sexta-feira, 30 de setembro de 2011

RUA DO SÉCULO [ IX ]

Rua do Século - (2010) - (A "RUA DO SÉCULO" junto da meia-laranja e do Chafariz) in GOOGLE EARTH

Rua do Século - (s/d) - Fotógrafo não identificado (Antigo "PALÁCIO DOS CARVALHOS DA RUA FORMOSA" in AFML

Rua do Século, 68 a 84 - (Início do século XX) Foto de Joshua Benoliel (Antigo Palácio dos Carvalhos da Rua Formosa, local onde esteve instalado o Consulado Espanhol e explodiu a primeira bomba) in AFML

(CONTINUAÇÃO) - RUA DO SÉCULO [ IX ]

«O PALÁCIO DOS CARVALHOS DA RUA FORMOSA (4)»

Em paralelo com «CARLOS MARDEL» desenvolveu-se uma cenográfica operação urbanística fronteira ao palácio, com o fim de engrandecer a envolvente. Um jogo barroco de linhas curvas e rectas permitiu o alargamento de parte da «RUA FORMOSA» com a criação de duas meias-laranjas, tendencionalmente simétricas. Numa, frente à entrada do palácio, foi erguido o delicado chafariz, enquanto na outra se rasgavam elaborados portais de acesso a cavalariças. Entre ambas e vencendo a rampa dos «CAETANOS», eram levantados alguns edifícios de rendimento.

O edifício camarário que chegou aos nossos dias é, pois. o resultado de um acumular de transformações várias ao longo dos tempos. Por um lado somos confrontados com mudanças de atitude face ao estar e ao gosto, que se reflectem no viver o espaço. Uma catástrofe, o Terramoto de 1755, leva igualmente obras de remodelação. Por outro lado, a venda e o aluguer da propriedade em fracções vai criar uma nova espaciosidade, dando origem a subdivisões e tornando estanques espaços outrora ligados. No primeiro caso, estão as intervenções conhecidas realizadas por «SEBASTIÃO JOSÉ DE CARVALHO E MELO» que mantém a lógica do aparato barroco.

Depois, os amplos espaços vão ser alterados por um novo sentido de intimidades burguesas. Subdividem-se salões, criam-se corredores. O novo espírito terá dado origem a uma campanha de obras, provavelmente do fim do primeiro quartel do século XIX, como parecem indicar as primeiras neoclassicistas de algumas salas do rés-do-chão. Alterado o seu uso original de residência palaciana unifamiliar, a adaptação a novas funções, com a manutenção de habitação no piso térreo e na cave, e a instalação de serviços no andar nobre e sótão, teve os seus custos que se reflectiram numa nova compartimentação, introduzindo cortes na circulação e espaços.
O levantamento e remodelação da cobertura tornaram legíveis algumas das principais transformações introduzidas no andar e que nos finais de seiscentos apresentava uma sucessão de três grandes Salões abertos à «RUA FORMOSA», cujos tectos de caixotão deveriam ser todos de madeira pintada, e, muito provavelmente, se abrir em " U " para o jardim a poente, para onde abria o grande salão que corresponde ao actual salão nobre, a sul, e a entrada principal, sobre a cozinha, a norte.

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DO SÉCULO [ X ] - O PALÁCIO DOS CARVALHOS DA RUA FORMOSA ( 5 )».




terça-feira, 27 de setembro de 2011

RUA DO SÉCULO [ VIII ]

Rua do Século - (2008) Foto de Dias dos Reis (Antigo "PALÁCIO DOS VISCONDES DE LANÇADA" na "RUA DO SÉCULO") in DIAS DOS REIS

Rua do Século - (194_) Foto de Horácio Novais (Palácio Pombal com seu brasão, na antiga "RUA FORMOSA" hoje "RUA DO SÉCULO) in AFML

Rua do Século - (19__) Foto de Paulo Guedes (Instalações do jornal "O SÉCULO" no antigo PALÁCIO DOS CARVALHOS DA RUA FORMOSA) in AFML

(CONTINUAÇÃO) - RUA DO SÉCULO [ VIII ]

«O PALÁCIO DOS CARVALHOS DA RUA FORMOSA ( 3 )»

Existe notícia da existência de um oratório em 1754, mas não nos parece tratar-se do mesmo, dado existir um vão de parede de peito na cobertura que abria para o exterior e que está entaipado desde a segunda metade de setecentos, tendo recebido um medalhão de estuque. Uma intervenção de oitocentos subdividiu ainda mais esta área pelo que se perdeu a leitura precisa da sua fisionomia ao tempo do MARQUÊS. Graças à intervenção de reorganização da cobertura, foi posta a descoberto parte significativa da decoração pictórica do tecto pré-Terramoto. Trata-se de um conjunto de TÁBUAS PINTADAS, datadas de finais do século XVI, que se pretende venha a ser restaurado e recolocado "in situ". Apesar de incompleto apresenta uma interessante composição pictórica. (...) No JARDIM as obras de embelezamento criaram jogos de circulação muito particulares, já que o acesso ao patamar inferior se fazia, em parte, através de túnel sob duas casas de fresco criadas à semelhança de "PAGODES CHINESES" que enquadravam lateralmente o patamar superior. Fontes e mirantes contribuíram para animar o espaço. Na plataforma superior destaca-se o lago central, em forma de caderna decrescente, cujo repuxo simboliza uma estrela de oito pontas, o que remetia para o escudo da família dos CARVALHOS.

A norte, uma fonte com nereide cavalgando num golfinho é enquadrada por uma construção em forma de arco, onde se inscrevia um medalhão representando a face do NEPTUNO, coroado por dois bustos de terracota, adossados a uma parede. Idêntica construção repete-se no lado oposto, em arco-mirante. Os alegretes foram revestidos por painéis de azulejos figurativos (...) atribuídos à «REAL FÁBRICA DO RATO(1767-1834)» e datáveis entre 1771 e 1774.

A fachada-cenário, entrada nobre por excelência, talvez segundo risco de «CARLOS MARDEL», ostenta pedra de arma do MARQUÊS sobre o vão da janela de sacada de cantaria mais elaborada, rasgado a eixo entre os dois grandes portais de espessas molduras arredondadas. Pelo lado sul acedia-se à entrada principal do PALÁCIO que conduzia, lateralmente, à escadaria de aparato que levava ao andar nobre, e, em frente, ao pátio, no fundo do qual existiam as cavalariças, saindo-se pelo portão a norte.

(CONTINUA) -(PRÓXIMO) -«RUA DO SÉCULO [ IX ] - O PALÁCIO DOS CARVALHOS DA RUA FORMOSA ( 4 )».





sábado, 24 de setembro de 2011

RUA DO SÉCULO [ VII ]

Rua do Século - (2011) - Foto de Luís Boléo (Rua da Academia das Ciências, no lado esquerdo a parte de trás do PALÁCIO DO MARQUÊS) in PANORAMIO

Rua do Século - (1960) Foto de Vasco Gouveia de Figueiredo (Antigo Palácio dos Carvalhos da Rua Formosa) in AFML


Rua do Século - (1905-01) - Foto de Joshua Benoliel (Antigo Palácio dos Carvalhos da Rua Formosa, depois dos Viscondes de Lançada e mais tarde instalações do jornal "O Século") in AFML

(CONTINUAÇÃO) - RUA DO SÉCULO [ VII ]

«O PALÁCIO DOS CARVALHOS DA RUA FORMOSA ( 2 )»

Por razões de família ou profissionais, as estadas de «CARVALHO e MELO» no Palácio foram muito alternadas. Também o Terramoto de 1755 o terá levado a abandonar o Palácio e durante os anos seguintes assistiu-se às campanhas de obras para a recuperação e engrandecimento do imóvel. Até à morte em 1886 do 5º Marquês, «MANUEL JOSÉ DE CARVALHO MELO DAUN ALBUQUERQUE SOUSA e LORENA», o edifício terá sido a residência preferida, em Lisboa, dos «POMBAL». Depois, assistimos às primeiras partilhas do PALÁCIO. Contudo, é a partir de 1906 que se desmembra efectivamente o conjunto edificado. «JOSÉ RODRIGUES SANCHES», carvoeiro, adquire o corpo de esquina (actual atelier de Arquitectos e Restaurante); «ALFREDO ALVES & FILHO» adquire o núcleo junto à «ACADEMIA DAS CIÊNCIAS», o pátio, parte dos Jardins e hortas, onde mais tarde se irá instalar a «COMETNA» e, por último, em 1921, «JOSÉ DA SILVA GRAÇA», proprietário e director do Jornal "O SÉCULO", instalado no contíguo «PALÁCIO DOS VISCONDES DE LANÇADA», compra o corpo sul do PALÁCIO que será demolido para ampliação das instalações do JORNAL. A posse do núcleo principal do Palácio mantinha-se num descendente da família, a quem a CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA em 1968 adquire o imóvel.

Independentemente dos estragos que o Terramoto de 1755 possa ter provocado no PALÁCIO, é a ascensão na hierarquia do ESTADO que vai levar «SEBASTIÃO JOSÉ» a fazer obras de engrandecimento na casa de família.

O reconhecimento régio pelo estadista elevá-lo-á a CONDE, em 1759, o que se terá reflectido no início da campanha de obras, como parece indicar a pedra de armas aposta na fachada que abre para a «RUA DA ACADEMIA DAS CIÊNCIAS», e a elevação a MARQUÊS em 1769. É depois desta data que parecem datar as obras mais significativas de engrandecimento do PALÁCIO, com as sumptuosas decorações de estuque, ao gosto rococó, do artista MILANÊS «JOÃO GROSSI», de temática mitológica ( Salão de Baile, Sala Verde e Escadaria), que desmaterializam a espaciosidade.

Uma pequena Capela-Oratório, ricamente decorada com moldurações rococó que envolve medalhões relevados de temática religiosa atribuídos ao mesmo estucador, é então construída truncando o espaço outrora pertencente a um amplo salão seiscentista de tecto em caixotão de madeira pintada.

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DO SÉCULO [ VIII ] - O PALÁCIO DOS CARVALHOS DA RUA FORMOSA ( 3 )».

terça-feira, 20 de setembro de 2011

RUA DO SÉCULO [ VI ]

Rua do Século - (2010) (Fachada do antigo Palácio dos Carvalhos e Lançada na "RUA DO SÉCULO") in GOOGLE EARTH


Rua do Século - (2009) Foto de autor não identificado ( Antigo "Palácio Lançada" foi as instalações do jornal "O Século" e "MAMAOT") in MARCAS DAS CIÊNCIAS E DAS TÉCNICAS

(CONTINUAÇÃO) - RUA DO SÉCULO [ VI ]

«O PALÁCIO DOS CARVALHOS DA RUA FORMOSA ( 1 )»

Com o presente trabalho pretendemos dar conhecimento das descobertas efectuadas no «PALÁCIO DOS CARVALHOS DA RUA FORMOSA», ou «PALÁCIO POMBAL», como normalmente também é conhecido. Este Palácio era cabeça de um vínculo denominado «MORGADO DA RUA FORMOSA», da autoria de «ANTÓNIO MIRANDA» e «HELENA PINTO JANEIRO», publicado na revista «CAMÕES - REVISTA DE LETRAS E CULTURA LUSÓFONA», números 15-16 de Janeiro a Junho de 2003, páginas 143 a 149.

A recuperação do «PALÁCIO» iniciada em 12 de Dezembro de 2002, esteve a cargo do «ENGº JOÃO APPLETON» e pela firma «ENGIL», com um valor previsto de 727 mil euros. A obra representa a empreitada Nº 5/2002/GLBA - REABILITAÇÃO ESTRUTURAL DO PALÁCIO POMBAL, para a CML, com prazo estimado de um ano.

O edifício que actualmente identificamos como «PALÁCIO POMBAL», propriedade Municipal, é apenas parte de um extenso conjunto palaciano hoje amputado e na posse de diversas entidades. O PALÁCIO primevo, de fundação seiscentista, terá sido levantado em estilo chão por «SEBASTIÃO CARVALHO E MELO», avô do futuro «MARQUÊS DE POMBAL». No seu apogeu, na segunda metade do século XVIII, apresentava uma extensa implantação em "L", constituíndo-se em quatro núcleos edificados que se articulavam com um cenográfico Jardim em patamares. Na parte edificada a norte, junto da «RUA DA ACADEMIA DAS CIÊNCIAS», e cavalariças anexas instalaram-se, no século XX, os escritórios de uma unidade fabril, a "COMETNA", cuja fábrica cresceu no patamar inferior do jardim. Apesar de muito transformado, este núcleo mantém algumas salas abóbadas e parte significativa da monumental cozinha do palácio.

Integra actualmente (2002) a «ESCOLA SUPERIOR DE DANÇA». A partir deste corpo estabelecia-se a ligação às hortas, no lado oposto da rua. Um pequeno aqueduto e uma casa de fresco-passadiço galgam a «RUA DA ACADEMIA DAS CIÊNCIAS». Esta última assegurava a ligação aos terraços sobre edifícios de apoio de onde se completavam as hortas, terrenos em que se ergueu um condomínio privado. Dobrando a esquina para a «RUA DO SÉCULO», um segundo núcleo, o edifício de menor dimensões, hoje propriedade particular e atelier de arquitectura. Dele parte a extensa fachada principal que acompanhando a ligeira inflexão da «RUA DO SÉCULO», abrangia dois outros núcleos, até ao «PALÁCIO LANÇADA» mais para sul.

O corpo externo foi sacrificado nos inícios de novecentos para dar lugar ao edifício do jornal «O SÉCULO». O que subsiste corresponde à parte central principal do PALÁCIO, na posse do município desde 1968. Apresenta três pisos, sendo um em cave, que devido ao desnível topográfico, corresponde ao andar térreo para tardoz, por onde se acede ao primeiro patamar do Jardim. Neste núcleo se pode ainda observar, entre outros elementos decorativos, magníficos estuques relevados rococó e um notável conjunto de silhares de azulejos dos séculos XVII e XVIII, alguns de proveniência desconhecida.

Um pátio interior de razoáveis dimensões, escondido por detrás da fachada-cenário onde se rasgam os portões monumentais de acesso ao «PALÁCIO», une os três núcleos que chegaram até aos nossos dias. Os jardins em degraus, a tardoz, estabeleciam ligação visual com as cercas dos Conventos de «JESUS» e dos «PAULISTAS» e os jardins do «PALÁCIO LANÇADA», possibilitando uma magnifica vista sobre os campos e o Tejo.

Uma lápide na fachada principal indica ter sido no «PALÁCIO» que nasceu o futuro Marquês, em 13 de Maio de 1699. O baptismo está documentado como tendo sido realizado, em 6 de Junho de 1699, na «IGREJA DAS MERCES» da «RUA FORMOSA», cujo padroado pertencia à família. No «PALÁCIO» o Marquês terá passado grande parte da sua infância e juventude.

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DO SÉCULO [ VII ] - O PALÁCIO DOS CARVALHOS DA RUA FORMOSA ( 2 )».





sábado, 17 de setembro de 2011

RUA DO SÉCULO [ V ]

Rua do Século - (1943-01) Foto de EDUARDO PORTUGAL (O "ALTO DO LONGO", junto da "RUA DO SÉCULO" in AFML
Rua do Século - (1967) - Foto de Vasco Gouveia de Figueiredo ("ALTO DO LONGO", 28-A perto da "RUA DO SÉCULO" in AFML

Rua do Século - (Anos 60 do século XX) - Foto de Artur Goulart ("ALTO DO LONGO", 1-3 junto da "RUA DO SÉCULO") in AFML

Rua do Século - (1953) Foto de Fernando Martinez Pozal (O Chafariz no "ALTO DO LONGO" na "RUA DO SÉCULO" datado de 1937) in AFML

Rua do Século - (1943-01) Foto de EDUARDO PORTUGAL ("ALTO DO LONGO" na "RUA DO SÉCULO" vista da "RUA D. PEDRO V") in AFML

Rua do Século - (ant. 1945) - Foto de Fernando Martinez Pozal ("Alto do Longo" na entrada da "RUA DO SÉCULO") in AFML


(CONTINUAÇÃO) - RUA DO SÉCULO [ V ]


«O ALTO DO LONGO»


O «ALTO DO LONGO» chamado em tempos recuados do "Presépio da humanidade e pobreza", formando uma curva esta pequena travessa de dois metros com casas pequenas, de um certo ambiente pitoresco tolerável.


Esta artéria é analisada "burlescamente" pelo mestre "JÚLIO DE CASTILHO" no seu livro «LISBOA ANTIGA - O BAIRRO ALTO " - volume III, pág. 272. «Esse "ALTO DO LONGO", de nefasta memória, foi até há trinta anos uma "COUR DES MIRACLES", medonha pela qualidade dos frequentadores habituais dos dois sexos. Em sessão da Câmara de 13 de Dezembro de 1860 o vereador «VAZ RANS» leu o auto da vistoria feita em 30 de Novembro ao "ALTO DO LONGO", reconhecendo todos a necessidade de demolir aquelas baiucas indecentes (1). Desde então penetrou ar, luz, e polícia nessa paragem nefasta. Ainda bem! Aquilo não era LISBOA ANTIGA; era LISBOA imunda (2).


Também «NORBERTO DE ARAÚJO» retrata o sítio desta forma: "Janelas quase rentes ao chão, beirais sem flor à altura de um braço, dois pátios de presépio pobre de cartolina - eis o "ALTO DO LONGO". (...) Não chega isto a ser um sítio, e em rigor não se pode dizer que seja um pátio (...). Uma vaga reminiscência setecentista, anterior ao terramoto por sua idade - que ressuma, sem miséria, uma discreta melancolia. Em verdade - uma sobrevivência".


O porquê de se chamar «ALTO DO LONGO». Tudo indica tratar-se de um quarto avô materno de «ALEXANDRE HERCULANO» um homem de estatura alta, cuja alcunha era o «LONGO» e assim deu nome ao sítio. O «ALTO DO LONGO» terá possivelmente principiado por ser, na «COTOVIA», uma espécie de «Bairro pequeno das minhocas» do século XVIII. Dizia-se há alguns anos atrás que o sítio estava à espera do camartelo. No presente ainda se mantém o «ALTO DO LONGO», muito mais arranjado que outrora, fazendo lembrar uma parte de ALFAMA, na «RUA DO SÉCULO».

- ( 1 ) - Arch. Mun. de Lisboa- 1866 - Nº 365, pág. 2946.

- ( 2 ) - Possivelmente o «LONGO» que deixou o nome ao sítio, foi um «JOÃO FRANCISCO» que tinha essa alcunha e que ali viveu no segunda quartel do século XVIII. Este «JOÃO FRANCISCO» era o 4º avô materno de «ALEXANDRE HERCULANO». No livro «DEPOIS DO TERRAMOTO», páginas 150 e 151, menciona este facto. (Nota de M.S.)


(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DO SÉCULO [ VI ] - O PALÁCIO DOS CARVALHOS DA RUA FORMOSA (1)».


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

RUA DO SÉCULO [ IV ]

Rua do Século - (2011) - (Vista da "RUA DO SÉCULO" à esquerda a entrada principal do antigo "PALÁCIO RATTON", hoje "TRIBUNAL CONSTITUCIONAL DE PORTUGAL") in GOOGLE EARTH

Rua do Século - (2011) - (Interior do antigo "PALÁCIO RATTON" hoje "TRIBUNAL CONSTITUCIONAL" na RUA DO SÉCULO) in ALEXANDER RACINI

Rua do Século - (2008) - (Entrada do antigo "PALÁCIO RATTON" hoje "TRIBUNAL CONSTITUCIONAL" na RUA DO SÉCULO) in HORTA DO ZORATE

(CONTINUAÇÃO) - RUA DO SÉCULO [ IV ]

«O PALÁCIO DE JÁCOME RATTON ( 2 )»

«RATTON» motivado pela sua simpatia às novas ideias económicas, associava porventura uma outra, pelas ideias políticas, difundidas na «REVOLUÇÃO FRANCESA». Torna-se assim, um alvo suspeito da Intendência-Geral da Polícia, a qual no ambiente de perseguição aos «JACOBINOS» e «AFRANCESADOS» vivido durante o período das «INVASÕES FRANCESAS». Assim, vem acusado «RATTON» de colaborar com o inimigo, estando incluído nas listas das vítimas da «SETEMBRIZADA DE 1810». Foi então forçado a um exílio em LONDRES, donde só regressaria em 1816. Durante os anos de exílio teve a inspiração para escrever, «RECORDAÇÕES SOBRE OCORRÊNCIAS DO SEU TEMPO» LONDRES - 1813, fonte importante para o reconhecimento da história portuguesa da segunda metade do século XVIII.

«JÁCOME RATTON» talvez uma das figuras mais curiosas de LISBOA no século XIX, edificou e reedificou o seu Palácio onde morava na «RUA FORMOSA». Este Palácio coube por herança ao «BARÃO DE ALCOCHETE» «BERNARDO DAUPIAS».

Em 16 de Janeiro de 1878 o Palácio foi vendido, diz-se que se tratava de um imóvel que o estilo se aproximava do neoclássico, de influencia francesa, país da nacionalidade dos seus primeiros proprietários e que se devem ter inspirado ao tempo de «LUÍS XVI». Já no ano de 1875 tinha-se procedido ao leilão do rico recheio que existia no Palácio.

O Palácio foi adquirido por vinte e dois mil réis (preço sem dúvida abaixo do seu valor real), o seu comprador foi o fundador da Casa Bancária que deu origem ao «BANCO TOTTA», «FORTUNATO CHAMIÇO». Pouco tempo depois de o ter comprado «FORTUNATO CHAMIÇO» mandou fazer obras de transformação. A planta, ainda do ano de 1878, com requintes oitocentistaa mostrava já o acrescento da parte na ala esquerda que então foi executada. Também se deve datar dessa época a sala árabe muito ao gosto do findar do século XIX. Do mesmo modo foi construído ao lado do já existente, um jardim de "Inverno". Por morte de «FORTUNATO CHAMIÇO» este Palácio passou a sua filha senhora «D. AMÉLIA CHAMIÇO» viúva de «FREDERICO BIESTER», que por morte desta, passou o legado a sua tia «D. CLÁUDIA DE FREITAS CHAMIÇO».

Em 1914 era proprietário do Palácio, u m descendente de «FORTUNATO CHAMIÇO» «D. AMÉLIA CARVALHO», que nele viveu até 1967. Em 1982 foi adquirido pelo «MINISTÉRIO DA JUSTIÇA» toda a propriedade e jardins, para nele instalar o «TRIBUNAL CONSTITUCIONAL DE PORTUGAL». Este Tribunal funciona na «RUA DO SÉCULO » no número cento e onze, sendo um órgão CONSTITUCIONAL DE PORTUGAL. A sua competência principal é a fiscalização das Leis e Decretos-Leis com a «CONSTITUIÇÃO». No exercício das suas funções os juízes do «TRIBUNAL CONSTITUCIONAL» usam BECA e COLAR, podendo também usar CAPA sobre a BECA.

Em nota final podemos afirmar que as sucessivas famílias que habitaram este Palácio: «RATTON, DAUPIAS, DUQUE DE ALCOCHETE, CHAMIÇOS, e D. ADELAIDE CARVALHO», eram pessoas de fortuna, com muito bom gosto, que mantiveram este belo imóvel sendo hoje considerado um dos Palácios dos serviços públicos mais atractivos.

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DO SÉCULO [ V ] - O ALTO DO LONGO»








sábado, 10 de setembro de 2011

RUA DO SÉCULO [ III ]

Rua do Século - (2010) - ("TRIBUNAL CONSTITUCIONAL" antigo "PALÁCIO RATTON" na "RUA DO SÉCULO") in ENCICLOPÉDIA

Rua do Século - (2010) - ("RUA DO SÉCULO" à esquerda a entrada para o antigo "PALÁCIO RATTON", hoje o "TRIBUNAL CONSTITUCIONAL") in GOOGLE EARTH

Rua do Século - (2010) - (Panorama do antigo "PALÁCIO RATTON" onde hoje se encontra instalado o "TRIBUNAL CONSTITUCIONAL") in GOOGLE EARTH

(CONTINUAÇÃO) - RUA DO SÉCULO [ III ]
«O PALÁCIO DE JÁCOME RATTON ( 1 )»

«JÁCOME RATTON»(1736-1822) de origem francesa veio para Portugal com seus pais no ano de 1747. Mais tarde naturalizado português que lhe viria a trazer grandes benefícios, era dotado de um espírito empreendedor, notabizando-se como um homem de negócios. Este comerciante e industrial, tinha um Palácio na «RUA FORMOSA»(hoje RUA DO SÉCULO), vizinho do «PALÁCIO DOS CARVALHOS ou MARQUÊS DE POMBAL».

Por altura das INVASÕES FRANCESAS o chefe do Estado-Maior, «BARÃO DE THIEBAULT», procurou residir neste palácio de «JÁCOME RATTON». Estava na casa de um patriota que tinha conseguido fazer fortuna em Portugal desde o reinado de «D. JOSÉ», sendo bastante protegido pelo «MARQUÊS DE POMBAL». O Palácio ainda existe, muito embora já modificado, e quem o observa hoje, mal imagina os acontecimentos históricos a que assistiu. Muito próximo do Palácio ficava a sua fábrica de Chapéus, fronteira com o «PALÁCIO DOS ALVAS», no qual decorreram os tão falados episódios que celebrizaram «D. ISABEL JULIANA MONTEIRO PAIM», sob o cognome (que POMBAL lhe atribuiu) de «BICHINHO DE CONTA». (assunto de que falaremos mais à frente no capítulo XI).

A residência tinha um grande logradouro que dava até à «RUA NOVA DO LOUREIRO»(hoje TRAVESSA DO ARCO DE JESUS) e do terraço podia-se avistar toda e extensão da «RUA FORMOSA» até à «CALÇADA DO COMBRO», atendendo que nessa época os prédios vizinhos não eram altos. Podemos antever como seriam as casas de «JACOME RATTON», (nessa época) com seu pátio onde os cavalos dos oficiais do «ESTADO-MAIOR DE JUNOT» e as ordenanças chegavam a galope, os carros rodavam conduzindo os "convidados", porque, se «JUNOT», era o soberano, «THIEBAULT» podia considerar-se o seu Ministro mais válido. Este «THIEBAULT» beneficiara muito dos «RATTON» e escrevia mais tarde a seu respeito: "O meu hospedeiro, o senhor RATTON pai, encontrou-se particularmente interessado em tornar-me a vida agradável. Além da sua mesa, que me obrigou a aceitar, sob protesto de evitar duas cozinhas na casa, procurou-me excelentes relações, esforçando-se em convidar pessoas que pudessem ser-me úteis. Habitava com seu filho «JACQUES RATTON»; sua cunhada, uma das mais belas mulheres de Portugal, era bondosa e formosa. Morava em casa contígua ao «PALÁCIO POMBAL», ocupado pelo senhor RATTON, e rivalizou com ele para me acumular de gentilezas durante os nove meses e meio que morámos juntos". Depois de escrever diversas amabilidades do rico industrial francês, acrescentou em nota: "Ele fora nobilitado, isto é, elevado a fidalgo e a cavaleiro da Ordem de Cristo. Escolheu para seu brasão TRÊS RATINHOS". Acabaria por modificar mais tarde o «BRASÃO», mudaria o escudo de cor azul, com um mar de prata passante da porta do escudo, sobre o qual se destaca um ATUM da mesma cor e, em chefe, também de prata, carregado, um rato passante da mesma cor. O povo sempre chamou aos estabelecimentos dos descendentes do industrial francês: «AS FÁBRICAS DO RATÃO».

(CONTINUA)-(PRÓXIMO) - «RUA DO SÉCULO [ IV ] - PALÁCIO JÁCOME RATTON ( 2 )»