sábado, 22 de março de 2014

RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS -2ª SÉRIE [ II ]

RUA ACÚRCIO PEREIRA ( 2 )
 Rua Acúrcio Pereira - (2013) - (Um troço da "RUA ACÚRCIO PEREIRA" na actual freguesia dos "OLIVAIS") in GOOGLE EARTH
 Rua Acúrcio Pereira - (2007) (Panorama dos "OLIVAIS SUL" em particular a "RUA ACÚRCIO PEREIRA") in GOOGLE EARTH
 Rua Acúrcio Pereira - (2013) (Um troço da "Rua Acúrcio Pereira" na actual freguesia dos "Olivais") in GOOGLE EARTH
 Rua Acúrcio Pereira- (2013) ( Mais um troço da "Rua Acúrcio Pereira" in GOOGLE EARTH
 Rua Acúrcio Pereira - (2013) - (A "Rua Acúrcio Pereira" nos "Olivais Sul" in GOOGLE EARTH
Rua Acúrcio Pereira - (1967) Foto de Vasco Gouveia de Figueiredo (Rua F. Planta 14170, tipos 15 e 20, actuais ruas "ACÚRCIO PEREIRA" e "CÂNDIDO DE OLIVEIRA") in AFML


(CONTINUAÇÃO) - RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS-2ª SÉRIE [ II ]

«RUA ACÚRCIO PEREIRA ( 2 )»


"ACÚRCIO PEREIRA" entrou no "DIÁRIO DE NOTÍCIAS" dirigido por ALFREDO CUNHA, e, aos 27 anos , já era chefe de redacção. As modificações no jornal (a propriedade mudara de mãos e o escritor AUGUSTO DE CASTRO entrou como director) não lhe trouxeram qualquer alteração de estatuto.
Ainda no "DIÁRIO DE NOTÍCIAS", pelo Inverno de 1919, no dia 13 ou 14 de Dezembro "ACÚRCIO" recebeu uma carta no jornal remetida pelo "CONDE DE NOVA GOA", o professor LUÍS DE CASTRO, antigo colunista do jornal. A carta era longa e alarmante. "o ilustre professor comunicava que, em Lisboa, havia troupes de malandros que se dedicavam a roubar crianças, transportando-as para sítios desconhecidos, para o estrangeiro até, aviltando-as no crime, mergulhando-as em podridão", lembrou o jornalista. Conhecedor das rotinas profissionais do jornalismo, o CONDE DE NOVA GOA juntava provas ao que alegava. E contava a história de JOSÉ ANTÓNIO LUÍS BISPO, rapaz de 13 anos, aluno do LICEU GIL VICENTE, morador na RUA DO PASSADIÇO, 148 - 3º Dtº.
Segundo o relato pungente, o DIÁRIO DE NOTÍCIAS dispunha ali de um "furo" jornalístico.
Mais nenhuma redacção tivera acesso ao relato. ACÚRCIO PEREIRA fechou-se no gabinete do director e escreveu uma prosa pungente. Na Edição de 17 de Dezembro, o jornal assegurava: "UM PERIGO PÚBLICO, LADRÕES DE CRIANÇAS. O DIÁRIO DE NOTÍCIAS DESCOBRE A EXISTÊNCIA DUMA TEMÍVEL QUADRILHA DE BANDIDOS".
Mas este caso não passou de um gigantesco logro, narrado depois à polícia pelo próprio rapaz de 13 anos, de imaginação muito fértil. Publicamente humilhado, o "DN" não deu facilmente a mão à palmatória. Em LISBOA, não se falava de outra coisa e o "DN" voltou ao tema no dia seguinte. E, com o tempo, o próprio "ACÚRCIO PEREIRA" modificou a sua memória da história, ao escrever sobre ela em 1928, em "UMA HORA DE JORNALISMO" e na sua biografia, infelizmente mal conhecida ("UMA NO CRAVO... OUTRA NA FERRADURA", s/d, edição do autor), reviu o episódio com grande humor e espírito desportivo.
Assim, em 1924, vamos encontrá-lo como redactor de "O MUNDO", jornal - de que aqui já se falou-, e que tinha a sua sede num prédio que dava para a "RUA DA MISERICÓRDIA" e para a "RUA DAS GÁVEAS". Mas também não chegou a aquecer o lugar. Fez ainda uma incursão pelo jornal "O PAÍS", dirigido por MEIRA E SOUSA. No entanto, o seu destino estava traçado: em Março de 1925, entrava para a redacção do jornal "O SÉCULO", assumindo então um lugar de subchefe de redacção.
Aquele diário passou a ser a segunda casa de ACÚRCIO PEREIRA. Voltou a trabalhar com MANUEL GUIMARÃES quando terminou a primeira série de "A CAPITAL" e o seu velho director regressou ao jornal "O SÉCULO".
Em 1950 passava o mestre "ACÚRCIO" a chefiar a redacção daquele matutino já desaparecido à cerca de 35 anos.
Não se dispensou, contudo, o jornalista de outras deambulações pela escrita. Assim, como autor, além de ter publicado livros com memórias, reportagens e crónicas de viagens, trabalhou com frequência para o teatro.
Fez parte de parcerias, sendo co-autor de revistas como "CABAZ DE MORANGOS" ou de opereta como "FLOR DE LIS".
Cultivava o dito de espírito, a "blague"( 1 ). Dele conta OLIVEIRA GUIMARÃES que rejeitou a notícia de um casamento de gente importante porque tinha para esse espaço o relato de uma catástrofe, que achou mais relevante.
Esteve no activo durante sessenta e dois anos. Em 1972, ainda editou um livro "DA VIDA DE UM REPORTER".
Faleceu na sua terra, em 1977, Em 1979 era nome de RUA, nos "OLIVAIS".

- ( 1 )-BLAGUE -(do Fr. Blague) s.f. Arola, embuste, facécia, galga, gracejo, logro, maranhão, mentira, patranha, peta, piada, pilhéria - (dito xistoso) e (galicismo inútil). 

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS -2ª SÉRIE [ III ]-RUA ADELAIDE FELIX»

quarta-feira, 19 de março de 2014

RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS-2ª SÉRIE [ I ]

RUA ACÚRCIO PEREIRA
 Rua Acúrcio Pereira - (1926) Desenho de Stuart (Capa da folha de música da revista "CABAZ DE MORANGOS" onde "Acúrcio Pereira" foi co-autor no texto, representada no EDEN no ano de 1926) in VIDA POSTAL
 Rua Acúrcio Pereira - (1967) Foto de Vasco G. de Figueiredo (Rua F. Planta 14170, tipo 1 a 14 actuais ruas "Acúrcio Pereira" e "Cândido de Oliveira" in  AFML
 Rua Acúrcio Pereira - (1967) Foto de Vasco de Figueiredo (Rua F.  Planta 14170, tipos 1 a 14, actuais ruas "Acúrcio Pereira" e "Cândido de Oliveira", nos Olivais Sul) in  AFML
 Rua Acúrcio Pereira - (2007) (Panorâmica dos OLIVAIS SUL, particularmente a "Rua Acúrcio Pereira")  in  GOOGLE EARTH
 Rua Acúrcio Pereira - (2013) (Um troço da "RUA ACÚRCIO PEREIRA" na actual freguesia dos "OLIVAIS") in  GOOGLE EARTH
Rua Acúrcio Pereira - (2013) (Um troço da "RUA ACÚRCIO PEREIRA" nos "OLIVAIS SUL) in GOOGLE EARTH

RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS - 2ª SÉRIE [ I ]

«A RUA ACÚRCIO PEREIRA ( 1 )»


Vamos iniciar outra ronda de JORNALISTAS cujos nomes merecem uma RUA em LISBOA. Este, num bairro novo dos "OLIVAIS SUL", um daqueles que foi erguido numa zona onde, ainda há poucas décadas, cresciam as árvores (OLIVEIRAS) e espreitavam livremente as ervas. E ainda actualmente constituindo uma das maiores e sem dúvida também a mais populosa freguesia alfacinha.
Chamaram-lhe até finais de 2012 «SANTA MARIA DOS OLIVAIS», hoje com a nova REFORMA ADMINISTRATIVA DE LISBOA, chamam-lhe só «OLIVAIS».
Foi nesta enorme freguesia que um Edital de 29 de Janeiro de 1979 (publicado em 5 de Fevereiro seguinte) lhe determinou a atribuição do topónimo de "RUA ACÚRCIO PEREIRA". 
A decisão da CÂMARA não surpreendeu ninguém; um ano e pouco antes, tinha falecido um dos mais carismáticos jornalistas portugueses; era óbvio que o seu nome tinha de aparecer numa rua da capital.

«JOAQUIM ACÚRCIO PEREIRA» nasceu em LISBOA, em Dezembro de 1891, e na sua cidade viveu sempre. Constituiu família muito cedo, pelo que se tornou numa espécie de homem de sete ofícios para ganhar a vida: frequentava o CURSO SUPERIOR DE LETRAS e tirava também o curso de bibliotecário-arquivista enquanto dava aulas particulares; tentou entretanto uma experiência que o levaria a uma carreira de mais de sessenta anos.
De facto, com 19 anos incompletos, em 1910, decidiu experimentar a sua sorte como jornalista.
Ingressou então na redacção do mais recente jornal do tempo. Era um vespertino chamado "A CAPITAL", fundado em Maio desse ano por um jornalista combativo e sabedor, MANUEL GUIMARÃES. Funcionava na RUA DO NORTE, num prédio que faz esquina com a "PRAÇA LUÍS DE CAMÕES", e formou a primeira série desse jornal.
Teria começado, pois, em boa escola. Embora de feição marcadamente republicana (dizia-o, aliás, junto do cabeçalho, e ainda antes da mudança do regime), o jornal de MANUEL GUIMARÃES não quis enveredar por um tipo de informação em que só o facto político tivesse cabimento. A vida literária e artística, a crónica, o folhetim e sobretudo os acontecimentos do dia-a-dia ocupavam boa parte do periódico.
Esta visão generalista das coisas influenciou muito o futuro mestre. A essa aprendizagem sobre ACÚRCIO PEREIRA devemos juntar a sua própria capacidade de observação e a sua facilidade de escrita. Deu nas vistas e, poucos meses depois do ingresso em "A CAPITAL", era assediado pelo "DIÁRIO DE NOTÍCIAS", jornal onde viria a ganhar os primeiros galões.
No jornalismo, como noutras profissões, sempre houve e haverá pelo menos dois tipos de executantes: por um lado, aqueles que, quase desde início se prendem a uma empresa, uma instituição, e nela permanecem contra ventos e marés; por outro, os que preferem passar por experiências várias, sempre em busca de melhor realização e, naturalmente, de melhores condições. (Presentemente não podemos pensar da mesma maneira motivado pela crise que grassa em Portugal, mormente pela falta de empregos). 

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS-2ª SÉRIE [ II ]-A RUA ACÚRCIO PEREIRA (2)»

sábado, 15 de março de 2014

RUA DO GRILO [ XX ]

 Rua do Grilo - (20__) - Foto de autor não identificado (Fachada do "Palácio dos Duques de Lafões ou do Grilo" virado a nascente para "Rua do Grilo" e a Sul para a "Manutenção Militar") in CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA
 Rua do Grilo - (1999) Foto de António Sacchetti ("Palácio dos Duques de Lafões" vista sobre o pátio. A fachada lateral com o revestimento em junta fendida, a única que obedece ao desenho do projecto de reconstrução pós-terramoto) in  CAMINHO DO ORIENTE
 Rua do Grilo - (Século XVIII) - (Planta do Piso térreo do projecto de renovação do Palácio. A vermelho está marcado o edifício anterior e a amarelo os acrescentos propostos. Mantém-se o Pátio central. agora reordenado com construções em redor, e sendo substituída a rampa de acesso da "Rua do Grilo" por um vestíbulo e escadarias. Lateralmente a Norte foi aberto novo pátio com acesso pela "Calçada Duque de Lafões") in MUSEU DA CIDADE
 Rua do Grilo - (Século XVIII) (Projecto ou frente principal do Palácio, proposto para a fachada nobre virada para a "Rua do Grilo". Podemos verificar que as 4 primeiras janelas do andar nobre (lado esquerdo), correspondem ao edifício inicialmente projectado, as únicas ainda existentes) in  MUSEU DA CIDADE
 Rua do Grilo - (Século XVIII) (A Fachada Norte (embora na planta ela venha indicada como virada a nascente). Este corpo novo do edifício nunca chegou a ser construído na sua totalidade, existindo somente o extremo poente, antiga cozinha do Palácio. Ao centro, aberto sobre o pátio da calçada, um pequeno corpo mais cuidado no desenho albergava uma pequena sala redonda, ligando directamente ao pátio interior) in MUSEU DA CIDADE
Rua do Grilo - (Século XVIII) (Fachada Poente (embora na planta seja indicada como virada a Norte), faz frente para os jardins. Ao centro um grande Salão de cinco aberturas - mais tarde em parte construído com outras gramáticas decorativas -, constituía o ponto culminante de todo o projecto aproveitado com mestria o próprio desnível do terreno. Repare-se a dominante volumétrica do desenho proposto de forte sensibilidade  barroca, com colunas salientes e óculos ovais. Realce-se, ainda, a perfeita integração com o edifício preexistente, encostado a Sul em plano inferior, onde se encontra a citada "SALA DA ACADEMIA") in MUSEU DA CIDADE


(CONTINUAÇÃO - RUA DO GRILO [ XX ]

«O PALÁCIO DOS DUQUES DE LAFÕES OU PALÁCIO DO GRILO (4)»

O autor do desenho do «PALÁCIO DOS DUQUES DE LAFÕES» mantinha o grande corpo anterior, incluindo a sua divisão interna ao nível do andar nobre. O corpo sobre a RUA era duplicado, formando uma fachada de onze aberturas, divididas em dois pisos, o térreo e o nobre.
Conservava o pátio a nível superior quase com as mesmas dimensões, somente corrigido para garantir as simetrias, mas desaparecia a rampa que desce a RUA que, anteriormente, lhe dava acesso. No piso térreo da fachada era proposto um átrio nobre, do qual nascia uma escadaria simplificada, que conduzia a um grande salão aberto sobre esse pátio.
A Nascente deveria nascer outro corpo, simetricamente disposto ao já existente. Aproveitado com mestria o declive, por onde se podia entrar directamente para o pátio, chegando-se lá através de uma rampa, conhecida hoje por CALÇADA DO DUQUE DE LAFÕES.
Por fim a Norte do pátio central erguia-se um novo corpo, bastante complexo na sua articulação. Na parte de trás, sobre os jardins dispostos em Cascatas pela encosta, aparece um imenso Salão de invulgares dimensões. Ao mesmo nível e a ele ligado dispõe-se uma outra grande divisão, cuja marcação na planta parece destinar-se a uma Biblioteca.
Pela leitura destas plantas constata-se, que este PALÁCIO pouco tem a ver com a tradição aristocrática portuguesa. Essa era feita sempre de mais simplicidade, que torna mais fácil a leitura orgânica dos palácios lisboetas.
Este, do "GRILO", passa-se exactamente o contrário. É o projecto em si que se compõe de uma complexidade erudita, própria de quem estava habituado a manusear a arquitectura com um teorizavel exercício de estilo e familiarizado com as grandes construções palacianas que se iam erguendo pela Europa.
Assim se pode deduzir que o ano de 1760 poderá ser pois, uma data-chave para este Palácio. Foi ela que permaneceu na memória de que fez eco "NORBERTO DE ARAÚJO".
Mas as obras terão começado uns anos antes, certamente depois de 1755. Com a expulsão do DUQUE DE LAFÕES em 1760, é o fim dessa primeira campanha.
Assim, com o regresso do 2º CONDE DE LAFÕES, D. JOÃO CARLOS DE BRAGANÇA, as obras terão continuado de forma irregular. Este senhor aproveitou as divisões do corpo antigo para se instalar, sendo uma delas a dita SALA DA ACADEMIA.
No PALÁCIO DO GRILO os interiores caracterizam-se pela riqueza decorativa, os conjuntos de  azulejaria dos séculos XVIII e XIX, as pinturas murais da autoria de CIRILO VOLKMAR MACHADO, com "vários pensamentos poéticos da sua invenção " (JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA em A ARTE EM PORTUGAL NO SÉCULO XIX, Vol. I pág. 171), que ornamentam as salas temáticas do PALÁCIO, como a SALA DA ACADEMIA, a SALA VÉNUS e a SALA CHINESA. O PALÁCIO DOS DUQUES DE LAFÕES é, pois, mais uma promessa, que uma realidade. Mas a sua produção em LISBOA, em simultâneo com o processo de reflexão que o planeamento da BAIXA POMBALINA, naturalmente impôs, não pode deixar de ser tomado em conta por quem pretenda ter dessa realidade uma clara consciência.
A CAPELA tem o orago de NOSSA SENHORA DA PIEDADE, alberga um retábulo de talha dourada e policromático do século XVIII, tendo o seu acesso pelo número um da CALÇADA DUQUE DE LAFÕES. Nesta CAPELA onde têm sido baptizados e algumas vezes apadrinhados por monarcas, desde D. JOÃO V, aos filhos dos proprietários da casa.
O PALÁCIO DOS DUQUES DE LAFÕES do gosto setecentista, localiza-se no interior de uma quinta arborizada, cortada pela linha do Caminho -de-ferro, continua na posse dos representantes dos dois irmãos, figuras de primeiro plano na segunda metade do século XVIII. Um deles bem lembrado e o outro pela força inelutável das contigências históricas.[FINAL]. 

BIBLIOGRAFIA

- A FREGUESIA DO BEATO NA HISTÓRIA . 1º Ed. da Junta de Freguesia do Beato-1995-LISBOA
- ARAÚJO, Norberto de - Peregrinações em Lisboa- Livro XV- Ed. Vega-1993- LISBOA
- ATLAS da Carta Topográfica de LISBOA-Direcção de Filipe Folque:1856-1858 -CML - Departamento do Património Cultural - Arquivo Municipal de Lisboa - 2000 - LISBOA
- CAEIRO, Baltazar Matos - Os Conventos de Lisboa - Distri Editora - Edª. 1ª 1989 - LISBOA
- DELGADO, Ralph - A Antiga Freguesia dos Olivais - Grupo de Amigos de Lisboa 1969 - LISBOA
- DIAS, Jaime Lopes - Brasão da Cidade de Lisboa - CML - 1968 - LISBOA
- DIAS, Marina Tavares - Lisboa Misteriosa - 1º Ed. Quimera - 2004 - LISBOA
- DICIONÁRIO DA HISTÓRIA DE LISBOA - Francisco Santana e Eduardo Sucena-Carlos Quintas & Associados-Consultores, Lda. - Sacavém - 1994
- FERREIRA, Jaime Alberto do Couto - FARINHAS, MOINHOS E MOAGENS- Ed. Âncora 1999- LISBOA
- FERREIRA, PAULA CRISTINA - SANCHEZ, Paula - FIGUEIREDO. Sandra - A FREGUESIA DO BEATO NA HISTÓRIA - Ed. da J. Freguesia do Beato - 1995 - LISBOA
- FOLGADO, Deolinda e CUSTÓDIO, Jorge - CAMINHO DO ORIENTE - Guia do Património Industrial - Liv. Horizonte - 1999 - LISBOA
- FRANÇA, José-Augusto-A ARTE EM PORTUGAL NO Século XIX  1º e 2º Vol. Liv. Bertrand - 1966 - LISBOA
- FURTADO, Mário - DO ANTIGO SÍTIO DE XABREGAS - Ed. 1ª-Vega - 1997 - LISBOA
- LISBOA - ADRAGÃO, José Vítor - PINTO, Natália e RASQUILHO, Rui - Ed. Presença - 1993- LISBOA.
- MATOS, José Sarmento de - PAULO, Jorge Ferreira - Caminho do Oriente - Guia Histórico II - Liv. Horizonte - 1999 - LISBOA
- MATOS, José Sarmento de - LISBOA, um passeio a Oriente - Ed. Parque Expor'98-1993 LISBOA
- NOBREZA DE PORTUGAL E DO BRASIL - Cood. Afonso Eduardo M. Zuquete- Editorial Enciclopédia, Lda. Vol. II - 1960 - LISBOA
- PELAS FREGUESIAS DE LISBOA - LISBOA ORIENTAL - CONSIGLIERI, Carlos-RIBEIRO,Filomena-VARGAS, José Manuel e ABEL, Marília- CML - Pelouro da Cultura - 1993 - LISBOA
- REIS DE PORTUGAL - Direcção :ROBERTO CARNEIRO - 34 Vol. Círculo de Leitores - 2006 - LISBOA.

INTERNET
- CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA 
- IGESPAR
- MUSEU DA CIDADE - CML

(PRÓXIMO) - RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS"2ª [ I ] A RUA ACÚRCIO PEREIRA(1)»

quarta-feira, 12 de março de 2014

RUA DO GRILO [ XIX ]

 Rua do Grilo - (2005) Foto de APS (Portão que dá acesso ao "Palácio dos Duques de Lafões" e ao seu jardim, este virado para a "CALÇADA DO DUQUE DE LAFÕES") in  ARQUIVO/APS
 Rua do Grilo - (2013) - (O "Palácio dos Duques de Lafões" a parte térrea onde deveria finalizar a construção inicialmente proposta no século XVIII. À direita podemos ver a "Calçada Duques de Lafões") in  GOOGLE EARTH
 Rua do Grilo - ( 2007 ) - ("Palácio dos Duques de Lafões" fachada posterior e jardim) in IGESPAR
 Rua do Grilo - (2007) - ("Palácio dos Duques de Lafões" vistas das fachadas lateral Poente e principal Sul, sobre a "Rua do Grilo") in IGESPAR
 Rua do Grilo - (1999) Foto de António Sacchetti (Um interior da sala do andar nobre com pinturas oitocentistas do "Palácio dos Duques de Lafões)  in  CAMINHO DO ORIENTE
Rua do Grilo - (Finais do séc. XVIII) ("D. João Carlos de Bragança e Ligne de Sousa Tavares Mascarenhas da Silva, 2º Duque de Lafões -1719-1806) in WIKIPÉDIA

(CONTINUAÇÃO - RUA DO GRILO [ XIX ]

«O PALÁCIO DOS DUQUES DE LAFÕES OU PALÁCIO DO GRILO (3)»

O «2º DUQUE DE LAFÕES "D. JOÃO CARLOS DE BRAGANÇA SOUSA LIGNE TAVARES MASCARENHAS DA SILVA"», nasceu em LISBOA a 06.03.1719 e faleceu a 10.11.1806, irmão do anterior "DUQUE". Foi também 4º MARQUÊS DE ARRONCHES e 8º CONDE DE "MIRANDA DO CORVO", 32º senhor da CASA DE SOUSA e de todas as comendas, senhorios, alcaidarias, capelas e mais bens da coroa e próprias da grande CASA que herdou de seu irmão. Antes do falecimento deste, teve por Carta de "D. JOÃO V" de 1738, as honras de "MARQUÊS" e o tratamento de sobrinho de El-Rei.
Foi uma das personalidades mais notáveis e fascinantes do seu tempo. Estudou com seu irmão "HUMANIDADES" e "FILOSOFIA" ingressou depois na "UNIVERSIDADE DE COIMBRA" para estudar "DIREITO CANÓNICO", como porcionista ( 1 ) no COLÉGIO DE S. PAULO. Desejava o rei "D. JOÃO V" a sua carreira eclesiástica para o qual o ilustre senhor não tinha vocação.
Amante da vida da Corte, homem de grande craveira intelectual, carácter dinâmico e mundano, apaixonado pelas ARTES, LETRAS, LINGUÍSTICA, DESPORTO e VIAGENS, teve vida atribulada repleta de peripécias.
Com a subida ao trono de "D. JOSÉ" e início do férreo absolutismo de "SEBASTIÃO JOSÉ DE CARVALHO E MELO", não conseguiu "D. JOÃO CARLOS DE BRAGANÇA"  alhear-se do embate entre a alta nobreza e o duro e autoritário ministro. Caiu no desagrado do monarca e quando seu irmão, o "1º DUQUE DE LAFÕES" faleceu, o rei terá mesmo recusado a deixá-lo entrar na posse da CASA E DUCADO DE LAFÕES, recusando-se a renovar nele o título. Em face desta atitude do soberano e das tragédias em que POMBAL semeara a vida das primeiras famílias do Reino, pediu "D. JOÃO CARLOS", licença para se ausentar, o que lhe foi concedido.
Contribuíram para o seu afastamento da Corte alguns nobres, ciosos dos seus pergaminhos de classe, viram com maus olhos a ascensão a altos cargos de um indivíduo de obscuro ou duvidoso nascimento quando não até meros burgueses. A indignação gerada à volta do poderoso Ministro de "D. JOSÉ", acumulou o ódio de aristocratas mais poderosos que intentaram uma conjura para o derrubar. O libelo presente ao rei, denunciava de concussionário "SEBASTIÃO JOSÉ DE CARVALHO E MELO". Este, porém, soube defender-se perante o monarca,e uma onda de prisões pôs termo à conspiração. Entre os fidalgos, encontrava-se o "DUQUE DE LAFÕES", que teve de exilar-se.
Cerca de vinte anos andou o "2º DUQUE DE LAFÕES" por outros reinos, mas, homem irrequieto, não se abalando com a sua condição de expatriado. Aliás, ele fará parte da plêiade de vultos lusitanos que, por razões óbvias, deambularam pela EUROPA, numa época de grandes mutações económicas, políticas, sociais e culturais, e assim beberam novas ideias e conceitos, importando-as de algum modo para a sua pátria. Continuando a viajar (e não voltar à PÁTRIA, onde POMBAL ainda mantinha o seu regime de terror). Percorre quase toda a EUROPA, foi até ao ORIENTE ao EGIPTO a as províncias do IMPÉRIO ROMANO. Mais tarde viajou no NORTE DA EUROPA, visitando a PRUSSIA a POLÓNIA e os países escandinavos, levando o seu percurso nestes últimos até à LAPÓNIA. 
Entre os homens notáveis do tempo com cuja amizade se honrou figurar, está o IMPERADOR JOSÉ II, da ÁUSTRIA, que muitos anos depois ainda com ele se correspondia.
Com a queda de POMBAL após a morte de D JOSÉ, foi para ele razão de regresso ao Reino em 1779. A nova soberana D. MARIA I(1734-1816) concedeu-lhe então o título de 2º DUQUE DE LAFÕES, que seu pai o rei D. José lhe recusara aquando da morte de seu irmão, bem como todas as comendas e rendimentos em atraso, nomeando-o CONSELHEIRO DE GUERRA.
Conhecia o DUQUE, de boa reputação, o abade JOSÉ CORREIA DA SERRA, que vivia em ROMA ao tempo da sua estada na CORTE DE NÁPOLES. Quando veio para LISBOA hospedou-se no seu palácio, e dessa intimidade intelectual e científica nasceu a ideia a de fundar a ACADEMIA DAS CIÊNCIAS a exemplo de outras similares da EUROPA. Assim, com a necessária aprovação régia, é fundada em 1779, a ACADEMIA REAL DAS CIÊNCIAS, cujo objectivo era o incremento de todos os ramos do saber - CIÊNCIAS NATURAIS, MATEMÁTICA e LITERATURA. Foi seu primeiro secretário o abade CORREIA DA SERRA, que redigiu os estatutos, e presidente vitalício o próprio DUQUE DE LAFÕES.
Este 2º DUQUE DE LAFÕES foi estadista e homem público, e aos 82 anos era ainda GENERAL-MARECHAL COMANDANTE DO EXÉRCITO PORTUGUÊS.
Casou com D. HENRIQUETA MARIA JÚLIA DE LORENA E MENESES, filha dos MARQUESES DE MARIALVA, a qual lhe sobreviveu. Deste casamento existiu um filho varão, que foi o 1º DUQUE DE MIRANDA DO CORVO que faleceu criança, e duas filhas. D. ANA MARIA, que lhe sucedeu, e D. MARIA DOMINGAS, que pelo casamento foi DUQUESA DO CADAVAL.
D. JOÃO CARLOS DE BRAGANÇA, instalou-se na parte antiga do PALÁCIO DO GRILO. O fundador da ACADEMIA REAL DAS CIÊNCIAS, prosseguiu, através de várias campanhas em datas desconhecidas, as obras iniciadas pelo irmão. 

- ( 1 ) - PORCIONISTA - Aluno que num estabelecimento educativo paga a sua educação ou sustento. 

(CONTINUA) - (PRÓXIMA)« RUA DO GRILO [XX]-O PALÁCIO DOS DUQUES DE LAFÕES OU PALÁCIO DO GRILO (4)».  

sábado, 8 de março de 2014

RUA DO GRILO [ XVIII ]

 Rua do Grilo - (2005) Foto de APS ("Palácio dos Duques de Lafões" o corpo primitivo que fica na "RUA DO GRILO", foto obtida da "Travessa do Grilo") (Abre em tamanho grande) in ARQUIVO/APS
 Rua do Grilo - (1856-1858) Filipe Folque (A propriedade dos "Duques de Lafões" no "Atlas da Carta Topográfica de Lisboa", estando bem marcado o perímetro inicial entre a "Estrada de Marvila" e a "Rua do Grilo". Notando-se o corte dos belos jardins, pela linha do Caminho-de-ferro) in CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA
 Rua do Grilo - (1999) Foto de António Sacchetti ("Palácio dos Duques de Lafões" vista sobre o pátio. Este conjunto foi erguido possivelmente já no século XIX, com acesso ao salão sobre o jardim) in CAMINHO DO ORIENTE
 Rua do Grilo - (2007) Foto de Autor não identificado ("Palácio dos Duques de Lafões", interior da sala do andar nobre) in IGESPAR
 Rua do Grilo - (2007) Foto de autor não identificado ("Palácio dos Duques de Lafões", interior da Sala da Academia; pintura no tecto da autoria de "CYRILLO VOLKMAR MACHADO") in IGESPAR
 Rua do Grilo - (2013) (Fachada do "Palácio dos Duques de Lafões" lado Sul e principal nascente, sobre a "RUA DO GRILO") in GOOGLE EARTH 
Rua do Grilo - (2013) - (Uma panorâmica da propriedade dos "Duques de Lafões" obtida de Poente para Nascente. Depois da linha do Caminho-de-ferro, a propriedade continuava, conforme se pode ver no "Atlas da Carta Topográfica de Lisboa" de Filipe Folque em 1858) in GOOGLE EARTH


(CONTINUAÇÃO - RUA DO GRILO [ XVIII ]

«O PALÁCIO DOS DUQUES DE LAFÕES OU PALÁCIO DO GRILO ( 2 )»

Foi "PRIMEIRO DUQUE DE LAFÕES - "D. PEDRO HENRIQUE DE BRAGANÇA E LIGNE SOUSA TAVARES MASCARENHAS E SILVA) (1718-1761) primogénito do infante "D. MIGUEL DE BRAGANÇA" filho bastardo do rei "D. PEDRO II" e da francesa "ANA ARMANDA DU VERGE" que fora dama da rainha "D. MARIA FRANCISCA ISABEL DE SABÓIA" (a rainha portuguesa que casou com dois Reis portugueses).
"D. PEDRO DE BRAGANÇA" desempenhava na época conturbada em que viveu, além de princípe de sangue e parente chegado ao Rei "D. JOÃO V", tinha o importante cargo de hierarquia tradicional da Administração portuguesa. "Regedor das Justiças da Casa de Suplicação". De educação esmerada, distingue-se como músico tendo composto algumas missas e um ofício para a semana Santa. Nestes primeiros momentos, parece ter-se sabido adaptar ao emergente poder pombalino, vivendo com ele uma perfeita coabitação. Funções que naturalmente pressupunham uma directa e constante relação com o ministro "SEBASTIÃO JOSÉ DE CARVALHO E MELO".
Assim, devido ao terremoto de 1755 o "DUQUE DE LAFÕES" ficou sem residência em LISBOA do sumptuoso Palácio que tinha perto do "CONVENTO DO CARMO", que com o cataclismo ficou em ruínas e não pode ou não entendeu reconstrui-lo.
Poderíamos pensar que se albergaria nesta "QUINTA DO GRILO", mas não: Andou por casas emprestadas pelo Rei, incluindo o "PALÁCIO DE ALCÂNTARA". Porque? "NORBERTO DE ARAÚJO" retira deste feito a certeza da inexistência no "GRILO" de qualquer Palácio.
Pela leitura da planta, já sabemos que o Palácio não só existia, como, curiosamente ainda lá está. Estamos pois em crer que a razão  do "DUQUE" não se recolher no "GRILO", simplesmente porque o Palácio estava em obras.

Em determinado momento tudo muda na vida do "DUQUE". Assim, em 1760 é desterrado da Corte, recolhendo-se à sua quinta da "GRANJA DE ALPRIATE", onde morreria no ano seguinte sem deixar descendentes.
A acusação que determinou a sentença é categórica. O "DUQUE" tinha-se recusado a iluminar a sua residência por ocasião do casamento da princesa do "BRASIL", futura "D. MARIA I", com seu tio o "INFANTE D. PEDRO III.  Reside neste enlace a chave do problema. O "DUQUE", primo do REI, era também candidato à mão da princesa. Perdeu na corrida com o INFANTE, certamente por defeito de bastardia de seu pai, mas também por ser notoriamente uma personalidade mais forte de que o concorrente, capaz de perturbar os projectos de "POMBAL".
Não nos podemos esquecer que o poder deste Ministro do REI, tinha sido recentemente reforçado, após o «CASO DOS TÁVORAS»(1759) e a concessão pelo monarca do título de "CONDE DE OEIRAS". 
O "DUQUE" foi o último a ser afastado por POMBAL na sua corrida, o que não deixa de reflectir a posição de destaque de que "D. PEDRO DE BRAGANÇA" até então gozava.
Não admira, pois, que se guardasse no "PALÁCIO DOS LAFÕES" uma pasta com o nome do arquitecto "EUGÉNIO DOS SANTOS". Era ao "DUQUE" que o arquitecto do "SENADO DA CÂMARA", principal responsável executivo pela "SALA DO RISCO", tinha de mostrar os seus projectos, depois  submetidos ao REI, ou melhor, a "POMBAL", que os assinava. Compreende-se pois, que os primeiros desenhos não aprovados estivessem nessa pasta, por isso só conhecidos na exposição em que foram divulgados os referentes ao "GRILO".
A posição social e política de relevo do "DUQUE", senhor de uma grande fortuna, ainda por cima com secretas ambições de eventual casamento, mexendo-se muito à vontade no meio dos arquitectos, que dele dependiam, era evidente que o "DUQUE" tinha de tratar com desvelo da imagem da sua casa. E, neste tempo, tal passava sempre pela pedra e cal.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DO GRILO [ XIX ]-O PALÁCIO DOS DUQUES DE LAFÕES OU PALÁCIO DO GRILO ( 3 )»

quarta-feira, 5 de março de 2014

RUA DO GRILO [ XVII ]

 Rua do Grilo - (2005) Foto de APS (Fachada primitiva do "Palácio dos Duques de Lafões" seguido do piso térreo sobre a "Rua do Grilo" a justa posição de um revestimento de cantaria, de acordo com o projecto de renovação pós-terramoto) (Abre em tamanho grande) in  ARQUIVO/APS
 Rua do Grilo ((1856-1858)-Filipe Folque ("Atlas da Carta Topográfica de Lisboa" sob a direcção de Filipe Folque em 1856-1858. Planta Nº 9 onde nos mostra a panorâmica da propriedade dos "Duques de Lafões" da "Rua Direita dos Ananázes" (hoje Rua de Marvila) até à "Rua direita do Grilo" e ainda na margem do Tejo tinham o "Cais dos Duques de Lafões")  in   ARQUIVO MUNICIPAL DA CÂMARA MUNICIPAL DE  LISBOA
 Rua do Grilo - ( 19__) Foto de Alberto Carlos Lima (O 2º "DUQUE DE LAFÕES" "JOÃO CARLOS BRAGANÇA" (1719-1806), 1º Presidente da Academia Real das Ciências) in  AFML 
 Rua do Grilo - ( 2007 )  ("Palácio dos Duques de Lafões" fachada principal virada para a "Rua do Grilo") in IGESPAR
Rua do Grilo - (2007) (Uma parte da antiga propriedade dos "Duques de Lafões", podemos ver a "Rua do Grilo" que limita o palácio pelo Sul, e a Poente a "MANUTENÇÃO MILITAR") in GOOGLE EARTH

(CONTINUAÇÃO) - RUA DO GRILO [ XVII ]

«O PALÁCIO DOS DUQUES DE LAFÕES OU PALÁCIO DO GRILO ( 1 )»

Este "PALÁCIO DO GRILO" estava integrado numa vastíssima propriedade, que subia a encosta em declive acentuado na actual zona do BEATO.
A "QUINTA DO GRILO" pertencera a «D. ANTÓNIO MASCARENHAS», que o indiscreto genealogista "ALDO DE MORAIS" (PEDATURA LUSITANA), diz que teve a alcunha pouco simpática de o "SUJO". Foi ele que a vinculou e deu em dote à sua filha primogénita "D. MARIANA DE CASTRO", a qual casou em 1645 com "D. HENRIQUE DE SOUSA TAVARES" 1º Marquês de ARRONCHES e 3º CONDE de MIRANDA DO CORVO (1626-1706).
Mais tarde, a herdeira única da casa, bisneta desse casal "D. LUÍSA ANTÓNIA INÊS CASIMIRA DE SOUSA NASSAU E LIGNE", que foi 6ª Condessa de MIRANDA DO CORVO, casada com "D. MIGUEL DE BRAGANÇA", filho legitimado de "D. PEDRO II", que teve tratamento de Alteza, tendo também sido concedidas a esta senhora as honras de "DUQUESA", por carta de 02.04.1716 e, em 22.06.1718 foi-lhe atribuída a denominação de «DUQUESA DE LAFÕES» com tratamento de ALTEZA.
Do enlace principesco nasceram o "D. JOÃO CARLOS DE BRAGANÇA" (1719-1806) futuro 2º DUQUE DE LAFÕES,  e seu irmão primogénito "D. PEDRO HENRIQUE DE BRAGANÇA" (1718-1761), que "D. JOÃO V", seu tio, agraciou com o primeiro titulo de "DUQUE DE LAFÕES" no dia do seu baptizado.
Assim, os "DUQUES DE LAFÕES" herdaram esta quinta incluída no imenso património da poderosa «CASA DE ARRONCHES». Possivelmente já existia um palácio, que não sabemos a sua data, mas que naturalmente resultava de sucessivos acrescentos impostos pelo aumento de grandeza da família. O próprio "D. ANTÓNIO DE MASCARENHAS" já ali devia ter as suas casas onde se recolhia.
Provavelmente o PALÁCIO começou a ser construído, em princípios da segunda metade do século XVIII a partir das edificações já existentes. O objectivo era erguer uma habitação condigna dos seus moradores, descendentes directos de um monarca de Portugal. Todavia, este projecto grandioso nunca se concretizou inteiramente, já que as obras de adaptação foram feitas por fases, em diferentes épocas. Essa a impressão que se colhe quando se confrontam as estruturas existentes com as plantas do "PALÁCIO DOS DUQUES DE LAFÕES", reveladas pela "Drª. IRISALVA MOITA" na exposição comemorativa do 2º Centenário da morte de POMBAL em 1982, onde foram pela primeira vez expostas no "MUSEU DA CIDADE", e lá permanecem guardadas. Estas plantas (desenhos) do palácio tinham sido adquiridas por este MUSEU e provenientes da "CASA DE LAFÕES". No catálogo da exposição informava que estes desenhos estavam guardados numa pasta antiga, que tinha escrito na sua capa «DESENHOS DE EUGÉNIO DOS SANTOS».
Só através de observação atenta dessas plantas e dos alçados se pode compreender o todo no seu conjunto, bem como as indefinições e permanências que mais complicam a leitura do edifício. Assim, a qualidade e raridade desses desenhos no panorama setecentista português é de tal monta, que merecia que lhes fosse dedicada alguma atenção.
Existiu um dos poucos autores que se debruçou com algum detalhe sobre este PALÁCIO foi «NORBERTO DE ARAÚJO" (INVENTÁRIO DE LISBOA). Afirma, segundo a tradição mais comum, que o palácio foi iniciado em 1777, pelo "2º DUQUE DE LAFÕES", quando este regressou a LISBOA, depois do exílio que se prolongava desde 1757. Logo aqui se levantam alguns problemas, dado que sabemos que o DUQUE só regressou em 1779.
Acontece que o PALÁCIO de facto, há muito tinha sido concebido e iniciado. Mais exacto, tinha começado a ser refeito. Com efeito, entre as plantas hoje guardadas no MUSEU, uma é fundamental para se perceber a génese e a imagem actual desta construção.
Trata-se do levantamento das construções preexistentes no início das obras setecentistas.
Concebida numa estrutura em " L ", tendo o seu corpo maior disposto no sentido NORTE-SUL, vertical ao RIO, e o menor a ele virado bem como à via pública.
No seu interior rasgava-se um pátio, fechado por outras construções mais modestas. Esse pátio estava a nível superior ao da rua, e a ele se fazia acesso através de uma rampa que passava por baixo do corpo mais curto do " L ", que dava sobre o caminho público.
A parte principal deste palácio, o corpo maior do " L " é, ainda hoje, bem sensível no conjunto existente, formando a sua ala virada a Poente. Foi possivelmente o seu carácter antigo, que levou «JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA» a referir-se, e bem, ao seiscentismo das fachadas em: (A ARTE EM PORTUGAL NO SÉCULO XIX, VOL. I pág. 169) "(...) o palácio de Lafões, do Beato - que o segundo Duque, parente da casa reinante e homem de cultura cientifica, construiu ao voltar do meio exílio a que o votara Pombal - data da mesma altura mas o seu programa é bem menor, indo apenas até a um gosto actualizado num "LUÍS XVI" pobre, numa das fachadas só acabadas uns cem anos mais tarde e que contrasta com o seiscentismo das outras".

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DO GRILO [ XVIII ] O PALÁCIO DOS DUQUES DE LAFÕES OU PALÁCIO DO GRILO (2)»

sábado, 1 de março de 2014

RUA DO GRILO [ XVI ]

 Rua do Grilo - (2005)-Foto de autor não identificado ("Bombeiros Voluntários do Beato e Olivais" com as suas viaturas estacionadas fora do quartel) in  CDS/PP-BEATO-LISBOA
 Rua do Grilo - (2005)- Foto de autor não identificado (O antigo "Largo do Beato" na versão popular, com os carros estacionados dos "Bombeiros Voluntários do Beato e Olivais" in CDS/PP-BEATO-LISBOA
 Rua do Grilo - (2005) - Foto de autor não identificado (Um carro Tanque dos "Bombeiros Voluntários do Beato e Olivais", estacionado junto ao quartel do Beato) in CDS/PP-BEATO-LISBOA
 Rua do Grilo - (2011) (Foto de uma notícia publicada no "JORNAL DE NOTÍCIAS" referente às más condições das instalações desta corporação em 14.01.2011) in  JORNAL DE NOTÍCIAS
 Rua do Grilo - (2013) - ("Corpo de Bombeiros Voluntários" e "Cruz Vermelha" no antigo edifício dos "Duques de Lafões" na "Rua do Grilo") in GOOGLE EARTH
 Rua do Grilo - (2012) - (Emblema do "CORPO DE BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DO BEATO", na "Rua do Grilo" antigas cocheiras do "Palácio dos Duques de Lafões")     in     BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DO BEATO

Rua do Grilo - (1996) Foto de Luís Fradinho (Junto da "Praça do Comércio" um carro tanque dos "Bombeiros Voluntários do Beato e Olivais" no combate ao incêndio na Câmara Municipal de Lisboa em 07.11.1996)  in  AFML

(CONTINUAÇÃO) - RUA DO GRILO [ XVI ]

«OS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DO BEATO E OLIVAIS»

Os "BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DO BEATO E OLIVAIS" estão instalados na "RUA DO GRILO" números 38-40 desde 6 de Maio de 1932, nas antigas cavalariças do "Palácio dos Duques de Lafões".
Este "Corpo Voluntário de Bombeiros", tem o número operacional (2107), é detido pela "ASSOCIAÇÃO HUMANITÁRIA DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DO BEATO E OLIVAIS". Com área de actuação nas freguesias (antes do novo ordenamento de freguesias de Lisboa) - BEATO ; SÃO JOÃO; PENHA DE FRANÇA; ALTO DO PINA e SANTA ENGRÁCIA. (Depois da Reforma de 2013) - «BEATO» (População de 14 241 - área 1,55 Km2; «PENHA DE FRANÇA» (Absorve "S. João") (População 30 795 - área 2.20 Km2); «AREEIRO» (junta "Alto do Pina" e "S. João de Deus" (População 21 035 - área 1,76 Km2) e «SÃO VICENTE» (junta "S. Vicente de Fora", "Graça" e  "Santa Engrácia"(População 17 087 - área 1,22 Km2) (Total de população das freguesias 83 158, com a área total de 6,73 Km2), (CENSOS de 2001 - fonte: CML.
 Com esta alteração de agrupamentos de freguesias, não estamos certos se a corporação irá preencher a sua actuação nesta área tão extensa.
O "CORPO DE BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS" tem a classificação do tipo 4, integrando sessenta elementos.
Num artigo publicado no "JORNAL DE NOTÍCIAS" em 14.01.2011, era referido que nem a boa vontade destes bombeiros voluntários, alguns com profissões de electricistas ou de carpinteiros, conseguem "mascarar" a realidade: o quartel do BEATO não tem ponta por onde se lhe pegue.
Quando chove são eles que precisam de ajuda.
Dizem ainda: Quando a capital foi atingida por grandes chuvadas os homens escalados para pernoitar no quartel de prevenção, foram também eles vítimas da intempérie. A água entrou e molhou os colchões e cobertores de quem estava a dormir no chão. E dormiam no chão, porque não existe, naquelas instalações, outro local para pernoitar. As camaratas são exíguas, tal como todo o resto.
O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa da altura aprovou por unanimidade, uma proposta dos vereadores do movimento "LISBOA COM CARMONA", a qual reconhecia que o quartel não tinha quaisquer condições e propunha que as instalações fossem transferidas para um edifício (onde no passado estiveram instalados os "BOMBEIROS MUNICIPAIS"), situado junto ao "PALÁCIO DA MITRA".
A pedido dos bombeiros, a Câmara chegou a ceder, a título precário, um barracão para que a corporação pudesse guardar algum material de apoio. Sabe-se que o espaço junto ao "PALÁCIO DA MITRA" é suficientemente espaçoso para acolher também as viaturas, que estão  estacionadas na via pública.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DO GRILO [ XVII ]-O PALÁCIO DOS DUQUES DE LAFÕES OU PALÁCIO DO GRILO (1)»