sábado, 5 de novembro de 2011

RUA DO SÉCULO [ XIX ]

Rua do Século - (2011) - Fotógrafo não identificado - (Fachada lateral do Convento Nossa Senhora da Conceição dos Cardais na "Rua do Século") in SIPA

Rua do Século - (1945) - Fotógrafo não identificado (Convento de Nossa Senhora da Conceição dos Cardais na "RUA DO SÉCULO") in AFML



Rua do Século - (19__) - Foto de Joshua Benoliel (O Convento de Nossa Senhora da Conceição dos Cardais, depois asilo de cegas) in AFML

(CONTINUAÇÃO) - RUA DO SÉCULO [ XIX ]

«O CONVENTO DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DOS CARDAIS ( 1 )»

O «CONVENTO DE Nª. Srª. DA CONCEIÇÃO DOS CARDAIS» também chamado de «CONVENTO DOS CARDAIS», foi fundado em 1681, no sítio dos «CARDAIS», para as freiras «CARMELITAS DESCALÇAS», pela fidalga «D. LUÍSA DE TÁVORA», filha de «ÁLVARO PIRES DE TÁVORA», do Morgado da «TORRE DA CAPARICA». «D.LUÍSA» veio a herdar toda a CASA de seus pais. Foi casada com «LUÍS FRANCISCO DE OLIVEIRA E MIRANDA», um dos homens mais ricos do seu tempo. Depois de enviuvar ingressou a seu pedido e por escolha do Rei «D. JOÃO IV», no «CONVENTO DE SANTOS-O-NOVO» (para o sítio de Xabregas), onde foi comendadeira.

Muito devota de «SANTA TERESA DE JESUS», parecendo-lhe pouco mortificado o viver neste Convento, desejando maior sossego para se entregar aos exercícios espirituais de piedade e devoção, resolveu fundar um «CONVENTO DE RELIGIOSAS CARMELITAS DESCALÇAS». Para isso, aproveitou os edifícios de um recolhimento de mulheres com sua igreja de invocação a «NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO», cujo padroado pertencia à sua CASA que herdara. Para tornar maior a futura instituição, doou alguns terrenos que possuía junto ao mesmo recolhimento, no «SÍTIO DOS CARDAIS», não longe da cerca do «CONVENTO DE JESUS».

As dificuldades da fundação da nova instituição foram rapidamente superadas, e as licenças concedidas, devido à influência de «D. LUÍSA» que mandou iniciar as obras da futura casa aproveitando e aumentando as edificações do antigo recolhimento, gastando com isso uma parte substancial da sua fortuna, consignando para o amparo da mesma; "650 000 mil réis de renda, fixa e perpetua para o sustento de vinte e uma religiosas, e paga dos Capelães e mais pertenças do dito Convento".

Os trabalhos devem ter começado cerca do ano de 1677 e, já no final do ano de 1681, as obras se não estavam totalmente concluídas, permitiam, pelo menos, que a nova comunidade aí se instalasse e vivesse.

Por despacho do "Desembargo do Paço" de 22.11.1681 e alvará de 2 de Dezembro do mesmo ano, o Príncipe Regente «D. PEDRO» autoriza «D.LUÍSA DE TÁVORA» a que "o seu RECOLHIMENTO DA CONCEIÇÃO fosse Convento de Religiosas professas das CARMELITAS DESCALÇAS", sendo expressamente dito no mesmo alvará "de que não teria efeito esta fundação senão depois de feito a fábrica do Convento e posto ele com todas as oficinas em perfeição". Assim, na noite de 7 de Dezembro de 1681, saíram do «CONVENTO DE SANTO ALBERTO» à Pampulha, onde se tinham reunido, dando entrada no novo edifício dos «CARDAIS», esperadas já pela fundadora que as antecedera, as primeiras quatro religiosas. No dia 8 de Dezembro, de manhã muito cedo celebrou-se a primeira missa e entronizou-se o «SANTÍSSIMO SACRAMENTO», tendo lugar nesse mesmo dia (da Imaculada Conceição, padroeira do Reino), a cerimónia da clausura. Mais tarde entraram outras monjas, para perfazer o total de vinte e uma, número limite que a nova instituição comportava.

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DO SÉCULO [ XX ] - O CONVENTO DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DOS CARDAIS ( 2 )

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

RUA DO SÉCULO [ XVIII ]

Rua do Século - (1969) (Gravura) Foto dos Estúdios Mário Novais (Igreja de Nª. Sª. das Mercês "1679?", vendida a 28 de Abril de 1942 a um particular) in AFML

Rua do Século - (Início do século XX) Foto de Joshua Benoleil (Igreja Nª. Sª. das Mercês onde se encontrava o túmulo do Marquês de Pombal, vista da "Travessa das Mercês" ao fundo a "Rua do Século") in AFML


Rua do Século - (s/d)-(Desenho de A. Pedroso)-(1969) Foto dos Estúdios de Mário Novais (Gravura da Igreja de Nossa Senhora das Mercês na "RUA DO SÉCULO" esquina para a "TRAVESSA DAS MERCÊS") in AFML

(CONTINUAÇÃO) - RUA DO SÉCULO [ XVIII ]

«IGREJA DAS MERCÊS»

A «IGREJA DE NOSSA SENHORA DAS MERCÊS» existiu na «RUA DO SÉCULO» esquina com a «TRAVESSA DAS MERCÊS», até meados do século XX.

A primeira «IGREJA DE Nª. Sª. DAS MERCÊS» foi estabelecida inicialmente num recolhimento do mesmo título, fundado junto à «ERMIDA DOS FIÉIS DE DEUS» por Alvará Régio de «D. FILIPE III», datado de 23 de Dezembro de 1623. Tratava-se de uma casa para recolhimento de: "mulheres, irmãs e filhas de pessoas que andam servindo ou tivessem servido fora do Reino". Por contracto de 1 de Dezembro de 1632, foi confirmada a separação desta Igreja da jurisdição das "PAROQUIAS DE SANTA CATARINA E LORETO", constituindo uma nova IGREJA PAROQUIAL.
Em 25 de Novembro de 1651, o padroado da «IGREJA PAROQUIAL DAS MERCÊS», foi doado pelo Cabido a «PAULO DE CARVALHO» Desembargador do Paço, que a transferiu para a sua «ERMIDA DA RUA FORMOSA» (hoje Rua do Século, na freguesia de Santa Catarina), estabelecendo-a como «CABEÇA DE MORGADO»( 1 ).
Nesta Ermida foi baptizado em 6 de Junho de 1699, «SEBASTIÃO JOSÉ DE CARVALHO E MELO», o célebre «MARQUÊS DE POMBAL», e aí estiveram depositados os seus ossos, num túmulo completamente abandonado durante aproximadamente um século, até que os «REPUBLICANOS» em 1923, fizeram a sua transladação para a «IGREJA DA MEMÓRIA» no Alto da Ajuda.

A «PARÓQUIA DAS MERCÊS» foi transferida para a «IGREJA DE NOSSA SENHORA DE JESUS» no «LARGO DE JESUS» no segundo quartel do século XIX, ficando a "ERMIDA" na posse dos «CARVALHOS». Sabemos que em 1942 não estando já ao serviço do culto, foi vendida a desmantelada, dando lugar a um belíssimo edifício de habitação e comércio, onde está instalado no r/c da «TRAVESSA DAS MERCÊS» um posto da PSP.

( 1 ) - Informação gentilmente cedida do blogue «PATRIMÓNIO RELIGIOSO DA REGIÃO DE LISBOA»
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DO SÉCULO [ XIX ] O CONVENTO DE Nª.Sª: DA CONCEIÇÃO DOS CARDAIS ( 1 )»

sábado, 29 de outubro de 2011

RUA DO SÉCULO [ XVII ]

Rua do Século - (2005) -Fotografia de autor não identificado (Lugar do antigo "CONVENTO DOS CAETANOS" fachada actual do "Conservatório Nacional de Lisboa" na "Rua dos Caetanos") in O DIVINO


Rua do Século - (1959) - Foto de F.M. de Jesus Matias ( ("Conservatório Nacional" na "Rua dos Caetanos, antigo "Convento dos Caetanos") in AFML



Rua do Século - (1959) -Foto de F.M. de Jesus Matias (Antigo "Convento dos Caetanos" actual "Conservatório Nacional de Lisboa") in AFML

Rua do Século - (1918) Foto de Jushua Benoliel (Sítio do antigo "Convento dos Caetanos", obras de renovação do novo "Consevatório Nacional de Lisboa") in AFML

Rua do Século - (Início do século XX) Foto de Jushua Benoliel (O antigo edifício do Convento dos Caetanos, na "Rua dos Caetanos") in AFML

(CONTINUAÇÃO) - (RUA DO SÉCULO [ XVII ]

«CONVENTO DOS CAETANOS»

Próximo da «RUA DO SÉCULO», precisamente na «RUA DOS CAETANOS» no número 29, vamos encontrar o antigo «CONVENTO DOS CAETANOS DE LISBOA» ou «CONVENTO DE NOSSA SENHORA DA DIVINA PROVIDÊNCIA». É datado do ano de 1653, tendo sido reedificado no século XVIII depois do Terramoto de 1755.

O glorioso «SÃO CAETANO», cuja confiança na «DIVINA PROVIDÊNCIA» foi tão grande, que o levou a fundar um convento, pois sabe-se que a sua religião era muito louvável em «ITÁLIA». Tendo chegado a «LISBOA» em 1640 «D. ANTÓNIO ARDISONE SPINOLA» clérigo de «SÃO CAETANO DE THIENE» e embarcado em missão para «GOA», onde fundou uma «CASA» com o nome de «NOSSA SENHORA DA DIVINA PROVIDÊNCIA», para rezarem os religiosos que viessem em missão e descansar de prolongadas viagens.

Em 1648 volta a LISBOA e pretende fundar outra «CASA», na qual os religiosos que viessem da «ITÁLIA» com destino à «ÍNDIA», se pudessem recolher, esperando o tempo do seu embarque. O padre «D. ANTÓNIO SPINOLA» foi apresentar a sua ideia a El Rei «D. JOÃO IV». O rei que pretendia favorecer as «MISSÕES DA ÍNDIA», aceitou de bom grado o pedido do padre, concedendo-lhe licença para fundar um hospício. O lugar indicado pelo Rei seria junto dos religiosos da «SANTÍSSIMA TRINDADE».

Entretanto, «D. MARIANA DE NORONHA E CASTRO» ofereceu-lhe em doação um terreno de maiores dimensões que o padre «D. ANTÓNIO SPINOLA» aproveitou, depois de agradecer a oferta do Rei. E assim pôde construir o convento que até hoje perdura o nome, na «RUA DOS CAETANOS».

Composta a IGREJA do melhor modo que o tempo lhe permitiu, foi colocado nela o venerável sacramento em vinte de Setembro do ano de 1653 (dia do Arcanjo S. Miguel). Em memória do dia em que a «CASA» começou o culto, celebrava-se todos os anos a solenidade de "CORPUS". A fundação do «CONVENTO DE Nª. SENHORA DA DIVINA PROVIDÊNCIA» começou com padres italianos, tendo-se mais tarde generalizado a noviços portugueses.

Uma portaria de 12.01.1837 estabelece que as três "ESCOLAS DO CONSERVATÓRIO GERAL DE ARTE DRAMÁTICA" se instale neste convento desocupado desde 1834, devido à extinção das «ORDENS RELIGIOSAS». Igualmente uma portaria determina a remoção do «CONSERVATÓRIO DE MÚSICA DA CASA PIA» para estas instalações. Em 1840 é atribuída a designação de «CONSERVATÓRIO REAL DE LISBOA»(CRL).

Após a implantação da «REPÚBLICA» passa a designar-se por «CONSERVATÓRIO NACIONAL DE LISBOA»(CNL). No ano de 2005 mantendo-se no mesmo edifício do antigo «CONVENTO DOS CAETANOS» e apesar de atravessarem um período de relativa estabilidade, lutavam ainda por um estatuto adequado às suas capacidades e por melhores condições logísticas.

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DO SÉCULO [ XVIII ] - IGREJA DAS MERCÊS»












quarta-feira, 26 de outubro de 2011

RUA DO SÉCULO [ XVI ]

Rua do Século - (s/d) - Fotografia de autor não identificado (Entrada do jornal "O SÉCULO" no antigo "Palácio dos Carvalhos" na "RUA DO SÉCULO") in AFML

Rua do Século - (09.04.1960) - (Capa da revista "O SÉCULO ILUSTRADO" número 1162, propriedade do jornal "O SÉCULO" in REVISTA ANTIGA PORTUGUESA

Rua do Século - (1913) - Foto de Joshua Benoliel (Ilustração Portuguesa Nº 385 - 2º Semestre de 1913 - "A falta de água em Lisboa" à vez no chafariz da "Rua do Século", num dia de calor em Lisboa que fazia 36º à sombra) in REVISTA ANTIGA PORTUGUESA
Rua do Século - (1911) - Foto de Joshua Banoliel (Grupo de ardinas, durante a greve na Rua Formosa, junto da redacção do jornal "O SÉCULO") in AFML
(CONTINUAÇÃO) - RUA DO SÉCULO [ XVI ]
«O JORNAL "O SÉCULO" ( 4 )»

Na sequência daquela atitude, a 14 de Fevereiro de 1975, o «CONSELHO DE MINISTROS» nomeou uma nova Administração para a «SOCIEDADE NACIONAL DE TIPOGRAFIA», alterando ainda, profundamente, a linha editorial do jornal. A intervenção do ESTADO, auspiciando, desde logo, o fim da empresa privada, teve como consequências: a perda da independência do periódico; as lutas internas politico partidárias; a situação de agravamento económico da empresa, com um acentuado decréscimo de vendas do jornal e restantes publicações; um aumento indirecto das dívidas ao ESTADO.
Do ESTADO, surgiu o projecto de lei da imprensa estatizada, baptizada com o nome de «ALMEIDA SANTOS», então Ministro da Comunicação Social, e, em Julho de 1976, o Decreto da nacionalização das posições privadas das empresas. Por força daquele diploma, foi criada a «EMPRESA PÚBLICA DOS JORNAIS O SÉCULO E POPULAR», constituída em resultado da fusão das sociedades dos dois jornais: «SOCIEDADE NACIONAL DE TIPOGRAFIA» e «SOCIEDADE NACIONAL DE IMPRENSA». Contudo, em virtude do estado de falência técnica e dos problemas herdados de gestores anteriores, aquela empresa cedo foi considerada em situação insustentável e irrecuperável, vindo a ser extinta, em finais de 1979.
Após a extinção da «EMPRESA PÚBLICA DOS JORNAIS O SÉCULO E POPULAR» pelo Decreto-Lei Nº 162/79 de 29 de Dezembro, a «COMISSÃO LIQUIDATÁRIA» ficou obrigada, por via da alínea f) do Nº2 do art.4º do citado Decreto, a preservar a integridade do seu património arquivista até definição de destino ulterior. Em virtude da situação de impasse provocada pela liquidação da empresa, esse destino só mais tarde veio a ser determinado pela "RESOLUÇÃO DO CONSELHO DE MINISTROS" em 9 de Dezembro de 1981, através da reserva pelo ESTADO da titularidade de alguns bens, entre os quais os arquivos; documental, fotográfico e a biblioteca. A aplicação desta medida, contudo, só foi concretizada mais tarde, em 17 de Maio de 1986. O ESTADO, como a DIRECÇÃO GERAL DO PATRIMÓNIO, herdeira do imóvel, sede da empresa; a DIRECÇÃO GERAL DA COMUNICAÇÃO SOCIAL, a quem foi entregue o arquivo fotográfico; o ARQUIVO NACIONAL DA TORRE DO TOMBO, adquirente do restante património arquivista e biblioteca.
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DO SÉCULO [ XVII ] - CONVENTO DOS CAETANOS»







sexta-feira, 21 de outubro de 2011

RUA DO SÉCULO [ XV ]

Rua do Século - (2010) - ( A antiga porta do jornal "O SÉCULO" e suas montras onde se expunham "as notícias do dia" in GOOGLE EARTH

Rua do Século - (1961) Foto de Artur Goulart - (A FEIRA POPULAR organizada pelo jornal "O SÉCULO", nos terrenos do antigo MERCADO GERAL DO GADO em Entrecampos) in AFML Rua do Século - (1961) Foto de Artur Goulart (Entrada da Feira Popular, organizada pelo jornal "O SÉCULO", nos terrenos do antigo Mercado Geral do Gado-1888-1961). in AFML


Rua do Século - (1944) (Capa da revista "SECULO ILUSTRADO" número 346, propriedade do jornal "O SÉCULO", a cantora Cidália Meireles) in REVISTA ANTIGA PORTUGUESA

Rua do Século - (1911) Foto de Joshua Benoliel (Grupo de ardinas, durante a greve na "Rua Formosa", junto da Redacção do jornal "O SÉCULO", no antigo "Palácio dos Viscondes de Lançada") in AFML

(CONTINUAÇÃO) - RUA DO SÉCULO [ XV ]

«O JORNAL "O SÉCULO" ( 3 )»

Todavia, face a resultados pouco satisfatórios, a organização da «FEIRA POPULAR» acabou por ser retomada em 1960, no espaço do antigo «MERCADO GERAL DO GADO», em «ENTRECAMPOS», único espaço que a Câmara Municipal de Lisboa se dispôs a licenciar e, ao longo de anos, a prorrogar a autorização, até Outubro de 2003. Sem ser o local ideal, foi, no entanto, o recurso que permitiu à Empresa fazer face aos encargos de carácter Social e aos défices da publicidade do jornal, cada vez mais agravados pela concorrência da RÁDIO e da TELEVISÃO.

Não obstante as dificuldades, durante a década de cinquenta, «O SÉCULO» conseguiu manter o seu prestígio e popularidade. Através da diversificação de suplementos - (DESPORTIVO - ARTES E LETRAS - VIDA FEMININA - AS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ - PORTUGAL DE LÉS A LÉS), o jornal visou todo o tipo de público, reforçando ainda o seu papel de escola de jornalistas.

Após a morte de «JOÃO PEREIRA DA ROSA», em 1962, sucedeu-lhe seu filho «GUILHERME PEREIRA DA ROSA», já então director adjunto desde 1950. A situação financeira herdada era difícil, agravada com um contexto político e económico desfavorável. Contudo, no início dos anos 70, as estratégias adoptadas revelaram-se insuficientes para compensar a crescente subida da inflação e das despesas. Em Setembro de 1972 «GUILHERME PEREIRA DA ROSA», aceitou uma proposta do grupo económico de «JORGE DE BRITO(1928-2006)», detentor do «BANCO INTERCONTINENTAL PORTUGUÊS», acedendo a vender a sua posição na «SOCIEDADE NACIONAL DE TIPOGRAFIA».

«MANUEL FIGUEIRAS» ligado ao jornal desde 1964, seria o primeiro dos últimos directores à frente de «O SÉCULO» na sua fase terminal. Após a mudança de regime, em 25 de Abril de 1974, assegurou a direcção ainda durante alguns meses. No início de 1975, face ao recrudescer da luta ideológica e partidária no seio da empresa, a qual motivou a expulsão dos seus administradores, acabou por pedir a demissão.

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DO SÉCULO [ XVI ] - O JORNAL "O SÉCULO" ( 4 )»









quarta-feira, 19 de outubro de 2011

RUA DO SÉCULO [ XIV ]

Rua do Século - (1901) (O Almanaque Ilustrado do jornal "O Século" para 1901, um Almanaque de referência no passado) in RUA DOS DIAS QUE VOAM


Rua do Século - (30.09.1956) Foto de Eduardo Portugal (A FEIRA POPULAR de Lisboa no antigo Parque "José Maria Eugénio" "Palhavã",inaugurada em 10 de Junho de 1943, para beneficio da Colónia Balnear Infantil de "O Século") in AFML


Rua do Século - (Década de 50 do século XX) (Pormenor de uma tipografia "Compositor Manual", trabalhando com o "tipo", tal como se fazia no jornal "O Século" nos anos cinquenta do século passado) in DIZ AÍ

Rua do Século -(06.10.1910) (Na proclamação da República o jornal "O Século" fez três edições nesse dia) in CAIS DO OLHAR

Rua do Século - (1905-01) Foto de Joshua Benoliel (Instalações do jornal "O Século" na antiga "Rua Formosa", hoje "Rua do Século") in AFML

(CONTINUAÇÃO) - RUA DO SÉCULO [ XIV ]

«O JORNAL "O SÉCULO" ( 2 )»

«JOÃO PEREIRA DA ROSA» caracteriza-se por um grande dinamismo empresarial, de acordo com a sua cultura organizacional. Amplia a rede de correspondentes em todo o país, melhora a distribuição do jornal e renova o parque gráfico. Foram lançadas novas publicações: (O CINÉFILO, O SÉCULO ILUSTRADO e A VIDA MUNDIAL). É sem dúvida, graças ao investimento de dezenas de iniciativas de diversão, de solidariedade social, de carácter cultural, desportivo e patriótico, levado a cabo entre 1927 e 1938, que o jornal reforçou a sua popularidade em todo o país. Uma delas, a «COLÓNIA BALNEAR INFANTIL DE "O SÉCULO"), iniciada em 1908, e retomada em 1927 na linha do Estoril, designadamente em «S. PEDRO DO ESTORIL», constituiu o corolário de todas as obras que o jornal desenvolveu em prol da causa de protecção à infância desprotegida. De 1934 a 1938 «JOÃO PEREIRA DA ROSA», através de um empréstimo contraído na Caixa Geral de Depósitos, conseguiu comprar as acções de «CARLOS OLIVEIRA» e de «MOISÉS AMZALAK», reforçando a sua posição na «SOCIEDADE NACIONAL DE TIPOGRAFIA». Em 1938, na qualidade de accionista maioritário, fez entrar os seus dois filhos, «GUILHERME» e «CARLOS ALBERTO PEREIRA DA ROSA», para a administração. Uma conjuntura política, cada vez menos favorável ao debate de ideias e ao tipo de campanhas movidas pelo "O SÉCULO", enveredaram pela estratégia da diversão pública, organizando e promovendo várias iniciativas populares e desportivas. Em 1940, aquando da realização da "EXPOSIÇÃO DO MUNDO PORTUGUÊS" e na sequência da instalação da «FEIRA POPULAR», a 10 de Junho de 1943 no «PARQUE DE PALHAVû, este papel de promotor de múltiplas actividades foi-lhe favorável.

No entanto, com o recrudescer da oposição, desde o final da segunda guerra Mundial, a posição de «O SÉCULO» começou a revelar alguns indícios de ambiguidades face à continuidade do regime. Essa atitude valeu-lhe o afastamento da organização da «FEIRA POPULAR», entre 1948 e 1950.

Em 1951, retomou a tradição, mantendo-a, até 1956, despedindo-se de «PALHAVû, nesse ano, por sinal o da ocorrência nela das primeiras emissões experimentais da RTP. Para colmatar o vazio deixado pelo encerramento da antiga «FEIRA POPULAR», principal fonte de receita da «COLÓNIA BALNEAR», a empresa lançou novas iniciativas: Os Salões de Arte Doméstica, em 1957; a «FEIRA DE ALVALADE» em 1958, promovida com a colaboração do "SPORTING CLUB DE PORTUGAL" e os concursos com a colaboração da RTP.

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DO SÉCULO [ XV ] - O JORNAL "O SÉCULO" ( 3 )»

sábado, 15 de outubro de 2011

RUA DO SÉCULO [ XIII ]

Rua do Século - (1944) - (Desenho de Américo Taborda) (O Século Ilustrado Nº 346 propriedade do jornal "O SÉCULO", publicando O NOME E O ROSTO DAS RUAS DE LISBOA) in REVISTA ANTIGA PORTUGUESA


Rua do Século - (1969) - (Suplemento do jornal "O SÉCULO" de 17.02.1969, na comemoração do 1º Centenário do nascimento de GAGO COUTINHO 1869-1969) in DAS MARGENS DO RIO

Rua do Século - (06.02.1961) (Uma publicação do jornal "O SÉCULO" no ano de 1961) in ARQUIVO NACIONAL TORRE DO TOMBO

Rua do Século - (1918) - (O automóvel do jornal "O SÉCULO" vendendo os primeiros exemplares dos jornais, que anunciavam a assinatura do ARMISTÍCIO) in HISTÓRIAS DOS NOSSOS TEMPOS
Rua do Século - (s/d) (Prova em cianopatia) Fotografia de autor não identificado (Antiga "Rua Formosa" hoje "Rua do Século" e as antigas instalações do jornal "O SÉCULO") in AFML
(CONTINUAÇÃO) - RUA DO SÉCULO [ XIII ]
«O JORNAL "O SÉCULO" ( 1 )»

O jornal "O SÉCULO" fundado em 1881 por «SEBASTIÃO MAGALHÃES LIMA» esteve instalado no «PALÁCIO LANÇADA» durante muitas décadas, tendo o seu primeiro número saído em 4 de Janeiro do mesmo ano.

O Palácio em 1892 recebeu inúmeras alterações, embora o corpo central e a entrada principal conservem ainda as características monumentais setecentistas de origem, tendo-se mantido igualmente a escadaria interior, em mármore, e alguns silhares de azulejos com bastante interesse. A partir de 1905 são adicionados três pisos ao edifício, destinado ao «BAIRRO OPERÁRIO DE "O SÉCULO"», ocupando ainda parte do que fora a Quinta dos «VISCONDES DE LANÇADA», com entrada pelo número 59 do Palácio.

A Ermida do Palácio, dedicada a "NOSSA SENHORA DO MONTE DO CARMO"( 1 ), era então transformada em casa de máquinas de impressão.

Mais particularmente ligadas à história de "O SÉCULO" ficariam as obras do princípio do século XX, quando foi anexada uma parte do contíguo «PALÁCIO POMBAL», reconstruído para receber oficinas, escritórios e uma redacção "belle époqué", salão amplo e de pé-direito duplo, ritmado por graciosos colunelos em ferro, altos e finos, com capiteis trabalhados, e mobília com balcões em madeira, cristais e latões dourados, cujo acesso se fazia por uma porta rotativa.

Para além do valor patrimonial, como interessante exemplar de arquitectura do ferro e do ecletismo de finais do século XIX e da primeira metade do século XX, parte da relevância deste imóvel prende-se com a própria história da Imprensa em Portugal, cuja influencia viria mesmo a modificar a Toponímia da artéria chamada de «RUA FORMOSA» que em 18.11.1910 passaria a chamar-se «RUA DO SÉCULO».

Em 1896 toma a Direcção do jornal "O SÉCULO" «JOSÉ JOAQUIM DA SILVA GRAÇA» que irá trazer para o jornal nova orientação, prosperando muito durante a sua vigência. «SILVA GRAÇA» transformou o diário em poucos anos, o aparecimento de novos suplementos (HUMORÍSTICO, MODAS E BORDADOS, BRASIL E COLÓNIAS), edições especiais (publicações de folhetins, Século da Noite) e outras publicações (ALMANAQUE D'O SÉCULO, SÉCULO CÓMICO, ILUSTRAÇÃO PORTUGUESA, OS SPORTS, SÉCULO AGRÍCOLA), definindo assim a matriz de "O SÉCULO" e a sua identidade cultural a partir da importância atribuída à informação. Nessa altura o jornal passou a ostentar no seu cabeçalho; "JORNAL DE MAIOR CIRCULAÇÃO EM PORTUGAL".

Na década de 20 do século XX começaram as divergências entre «SILVA GRAÇA» e o seu filho, relativamente à orientação do jornal. Em 1922 a «COMPANHIA PORTUGAL E COLÓNIAS» investiu numa grande ofensiva para controlar o periódico, aproveitando-se das divergências familiares, acabando por o conseguir. Na posse da «COMPANHIA PORTUGAL E COLÓNIAS» até finais de 1924, e sob a orientação de vários directores entre os quais «CUNHA LEAL». Em Novembro de 1924, «JOÃO PEREIRA DA ROSA», ex-funcionário de "O SÉCULO", «CARLOS OLIVEIRA», um dos fundadores da organização patronal, e «MOISÉS AMZALAK», economista, adquiriram o jornal "O SÉCULO" e a sua empresa editora, atribuíram a direcção ao jornalista e diplomata «HENRIQUE TRINDADE COELHO» e a administração ficou entregue a «JOÃO PEREIRA DA ROSA».

( 1 ) - A "ERMIDA DE NOSSA SENHORA DO MONTE DO CARMO", na RUA FORMOSA hoje RUA DO SÉCULO, edificada por «INÁCIO JOSÉ DE S.PAIO» entre 1734 e 1739 nas suas casas (DGARQ/TT, CEL, Mç. 1807 e Mç. 1809, n. 213) actualmente conhecidas como «PALÁCIO DOS VISCONDES DE LANÇADA». Informação gentilmente cedida por «RUI MENDES» do Blogue: «PATRIMÓNIO RELIGIOSO DA REGIÃO DE LISBOA».

(CONTINUA) - (PRÓXIMO)- «RUA DO SÉCULO [ XIV ] - O JORNAL "O SÉCULO" ( 2 )»