sábado, 31 de maio de 2014

LARGO DO CARMO [ X ]

 Largo do Carmo - (2001) Foto de Teresa Vale  (Fachada lateral esquerda (NO) do "PALÁCIO VALADARES" no LARGO DO CARMO)  in  SIPA
 Largo do Carmo - (2001) Foto de Teresa Vale  ( Vista geral da fachada posterior do PALÁCIO VALADARES) in  SIPA 
 Largo do Carmo - (2013) (Aspecto de uma sala do PALÁCIO VALADARES, depois da última intervenção de obras, no antigo "CLUBE DO CARMO de 1835")  in  NCREP
Largo do Carmo - (2013) - (Foto da última intervenção na cobertura  no PALÁCIO VALADARES, antiga ESCOLA SECUNDÁRIA VEIGA BEIRÃO, no LARGO DO CARMO)  in  NCREP

(CONTINUAÇÃO) - LARGO DO CARMO [ X ]

«O PALÁCIO VALADARES ( 3 )»

No PALÁCIO VALADARES numa parte do edifício instala-se uma fábrica de arame cujo proprietário é  JERÓNIMO PEREIRA DE LOUREIRO, aí permaneceu até 1817. No ano de 1819 o PALÁCIO é arrendado pelo seu proprietário a um grupo de clubistas, denominado "ASSEMBLEIA PORTUGUESA", que efectuaram obras de adaptação com vista à utilização de parte do edifício para festas e bailes. Em 28 de Dezembro de 1819 realiza-se o 1º baile do clube. A 13 de Maio de 1820, anos de D. JOÃO VI, realizou-se uma sessão de música clássica e dança e uma maravilhosa ceia ( 1 ).
A 20 de Janeiro de 1822 é dada uma festa neste clube, instalado no antigo PALÁCIO VALADARES que contou com a presença do rei D. JOÃO VI e dos infantes D. ISABEL MARIA, D. MIGUEL e D. SEBASTIÃO.
Em 28 de Novembro de 1826 estiveram presentes 400 convidados neste baile - entre os mais destacados - os oficiais ingleses BERESFORD e CASTELLANE. Três anos depois a ASSEMBLEIA PORTUGUESA muda-se para o PALÁCIO do "MANTEIGUEIRO" ali na RUA DA HORTA SECA ao CAMÕES, onde permaneceu até 1832. 
Em 1835 foi criada e instalada neste edifício do PALÁCIO o "CLUB LISBONENSE" também chamado pelo "CLUBE DO CARMO", realizando-se para o efeito nova campanha de obras.
No período de 1836 a 1850 residiram na sobreloja do PALÁCIO os primeiros CONDES DE PARATY (irmão e cunhado do 1º MARQUÊS DE TORRES NOVAS). De 1838 a 1842 celebraram-se neste Palácio boas festas com grande sucesso, como atestam as memórias do MARQUÊS DE FRONTEIRA, que era um dos Directores do "CLUB LISBONENSE".
No início de 1850 instala-se na sobreloja do Palácio um COLÉGIO FEMININO, do qual era directora D. EUSÉBIA GERTRUDES GUIMARÃES, aí permaneceu até 1869.
Em 1870 instala-se também na sobreloja o COLÉGIO DE NOSSA SENHORA DO CARMO, que no ano seguinte passa a designar-se COLÉGIO MILHEIRO, sendo directora JOHANE STEPHAN. No ano de 1974 o colégio passa a chamar-se COLÉGIO ALEMÃO e permanece naquela parte do PALÁCIO até 1882.
Ainda no ano de 1880 extingue-se o CLUB LISBONENSE e o andar nobre do PALÁCIO é arrendado em 1881 à DIRECÇÃO GERAL DOS CORREIOS, TELÉGRAFOS e FARÓIS, que permaneceram neste local durante seis anos. Em 1888 todo o edifício é arrendado a JOÃO PEDRO TAVARES TRIGUEIROS (Director da COMPANHIA DOS CAMINHOS DE FERRO DO SUL E SUESTE) por quatro anos.
No início de 1892 funciona no antigo PALÁCIO VALADARES o LICEU NACIONAL (que tinha vindo do PALÁCIO DA REGALEIRA, a S. DOMINGOS), que passa a ser conhecido como LICEU DO CARMO, que depois de ter sido um liceu feminino, passou a chamar-se de ALMEIDA GARRETT, nome que se conservou até 1926.
Nesse ano, pensou-se que uma escola feminina devia ter o nome de uma mulher, tendo sido escolhida para "padrona" a escritora MARIA AMÁLIA VAZ DE CARVALHO. (Era tempo, porém, de nascer outro edifício de raiz, e num terreno da RUA RODRIGO DA FONSECA nasceu em 1932, aquela que seria durante longos anos, o mais conhecido liceu feminino da Capital, nascido no CARMO).
No ano de 1906 os descendentes do 9º CONDE DE VALADARES e da 4ª MARQUESA DE VAGOS (que tinham, pelo casamento, reunido as duas casas), efectuaram partilhas de bens, entre os quais se conta o PALÁCIO, que vai à praça, sendo adquirido por 41.300$00, pelo negociante BALTASAR RODRIGUES CASTANHEIRA (a carta de arrematação data de 10.01.1907).
Em Outubro de 1941 instala-se no imóvel a ESCOLA COMERCIAL VEIGA BEIRÃO
No início de 1950 o edifício era pertença dos três netos de BALTASAR R. CASTANHEIRA, Pedro, Rafael e Carlos Castanheira Viana, encontrava-se então maioritariamente ocupado pela ESCOLA VEIGA BEIRÃO, enquanto que numa das sobrelojas se instalara a JUNTA DE FREGUESIA DO SACRAMENTO e nas restantes lojas e sobrelojas alguns estabelecimentos comerciais.
Este PALÁCIO VALADARES que em meados do século XIX foi sede da ASSEMBLEIA PORTUGUESA, seguiu-se o CLUB LISBONENSE que se manteve longas décadas. Na última década do século XIX funcionou o LICEU NACIONAL que passou a ser conhecido como LICEU DO CARMO, que depois passou a chamar-se ALMEIDA GARRETT até 1926.
Chamou-se MARIA AMÁLIA VAZ DE CARVALHO até aproximadamente ao ano de 1932, seguiu-se a ESCOLA COMERCIAL VEIGA BEIRÃO e a última a ocupar este antigo palácio foi a ESCOLA E.B. 2. 3, FERNÃO LOPES, que em 2004 passou para a RUA DAS CHAGAS, 28.

( 1 ) - Gazeta de LISBOA, de 16 de Maio de 1820.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DO CARMO [ XI ]-A CAPELA DA ORDEM TERCEIRA DO CARMO(1)»

quarta-feira, 28 de maio de 2014

LARGO DO CARMO [ IX ]

 Largo do Carmo - (2001) Foto de Teresa Vale (Fachada principal e portal do "PALÁCIO VALADARES". Nesta local foi instalada a primeira Casa da "UNIVERSIDADE DE LISBOA" com o nome de "ESTUDO GERAL" nos finais do século XIII"  in  SIPA 
 Largo do Carmo - (2001) Foto de Teresa Vale  (Fachada principal Oeste do "PALÁCIO VALADARES" na "Calçada do Sacramento" in  SIPA
 Largo do Carmo - (2013) - Fachada do "PALÁCIO VALADARES" já dentro da "Calçada do Sacramento")  in  GOOGLE EARTH
Largo do Carmo - (2013) - (O "PALÁCIO VALADARES" entrada principal vista da "Calçada do Sacramento")  in   GOOGLE EARTH

(CONTINUAÇÃO) - LARGO DO CARMO [ IX ]

«O PALÁCIO VALADARES ( 2 )»

"D. ÁLVARO ABRANCHES DA CÂMARA" este nobre tinha-se mostrado valente e patriota durante a conspiração de 1640. Na verdade, rezam as crónicas que foi ele quem fez desfraldar a bandeira portuguesa no CASTELO DE SÃO JORGE em 1 de Dezembro daquele ano, mostrando com esse gesto que LISBOA estava firmemente ao lado do Monarca Português.
E só agora vamos chegar aos VALADARES que deram nome ao PALÁCIO: a única filha de "D. ÁLVARO A. CÂMARA, "DONA MADALENA MARIA LANCASTRE" nasceu em a 29.01.1630 e veio a casar-se, a 29.01.1654 com o primeiro CONDE DE VALADARES - D. MIGUEL LUÍS DE MENESES, que veio a falecer em 01.11.1714.
Por este nome de PALÁCIO DE VALADARES não será tão fácil alguns alfacinhas que o identifiquem. Mas se aos mais idosos se falar no LICEU DO CARMO e aos que já atingiram um pouco mais que a meia idade  se nomear a ESCOLA VEIGA BEIRÃO já muita  gente sabe onde fica.
O PALÁCIO VALADARES na antiga "PEDREIRA" foi objecto de várias obras de profundo restauro, foi sendo alvo ao longo dos séculos não se conseguindo achar notícia, não sendo de espantar no entanto que algumas fossem de grande volume. Sabe-se, porém, que o grande sismo de 1755 o destruiu praticamente por completo, tal como fez aos edifícios vizinhos entre os quais, como tem sido frequentemente repetido nestes últimos escritos, uma boa parte do CONVENTO DO CARMO, e arruinada a sua Igreja.
Os VALADARES não desistiram, contudo, do seu Palácio. Tinham aliás já raízes no local, sendo nomeadamente juízes perpétuos da Irmandade do Santíssimo da freguesia ao antigo SACRAMENTO
O quinto CONDE D. ÁLVARO DE NORONHA CASTELO BRANCO, decidiu reconstruir o edifício. As medições de terrenos e a marcação de limites deram azo a uma demanda entre o CONDE e os FRADES CARMELITAS. Mas vencida a querela, a casa foi reerguida e D. JOSÉ LUÍZ E MENESES ABRANTES CASTELO BRANCO - 6º CONDE VALADARES, que alguns anos andou pelo BRASIL ao serviço de PORTUGAL, regressou e em 1785 ainda foi a MADRID como Ministro plenipotenciário, foi GENTIL-HOMEM da CÂMARA DA RAINHA D. MARIA I, veio a morrer em 1792 já instalado no que fora o solar dos seus antepassados.
Má sina parecia acompanhar a casa: em Fevereiro de 1798 sofreu um Incêndio, já no tempo de D. ÁLVARO ANTÓNIO, Sétimo CONDE DE VALADARES, tendo ardido por completo, nada restando sequer do seu rico interior. Ainda desta vez não houve desistência: o PALÁCIO voltou a ser reerguido, embora os VALADARES não tivessem voltado a residir naquele local; talvez impressionados com o azar, mudaram-se para o outro PALÁCIO no sítio do CAMPO DE SANTANA, onde já residiam em 1803 ou 1804.

Na sua descrição a configuração do PALÁCIO VALADARES apresenta uma planta em " U " composta pela articulação de corpos de planta rectangular em redor de um pátio também rectangular, sendo a cobertura constituída por telhado diferenciado de duas e três águas. Com pano de muro em reboco pintado e punhais em cantaria.
O alçado principal a (SO), de três pisos, dos quais se demarca o embasamento, com revestimento em placagem de cantaria e de pé-direito crescente no sentido (NO-SE), dado o declive do terreno em que se encontra implantado, já na CALÇADA DO SACRAMENTO.
A fachada de dois corpos separados por pilastras de cantaria, no corpo principal a (NO), o portal nobre, de verga curta articulado lateralmente com molduramento de cantaria em chanfro e mourões e superiormente, com janelas de sacada de bandeira curva sobrepujada por ática animada pela pedra de armas dos CONDES DE VALADARES, servida por varanda de grande contracurvada em ferro forjado. 
O edifício é construído por paredes de alvenaria de pedra e de frontal, pavimentos em abóbada de tijolo e madeira, e cobertura em madeira. Apresentando um estado de conservação e a pouca adequabilidade das soluções existentes no que diz respeito à resistência sísmica do edifício, e os condicionalismos arquitectónicos, teve recentemente uma intervenção de substituição das coberturas, que consistiu em asnas de madeira lamelada colada, com elementos estruturais ligados através de chapas, parafusos e pinos metálicos embutidos.
O trabalho foi desenvolvido pelo INSTITUTO DA CONSTRUÇÃO DA FACULDADE DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO (através do então NCREP-NÚCLEO DE CONSERVAÇÃO E REABILITAÇÃO DE EDIFÍCIOS E PATRIMÓNIO) (hoje - NCREP-CONSULTORIA EM REABILITAÇÃO DO EQUIPAMENTO E PATRIMÓNIO, LDA.).

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DO CARMO [ X ]- O PALÁCIO VALADARES (3)»

sábado, 24 de maio de 2014

LARGO DO CARMO [ VIII ]

 Largo do Carmo - (1960) Foto de Arnaldo Madureira ("Palácio Valadares" no "Largo do Carmo" antiga "Escola Veiga Beirão")  in  AFML
 Largo do Carmo - (Anos 30 do século XX) Foto de Autor não identificado (A Escola Maria Amália Vaz de Carvalho" passou também por este palácio nos anos trinta do século passado) in ESCOLA SECUNDÁRIA MARIA AMÁLIA VAZ DE CARVALHO 
 Largo do Carmo - (2001) Foto de Teresa Vale (O "Palácio Valadares" no "Sítio da Pedreira", um pouco mais para Norte, podemos ver parte da Igreja do Carmo)  in  SIPA
 Largo do Carmo - (2013) -(O "Palácio Valadares" antigo "Palácio dos Pessanhas" com a junta de freguesia do Sacramento, já na "Calçada do Sacramento")  in  NCREP
Largo do Carmo - (2013) - ( O "Palácio Valadares" antigo espaço do "Club Lisbonense" ou "Club do Carmo" em 1835 visto do "LARGO DO CARMO") in   GOOGLE EARTH 

(CONTINUAÇÃO)- LARGO DO CARMO [ VIII ]

«O PALÁCIO VALADARES ( 1 )»

Ao que consta, foi o primeiro rei de português dado a coisas de cultura, "D. DINIS" de seu nome, quem primeiro deitou os olhos para aquele seu património. E não o fez por questões de pouca monta: uma lápide existente na antigo ESCOLA VEIGA BEIRÃO recorda a data memorável para LISBOA e para o País: "No sítio deste Palácio existiu a primeira casa da UNIVERSIDADE DE LISBOA criada pelo rei D. DINIS, por carta de 1 de Março de 1290, com o nome de ESTUDO GERAL(...)".
(Abra-se aqui um parêntesis breve, apenas para recordar, quanto são distraídos estes bons patrícios alfacinhas, quando em 1990 passou o centenário da criação da UNIVERSIDADE, os nossos irmãos de COIMBRA  - com os quais temos inegáveis boas relações - assenhorearam-se em exclusivo da efeméride. Existiu cerimonial e a pompa devida para assinalar a data como se tudo tivesse nascido logo na cidade do MONDEGO e não tivessem sido as insónias do nosso excelso e piedoso D. JOÃO III, com a reforma da UNIVERSIDADE em 1537, a deslocou para COIMBRA. Nem uma palavra oficial apareceu a recordar que o ESTUDO GERAL fazia 700 anos de facto, mas com os anos decorridos sobre a sua fundação em LISBOA).
Certo é que não foi longa a permanência dos estudantes Universitários no sítio da PEDREIRA, e no local que viria a ser o CARMO (1 ).
O mesmo D. DINIS começou por ceder aquelas suas casas, uma vez desocupadas em 1302, a uma família JUDIA de apelido NAVARRO, notáveis pelos seus dotes em leis. 
Tal circunstância motivou NORBERTO DE ARAÚJO, que se supusesse ter ali existido um bairro de Judeus.
O mesmo Rei "LAVRADOR" quis depois reformar a MARINHA PORTUGUESA, mandou vir de GÉNOVA o navegador MANUEL PESSAGNO (que aportuguesado passou a ser chamado de PESSANHA). À posse deste marinheiro foram parar as casas e as terras que iam do CONVENTO DA TRINDADE até ao CHIADO de hoje, abrangendo portanto o que foi a ESCOLA VEIGA BEIRÃO, duradouramente conhecido por PALÁCIO VALADARES.
Quer isto dizer que toda aquela parcela da cidade que vem desde a MISERICÓRDIA, até à RUA GARRETT dos nossos dias só tinha, em finais do século XIV, dois proprietários: os FRADES DO CONVENTO DA TRINDADE e a família PESSANHA.
Mas voltemos ao Palácio dos PESSANHAS que passou a posse do edifício aos seus descendentes, pelo que, a dada altura, eram proprietários os CONDES DE VIANA.
Em meados do século XVII, quem punha e dispunha no local, ainda por razões de descendência, eram já os MENESES,  Marqueses de VILA REAL. O pior é que esta família foi conotada com uma conspiração contra D. JOÃO IV.
Assim, D. LUÍS DE NORONHA E MENESES(1589-1641) foi o 9º CONDE DE VILA REAL e 6º MARQUÊS DE ALCOUTIM  e 7º CONDE DE VALENÇA, filho secundogénito dos 1ªs. DUQUES e irmão do anterior. Foi 9º Capitão-General de Ceuta, senhor de todas as vilas e vínculos da sua casa, Alcaide-mor, de LEIRIA, membro do Conselho de Estado de D. FILIPE III e de D.JOÃO IV. Com o título de MARQUÊS, herdou também o lugar de Conselheiro de Estado, em que o confirmou D.JOÃO IV, quando subiu ao trono em 1640.
Não se julgou o MARQUÊS suficientemente contemplado e andava descontente com o Governo que saíra da RESTAURAÇÃO e com a aclamação de D.JOÃO IV. O Arcebispo de BRAGA D. SEBASTIÃO MATOS DE NORONHA, também filiado no grupo dos descontentes, aliciou-o para uma conspiração contra D.JOÃO IV, que, se tivesse êxito, lhe obteria o valimento e fartas honras junto do Rei de Espanha.
O MARQUÊS tentou aliciar o Duque de CAMINHA, seu filho, que não acedeu a tomar parte na conspiração, mas guardou segredo dela, o que foi motivo para ser igualmente incriminado.
A conspiração foi descoberta e o MARQUÊS foi preso a 28 de Junho de 1641 nas escadas do PAÇO DA RIBEIRA
Condenado à morte com outros conjurados - entre os quais seu filho - foi executado no ROSSIO, e todos os seus bens foram confiscados para a COROA. Esta, porém, não se mostrou avara e doou o conjunto a um fidalgo de nome D. ÁLVARO ABRANTES DA CÂMARA.
( 1 ) - Diz-nos GUSTAVO DE MATOS SEQUEIRA em "O CARMO E A TRINDADE" Volume I- 2ª Ed. 1939, referente ao ESTUDO GERAL o seguinte: " O que é certo - sem hipóteses - é que em 1302 o ESTUDO GERAL já não estava na PEDREIRA".

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DO CARMO [ IX ] O PALÁCIO VALADARES ( 2 )»

quarta-feira, 21 de maio de 2014

LARGO DO CARMO [ VII ]

 Largo do Carmo - (Finais do séc.XIX)Gravador J. Novais (As ruínas da IGREJA DO CONVENTO DO CARMO" e a passagem para o futuro elevador, com o seu gradeamento)  in  LISBOA de Alfredo Mesquita
 Largo do Carmo - (1959) Foto dos Estúdios de Mário Novais ( A Abside da "IGREJA DO CONVENTO DO CARMO" vista do lado Nascente) (Abre em tamanho grande)  in   AFML
 Largo do Carmo - (1960) Foto de Armando Serôdio (Panorama da "IGREJA DO CONVENTO DO CARMO", visto do lado Nascente) (Abre em tamanho grande) in AFML
 Largo do Carmo - (2006) Foto de Georges Jansonne ("Igreja e Convento do Carmo" visto de Nascente) in WIKIPÉDIA
Largo do Carmo - (2013) (O actual aspecto do antigo "Convento do Carmo" hoje quartel da GNR, e uma parte do "Largo do Carmo")  in  GOOGLE EARTH

(CONTINUAÇÃO) - LARGO DO CARMO [ VII ]

«O CONVENTO E A IGREJA DO CARMO (3)»

O traçado da Capela-mor é um pouco compacto para modelo gótico, com panos de parede pouco rasgados,  que deverá ter sido devido às preocupações com a estabilidade do conjunto. A fachada principal chegou a ser modificada antes do terramoto, mas não deixa de manter muita da feição original. Possuía ao centro um coroamento de empena triangular; hoje fica pelo começo da moldura da rosácea.
Datam de 1523 as lápides visíveis no corpo saliente do portal, altura em que se fizeram algumas modificações na fachada.
A composição do portal, de perfil tardo-gótico, lembra a do portal axial da BATALHA. Da iconografia gótica do interior, uma mísula figurativa subsiste, na base dos arcos primitivos, logo à entrada, junto à parede ocidental: dois anjos, esguios, de excelente recorte.

A parte habitada do CONVENTO DO CARMO, foi convertida em instalações militares, zona ocupada inicialmente para se tornar no QUARTEL DA GUARDA MUNICIPAL em 1834. Passado anos foi neste mesmo lugar instalada a Sede do COMANDO DA GNR. Foi ainda no QUARTEL DO CARMO que o Presidente do Concelho de Estado, Dr. MARCELO CAETANO, se refugiou dos militares revoltosos, durante a Revolução de 25 de Abril de 1974. Neste CONVENTO DO CARMO foi apresentada a capitulação do Governo, então chamado de "ESTADO NOVO". Durante a rendição o QUARTEL DO CARMO esteve cercado por populares, e militares sob o comando do Capitão "SALGUEIRO MAIA" (1944-1992).

Falando ainda da sua arquitectura, apenas a sacristia, que mantém a abóbada de cruzaria de ogiva e os dois janelões góticos, terá sido edificada na primeira campanha de obras. As outras divisões são de datas posteriores, como o confirmam algumas aduelas ornamentadas e um portal quinhentista de pedraria, de arco abatido e de decoração complexa, que mostra motivos vegetalistas e cabeças aladas de querubim.

Confiando mais uma vez no testemunho de FREI JOSÉ, deviam seguir-se para oriente desta IGREJA as seguintes secções do CONVENTO: a Sacristia, de planta regular; o seu acrescento seiscentista; o CAPÍTULO DOS BISPOS, (espaço hoje devoluto), a pequena capela, desaparecida; o CAPÍTULO NOVO, cuja entrada era o portal referido; o refeitório e, correndo sobre estas divisões, o dormitório. O Claustro é já do século XVII, em estilo característico, de arcos e pilastras de modelo toscano muito simplificado. A frontaria antiga do CONVENTO desapareceu. Pode ser vista numa gravura de "GUILHERME DEBRIE" incluída na edição de 1745 na crónica de FREI JOSÉ, que mostra a porta de recorte tardo-renascentista, com uma pedra de armas sobre a verga recta. Após o terramoto de 1755, tornado necessário o restauro, principalmente na IGREJA, o resultado das obras foi mais o de uma imitação superficial do gótico do que uma verdadeira restituição, apesar de certamente ter ficado utilizável uma parte do material derrubado.
A cobertura da CAPELA-MOR, as colunas da IGREJA, o revestimento interno dos muros, os arcos divisórios, as capelas "à face" das arcadas cegas das paredes laterais e outros pormenores são obras setecentistas, em cuja inspiração gótica é possível ir assinalando prevaricações barrocas.

Na IGREJA está hoje instalado o MUSEU ARQUEOLÓGICO DO CARMO, da ASSOCIAÇÃO DOS ARQUEÓLOGOS PORTUGUESES. O Arqº SIZA VIEIRA, principal responsável da renovação do CHIADO, posterior ao incêndio de 1988, decidiu ligar o topo da RUA DO CARMO às traseiras dos prédios do lado poente, através de uma escada interior aberta numa das fachadas. O novo pátio teria, em consequência, ligação natural ao portal SUL da IGREJA DO CARMO, pelo que foi projectada uma série de compensações de desníveis que impedia esse acesso. Curiosamente, no decurso do debate público do projecto, alguém revelou ao arquitecto a existência de uma gravura anterior ao Terramoto que representa uma escadaria exactamente entre os dois pontos, afinal reencontrados.

Assim, o CONVENTO DO CARMO E SUA IGREJA, que foi de "CARMELITAS DESCALÇAS", era um primor de arquitectura gótica, e poucos monumentos existirão no seu género que se lhe aproximem em obra de arte e riqueza material.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DO CARMO [ VIII ] O PALÁCIO VALADARES (1)»

sábado, 17 de maio de 2014

LARGO DO CARMO [ VI ]

 Largo do Carmo - (2008) Foto de APS  (O "Convento do Carmo e Igreja" vista da "Praça D. Pedro IV" vulgo Rossio)  in  ARQUIVO/APS
 Largo do Carmo - (Século XIV) (Foto de 19.11.2010) (Maqueta da "Igreja e Convento do Carmo" ) in SÉTIMA COLINA
 Largo do Carmo - s/d Foto de Ferreira da Cunha(1901-1970) (Fachada das ruínas da "Igreja do Convento do Carmo" (Abre em tamanho grande) in AFML
 Largo do Carmo - (Provavelmente no início do século XX) Autor da fotografia não identificado (Fachada principal do "Convento e (ruínas) da Igreja do Carmo, Monumento Nacional desde 1910) (Abre em tamanho grande)  in  AFML
Largo do Carmo - (2013) (Aspecto do antigo "Convento do Carmo" hoje quartel da GNR)  in  GOOGLE EARTH

(CONTINUAÇÃO) - LARGO DO CARMO [ VI ]

«O CONVENTO E IGREJA DO CARMO ( 2 )»

«Abriu o frontispício por entre o pórtico e o cunhal da porta do Sul». A solução para o problema passava pela aquisição dos terrenos  a Sul do CONVENTO para nova intervenção de engenharia.
Pertenciam os terrenos ao cunhado de "D NUNO", o "ALMIRANTE PESSANHA", cuja aquisição está datada de 1399, data em que, portanto, as paredes do templo e a frontaria estavam já construídas. Dos cinco arcobotantes ou botaréus então acrescentados, visíveis nas gravuras antigas, um ainda é facilmente reconhecível, talvez reconstruído, junto à passagem que nos conduz ao vizinho "ELEVADOR DE SANTA JUSTA", pela "TRAVESSA DOM PEDRO DE MENESES".
Entretanto a direcção da obra terá mudado, após a conclusão das fundações, para ser entregue a consolidação e alçada das naves e da fachada a nova orientação. 
A este Mestre se deve a assinatura da "PORTA SUL" ou PORTA TRAVESSO" da IGREJA, bem como a razoável opção de cobrir as naves colaterais em berço quebrado de tijoleira, mais leve e diminuidora das tensões mecânicas nas fachadas laterais da IGREJA. Apenas a BATALHA e o CARMO exibem a estrutura complexa de cinco capelas de panos poligonais no topo, uma evolução do modelo das mais importantes igrejas de GÓTICO MENDICANTE do Centro e do Sul do país, como SANTARÉM ou ELVAS.
O CARMO  conjuga o aperfeiçoamento da BATALHA - a solução da planta poligonal - com a tradição monástica das capelas escalonadas.
D. NUNO tomou no Templo o nome de FREI NUNO DE SANTA MARIA. Data de 1404 a primeira doação patrimonial que fez ao CONVENTO, e de 1423 a doação do CONVENTO à ORDEM DO CARMO.
D. DUARTE e depois D. AFONSO V tomaram sob sua protecção o CONVENTO. A IGREJA DO CARMO passou a ser a maior da cidade. Após o Terramoto de 1755 ruiu grande parte da IGREJA, tendo junto à derrocada um incêndio que ajudou a fazer desaparecer a maior parte do património artístico, no qual se encontrava o cadeiral da capela-mor, obra de DIOGO DE GARÇA. O CONVENTO manteve-se de pé e habitável.
Após sucessivos esforços de restauro, nunca concluído, o templo chegou a ser vazadouro público, e por tanto tempo foi esquecido, que a descoberta da verdadeira base das colunas da nave central, aquando da limpeza da lixeira, constituiu grande surpresa.
A nave central e as duas laterais do corpo da IGREJA, hoje a céu aberto, deixam o visitante imaginar a sua cobertura, lembrada a descrição de FREI JOSÉ: " No alto dos barretes da abóbada. há uns remates de pedra, nos quais se distinguem lavradas as imagens, que o SANTO CONDESTÁVEL trazia na sua bandeira, que depois foram elaboradas em relevo no seu túmulo. Só ao barrete maior (que he o do Cruzeiro) serve de remate um escudo de armas com a cruz floretada do ilustre fundador". As abóbadas saiam, portanto, em cruzaria de ogivas, com fechos decorados a rematá-las. A cobertura seria simples - a avaliar por sinais persistentes nas naves laterais - em berço quebrado, com arcos torais apoiados em mísulas chanfradas. O tecto das capelas da cabeceira da IGREJA não fugia à norma também praticada nas capelas absidais de Templos como os de SANTA CLARA de SANTARÉM ou BATALHA.
No exterior, são a marca do edifício a cabeceira e a fachada, as partes mais bem conservadas. Um terço da altura da cabeceira, cujo arrojo pode ser admirado do ROSSIO, faz parte do (embasamento com jorramento), a solução de engenharia que permitiu reter as terras e garantir a solidez do alçado.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DO CARMO [ VIII ]O CONVENTO E IGREJA DO CARMO (3)» 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

LARGO DO CARMO [ V ]

 Largo do Carmo - (Século XIV) (Maqueta da "IGREJA DO CONVENTO DO CARMO" apresentada em 3D no "Museu da Cidade")  in  MUSEU DA CIDADE
 Largo do Carmo - (Século XVIII Desenho aguarelado de Alberto de Souza) (Frade da "Ordem dos Carmelitas Descalços" ou simplesmente "Carmelitas Descalços", um ramo da "Ordem do Carmo") in ALFACINHAS-OS LISBOETAS DO PASSADO E DO PRESENTE
 Largo do Carmo - (1858) (Desenho de Francisco Augusto Nogueira da Silva e Gravura de João Maria Baptista Coelho Júnior) (Aspecto das ruínas da "IGREJA DO CARMO", vista do exterior) in  FESTAS DE LISBOA -1955
 Largo do Carmo (1959) Estúdios Mário Novais (Entrada principal para a "IGREJA DO CARMO", hoje Museu Arqueológico do Carmo) (Abre em tamanho grande)  in  AFML
 Largo do Carmo - (1959) Foto de Armando Serôdio (ARCOBOTANTE ou Arco que une o Contraforte à parede na arquitectura gótica, na passagem entre o LARGO DO CARMO e o Elevador de Santa Justa, ou "TRAVESSA D. PEDRO MENEZES") in   AFML
Largo do Carmo - (2013) - (O antigo "CONVENTO DO CARMO" hoje alterado, alberga o Comando Geral da GNR, que em 1834 era a sede da "GUARDA MUNICIPAL")  in  GOOGLE EARTH

(CONTINUAÇÃO - LARGO DO CARMO [ V ]

«O CONVENTO E IGREJA DO CARMO ( 1 )»

O "CONVENTO E IGREJA DO CARMO" da "ORDEM DO CARMO" foi mandado edificar pelo "CONDESTÁVEL - D. NUNO ÁLVARES PEREIRA", e começou a ser construído em 1389, pouco depois de iniciada a construção do "MOSTEIRO DA BATALHA".
O conjunto do CONVENTO E IGREJA constitui um projecto dos maiores da arquitectura medieval portuguesa, e concilia princípios arquitectónicos de outros tempos monacais de ordens mendicantes com novidades experimentadas no estaleiro da BATALHA ao longo do primeiro quartel do século XV.
O lugar cimeiro escolhido teve grande significado para os FRADES CARMELITAS, como afirmou "Fr. JOSÉ PEREIRA DE SANTA ANA", na sua "Crónica dos Carmelitas - 1745 - Em memória do nossos primeiro e antigo Solar, que erigido na eminência do celebérrimo Carmelo da Palestina, deu a toda a ordem Carmelita o nome, e o princípio". Mas tinha também significado especial para o CONDESTÁVEL, que abandonava a vida militar mas não a sua extraordinária ambição.
Segundo ANTÓNIO JOSÉ SARAIVA, a escolha da ordem dos CARMELITAS, com muito pouca expressão, não terá apenas dependido de estes terem por padroeira "NOSSA SENHORA", sendo grande a devoção do CONDESTÁVEL pela VIRGEM. Não se pode esquecer que NUNO ÁLVARES PEREIRA transferiu uma ordem que habitava um pequeno CONVENTO DE MOURA para um templo eminente da capital, cedendo-lhe ainda grande propriedade.
Assim pôde tomar, em contrapartida, a chefia da ordem renovada, instalada, como em desafio, num monte que afronta o do CASTELO, em cuja encosta estavam o "PAÇO REAL" e a SÉ. Por fim, a completar a conjugação simbólica, o CAMPO DO ROSSIO chamava-se então VALVERDE, o que decerto lembrava a NUNO ÁLVARES o triunfo da batalha do mesmo nome. O significado do lugar para D. NUNO confirma-se na teimosia com que insistiu na construção do CONVENTO ali mesmo, apesar de enormes dificuldades técnicas entretanto surgidas na consolidação da escarpa onde assentariam as fundações da cabeceira do Templo.
Os alicerces cederam por duas vezes, e FREI JOSÉ , na crónica citada diz que D. NUNO jurava fazê-los de bronze, caso voltassem a ruir. 
Tinham começado efectivamente os trabalhos pela CAPELA-MOR, na esperança que mais rapidamente, segundo se supõe, poder-se iniciar o culto: mas o terreno era falso, de «areias mortas», diz o P. PEREIRA DE SANTANA ( 1 )  e as dificuldades da obra permaneceram, ocasionando desastres de que foram vítimas alguns trabalhadores.
Para a terceira tentativa foram encontrados os mestres mais famosos: AFONSO EANES; GONÇALO EANES e RODRIGO EANES. D. NUNO «tirou uma exacta informação acerca dos melhores oficiais de Canteiros que se achavam em LISBOA», diz FREI JOSÉ, tendo sido contratado os pedreiros LOURENÇO GONÇALVES; ESTEVÃO VASQUES; LOURENÇO AFONSO e JOÃO LOURENÇO. Este número de oficiais supõe o concurso de muita mão-de-obra, já que cada um traria certamente consigo a sua «campanha de serventes». Os servidores e amassadores de cal, tarefa especializada, foram os judeus "JUDAS ACARRON" e "BENJAMIM ZAGAS", formados numa tradição que deixaria marcas nos trabalhos do PAÇO DE OURÉM, igualmente implantado num declive e dotado de um pequeno jorramento na base, como acontece no forte embasamento do CONVENTO DO CARMO.
Igual aplicação foi usada nas naves colaterais da IGREJA DO CARMO. Oito anos levou o fabrico dos alicerces e do Cruzeiro.
Porém, consolidada essa parte da obra, surgiu novo problema estrutural, também motivado pela instabilidade dos terrenos:

( 1 ) - O falecido Engº FRANCISCO LUÍS PEREIRA DE SOUSA, no seu excelente trabalho, intitulado "EFEITOS DO TERRAMOTO DE 1755", publicado na " Revista de Obras Públicas e Minas", (Tomo XI-1909), documenta fartamente a afirmação de que os terrenos em que assenta a IGREJA E MOSTEIRO DO CARMO, se compõem de "areolas da Avenida Estefânia", de pouca consistência desfazendo-se facilmente como se fosse areias (pág. 344,358.359 e 360).

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DO CARMO [ VI ] O CONVENTO E IGREJA DO CARMO ( 2 )».

sábado, 10 de maio de 2014

LARGO DO CARMO [ IV ]

 Largo do Carmo - (Século XIX Gravura) Foto de Eduardo Portugal )Os aguadeiros do "Chafariz do Carmo", numa gravura do século XIX. Este chafariz era abastecido neste tempo pelo "Aqueduto das Águas Livres", proveniente da "Galeria do Loreto") in  AFML 
 Largo do Carmo - (Século XIX Gravura Litografia de M. L. da Costa-Foto de José Artur Barcia) (Os aguadeiros esperam sentados no seu barril, no "Chafariz do Carmo", aguardando a sua vez. Por altura do calor a água corria com menos quantidade nas bicas, os aguadeiros desesperavam e entravam em discussões. No séc. XIX quase ninguém tinha água canalizada nas suas casas, tomar banho era um verdadeiro luxo e saia demasiadamente caro. (Abre em tamanho grande)  in  AFML 
 Largo do Carmo (1959) - (Foto de Fernando Manuel de Jesus Matias (O "Chafariz do Carmo" terá sido construído segundo um projecto do Engº Genovês "Miguel Ângelo Blasco". Em cima é fechado pelas armas reais e coroa) in  AFML
 Largo do Carmo - (1960) Foto de Arnaldo Madureira ( O "Chafariz do Carmo" e alguns alunos da ex-escola "Veiga Beirão". Construção atribuída ao Engº Miguel Ângelo de Blasco" sendo a data da construção de 1769)  in  AFML
Largo do Carmo - (2009) Foto de Aires dos Santos (O "Chafariz do Largo do Carmo" na altura dos jacarandás em floração) in  TREKEARTH


(CONTINUAÇÃO) LARGO DO CARMO [ IV ]

«O CHAFARIZ DO CARMO»

O «CHAFARIZ DO CARMO» considerado um dos mais originais chafarizes de LISBOA, está localizado no LARGO DO CARMO (antigo TERREIRO DO CARMO do século XV), em frente às ruínas da "IGREJA DO CONVENTO DO CARMO".
Com o início das obras no LARGO DO CARMO em Outubro de 1769 deve ter coincidindo com as obras de construção de um chafariz em conjunto com o prolongamento do ramal, proveniente do AQUEDUTO DAS ÁGUAS LIVRES construído entre 1731 e 1748. Foram intervenientes os arquitectos Manuel da Maia, Custódio Vieira, João Frederico Ludovice e Carlos Mardel, tendo ainda desenvolvido grande trabalho o italiano "António Canavari".
As águas conduzidas pelas GALERIA DO LORETO que passavam pela RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA e terminava no LARGO DE SÃO CARLOS, abastecia  entre outros chafarizes: o CHAFARIZ DO SÉCULO na (antiga Rua da Formosa) o CHAFARIZ DO CARMO  e ainda o CHAFARIZ DO LORETO, demolido entre 1853 e 1854.
Este CHAFARIZ DO CARMO terá sido construído conforme o projecto inicial do Engenheiro Genovês MIGUEL ÂNGELO BLASCO.
Depois de várias alterações efectuadas ao antigo chafariz durante vários anos, em 1786 REINALDO MANUEL DOS SANTOS terá eventualmente terminado um novo chafariz. Mas no século XIX são substituídos os tanques e em 12 de Junho de 1805 foram consertados os repuxos por onde passavam as águas para o CHAFARIZ DO CARMO.
Era o chafariz com o maior caudal de todos os que foram construídos no âmbito do AQUEDUTO DAS ÁGUAS LIVRES.
Em 17 de Junho de 1873, a Câmara deu posse de mais uma bica aos aguadeiros, ao que a população reagiu desfavoravelmente, tendo que fugir a polícia que pretendia proteger os aguadeiros.
A 5 de Outubro de 1875, com a enorme afluência de pessoas que residiam na zona envolvente e que levava a conflitos constantes com os aguadeiros, a CÂMARA DE LISBOA aprovou uma proposta prevendo a sua demolição, o que se não veio a realizar.
O CHAFARIZ DO CARMO de arquitectura infraestrutural, tardo-barroca, é um chafariz ligado à distribuição de água a LISBOA, pelas ÁGUAS LIVRES, do tipo nicho, com o chafariz ao centro, constituído por uma coluna em forma de prisma, formando a caixa de água, com acesso por porta de verga recta, onde se enquadram quatro bicas circulares, que vertem para dois tanques contracurvados e de perfil galbado. O conjunto é encimado por um esquema escultórico, piramidal, a que se endossam quarteirões, ornados por golfinhos. A estrutura é protegida por um nicho composto por arcos de volta perfeita, assentes em pilares toscanos, rematados por pináculos piramidais, com cobertura em falsa cúpula coroada.
Este chafariz fabricado em cantaria de calcário lioz, implantado sobre  plataforma de planta circular com dois degraus, onde se ergue uma coluna em forma de prisma octogonal, formando a caixa de água, rematada em cornija e rasgada por uma porta de verga no lado SO., protegida por uma folha em metal pintado de verde. Sobre este, surge um pequeno pedestal octogonal e um segundo contracurvo, onde surge elemento piramidal irregular.
A cobrir o chafariz, surge uma estrutura em cantaria de calcário lioz, formada por quatro arcos, com o intradorso almofadado e o fecho marcado pelas armas reais e coroa fechada, assente em pilares toscanos, a que se adossam, exteriormente, quarteirões, com capitel dórico, sustentados por plintos de silharia fendida e rematados por pináculos piramidais. A estrutura é coberta por falsa cúpula por quatro nervuras e bocete central circular, com uma a rematar o exterior.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DO CARMO [ V ] O CONVENTO E IGREJA DO CARMO(1)»