quarta-feira, 18 de agosto de 2010

RUA DAS FLORES [ II ]

Rua das Flores - (2008) Foto de APS (Parte Norte da Rua das Flores, vendo-se à direita a vedação que protege a rampa da saída de viaturas do Parque Subterrâneo da Praça Luís de Camões) in ARQUIVO/APS
Rua das Flores - (2009) Foto de Manuel António Delgado Nevado ( Uma vista da Rua das Flores com o TEJO ao fundo) in PANORAMIO

Rua das Flores - (2008) - Foto de APS (Rua das Flores junto ao Largo Barão de Quintela) in ARQUIVO/APS


Rua das Flores, 113 a 119 - (196_) Foto de João H. Goulart (Rua das Flores no seu final junto à Praça Luís de Camões) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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RUA DAS FLORES [ II ]
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«A RUA DAS FLORES (2)»

Diz-nos o mestre olisipógrafo «A.VIEIRA DA SILVA» no seu livro «AS MURALHAS DA RIBEIRA DE LISBOA», que em 1502 o nosso rei «D. MANUEL I» começou por fazer doação do chão e salgado da praia de «CATA-QUE-FARÁS» a vários particulares, para neles poderem construir casas. Já anteriormente existia aí uma rua, que corresponde sensivelmente à actual «RUA DO LARGO DO CORPO SANTO», e que primeiramente se chamou «RUA DE CATA-QUE-FARÁS» (1), ou «RUA DIREITA DE CATA-QUE-FARÁS» (2), mais tarde «RUA DIREITA DE SÃO PAULO», para o «CORPO SANTO» (3), ou segundo o Tombo de 1755: «RUA DIREITA DO CORPO SANTO» (4).
Esta rua tinha no seu lado Sul, no início do século XVI, um parapeito ou parede em que batia o mar (5).
No início do século XVI foram-se definindo as ruas abertas no novo aterro, para poente do «LARGO DO CORPO SANTO»; a denominação de «CATA-QUE-FARÁS» aparece em 1755 apenas como nome de uma CALÇADA (6). Depois do Terramoto foi dado o mesmo nome à Travessa em escadaria que vai da «RUA DO ALECRIM» para a «RUA DAS FLORES». Esta última recordação desapareceu em 1866 (7), pela troca do nome da Travessa de «CATA-QUE-FARÁS» em «TRAVESSA DO ALECRIM» (8).
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Existiu na «RUA DAS FLORES» em 1942 num quarto alugado, uma exposição improvisada, local que serviu de atelier a alguns ex-alunos da Escola de Arte Decorativa ANTÓNIO ARROIO, quase todos recentemente inscritos na «ESCOLA DE BELAS-ARTES DE LISBOA». Entre os participantes encontrava-se «FERNANDO AZEVEDO», «JÚLIO POMAR», «MARCELINO VESPEIRA», «JOSÉ MARIA GOMES PEREIRA» (este último foi depois arquitecto e abandonou a pintura).
Esta era a primeira exposição publica dos artistas da terceira geração moderna na modesta «RUA DAS FLORES» nos anos da II Guerra Mundial. O acontecimento atraiu algumas figuras que frequentavam «A BRASILEIRA», como «ALMADA NEGREIROS», «ANTÓNIO DACOSTA» e «JOÃO COUTO».
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O «PARQUE DE ESTACIONAMENTO SUBTERRÂNEO NA PRAÇA LUÍS DE CAMÕES» de cinco pisos, com entrada de viaturas pela «PRAÇA LUÍS DE CAMÕES» fazendo-se a sua saída pela «RUA DAS FLORES» que lhe retira metade do seu espaço, no topo desta rua.

(1) - Estremadura, livro II, fl. 134 V, ano 1501 - Estatística de Lisboa, 1522 ms. da Biblioteca Nacional de Lisboa, B-11-10, fl. 102V.

(2) - Chancelaria de D. João III, livro LXV, fl. 95, ano 1556 - Sumario, etc. por C. Rodrigues de Oliveira, Ed. de 1755, pag. 19.

(3) - Corografia Portuguesa etc., pelo Pª. A. Carvalho da Costa, Tomo III, 1712, pág. 235.

(4) - Bairro dos Remolares, 1755, fl. 37.

(5) - Estremadura, Livro II, fl. 95V, ano 1501 - idem, livro I, fl. 151V, ano 1501 - idem fl. 134 e Chancelaria de D. Manuel livro IV, fl. 29, ano 1501.

(6) - Bairro dos Remolares, 1755, fl. 80.

(7) - Edital da Câmara, de 31 de Dezembro de 1885.

(8) - Para ocidente de CATA-QUE-FARÁS pode ver-se na «A RIBEIRA DE LISBOA» de J. Castilho, 1893. Livro IV, e também uma monografia sobre os Remolares, por Gomes de Brito, 1899. Ai se estuda o aparecimento da denominação REMOLARES, a sua substituição por CATA-QUE-FARÁS, o sítio a que foi dada, e algumas Ruas do bairro conhecido pela mesma designação.

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DAS FLORES [ III ] - O LARGO DOS STEPHENS E O BECO DOS APÓSTOLOS»


sábado, 14 de agosto de 2010

RUA DAS FLORES [ I ]

Rua das Flores - (2008) Foto de APS (Placa toponímica da Rua das Flores) in ARQUIVO/APS
Rua das Flores - (2008) Foto de APS (Rua das Flores vista da parte Norte) in ARQUIVO/APS

Rua das Flores - (2000) (Lamploo2000) (Um troço da Rua das Flores) in SKYSCRAPERCITY
Rua das Flores - (1940) Desenho do Engº A. Vieira da Silva (Estampa I de "MURALHAS DA RIBEIRA DE LISBOA" - 3ª Ed. - Volume I) (O traçado e dizeres a preto corresponde à actualidade, a vermelho representa o sítio antes do Terramoto de 1755) in PUBLICAÇÕES CULTURAIS DA CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA.
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RUA DAS FLORES [ I ]
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«A RUA DAS FLORES ( 1 )»
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A «RUA DAS FLORES» pertence a duas freguesias.
À freguesia de «SÃO PAULO» do número um a vinte e nove, e do número dois a trinta e dois. À freguesia da «ENCARNAÇÃO» do número trinta e um e do número trinta e quatro em diante.
Começa na «RUA DE SÃO PAULO» no número 58 e termina na «PRAÇA LUÍS DE CAMÕES» no número 5.
A «RUA DAS FLORES» é atravessada pela «RUA DO ATAÍDE» e de Sul para Norte está ligada à «TRAVESSA DO ALECRIM»no seu lado direito e pelo «LARGO DOS STEPHENS» no seu lado esquerdo. Mais um pouco para cima e do mesmo lado encontramos o «BECO DOS APÓSTOLOS» (ver mais aqui). No número 65 desta rua começa a «TRAVESSA DE GUILHERME COSSOUL» antiga (TRAVESSA DO SEQUEIRO DAS CHAGAS) e imediatamente a seguir o «LARGO BARÃO DE QUINTELA» que fica entre a «RUA DAS FLORES» e a «RUA DO ALECRIM», o que resta da rua, para Norte, finaliza na «PRAÇA LUÍS DE CAMÕES».
Embora se desconheça a data exacta deste topónimo, sabe-se que a «RUA DAS FLORES» já existia antes do Terramoto de 1755.
A «RUA DAS FLORES» era a continuação da «TRAVESSA DO CONDE» com início nessa época, no espaço onde hoje se cruza a «RUA DO ATAÍDE» e encaminhava-se (tal como hoje) para Norte. (Ver mais detalhado no mapa do Engº A. Vieira da Silva, aqui publicado).
A «TRAVESSA DO CONDE» por sua vez estava ligada à «CALÇADA DE CATA-QUE-FARÁS» e esta convergia com a antiga «RUA DIREITA DE SÃO PAULO», hoje «RUA DE SÃO PAULO».

A possível interpretação da «CALÇADA DE CATA-QUE-FARÁS» é citada em finais do século XV em documento anterior a 1493, indicando a ordem de como haviam de desfilar os ofícios da Cidade na festa do «CORPO DE DEUS», onde figuravam "os pescadores de Cata-que-farás". Não se sabe qual a origem e o significado deste nome tão vetusto nesta localidade. Sabemos que se tratava de uma artéria em forma mais ou menos de meio círculo, que nascia onde hoje podemos encontrar o «LARGO DOS STEPHENS», obliquava num largo, e dava a parte de cima à «TRAVESSA DO CONDE», atravessava o lugar onde se ergue esse grande quarteirão, entre as actuais «TRAVESSA DO ALECRIM» e a «RUA DO ATAÍDE», para vir findar no topo da antiga «RUA DO CONDE» actual «RUA DO ALECRIM». Neste traçado de meio circulo ficava ligada nas extremidades por uma serventia de nome «CALÇADINHA DA PACIÊNCIA».
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DAS FLORES [ II ] - A RUA DAS FLORES (2)».




quarta-feira, 11 de agosto de 2010

AVENIDA 24 DE JULHO [ XI ]

Avenida 24 de Julho - (1833) (Honoré Daunier) (Caricatura representando D.PEDRO IV e D. MIGUEL a brigar pela Coroa Portuguesa - joguetes das potencias da época) in WIKIPÉDIA
Avenida 24 de Julho - (1830) - (Pintura de Simplício Rodrigues de Sá) (Museu Imperial de PETRÓPOLIS)(D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal) in PEREGRINA CULTURAL

Avenida 24 de Julho - (1828?) (D. Miguel ano da sua aclamação como "REI ABSOLUTO") in TEMPO QUE PASSA


Avenida 24 de Julho - (2008) Foto de APS - (DUQUE DA TERCEIRA na Praça com o mesmo nome junto da Avenida 24 de Julho) in ARQUIVO/APS

Avenida 24 de Julho - (2009) Fotógrafo não identificado (Ortofoto da zona da Avenida 24 de Julho) in SKYSCRAPERCITY
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(CONTINUAÇÃO)
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AVENIDA 24 DE JULHO [ XI ]
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«AS LUTAS LIBERAIS»
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Este topónimo da «AVENIDA 24 DE JULHO» está relacionado com um episódio importante na história portuguesa. A luta pelo Liberalismo entre «D. PEDRO IV» e seu irmão «D. MIGUEL», um dos momentos mais dramáticos da nossa história (a Guerra Civil de 1828 a 1834), que opôs as tropas Absolutistas de «D. MIGUEL» contra as forças Liberais de seu irmão «D. PEDRO IV».
Em «24 DE JULHO DE 1833» as tropas Liberais de «D. PEDRO IV» comandadas pelo «DUQUE DA TERCEIRA»(ver mais aqui) (António José Sousa Manuel de Menezes Severim de Noronha), entraram vitoriosamente em LISBOA, tendo desembarcado no ALGARVE e atravessado o ALENTEJO sem dispararem um tiro.
As tropas de «D. MIGUEL» tinham abandonado a cidade de madrugada. Assim, a Capital do país é libertada das tropas absolutistas, antecipando o que iria acontecer no ano seguinte (1834), a vitória definitiva do Liberalismo em Portugal e o exílio de «D. MIGUEL».
Recuemos um pouco a outros acontecimento relevantes.
Com a morte de seu pai «D. JOÃO VI» rei de Portugal em (1826), existiu a ideia da reunificação das duas coroas, PORTUGAL e BRASIL. Tendo sido «D. PEDRO» deserdado, houve necessidade de a regente infanta «D. ISABEL MARIA» nomeá-lo IMPERADOR DO BRASIL como seu sucessor.
Neste mesmo ano de 1826, «D. PEDRO» tornava-se também, rei de Portugal com o título de «D. PEDRO IV» (ver mais aqui). Como a Constituição Brasileira de (1824) não lhe autorizava que governasse dois países, abdicou um mês depois da coroa portuguesa em favor de sua filha menor «D. MARIA DA GLÓRIA» que futuramente seria a rainha «D. MARIA II» de Portugal. No tempo da sua menor idade seu tio «D. MIGUEL» foi nomeado regente do trono de Portugal, tendo sido acordado que o casamento entre «D. MIGUEL» e a sobrinha, deveria ser realizado.
Mas no ano de 1828 as «CORTES PORTUGUESAS» aclamaram «D. MIGUEL», como REI DE PORTUGAL. Desrespeitado o compromisso assumido, fez-se aclamar «REI ABSOLUTO».
Em 1831 «D. PEDRO» decide regressar a Portugal, para ajudar a sua filha e o trono de Portugal, abdicando da coroa no Brasil e junta-se aos Liberais nos Açores. Inicia-se, assim um período de «GUERRA CIVIL», entre «LIBERAIS e ABSOLUTISTAS», que vai durar cerca de dois anos.(FINAL)

BIBLIOGRAFIA
ARAÚJO, Norberto de - 1993 - 2ª edição - Peregrinações em Lisboa Livro XIII - LISBOA VEGA.
LISBOA RIBEIRINHA - 1994 - Arquivo Municipal - Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa - Expo´94 - Lisboa94 - Livros Horizonte.
MATTOSO, José - 1993 - História de Portugal - Círculo dos Leitores Volume V - Lisboa
SANTANA, Francisco e SUCENA, Eduardo - 1994 Dicionário da História de Lisboa.
ZUQUETE, Afonso Eduardo Martins - 1961 - Nobreza de Portugal e do Brasil- Volume III - Representações Zairol - Lisboa.
BLOGUES E SITES
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(PRÓXIMO) - «RUA DAS FLORES [ I ] - A RUA DAS FLORES(1)»

sábado, 7 de agosto de 2010

AVENIDA 24 DE JULHO [ X ]

Avenida 24 de Julho - (entre 1930 e 1939) Fotógrafo não identificado (Palácio de Óbidos-Sabugal, actual sede da Cruz Vermelha Portuguesa, virada para a Avenida 24 de Julho) in AFML
Avenida 24 de Julho - (2009?) Fotógrafo não identificado (Placa toponímica da Escadaria que liga o Jardim 9 de Abril e Janelas Verdes à Avenida 24 de Julho) in MARCAS DAS CIÊNCIAS E DAS MARCAS

Avenida 24 de Julho - (ant. 1958) Foto de Eduardo Portugal (Palácio Óbidos-Sabugal - Rocha do Conde de Óbidos e passagem de nível para a Gare Marítima) in AFML


Avenida 24 de Julho - (1880-1940) Fotógrafo não identificado (Colecção Seixas) - Rocha do Conde de Óbidos in LISBOA RIBEIRINHA
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(CONTINUAÇÃO)
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AVENIDA 24 DE JULHO [ X ]
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«PALÁCIO DOS CONDES DE ÓBIDOS - CRUZ VERMELHA PORTUGUESA (2)»
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Este palácio esteve arrendado à «LEGAÇÃO DA ESPANHA» e ao «CLUBE INGLÊS». Com a instalação da «CRUZ VERMELHA PORTUGUESA» foram necessárias obras entre 1934 e 1947, embora já em 1927 tivesse sofrido grandes transformações: os dois portões de ferro, que davam entrada ao pátio ajardinado, desapareceram para no lugar ser construído um muro com gradeamento.
Abriram-se duas novas entradas no muro alto do Palácio, do lado do «JARDIM 9 DE ABRIL», com portões de ferro. O referido pátio, em declive, a partir da «RUA PRESIDENTE ARRIAGA», foi em 1934 dividido em dois terraplanos: as fachadas restauradas e abertas novas janelas correspondentes às dependências que se construíram sobre o primitivo e alto «VESTÍBULO NOBRE», na entrada principal.
As salas, câmaras, átrios e a Capela foram renovados mais integralmente nas paredes e tectos, recebendo pinturas e adornos de materiais nobres, ajustando tanto quanto possível ao carácter seiscentista, tornando a história da «CASA ÓBIDOS-SABUGAL-PALMA», digna da benemerência a que foi destinada. É de notar também a toponímia foi alterada, não correspondendo, em todo, aos nomes actuais.
Existe presentemente no Palácio um serviço histórico-cultural apoiado por um «ARQUIVO HISTÓRICO», uma «FOTOTECA» e uma «BIBLIOTECA».
A «CRUZ VERMELHA PORTUGUESA» para rentabilizar o património Cultural e construído, conta com um «SERVIÇO DE ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DE EVENTOS».
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«ESCADARIA JOSÉ ANTÓNIO MARQUES»
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Encontra-se no «MUSEU-ESCOLA DE ARTES DECORATIVAS DA FUNDAÇÃO RICARDO ESPÍRITO SANTO» uma aguarela onde se pode observar as águas do Tejo junto da base do morro "ROCHA".
Em 1880, depois de longas negociações entre a «CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA» e a «CASA DE ÓBIDOS-SABUGAL» foi o «MORRO» ou «ROCHA» mandada dinamitar, e no espaço foi construído uma escada dupla, hoje chamada «ESCADARIA JOSÉ ANTÓNIO MARQUES», em homenagem ao fundador da «CRUZ VERMELHA PORTUGUESA», e que liga a «AVENIDA 24 DE JULHO» ao «JARDIM 9 DE ABRIL» e as ruas «DAS JANELAS VERDES» e «PRESIDENTE DE ARRIAGA». Os trabalhos de escavação e remoção do morro e rocha, como ainda a construção da escadaria foram dados como concluídos em 1882, porém, o nome de «ROCHA CONDE DE ÓBIDOS» continuou a fazer parte da toponímia lisboeta.
Diz-nos ainda sobre o assunto «NORBERTO DE ARAÚJO» nas suas «PEREGRINAÇÕES EM LISBOA» volume XIII página 91 o seguinte: (...) para dar lugar a uma nova muralha e escadaria da "ROCHA DO CONDE DE ÓBIDOS" (a actual foi construída em 1880-1882) e que é desviada do seu local actual mais para nascente, na rectificação que se fará do "JARDIM 9 DE ABRIL", (antigo das ALBERTAS), em cuja cêrca conventual foi construído".



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(CONTINUA)-(PRÓXIMO) - «AVENIDA 24 DE JULHO [ XI ] -AS LUTAS LIBERAIS» Final.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

AVENIDA 24 DE JULHO [ IX ]

Avenida 24 de Julho - (2009?) Fotógrafo não identificado (Palácio dos Condes de Óbidos actual Cruz Vermelha Portuguesa) in MARCAS DAS CIÊNCIAS E DAS TÉCNICAS.
Avenida 24 de Julho - (2009?) Fotógrafo não identificado (Entrada do Palácio dos Condes de Óbidos, actual Cruz Vermelha Portuguesa) in MARCAS DAS CIENCIAS E DAS TÉCNICAS

Avenida 24 de Julho - (1981) Foto de F. Gonçalves (Gabinete de Implementação de Transportes da Área de Lisboa-Palácio Óbidos-Sabugal-Posto de Turismo e Cruz Vermelha Portuguesa, virados a Avenida 24 de Julho) in AFML


Avenida 24 de Julho - (1935-05) Foto de Eduardo Portugal (Avenida 24 de Julho, junto da Rocha do Conde de Óbidos) in AFML .
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(CONTINUAÇÃO)
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AVENIDA 24 DE JULHO [ IX ]
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«PALÁCIO DOS CONDES DE ÓBIDOS - CRUZ VERMELHA PORTUGUESA(1)»
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O «PALÁCIO DOS CONDES DE ÓBIDOS» foi mandado construir no segundo quartel do século XVII, por «D. VASCO DE MASCARENHAS» 1º Conde de ÓBIDOS. Exerceu funções como «GOVERNADOR-GERAL DO BRASIL», «VICE-REI DO BRASIL» e «ALCAIDE-MOR DE ÓBIDOS».

Regressado ao reino em 1667 foi nomeado «ESTRIBEIRO-MOR» da Rainha «D. MARIA FRANCISCA ISABEL DE SABÓIA» (duas vezes rainha da Portugal), cargo que desempenhou até à sua morte em 1678.

Este Palácio foi construído sobre uma «ROCHA» ou «ROCHEDO» sobranceiro ao Rio TEJO, motivo pelo qual o sítio é chamado de «ROCHA CONDE DE ÓBIDOS». Hoje o Palácio fica a "olhar" lá de cima, para a «AVENIDA 24 DE JULHO».

A «SOCIEDADE PORTUGUESA DA CRUZ VERMELHA» adquiriu o Palácio em 1919 (por 65 contos), ao último proprietário do imóvel «D. PEDRO DE MELO D'ASSIS MASCARENHAS», 11º Conde de ÓBIDOS, 12º Conde de PALMA e 11º Conde do SABUGAL, nasceu a 05.08.1874 e faleceu solteiro a 10.09.1947.

Conforme a existência de uma escritura celebrada em 30 de Junho de 1919, feita no notário (ao tempo Tabelião) «ALFREDO MAY D'OLIVEIRA», na «RUA DOS SAPATEIROS» (Arco do Bandeira) número 104-1º em Lisboa, entre «D. PEDRO DE MELO» e o general «JOAQUIM JOSÉ MACHADO» como 8º Presidente da «CRUZ VERMELHA PORTUGUESA» em representação da Sociedade.

Transcrevemos do original a seguinte passagem: "Prédio urbano sito na Rua de S. Francisco de Paula, número 1 a 9, tornejando para o «JARDIM DAS ALBERTAS» para onde tem os números 1 a 3, freguesia de «SANTOS-O-VELHO», que constitui o «PALÁCIO DOS CONDES DE ÓBIDOS». Consta de casas nobres formando cave, rés-do-chão e em parte primeiro andar ao lado Sul, e rés-do-chão e em parte primeiro andar também ao lado Norte, pertencendo àquele lado o terreno da dita «ROCHA» e a Este um prédio com gradeamento e portões de ferro, (...) a Poente existe um edifício abarracado de garagem e quartos anexos com janelas que deitam para o pequeno logradouro ao Sul dele".

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «AVENIDA 24 DE JULHO [ X ] - PALÁCIO DOS CONDES DE ÓBIDOS - CRUZ VERMELHA PORTUGUESA(2)»



sábado, 31 de julho de 2010

AVENIDA 24 DE JULHO [ VIII ]

Avenida 24 de Julho - (2009) - (Políptico de S. VICENTE DE FORA, pintura do século XV, sendo a autoria atribuída a "NUNO GONÇALVES", representando a "ADORAÇÃO DE S. VICENTE" - MNAA) in ENCICLOPÉDIA
Avenida 24 de Julho - (2009) - Fotógrafo não identificado (Museu Nacional de Arte Antiga, Palácio de Alvor-Pombal do século XVII. Também conhecido pelo Museu das Janelas Verdes) in ENCICLOPÉDIA

Avenida 24 de Julho - (1975) Foto de Armando Serôdio (Escadas José António Marques junto da Cruz Vermelha, vendo-se o Edifício do MUSEU NACIONAL DE ARTE ANTIGA e a Avenida 24 de Julho em baixo) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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AVENIDA 24 DE JULHO [ VIII ]
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«MUSEU NACIONAL DE ARTE ANTIGA»
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Debruçado sobre a «AVENIDA 24 DE JULHO» com entrada principal pela «RUA DAS JANELAS VERDES», encontramos o «MUSEU NACIONAL DE ARTE ANTIGA» (ver mais aqui), popularmente conhecido por «MUSEU DAS JANELAS VERDES», instalado num palácio dos finais do século XVII (mandado edificar por um dos TÁVORAS), e num anexo cuja construção, terminada em 1940, integrou a pequena igreja do antigo «CONVENTO DE SANTO ALBERTO».
Este Museu, o primeiro do país pela importância do seu acervo, nasceu em 1884. Nessa altura, tinha colecções e responsabilidades teoricamente mais vastas, pois a sua primeira designação oficial foi «MUSEU NACIONAL DE BELAS-ARTES E ARQUEOLOGIA».
A génese das suas colecções situa-se porém bem mais cedo, na conjuntura da revolução liberal triunfante em 1834. É desse ano a abolição das Ordens Religiosas, que implicaria a passagem para o Estado de milhares de objectos artistícos até então propriedade dos Mosteiros.
As mais destacadas peças desse património foram encontradas e muito mal instaladas em Lisboa, no edifício do recém-extinto «CONVENTO DE S.FRANCISCO», passando a ser gerida por uma instituição entretanto criada - a "ACADEMIA DE BELAS-ARTES" (1836).
O êxito retumbante de uma exposição internacional, em 1883, determina a compra do «PALÁCIO DOS CONDES DE ALVOR», às «JANELAS VERDES» e consequente organização do «MUSEU NACIONAL DE BELAS-ARTES E ARQUEOLOGIA».
Com o advento da REPÚBLICA, as colecções que albergava dividem-se entre várias instituições e o «MUSEU NACIONAL DE ARTE ANTIGA» fica com a vocação de reunir, mostrar e estudar peças que vão, fundamentalmente, da «IDADE MÉDIA» ao início do século XIX. Para além do núcleo inicial oriundo dos Conventos extintos, as colecções do Museu tem-se alargado segundo vários processos.
Após a implantação da República dá-se uma importante incorporação de peças dos PALÁCIOS REAIS e das SÉS e PALÁCIOS EPISCOPAIS, neste último caso em virtude da lei da separação da IGREJA do ESTADO.
Peças oferecidas, legadas ou doadas por coleccionadores, peças em depósito por entidades públicas e privadas, bem como peças adquiridas directamente pelo MUSEU vêm-lhe acrescentando as colecções.
Reúne colecções de PINTURA PORTUGUESA do século XIX, PINTURA DE ESCOLAS EUROPEIAS do século XIV ao século XIX, OURIVESARIA PORTUGUESA do século XII ao século XVIII, OURIVESARIA FRANCESA do século XVIII (com o importante conjunto que é a Baixela Germaim), CERÂMICA PORTUGUESA do século XVI ao século XIX, ARTE NAMBAM, escultura religiosa do século XII ao século XVII (com um pequeno mas fundamental núcleo de esculturas clássicas), MOBILIÁRIO PORTUGUÊS do século XV ao século XIX, TAPEÇARIA EUROPEIA, tapetes persas e indianos.
Tudo isto completado por uma importante biblioteca especializada.
Revelando-se museologicamente ultrapassado, o interior do gigantesco anexo construído em 1940 é modificado nos anos de 1982 e 1983, sofrendo mais tarde várias alterações que permitissem uma instalação condigna do núcleo de pintura portuguesa.Em 1994 foram realizadas obras de infraestruturas e modificação de espaços no MUSEU, nomeadamente o alargamento da zona de exposição temporária, a reinstalação do «GABINETE DE DESENHO E ESTAMPAS» e dos serviços técnicos e administrativos, e ainda a criação de mais amplos serviços de apoio ao visitante.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMA) - «AVENIDA 24 DE JULHO [ IX ] - PALÁCIO ÓBIDOS-SABUGAL - CRUZ VERMELHA PORTUGUESA (1)».


quarta-feira, 28 de julho de 2010

AVENIDA 24 DE JULHO [ VII ]

Avenida 24 de Julho - (2010) Foto gentilmente cedida por Luís Miguel Correia (Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos) in SHIPS & THE SEA - BLOGUE DOS NAVIOS E DO MAR
Avenida 24 de Julho - (2010) Foto gentilmente cedida por Luís Miguel Correia (Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos) in SHIPS & THE SEA-BLOGUE DOS NAVIOS E DO MAR

Avenida 24 de Julho - (1943-1945) - (Almada Negreiros -1893-1970) (Tríptico de Almada na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos-Partida de emigrantes) in CARTA ESTRATÉGICA


Avenida 24 de Julho - (1943-1945) Painel de Almada Negreiros (Foto de Mário Novais (1926-1985) - Biblioteca de Arte - Fundação Caloutre Gulbenkian) (Painel na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos) in FLICKR

Avenida 24 de Julho (1943-1945) Painel de Almada Negreiros (Foto de Mário Novais (1926-1985) Biblioteca de Arte - Fundação Caloustre Gulbenkian - (Painel na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos) in FLICKR
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(CONTINUAÇÃO)
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AVENIDA 24 DE JULHO [ VII ]
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«GARE MARÍTIMA DA ROCHA DO CONDE DE ÓBIDOS»
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Construída entre 1945 e 1948 a «GARE MARÍTIMA DA ROCHA DO CONDE DE ÓBIDOS), destinada ao serviço de passageiros numa altura em que o movimento de paquetes era intenso, dispondo a Marinha Nacional nessa altura, um apreciável número de navios.
Trata-se de uma construção com estrutura de betão-armado e de linhas modernas, projectadas pelo arquitecto «PORFÍRIO PARDAL MONTEIRO», igualmente autor de muitos edifícios públicos no período do «ESTADO NOVO».
O primeiro andar era reservado aos passageiros, prevendo-se a ligação directa do seu amplo terraço, aos navios através de passadiços móveis, que nunca chegaram a ser construídos.
Compõe-se o edifício de dois corpos, constituindo um deles o vestíbulo principal, e o outro, uma nave alongada destinada à instalação de diferentes serviços para passageiros, ambos situados no primeiro andar.
O terraço ou varanda prolonga-se na direcção nascente para além do próprio edifício, por forma a poder receber mais que um navio simultâneamente.
Também para esta estação o arquitecto pediu a colaboração do pintor «ALMADA NEGREIROS», que executou uma série de murais envolvendo o grande vestíbulo.
Trata-se de cenas alusivas à actividade marítima, com uma forma modernista muito acentuada. As pinturas compõem-se de dois "tríptos". No primeiro, «ALMADA» desenvolve os temas «SALTIMBANCOS»; «VARINAS» e «PASSEIO DE BARCO». No segundo são representados «A PARTIDA»; «O TRABALHO DE CONSTRUÇÃO» e «O REGRESSO».
Ao contrário das pinturas da «ESTAÇÃO MARÍTIMA DE ALCÂNTARA», as diferentes figuras são aqui recortadas por vigoroso traço a negro, que dão à composição uma feição que nos faz lembrar o cubismo, assumindo o desenho um grande protagonismo.
Foi em razão da sua modernidade que os governantes da época mostraram o seu desagrado pelos murais de «ALMADA», tendo chegado a ser colocada a possibilidade da sua destruição. Deve-se a sua preservação à acção esclarecida e determinada do «DR. JOSÉ DE FIGUEIREDO», ao tempo director do «MUSEU NACIONAL DE ARTE ANTIGA» e personalidade bem vista pelo regime, que ousou defender publicamente a obra de «ALMADA NEGREIROS».
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Tendo sido praticamente extintas as carreiras regulares de passageiros com a concorrência do transporte aéreo, o movimento de paquetes no «PORTO DE LISBOA» resume-se aos navios de cruzeiro que o escalam sobretudo durante o Verão. É para acolher estes passageiros que a «ADMINISTRAÇÃO GERAL DO PORTO DE LISBOA», anunciou, em 1994, a modernização desta «ESTAÇÃO MARÍTIMA», dotando-a de todos os necessários serviços.
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No mês de Março de 2010 constou que vai encerrar como «GARE MARÍTIMA» para atracadouro de CRUZEIROS, dando lugar (como a vizinha Alcântara), a um terminal de contentores. Os serviços de Cruzeiros ficará assegurado no cais do «JARDIM DO TABACO» a «SANTA APOLÓNIA», tal como já vem acontecendo.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «AVENIDA 24 DE JULHO [VIII]-MUSEU NACIONAL DE ARTE ANTIGA»