terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

RUA AUGUSTA [ XVI ]

Rua Augusta - (2011) - (Instalações do "BANCO ESPÍRITO SANTO" na "RUA AUGUSTA" esquina com a "RUA DO COMÉRCIO" no mesmo local onde se tinha iniciado a antiga "CASA BANCÁRIA") in GOOGLE EARTH
Rua Augusta - (2007) Foto de José Manuel Martins (A "RUA AUGUSTA" na sua parte sul, podendo observar-se no lado direito as instalações do "BANCO ESPÍRITO SANTO") in PANORAMIO
Rua Augusta - (Depois de 1920) (Galeria linha 21) (Colecção do BES-MUSEU) (O "BANCO ESPÍRITO SANTO" na "RUA AUGUSTA" esquina para a "RUA DO COMÉRCIO" nos anos 20 do século passado) in FLICKR
Rua Augusta - (Finais do século XIX) Fotografia de autor não identificado (Foto de "JOSÉ MARIA DO ESPÍRITO SANTO E SILVA" o iniciador do "BANCO ESPÍRITO SANTO" na "RUA AUGUSTA") in GENEALL

(CONTINUAÇÃO) - RUA AUGUSTA [ XVI ]

«O BANCO ESPÍRITO SANTO ( 1 )»

Podemos dizer que o fundador do «BANCO ESPÍRITO SANTO» foi «JOSÉ MARIA DO ESPÍRITO SANTO e SILVA». Com 19 anos de idade era proprietário de uma «CASA DE CÂMBIOS» onde exercia a sua actividade, na compra e venda de lotarias, juntamente com a transacção de títulos de crédito nacionais e estrangeiros, na sua modesta casa, que se situava na «CALÇADA DO COMBRO», frente ao «QUARTEL DA GUARDA MUNICIPAL».
É nesta época que as primeiras referências ao comércio de lotarias é assinalada, sobretudo entre (1869 e 1880), na revenda de lotaria espanhola, da qual foi em Portugal um dos principais redistribuidores. O seu mercado alarga-se também para o BRASIL o qual tinha então grande sucesso.
No ano de 1880 com a transferência do estabelecimento para a «RUA NOVA D'EL-REI»(hoje "RUA DO COMÉRCIO"), em plena «BAIXA POMBALINA», deixa de ser prioritária a redistribuição de lotaria espanhola em Portugal e no Brasil, dedicando-se mais ao negócio de fundos públicos e operações bancárias na praça de LISBOA.
A partir de 1884 deu sociedade deste negócio a alguns amigos e empregados, dedicando-se também ao sector imobiliário, este último quase sempre a nível individual, onde obteve resultados financeiros muito positivos.
Em 9 de Novembro de 1880, segunda-feira «JOSÉ MARIA DO ESPÍRITO SANTO E SILVA» abre uma nova «CASA DE CÂMBIOS» sediada na área onde normalmente se localizavam quase todos os estabelecimentos bancários, local estratégico de LISBOA de finais do século XIX, com duas portas abertas para a «RUA AUGUSTA» números 11 e 15 e outras para a «RUA NOVA D'EL-REI», (também conhecida por "RUA DOS CAPELISTAS", actual "RUA DO COMÉRCIO").
A loja terá sido arrendada pelo período de um ano por 250$000 mil réis e a autorização da "CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA" (à qual foram liquidados 3:120$000 pela licença) era válida por períodos, renováveis de seis meses.
Nos anos seguintes, a "CASA DE CÂMBIOS" de «ESPÍRITO SANTO E SILVA», onde trabalhavam, além do proprietário, mais dois empregados, «LUÍS BREGANTE» e «JOSÉ NORBERTO DA SILVA PORTO» (que recebiam semanalmente 4$500 réis), não opera apenas sobre "papeis de crédito".
Expande e solidifica a sua situação, desenvolvendo, entre outras actividades, a concessão de créditos.
Sabe-se que os lucros do ano de 1880, calculados até à véspera da abertura da casa na BAIXA lisboeta, estiveram perto dos 10 contos de réis. Com base nos livros selados, constatámos que o movimento anual em 1881 foi quase 2000 contos de réis, tendo o lucro desse exercício totalizado 59:475$800 réis.
O percurso do negociante «JOSÉ MARIA DO ESPÍRITO SANTO E SILVA» é mais de realçar, uma vez que não fazia parte da elite económica lisboeta, nem lhe eram conhecidas relações de amizade pessoal importantes, quer baseadas em laços familiares, quer estabelecidas com a oligarquia política e económica, detentora do poder, quer com Companhias industriais ou outras que pudessem facilitar o seu percurso.

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) -«RUA AUGUSTA [ XVII ] -O BANCO ESPÍRITO SANTO ( 2 )»

sábado, 25 de fevereiro de 2012

RUA AUGUSTA [ XV ]

Rua Augusta - (2011) -Foto de José Espada Feio (As alegorias do "ARCO DA RUA AUGUSTA") in JOSÉ LUÍS ESPADA FEIO
Rua Augusta - (2005) Foto de Manuel Santos (Arco Triunfal da "RUA AUGUSTA" em Lisboa) in ÍCONES DE PORTUGAL
Rua Augusta - (2001) Foto de autor não identificado (O Arco da "RUA AUGUSTA" in ASK
Rua Augusta - (1996) Foto de Jorge Ribeiro (O arco da "RUA AUGUSTA" pormenor da parte superior) in ARCOS DE LISBOA
Rua Augusta - (1953) Foto de Kurt Pinto (O arco da "RUA AUGUSTA" in AFML
Rua Augusta - (1910) Foto Joshua Benoliel (O arco da "RUA AUGUSTA" in AFML

(CONTINUAÇÃO) - RUA AUGUSTA [ XV ]

«O ARCO TRIUNFAL DA RUA AUGUSTA (3)»

Depoimento de «GUSTAVO DE MATOS SEQUEIRA» (1880-1962) sobre o "ARCO TRIUNFAL" publicado no livro - LISBOA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS de «MARIA JOÃO JANEIRO, página 248.
"O ARCO TRIUNFAL", que dá entrada para a cidade, só terminado em 1873, ressente-se do adiantado da época em que foi rematado. A parte superior, carregada de ornatos, já não corresponde à nobre simplicidade da parte antiga, mas ainda assim não conseguiu desmanchar o conjunto, tão soberanamente belo e nobre".

Diz-nos também «NORBERTO DE ARAÚJO» (1883-1952) nas suas «LEGENDAS DE LISBOA» sobre "O ARCO TRIUNFAL" o seguinte: "Deram-lhe um «ARCO TRIUNFAL», Lisboa não o tinha. Suspensos sobre o grande bufete negro, os colaboradores do «CONDE DE OEIRAS» concebiam a cidade nova. Davam asas à Fénix derrancada. O primeiro ministro, o «MARQUÊS DO ALEGRETE», o «DUQUE DE LAFÕES», «CRUZ SOBRAL» - sonharam o mesmo sonho. O Terreiro do Paço da Ribeira seria o magnifico átrio de LISBOA. Arrasadas em poucos minutos a «CASA DA ÍNDIA», a ARMARIA, o FORTE DA VEDORIA, as CASAS DE CEUTA, o Paço sumptuoso - todo o esplendor dionisíaco da Ribeira - havia que construir obra nova e grandiosa.
Os minúsculos «ARCOS DOS PREGOS» e dos «BARRETES» da LISBOA velha - ficariam apenas na memória das estampas.
«EUGÉNIO DOS SANTOS» recebeu o encargo de traçar o Terreiro que havia de deslumbrar a EUROPA. E o arquitecto, que concebera a PRAÇA num eflúvio de harmonia e beleza, arrancou da fértil imaginação, forçando a geometria sistemática da reedificação - o «ARCO DO TRIUNFO».

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA AUGUSTA [ XVI ] - O BANCO ESPÍRITO SANTO ( 1 )»

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

RUA AUGUSTA [ XIV ]

Rua Augusta - (Finais dos anos 90 do século XX) Foto de Jorge Ribeiro (Pormenor no Arco da "RUA AUGUSTA" em alegoria ao "RIO TEJO") in ARCOS DE LISBOA
Rua Augusta - (Finais dos anos 90 do século XX) Foto de Jorge Ribeiro (Frontispício do Arco da "RUA AUGUSTA" na parte superior) in ARCOS DE LISBOA
Rua Augusta - (Finais dos anos 90 do século XX) Foto de Jorge Ribeiro (Pormenor no Arco da "RUA AUGUSTA" em alegoria ao "RIO DOURO") in ARCOS DE LISBOA
Rua Augusta - (s/d) - Foto de autor não identificado (Pormenor no Arco da "RUA AUGUSTA" a estátua de "VIRIATO") in ASK
Rua Augusta - (s/d) - Foto de autor não identificado - (Pormenor no Arco da "RUA AUGUSTA" a estátua de "VASCO DA GAMA") in ASK
Rua Augusta - (Finais dos anos 90 do século XX) - Foto de Jorge Ribeiro (Pormenor no Arco da "RUA AUGUSTA" a estátua de "NUNO ÁLVARES PEREIRA", da autoria do escultor "Victor Bastos") in ARCOS DE LISBOA
Rua Augusta - (Finais dos anos 90 do séc.XX) Foto de Jorge Ribeiro (Pormenor no Arco da "RUA AUGUSTA" a estátua do "Marquês de Pombal") in ARCOS DE LISBOA
(CONTINUAÇÃO) - RUA AUGUSTA [ XIV ]

«O ARCO TRIUNFAL DA RUA AUGUSTA ( 2 )»

Foi submetida à apreciação da «ACADEMIA DAS CIÊNCIAS» toda a iconografia do monumento a fim de ser discutida. Porém a escolha fixou-se em «VIRIATO», «VASCO DA GAMA», «NUNO ÁLVARES PEREIRA» e «MARQUÊS DE POMBAL», como figuras laterais esculpidas por «VICTOR BASTOS», tal como o «TEJO» e o «DOURO», reclinadas nas aletas do corpo principal, de cimalha direita, cheio por um escudo real bem ornamentado pelas palmas e sobrepujado por um grupo de três figuras: A «GLÓRIA» coroando o «GÉNIO» e o «VALOR», sentados a seus pés. «CELESTIN ANATOLE CALMELS» realiza esta obra no seu estilo correcto de académico formado em PARIS e o convite feito ao escultor francês traduzia a má situação da escultura nacional na época, apenas defendida por «VICTOR BASTOS» que não ultrapassava o nível escultórico isolado.
No topo do monumento aos pés da «GLÓRIA» e na cimalha superior, está uma inscrição latina: VIRTVTIBUS MAIORVM VT. SIT. OMNIBVS DOCVMENTO, P.P.D. - Correspondendo à seguinte formula: "Para que se perpetuem as virtudes dos nossos maiores", a que há a juntar a interpretação da sigla «P.P.D.», que significa "POR SUBSCRIÇÃO PÚBLICA".
As colunas de importante apresentação e notável constituição (são monolíticos de lioz, originários das antigas pedreiras de "PERO PINHEIRO") foram colocadas em 1815, muito antes portanto de se fechar o arco.
O escudo no frontispício com as armas reais, já não pertencem a «D. JOSÉ I» visto o arco só ter sido concluído cerca de um século após o falecimento do monarca que aconteceu em 1777.
A ornamentação atrás citada, o grupo escultórico a que aludimos e a inscrição latina transcrita, centralizaram toda a composição frontal do arco. Já lateralmente e em cornijas sobrepujando as seis colunas de estilo clássico - colocadas em posição de sustentação do maciço frontal - existem as estátuas, símbolos paradigmáticos das virtudes que se quis exaltar.

UMA BREVE EXPLICAÇÃO DAS ESCULTURAS
Vamos fornecer uma breve explicação das esculturas. -«VIRIATO» Além do gládio colocado à cintura, empunha uma clava, tendo a seus pés várias armas representando os espojos das lutas travadas com os romanos. -«VASCO DA GAMA» Encosta-se a diversos apetrechos náuticos surgindo, destacadas, uma bombarda e uma âncora; tem na mão direita um porta-voz de uso habitual por parte dos comandantes das naus. -«MARQUÊS DE POMBAL» Dominando os destroços da cidade arrasada, ele segura o projecto da sua reconstrução. -«SANTO CONDESTÁVEL» Está acompanhado do respectivo montante que tão valorosamente soube usar em defesa da pátria. -«TEJO» (à esquerda) Representado por uma figura humana, segurando um leme, símbolo do poder marítimo. -«DOURO» (à direita) Igualmente sob a forma dum homem reclinado que exibe numa das mãos um cacho de uvas numa clara alusão à região duriense que ela atravessa.
O Monumento ressuscitado pelo Cabralismo e inaugurado numa época brilhante de opulência e de euforia bancária, que lhe foi consequência, nos quadros da classe que então se instalara no poder, o «ARCO DA RUA AUGUSTA» era bem um «ARCO DE TRIUNFO».

(CONTINUA)-(PRÓXIMO) - «RUA AUGUSTA [ XV ]-O ARCO TRIUNFAL DA RUA AUGUSTA (3)».

sábado, 18 de fevereiro de 2012

RUA AUGUSTA [ XIII ]

Rua Augusta - (Início do século XXI) Foto de autor não identificado - (Pormenor superior do «ARCO DA RUA AUGUSTA» em LISBOA) in ASK
Rua Augusta - (ant. 2008) Foto de autor não identificado (Arco da "RUA AUGUSTA" em Lisboa in ASK
Rua Augusta - (Inicio do século XXI) Foto de autor não identificado (O arco da "RUA AUGUSTA" em LISBOA) in ASK
Rua Augusta - (s/d) Foto de autor não identificado (O Arco da "RUA AUGUSTA" pormenor da parte de cima do monumento) in AFML
Rua Augusta - (ant. a 1873) Foto de autor não identificado (O arco da "RUA AUGUSTA" em construção) in AFML
Rua Augusta - (1867) Foto de fotógrafo não identificado -(negativo de gelatina e prata em acetato de celulose) (A "Praça do Comércio" vendo-se no lado direito o "ARCO DA RUA AUGUSTA" ainda por concluir) in AFML
Rua Augusta - (c. 1862) -Foto de Wenceslau Cifka - Prova em albumina montada em cartão - (Construção do Arco da "RUA AUGUSTA" que, curiosamente se manteve durante algumas décadas com este aspecto) (Provas Originais 1858-1910) in AFML

(CONTINUAÇÃO) - RUA AUGUSTA [ XIII ]

«O ARCO TRIUNFAL DA RUA AUGUSTA ( 1 )»

O «ARCO TRIUNFAL DA RUA AUGUSTA» inserido no projecto de reedificação da cidade de Lisboa, de «MANUEL DA MAIA» e «EUGÉNIO DOS SANTOS» ergue-se na parte norte da «PRAÇA DO COMÉRCIO» com abertura para a «RUA AUGUSTA», cuja denominação deriva do facto dele dar acesso à conhecida artéria central da «BAIXA POMBALINA».
Começou a ser construído no ano de 1759, tendo o seu processo de construção sido bastante moroso, por isso, no ano de 1843, ainda estava por concluir a parte superior.
Deve-se a concepção do magnifico conjunto arquitectónico ao arquitecto «EUGÉNIO DOS SANTOS», que de imediato interveio não só na reconstrução da cidade, como na criação dessa obra de arte, para o efeito elaborado em 1759 um projecto que, presente à apreciação do «MARQUÊS DE POMBAL», mereceu deste a respectiva aprovação. Não obstante esse importante despacho, outros projectos foram entretanto surgindo, nomeadamente o de «CARLOS MARDEL», cujas sugestões e pareceres vieram a influenciar substancialmente aquando da adjudicação do empreendimento, concorrendo para a escolha do estudo de «VERÍSSIMO JOSÉ DA COSTA», aprovado por «COSTA CABRAL» em Março de 1844.
A sua estrutura correspondia à evolução do gosto oitocentista, tão arredado já do «ROCAILLE» como das modas egípcias do principio do século. As perturbações políticas de momento impediram por longos anos a execução da obra, e os projectos parece terem sido esquecidos.
Na «EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DO PORTO» em 1865 surge porém a fotografia do projecto «aprovado pelo Governo em 1861, sendo logo principiado o grupo da coroação», modelado por «ANATOLE CALMELS» (um escultor Francês). Mas só onze anos depois a obra seria realizada com desenho fotografado, ou com novas modificações apresentadas por «VERÍSSIMO DA COSTA».
Com as influências de «EUGÉNIO DOS SANTOS» e «CARLOS MARDEL» (na arquitectura) e de «ANATOLE CALMELS» (no conjunto escultórico superior) e de «VÍTOR BASTOS» relativamente às restantes figuras humanas. Das várias alterações introduzidas no projecto inicial contam-se as do remate do arco, onde em substituição das armas portuguesas passou a existir um grupo escultórico do artista francês, já atrás referido.
(CONTINUA)-(PRÓXIMO)-«RUA AUGUSTA [ XIV ]-O ARCO TRIUNFAL DA RUA AUGUSTA (2)»

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

RUA AUGUSTA [ XII ]

Rua Augusta - (2005) - Foto de APS - ("RUA AUGUSTA" no lado esquerdo, um pouco mais à frente, as antigas instalações do BP&SM, hoje Sede do "Millennium-BCP") in ARQUIVO/APS
Rua Augusta - (2011) - (A "RUA AUGUSTA" na direita as antigas instalações do BP&SM, hoje "Millennium-BCP") in GOOGLE EARTH
Rua Augusta - (2007) Foto de Dias dos Reis (A "Rua Augusta" à noite, vendo-se no lado esquerdo a sede do "Millennium-BCP") in DIAS DOS REIS
Rua Augusta - (1985) - (Cartão de Débito do "SottoMayor") in ARQUIVO/APS
Rua Augusta - (1966) - (Cheque do "Banco Pinto & Sotto Maior da "Rua Augusta", no ano de 1966) in ARQUIVO/APS

(CONTINUAÇÃO) - RUA AUGUSTA [ XII ]

«BANCO INDUSTRIAL PORTUGUÊS - BANCO PINTO & SOTTO MAYOR - MILLENNIUM-BCP ( 2 )»

O estado de constante evolução do mercado português levou, entretanto, a uma série de propostas de investidores que procuravam as melhores alternativas para rentabilizar o seu dinheiro, agora com uma crescente preferência por negócios em território Nacional.
Este foi o caso de «ANTÓNIO CHAMPALIMAUD», um dos grandes empresários portugueses do século passado, a quem foi vendida, em 1960, a quota predominante do «BP&SM» detida por «MANUEL HENRIQUE JÚNIOR», que em 1942 a tinha conseguido adquirir.
Como todas as restantes entidades financeiras, o «BP&SM» também não escapou à nacionalização no início de 1975. O seguimento desta profunda restruturação ocorreu em 1977 através da incorporação do «BANCO INTERCONTINENTAL PORTUGUÊS - BIP» naquela, uma operação que selou o destino que mais tarde se viria a efectuar, a passagem da gestão para o agora «MILLENNIUM-BCP».
O percurso das quotas do «BP&SM» voltariam a sofrer alterações em 1995, ano que se dá por concluída a privatização da instituição, cuja posse fica definitivamente nas mãos de «ANTÓNIO CHAMPALIMAUD». Esta acção foi apenas o princípio de uma saga de aquisições, a que se seguiram; «BANCO TOTTA & AÇORES», «CRÉDITO PREDIAL PORTUGUÊS» e «BANCO CHEMICAL-PORTUGUÊS», três entidades que reforçariam grandemente a posição do «BP&SM», de tal forma que em 1996 se tornou no maior grupo financeiro Nacional.
No início do século XXI, o «BANCO PINTO & SOTTO MAYOR», fundado em 1925, é incorporado no «BANCO COMERCIAL PORTUGUÊS-BCP», que em 2000 adquire igualmente o «BANCO MELLO» à «COMPANHIA DE SEGUROS IMPÉRIO», meses antes de se concretizarem a fusão do «BCP» com o «BANCO PORTUGUÊS DO ATLÂNTICO-BPA», negociado cinco anos antes numa Oferta Pública de Aquisição (OPA) ganha pelo consórcio «BCP/BPA».
Neste contexto o «BP&SM» é integrado na plataforma operacional bancária do «BCP» em 2001.
Em Setembro de 2003, o Conselho de Administração do Grupo BCP decidiu que o processo de mudança da marca de «BCP» para «MILLENNIUM-BCP» tivesse lugar em 23 de Outubro desse ano, deixando assim de usar a designação de «NOVA REDE».

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA AUGUSTA [ XIII ] - O ARCO DA RUA AUGUSTA (1)»

sábado, 11 de fevereiro de 2012

RUA AUGUSTA [ XI ]

Rua Augusta - (2005) - (Foto de APS) (Antiga Sede do Banco Pinto & Sotto Mayor na "RUA AUGUSTA", mais tarde incorporado "Millennium-bcp") in ARQUIVO/APS
Rua Augusta - (2010) - (Autor da fotografia não identificado) (Antiga Sede do BP&SM integrado depois no Millennium-BCP) in SKYSCRAPERCITY
Rua Augusta - (1982) (Pasta para documentos, oferecida pelo BP&SM aos seus clientes) in ARQUIVO/APS
Rua Augusta - (1982) (Cheque do Banco Pinto & Sotto Mayor, ainda com sistema de "canhoto") in ARQUIVO/APS
Rua Augusta - (1980) - (Prospecto da abertura do novo balcão do BP&SM no LAVRADIO em 1980) in ARQUIVO/APS
Rua Augusta - (192_) Foto de Kurt Pinto (Antigo "BANCO INDUSTRIAL PORTUGUÊS" na "RUA AUGUSTA", esquina com a "RUA DA CONCEIÇÃO", mais tarde incorporado no BP&SM) in AFML
(CONTINUAÇÃO) - RUA AUGUSTA [ XI ]

«BANCO INDUSTRIAL PORTUGUÊS - BANCO PINTO & SOTTO MAYOR - MILLENNIUM-BCP»

O «BANCO INDUSTRIAL PORTUGUÊS», com Sede na cidade de Lisboa, na «RUA AUGUSTA» fundado no ano de 1920, cedo entrou em processo de falência chegando até finais do ano de 1924.
Um dos seus dirigentes «AUGUSTO LUÍS VIEIRA SOARES» exerceu o cargo de Presidente do "BANCO" de (1920-1924). Nasceu em BRAGA a 5 de Outubro de 1873, concluiu o bacharelato em Direito na Universidade de Coimbra.
O período conturbado da primeira REPÚBLICA e antecedendo ao tempo da ditadura militar, não augurava boa oportunidade para o Banco.
Estava ligado a este Banco em 1920 «JÚLIO MARTINS» (Ministro, com diferentes pastas desde 1919 a 1921) e conjuntamente com «AUGUSTO SOARES» adquirem a «COMPANHIA DE CERÂMICA LUSITANA», transformando-a na «COMPANHIA DAS FÁBRICAS DE CERÂMICA LUSITANA». (Esta fábrica de 1890, estava inicialmente instalada perto do "Matadouro" "Picoas", dedicava-se ao fabrico de telhas Marselha, tijolos, talhas para a água, manilhas e vasos. Em 1900 transfere-se para o CAMPO PEQUENO, junto do «PALÁCIO GALVEIAS», motivado pela qualidade dos terrenos, ricos em barro. Esta «CERÂMICA» teve uma monumental encomenda de tijolos, para a construção da «PRAÇA DE TOUROS DO CAMPO PEQUENO»). (Nos terreno da «COMPANHIA DAS FÁBRICAS DE CERÂMICA LUSITANA», está hoje instalada a Sede da CGD).
Segue-se uma manifestação jornalística publicada no jornal «O ALGARVE» em 24 de Dezembro de 1924, onde acusam várias pessoas de estarem ligados à falência do «BANCO INDUSTRIAL PORTUGUÊS», chegando mesmo na afirmação de tratar-se de uma manobra fraudulenta.
O «BANCO INDUSTRIAL PORTUGUÊS» acabou por ser incorporado no «BANCO PINTO & SOTTO MAYOR» no ano de 1925. Este banco tinha sido transformado nesse ano de 1925, em sequência da sua antecessora «CASA BANCÁRIA PINTO & SOTTO MAYOR», fundada no ano de 1914.
«ANTÓNIO VIEIRA PINTO» e «CÂNDIDO SOTTO MAYOR» fundadores da «CASA BANCÁRIA PINTO & SOTTO MAYOR», conduziram ao sucesso da empresa e ao reforço da sua posição no panorama nacional. O resultado foi uma inédita evolução, como não se podia antever à partida, cujo auge se verificou na década de 50 do século passado, ao longo da qual surgiram várias tentativas de aquisição de participações maioritárias.
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) -«RUA AUGUSTA [ XII ]-BANCO INDUSTRIAL PORTUGUÊS-BANCO PINTO & SOTTO MAYOR-MILLENNIUM-BCP (2 )».


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

RUA AUGUSTA [ X ]

Rua Augusta - (2010) - Foto de Lampião (Edifício do antigo C.P.P. hoje com a designação de "SANTANDER TOTTA") in SKYSCRAPERCITY
Rua Augusta - (2008) Foto de Dias dos Reis (Edifício do antigo Crédito Predial Português na RUA AUGUSTA, obra do arquitecto "Manuel Joaquim NORTE JÚNIOR") in DIAS DOS REIS
Rua Augusta - (1996) - (Cartão de débito do C.P.P. usado nos anos 90 do século passado) in ARQUIVO/APS
Rua Augusta - (Anos 60 do século XX) (fotografia de autor não identificado) (Um dos Salões de entrada do edifício construído de raiz para o Crédito Predial Português) in BIBLIOTECA DE ARTE-FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN
Rua Augusta - (Século XX) (Cheque usado pelo C.P.P. até finais dos anos 80 do século passado) in RESTOS DE COLECÇÃO

(CONTINUAÇÃO) - RUA AUGUSTA [ X ]

«COMPANHIA GERAL DE CRÉDITO PREDIAL PORTUGUÊS ( 2 )»

Estas e outras alterações ficaram a dever-se ao facto de o GRUPO «MÁRIO DE FIGUEIREDO» ter vendido, em 1968, a sua posição maioritária no capital social do "CPP" ao "GRUPO BPI - «JORGE DE BRITO/JORGE GONÇALVES PEREIRA» que, em Dezembro de 1973, cedem a sua posição a «MANUEL BULHOSA». Pouco tempo passado e após a revolução de 25 de Abril de 1974, o «CRÉDITO PREDIAL PORTUGUÊS» foi nacionalizado, pelo Decreto-Lei nº 132-A/75 de Maio.
O «CRÉDITO PREDIAL PORTUGUÊS» continuou a sua actividade, destacando-se em 1976 a integração do «BANCO AGRÍCOLA E INDUSTRIAL VISEENSE» (determinada por decisão do Conselho de Ministros de 6 de Dezembro de 1976) e a inauguração de uma nova sede, no ano de 1984, no «CAMPO PEQUENO» em LISBOA.
No ano de 1992, a 2 de Dezembro, e através de uma Oferta Pública o "CPP" foi privatizado, tendo o «BANCO TOTTA & AÇORES» adquirido uma participação accionista maioritária.
Neste ano esta instituição financeira, além de possuir a sua sede social em LISBOA na «RUA AUGUSTA», operava através de uma rede de 102 balcões, 4 casas de Cambio e uma "OFF-SHORE" na Região Autónoma da Madeira.
Em 1995 o «CRÉDITO PREDIAL PORTUGUÊS» foi integrado no "GRUPO MUNDIAL CONFIANÇA".
A 4 de Fevereiro de 2002 foi celebrado o contrato de doação do arquivo do "CPP" ao ANTT, tendo a documentação entrada nessa data, oriunda de depósitos localizados respectivamente na «RUA DO OURO» e no «PRIOR VELHO». Documentação sem restrição de consulta
COMO NOTA:
Ainda no início da sua Sede na «RUA AUGUSTA», no ano de 1920, por ocasião do desaterro para a instalação das suas "CAIXAS FORTES" no edifício do CPP, na «RUA AUGUSTA», a meio do 2º quarteirão, vindo do ROSSIO, do lado direito, chegou-se até ao terreno firma, que aí ficava cerca de 8 metros abaixo do pavimento da rua. O terreno era de areia, com conchas de ostras, como as que se encontram ainda nas actuais praias do TEJO, comprovando assim a existência de um esteiro do rio. Nesse local encontraram-se restos de um rio de drenagem, com origem romana, assente sobre a areia, revelando que já na época romana o esteiro estava muito assoreado, e que a navegação por ele só seria possível a pequena embarcação. Pela direcção que tinha, o cano devia estar na margem esquerda, ou no lado oriental do esteiro. Estes vestígios foram descritos pelo anotador em: "O ARCHEOLOGO PORTUGUÊS, Vol. XXV, 1922, pág. 180.
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA AUGUSTA [ XI ] -BANCO INDUSTRIAL PORTUGUÊS - BP&SM - MILLENIUM-BCP (1)».