sábado, 18 de setembro de 2010

AVENIDA DA LIBERDADE [ IV ]

Avenida da Liberdade - (19__) (Litografia a cores) (Restauradores no início da Avenida da Liberdade) in LISBOA DE FREDERICO RESSANO GARCIA(1874-1909)
Avenida da Liberdade - (1911) (Levantado e desenhado sob a orientação de "JÚLIO ANTÓNIO VIEIRA DA SILVA PINTO" - Área entre a "PRAÇA MARQUÊS DE POMBAL" e a "RUA FERREIRA À LAPA") in LISBOA DE FREDERICO RESSANO GARCIA(1874-1909)

Avenida da Liberdade - (1911) (Levantado e desenhado sob a direcção de "Júlio António Vieira da Silva Pinto"- Área entre a "RUA ALEXANDRE HERCULANO", "AVENIDA DA LIBERDADE" e "RUA DE S. JOSÉ". in LISBOA DE FREDERICO RESSANO GARCIA (1874-1909).


Avenida da Liberdade - (189_) (Planta de arborização da Avenida da Liberdade) in LISBOA DE FREDERICO GARCIA (1874-1909)
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(CONTINUAÇÃO)
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AVENIDA DA LIBERDADE [ IV ]
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«A AVENIDA DA LIBERDADE ( 2 )»
Quem hoje passa pela «AVENIDA DA LIBERDADE», normalmente muito apressado, ao volante de um carro, atento aos semáforos e aos outros condutores, preocupado em chegar o mais breve possível à «ROTUNDA DO MARQUÊS» ou aos «RESTAURADORES», entenderá que esta artéria faz parte dos "nossos encantos".
Igualmente se aplica a quem passe, fechado em qualquer transporte que leve gente de sobra. E nem se põe o problema aos que só percorrem aquele trajecto debaixo do chão, no Metropolitano.
No entanto, nenhuma RUA desta CAPITAL foi tão defendida por uns e odiada por outros, logo antes de nascer; nenhuma obteve depois tanta unanimidade; nenhuma desempenhou e desempenha um papel de «AVENIDA NOBRE» e de passeio obrigatório.
Faz aproximadamente 124 anos e cinco meses, eram convidados os alfacinhas e forasteiros a visitarem a inauguração de uma nova artéria da Capital.
A «AVENIDA DA LIBERDADE» era descrita na época, como um longo vale, mostrando-se ampla, larga, ligeiramente em declive, limitada a NORTE pelo futuro «PARQUE DA LIBERDADE» (mais tarde) «PARQUE EDUARDO VII» a SUL pelos «RESTAURADORES» e lateralmente pelas encostas ou colinas com algumas construções.
Esta «AVENIDA» contando então poucos anos de vida (foi inaugurada em 28 de Abril de 1886), tinha-se já tornado uma importante via de comunicação.
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O panorama oferecido na última década do século XIX, era aquele que muitos ainda conheceram: grande número de árvores, canteiros de verdura, ladeada de belas casas, algumas das quais com arquitectura caprichosa, formando o seu todo um dos mais atraentes e assíduos locais de passeio de LISBOA.
Desse conjunto de qualidade nasceu um hábito bem alfacinha e que se manteve enquanto o trânsito o permitiu: "fazer a Avenida".
Consistia esta tradição no passatempo inofensivo de subir e descer aquela artéria, a pé, a cavalo ou num elegante trem, transformando-se a «AVENIDA» em "picadeiro" humano ou em passagem de modelos. De Inverno, o movimento começava pelas três e meia da tarde, no Verão uma hora mais tarde, e em qualquer caso continuava até ao pôr do Sol.
Era o momento mais oportuno para se mostrarem as belas equipagens, as excelentes montadas ou, mais simplesmente, o último modelo das mais famosas modistas do CHIADO.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «AVENIDA DA LIBERDADE [ V ] -A AVENIDA DA LIBERDADE (3)».




quarta-feira, 15 de setembro de 2010

AVENIDA DA LIBERDADE [ III ]

Avenida da Liberdade - (Século XIX) Litografia Colorida de George Vivian (O Passeio Público) em exposição no Museu da Cidade in AFML
Avenida da Liberdade - (ant. 1879) Foto de José Artur Leitão Bárcia (Passeio Público, Pavilhão, Lago e Terraço da entrada Norte) in AFML

Avenida da Liberdade - (Desenho) Estúdios Mário Novais (Circo Prince, demolido para a abertura da Avenida da Liberdade) in AFML




(CONTINUAÇÃO)
AVENIDA DA LIBERDADE [ III ]
«O PASSEIO PÚBLICO ( 3 )»
No coreto executavam belos trechos musicais, por bandas militares, e foi a esplêndida orquestra, dirigida magistralmente por «M.me Josephine Amman», que fez furor e atraiu selecta concorrência à audição dos seus concertos.
Também havia ali barracas onde vendiam rifas em favor dos asilos de beneficência, cafés chiques e outros divertimentos. Nessas noites era a entrada paga. A principio manteve-se bem aquela diversão. A sociedade mais escolhida entrava no recinto, e em volta das grades, pelas ruas exteriores, aglomeravam-se espectadores populares para ouvirem a música e desfrutarem do fogos-de-artifício. Pouco a pouco foi entrando por ali a desmoralização, e as famílias começaram a retrair-se.
Afinal as grades do passeio foram derrubadas, com protesto de muita gente que se não conformava com a "profanação" do seu favorito jardim.
As noites do «PASSEIO PÚBLICO», a principio muito bem concorrido e por fim essencialmente monótonas, foram substituídas por outras iluminações.
Nos últimos anos as empresas não ganharam o suficiente, à excepção dos «RECREIOS MITHOYNE», onde o público encontrava variadas distracções.
Assim durante mais de cem anos o «PASSEIO PÚBLICO» fez parte da vida social de uma LISBOA pacata que lá ia mostrar a menina casadoira, ou a última "Toilette" ou, mais singelamente, ouvir música.
«EÇA DE QUEIROZ», sobretudo em «O PRIMO BASÍLIO», é o cronista por excelência deste espaço antecessor da «AVENIDA DA LIBERDADE».
E se subirmos ao jardim de «SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA» ainda lá podemos encontrar resquícios do «PASSEIO PÚBLICO», no pequeno tanque que orna o jardim.
Também deste velho «PASSEIO PÚBLICO» ainda existem vestígios ornamentais na «AVENIDA DA LIBERDADE». Referimo-nos às estátuas do «TEJO» e do «DOURO» integrados nos lagos da Avenida. As representações alegóricas aos rios, são da autoria do escultor do século XVIII «ALEXANDRE GOMES» foram inicialmente projectadas para o chafariz do «CAMPO DE SANTANA» (que nunca chegou a ser construído).
A «RUA DO SALITRE» era, até 1879, uma vasta área mais vasta que a actual. Antes da demolição do «PASSEIO PÚBLICO» prolongava-se a sueste, até à antiga «PRAÇA DA ALEGRIA DE BAIXO» e «RUA DAS PRETAS». Mais para Norte, onde está hoje a estátua aos «MORTOS DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL», ficava o grande barracão do «CIRCO PRICE», obra do Inglês «TOMÁS PRICE» inaugurado em 11 de Novembro 1860.
A vasta área pertencia à família «MAYER», tendo sido parcialmente expropriada para construção da «AVENIDA DA LIBERDADE». A Leste e a Ocidente desta permaneceram terrenos para sempre ligados aos antigos proprietários. O "bouquet" de rosas que serve de símbolo e logótipo do «CINEMA TIVOLI», representa as flores dos Jardins dos Mayer, cujo apelido designa ainda o "Parque de Teatros" do outro lado da artéria (onde estavam, em 1903, os jardins da casa premiada).
O «PASSEIO PÚBLICO» foi destruído, assim como o «CIRCO PRICE» no final do século XIX, para permitir a construção da «AVENIDA DA LIBERDADE» e a extensão da cidade para Norte.
Sabe-se que a transição do «PASSEIO PÚBLICO» para «AVENIDA» não foi nada pacífica. O presidente teve bastante arrojo para ultrapassar os problemas, conseguindo rasgar a «AVENIDA» no prolongamento do «PASSEIO PÚBLICO».
(CONTINUA) - (PRÓXIMA) «AVENIDA DA LIBERDADE [ IV ] - A AVENIDA DA LIBERDADE ( 2 )»

sábado, 11 de setembro de 2010

AVENIDA DA LIBERDADE [ II ]

Avenida da Liberdade - (s/d) Foto de Eduardo Portugal (PASSEIO PÚBLICO, entrada Sul, início da futura Avenida da Liberdade) in AFML
Avenida da Liberdade - (1905) Litografia Legrand (Recordação do PASSEIO PÚBLICO de Lisboa) in AFML

Avenida da Liberdade (ant. a 1879) Foto de José Artur Leitão Bárcia ( Cascata e fonte do PASSEIO PÚBLICO) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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AVENIDA DA LIBERDADE [ II ]
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«O PASSEIO PÚBLICO ( 2 )»
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A sua área de ocupação era limitada a NORTE pela zona da «ALEGRIA » e «RUA DAS PRETAS», a SUL por onde é hoje a «PRAÇA DOS RESTAURADORES». Na parte da sua extremidade setentrional passava a «RUA DO SALITRE», que seguia até à «RUA DAS PRETAS», e para NORTE ainda existiam algumas hortas até ao chamado «VALE DO PEREIRO».
Entre o «PASSEIO PÚBLICO» e as hortas ficava a «PRAÇA DA ALEGRIA DE BAIXO», ladeada ao NORTE por uma fila de prédios. Tudo isto teve de ser derrubado quando, um século depois, se construiu a «AVENIDA DA LIBERDADE».
Iniciaram-se as obras por volta de 1764. Edificados os muros e concluídos que foram, seguiu-se o jardim que não levou muito tempo a ser finalizado.
Do lado da «PRAÇA DA ALEGRIA» terminava por uma CASCATA elegante, com tanque e torneira de água. De ambos os lados partiam escadarias de cantaria muito bem lançadas, que iam terminar a um grande e lindo terraço, adornado de vasos de artístico gosto.
Duas pequenas lagoas adornavam as ruas laterais. Numa delas a estátua do «DOURO», na outra a do «TEJO», lançando água das suas belas urnas de mármore. Estas estátuas foram depois aproveitadas e colocadas na «AVENIDA DA LIBERDADE», e sabe-se que tinham vindo do «CAMPO SANT'ANA».
Em 1834, tiveram lugar grandes melhoramentos, sob a direcção do arquitecto «MALAQUIAS FERREIRA LEAL».
Dos velhos jardins da INQUISIÇÃO (no ROSSIO) seguiram para ali algumas estátuas marinhas.
Era um passeio muito concorrido da sociedade elegante, que ali passava as tardes (para cima e para baixo).
Depois da missa do meio-dia, encontravam-se ali as elegantes pretendentes ao matrimónio, e os solteirões de "boa roda".
O «PASSEIO PÚBLICO» foi, a "pira" onde arderam muitos corações, e o mundo ilusório de muitos celibatários. Era bonito ver este quadro: As meninas embrenhadas nas saias de balão com um chapéu em forma de telha, muito delgadinhas de busto. Seguidas de suas mães, muitas vezes de capote e lenço, muito usado na época. Os homens sérios seguiam a par das esposas, empertigados na sobrecasaca domingueira, absorvendo o ambiente ou lançando olhares furtivos algo cobiçoso, sobre as donzelas mais afamadas da ocasião.
Quando porém o passeio se tornava mais interessante era nas noites de iluminação.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «AVENIDA DA LIBERDADE [ III ] - O PASSEIO PÚBLICO ( 3 )»

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

AVENIDA DA LIBERDADE [ I ]

Avenida da Liberdade (1879) (Plano da Avenida da Liberdade elaborado por FREDERICO RESSANO GARCIA) in OS PLANOS DA AVENIDA DA LIBERDADE E SEU PROLONGAMENTO
Avenida da Liberdade - (1905) Litografia de João Christino (Avenida da Liberdade cruzamento com a Rua Alexandre Herculano, podemos ver nos talhões as primitivas estátuas) (Suplemento ao Nº 488 do "Mala da Europa") in BIBLIOTECA NACIONAL DIGITAL

Avenida da Liberdade - (1883) (Estado das obras na Avenida da Liberdade) (Desenho do natural por "J. Christino", gravura reproduzida in "O OCIDENTE" (235) de 1 de Julho de 1883) in LISBOA DE FREDERICO RESSANO GARCIA


Avenida da Liberdade - (Gravura de Francisco Valença 1882-1958) Foto de Eduardo Portugal (Caricatura do PASSEIO PÚBLICO) in AFML



AVENIDA DA LIBERDADE [ I ]
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«A AVENIDA DA LIBERDADE ( 1 ) e PASSEIO PÚBLICO ( 1 )»
A «AVENIDA DA LIBERDADE» pertence a duas freguesias: «SÃO JOSÉ» e «CORAÇÃO DE JESUS».
À freguesia de «SÃO JOSÉ» pertencem os números 1 a 153 na parte ímpar. No lado par dos números 2 a 188.
À freguesia de «CORAÇÃO DE JESUS» os restantes números pares e ímpares.
Começa na «PRAÇA DOS RESTAURADORES» e acaba na «PRAÇA DO MARQUÊS DE POMBAL».
Tem na sua convergência as seguintes artérias: 3 PRAÇAS; 9 RUAS; 2 TRAVESSAS; 1 LARGO e Uma CALÇADA.
Ao percorrermos esta AVENIDA de SUL para NORTE, encontramos no seu lado direito a «RUA DOS CONDES»; «LARGO DA ANUNCIADA»; «RUA DAS PRETAS»; «RUA MANUEL DE JESUS COELHO»; «RUA BARATA SALGUEIRO»(Transversal) e «RUA ALEXANDRE HERCULANO»(Transversal).
No lado esquerdo igualmente de SUL para NORTE encontramos a «CALÇADA DA GLÓRIA»; «TRAVESSA DA GLÓRIA»; «RUA DA CONCEIÇÃO DA GLÓRIA»; «PRAÇA DA ALEGRIA»; «RUA DO SALITRE»; «TRAVESSA DA HORTA DA CERA»; «RUA JOSÉ CÉSAR MACHADO(antiga Travessa do Moreira)»; «RUA BARATA SALGUEIRO»(Transversal); «RUA ROSA ARAÚJO»; «RUA ALEXANDRE HERCULANO» (Transversal) e finaliza na «PRAÇA DO MARQUÊS DE POMBAL».
A «AVENIDA DA LIBERDADE» foi construída nos finais do século XIX sobre o antigo «PASSEIO PÚBLICO».
A sua extensão viria a ser bem maior que a daquele, indo ao encontro de um novo parque, no topo, cuja construção tinha em vista compensar o desaparecimento do «PASSEIO PÚBLICO».
Designado inicialmente «PARQUE DA LIBERDADE» mais tarde daria lugar ao «PARQUE EDUARDO VII».
Na parte SUL da AVENIDA foi construída a «PRAÇA DOS RESTAURADORES», consagrada à «LIBERDADE» de PORTUGAL face a ESPANHA, reconquistada e "restaurada" em 1640.
Por analogia a nova «AVENIDA» receberia também, o nome de «LIBERDADE».
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«PASSEIO PÚBLICO» (1)
Anterior ao Terramoto de 1755, tudo aquilo eram hortas. Sonhara no entanto, o «MARQUÊS DE POMBAL» e seus colaboradores, fazerem daquelas hortas de «VALVERDE» um sítio aprazível e ponto de atracção para os lisboetas.
Assim, o «PASSEIO PÚBLICO» começou a ser projectado entre 1764 e 1771, por altura do plano de reedificação da «BAIXA», constituindo a primeira expressão no país, do desejo de um parque público numa altura em que, justamente, começava a ser um equipamento frequentemente integrado na reconstrução das cidades europeias influenciadas pelos ideais das "LUZES".
Estes terrenos onde então se situavam, entre outras, as «HORTAS DA MANCEBIA» e «HORTA DA CERA» e em terrenos pertencentes ao «CONDE» depois «MARQUÊS» de «CASTELO MELHOR», vulgarmente conhecido por sítio de «VALVERDE», foram por isso expropriados, para aí ser construído e plantado o «PASSEIO DO ROSSIO», logo designado de «PASSEIO PÚBLICO», sendo o risco do arquitecto «REINALDO MANUEL».
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) «AVENIDA DA LIBERDADE [ II ] - O PASSEIO PÚBLICO ( 2 )»

sábado, 4 de setembro de 2010

RUA DAS FLORES [ VII ]

Rua das Flores - (1980) - Fotógrafo não identificado (Um troço da Rua das Flores) in A TRAGÉDIA DA RUA DAS FLORES
Rua das Flores,93 a 97 - (1971) Foto de João H. Goulart ( Rua das Flores junto do Largo do Barão de Quintela) in AFML

Rua da Flores (1980) - (Livro A TRAGÉDIA DA RUA DAS FLORES - Edição Ilustrada) in EMULE BRASIL


Rua das Flores, 71 a 91 - (s/d) Foto de Arnaldo Madureira (Rua das Flores e Largo do Barão de Quintela) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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RUA DAS FLORES [ VII ]


«A TRAGÉDIA DAS RUA DAS FLORES»

Na bibliografia de «EÇA DE QUEIROZ» encontramos uma obra passada num terceiro andar desta rua, mais tarde aparece editada em 1980, intitulada «A TRAGÉDIA DA RUA DAS FLORES», que nas palavras do próprio autor, "trata-se de um incesto involuntário". Vamos resumir um pouco o conteúdo da obra.
A tragédia é, assim, a história de um amor fatal. "O estudo psicológico de uma paixão mórbida, das suas causas remotas e das suas consequências trágicas".
«JOAQUINA DA EGA» (que mais tarde se virá a saber chamar-se "GENOVEVA", natural da «GUARDA», casada com «PEDRO DA EGA», vivia em LISBOA. Mas, logo após o nascimento do filho, abandona este e o marido para fugir com um emigrado espanhol.
Em ESPANHA, torna-se cortesã. Entretanto, «PEDRO DA EGA» morre em «ANGOLA».
«JOAQUINA» casa-se depois com «MADAME de MOLINEUX», um velho senador, com quem vive em PARIS. Mas a queda do Bonapartismo, trazem-na de volta a Portugal, agora com «GOMES», um brasileiro, já que o senador havia falecido. Faz-se, então, passar por «MADAME de MOLINEUX».
Em LISBOA, instala-se na «RUA DAS FLORES». Logo se envolve com «DÂMASO DE MAVIÃO», a quem irá explorar sem piedade. No entanto, apaixona-se por «VÍTOR», um jovem de 23 anos, bacharel em Direito.
Quando faz 40 anos repele «DÂMASO», planeando voltar para PARIS com «VÍTOR». O tio de «VÍTOR», «TIMÓTEO», o único detentor da trágica verdade, tenta acabar com a relação dos dois. Decide, então, contar toda a verdade a «GENOVEVA».
Ao saber que era amante do seu próprio filho, «GENOVEVA» atira-se da varanda de sua casa, na presença de «VÍTOR», que nunca chegaria a perceber tal atitude nem a saber a verdade.
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«VÍTOR» é o protagonista desta tragédia, bacharel em Direito, formado em «COIMBRA», exercia advocacia no escritório do «DR. CAMINHA».
Com 23 anos era um poeta romântico, republicano, profissionalmente revoltado e descontente. É um burguês apático e ridículo "sentia-se na vida como um homem errante que só vê diante de si portas fechadas".
Vivia com o tio «TIMÓTEO» na «RUA DE SÃO FRANCISCO» (actual) «RUA IVENS» no 3º andar, em LISBOA, pois a sua mãe tinha-o abandonado quando tinha apenas dois meses.
Envolve-se com «GENOVEVA» e propõe-se mesmo fugir com ela para PARIS, o que só não acontece porque «GENOVEVA» se suicida ao saber, pela boca do tio «TIMÓTEO», que «VÍTOR» é o filho que ela abandonara. «VÍTOR» é, assim, o exemplo típico do homem em tudo frustrado, destroçado pela fatalidade do destino o protótipo do "VENCIDO DA VIDA».
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Já em 1877-78 «EÇA DE QUEIROZ» tinha em projecto um romance (ou conto) de incesto mortal, neste caso entre mãe e filho, que ele apenas rascunhou e que só em (1980-1982) aparece editado em várias reconstituições, logo a seguir muito criticado, sob o título de «A TRAGÉDIA DA RUA DAS FLORES». ( 1 ) - [ FINAL]
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( 1 ) - (História da Literatura Portuguesa de António José Saraiva e Óscar Lopes - 1996 - 17ª Ed. Porto Editora).

BIBLIOGRAFIA
(obras consultadas)

ARAÚJO, Norberto de - 1993 - Peregrinações em Lisboa - Volume XIII - Vega - Lisboa.

Estátuas Portuguesas - Olhares de Pedra - 2004 - Global Notícias Publicações, SA.

FRANÇA, José-Augusto - 1966 - A ARTE EM PORTUGAL NO SÉCULO XIX - Volume I - Bertrand - LISBOA.

Lisboa Revista Municipal - ANO XLVIII- 2ª série - Nº 20- 2º Trimestre de 1987 - edição da Câmara Municipal de Lisboa.

SARAIVA, António José e LOPES, Óscar - 1996 - 17ª edição - HISTÓRIA DA LITERATURA PORTUGUESA - Porto Editora.

SILVA, A. Vieira da - AS MURALHAS DA RIBEIRA DE LISBOA - 1987 - 3ª Edição - Volume I e II - Publicações Culturais da Câmara Municipal de Lisboa.

INTERNET
(Blogues e SITES)

INFORMAÇÕES SOBRE LISBOA - CML.

MARCAS DAS CIÊNCIAS E DAS TÉCNICAS

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(PRÓXIMO) - «AVENIDA DA LIBERDADE [ I ] - A AVENIDA DA LIBERDADE (1) e PASSEIO PÚBLICO (1)»

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

RUA DAS FLORES [ VI ]

Rua das Flores - (Finais do século XIX) (Fotógrafo não identificado) (Eça de Queiroz) in WIKIPÉDIA
Rua das Flores - (s/d) Fotógrafo não identificado (Um retrato de Eça de Queiroz) in WIKIPÉDIA

Rua das Flores - (s/d) Fotógrafo não identificado (Eça de Queiroz) in WIKIPÉDIA

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(CONTINUAÇÃO)
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RUA DAS FLORES [ VI ]
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«UMA SÍNTESE DA BIOGRAFIA DE EÇA DE QUEIROZ»
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«EÇA DE QUEIROZ(1845-1900)»
Foi na PÓVOA DE VARZIM que, no dia 25 de Novembro de 1845, nasceu um dos maiores vultos da literatura portuguesa, filho do magistrado «JOSÉ MARIA DE ALMEIDA TEIXEIRA DE QUEIROZ» e de «CAROLINA AUGUSTA PEREIRA D'EÇA».
«JOSÉ MARIA EÇA DE QUEIROZ» foi entregue, ao nascer, aos cuidados da madrinha e ama, «ANA LEAL DE BARROSO», em VILA DO CONDE, e mais tarde aos avós paternos, em AVEIRO.

Aos dez anos foi como interno para o Colégio da LAPA, no PORTO, onde teve como professor de francês «RAMALHO ORTIGÃO», mais velho nove anos que ele, e com quem mais tarde partilharia a escrita das «FARPAS».
Em 1861 entrou na UNIVERSIDADE DE COIMBRA, de onde saiu em 1866 formado em DIREITO. Nos tempos de faculdade leu muito e conheceu «ANTERO DE QUENTAL» e «TEÓFILO DE BRAGA».
Em 1867 teve uma passagem pela direcção de um jornal da oposição, «O DISTRITO DE ÉVORA», onde desenvolveu a capacidade de despersonalização (escrevendo com quatro pseudónimos).

De regresso a LISBOA retomou a colaboração iniciada em 1866, na «GAZETA DE PORTUGAL», onde com os seus folhetins, deu início no mundo literário. Fez então, parte do «CENÁCULO» (com «BATALHA REIS», «SALOMÃO SARAGA», e «ANTERO», entre outros).
Em concurso para cônsul classifica-se em primeiro lugar. Participa nas «CONFERÊNCIAS DO CASINO-(1871)» e, em 1872, partiu para HAVANA como representante consular. Foi depois transferido para BRISTOL, INGLATERRA, onde permaneceu 14 anos, antes de ser transferido para PARIS (1888), cidade onde, no último ano do século XIX, viria a falecer.
Entre 1888 e 1893, aproveitou os regressos a Portugal para se reunir com o grupo dos "VENCIDOS DA VIDA".
«EÇA DE QUEIROZ» no «DIÁRIO DE NOTÍCIAS» em colaboração com RAMALHO no ano de 1870, publica em folhetins «O MISTÉRIO DA ESTRADA DE SINTRA». Iniciou-se no romance em 1876, com o notável «O CRIME DO PADRE AMARO», a que se seguiu «O PRIMO BASÍLIO», obra em que a cidade de LISBOA é o objecto da sua crítica irónica.
Em 1888 publicou «OS MAIAS», obra em que novamente faz a crítica literária, política e educacional da sociedade da época.
Ainda em 1888 iniciou-se a publicação da «REVISTA DE PORTUGAL» que «EÇA DE QUEIROZ» dirigiu. A ironia é o traço de união de uma multifacetada obra de ficção, crítica e jornalismo, que passa por romances, prefácios, colaboração em jornais e crónicas.

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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DAS FLORES [ VII ] - A TRAGÉDIA DA RUA DAS FLORES»

sábado, 28 de agosto de 2010

RUA DAS FLORES [ V ]

Rua das Flores - (2009) Foto de Dias dos Reis (Largo do Barão de Quintela, Palácio e estátua de Eça) in DIAS DOS REIS
Rua das Flores (1980) Fotógrafo não identificado (Largo do Barão de Quintela e Estátua de EÇA) in TRAGÉDIA DA RUA DAS FLORES

Rua das Flores ( 1965-03) Foto de Armando Serôdio ( Largo do Barão de Quintela ao fundo a Rua das Flores) in AFML


Rua das Flores - (1965-03) Foto de Armando Serôdio (Largo do Barão de Quintela, edifício onde estão instalados os Bombeiros Voluntários de Lisboa) in AFML

Rua das Flores - (ant. 1895) - Foto de Francisco Rochini ( Largo do Barão de Quintela antes da colocação da estátua de EÇA) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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RUA DAS FLORES [ V ]
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«LARGO DO BARÃO DE QUINTELA E PALÁCIO QUINTELA»
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LARGO DO BARÃO DE QUINTELA
O topónimo do «LARGO DO BARÃO DE QUINTELA» é o resultado da convergência entre a «RUA DAS FLORES» e a «RUA DO ALECRIM» (ver mais
aqui) pertencentes à freguesia da «ENCARNAÇÃO».
Este Largo terá a sua origem, após a terraplenagem, que possivelmente decorreu em finais do século XVIII, mandado executar por «JOAQUIM PEDRO QUINTELA» 1º Barão de Quintela. Nessa altura terá comprado uns casebres (entre a antiga «RUA DO CONDE» actual «RUA DO ALECRIM» e a «RUA DAS FLORES») que existiam frente ao seu Palácio.
O LARGO e JARDIM, cujo arranjo data do início do século XIX, demonstra-nos que sempre existiu dificuldades em tratar o problema do seu desnivelamento. Local discreto, com suas palmeiras decorativas, embelezado com a estátua a «EÇA DE QUEIROZ», iniciativa de homens de letras.
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PALÁCIO QUINTELA
Os terrenos onde está instalado este Palácio, pertenciam em 1521 à Câmara, que os aforou a «D. JORGE DE MELO». No ano de 1648 os terrenos eram arrematados na justiça por «D. AFONSO DE PORTUGAL», 4º Conde de Vimioso. Existia no século XVIII um Palácio na posse de outro VIMIOSO «D. FRANCISCO DE PORTUGAL», Marquês de Valença.
No ano de 1726 registou-se no Palácio um poderoso incêndio que o reduziu a ruínas. Em 1731, pelo desinteresse dos VIMIOSOS-VALENÇAS em reedificar, foram estas ruínas adquiridas por «ANDRÉ RODRIGUES DA COSTA BARROSO». No ano de 1777 eram comprados os terrenos e as ruínas pelo desembargador «LUIZ REBELO QUINTELA».
A construção do Palácio deu-se entre 1781 e 1782. Ampliado e muito enriquecido por «JOAQUIM PEDRO QUINTELA», 1º Barão de Quintela (1748-1817), sobrinho do desembargador.
Foi o 2º Barão de Quintela e 1º Conde de Farrobo que instituiu o «MORGADO DE FARROBO», também ele de nome «JOAQUIM PEDRO QUINTELA» (1801-1869) que revestiu o Palácio de uma ostentação pouco frequente em Lisboa.
O odioso general «JUNOT» no período da primeira invasão francesa, foi residente neste Palácio Quintela.
Após a ruína e sucessiva falência da «CASA QUINTELA-FARROBO» este Palácio foi vendido em haste-pública. O novo proprietário seria o capitalista «MENDES MONTEIRO» no início do último quartel do século XIX. O novo proprietário do Palácio seria o filho de «MENDES MONTEIRO» também ele grande capitalista de nome «ANTÓNIO CARVALHO MONTEIRO» a quem toda a Lisboa chamava o «MONTEIRO DOS MILHÕES». (O construtor da "QUINTA DA REGALEIRA" em Sintra).
Por morte do «MONTEIRO DOS MILHÕES» o Palácio foi entregue por partilha a uma sua filha, casada com «D. FRANCISCO DE ALMEIDA».
No anos de 1937 este Palácio (sem o seu recheio interior) foi quase na totalidade arrendado à «CASA LIQUIDADORA», antigo «BAZAR CATÓLICO», fundado em 1882.
Actualmente funciona neste espaço o «IADE-INSTITUTO DE ARTES VISUAIS, DESIGN E MARKETING».
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ASSEMBLEIA BRITÂNICA
Aquele quarteirão que se apresenta na parte Sul do «LARGO DO BARÃO DE QUINTELA», entre as ruas do «ALECRIM» e «DAS FLORES» no século XIX era ali a «ASSEMBLEIA BRITÂNICA».
O prédio, propriedade do «4º MARQUÊS DE MARIALVA» e «ESTRIBEIRO-MOR», «D. PEDRO JOSÉ ANTÓNIO DE MENESES», que em 1783 depois das obras que se realizaram, foi alugado por seiscentos mil reais anuais, a um grupo de homens de negócios da «NAÇÃO BRITÂNICA», representados por «JOÃO BERTHON», «DUARTE MARSHAL» e «JOÃO DIOGO STEPHENS».
Na construção do edifício foi acordado que teria 7 janelas para a «RUA DAS DUAS IGREJAS» (actual RUA DO ALECRIM), 6 janelas para a «TRAVESSA DE S. JOSÉ» ( 1 ) e também 7 janelas para a «RUA DAS FLORES».
Neste edifício há a distinguir, entre a frequência ordinária das «ASSEMBLEIAS» reservadas aos sócios, os grandes bailes sazonais, (com ceia), onde a nata da sociedade lisboeta não podia faltar.
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-( 1 ) - Artéria de ligação entre a «RUA DO ALECRIM» e a «RUA DAS FLORES», desapareceu quando, em finais do século XVIII, «JOAQUIM PEDRO QUINTELA» comprou os terrenos e barracas fronteiro ao seu Palácio, fez o terrapleno e doou à Câmara. O Largo assim formado que por isso recebeu o nome de «BARÃO DE QUINTELA», designação já em uso pelo menos desde finais de 1801-(Júlio Castilho ob. Cit. Vol. 2, pp 114-115 e Amanach... 1802, p. 441).
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Embora exista muita literatura sobre o «CONDE DE FARROBO», aconselho a obra de «JOSÉ NORTON» - «O MILIONÁRIO DE LISBOA» da editora D.QUIXOTE. Um bloguista como nós, mas com a história mais bem contada e desenvolvida sobre o homem que ajudou o liberalismo. Link- http://desunastidade.blogspot.com/ (O MILIONÁRIO DE LISBOA).
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