos ainda «GUSTAVO DE MATOS SEQUEIRA» sobre a «RUA DO POÇO DOS NEGROS» que pela primeira vez viu este nome em (1681). E anteriormente conheceu as seguintes denominações: «RUA DIREITA QUE VAI DA ESPERANÇA para a "CALÇADA DO COMBRO" em (1576), substituindo a mais vetusta das estradas a «HORTA NAVIA» e «CAMINHO DAS PORTAS DE SANTA CATARINA» para SANTOS de (1515).
«RUA DA CRUZ DE SÃO BENTO» de (1599) a (1639). Esta cruz (de madeira) serviu de baliza à demarcação da freguesia das MERCÊS, e foi a causa da denominação da rua. Existiu uma cruz, durante muito tempo, no ponto de cruzamento das ruas do «POÇO DOS NEGROS» e a «RUA DA CRUZ DOS POIAIS».
O facto de só em (1681) se ter começado a chamar de «RUA DO POÇO DOS NEGROS», levou este olisipógrafo a admitir a possibilidade de o povo pretender fixar a localização da rua em referencia aos monges negros de São Bento.
A ajudar esta hipótese, aparece frequentemente, no século XVIII, a designação bairrista de «RUA DE SÃO BENTO DOS NEGROS».
Conta-nos ainda «JORGE MACAÍSTA MALHEIROS» na sua obra «À DESCOBERTA DOS NOVOS DESCOBRIMENTOS» que muitos dos escravos que mais tarde obtiveram alforria, acabaram por se concentrar nesta zona e na MADRAGOA. Tendo existido um bairro com o nome de «MOCAMBO» sendo o termo original "mu-kambu" que significa esconderijo em "KIMBUNDU" de ANGOLA.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) -«RUA DO POÇO DOS NEGROS [ III ] - PALÁCIO FLOR DA MURTA (1)»



sábado, 19 de junho de 2010

RUA DO POÇO DOS NEGROS [ I ]

Rua do Poço dos Negros - (2008) Foto de Madama Musique (Placa toponímica da Rua do Poço dos Negros) in THE MOOD FOR FEEL
Rua do Poço dos Negros - (s/d) Fotógrafo não identificado (Um troço da Rua do Poço dos Negros) in MUSEU DA CIDADE

Rua do Poço dos Negros - (Entre 1898 e 1908) Fotógrafo não identificado (A Rua do Poço dos Negros na transição para o século XX) in AFML


Rua Poço dos Negros - (2010) Desenho de APS (Artérias envolventes à RUA DO POÇO DOS NEGROS).
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RUA DO POÇO DOS NEGROS [ I ]
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«A RUA DO POÇO DOS NEGROS ( 1 )»
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A «RUA DO POÇO DOS NEGROS» pertence a duas freguesias. À freguesia de «SANTA CATARINA» pertencem os números 1 a 103 e todos os números pares. À freguesia de «SÃO PAULO» do número 105 em diante.
Começa no «LARGO DR. ANTÓNIO DE SOUSA DE MACEDO»( 1 ) (antigo "LARGO DO POÇO NOVO) e termina na «AVENIDA D. CARLOS I» (antiga Avenida Presidente Wilson e Avenida das Cortes).
São confinantes com esta rua no lado par, de Oriente para Ocidente as artérias seguintes: «TRAVESSA DOS POIAIS DE S. BENTO»; «TRAVESSA DO POÇO DOS NEGROS»; «TRAVESSA DO OLEIRO»; «RUA CAETANO PALHA» e «RUA DE S. BENTO». No lado ímpar igualmente de Oriente para Ocidente as artérias: «RUA JOÃO BRÁS»; «RUA DE MARCOS MARREIROS»; «BECO DO CARRASCO»; «RUA DAS GAIVOTAS»; «TRAVESSA DOS MASTROS»; «RUA DOS MASTROS»; «RUA DA SILVA » e «TRAVESSA DOS PESCADORES».
Esta toponímia local faz-nos lembrar muito o mar - GAIVOTAS - PESCADORES - MASTROS, são ainda os restos do labor que caracterizou o sítio.
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A «RUA DO POÇO DOS NEGROS» tem origem do seu topónimo possivelmente ligado à existência de uma carta régia de «D. MANUEL I», datada de 13 de Novembro de 1515, escrita em «ALMEIRIM» e dirigida à cidade de Lisboa, sobre a necessidade de se construir um poço para depositar os corpos dos escravos mortos, sobretudo aquando de surtos epidérmicos.
Diz a carta que os escravos eram mal sepultados e muitos seriam mesmo lançados (...)"na lixeira que está junto da «CRUZ DA PEDRA» a Santa Catarina (actual Rua Marechal Saldanha) que está no Caminho que vai da porta de Santa Catarina para Santos", ou para a praia onde ficavam à mercê da voracidade dos cães.
Para evitar as deletérias consequências de tantos cadáveres não sepultados, achava o Rei, "que o melhor remédio será fazer-se um poço, o mais fundo que pudesse ser, no lugar que fosse mais conveniente, no qual se lançassem os ditos escravos" e para ajudar a decomposição dos corpos, dizia ainda que se deitasse " alguma quantidade de cal virgem" de quando em quando.
Tal medida seria cumprida pela CÂMARA que o teria mandado fazer no referido caminho para «SANTOS» (descendo a actual "CALÇADA DO COMBRO" conhecido por "HORTA NAVIA"- nome de uma divindade indígena após a ocupação Romana).
A actual localização perdeu-se, mas a aproximação geográfica do antigo «LARGO DO POÇO NOVO» (actual Largo Dr. António de Sousa de Macedo) ao fundo da «CALÇADA DO COMBRO», nome que já nos aparece na segunda metade de Quinhentos em substituição da designação primeva, comodamente parece ajudar na sua localização.
O referido eixo partia da «PORTA DE SANTA CATARINA» até BELÉM, passando por SANTOS onde existia desde o início do século XVI um PAÇO REAL em ALCÂNTARA.
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-(1) - Foi publicado no dia 23 de Janeiro de 2008 (isto no caso do "LINK" não abrir).
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DO POÇO DOS NEGROS [ II ] - A RUA DO POÇO DOS NEGROS ( 2 )»

quarta-feira, 16 de junho de 2010

RUA LUÍSA TODI [ V ]

Rua Luísa Todi - (195_) Foto de Mário de Oliveira (Convento de S. Pedro de Alcântara, fachada principal na Rua de S. Pedro de Alcântara esquina com a Rua Luísa Todi) in AFML
Rua Luísa Todi - (Início do século XX ?) - Fotógrafo não identificado (Convento de S. Pedro de Alcântara esquina com a Rua Luísa Todi) in AFML

Rua Luísa Todi - (s/d) - Fotógrafo não identificado (Ao fundo à direita o Convento de S. Pedro de Alcântara, o burro e a moça encontram-se na Rua D. Pedro V) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
RUA LUÍSA TODI [ V ]
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«MOSTEIRO DE SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA»
Quem entrar na «RUA LUÍSA TODI», estando de costas para a «RUA D. PEDRO V», no lado esquerdo da rua fica-nos o «RECOLHIMENTO DAS ORFÃS», dependência da Misericórdia de Lisboa, que em tempos idos, foi o «MOSTEIRO DE S. PEDRO DE ALCÂNTARA».
Fundado por «D.ANTÓNIO LUÍS DE MENESES», «CONDE DE CANTANHEDE» e «MARQUÊS DE MARIALVA», em 12 de Agosto de 1680, para dar cumprimento de votos feitos na batalha de «MONTES CLAROS», que aquele fidalgo militar ganhou aos espanhóis, na «GUERRA DA RESTAURAÇÃO».
Para este convento foram viver os «FRADES ARRÁBIDOS», da Ordem que já existia na «SERRA DA ARRÁBIDA». De inicio as instalações eram muito pequenas, após influência do «MARQUÊS DE MARIALVA», foi conseguido mais espaço e significados melhoramentos.
Na época de «D. JOÃO V» o MOSTEIRO recebeu benefícios e a Igreja melhorou substancialmente. A casa do Capitulo foi construída pelo célebre engenheiro «MANUEL DA MAIA».
Com o Terramoto de 1755, sofreram avultados estragos, tendo o seu restauro sido efectuado no ano de 1783, os seus frades viveram até essa altura, na sua casa arruinada.
Na fachada da antiga Igreja, onde se rasgam duas janelas, e coroada por uma cimalha com tímpano adornado com um nicho, é harmoniosa na sua modéstia. Na galilé vemos ao centro a porta de entrada da IGREJA, à esquerda a porta de ingresso ao Convento, e à direita, sobrepujado por um brasão, o pórtico que abria para a antiga Capela dos «LENCASTRES». No recolhimento propriamente dito, vários anexos ocupam hoje a área antiga da cerca. Fica todo o edifício contido, com frente para a «RUA DE S. PEDRO DE ALCÂNTARA», entre a «TRAVESSA DE S. PEDRO» e a «RUA LUÍSA TODI», com o muro posterior da cerca defendendo a «RUA DA ROSA».
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«SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA-PADROEIRO DO BRASIL»
No sítio desta rua de «S. PEDRO DE ALCÂNTARA» descobrimos que o primeiro padroeiro do «BRASIL» foi «SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA».
Embora este santo esteja hoje como co-padroeiro, paralelamente com a «NOSSA SENHORA APARECIDA», ainda é evocado para proteger e zelar pelo «BRASIL».
Só algumas linhas de história.
Após a Independência, D. Pedro I entendeu que o «BRASIL» precisava de um Santo como padroeiro oficialmente autorizado pelo Papa, embora «D.PEDRO», já tivesse feito a consagração do «BRASIL» a «N.Sª. APARECIDA», numa viagem de «S. PAULO» para o «RIO», logo após o 7 de Setembro. Assim, solicitou ao «PAPA PIO IX» que fizesse de «SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA», o padroeiro do «BRASIL» o que aconteceu em 1862.
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«QUEM FOI "S. PEDRO DE ALCÂNTARA?»
De seu nome verdadeiro «JUAN DE GARABITO Y VILELA DE SANABRIA», nasceu no seio de uma família nobre, estudou Direito na Universidade de SALAMANCA, mas abandonou os estudos e tomou uma vida religiosa em 1515 no «CONVENTO DE S. FRANCISCO DE LOS MAJARRETES», perto de «VALÊNCIA DE ALCÂNTARA», onde toma o nome de frade «PEDRO DE ALCÂNTARA». Viaja até PORTUGAL para reformar uma das províncias Franciscanas da altura. Estabeleceu-se na «SERRA DA ARRÁBIDA», no século XVI, sendo bastante apreciado pelo rei «D. JOÃO III». Fundou vários Mosteiros para os chamados «ARRÁBIDOS» ou «CAPUCHOS». Foi beatificado pelo «PAPA GREGÓRIO XV» em 1622 e canonizado por «CLEMENTE IX» em 1669.
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BIBLIOGRAFIA
(Fontes e Obras Consultadas)
- ARAÚJO, Norberto de - 1992 - PEREGRINAÇÃO EM LISBOA - Volume V- VEGA - Lisboa
- MACEDO, Luiz Pastor - 1985 - LISBOA DE LÉS A LÉS, Volume III 3ª ed. - Publicações Culturais da Câmara Municipal de Lisboa.
- MOREAU, Mário - 1981 - CANTORES DE ÓPERA PORTUGUESES-VOLUME I- LIVRARIA BERTRAND - LISBOA.
- OLHARES DE PEDRA - 2004 - ESTÁTUAS PORTUGUESAS - Uma edição de PROSAFEITA, LDA. para a GLOBAL NOTICIAS, PUBLICAÇÕES, S.A.
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BLOGUES E SITES
(PRÓXIMO) - «RUA DO POÇO DOS NEGROS [ I ] - A RUA DO POÇO DOS NEGROS ( 1 )»