sábado, 17 de julho de 2010

AVENIDA 24 DE JULHO [ IV ]


Avenida 24 de Julho (186_?) Fotógrafo não identificado (ATERRO da 24 de Julho, a Praça Duque da Terceira ainda sem a estátua mas arborizada e com calçada à portuguesa) in AFML

Avenida 24 de Julho - (Post. 1900) Foto de Joshua Benoliel (Vista panorâmica do Porto de Lisboa na zona de Santos e área envolvente) in LISBOA RIBEIRINHA

Avenida 24 de Julho - (Depois de 1877) Fotógrafo não identificado (Aspecto da zona antes da construção da Rua 24 de Julho) (Colecção Seixas) in AFML


Avenida 24 de Julho - (ant. 1882) Fotógrafo não identificado (Panorama da Ribeira - Mercado 24 de Julho, projecto de Frederico Ressano Garcia e inaugurado em 1882) in AFML

Avenida 24 de Julho - (entre 1871 e 1872) Fotógrafo não identificado (Aterro da BOAVISTA) in AFML


Avenida 24 de Julho - (18__) Fotógrafo não identificado (Aspecto da Praça Duque da Terceira durante as obras de construção do aterro) in LISBOA RIBEIRINHA
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(CONTINUAÇÃO)
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AVENIDA 24 DE JULHO [ IV ]
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«O ATERRO»
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O «ATERRO» está simultâneamente ligado ao «PORTO DE LISBOA».
Com a construção do «Porto de Lisboa» reconhecia-se a necessidade de obviar as medidas sanitárias nas margens do rio TEJO, bem assim como a inevitável expansão urbanística, condicionada pela realização do «ATERRO» (ver mais aqui) na zona com a designação muito frequente usada na época de: «ATERRO DA BOAVISTA».
Com o fim de acabar de vez com a verdadeira lixeira que nesta zona existia, e pensando já numa ordenação costeira na margem direita do rio, tendo em vista uma futura zona portuária, procedeu-se à construção de um «ATERRO» entre o «CAIS DO SODRÉ» e «ALCÂNTARA».
Vem seguramente do tempo de «D. JOÃO V» a ideia de ser criado o primeiro porto digno da sua capital.
Seguiu-se a administração do «MARQUÊS DE POMBAL» tendo o arquitecto «CARLOS MARDEL» dado certo contributo no estudo que compreendia entre o «TERREIRO DO PAÇO» e «BELÉM».
Mas só em 25 de Abril de 1884, «ANTÓNIO AUGUSTO DE AGUIAR» iria propor ao Parlamento, que fosse aberto concurso público para a construção do porto.
Depois de algumas alterações ao projecto inicial, foi adjudicada a obra à firma «HERSENT».
A 31 de Outubro de 1887 foi inaugurada a construção do PORTO DE LISBOA, pelo rei «D. LUÍS I».
Revestido de várias circunstâncias técnicas e administrativas, esta primeira fase de 1892 a 1894, teve o ESTADO de chamar a si a administração. Após o último ano, voltou novamente à empresa inicial.
Em 1907 depois de grande parte do porto se encontrar já concluído, passou toda a administração directamente para o ESTADO, através da «ADMINISTRAÇÃO GERAL DO PORTO DE LISBOA» até aos dias de hoje.
No ano de 1855 a praia da «BOAVISTA» começou gradualmente a ver o seu areal substituído por terra. Em 1858 todo este aterro alterava entre o «FORTE DE S. PAULO» (hoje Praça de D. Luís) e a praia de «SANTOS», que babujava o antigo PAÇO REAL «PALÁCIO DOS MARQUESES DE ABRANTES».
Em 1858-1859 abriam-se ruas ou boqueirões transversais e construía-se a «RAMPA DE SANTOS».
Teve a «CÂMARA» necessidade de expropriar nesta zona; a casa de «ABRANTES» e a de «ASSECA», para finalmente poder rasgar a «RUA 24 DE JULHO».
Data precisamente de 1860 a muralha de «SANTOS».
Embora a lentidão da obra fosse uma constante, sabe-se que em 1865 o «ATERRO» estava concluído até à «RIBEIRA NOVA», e em 1867 até ao «ARSENAL DA MARINHA», já com muralha.
Podemos datar com pouca margem de erro, o ano de 1867 como data provável na conclusão do «ATERRO».
Foi denominada «RUA 24 DE JULHO» (1878) à parte do ATERRO ocidental construída no prolongamento daquela rua, que começava na «PRAÇA DE D. LUÍS» e terminava no caneiro de «ALCÂNTARA». No ano de 1928 foi convertida a «AVENIDA».
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) «AVENIDA 24 DE JULHO [ V ] - MERCADO DA RIBEIRA NOVA (1)».





quarta-feira, 14 de julho de 2010

AVENIDA 24 DE JULHO [ III ]


Avenida 24 de Julho - (2003) Foto de Dias dos Reis (Avenida 24 de Julho) in DIAS DOS REIS

Avenida 24 de Julho - (200_?) Fotógrafo não identificado (Antiga Fábrica das Lâmpadas) in MÁXIMA INTERIORES


Avenida 24 de Julho - (1969) Foto de Artur Inácio Bastos ( Estabelecimento comercial da SINGER na Avenida 24 de Julho) in AFML



Avenida 24 de Julho - (1965) - Foto de Armando Serôdio (Edifício da CUF visto pelo lado Nascente) in AFML


Avenida 24 de Julho - (1961) Foto de Armando Serôdio (Edifício da CUF-Companhia União Fabril na Avenida 24 de Julho) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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AVENIDA 24 DE JULHO [ III ]
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«AVENIDA VINTE E QUATRO DE JULHO (3)»
No início do século XIX todo este local era chamado «TERCENAS», (embora de pouca relevância) era tudo uma orla marítima (antes do Aterro), o mar banhava o paredão das «TERCENAS» e tudo cheirava a maresia.
A «TRAVESSA DE JOSÉ ANTÓNIO PEREIRA» serpenteada por sucessivos arcos, leva-nos até à «RUA DAS JANELAS VERDES». Num dos arcos existe uma inscrição a informar que em; (Abril de 1805 «JOSÉ ANTÓNIO PEREIRA» foi grande negociante e armador, proprietário de cais e de armazéns).
«JOSÉ ANTÓNIO PEREIRA» de cujo nome está ligado à Travessa desde o ano de 1889, vendeu ainda na primeira metade do século dezanove, uma casa de habitação própria que aqui possuía com os armazéns contíguos, a um grande comerciante de nome «JOAQUIM JOSÉ FERNANDES». Este tinha uma filha de nome «D. MARIA DO CARMO FERNANDES», (dama honorária da Rainha D. Amélia) que casou em 29.01.1873 com «D. ANTÓNIO DE CARVALHO E MELO DAUN ALBUQUERQUE E LORENA». Do casamento resultou dois filhos, sendo que o primogénito sucedeu nos títulos de «OEIRAS» e «POMBAL».
Passamos na parte de baixo do «MUSEU NACIONAL DE ARTE ANTIGA» deixamos a «ESCADARIA JOSÉ ANTÓNIO MARQUES» e ficamos a apreciar o lindíssimo palácio que que foi dos «CONDES DE ÓBIDOS», hoje propriedade da «CRUZ VERMELHA PORTUGUESA».
O local Chamado «ROCHA CONDE DE ÓBIDOS» tinha efectivamente uma «ROCHA» que lhe deu nome a qual foi necessário eliminar, no âmbito da reconversão paisagística e da rede viária e pedestre.
Como ficava junto do «PALÁCIO DOS CONDES DE ÓBIDOS», o morro e rocha ficaram conhecidos por «ROCHA CONDE DE ÓBIDOS».
No ano de 1880, foi planeada uma abertura para uma nova ligação entre «O ATERRO» e o interior da cidade. Assim, na «ROCHA DO CONDE DE ÓBIDOS» foi aberta uma escadaria que ainda hoje permanece.
Antes de passarmos a «AVENIDA INFANTE SANTO», nos edifícios que ficam à nossa direita, existiu naqueles terrenos uma grande fábrica com o nome de «ALIANÇA FABRIL» que no último quartel do século XIX, fabricava essencialmente velas, sabões duros e moles, óleos de purgueira e glicerina. Devido a certas dificuldades financeiras, acabou por se fundir com a «UNIÃO FABRIL» fundada em 1865, pertença naquela altura de «ALFREDO DA SILVA». Teve lugar a fusão no ano de 1898 sendo a designação aprovada «CUF-COMPANHIA UNIÃO FABRIL», (ver mais aqui) sendo o seu administrador-gerente o grande industrial «ALFREDO DA SILVA-(1871-1942)» (ver ainda mais aqui).
Esta firma era uma referência no âmbito do panorama produtivo nacional.
Ao fundo da «AVENIDA INFANTE SANTO» no seu lado direito quem desce e quase de esquina com a «AVENIDA 24 DE JULHO» existia o «HOTEL RESIDENCIAL INFANTE SANTO», que em finais da década de 50 (no simpático café-bar) era o meu lugar de reuniões.
Vamos finalizar (por agora) esta ronda pela «AVENIDA 24 DE JULHO» dando a conhecer que no número 150 desta avenida, existiu uma antiga fábrica de lâmpadas «LUMIAR». Foi adquirida mais tarde pela «OSMAR» e presentemente oferece-nos um conjunto de setenta apartamentos, criados pelo Arquitecto «RAUL ABREU» e «MIGUEL VARELA GOMES».
Esta antiga fábrica foi completamente restaurada a cargo do Engenheiro «JOÃO APPLETON», onde foram mantidas as fachadas dos anos 20 do século passado. Numa das fachadas existe um painel de azulejos «ARTE NOVA», da Cerâmica «VIÚVA LAMEGO».
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) -«AVENIDA 24 DE JULHO [IV] - O ATERRO»



sábado, 10 de julho de 2010

AVENIDA 24 DE JULHO [ II ]


Avenida 24 de Julho - (1900?) (A. Editora) (Praça de D. Luís e Monumento ao Marquês Sá da Bandeira junto da Avenida 24 de Julho) (Brinde oferecido pela Biblioteca Social Operária aos seus assinantes do romance "COROA DE ESPINHOS" (Biblioteca Nacional Digital) in PURL


Avenida 24 de Julho - (1969) Foto de Artur Inácio Bastos ( Edifício da antiga Garagem Conde Barão, na Avenida 24 de Julho no sítio de Santos) in AFML





Avenida 24 de Julho (1969) Foto de Artur Inácio Bastos ( Companhia de Gás e Electricidade na Av. 24 de Julho) in AFML




Avenida 24 de Julho - (1965) Foto de Armando Serôdio (Avenida 24 de Julho
- Largo de Santos - no lado direito a rampa de Santos) in AFML




Avenida 24 de Julho - (1965) Armando Serôdio (Avenida 24 de Julho esquina com a Praça D. Luís I) in AFML





Avenida 24 de Julho (29.04.1908) Foto de Joshua Benoliel (Abertura das Cortes - Cortejo Real, antiga Rua 24 de Julho a caminho do Palácio das Necessidades) in AFML .

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(CONTINUAÇÃO
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AVENIDA 24 DE JULHO [ II ]
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«AVENIDA VINTE E QUATRO DE JULHO (2)»
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O início do Atêrro, ou seja da «AVENIDA 24 DE JULHO, fica entre a «PRAÇA DO DUQUE DA TERCEIRA» e o «CAIS DO SODRÉ».
Desnecessário seria dizer que, antes do atêrro tínhamos a praia da «BOA VISTA» e com este, toda a configuração urbana se alterou.
Diz-nos o mestre «NORBERTO DE ARAÚJO» no seu livro «PAREGRINAÇÕES EM LISBOA» que: « O francês "LEBOIS" levantava em 1852 a planta da praia da "BOA VISTA", e em 1855 começou a ser engolido, gradualmente, o areal; em 1858 entrou a aterrar-se parte entre o "FORTE DE S. PAULO" hoje "PRAÇA D. LUÍS I".
Podemos adivinhar o quadro deste local, antes do desmantelamento do «FORTE DE S. PAULO». O mar a bater-lhe no parapeito, para nascente e poente a inexistência de prédios e cais, apenas areia, casotas de madeira e fragatas do peixe.
Seguindo mais à frente nos terrenos da «ABEGOARIA DA CÂMARA» a «FÁBRICA DO GÁS», cortada pela antiga «RUA VASCO DA GAMA». Segue-se a «RUA BOQUEIRÃO DOS FERROS» ladeada por pequenas industrias de serralharia, predominantes em toda a área da BOAVISTA.
E vamos passar pela «RUA DO INSTITUTO INDUSTRIAL» também com características antigas fabris.
Aparece-nos à direita a «AVENIDA PRESIDENTE WILSON», inaugurada (era então "Avenida de D. Carlos") em 28 de Dezembro de 1889; depois da proclamação República, mudaram-lhe o nome para «AVENIDA DAS CORTES» mas, depois da primeira grande guerra, passou a chamar-se com o nome que hoje conhecemos de «AVENIDA D. CARLOS I».
O «JARDIM DE SANTOS» e «LARGO DE SANTOS» datam da década de 1870 a 1880. Muito próximo ao «JARDIM DE SANTOS» encontramos o «LARGO VITORINO DAMÁSIO». Este engenheiro, director do Instituto Industrial, foi quem dirigiu as obras do ATÊRRO desde «SÃO PAULO» a «SANTOS» em 1858.
Passadas as «ESCADINHAS DA PRAIA», que antes da existência da rampa de Santos, ligava o adro da «IGREJA DE SANTOS» à praia antiga, encontra-se nas imediações o edifício da «GARAGEM CONDE BARÃO».
Segue-se o «PÁTIO DO PIZALEIRO», que começa na «RUA DAS JANELAS VERDES».
Por detrás do grande edifício da antiga «FÁBRICA 24 DE JULHO» (hoje um conjunto de prédios), também corre o estreito «BECO DA GALHETA».
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «AVENIDA 24 DE JULHO [ III ] - AVENIDA VINTE E QUATRO DE JULHO (3)».





quarta-feira, 7 de julho de 2010

AVENIDA 24 DE JULHO [ I ]


Avenida 24 de Julho - (2005) Foto de APS (Avenida 24 de Julho vista da Praça Duque da Terceira) ARQUIVO/APS

Avenida 24 de Julho - (2008) Fotógrafo não identificado (Praça D. Luís I junto da Avenida 24 de Julho) in SKYSCRAPERCITY



Avenida 24 de Julho - s/d Fotógrafo não identificado (Avenida 24 de Julho junto da Praça D. Luís) in A CAPITAL





Avenida 24 de Julho - (1950) Fotógrafo não identificado (Avenida 24 de Julho) in SKYSCREPERCITY




Avenida 24 Julho - (191_) Foto de José Manuel da Silva Passos (Vista da Rua 24 de Julho) in BIC LARANJA
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AVENIDA 24 DE JULHO [ I ]
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«A AVENIDA VINTE E QUATRO DE JULHO ( 1 )»
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A «AVENIDA 24 DE JULHO» pertence a três freguesias.
À freguesia de «S. PAULO» do número 2 ao 48. À freguesia de «SANTOS-O-VELHO» do número 50 ao 118. À freguesia dos «PRAZERES» do número 120 em diante. Começa na «PRAÇA DUQUE DA TERCEIRA» no número4 e termina na «RUA DO CAIS DE ALCÂNTARA» e «RUA JOÃO DE OLIVEIRA MIGUEIS».
Em deliberação da Câmara de 09/09/1878 e edital de 13 do mesmo mês e ano, foi dada a denominação de «RUA 24 DE JULHO» à parte do aterro ocidental construído no prolongamento daquela rua, que começando na «PRAÇA D. LUÍS I» termina no caneiro de Alcântara.
Igualmente por deliberação Camarária foi atribuída em 18/10/1928 a alteração de «RUA» para «AVENIDA» a esta artéria.
A esta longa «AVENIDA» convergem: três AVENIDAS; um BECO; uma ESCADARIA; uma ESCADINHA; um LARGO; um PÁTIO; duas PRAÇAS; oito RUAS e três TRAVESSAS.
De nascente para poente: TRAVESSA DOS REMOLARES; PRAÇA DA RIBEIRA NOVA; RUA DO INSTITUTO D. AMÉLIA; PRAÇA D. LUÍS I; RUA BOQUEIRÃO DOS FERREIROS; RUA DO INSTITUTO INDUSTRIAL; RUA BOQUEIRÃO DO DURO; AVENIDA D. CARLOS I; LARGO DE SANTOS; ESCADINHAS DA PRAIA; BECO DA GALHETA; PÁTIO PINZALEIRO; TRAVESSA JOSÉ ANTÓNIO PEREIRA; ESCADARIA JOSÉ ANTÓNIO MARQUES; AVENIDA INFANTE SANTO; RUA TENENTE VALADIM; TRAVESSA DO BALUARTE; RUA VIEIRA DA SILVA e RUA JOÃO OLIVEIRA MIGUEIS. De poente para nascente no lado Sul - RUA DO CAIS DE ALCÂNTARA e AVENIDA DA ÍNDIA.
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A «AVENIDA 24 DE JULHO» uma das mais conhecidas AVENIDAS de LISBOA, que corre paralelamente à linha férrea de CASCAIS (Cais do Sodré a Alcântara) e igualmente ao RIO TEJO (ao qual foi retirado espaço para dar lugar ao aterro), estou em crer que nem toda a gente sabe a razão desta data. Até mesmo poucos saberão ao que ela se refere.
De facto, a data de «24 DE JULHO», marca um episódio transcendente na nossa história e foi um dos momentos bastantes dramáticos do nosso país. Refiro-me como podem calcular às «GUERRAS LIBERAIS» ou «GUERRA CIVIL DE 1828 a 1834», que opôs as tropas absolutistas de «D. MIGUEL» às forças liberais de seu irmão «D. PEDRO IV».
Assim, em «24 DE JULHO DE 1833» as tropas liberais comandadas pelo «DUQUE DA TERCEIRA», desembarcou no ALGARVE, atravessou o ALENTEJO e entrou em LISBOA.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «AVENIDA 24 DE JULHO [ II ] - A AVENIDA 24 DE JULHO (2)»




sábado, 3 de julho de 2010

RUA DO POÇO DOS NEGROS [ V ]

Rua do Poço dos Negros - (2007 ?) - Fotógrafo não identificado - (A Rua do Poço dos Negros) in SKYSCRAPERCITY
Rua do Poço dos Negros - (1911) - Foto de Joshua Benoliel (Festa do primeiro aniversário da República, ornamentação junto do Palácio Flor da Murta, quando ainda estava alugada à firma STREET & CA.) in AFML



Rua do Poço dos Negros - (entre 1898 e 1908) Fotógrafo não identificado (A Rua do Poço dos Negros nos números 50 a 54) in AFML


Rua do Poço dos Negros - (1865) - Fotografia postal de Christiano Júnior- (Imagem de criados negros, possivelmente no século XIX) in ELLENISMOS
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(CONTINUAÇÃO)
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RUA DO POÇO DOS NEGROS [ V ]
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«O NEGÓCIO E TRÁFEGO DE ESCRAVOS NA LISBOA QUINHENTISTA»
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O topónimo «POÇO DOS NEGROS» tem origem no século XVI quando o rei «D. MANUEL I» mandou abrir um poço para onde eram lançados os escravos negros, que morriam em LISBOA.
Conta-nos «JOSÉ RAMOS TINHORÃO» na sua obra «OS NEGROS EM PORTUGAL-UMA PRESENÇA SILENCIOSA», que os cadáveres dos escravos inicialmente eram atirados no monturo das «PORTAS DE SANTA CATARINA» ou para as herdades dos arredores.
Para acabar e evitar as epidemias, toma o rei «D. MANUEL I» a decisão de mandar abrir um POÇO (ou VALA) naquele local ao fundo da «CALÇADA DO COMBRO», para funcionar como cemitério dos negros, já que quando morriam não tinham direito a serem enterrados nos adros das Igrejas.
A decisão surge precisamente porque a presença dos negros em LISBOA tornava-se cada vez mais numerosa. É em pleno século XV que chegam a LISBOA os primeiros cativos negros, com as CARAVELAS regressadas das primeiras descobertas na «COSTA DE ÁFRICA».
Desde então, as embarcações portuguesas trouxeram sucessivamente escravos, cuja mão-de-obra passou a ser reclamada para assegurar os trabalhos domésticos e as tarefas mais árduas.
Vinham nas embarcações, com o ouro, o ébano e o marfim, em número sempre crescente, "empilhados na coberta dos navios, mal alimentados, amarrados uns aos outros, costas com costas", contava «FILIPE SASSETTI», comissário florentino que viveu em LISBOA entre 1573 e 1578.
O negócio do tráfego de escravos provocou na metrópole um surgimento significativo de africanos, alterando o quotidiano na cidade de LISBOA.
Por toda a cidade, a presença dos negros passou a ser visível, sobretudo no que respeita aos ofícios servis: criados, domésticos, lavadeiras, estivadores ou calhandreiras (1).
Diz ainda o autor de «OS NEGROS EM PORTUGAL» recorrendo às descrições do humanista italiano «CLENARDO» para ilustrar a realidade da metrópole no fim do século XVI: "Estou a crer que em LISBOA os escravos são mais que os portugueses livres de condição. Dificilmente se encontrará uma casa onde não haja pelo menos uma escrava (...). É ela que vai comprar as coisas necessárias, que lava a roupa, varre a casa, acarreta a água, faz os despejos à hora conveniente numa palavra, é uma escrava não se distinguindo de uma besta de carga se não pela figura".
Os africanos dos séculos passados foram progressivamente integrando uma população carismática, mantendo a ligação com as actividades fluviais, mas os ex-escravos africanos e o topónimo «MOCAMBO» desapareceram em 1833.
No final da década de setenta do século passado, a «RUA DO POÇO DOS NEGROS» e a «TRAVESSA DO POÇO DOS NEGROS», bem como a zona de «S. BENTO» foram redescobertas pela primeira vaga de imigrantes de «CABO VERDE».
O certo é que quinhentos anos depois não existe nenhum vestígio do POÇO mandado construir por «D. MANUEL I».
-( 1 ) - Mulher que despeja calhandros - calhandro - vaso cilíndrico alto para urinar ou defecar. Bacio alto em forma de cilindro.
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BIBLIOGRAFIA
(Fontes e obras consultadas)
- ARAÚJO, Norberto - 1993 - PEREGRINAÇÕES EM LISBOA - Volumes XI e XIII - LISBOA - VEGA.
- Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais - Palácio Flor da Murta - INTERNET - 2006.
- SANTANA, Francisco e SUCENA, Eduardo - Dicionário de História de Lisboa - 1994.
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(PRÓXIMO) - «AVENIDA 24 DE JULHO [ I ]-A AVENIDA 24 DE JULHO(1)»

quarta-feira, 30 de junho de 2010

RUA DO POÇO DOS NEGROS [ IV ]

Rua do Poço dos Negros - (2009) Fotógrafo não identificado (O Condomínio Palácio da Flor da Murta na Rua do Poço dos Negros esquina com a Rua de S. Bento) in CONDOMíNIO PALÁCIO FLOR DA MURTA


Rua do Poço dos Negros - (2009) - Fotógrafo não identificado ( Condomínio do Palácio Flor da Murta na Rua do Poço dos Negros esquina para a Rua de S. Bento) in LISBOA-SOS




Rua do Poço dos Negros - (2009) - Fotógrafo não identificado (A Rua de S. Bento, o actual "Condomínio Palácio Flor da Murta" e esquina para a Rua do Poço dos Negros) in LISBOA-SOS



Rua do Poço dos Negros - (c. 1900) - Fotógrafo não identificado (Senhoras passeando junto ao Palácio Flor da Murta) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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RUA DO POÇO DOS NEGROS [ IV]
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«PALÁCIO FLOR DA MURTA ( 2 )»
Na fachada Norte, virado para a «RUA FRESCA», tem duas portas, uma das quais servia a CAPELA. Nos andares baixos chegaram a funcionar cinco estabelecimentos comerciais e em parte do primeiro andar, viveu ainda nos anos 40 do século passado, o seu proprietário «D. ANTÓNIO DE MENESES».
Na outra parte do edifício esteve um serviço público e escritórios particulares e residiram vários inquilinos. Passando a entrada nobre tinha um átrio e escadaria de um só lanço e paredes com silhares de azulejos setecentistas de cenas palacianas e campestres emolduradas por pilastras e grinaldas.
Seguem-se vários corredores, também com silhares de azulejos. De entre as várias salas, de tectos apainelados e paredes revestidas a azulejos, alguns holandeses do século XVII, destacava-se a «SALA DOURADA», pequeno toucador de tecto pintado sobre tela (séc. XVIII) com dourados e grinaldas rodeando uma figura feminina com o «AMOR» ao colo, e tendo aos cantos emblemas com setas e cupido.
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Vem a propósito dizer que «FLOR DA MURTA» não era, como se tem escrito, alcunha galante de «D. JOÃO V» à sua amante, e bela «D. LUÍSA CLARA DE PORTUGAL, aia da rainha «D. MARIA ANA DA ÁUSTRIA».
«D. LUÍSA CLARA DE PORTUGAL» era casada e vivia na Corte em 1731 com seu marido, «D. JORGE DE MENESES», filho de «D. ANTÓNIO DE MENESES e de D. ANTÓNIA MARGARIDA», da «CASA DA FLOR DA MURTA».
Por pertencer a esta casa pelo casamento, é que chamavam «FLOR DA MURTA» a «D.LUÍSA», com quem «D. JOÃO V» teve uma filha bastarda, «D. MARIA RITA DE PORTUGAL» nascida em data que se ignora, foi monja do «CONVENTO DE SANTOS-O-VELHO».
«D.JOÃO V» veio a perder a amante a favor de seu sobrinho, o jovem «D. PEDRO HENRIQUE», «DUQUE DE LAFÕES», (neto de D. PEDRO II) que por essa traição ao REI esteve em vias de ficar eunuco, não fora a oportuna intervenção do valido real, «FREI GASPAR DA ENCARNAÇÃO» que convenceu o monarca a esquecer.
«D. JORGE DE MENESES» o marido traído, retirou-se, com os três filhos, para o «PALÁCIO DE TERRUGEM», de onde nunca mais saiu até ao seu falecimento.
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O «PALÁCIO FLOR DE MURTA» sofre alterações no ano de 1950 na compartimentação interna, tendo sido removidos painéis de azulejos (alguns deles terão passado a integrar o acervo do MUSEU DA CIDADE DE LISBOA).
Em 1973 sofreu outra intervenção com obras de demolição no interior do Palácio. Nos anos de 1993/1994 procede-se à reconstrução completa do interior do imóvel e registando-se o acréscimo de mais um piso.
Em 27 de Fevereiro de 2003 foram iniciadas neste Palácio as obras de construção de quatro pisos e duas caves, com a finalidade de ali ser implantado um Condomínio fechado, constituído por 74 apartamentos do tipo T0.
As fachadas exteriores do Palácio foram mantidas e reforçadas. Na parte de trás relacionado com o armazém e anexo, situado a Norte, irá ser implantada a zona de estacionamento, distribuído por duas caves, com entrada pela «RUA FRESCA».
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Tal como este Palácio, outro Palácio seiscentista, no início desta rua, no «LARGO DO DR. ANTÓNIO DE SOUSA MACEDO» entre as Travessas do «JUDEU» e do «ALCAIDE», teve o mesmo destino.
Trata-se do «PALÁCIO DOS CONDES DE MESQUITELA» onde nos anos 50 do século passado esteve instalada a «ESCOLA COMERCIAL D. MARIA I» de grandes recordações.
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(CONTINUA)-(PRÓXIMO)-«RUA DO POÇO DOS NEGROS - O NEGÓCIO E TRÁFEGO DE ESCRAVOS NA LISBOA QUINHENTISTA» (FINAL)



sábado, 26 de junho de 2010

RUA DO POÇO DOS NEGROS [ III ]

Rua do Poço dos Negros - (Depois de 1973) Fotógrafo não identificado (O Palácio Flor da Murta com mais um piso) in SENHORES DE ALCONCHEL
Rua dos Poço dos Negros - (1959) - (Armando Serôdio) (Pedra de armas colocada no cunhal do Palácio Flor da Murta, na Rua do Poço dos Negros esquina com a Rua de S. Bento) in AFML

Rua do Poço dos Negros - (1958) Foto de Armando Serôdio (Palácio Flor da Murta na Rua do Poço dos Negros esquina com a Rua de S. Bento) in AFML


Rua do Poço dos Negros - (194_) Foto de Horácio Novaes (Palácio Flor da Murta do século XVII) in AFML

Rua do Poço dos Negros - (entre 1898 e 1908) - Fotógrafo não identificado (Palácio Flor da Murta) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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RUA DO POÇO DOS NEGROS [ III ]
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«PALÁCIO FLOR DA MURTA ( 1 )»
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O «PALÁCIO FLOR DA MURTA» situa-se na «RUA DO POÇO DOS NEGROS» fazendo esquina com a «RUA DE SÃO BENTO».
A origem deste nome poderá ter começado na casa nobre que no século XVI pertencia aos «PEREIRA FARIA», senhores de «ALCONCHEL». Pelo casamento «D. GUIOMAR DE FARIA» com «D. JORGE DE MENESES» estes passaram a representar a Casa Flor da Murta.
Noutra versão essa primitiva casa nobre terá sido integrada no século XVII no Morgado da Terrugem, instituído em 1681 por «PEDRO JACQUES DE MAGALHÃES», 1º Visconde da Fonte Arcada, que casou em segundas núpcias com «D. MARIA VICÊNCIA DE VILHENA» e dela teve «D. MADALENA DE VILHENA». Esta, casando por sua vez com «D. ANTÓNIO DE MENESES DE SOTTO MAYOR», Morgado de SOUSA, terá trazido para os «MENESES» (de Cantanhede) o Palácio que habitavam no século XVIII, época em que parece ter sido colocado no sólido cunhal do ângulo do edifício a pedra de armas dos «PEREIRA FARIA», de «ALCONCHEL», que ainda se lá existe.
No cunhal do Palácio a Sudoeste existe uma pedra de armas dos «PEREIRA FARIA» de «ALCONCHEL»: centrada pelo brasão dos «SOUSAS DO PRADO» (leões rampantes de CASTELA e quinas de PORTUGAL) esquartelado pelos brasões dos «PEREIRAS» (cruz de prata florenciada), CASTROS (6 arruelas de ouro), BARBOSAS (3 crescentes em orla entre 2 leões) e FARIAS (castelo de 5 flores-de-lis).
O edifício, reedificado no século XVI, sofreu restauros no século seguinte e foi pouco afectado pelo Terramoto de 1755.
Possuía jardins com uma fonte monumental de espaldar e nela uma carranca de BACO. Em 1890, tendo o Palácio sido tomado de arrendamento pela firma «STREET & Cª.», que lá permaneceu até 1920, esta construiu no espaço dos jardins, oficinas, depois substituídas por uma garagem.
Este Palácio possuía também uma capela de invocação a «NOSSA SENHORA DE MONSERRATE», forrada a azulejos setecentista, encerrada ao culto em 1914 e despojada dos seus pertences.
De um só andar, o Palácio tinha, na fachada poente voltada para a «RUA DE S. BENTO» (que nesse troço se chegou a chamar "RUA FLOR DA MURTA"), seis janelas de sacada com varões e o portal da extinta capela de cantaria com tímpano aberto.
Na fachada Sul do «PALÁCIO FLOR DA MURTA» voltada para a «RUA DO POÇO DOS NEGROS», que foi prolongada no início do século XIX para nascente, tinha 15 janelas de sacada e, no corpo central, mais elevado, a entrada nobre com moldura de cantaria e cinco janelas de peitoril.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) «RUA DO POÇO DOS NEGROS [ IV ] - PALÁCIO FLOR DA MURTA ( 2 )».