quarta-feira, 8 de setembro de 2010

AVENIDA DA LIBERDADE [ I ]

Avenida da Liberdade (1879) (Plano da Avenida da Liberdade elaborado por FREDERICO RESSANO GARCIA) in OS PLANOS DA AVENIDA DA LIBERDADE E SEU PROLONGAMENTO
Avenida da Liberdade - (1905) Litografia de João Christino (Avenida da Liberdade cruzamento com a Rua Alexandre Herculano, podemos ver nos talhões as primitivas estátuas) (Suplemento ao Nº 488 do "Mala da Europa") in BIBLIOTECA NACIONAL DIGITAL

Avenida da Liberdade - (1883) (Estado das obras na Avenida da Liberdade) (Desenho do natural por "J. Christino", gravura reproduzida in "O OCIDENTE" (235) de 1 de Julho de 1883) in LISBOA DE FREDERICO RESSANO GARCIA


Avenida da Liberdade - (Gravura de Francisco Valença 1882-1958) Foto de Eduardo Portugal (Caricatura do PASSEIO PÚBLICO) in AFML



AVENIDA DA LIBERDADE [ I ]
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«A AVENIDA DA LIBERDADE ( 1 ) e PASSEIO PÚBLICO ( 1 )»
A «AVENIDA DA LIBERDADE» pertence a duas freguesias: «SÃO JOSÉ» e «CORAÇÃO DE JESUS».
À freguesia de «SÃO JOSÉ» pertencem os números 1 a 153 na parte ímpar. No lado par dos números 2 a 188.
À freguesia de «CORAÇÃO DE JESUS» os restantes números pares e ímpares.
Começa na «PRAÇA DOS RESTAURADORES» e acaba na «PRAÇA DO MARQUÊS DE POMBAL».
Tem na sua convergência as seguintes artérias: 3 PRAÇAS; 9 RUAS; 2 TRAVESSAS; 1 LARGO e Uma CALÇADA.
Ao percorrermos esta AVENIDA de SUL para NORTE, encontramos no seu lado direito a «RUA DOS CONDES»; «LARGO DA ANUNCIADA»; «RUA DAS PRETAS»; «RUA MANUEL DE JESUS COELHO»; «RUA BARATA SALGUEIRO»(Transversal) e «RUA ALEXANDRE HERCULANO»(Transversal).
No lado esquerdo igualmente de SUL para NORTE encontramos a «CALÇADA DA GLÓRIA»; «TRAVESSA DA GLÓRIA»; «RUA DA CONCEIÇÃO DA GLÓRIA»; «PRAÇA DA ALEGRIA»; «RUA DO SALITRE»; «TRAVESSA DA HORTA DA CERA»; «RUA JOSÉ CÉSAR MACHADO(antiga Travessa do Moreira)»; «RUA BARATA SALGUEIRO»(Transversal); «RUA ROSA ARAÚJO»; «RUA ALEXANDRE HERCULANO» (Transversal) e finaliza na «PRAÇA DO MARQUÊS DE POMBAL».
A «AVENIDA DA LIBERDADE» foi construída nos finais do século XIX sobre o antigo «PASSEIO PÚBLICO».
A sua extensão viria a ser bem maior que a daquele, indo ao encontro de um novo parque, no topo, cuja construção tinha em vista compensar o desaparecimento do «PASSEIO PÚBLICO».
Designado inicialmente «PARQUE DA LIBERDADE» mais tarde daria lugar ao «PARQUE EDUARDO VII».
Na parte SUL da AVENIDA foi construída a «PRAÇA DOS RESTAURADORES», consagrada à «LIBERDADE» de PORTUGAL face a ESPANHA, reconquistada e "restaurada" em 1640.
Por analogia a nova «AVENIDA» receberia também, o nome de «LIBERDADE».
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«PASSEIO PÚBLICO» (1)
Anterior ao Terramoto de 1755, tudo aquilo eram hortas. Sonhara no entanto, o «MARQUÊS DE POMBAL» e seus colaboradores, fazerem daquelas hortas de «VALVERDE» um sítio aprazível e ponto de atracção para os lisboetas.
Assim, o «PASSEIO PÚBLICO» começou a ser projectado entre 1764 e 1771, por altura do plano de reedificação da «BAIXA», constituindo a primeira expressão no país, do desejo de um parque público numa altura em que, justamente, começava a ser um equipamento frequentemente integrado na reconstrução das cidades europeias influenciadas pelos ideais das "LUZES".
Estes terrenos onde então se situavam, entre outras, as «HORTAS DA MANCEBIA» e «HORTA DA CERA» e em terrenos pertencentes ao «CONDE» depois «MARQUÊS» de «CASTELO MELHOR», vulgarmente conhecido por sítio de «VALVERDE», foram por isso expropriados, para aí ser construído e plantado o «PASSEIO DO ROSSIO», logo designado de «PASSEIO PÚBLICO», sendo o risco do arquitecto «REINALDO MANUEL».
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) «AVENIDA DA LIBERDADE [ II ] - O PASSEIO PÚBLICO ( 2 )»

sábado, 4 de setembro de 2010

RUA DAS FLORES [ VII ]

Rua das Flores - (1980) - Fotógrafo não identificado (Um troço da Rua das Flores) in A TRAGÉDIA DA RUA DAS FLORES
Rua das Flores,93 a 97 - (1971) Foto de João H. Goulart ( Rua das Flores junto do Largo do Barão de Quintela) in AFML

Rua da Flores (1980) - (Livro A TRAGÉDIA DA RUA DAS FLORES - Edição Ilustrada) in EMULE BRASIL


Rua das Flores, 71 a 91 - (s/d) Foto de Arnaldo Madureira (Rua das Flores e Largo do Barão de Quintela) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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RUA DAS FLORES [ VII ]


«A TRAGÉDIA DAS RUA DAS FLORES»

Na bibliografia de «EÇA DE QUEIROZ» encontramos uma obra passada num terceiro andar desta rua, mais tarde aparece editada em 1980, intitulada «A TRAGÉDIA DA RUA DAS FLORES», que nas palavras do próprio autor, "trata-se de um incesto involuntário". Vamos resumir um pouco o conteúdo da obra.
A tragédia é, assim, a história de um amor fatal. "O estudo psicológico de uma paixão mórbida, das suas causas remotas e das suas consequências trágicas".
«JOAQUINA DA EGA» (que mais tarde se virá a saber chamar-se "GENOVEVA", natural da «GUARDA», casada com «PEDRO DA EGA», vivia em LISBOA. Mas, logo após o nascimento do filho, abandona este e o marido para fugir com um emigrado espanhol.
Em ESPANHA, torna-se cortesã. Entretanto, «PEDRO DA EGA» morre em «ANGOLA».
«JOAQUINA» casa-se depois com «MADAME de MOLINEUX», um velho senador, com quem vive em PARIS. Mas a queda do Bonapartismo, trazem-na de volta a Portugal, agora com «GOMES», um brasileiro, já que o senador havia falecido. Faz-se, então, passar por «MADAME de MOLINEUX».
Em LISBOA, instala-se na «RUA DAS FLORES». Logo se envolve com «DÂMASO DE MAVIÃO», a quem irá explorar sem piedade. No entanto, apaixona-se por «VÍTOR», um jovem de 23 anos, bacharel em Direito.
Quando faz 40 anos repele «DÂMASO», planeando voltar para PARIS com «VÍTOR». O tio de «VÍTOR», «TIMÓTEO», o único detentor da trágica verdade, tenta acabar com a relação dos dois. Decide, então, contar toda a verdade a «GENOVEVA».
Ao saber que era amante do seu próprio filho, «GENOVEVA» atira-se da varanda de sua casa, na presença de «VÍTOR», que nunca chegaria a perceber tal atitude nem a saber a verdade.
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«VÍTOR» é o protagonista desta tragédia, bacharel em Direito, formado em «COIMBRA», exercia advocacia no escritório do «DR. CAMINHA».
Com 23 anos era um poeta romântico, republicano, profissionalmente revoltado e descontente. É um burguês apático e ridículo "sentia-se na vida como um homem errante que só vê diante de si portas fechadas".
Vivia com o tio «TIMÓTEO» na «RUA DE SÃO FRANCISCO» (actual) «RUA IVENS» no 3º andar, em LISBOA, pois a sua mãe tinha-o abandonado quando tinha apenas dois meses.
Envolve-se com «GENOVEVA» e propõe-se mesmo fugir com ela para PARIS, o que só não acontece porque «GENOVEVA» se suicida ao saber, pela boca do tio «TIMÓTEO», que «VÍTOR» é o filho que ela abandonara. «VÍTOR» é, assim, o exemplo típico do homem em tudo frustrado, destroçado pela fatalidade do destino o protótipo do "VENCIDO DA VIDA».
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Já em 1877-78 «EÇA DE QUEIROZ» tinha em projecto um romance (ou conto) de incesto mortal, neste caso entre mãe e filho, que ele apenas rascunhou e que só em (1980-1982) aparece editado em várias reconstituições, logo a seguir muito criticado, sob o título de «A TRAGÉDIA DA RUA DAS FLORES». ( 1 ) - [ FINAL]
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( 1 ) - (História da Literatura Portuguesa de António José Saraiva e Óscar Lopes - 1996 - 17ª Ed. Porto Editora).

BIBLIOGRAFIA
(obras consultadas)

ARAÚJO, Norberto de - 1993 - Peregrinações em Lisboa - Volume XIII - Vega - Lisboa.

Estátuas Portuguesas - Olhares de Pedra - 2004 - Global Notícias Publicações, SA.

FRANÇA, José-Augusto - 1966 - A ARTE EM PORTUGAL NO SÉCULO XIX - Volume I - Bertrand - LISBOA.

Lisboa Revista Municipal - ANO XLVIII- 2ª série - Nº 20- 2º Trimestre de 1987 - edição da Câmara Municipal de Lisboa.

SARAIVA, António José e LOPES, Óscar - 1996 - 17ª edição - HISTÓRIA DA LITERATURA PORTUGUESA - Porto Editora.

SILVA, A. Vieira da - AS MURALHAS DA RIBEIRA DE LISBOA - 1987 - 3ª Edição - Volume I e II - Publicações Culturais da Câmara Municipal de Lisboa.

INTERNET
(Blogues e SITES)

INFORMAÇÕES SOBRE LISBOA - CML.

MARCAS DAS CIÊNCIAS E DAS TÉCNICAS

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(PRÓXIMO) - «AVENIDA DA LIBERDADE [ I ] - A AVENIDA DA LIBERDADE (1) e PASSEIO PÚBLICO (1)»

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

RUA DAS FLORES [ VI ]

Rua das Flores - (Finais do século XIX) (Fotógrafo não identificado) (Eça de Queiroz) in WIKIPÉDIA
Rua das Flores - (s/d) Fotógrafo não identificado (Um retrato de Eça de Queiroz) in WIKIPÉDIA

Rua das Flores - (s/d) Fotógrafo não identificado (Eça de Queiroz) in WIKIPÉDIA

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(CONTINUAÇÃO)
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RUA DAS FLORES [ VI ]
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«UMA SÍNTESE DA BIOGRAFIA DE EÇA DE QUEIROZ»
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«EÇA DE QUEIROZ(1845-1900)»
Foi na PÓVOA DE VARZIM que, no dia 25 de Novembro de 1845, nasceu um dos maiores vultos da literatura portuguesa, filho do magistrado «JOSÉ MARIA DE ALMEIDA TEIXEIRA DE QUEIROZ» e de «CAROLINA AUGUSTA PEREIRA D'EÇA».
«JOSÉ MARIA EÇA DE QUEIROZ» foi entregue, ao nascer, aos cuidados da madrinha e ama, «ANA LEAL DE BARROSO», em VILA DO CONDE, e mais tarde aos avós paternos, em AVEIRO.

Aos dez anos foi como interno para o Colégio da LAPA, no PORTO, onde teve como professor de francês «RAMALHO ORTIGÃO», mais velho nove anos que ele, e com quem mais tarde partilharia a escrita das «FARPAS».
Em 1861 entrou na UNIVERSIDADE DE COIMBRA, de onde saiu em 1866 formado em DIREITO. Nos tempos de faculdade leu muito e conheceu «ANTERO DE QUENTAL» e «TEÓFILO DE BRAGA».
Em 1867 teve uma passagem pela direcção de um jornal da oposição, «O DISTRITO DE ÉVORA», onde desenvolveu a capacidade de despersonalização (escrevendo com quatro pseudónimos).

De regresso a LISBOA retomou a colaboração iniciada em 1866, na «GAZETA DE PORTUGAL», onde com os seus folhetins, deu início no mundo literário. Fez então, parte do «CENÁCULO» (com «BATALHA REIS», «SALOMÃO SARAGA», e «ANTERO», entre outros).
Em concurso para cônsul classifica-se em primeiro lugar. Participa nas «CONFERÊNCIAS DO CASINO-(1871)» e, em 1872, partiu para HAVANA como representante consular. Foi depois transferido para BRISTOL, INGLATERRA, onde permaneceu 14 anos, antes de ser transferido para PARIS (1888), cidade onde, no último ano do século XIX, viria a falecer.
Entre 1888 e 1893, aproveitou os regressos a Portugal para se reunir com o grupo dos "VENCIDOS DA VIDA".
«EÇA DE QUEIROZ» no «DIÁRIO DE NOTÍCIAS» em colaboração com RAMALHO no ano de 1870, publica em folhetins «O MISTÉRIO DA ESTRADA DE SINTRA». Iniciou-se no romance em 1876, com o notável «O CRIME DO PADRE AMARO», a que se seguiu «O PRIMO BASÍLIO», obra em que a cidade de LISBOA é o objecto da sua crítica irónica.
Em 1888 publicou «OS MAIAS», obra em que novamente faz a crítica literária, política e educacional da sociedade da época.
Ainda em 1888 iniciou-se a publicação da «REVISTA DE PORTUGAL» que «EÇA DE QUEIROZ» dirigiu. A ironia é o traço de união de uma multifacetada obra de ficção, crítica e jornalismo, que passa por romances, prefácios, colaboração em jornais e crónicas.

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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DAS FLORES [ VII ] - A TRAGÉDIA DA RUA DAS FLORES»

sábado, 28 de agosto de 2010

RUA DAS FLORES [ V ]

Rua das Flores - (2009) Foto de Dias dos Reis (Largo do Barão de Quintela, Palácio e estátua de Eça) in DIAS DOS REIS
Rua das Flores (1980) Fotógrafo não identificado (Largo do Barão de Quintela e Estátua de EÇA) in TRAGÉDIA DA RUA DAS FLORES

Rua das Flores ( 1965-03) Foto de Armando Serôdio ( Largo do Barão de Quintela ao fundo a Rua das Flores) in AFML


Rua das Flores - (1965-03) Foto de Armando Serôdio (Largo do Barão de Quintela, edifício onde estão instalados os Bombeiros Voluntários de Lisboa) in AFML

Rua das Flores - (ant. 1895) - Foto de Francisco Rochini ( Largo do Barão de Quintela antes da colocação da estátua de EÇA) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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RUA DAS FLORES [ V ]
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«LARGO DO BARÃO DE QUINTELA E PALÁCIO QUINTELA»
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LARGO DO BARÃO DE QUINTELA
O topónimo do «LARGO DO BARÃO DE QUINTELA» é o resultado da convergência entre a «RUA DAS FLORES» e a «RUA DO ALECRIM» (ver mais
aqui) pertencentes à freguesia da «ENCARNAÇÃO».
Este Largo terá a sua origem, após a terraplenagem, que possivelmente decorreu em finais do século XVIII, mandado executar por «JOAQUIM PEDRO QUINTELA» 1º Barão de Quintela. Nessa altura terá comprado uns casebres (entre a antiga «RUA DO CONDE» actual «RUA DO ALECRIM» e a «RUA DAS FLORES») que existiam frente ao seu Palácio.
O LARGO e JARDIM, cujo arranjo data do início do século XIX, demonstra-nos que sempre existiu dificuldades em tratar o problema do seu desnivelamento. Local discreto, com suas palmeiras decorativas, embelezado com a estátua a «EÇA DE QUEIROZ», iniciativa de homens de letras.
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PALÁCIO QUINTELA
Os terrenos onde está instalado este Palácio, pertenciam em 1521 à Câmara, que os aforou a «D. JORGE DE MELO». No ano de 1648 os terrenos eram arrematados na justiça por «D. AFONSO DE PORTUGAL», 4º Conde de Vimioso. Existia no século XVIII um Palácio na posse de outro VIMIOSO «D. FRANCISCO DE PORTUGAL», Marquês de Valença.
No ano de 1726 registou-se no Palácio um poderoso incêndio que o reduziu a ruínas. Em 1731, pelo desinteresse dos VIMIOSOS-VALENÇAS em reedificar, foram estas ruínas adquiridas por «ANDRÉ RODRIGUES DA COSTA BARROSO». No ano de 1777 eram comprados os terrenos e as ruínas pelo desembargador «LUIZ REBELO QUINTELA».
A construção do Palácio deu-se entre 1781 e 1782. Ampliado e muito enriquecido por «JOAQUIM PEDRO QUINTELA», 1º Barão de Quintela (1748-1817), sobrinho do desembargador.
Foi o 2º Barão de Quintela e 1º Conde de Farrobo que instituiu o «MORGADO DE FARROBO», também ele de nome «JOAQUIM PEDRO QUINTELA» (1801-1869) que revestiu o Palácio de uma ostentação pouco frequente em Lisboa.
O odioso general «JUNOT» no período da primeira invasão francesa, foi residente neste Palácio Quintela.
Após a ruína e sucessiva falência da «CASA QUINTELA-FARROBO» este Palácio foi vendido em haste-pública. O novo proprietário seria o capitalista «MENDES MONTEIRO» no início do último quartel do século XIX. O novo proprietário do Palácio seria o filho de «MENDES MONTEIRO» também ele grande capitalista de nome «ANTÓNIO CARVALHO MONTEIRO» a quem toda a Lisboa chamava o «MONTEIRO DOS MILHÕES». (O construtor da "QUINTA DA REGALEIRA" em Sintra).
Por morte do «MONTEIRO DOS MILHÕES» o Palácio foi entregue por partilha a uma sua filha, casada com «D. FRANCISCO DE ALMEIDA».
No anos de 1937 este Palácio (sem o seu recheio interior) foi quase na totalidade arrendado à «CASA LIQUIDADORA», antigo «BAZAR CATÓLICO», fundado em 1882.
Actualmente funciona neste espaço o «IADE-INSTITUTO DE ARTES VISUAIS, DESIGN E MARKETING».
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ASSEMBLEIA BRITÂNICA
Aquele quarteirão que se apresenta na parte Sul do «LARGO DO BARÃO DE QUINTELA», entre as ruas do «ALECRIM» e «DAS FLORES» no século XIX era ali a «ASSEMBLEIA BRITÂNICA».
O prédio, propriedade do «4º MARQUÊS DE MARIALVA» e «ESTRIBEIRO-MOR», «D. PEDRO JOSÉ ANTÓNIO DE MENESES», que em 1783 depois das obras que se realizaram, foi alugado por seiscentos mil reais anuais, a um grupo de homens de negócios da «NAÇÃO BRITÂNICA», representados por «JOÃO BERTHON», «DUARTE MARSHAL» e «JOÃO DIOGO STEPHENS».
Na construção do edifício foi acordado que teria 7 janelas para a «RUA DAS DUAS IGREJAS» (actual RUA DO ALECRIM), 6 janelas para a «TRAVESSA DE S. JOSÉ» ( 1 ) e também 7 janelas para a «RUA DAS FLORES».
Neste edifício há a distinguir, entre a frequência ordinária das «ASSEMBLEIAS» reservadas aos sócios, os grandes bailes sazonais, (com ceia), onde a nata da sociedade lisboeta não podia faltar.
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-( 1 ) - Artéria de ligação entre a «RUA DO ALECRIM» e a «RUA DAS FLORES», desapareceu quando, em finais do século XVIII, «JOAQUIM PEDRO QUINTELA» comprou os terrenos e barracas fronteiro ao seu Palácio, fez o terrapleno e doou à Câmara. O Largo assim formado que por isso recebeu o nome de «BARÃO DE QUINTELA», designação já em uso pelo menos desde finais de 1801-(Júlio Castilho ob. Cit. Vol. 2, pp 114-115 e Amanach... 1802, p. 441).
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Embora exista muita literatura sobre o «CONDE DE FARROBO», aconselho a obra de «JOSÉ NORTON» - «O MILIONÁRIO DE LISBOA» da editora D.QUIXOTE. Um bloguista como nós, mas com a história mais bem contada e desenvolvida sobre o homem que ajudou o liberalismo. Link- http://desunastidade.blogspot.com/ (O MILIONÁRIO DE LISBOA).
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) «RUA DAS FLORES [ VI ] SÍNTESE DA BIOGRAFIA DE EÇA DE QUEIROZ»


quarta-feira, 25 de agosto de 2010

RUA DAS FLORES [ IV ]

Rua das Flores - (2009) Fotógrafo não identificado (Réplica em bronze da autoria de António Teixeira Lopes) in MARCAS DAS CIÊNCIAS
Rua das Flores (Ant. 26.07.2001) Fotógrafo não identificado (Estátua da "VERDADE" em lioz do escultor "ANTÓNIO TEIXEIRA LOPES") in PESSOALISSIMO

Rua das Flores - (1980) Fotógrafo não identificado (Largo do Barão de Quintela e estátua de EÇA com a "VERDADE") in A TRAGÉDIA DA RUA DAS FLORES


Rua das Flores - (Post. 1903) Foto de Paulo Guedes - (A estátua da "VERDADE" ainda em pedra lioz, no início do século XX no Largo do Barão de Quintela) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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RUA DAS FLORES [ IV ]
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«ESTÁTUA DA "VERDADE"»
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Esta estátua concebida de acordo com os modelos do romantismo, inspira-se na frase "SOBRE A NUDEZ FORTE DA VERDADE O MANTO DIÁFANO DA FANTASIA", retirada da obra de «EÇA DE QUEIROZ» do livro «A RELÍQUIA».
«ANTÓNIO TEIXEIRA LOPES» o escultor, convoca a nossa atenção para a dinâmica existente entre o escritor e a respectiva obra. Realismo, descritivo e considerado um dos renovadores da prosa portuguesa, serve-se da imaginação para dar corpo a uma obra crítica, de forte pendor irónico a questionar continuamente os valores estabelecidos.
É pois na relação entre criador e obra que o escultor nortenho concebeu a peça, destinada a corresponder à vontade da homenagem, por parte de outros homens das letras.
Deste modo o autor de várias obras entre elas «A TRAGÉDIA DA RUA DAS FLORES» é representado na pedra com toda a fidelidade imagética, enquanto que a figura feminina, alegórica ao espírito criativo, sedutora e seduzida, impõe-se pelo naturalismo de tratamento e de grande sensualidade, em abandono ao seu "protector".
«ANTÓNIO TEIXEIRA LOPES» dá corpo à metáfora literária, representada na alegoria de um nu feminino e sensual, apenas parcialmente coberto por um panejamento transparente, de grande elegância e naturalista, contrasta com a interpretação realista da figura de «EÇA DE QUEIROZ».
«ESTÁTUA»
Original em lioz da autoria de «ANTÓNIO TEIXEIRA LOPES (filho)- (1866-1942)», inaugurada em 1903, no «LARGO DO BARÃO DE QUINTELA».
O original, alvo de constantes actos de vandalismo, foi removido para o «MUSEU DA CIDADE DE LISBOA» no «CAMPO GRANDE» no ano de 2001.
Para o seu lugar, veio uma réplica em bronze, no dia 26 de Julho de 2001.
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DAS FLORES [ V ] - LARGO DO BARÃO DE QUINTELA E PALÁCIO QUINTELA»


sábado, 21 de agosto de 2010

RUA DAS FLORES [ III ]

Rua das Flores - (2008) - Foto de APS (RUA DAS FLORES à esquerda entrada para o "BECO DOS APÓSTOLOS» in ARQUIVO/APS
Rua das Flores - (2008) Foto de APS (BECO DOS APÓSTOLOS, ao fundo a RUA DAS FLORES) in ARQUIVO/APS

Rua das Flores - (2008) Foto de APS (Rua das Flores tendo à nossa direita o «LARGO DOS STEPHENS» in ARQUIVO/APS


Rua das Flores - (2008) Foto de APS - Rua das Flores na parte Sul, à esquerda o «LARGO DOS STEPHENS» in ARQUIVO/APS
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(CONTINUAÇÃO)
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RUA DAS FLORES [ III ]
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«O LARGO DOS STEPHENS E O BECO DOS APÓSTOLOS»
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O «LARGO DOS STEPHENS», onde começara então aquela via «CATA-QUE-FARÁS», e resultado da reconstrução ortogonal Pombalina.
Rasgado paralelamente à «RUA DAS FLORES» muito mais a Sul, para a qual se abrem apenas três dos seus lados, são rematados com edifícios contemporâneos.
O topónimo que baptiza o LARGO está associado aos "filhos do industrial inglês «WILLIAM STEPHENS» que reformou as fábricas de vidros da «MARINHA GRANDE» em 1769".
Os irmãos «GUILHERME STEPHENS» e «JOÃO DIOGO STEPHENS» que residiam neste sítio, dispondo o primeiro da Administração das Fábricas de Vidros da «MARINHA GRANDE», e não tendo filhos, deixou como herdeiro e sucessor seu irmão «JOÃO DIOGO STEPHENS».
Inicialmente o topónimo surgiu no singular, homenageando apenas «JOÃO DIOGO STEPHENS» que, depois da sua morte, em 1826, sem descendência, e de acordo com o desejo de seu irmão e sócio; "legou à Nação Portuguesa, para servir como um Monumento do seu alto apreço e gratidão pelos favores e protecção que neste país lhe haviam sido concedidos (...) os edifícios e casas de habitação, e mais casas, herdades, terras, pomares, vinhas, jardins, engenhos de água, etc., na «MARINHA GRANDE», e ao que se pudesse dar o nome de fixo capital do seu tráfego de vidros" ( 1 ).
A injustiça desta homenagem no singular aparecia já desde finais do século XIX e era criticada, mas apenas só no século seguinte em 01.11.1939, seria reparada.
Diz-nos ainda o mestre «NORBERTO DE ARAÚJO» que no número um do prédio que esquina com o «LARGO STEPHENS» viveu, e morreu pobre, o grande pintor «COLUMBANO BORDALO PINHEIRO» em 06.11.1929.
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«O BECO DOS APÓSTOLOS»
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Igualmente o «BECO DOS APÓSTOLOS» (ver mais aqui) (sem saída), fica no lado esquerdo de quem sobe a «RUA DAS FLORES».
Segundo ainda «J.J. GOMES DE BRITO» em «RUAS DE LISBOA» "devem ter sido os Jesuítas que originaram o dístico a este BECO" pois que, quando estes apareceram em Portugal, por volta de 1540, alguns alojaram-se no «HOSPITAL DE TODOS-OS-SANTOS», empregando-se nos serviços de enfermagem. Dali saíram para as Capelas de «SÃO ROQUE», no sítio onde posteriormente se construiu a CASA PROFESSA, onde faziam as pregações, exercícios e práticas religiosas. Os seus admiradores aumentaram e começaram a chamar-lhes «APÓSTOLOS».
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- ( 1 ) - J.J. GOMES DE BRITO - RUAS DE LISBOA - VOLUME II - LISBOA - LIVRARIA SÁ DA COSTA - 1935 - Pagina 285.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DAS FLORES [ IV ] - A ESTÁTUA DA "VERDADE"».

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

RUA DAS FLORES [ II ]

Rua das Flores - (2008) Foto de APS (Parte Norte da Rua das Flores, vendo-se à direita a vedação que protege a rampa da saída de viaturas do Parque Subterrâneo da Praça Luís de Camões) in ARQUIVO/APS
Rua das Flores - (2009) Foto de Manuel António Delgado Nevado ( Uma vista da Rua das Flores com o TEJO ao fundo) in PANORAMIO

Rua das Flores - (2008) - Foto de APS (Rua das Flores junto ao Largo Barão de Quintela) in ARQUIVO/APS


Rua das Flores, 113 a 119 - (196_) Foto de João H. Goulart (Rua das Flores no seu final junto à Praça Luís de Camões) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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RUA DAS FLORES [ II ]
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«A RUA DAS FLORES (2)»

Diz-nos o mestre olisipógrafo «A.VIEIRA DA SILVA» no seu livro «AS MURALHAS DA RIBEIRA DE LISBOA», que em 1502 o nosso rei «D. MANUEL I» começou por fazer doação do chão e salgado da praia de «CATA-QUE-FARÁS» a vários particulares, para neles poderem construir casas. Já anteriormente existia aí uma rua, que corresponde sensivelmente à actual «RUA DO LARGO DO CORPO SANTO», e que primeiramente se chamou «RUA DE CATA-QUE-FARÁS» (1), ou «RUA DIREITA DE CATA-QUE-FARÁS» (2), mais tarde «RUA DIREITA DE SÃO PAULO», para o «CORPO SANTO» (3), ou segundo o Tombo de 1755: «RUA DIREITA DO CORPO SANTO» (4).
Esta rua tinha no seu lado Sul, no início do século XVI, um parapeito ou parede em que batia o mar (5).
No início do século XVI foram-se definindo as ruas abertas no novo aterro, para poente do «LARGO DO CORPO SANTO»; a denominação de «CATA-QUE-FARÁS» aparece em 1755 apenas como nome de uma CALÇADA (6). Depois do Terramoto foi dado o mesmo nome à Travessa em escadaria que vai da «RUA DO ALECRIM» para a «RUA DAS FLORES». Esta última recordação desapareceu em 1866 (7), pela troca do nome da Travessa de «CATA-QUE-FARÁS» em «TRAVESSA DO ALECRIM» (8).
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Existiu na «RUA DAS FLORES» em 1942 num quarto alugado, uma exposição improvisada, local que serviu de atelier a alguns ex-alunos da Escola de Arte Decorativa ANTÓNIO ARROIO, quase todos recentemente inscritos na «ESCOLA DE BELAS-ARTES DE LISBOA». Entre os participantes encontrava-se «FERNANDO AZEVEDO», «JÚLIO POMAR», «MARCELINO VESPEIRA», «JOSÉ MARIA GOMES PEREIRA» (este último foi depois arquitecto e abandonou a pintura).
Esta era a primeira exposição publica dos artistas da terceira geração moderna na modesta «RUA DAS FLORES» nos anos da II Guerra Mundial. O acontecimento atraiu algumas figuras que frequentavam «A BRASILEIRA», como «ALMADA NEGREIROS», «ANTÓNIO DACOSTA» e «JOÃO COUTO».
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O «PARQUE DE ESTACIONAMENTO SUBTERRÂNEO NA PRAÇA LUÍS DE CAMÕES» de cinco pisos, com entrada de viaturas pela «PRAÇA LUÍS DE CAMÕES» fazendo-se a sua saída pela «RUA DAS FLORES» que lhe retira metade do seu espaço, no topo desta rua.

(1) - Estremadura, livro II, fl. 134 V, ano 1501 - Estatística de Lisboa, 1522 ms. da Biblioteca Nacional de Lisboa, B-11-10, fl. 102V.

(2) - Chancelaria de D. João III, livro LXV, fl. 95, ano 1556 - Sumario, etc. por C. Rodrigues de Oliveira, Ed. de 1755, pag. 19.

(3) - Corografia Portuguesa etc., pelo Pª. A. Carvalho da Costa, Tomo III, 1712, pág. 235.

(4) - Bairro dos Remolares, 1755, fl. 37.

(5) - Estremadura, Livro II, fl. 95V, ano 1501 - idem, livro I, fl. 151V, ano 1501 - idem fl. 134 e Chancelaria de D. Manuel livro IV, fl. 29, ano 1501.

(6) - Bairro dos Remolares, 1755, fl. 80.

(7) - Edital da Câmara, de 31 de Dezembro de 1885.

(8) - Para ocidente de CATA-QUE-FARÁS pode ver-se na «A RIBEIRA DE LISBOA» de J. Castilho, 1893. Livro IV, e também uma monografia sobre os Remolares, por Gomes de Brito, 1899. Ai se estuda o aparecimento da denominação REMOLARES, a sua substituição por CATA-QUE-FARÁS, o sítio a que foi dada, e algumas Ruas do bairro conhecido pela mesma designação.

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