quarta-feira, 17 de novembro de 2010

RUA BARROS QUEIRÓS [ I ]

Rua Barros Queirós - (2009) Fotógrafo não identificado (Um troço da Rua Barros Queirós no seu lado poente) in STOCKPHOTOPRO
Rua Barros Queirós - (2008) - Foto Galeria de João (Zona pedonal da Rua Barros Queirós) in PICASA

Rua Barros Queirós - (1970) Foto de Armando Serôdio (A Rua Barros Queirós vista da Rua da Palma) in AFML
Rua Barros Queirós - (1908) - Fotógrafo não identificado - (Travessa de São Domingos) actual Rua Barros Queirós) in AFML

RUA BARROS QUEIRÓS [ I ]

«A RUA BARROS QUEIRÓS»

A «RUA BARROS QUEIRÓS» pertence à freguesia de «SANTA JUSTA». Começa na «RUA DA PALMA» no número um e termina no «LARGO DE SÃO DOMINGOS» no número vinte e um.

Tinha como designação anterior «TRAVESSA DE SÃO DOMINGOS» e por Edital de 21 de Junho de 1926 o topónimo foi alterado passando a designar-se «RUA BARROS QUEIRÓS», para homenagear «TOMÉ JOSÉ DE BARROS QUEIRÓS». A atribuição deste topónimo foi ainda acrescentada com uma legenda de «Ilustre cidadão, vereador da 1ª Câmara Municipal Republicana de Lisboa - 1926».

A «Comissão Municipal de Toponímia» em 19 de Maio de 1950, dá o parecer favorável para serem suprimidos os dizeres da legenda na placa toponímica, ficando só o nome que hoje existe. A troca de «TRAVESSA DE S. DOMINGOS» por «RUA DE BARROS QUEIRÓS» deve-se ao facto de durante a 1ª República se ter verificado acabar com a influência que a religião e a monarquia, tinham na vida quotidiana do povo. Assim, o novo regime alterou a denominação das ruas, praças, largos, por outros relacionados com a «REPÚBLICA».

É extremamente curiosa a figura do político e homem dos jornais que deu nome à popular artéria que liga o «LARGO DE SÃO DOMINGOS» à «RUA DA PALMA» e que eventualmente terá sido a primeira rua da cidade de Lisboa, a ser exclusivamente destinada aos peões. "Curioso" é o adjectivo mínimo que se pode qualificar um homem que foi especialista em problemas financeiros, começa a sua vida como caixeiro, foi dono da casa de candeeiros que ficou longos anos na esquina desta Rua, que hoje tem o seu nome e liga com o «LARGO DE SÃO DOMINGOS», chegou a presidente do Ministério e, no dia seguinte à sua saída do Governo, lá estava ele de novo a vender ao balcão na sua loja. (Outros tempos!)

Diz-nos o mestre «NORBERTO DE ARAÚJO» que: "Junto ao templo Dominicano, assentava, crê-se que já antes de se erguer o Convento, a pequenina ermida de «Nª. Senhora da Purificação» ou da «ESCADA», de grande nomeada na Lisboa velha; o seu lugar era onde está a «CASA DOS CANDEEIROS», que foi de «TOMÉ DE BARROS QUEIRÓS», bom cidadão de Lisboa, e que em 1890 a tomou a «MANUEL JOAQUIM DE OLIVEIRA», que a tinha fundado em 1870».

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA BARROS QUEIRÓS [ II ] - CONVENTO E IGREJA DE S. DOMINGOS (1)».


sábado, 13 de novembro de 2010

RUA EDITH CAVELL

Rua Edith Cavell - (2009) - (A Rua Edith Cavell junto da Rua Morais Soares) in GOOGLE EARTH
Rua Edith Cavell - (2009) - (Panorâmica da Rua Edith Cavell em Lisboa) in GOOGLE EARTH

Rua Edith Cavell - (12.10.1915) - Autor não identificado (Fuzilamento de Edith Cavell na Bélgica pelos soldados alemães) in PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

Rua Edith Cavell - (1914 ou 1915) Autor não identificado (Edith Cavell enfermeira na Cruz Vermelha em Bruxelas-Bélgica) in ENFERMERIA AVANZA

Rua Edith Cavell - (1914) Fotógrafo não Identificado - (Edith Cavell) in WIKIPÉDIA



RUA EDITH CAVELL
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«A RUA EDITH CAVELL»
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A «RUA EDITH CAVELL» pertence a duas freguesias.
À freguesia de «SÃO JORGE DE ARROIOS» todos os números ímpares. Na freguesia de «SÃO JOÃO» todos os números pares.
A «RUA EDITH CAVELL» é uma artéria discreta e pouco comprida. Começa na «RUA MORAIS SOARES» (Antiga Estrada da Circunvalação) e termina na «RUA JOSÉ RICARDO».
Em 14 de Novembro de 1944 na reunião da « COMISSÃO MUNICIPAL DE TOPONÍMIA DE LISBOA», lavrado na acta número dez, foi aprovado o topónimo da «RUA EDITH CAVELL».
EDITH LOUISA CAVELL
Chama-se «EDITEH CAVELL» a enfermeira inglesa da «CRUZ VERMELHA», heroína da nossa rua, que ajudou cerca de 200 soldados aliados, a fugirem da BÉLGICA (ocupada pelos alemães), durante o início da primeira Guerra Mundial.
«EDITH CAVELL» nasceu a 4 de Dezembro de 1865 em «SWARDESTON-NORFOLK» uma aldeia perto de «NORWIC» na GRÃ-BRETANHA, onde seu pai o Reverendo «FREDERICO CAVELL» foi padre durante 45 anos.
Entre os anos de 1900 a 1905 esteve como enfermeira no «ROYAL HOSPITAL DE LONDRES». Em 1907, «EDITH CAVELL» foi solicitada pelo dr. «ANTOINE DEPAGE» para ensinar numa escola recém-criada de enfermagem, que se situava na «RUA DA CULTURA» em BRUXELAS. Um ano depois, dava formação em três hospitais.
Quando em 1914 rebentou a «PRIMEIRA GRANDE GUERRA MUNDIAL», encontrava-se «EDITH» a visitar sua terra de «NORFOLK». Retornou de imediato para «BRUXELAS», onde a sua clínica e escola de enfermagem tinham sido intervencionadas pela «CRUZ VERMELHA».
No Outono de 1914, após a ocupação alemã de «BRUXELAS», «EDITH CAVELL» começou a ajudar soldados britânicos, canalizando-os para a «HOLANDA», que nessa altura era um país neutro. Nos meses seguintes, orientou soldados aliados que manifestamente colocou «EDITH» em violação da lei militar alemã.
Em 3 de Agosto de 1915 é presa e acusada por ajudar soldados inimigos. Foi mantida presa na prisão de «GILLES» durante 10 semanas, as últimas duas em regime de isolamento, e levada a julgamento marcial.
Dir-se-á que «EDITH CAVELL» não foi presa por espionagem como muitos foram levados a acreditar, mas por traição e foi juntamente com mais quatro, todos condenados à morte.
Apesar dos esforços de várias individualidades que pretendiam obter um indulto para «EDITH CAVELL», no dia 11 de Outubro o alemão «BARÃO VON DER LANCKEN» permitia a execução.
Um pelotão de fuzilamento composto de 16 soldados, realizaram a sentença no dia 12 de Outubro de 1915 em «SCHAERBEEK» na BÉLGICA.
Dizem que na execução de «CAVELL» ela desmaiou e caiu por causa da sua recusa em usar uma venda nos olhos, frente ao pelotão de fuzilamento, e enquanto ela estava inconsciente, o oficial alemão, comandante, assassinou-a com um tiro de revolver.
A sua execução foi a representação de um acto de barbárie alemã e de depravação moral.
Entretanto o governo britânico usa a história como propaganda política e «CAVELL» torna-se assim, na mais notável vitima feminina britânica da «PRIMEIRA GRANDE GUERRA MUNDIAL».
Este acontecimento teve um impacto enorme na EUROPA, daí a existência deste topónimo na cidade de LISBOA.
BIBLIOGRAFIA
- Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa (1943-1974) Volume I - 2000 - Edição da C.M.L.
- Pelas Freguesias de LISBOA - São João - Beato - Marvila - Santa Maria dos Olivais - 1993 - Vários - Edição da CML -Pelouro da Educação.
- TRINDADE, António e PEREIRA, Teresa -Cord. - II Jornadas Sobre a Toponímia de Lisboa - 1997 - Edição da CML.
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(PRÓXIMO) - «RUA BARROS QUEIRÓS [ I ] - A RUA BARROS QUEIRÓS»


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

AVENIDA DA LIBERDADE [ XIX ]

Avenida da Liberdade - (31.05.2008) Foto de Dias dos Reis (Cinema São Jorge na Avenida da Liberdade) in DIAS DOS REIS
Avenida da Liberdade - (2008)? Foto de Pedro Rodrigues (Fachada do Cinema S. Jorge na Avenida da Liberdade) in PANORAMIO

Avenida da Liberdade - (1965) Foto de Miguel Villa (Teatro Avenida - Revista "O PECADO MORA AO LADO" com "José Viana", empresário "Vasco Morgado" e "Florbela Queiroz") in FOTOLOG

Avenida da Liberdade - (1912) Foto de Joshua Benoliel (Teatro Avenida inaugurado em 1888, destruído por um incêndio em 1967 e decretada a sua demolição em 1970) in AFML

Avenida da Liberdade - (Início do século XX) Foto de Joshua Benoliel (Teatro Avenida inaugurado no ano de 1888, não chegou a completar cem anos na Avenida da Liberdade) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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AVENIDA DA LIBERDADE [ XIX ]
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«TEATRO AVENIDA - CINEMA S. JORGE - HOTEL VICTÓRIA»
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TEATRO AVENIDA
O «TEATRO AVENIDA» foi construído em terrenos que aqui possuía «JOÃO SALGADO DIAS» por iniciativa deste, ligado a «ALEXANDRE MÓ» e a «ERNESTO DESFORGES».
Foi inaugurado em 11 de Fevereiro de 1888 já como único dono da empresa «ERNESTO DESFORGES», representando uma comédia de nome «DE HERODES PARA PILATOS».
Muitas foram as "Companhias" e "Empresários" que passaram por este teatro na «AVENIDA DA LIBERDADE», não faltando "Companhias francesas" e "Espanholas".
No ano de 1923, o empresário «JOSÉ LOUREIRO» realizou o último contrato de arrendamento com «CARLOS TAVARES» proprietário do edifício na época.
Este contrato vem depois a passar para «VASCO MORGADO» através da viúva de «JOSÉ LOUREIRO».
Em 1950 o proprietário do edifício torna pública a intenção da venda do «TEATRO AVENIDA».
Estava-se num impasse entre a demolição e a viabilidade do teatro.
Entretanto ocorre um incêndio no «TEATRO NACIONAL DONA MARIA II» e a Companhia de «REY COLAÇO - ROBLES MONTEIRO» são forçados a parar as actuações. O empresário «VASCO MORGADO» movido pelo espírito de grande solidariedade, pôs o «TEATRO AVENIDA» à disposição da Companhia do «D. MARIA II».
Iniciaram-se as obras do «TEATRO AVENIDA» que, aparentemente parecia ter superado o "camartelo".
Reabriu o teatro numa noite de gala a 6 de Fevereiro de 1965, com a peça «O MOTIM» de «MIGUEL FRANCOS».
A peça que se seguiu só teve duas representações. Um incêndio no «TEATRO AVENIDA» a 13 de Dezembro de 1967, ocasionado por curto-circuito, deixou novamente a Companhia de «REY COLAÇO-ROBLES MONTEIRO» na situação de paralisação.
Com este incêndio no «TEATRO AVENIDA» acabava definitivamente a representação teatral na «AVENIDA DA LIBERDADE» e a 25 de Setembro de 1970, numa reunião camarária, era decidida a sua demolição.
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SÃO JORGE
O «CINEMA SÃO JORGE» inaugurado no ano de 1950, foi considerado o mais emblemático cinema de LISBOA. O autor do seu projecto foi «FERNANDO SILVAS», que em 1951 recebeu o prémio Municipal de Arquitectura.
Com uma inovadora tecnologia avançada para a época, foi considerado à data da sua inauguração, a maior sala de cinema do país, com cerca de dois mil lugares, ainda hoje recordado pelos lisboetas.
No ano de 1982 sofre obras de renovação, deixando de funcionar uma sala unida, para serem criadas três salas de cinema (duas no piso térreo - antiga plateia) e uma no piso superior (antigo Balcão).
Depois de vários anos sem rumo, no ano 2000 a Câmara Municipal de Lisboa exerceu o direito de compra do imóvel, procedendo de imediato a obras de recuperação do edifício, reabrindo ao público a 24 de Novembro de 2001.
Em Abril de 2003 a gestão do «CINEMA S. JORGE» estava confiada à «EGEAC-E.M.».
HOTEL VICTÓRIA
O edifício do antigo «HOTEL VICTÓRIA» na «AVENIDA DA LIBERDADE» números 168 a 170, foi arquitectura de «CASSIANO BRANCO». Construído no ano de 1936, é considerado imóvel de Interesse Público pelo Decreto número 29-84, DR. 145 de 24 de Junho de 1984, sendo considerado de arquitectura civil modernista.
Representando uma das quatro obras da arquitectura portuguesa contemporânea, o edifício de planta rectangular tem seis pisos.
Está instalado presentemente neste edifício o «CENTRO DE TRABALHO DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS». [FINAL ]
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BIBLIOGRAFIA
ARAÚJO, Norberto de - 1993 - Peregrinação em Lisboa - livro XIV - Patrocínio da Fundação Cidade de Lisboa - VEGA.
FRANÇA, José Augusto - 1997 - LISBOA:Urbanização e Arquitectura - Lisboa - Livros Horizonte
LISBOA DE FREDERICO RESSANO GARCIA(1874-1909) - 1989 - Fundação Calouste Gulbenkian - CML.
MORAIS, João Sousa e ROSETA, Filipe - 2005 - OS PLANOS DA AVENIDA DA LIBERDADE E SEU PROLONGAMENTO - Lisboa - Livros Horizonte.
OLHARES DE PEDRA - 2004 - Edição DEPROSAFEITA,Lda. para a Global Notícias Publicações. S.A..
SANTANA, Francisco e SUCENA, Eduardo (Dir.) - 1994 - DICIONÁRIO DA HISTÓRIA DE LISBOA - 1ª Ed. - SACAVÉM - Carlos Quintas & Associados - Consultores.
VIDAL, Angelina - 1994 - LISBOA ANTIGA E LISBOA MODERNA - Lisboa - Vega.
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SITES E BLOGUES
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(PRÓXIMO) - «RUA EDITH CAVELL - A RUA EDITH CAVELL».

sábado, 6 de novembro de 2010

AVENIDA DA LIBERDADE [ XVIII ]

Avenida da Liberdade , 184 - (05.03.2008) Foto de Dias dos Reis (Cinema TIVOLI na Avenida da Liberdade) in DIAS DOS REIS
Avenida da Liberdade - (200_) Fotógrafo não identificado (Fachada do Cine-Teatro Tivoli) in CINEMA AOS COPOS

Avenida da Liberdade - (Entre 1990 e 1991) Foto de Michel Waldmann - (Fachada do Cinema TIVOLI na Avenida da Liberdade) in AFML

(CONTINUAÇÃO)

AVENIDA DA LIBERDADE [ XVIII ]

«O CINE TEATRO TIVOLI»

Localizado na esquina da «RUA MANUEL DE JESUS COELHO» com a «AVENIDA DA LIBERDADE» sítio da nova área elegante da cidade de Lisboa, foi durante muito tempo o cinema de referência para os "cultos" da cinefilia, sendo igualmente frequentado por várias personalidades do mundo das artes e da cultura.

O «CINE TEATRO TIVOLI» nasceu no ano de 1924, após quatro longos anos de obras, concebido segundo um projecto do Arquitecto «RAUL LINO», afirma-se de um finíssimo gosto "NEOCLÁSSICO", um exemplo único no género, que na época, era uma das melhores salas de LISBOA. A sua capacidade inicial de 1114 lugares, faziam do «TIVOLI» o maior cinema da Capital.

No ano de 1930 foi equipado com "fonocinema" e começou a projectar filmes sonoros, tendo nesse ano sido apresentado o primeiro filme sonoro «A PARADA DO AMOR». Depois da morte do seu proprietário «FREDERICO LIMA MAYER», seu filho «AUGUSTO» instalou no «TEATRO» um palco e camarins.
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A partir dos anos 60 do século XX, começou a adquirir um carácter mais popular. Está na memória de muitos o filme musical «MÚSICA DO CORAÇÃO» que foi um "record" de permanência neste cinema.
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No ano de 1973 o «TIVOLI» é adquirido por «JOÃO ILDEFONSO BORDALO» deixando assim, de pertencer à família «LIMA MAYER».
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Em 1989 era novamente adquirido, desta vez pelo empresário espanhol «EMILIANO REVILLA» que, pouco tempo depois, vendeu a maioria das suas acções a uma empresa de capitais espanhóis.
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No início dos anos 90 do século XX o «TIVOLI» encerrou e chegou a ser alvo de uma tentativa de demolição do seu interior, mas felizmente prevaleceu o bom senso e acabou por se proceder ao restauro de todo o edifício respeitando a traça original. No entanto, a sua capacidade de lugares, foi ligeiramente reduzida para 1088 lugares.
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Em 1999 o «TIVOLI» reabriu as suas portas, funcionando como teatro e concertos, e desde esse período tem prosperado nesta nova actividade.
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No ano de 2004 esta casa de espectáculos foi adquirida pela «LxSkene» empresa de capitais portugueses, actual proprietária do «TIVOLI».
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «AVENIDA DA LIBERDADE [ XIX ] - TEATRO AVENIDA - CINEMA S. JORGE - HOTEL VICTÓRIA».



quarta-feira, 3 de novembro de 2010

AVENIDA DA LIBERDADE [ XVII ]

Avenida da Liberdade - (2005) Foto de APS (O DIÁRIO DE NOTÍCIAS na parte Norte da Avenida da Liberdade, é uma obra do arquitecto «PARDAL MONTEIRO» in ARQUIVO/APS
Avenida da Liberdade - (2007) Fotógrafo não identificado (Obra do Arquitecto "PORFIRIO PARDAL MONTEIRO" o "DN" na Avenida da Liberdade, prémio Valmor e Municipal de Arquitectura) in ULISSES

Avenida da Liberdade - (Ant. 1944) Foto de Fernando Martins Pozart (Edifício do Diário de Notícias, Prémio Valmor de 1948) in AFML

Avenida da Liberdade - (Post. 1940) - Estúdios Mário Novais (Avenida da Liberdade na parte Norte à esquerda podemos ver o Diário de Notícias) in AFML



(CONTINUAÇÃO)
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AVENIDA DA LIBERDADE [ XVII ]

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«O DIÁRIO DE NOTÍCIAS»

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Na parte de cima da «AVENIDA DA LIBERDADE», no lado direito de quem sobe, quase na esquina com a «PRAÇA DO MARQUÊS DE POMBAL», foi construído um vasto edifício (no final da década de trinta do século XX), para receber o jornal «DIÁRIO DE NOTÍCIAS», sob o traçado do Arquitecto «PARDAL MONTEIRO».

A 25 de Abril de 1940, foi inaugurado com uma grande festa a sede histórica do «DIÁRIO DE NOTÍCIAS», situado na «AVENIDA DE LIBERDADE» em Lisboa.

Em 29 de Dezembro de 1864 era publicado o primeiro número do "DN" que viria a tornar-se num dos principais jornais de referência em Portugal, cujo o preço de capa era de dez réis.
Foram fundadores deste jornal «EDUARDO COELHO» e «TOMÁS QUINTINO ANTUNES» que nas primeiras três décadas de vida do "DN" foram marcadas pela direcção do primeiro, jornalista e escritor, que seguiu uma estratégia de implementação e consolidação do jornal, praticando um jornalismo moderno, informativo e independente. «EDUARDO COELHO» introduziu dois novos géneros jornalísticos; o editorial e a grande reportagem.
Foi o primeiro jornal de venda ambulante nas RUAS DE LISBOA e ao fim de seis meses de publicação já tinha cerca de cem vendedores.
Em 1894 seria substituído por «ALFREDO CUNHA» que procurou também, impulsionar o "DN" captando novos colaboradores de qualidade como os escritores «RAMALHO ORTIGÃO», «EÇA DE QUEIRÓS» e «PINHEIRO CHAGAS».
Depois da «REPÚBLICA» e a época tumultuosa que se seguiu, em 1919 o "DN" passou a ser uma Sociedade Anónima (Empresa do Diário de Notícias), assumindo a direcção, «AUGUSTO DE CASTRO»
No ano de 1929 a «EMPRESA DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS» é convertida na «Empresa Nacional de Publicidade, controlada pela «COMPANHIA INDUSTRIAL DE PORTUGAL» e pela «C.G.D.».
Com a criação do «ESTADO NOVO» em 1933 e a consolidação do poder de «SALAZAR», «AUGUSTO DE CASTRO» reassume a direcção do jornal em 1939.
Nos anos 40 do século XX, dá-se a transferência do jornal das suas antigas instalações na «RUA DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS» (antiga rua dos Calafates) no "BAIRRO ALTO", para o novo edifício construído de raiz na «AVENIDA DA LIBERDADE», onde permanece a actual sede do jornal.
Esta prosperidade tem contudo um preço: sob uma forte censura, o "DN" segue a política de servilismo da ditadura.
Com a chegada de «MARCELO CAETANO» ao poder, em 1968, não alterou a censura que só seria desmantelada com a revolução de 1974.
No "caminhar" de todo este percurso, o "DN" já conheceu três séculos diferentes, seguiu políticas editoriais e gestões muito diversificadas, conheceu vários proprietários, incluindo empresas públicas e privadas.
O "DN" nesta altura pertence à «GLOBAL NOTÍCIAS», uma empresa do «GRUPO CONTROLINVESTE MEDIA».
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «AVENIDA DA LIBERDADE [ XVIII ]- O CINE TEATRO TIVOLI».

sábado, 30 de outubro de 2010

AVENIDA DA LIBERDADE [ XVI ]

Avenida da Liberdade - (2002) - Foto de Dias dos Reis (Estátua de Almeida Garrett na Avenida da Liberdade, escultura de BARATA FEYO) in DIAS DOS REIS
Avenida da Liberdade - (2008) - Fotógrafo não identificado (Estátua de Almeida Garrett na Avenida da Liberdade) in MARCAS DAS CIÊNCIAS E DAS TÉCNICAS

Avenida da Liberdade - (c. 1950) Foto de Horácio Novais (Estátua de Almeida Garrett na Avenida da Liberdade) in AFML
Avenida da Liberdade - (Post. 1950) Foto de Cláudio Madeira (Estátua de Almeida Garrett na Avenida da Liberdade) in AFML
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(CONTINUAÇÃO)
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AVENIDA DA LIBERDADE [ XVI ]
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«ESTATUÁRIA NA AVENIDA ( 7 ) - ALMEIDA GARRETT»
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A Estátua de «ALMEIDA GARRETT» foi esculpida em mármore está sobre plínto de pedra, com 2,88 metros executada por «SALVADOR BARATA FEYO», nos anos de 1945 e 1946.
Encontra-se localizada na «AVENIDA DA LIBERDADE» no cruzamento com a «RUA ALEXANDRE HERCULANO», fazendo parte das quatro estátuas que integram o conjunto dedicado a escritores do século XIX, e colocada no extremo de um dos talhões da «AVENIDA», tendo sido inaugurada em 27 de Maio de 1950.
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«ALMEIDA GARRETT», grande vulto da literatura portuguesa, deixou para a posteridade várias obras precursoras do romantismo em Portugal, onde se destacam «FREI LUÍS DE SOUSA» e «VIAGENS NA MINHA TERRA».
Oriundo do PORTO, foi estudar DIREITO para COIMBRA em 1816, em pleno auge das ideias liberais que o haviam de levar a exilar-se voluntariamente em INGLATERRA, aquando da «VILA-FRANCADA».
Só em 1826 regressou a Portugal, já com dois poemas publicados em FRANÇA, mas acabou por voltar a INGLATERRA devido à ascensão de «D. MIGUEL I» ao poder. Regressou definitivamente em 1836 ao seu país, depois de uma passagem por «BRUXELAS» como encarregado de negócios, dedicando-se de corpo e alma à Política a à literatura.
Aderiu moderadamente ao «SETEMBRISMO» e «PASSOS MANUEL» encarregou-o de restaurar o «TEATRO EM PORTUGAL».
É a «ALMEIDA GARRETT» que se deve a criação do «TEATRO NACIONAL DE D. MARIA II», pensado como teatro modelo, e foi no contexto de produção de peças dramáticas que pudessem ali ser representadas que surgiram as suas obras «UM AUTO DE GIL VICENTE» e «D. FILIPA DE VILHENA».
Segundo alguns analistas, estas mais não são do que obras preparatórias de «FREI LUÍS DE SOUSA», uma verdadeira tragédia cristã, por muitos considerada a sua obra-prima.
«ALMEIDA GARRETT» sempre rejeitou a classificação de "Romântico" mas foi com este epíteto que passou para a história. De acordo com alguns estudiosos do autor e da sua obra, o escritor procurou sempre conciliar os opostos, tentando conjugar a extroversão do seu eu profundo com a aparência de mundanidade.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «AVENIDA DA LIBERDADE [ XVII ] - O DIÁRIO DE NOTÍCIAS»


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

AVENIDA DA LIBERDADE [ XV ]

Avenida da Liberdade - (2005) Foto de APS (Estátua do Marquês de Pombal no final da Avenida da Liberdade) in ARQUIVO/APS
Avenida da Liberdade - (200_) Foto de MICK (Monumento ao Marquês de Pombal) in GOOGLE EARTH

Avenida da Liberdade - (2005) Foto de APS (A estátua do Marquês de Pombal vista da Avenida da Liberdade) in ARQUIVO/APS


Avenida da Liberdade - (01.05.1975) - Foto de APS ( A estátua do Marquês de Pombal vista da Avenida Fontes Pereira de Melo (antiga Avenida do Campo Grande), no dia feriado do trabalhador, comemorado em liberdade pela primeira vez) in ARQUIVO/APS

Avenida da Liberdade - ( 01.05.1975) - Foto de APS (Estátua do Marquês de Pombal no primeiro de Maio em liberdade) in ARQUIVO/APS


(CONTINUAÇÃO)
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AVENIDA DA LIBERDADE [ XV ]
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«ESTATUÁRIA NA AVENIDA ( 6 ) - MONUMENTO AO MARQUÊS DE POMBAL»
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«SEBASTIÃO JOSÉ DE CARVALHO E MELO», Marquês de Pombal e Conde de OEIRAS, foi primeiro Ministro de «D. JOSÉ I» no período de 1750 a 1777, sendo o grande responsável pela maior reconstrução de «LISBOA», após o terramoto de 1755.
Na «PRAÇA MARQUÊS DE POMBAL» antiga «ROTUNDA» na parte Norte da «AVENIDA DA LIBERDADE», existe estatuária bem conhecida por todos, que representa o «MARQUÊS».
A autoria pertence a «FRANCISCO SANTOS», «ADÃES BERMUDES» e «ANTÓNIO DO COUTO».
A altura total é de 40 metros e a figura de «SEBASTIÃO JOSÉ DE CARVALHO E MELO» tem 10 metros.
A sua construção demorou oito anos, entre o lançamento da primeira pedra em 13 de Maio de 1926 e a inauguração em 13 de Maio de 1934. O Monumento foi construído por subscrição pública.
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A base do «MONUMENTO» é rica em alegorias alusivas à acção do «MARQUÊS».
«LISBOA REEDIFICADA» é-nos representada por uma figura feminina olhando a «AVENIDA DA LIBERDADE».
A «PROA DA NAU» simboliza a renovação da «MARINHA MERCANTE».
A estátua de «MINERVA» representa a «REFORMA DO ENSINO», com uma frontaria no fundo (a UNIVERSIDADE).
A «AGRICULTURA» é representada por um grupo escultórico que inclui uma «JUNTA DE BOIS», um «HOMEM COM ARADO» e uma mulher carregando um «CESTO DE UVAS».
As «REDES» evocam as «PESCAS».
A «INDUSTRIA» é representada por um operário «SOPRANDO O VIDRO».
O «FUSTE» apresenta, nas quatro faces, inscrições sobre a obra do «MARQUÊS».
Na parte superior do «FUSTE», quatro medalhões com as figuras de: «MACHADO DE CASTRO», «D. LUÍS DA CUNHA», «EUGÉNIO DOS SANTOS» e «MANUEL DA MAIA».
O conjunto é encimado pela estátua do «MARQUÊS DE POMBAL» em bronze, que apoia a sua mão esquerda num leão, não para simbolizar o poder, mas, como na altura foi explicado, a FORÇA e a SERENIDADE.
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O «MARQUÊS DE POMBAL» é considerado por todos os especialistas uma das mais controversas e carismáticas figuras da HISTÓRIA PORTUGUESA, com um notável trabalho na área da emancipação económica do país, a par de um legado de despotismo e intolerância.
O «MARQUÊS» (designação popular que ainda hoje perdura e que o identifica), senhor de uma personalidade fortíssima foi um notável estadista, que deixou marca no século XVIII - um período de absolutismo régio, através de uma brutal política de concentração de poder.
O conturbado e controverso processo e posterior execução dos «TÁVORAS» inseriu-se nessa politica.
Na área económica, o «MARQUÊS DE POMBAL» teve como objectivo principal a recuperação e modernização da economia portuguesa, para dessa forma conseguir libertá-la da forte dependência face à economia Inglesa. Contribuindo também para a reforma na Universidade de Coimbra.
«SEBASTIÃO JOSÉ DE CARVALHO E MELO» nasceu em 1699 e depois de estudar em FRANÇA e LONDRES regressou a PORTUGAL, onde veio a casar com «D. TERESA DE NORONHA». E, desde logo numa manifestação de categórica afirmação pessoal, fê-lo após o rapto da noiva, dada a oposição da família «ALMADA» à união.
Depois do Terremoto de 1755, ocupou-se da reconstrução de «LISBOA» e soube rodear-se de reputados técnicos, como os Engenheiros «EUGÉNIO DOS SANTOS», «CARLOS MARDEL» e «REINALDO MANUEL DOS SANTOS».
Deste trabalho resultou, nomeadamente, o que é hoje conhecido como a «BAIXA POMBALINA», o coração e um dos "EX-LÍBRIS" da cidade de LISBOA.
Exilado por «D. MARIA I», logo que subiu ao trono após a morte de «D. JOSÉ I», e longe do centro político, «SEBASTIÃO JOSÉ DE CARVALHO E MELO» morreu em 1782, aos 83 anos.
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «AVENIDA DA LIBERDADE [ XVI ] - ESTATUÁRIA NA AVENIDA (7)-ALMEIDA GARRETT».