quarta-feira, 13 de outubro de 2010

AVENIDA DA LIBERDADE [ XI ]

Avenida da Liberdade - (Post. 1959) Foto de Luís Filipe de Aboim Pereira (Estátua de António Feliciano de Castilho na Avenida da Liberdade, inaugurada em 1952) in AFML
Avenida da Liberdade - (Post. 1952) Foto de Cláudio Madeira (Estátua de António Feliciano de Castilho na Avenida da Liberdade) in AFML

Avenida da Liberdade - (1952) - Fotógrafo não identificado (Estátua de António Feliciano de Castilho na Avenida da Liberdade) in AFML

Avenida da Liberdade - (Entre 1900 e 1945) Foto de José Artur Leitão Bácio - Gravura - (António Feliciano de Castilho) in AFML


(CONTINUAÇÃO)
AVENIDA DA LIBERDADE [ XI ]
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«ESTATUÁRIA NA AVENIDA (2) - ANTÓNIO FELICIANO DE CASTILHO»
Estátua de mármore sobre plinto de pedra, com 2,88 metros, foi executada pelo mestre «LEOPOLDO DE ALMEIDA» em 1948.
A estátua do poeta ultra-romântico de nome «ANTÓNIO FELICIANO DE CASTILHO» está situada na «AVENIDA DA LIBERDADE» no cruzamento com a «RUA ALEXANDRE HERCULANO», foi inaugurada em 27 de Maio de 1950, fazendo parte das quatro estátuas que integram o conjunto dedicado a escritores do século XIX, e apontam os extremos dos talhões desta avenida.
«ANTÓNIO FELICIANO DE CASTILHO (1800-1875)» ficou conhecido pela polémica que manteve com «ANTERO DE QUENTAL» e a corrente realista, a propósito dos cânones da literatura:
A formação de «CASTILHO» foi inspirada pelos clássicos, talvez devido à influência do seu irmão «AUGUSTO», pároco em «CASTANHEIRA DO VOUGA», e foi a beleza formal, o ritmo e a cadência das palavras, que lhe prendeu a atenção.
Os seus poemas «A NOITE DO CASTELO» e «OS CIÚMES DO BARDO», publicados em 1836 e 1838, contêm todos os ingredientes do "ultra-romantismo", como sejam o mistério, o ambiente feudal, a vingança violenta, o ciúme, o amor fatídico, a morte.
A sua actividade de tradutor, porém, mereceu louvores, quer pela fidelidade aos originais, quer pela linguagem usada na tradução. Se a tradução parece ter sido o seu melhor oficio, foi porém na literatura que conheceu êxito, tornando-se já em fim de carreira, no mestre da literatura oficial.
Foi nomeado para cargos estatais, exerceu aquilo que foi considerada uma "tirânica" influência na produção literária do seu tempo, apadrinhando apenas os escritores que partilhavam das suas opções altamente conservadoras.
Foi precisamente contra o seu magistério e as suas ideias que «ANTERO DE QUENTAL» e os seus companheiros de COIMBRA mantiveram a mais célebre polémica literária do nosso país, que ficou registada para a história como "A QUESTÃO COIMBRÃ".
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «AVENIDA DA LIBERDADE [ XII ] - ESTATUÁRIA NA AVENIDA ( 3 ) - OLIVEIRA MARTINS»

sábado, 9 de outubro de 2010

AVENIDA DA LIBERDADE [ X ]

Avenida da Liberdade - (200_) - Fotógrafo não identificado (Monumento a ROSA ARAÚJO na Avenida da Liberdade, transferido do cruzamento da "RUA ROSA ARAÚJO" com a "RUA MOUZINHO DA SILVEIRA") (Com a figura de pedra de "LISBOA COROADA") in MARCAS DAS CIÊNCIAS
Avenida da Liberdade - (1963) - Foto de Armando Serôdio - {Busto de ROSA ARAÚJO, antigo Presidente da CML colocado na Avenida da Liberdade (sem a figura de pedra "LISBOA COROADA")} in AFML

Avenida da Liberdade - (1944) Foto de Eduardo Portugal (Busto de Rosa Araújo na "RUA ROSA ARAÚJO" esquina com a "RUA MOUZINHO DA SILVEIRA", inaugurado neste local em 25 de Outubro de 1936) in AFML

Avenida da Liberdade - (Post. 1936) - Estúdios Mário Novais (Monumento a ROSA ARAÚJO na esquina da "RUA ROSA ARAÚJO" com a "RUA MOUZINHO DA SILVEIRA") in AFML

Avenida da Liberdade - s/d (Desenho a carvão) (Estúdios Mário Novais) (No Palácio Galveias, exposição comemorativa ao cinquentenário do falecimento de Rosa Araújo, Presidente da CML de 1879 a 1885) in AFML

Avenida da Liberdade - s/d - (Rosa Araújo, caricatura de Rafael Bordalo Pinheiro) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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AVENIDA DA LIBERDADE [ X ]
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«ESTATUÁRIA NA AVENIDA - ( 1 ) - ROSA ARAÚJO »
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O homem que mandou fazer a «AVENIDA DA LIBERDADE» tem hoje, (nesta Avenida), um busto de bronze, estando na base do pedestal em tamanho natural a figura de pedra de «LISBOA COROADA» em atitude de agradecimento e homenagem prestada a «JOSÉ GREGÓRIO DA ROSA ARAÚJO», pelos melhoramentos que promoveu na cidade.
Inicialmente tinha sido instalado todo este estatuário no cruzamento da «RUA ROSA ARAÚJO» e a «RUA MOUZINHO DA SILVEIRA».
Este busto foi executado por «ANTÓNIO AUGUSTO DA COSTA MOTA»(Sobrinho), no ano de 1936, sendo também a data em que foi registada a sua primeira colocação.
Achavam os intelectuais da época, que o busto era modesto e estava ridicularmente situado entre aquelas duas ruas. Talvez seja este o motivo de agora se encontrar na «AVENIDA».
Por tudo isto, consideramos importante dar a conhecer um pouco da história deste homem, que muito deu à cidade de LISBOA.
Comerciante, Deputado e Presidente da Câmara de Lisboa «ROSA ARAÚJO» foi o responsável pela criação da «AVENIDA DA LIBERDADE», "ex-libris" da Capital.
«JOSÉ GREGÓRIO DA ROSA ARAÚJO » nasceu em Lisboa a 17 de Novembro de 1840 e na mesma cidade veio a falecer a 26 de Janeiro de 1893.
Herdou dos pais, proprietários de uma importante confeitaria em Lisboa, uma considerável fortuna. Logo aos 13 anos entrou para o estabelecimento paterno na «RUA DE SÃO NICOLAU», principiando então a sua vida comercial.
Em finais de 1871 depois de ter ocupado vários cargos de acção humanitária, recebeu um convite do Governador Civil de Lisboa, «AUGUSTO CÉSAR CAU DA COSTA», para fazer parte das listas à Câmara. Recusou, mas voltou a ser convidado, com insistência por «RODRIGUES SAMPAIO». Só quando seu pai o aconselhou a aceitar o convite, cedeu finalmente.
Fez então parte da vereação municipal, pela primeira vez, no biénio 1872/73.
As resoluções que tomou acerca da concessão dos "carris de ferro" deram-lhe destaque na vereação. Em 1876 é novamente notado o seu trabalho, nomeadamente no saneamento da cidade e na admissão de crianças no Asilo de Maria Pia.
Chegado finalmente à presidência da Câmara Municipal, realizou trabalho de mérito na criação de creches, de talhos municipais, no desenvolvimento do «BAIRRO DA ESTEFÂNIA», «BAIRRO CAMÕES» e no mercado coberto da «PRAÇA DA FIGUEIRA» (demolida em 1949), bem como na conclusão dos «PAÇOS DO CONCELHO».
A sua obra mais notável veio a ser a «AVENIDA DA LIBERDADE», cujos trabalhos se iniciaram em 1879, depois de grande contestação política. A «AVENIDA» acabou por tornar-se um dos locais centrais da cidade.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «AVENIDA DA LIBERDADE [ XI ] - ESTATUÁRIA NA AVENIDA - (2) - ANTÓNIO FELICIANO DE CASTILHO»







quarta-feira, 6 de outubro de 2010

AVENIDA DA LIBERDADE [ IX ]

Avenida da Liberdade - (2005) Foto de APS (A Praça do Marquês de Pombal) in ARQUIVO/APS
Avenida da Liberdade - (195_)? - Fotógrafo não identificado (Postal) (Praça e Monumento ao Marquês de Pombal) in IÉ-IÉ

Avenida da Liberdade - (c. 1934) Foto de Pinheiro Correia (Fotografia aérea da Praça do Marquês de Pombal, destaca-se o Monumento ao Marquês - inaugurado a 13 de Maio de 1934) in AFML


Avenida da Liberdade - (193_)? - Fotógrafo não identificado (Construção da Praça do Marquês de Pombal) in AO ESCORRER DA PENA



Avenida da Liberdade - (1898) - Estúdios Mário Novais (Feira Franca na Avenida da Liberdade e Rotunda - IV Centenário da Índia) in AFML

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(CONTINUAÇÃO)
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AVENIDA DA LIBERDADE [ IX ]

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«PRAÇA MARQUÊS DE POMBAL»

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A abertura da «AVENIDA DA LIBERDADE» permitiu à cidade a sua expansão para NORTE.
Existia um projecto de concepção e a ideia desde o início que no topo NORTE fosse elaborada uma PRAÇA, com um monumento ao «MARQUÊS DE POMBAL» ao centro.
As dificuldades económicas fizeram tardar o monumento e o respectivo arranjo urbanístico da praça.
O «CENTENÁRIO DA ÍNDIA» realizou-se nesta vasta área da PRAÇA no ano de 1898. A chamada «FEIRA FRANCA» da qual podemos relembrar em fotos, com o seu grande castelo ao centro, um elefante de madeira e a esfera armilar no eixo terminal da «AVENIDA». A PRAÇA já nessa altura praticamente apresentava o desenho em «ROTUNDA».
No ano de 1910, poucos anos depois das comemorações do «CENTENÁRIO DA ÍNDIA», a «PRAÇA DO MARQUÊS DE POMBAL» estava definida como hoje se apresenta. É entre a década de 1899 e 1909 que se pode colocar a data da edificação formal da PRAÇA.
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Da «PRAÇA DO MARQUÊS DE POMBAL» (ROTUNDA) partem em várias direcções artérias importantes. Temos a poente a «RUA BRAACAMP» que com o final da «RUA ALEXANDRE HERCULANO» nos pode levar ao «LARGO DO RATO».
Igualmente a poente a «RUA JOAQUIM ANTÓNIO DE AGUIAR» dá-nos o seguimento para a «PONTE 25 DE ABRIL» ou para o «AUTO-ESTRADA» do ESTORIL. Do lado oposto nascente a «AVENIDA DUQUE DE LOULÉ», na qual corre o viaduto sobre a «RUA DE SANTA MARTA», e que termina na «PRAÇA JOSÉ FONTANA» antigo (MATADOURO).
A «AVENIDA FONTES PEREIRA DE MELO» vai terminar na «PRAÇA DUQUE DE SALDANHA». É por esta artéria que chegamos ao «CAMPO GRANDE».
A «PRAÇA DO MARQUÊS DE POMBAL» também conhecida por «ROTUNDA», foi palco de eventos lúdicos e políticos, está ligada à nossa história política contemporanea, pelos acontecimentos revolucionários que nela tiveram lugar ou extensão, com início no «5 de OUTUBRO DE 1910»( que ontem celebrou o seu centenário), passando pelo «14 DE MAIO DE 1915»; «8 DE DEZEMBRO DE 1917»; «18 DE ABRIL DE 1925» e já no final do século XX (até aos nossos dias), as manifestações anuais do «25 DE ABRIL» em liberdade, entre o «MARQUÊS» e o «ROSSIO», além de manifestações clubistas - e não só - que ali ocorrem regularmente.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «AVENIDA DA LIBERDADE [ X ] - ESTATUÁRIA NA AVENIDA(1) - "ROSA ARAÚJO"»



sábado, 2 de outubro de 2010

AVENIDA DA LIBERDADE [ VIII ]

Avenida da Liberdade - (2006) - Foto de APS - ("Parque Eduardo VII" ao cimo da Avenida da Liberdade, antigo "PARQUE DA LIBERDADE" antes de 1903) in ARQUIVO/APS
Avenida da Liberdade - (2005) Foto de APS (Parque Eduardo VII num dia de FEIRA DO LIVRO) in ARQUIVO/APS

Avenida da Liberdade - (2005) - Fotógrafo não identificado (Parque Eduardo VII, anteriormente designado «PARQUE DA LIBERDADE» in WIKIPÉDIA


Avenida da Liberdade - (1943) Foto dos Estúdios Mário Novais (Projecto do Parque Eduardo VII e Prolongamento da Avenida da Liberdade) (Planta de Pavimentos e Arborização, Escala 1:1000, 1932 - Engº António Emídio Abrantes - Arquivo Municipal-Arco do Cego -A.M. - A.C.)
in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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AVENIDA DA LIBERDADE [ VIII ]
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«PARQUE EDUARDO VII»
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A Câmara de Lisboa procurou substituir o «PASSEIO PÚBLICO» por outro jardim no parque público.
Organizou em 1887 um concurso internacional destinado a seleccionar um projecto de parque paisagista a construir nos terrenos do «CASAL DO MONTE ALMEIDA», a NORTE da «AVENIDA DA LIBERDADE». O novo parque a rematar a AVENIDA, deveria chamar-se «PARQUE DA LIBERDADE».
O programa do concurso elaborado pela CML fundamentava-se nos princípios do parque paisagístico. O estilo tido como modelo pelas realizações parisienses executadas entre 1853 e 1870, era considerado, então, como o paradigma da modernidade na arte dos jardins urbanos.
O estudo do «PARQUE DA LIBERDADE», (como se chamou inicialmente) foi rebaptizado em «PARQUE EDUARDO VII), por ocasião da visita do »REI DE INGLATERRA» a LISBOA no ano de 1903.
Quase todos os terrenos pertenciam, na sua maior parte ao capitalista «CARLOS MARIA EUGÉNIO DE ALMEIDA (1846-1914)», começavam na «PENITENCIÁRIA» e estendiam-se até «SÃO SEBASTIÃO DA PEDREIRA».
Desde 1888 que a Câmara pensava ajardinar este local, mas só no século XX se lhe daria destino paisagístico.
A «ESTUFA FRIA» foi criada no ano de 1920, e no lado nascente podemos encontrar um "PALÁCIO" no local do antigo «PAVILHÃO DAS EXPOSIÇÕES» ou «PAVILHÃO DAS FESTAS» como inicialmente lhe chamaram.
Por ocasião do ano de 1932 foi construído pelo arquitecto «ALEXANDRE SOARES» e o Engº. «DIOGO SOBRAL» sendo inaugurado a 3 de Outubro desse mesmo ano, coincidindo com a abertura da «SEGUNDA EXPOSIÇÃO INDUSTRIAL PORTUGUESA», que por esse motivo, lhe deram o nome de «PALÁCIO DE EXPOSIÇÕES E FESTAS». A arquitectura do "PALÁCIO" é do estilo «D. JOÃO V», tocada aqui e ali de barroco. Tem dois torreões em cada extremo, um corpo central de larga varanda, sobre o pórtico e terraços abalaustrados que ligam estes elementos principais ao todo arquitectónico.
Uma deliberação Camarária de 27 de Agosto de 1984, passou a designar este recinto Desportivo de «PAVILHÃO CARLOS LOPES», em homenagem ao atleta «CAMPEÃO OLÍMPICO DA MARATONA» nos Jogos Olímpicos de «LOS ANGELES» de 1984.
Neste «PAVILHÃO» nos anos 50 e 60 do século passado, realizaram-se os mais diversos eventos. Podemos destacar alguns: Torneio de hóquei em patins; Boxe; Luta livre; Marchas Populares de Lisboa, e foi ainda palco de muitos serões para trabalhadores, realizados pela F.N.A.T. em colaboração com E.N..
Presentemente continuamos a assistir "religiosamente" neste espaço do «PARQUE EDUARDO VII», à tradicional exposição da «FEIRA DO LIVRO».
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «AVENIDA DA LIBERDADE [ IX ] - PRAÇA DO MARQUÊS DE POMBAL».

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

AVENIDA DA LIBERDADE [ VII ]

Avenida da Liberdade - (2009) Foto de Pedro Rodrigues ("Avenida da Liberdade" antigo local onde existiu o Palácio dos Condes da Ericeira, entre a "Rua dos Condes" e o "Largo da Anunciada") in GOOGLE EARTH
Avenida da Liberdade - (01.05.1975) Foto de APS ( O Primeiro 1º de Maio de 1975, festejado em liberdade na Avenida da Liberdade) ARQUIVO/APS

Avenida da Liberdade - (s/d) Foto de Artur Goulart ("LARGO DA ANUNCIADA" e lado direito até à "RUA DOS CONDES", eram os terrenos do Palácio dos Condes da Ericeira) in AFML


Avenida da Liberdade - (s/d) Foto de Artur Goulart - Avenida da Liberdade no antigo lado da «RUA ORIENTAL DO PASSEIO PÚBLICO», entre a «RUA DOS CONDES» e o «LARGO DA ANUNCIADA» in AFML



Avenida da Liberdade - (1793) (Desenho) (Teatro velho da Rua dos Condes) in O INFERNO
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(CONTINUAÇÃO)
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AVENIDA DA LIBERDADE [ VII ]
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«PALÁCIO DOS CONDES DE ERICEIRA - RUA DOS CONDES AO LARGO DA ANUNCIADA»
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O «PALÁCIO DOS CONDES DA ERICEIRA» ou «PALÁCIO DOS ANDRADES» o majestoso edifício, famoso pela sua grandeza e elegância, ocupava o actual quarteirão correspondente entre a «RUA DOS CONDES» e o «LARGO DA ANUNCIADA». Ficavam para poente as hortas do «VALVERDE», e seria mais tarde a «RUA ORIENTAL DO PASSEIO PÚBLICO».
Residência principesca, esta palácio tinha uma infinidade de compartimentos, qual o mais luxuoso e caprichosamente mobilado.
A entrada, grandemente aberta, maravilhava os que a transpunham para atravessarem o jardim de extraordinário encanto, com abundantes fontes de preciosos mármores, grutas forradas de verdura, e destacando-se de tamanha riqueza a cascata, única talvez na Península, que ficou celebre nos anais das glórias artísticas.
Interiormente tinha o edifício dois pátios.
Mandado construir por «FERNÃO ÁLVARES DE ANDRADE» no ano de 1533. O último conde de ERICEIRA que nele habitou foi um dos mais ilustres sábios do século XVII, prosador, historiador erudito. Era o inesquecível «D. LUÍS DE MENESES». General de Artilharia, Economista, muito dado à literatura, empregava o tempo na sua esplêndida biblioteca.
Esta biblioteca do nosso fidalgo continha mais de dezoito mil volumes entre os quais muitas obras raras.
O Terramoto de 1755 demoliu tudo, e o incêndio, cúmplice medonho da derrocada, encarregou-se de devorar o que resistia às sacudidelas do solo.
Ficaram as ruínas, alastradas por uma área enorme, e assim se conservaram por muito tempo.
Numa parte dos escombros foram sendo construídos casebres sem licença e de grande pobreza, os quais foram posteriormente substituídos por casas aburguesadas.
O nome de «RUA DOS CONDES» tem recordações seculares. Antes do terramoto já havia uma rua que separava o «PALÁCIO DOS CONDES DA ERICEIRA» do «PALÁCIO DO CONDE DE CASTELO MELHOR», daí a denominação que veio até aos nossos dias.
Na esquina norte da «RUA ORIENTAL DO PASSEIO PÚBLICO» funcionou em 1856/57 o «TEATRO DOS PAÍSES-BAIXOS», num barracão armado. No centro dos terrenos, a partir de 1845, foi montado o «CIRCO DE MADRID».
Igualmente na esquina da «RUA DOS CONDES», ficava o «TEATRO DA RUA DOS CONDES» inaugurado em 1765 e que findou em 1882.
Nesta quarteirão funcionou no século XX o "stand" da «GUERIN» (Comércio de Automóveis), mais tarde o «CENTRO COMERCIAL GUERIN». Na esquina da Avenida com o «LARGO DA ANUNCIADA», existe as instalações da «COMPANHIA DAS ÁGUAS DE LISBOA», hoje EPAL.
Com entrada pela «RUA DAS PORTAS DE SANTO ANTÃO» encontramos o «PÁTIO DO TRONCO», e no tempo deste Palácio existiu a «CADEIA MUNICIPAL DO TRONCO», local onde esteve detido o nosso poeta «LUÍS DE CAMÕES».
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «AVENIDA DA LIBERDADE [ VIII ] - PARQUE EDUARDO VII»





sábado, 25 de setembro de 2010

AVENIDA DA LIBERDADE [ VI ]

Avenida da Liberdade - (200_) Foto de Dias dos Reis (Um troço da Avenida da Liberdade) in DIAS DOS REIS
Avenida da Liberdade (2004) - Fotógrafo não identificado (Canteiro na Avenida da Liberdade) in SKYSCRAPERCITY

Avenida da Liberdade - (1959) Foto de Garcia Nunes (Avenida da Liberdade junto da Rua do Salitre) in AFML


Avenida da Liberdade - (1930 ou 1934) Foto de Ferreira da Cunha (Uma panorâmica da Avenida da Liberdade) in BIC LARANJA



Avenida da Liberdade - (1928)? Colecção de Ferreira da Cunha - (retirado do blogue «BIC LARANJA» de 24.06.2006) (Avenida da Liberdade naquela época, com cavaleiros e tipóias a utilizarem o lado esquerdo) in AFML




(CONTINUAÇÃO)
AVENIDA DA LIBERDADE [ VI ]
«A AVENIDA DA LIBERDADE (4)»
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Voltando à evolução da «AVENIDA DA LIBERDADE», foi naturalmente concebida como artéria de grande circulação, o que entristeceu muitos lisboetas na época, saudosos do simpático «PASSEIO PÚBLICO». E, em pouco tempo, o tráfego de barulhentas carruagens começou a dar lugar aos primeiros automóveis, ainda mais barulhentos e "diabólicos" para com o sossego dos peões.
Para compensar, foram construídas alamedas no meio da avenida, arborizadas, mas que ficavam muito aquém do conceito de "Parque". Com o correr dos tempos - e o alargamento das vias rodoviárias - a AVENIDA tornou-se menos cativante para o passeio dos alfacinhas, embora como cópia dos «BOULEVARDS» parisienses, a «AVENIDA DA LIBERDADE» não tenha perdido o seu deslumbramento.
Surgiram edifícios de traça «moderna», alegre e elaborada, contrastante com a sobriedade dos edifícios "POMBALINOS".
A «AVENIDA DA LIBERDADE» foi durante algumas décadas uma "montra" privilegiada para os mais arrojados arquitectos, qual "ex-libris" de um novo urbanismo de Lisboa.
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Cruzam ou desembocam na «AVENIDA» vários arruamentos.
Junto dos RESTAURADORES, no início da «AVENIDA» na parte Oeste, temos a «CALÇADA DA GLÓRIA» com o seu elevador inaugurado em 31 de Outubro de 1884. Na esquina desta calçada, já virada para a «AVENIDA» podemos observar o Café «PALADIUM», desde 17 de Novembro de 1932, tendo sido fundado por «TAVARES & FERREIRA». E o seu arquitecto «RAUL TOJAR».
Na parte Leste temos a «RUA DOS CONDES» assim como o «LARGO DA ANUNCIADA» (que comunica com a AVENIDA) de que falaremos mais à frente.
Seguem-se a «TRAVESSA DA GLÓRIA» e a «RUA DA CONCEIÇÃO DA GLÓRIA», a Oeste mais para cima está a rua de acesso à «PRAÇA DA ALEGRIA», e a «RUA DAS PRETAS» a Leste, comunicando entre si, cruzando a Avenida.
Segue-se a Oeste, a unem-se em nome e no terreno a «TRAVESSA DO SALITRE» (antiga Travessa das Vacas) e «RUA DO SALITRE»; espreita à direita, em desnível o que resta da antiga «TRAVESSA DA HORTA DA CERA» e mais à frente a «RUA JÚLIO CÉSAR MACHADO» (antiga Travessa do Moreira), na posição a Leste encontramos a «RUA MANUEL DE JESUS COELHO» fazendo esquina com o «TIVOLI».
Mais para cima vamos encontrar a zona mais moderna, surgindo as grandes ruas que atravessam a «AVENIDA» de lado a lado.
Primeiro a «RUA BARATA SALGUEIRO», depois a «RUA ALEXANDRE HERCULANO». No lado Oeste entre estas duas ruas existe uma rua que não atravessando a «AVENIDA» não deixa de merecer a nossa simpatia, trata-se da «RUA ROSA ARAÚJO» (o mentor da Avenida da Liberdade). E servindo como "terminus" natural da «AVENIDA» temos a «PRAÇA MARQUÊS DE POMBAL» com seu monumento ao «MARQUÊS».
Já depois da «AVENIDA» estar concluída e ajardinada, existiu no topo dos talhões no cruzamento com a «RUA ALEXANDRE HERCULANO», quatro estátuas que representavam a «EUROPA», a «ÁFRICA», a «ÁSIA» e a «OCEANIA», foram retiradas para dar lugar aos quatro escritores do século XIX.
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(CONTINUA)-(PRÓXIMO) - «AVENIDA DA LIBERDADE [VII]-PALÁCIO DOS CONDES DE ERICEIRA-(RUA DOS CONDES AO LARGO DA ANUNCIADA)»

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

AVENIDA DA LIBERDADE [ V ]

Avenida da Liberdade - (2006) - Fotógrafo não identificado (Um troço da Avenida da Liberdade) in MENDES E ROSA MARIA
Avenida da Liberdade - (ant. a 1960) - Produzida durante a actividade do Estúdio Mário Novais (1933-1983) Propriedade da Galeria da Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Avenida da Liberdade cruzamento com a Rua Alexandre Herculano, na época em que os eléctricos atravessavam a Avenida) in FLICKR

Avenida da Liberdade - (s/d) Foto produzida durante a actividade do Estúdio Mário Novais (1933-1983) Propriedade da Galeria da Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Avenida da Liberdade junto da RUA DO SALITRE ao fundo o Cinema São Jorge) in FLICKR


Avenida da Liberdade - (s/d) Fotografia produzida durante a actividade do Estúdio Mário Novais (1933-1983) Galeria da Biblioteca de Arte - Fundação Calouste Gulbenkian (Vista aérea de Lisboa, observando-se a Avenida da Liberdade) in FLIKR
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(CONTINUAÇÃO)
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AVENIDA DA LIBERDADE [ V ]
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«A AVENIDA DA LIBERDADE (3)»
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O projecto da «AVENIDA DA LIBERDADE» foi para a frente, graças à energia inquebrantável do Presidente da Câmara, o fontista ou regenerador: «JOSÉ GREGÓRIO ROSA ARAÚJO(1840-1893), que teve o cargo da edilidade, de 1878 a 1885, e nele arruinou considerável fortuna pessoal e a sua saúde.
«ROSA ARAÚJO» defendia a abertura de um largo «BOULEVARD» ou «AVENIDA» em LISBOA, o que veio a concretizar-se pelos anos de 1879-1886, tendo por isso de ser demolido o «PASSEIO PÚBLICO», que funcionava desde a «PRAÇA DOS RESTAURADORES» até à «PRAÇA DA ALEGRIA», sendo considerado na época o mais elegante jardim da cidade.
A Câmara teve grandes dificuldades nas expropriações efectuadas no rasgar da Avenida, cujos esforços foram compensados com o resultado final.
Em 24.07.1879 dava-se início às obras de demolição do «PASSEIO PÚBLICO» que nos últimos dias do ano de 1882 as suas grades começaram a ser arrancadas.
O projecto da «AVENIDA DA LIBERDADE» aprovado pela Câmara Municipal de Lisboa entre 1877 e 1879, retomou anteriores propostas urbanísticas que concebiam a «AVENIDA» como prolongamento do «PASSEIO PÚBLICO», mas com limite na futura «ROTUNDA DO MARQUÊS DE POMBAL».
Podemos concluir que o «PASSEIO PÚBLICO» constitui assim, a primeira pedra da «AVENIDA DA LIBERDADE», no sentido em que lhe apontou a direcção e virá a configurar planos que são os do primeiro troço da AVENIDA oitocentista até à «RUA DAS PRETAS».
A «AVENIDA DA LIBERDADE» deteve-se, porém, após um curso de 1276 metros de comprimento, tendo noventa metros de largura, numa rotunda distributiva de 200 metros de diâmetro, que será consagrada ao «MARQUÊS DE POMBAL», cujo centenário da sua morte se comemorou em 1882.
Esta «AVENIDA» inaugurada no ano de 1886, tal como outras ruas limítrofes que igualmente foram calcetadas e iluminadas.
A «AVENIDA DA LIBERDADE» corria paralelamente às ruas ocidentais que conhecemos, na direcção a «SÃO SEBASTIÃO», cortava a «PRAÇA DA ALEGRIA DE BAIXO» eliminando-a, o final da «RUA DO SALITRE», e ia gerar dois bairros novos. Um deles nasceu a poente , em terrenos do advogado e capitalista «BARATA SALGUEIRO».
Ao longo desta AVENIDA era, porém. necessário impor uma arquitectura condigna (o que levou tempo a fazer e nunca foi conseguido), apesar dos esforços dos anos finais de 80 e iniciais de novecentos, em meia dúzia de palacetes e prédios sumptuosos.
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(CONTINUA)-(PRÓXIMO) - «AVENIDA DA LIBERDADE [ VI ] - A AVENIDA DA LIBERDADE (4)»