sábado, 8 de novembro de 2014

RUA LEITÃO DE BARROS [ I ]

«A RUA LEITÃO DE BARROS ( 1 )»
 Rua Leitão de Barros - (2014) (Um troço da "RUA LEITÃO DE BARROS" de Nascente para Poente, na freguesia de "São Domingos de Benfica")  in  GOOGLE EARTH
 Rua Leitão de Barros - (2007) ( Vista panorâmica (parcial) da "FREGUESIA DE SÃO DOMINGOS DE BENFICA" onde se insere a "RUA LEITÃO DE BARROS")  in  GOOGLE EARTH
 Rua Leitão de Barros - (Década de 60 do século XX) (Livro "OS CORVOS" de Leitão de Barros com desenhos de João Abel Manta.  "LISBOA Rainha do Tejo". Crónicas dominicais reunidas  em dois Tomos. ( Abre em tamanho grande ) in  FRENESI LOJOA
 Rua Leitão de Barros - (1930)  ( "LEITÃO DE BARROS" ao comando das operações, para mais um dos seus filmes, supostamente a "MARIA DO MAR")  in   CINEMA SAPO 
Rua Leitão de Barros - (1930) (Cartaz publicitário,  resumo do argumento e ficha técnica do filme "MARIA DO MAR", uma obra fundamental de "LEITÃO DE BARROS")  in  MARIA DO MAR

RUA LEITÃO DE BARROS [ I ]

«A RUA LEITÃO DE BARROS ( 1 )»

A «RUA LEITÃO DE BARROS» pertence à freguesia de «SÃO DOMINGOS DE BENFICA», começa na "RUA PADRE FRANCISCO ÁLVARES", em frente do número 14 e não tem saída.
Completou este mês 44 anos que, por EDITAL de 4 de Novembro de 1970, publicado no Diário Municipal do dia 7 seguinte, que mandou dar o nome do artista àquele que era o primeiro impasse à RUA PADRE FRANCISCO ÁLVARES.   LISBOA consagra assim um seu filho que muito a enobrecera e a propagandeara.
"LEITÃO DE BARROS" homem irrequieto e talentoso, foi vasta e diferenciada a sua colaboração com os periódicos e, além da escrita,  há a salientar o facto de ter sido um renovador de certos géneros.

«JOSÉ JÚLIO MARQUES LEITÃO DE BARROS» nasceu em LISBOA a 22 de Outubro de 1896, e faleceu também em LISBOA em 29 de Junho de 1967. Frequentou a ESCOLA DE BELAS-ARTES, concluindo o 3º ano de Arquitectura, o que não dispensou de passar também pelas FACULDADES DE CIÊNCIAS e LETRAS e ainda cursar as cadeiras necessárias ao exercício do Magistério secundário. Completo o curso da ESCOLA NORMAL SUPERIOR da UNIVERSIDADE DE LISBOA e realizado o exame de Estado, foi nomeado professor de liceu, cargo que exerceu durante alguns anos, leccionando DESENHO e MATEMÁTICA no "LICEU PASSOS MANUEL", em LISBOA.
Os jornais atraíam-no: começou por colaborador num antigo "CORREIO DA MANHÃ" e na primeira série de "A CAPITAL". Passou depois por uma efémera "IMPRENSA DA MANHÃ" e pela revista "ABC", muito dedicado às questões históricas. 
Mas o seu sentido artístico e o grande poder de crítica não lhe permitiam que ficasse só a escrever crónicas saborosas.
Fundou e dirigiu o semanário "DOMINGO ILUSTRADO" (1925-1927), com o qual lançou entre nós o magazine leve, de actualidades.
Foi seguindo atentamente as transformações dos processos gráficos e não resistiu em seguir para a ALEMANHA onde aprendeu o processo da heliogravura ou (Fotogravura).
Voltando a PORTUGAL, um acordo com a empresa do "DIÁRIO DE NOTÍCIAS", dava-lhe a hipótese de relançar o "NOTÍCIAS ILUSTRADO" (1928-1935), sob a sua direcção e utilizando os modernos processos. Mais tarde, surgiram dificuldades que o levaram a abandonar esse projecto e a fundar outra revista que teve vida mais dilatada:o famoso "O SÉCULO ILUSTRADO"
A sua última ( e talvez hoje a mais recordada) participação na feitura de jornais passou de novo no "DIÁRIO DE NOTÍCIAS", onde manteve durante anos uma saborosa crónica dominical, intitulada genericamente  "OS CORVOS". Aqui não se limitava a uma visão descrita e típica da sua cidade, antes se "espraiando" em observação e bom humor sobre toda a vida nacional. Muitas dessas crónicas vieram a ser reunidas em dois tomos, com ilustração de "JOÃO ABEL MANTA", constituindo hoje uma preciosidade dos Alfarrabista de LISBOA e não só.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA LEITÃO DE BARROS [ II ] -A RUA LEITÃO DE BARROS (2)».

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

TERREIRO DO PAÇO [ XVII ]

A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I ( 4 )
 Terreiro do Paço - (2014) - Foto de MIMG47 (A Estátua de D. JOSÉ I na PRAÇA DO COMÉRCIO, uma obra de MACHADO DE CASTRO, depois da intervenção de limpeza em 2013) in PANORAMIO
 Terreiro do Paço - ( 2013) Foto de Mariline Alvas (Estátua equestre de D. JOSÉ I, na altura de intervenção de limpeza entre finais de 2012 até Agosto de 2013) in CORREIO DA MANHÃ
 Terreiro do Paço - (22.11.2012) Foto de Daniel Rocha (Pormenor da parte superior da Estátua equestre de D. José I, durante a intervenção de limpeza)  in  PÚBLICO
Terreiro do Paço - (2013) (A Estátua Equestre de D. JOSÉ I, na PRAÇA DO COMÉRCIO, devidamente protegida para ser limpa)  in  CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA

(CONTINUAÇÃO) TERREIRO DO PAÇO [ XVII ]

«A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I ( 4 )»

A família Real transportou-se para o seu convencionado esconderijo em pequenas carruagens, enquanto POMBAL tomava lugar num cortejo faustoso onde entravam os magistrados do SENADO DA CIDADE, de que seu filho primogénito era presidente, os representantes dos organismos oficiais do comércio e dos "mesteres" ( 1 ) e uma grande parte da Nobreza. Descendo das carruagens, o cortejo, completado ainda por outros dignitários que o esperavam, estendeu-se pela vasta PRAÇA e, fingindo não ver a família Real, que espreitava a cerimónia de uma janela, dirigiu-se finalmente para o monumento recoberto de ricos panejamentos. Escusado será dizer que foi o MARQUÊS DE POMBAL e o filho que puxaram os cordões para o descobrir. Encontrava-se junto da comitiva JOAQUIM DA CRUZ SOBRAL, a primeira fortuna comercial do reino, TESOUREIRO-MOR, ADMINISTRADOR DA ALFANDEGA, INSPECTOR-GERAL DOS TRABALHOS PÚBLICOS, homem inteiramente dedicado ao MINISTRO DO REINO ( 2 )
A PRAÇA DO COMÉRCIO só ainda tinha metade construída; as alas do lado Norte sem o arco, e metade da ala do lado Ocidental.
As festas duraram três dias (mas já durante quatro dias o povo tinha acompanhado o difícil transporte da estátua, como antegozo da festa). A PRAÇA foi decorada com uma grande TORRE DE MADEIRA, cortejos de oito carros alegóricos, devidamente complicados, ao gosto da decoração teatral do círculo de GIACCOMO AZZOLINI (1721-1791) ( 3 ), fogo de artifício, exercícios militares, iluminações públicas, espectáculos de ópera, um baile e um banquete para o povo, e um outro para a corte, que custou mais de 40 contos de réis.
Para o efeito, um imenso serviço de porcelana decorada com a imagem do monumento tinha sido encomendada na CHINA.

Em finais de 2012 começou uma intervenção de restauro e limpeza na estátua de D. JOSÉ I. O restauro a cargo do "WORLD MUNUMENT FUND" (Organismo Internacional que intervencionou a TORRE DE BELÉM e o MOSTEIRO DOS JERÓNIMOS) foi orçado em 490 mil euros.
A estátua foi devidamente protegida e montados andaimes a uma altura  mais de 14 metros do solo. O último dos andaimes que cobria o conjunto, composto pelo cavalo e a figura do REI,  colocada sobre um elaborado pedestal em pedra. Diz o coordenador do projecto JOSÉ IBÉRICO NOGUEIRA: "Qualquer metal sofre efeitos da erosão e, neste caso, o vento e a aproximação do mar causam sempre enormes desgastes. O trabalho é de limpeza e de contenção desse processo químico e mecânico". 
Apesar da vista deslumbrante sobre o TEJO, os técnicos ao serviço de WMF pouco se distraem. Paciência, precisão e minúcia, são os instrumentos necessários para que a obra se finalize no tempo previsto, obrigando a muito trabalho manual. Só para se ter uma pálida ideia, há quem se dedique a limpar todo o gradeamento que rodeia o pedestal, com algodões embebidos em álcool e acetona para retirar gorduras.
Um estudo iniciado ao estado da estátua permitiu analisar todas as patologias e o levantamento gráfico, em que se usou uma técnica que cruza feixes de "laser" e cujo resultado é próximo ao de uma radiografia, detectou os problemas que afectam a pedra e o metal e permite ver para dentro do plinto, analisando a estrutura. Um micro jacto de água limpou a pedra e a precisão dos técnicos faz o mesmo ao cavalo do rei.
A liga de que é composta a peça foi também alvo de apurado estudo. "Especulou-se muito sobre a cor original, mas hoje sabe-se que, do ponto de vista químico a liga, que se pensava ser de bronze, estará mais próxima do latão almirantado, usado pela MARINHA em peças polidas, e que tem coloração dourada. É uma liga de cobre, zinco e também chumbo, com alta capacidade de resistência à salinidade".
O restauro esteve a cargo da firma WMF, que financiou com 370 mil euros, a CML com 80 mil Euros e 40 mil de privados. Foram encontradas nesta intervenção 14 tiros de balas marcados na estátua, tendo sido a primeira limpeza da Estátua em 1926. Em 1983, foram retirados do interior do cavalo 3 mil litros de água. 
Notas finais: D. José I não pousou para MACHADO DE CASTRO, o rosto do REI foi desenhado à imagem de um medalhão e as mãos são as do próprio autor do trabalho.
A conclusão da intervenção de limpeza da Estátua Equestre e seu pedestal, ficaram concluídas no mês de Agosto de 2013.

( 1 ) - MESTERES - do Lat. s. m. artes, ofícios, profissões manuais; (Hist.) cada um dos 24 ofícios mecânicos que tinham os seus procuradores na Casa-dos-Vinte-e-Quatro).

( 2 ) - Optámos pela versão publicada por J. RIBEIRO GUIMARÃES (op. cit., II, p. 215) segundo ms. anónimo. No dizer do Jesuíta de quem seguimos, Pombal e Cruz Sobral teriam puxado os cordões. A versão pareceu-nos mais verosímil, uma vez que o filho  do Ministro era o Presidente do Senado da Cidade
.
( 3 ) - Conhecem-se pagamentos feitos aos pintores, decoradores; JOSÉ ANTÓNIO NARCISO, BELCHIOR DOS REIS ANTUNES e DOMINGOS JOSÉ BRUNO e ainda ANTÓNIO JOSÉ PINTO.(Ver E. FREIRE DE OLIVEIRA op. cit. XVII, pp. 496, 498 e 499)

[ FINAL ]

BIBLIOGRAFIA

- ARAÚJO, Norberto - Peregrinações em Lisboa-Livro XII-Vega_1992-LISBOA
- CASTILHO, Júlio de -A RIBEIRA DE LISBOA -Imp. Nac.- 1893 - Lisboa
- CHORÃO, João Bigotte - Nossa Lisboa dos Outros - 1ª Ed. CTT - 1999 Lisboa
- COELHO, Antº. Borges - Ruas e Gentes na Lisboa Quinhentista - Caminho-2000-Lisboa
- CONSIGLIERI, Carlos e ABEL, Marília-LISBOA- 750 anos de capital 1ª Ed.-  Dinalivro -2005 - Lisboa.
- Correio da Manhã de 10 de Fevereiro de 2013.
- Dicionário da História de Lisboa- Cood. de Francisco Santana e Eduardo Sucena - Carlos Quintas & Associados-Consultores,Lda- 1994 - Sacavém.
- FRANÇA, José-Augusto - LISBOA POMBALINA E O ILUMINISMO - 3ª Ed. - Bertrand Editor - 1987 - Lisboa.
- HISTÓRIA nº 80 - Outº de 2005 - ANO XXVI (III série) - Lisboa.
- LISBOA Revista Municipal Nº 16 e Nº 17 de 1986 - CML - 1986 LISBOA.
- MOITA, Irisalva - O LIVRO DE LISBOA . Livros Horizonte - 1994 - Lisboa.
- OLHARES DE PEDRA - Editor - João Fragoso Mendes - Global Notícias Publicações-2004-Lisboa.
- PINHEIRO MAGDA - Biografia de LISBOA - Esfera do Livro - 20011 - Lisboa.
- SANTOS, Maria Helena Pinheiro dos - A BAIXA POMBALINA-PASSADO E FUTURO- Livros Horizonte- 2000 - LISBOA.
INTERNET

(PRÓXIMO)-«RUA LEITÃO DE BARROS [ I ] -A RUA LEITÃO DE BARROS ( 1 )»

sábado, 1 de novembro de 2014

TERREIRO DO PAÇO [ XVI ]

A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I ( 3 )

Terreiro do Paço - (2014) (Foto gentilmente cedida pela amiga Maria Eugénia Antunes) (Aspecto da "PRAÇA DO COMÉRCIO" e ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I, depois das últimas obras. Imagem captada do Miradouro do Arco da RUA AUGUSTA)  in  MARIA EUGÉNIA ANTUNES

 Terreiro do Paço - (2007) Foto de Dias dos Reis (Estátua Equestre de D. JOSÉ I na PRAÇA DO COMÉRCIO, antes da  intervenção de 2013) in  DIAS DOS REIS


 Terreiro do Paço - ( 2010 ) Foto de JL Cabaço (A ESTÁTUA EQUESTRE DO REI D. JOSÉ I, uma obra do mestre MACHADO DE CASTRO, antes da intervenção de limpeza)  in  PANORAMIO 

Terreiro do Paço - (2002) Foto de autor não identificado (A PRAÇA DO COMÉRCIO" com a sua ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I e o ARCO DO TRIUNFO concluído em 1861) in  CCDR-LVT

(CONTINUAÇÃO)-TERREIRO DO PAÇO [ XVI ]

«A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I ( 3 )»

Os trabalhos de fundição ficaram concluídos em 15 de Outubro de 1774. A ESTÁTUA levou 35 mil quilos de metal que foram derretidos em 28 horas e vertidos em apenas 8 minutos para a forma de gesso. "Foi muito inovador o processo de fazer uma peça única, realizado pela primeira vez numa obra desta dimensão, esse trabalho foi importante, até por questões comerciais e valorização do país, na industria de armamento, pois com este conhecimento foi possível fazer-se canhões de fusão com grandes dimensões".
Este trabalho foi realizado nas oficinas da  "FUNDIÇÃO DE CIMA" (antiga Fundição de Canhões em SANTA CLARA). O Bloco de bronze deste monumento é composto de uma patina branca, que o enobrece, tem aproximadamente sete metros de altura e pesa sensivelmente 30 toneladas. 
Na madrugada do dia 22 de Maio de 1775 começou a condução da estátua colossal, desde SANTA ENGRÁCIA, passando pela RUA DO PARAÍSO, (foi aberta uma rua para o carro conseguir passar, puxado por cerca de mil homens, pois a figura real não podia ser deslocada por animais), descendo ao MUSEU DE ARTILHARIA e pela RUA DE ALFÂNDEGA até à PRAÇA DO COMÉRCIO. Para garantir total segurança na condução da estátua, foi necessário demolir algumas casas térreas e barracas pertencentes a particulares.
A ERMIDA DO SENHOR JESUS DA BOA NOVA também sofreu danos, sendo que em 1778, três anos depois da inauguração da estátua, ainda a irmandade  daquela ERMIDA requeria ao INTENDENTE DAS OBRAS PÚBLICAS, que fosse reedificado o que naquela IGREJA havia sido demolido.
Foi organizado um importante cortejo que desfilou entre alas de tropas de linha, que cortejo que teve grandeza, pela sua originalidade. A ZORRA que levava a Estátua chegou ao local no princípio da tarde do dia 25 (levou três dias e meio no seu trajecto) e a admirável obra de MACHADO DE CASTRO foi colocada na manhã do dia 27, ficando coberta por um invólucro de seda carmesim.
A sua inauguração foi fixada para 6 de Junho de 1775, dia do aniversário do REI. Com 61 anos, o pobre D. JOSÉ I podia ver-se fundido em bronze em cima do seu cavalo, metido numa armadura bélica que nunca usara...
Assistiu, porém, à cerimónia, clandestinamente, com a rainha e os quatro filhos, o genro e o irmão, os netos, dissimulados numa sala do novo edifício da ALFÂNDEGA, (supondo-se oficialmente ausente) neste dia solene em que o MARQUÊS DE POMBAL triunfava e, com ele, os seus amigos do alto comércio e da finança.
A localização desta estátua foi imposta pelo plano de EUGÉNIO DOS SANTOS e ocupa um lugar singular: o centro geométrico de um triângulo equilátero cujos vértices se encontram no eixo do ARCO DA RUA AUGUSTA (ao tempo ainda não totalmente  edificado) e nos eixos das portadas laterais dos dois torreões que rematam a frente aberta da PRAÇA DO COMÉRCIO.    
A Estátua  fui paga pelo comércio de LISBOA, pela verba de 4% do imposto alfandegário, não foi divulgado o custo total da obra, mas os burgueses pombalinos eram, supostamente, os seus proprietários. A inscrição em bronze, no pedestal, honrando o "COLLEGI NEGOTIARUM CURANS"  não o deixava esquecer.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«TERREIRO DO PAÇO [ XVII ] A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I ( 4 )»

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

TERREIRO DO PAÇO [ XV ]

A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I ( 2 )
 Terreiro do Paço - (2011) Foto gentilmente cedida por ONDINA CASTELAR ( A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I, obra do Mestre MACHADO DE CASTRO)  in  ONDINA CASTELAR 
 Terreiro do Paço - (2003) Foto de Dias dos Reis ( A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I na PRAÇA DO COMÉRCIO, ao entardecer)  in  DIAS DOS REIS
 Terreiro do Paço - (2014) -21.06.2014-Foto gentilmente cedida pela amiga ONDINA CASTELAR (Vista da ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I, captada do Miradouro do ARCO TRIUNFAL DA RUA AUGUSTA) in  ONDINA CASTELAR
Terreiro do Paço - (2005) Foto de Osvaldo Gago  (Estátua Equestre de D. José I, a primeira estátua do género feita em Portugal)  in  WIKIPÉDIA


(CONTINUAÇÃO)-TERREIRO DO PAÇO [ XV ]

A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I ( 2 )»

A alegoria correspondente à face do pedestal, virada ao RIO, representa o retrato de POMBAL, posteriormente apeado e substituído pelas ARMAS DA CIDADE, quando o Ministro caiu em desgraça (reinado de D. Maria I) e novamente colocado pelos liberais, em 1834.
A Estátua Equestre foi inaugurada com uma cerimónia afectivamente presidida por POMBAL e apenas espreitada pelo REI desde uma janela próxima. Ao escultor não será permitido entrar no recinto da cerimónia, ao contrário do fundidor, o tenente BARTOLOMEU DA COSTA, de um modo muito ignorante considerado, em relação ao monumento, com uma paternidade acrescida face ao escultor.
A recompensa do fundidor será igualmente superior, enfim, um conjunto de peripécias que concorrem par fazer de  MACHADO DE  CASTRO uma personagem algo atormentada para o resto da sua vida, conforme se depreende da sua literatura que, por vezes, roça a confidencialidade.
Mas esta estátua equestre, de difícil gestão, irrompe por entre a monotonia concentracionária do urbanismo da BAIXA como um monumento de singular qualidade, beneficiando ainda de uma localização ímpar face ao RIO TEJO, embora sujeita à crua luz lisboeta.
Retrata um REI ( D. JOSÉ I  vigésimo quinto REI de PORTUGAL, filho de D. JOÃO V que, subiu ao trono em 1750 por morte de seu pai), que vicissitudes várias fizeram "déspota" (1) e «iluminado», numa PRAÇA DO COMÉRCIO  (actividade que o voluntarismo de POMBAL seria o motor primeiro da sociedade), enquadrada por prédios iguais e por um ARCO DO TRIUNFO (mais tarde concluído). Cumpre-se neste percurso icónico a sua vocação ideológica principal onde a afirmação persuasiva não se faz sem alguma ambiguidade. A falta de demonstração programática e, sabemos à "posteriori", a falência do modelo propagandeado, são compensados pelo rigor artístico da obra executada. O programa arquitectónico das novas igrejas da BAIXA, obedecendo a princípios de simplicidade exterior, (com excepção da sua frontaria), constitui uma oportunidade perdida quanto ao incremento de uma vasta campanha de escultura.
São por isso, escassas as peças escultóricas aí encontradas, circunstância agravada por alguma falta de exigência quanto à concepção e elaboração.
A estátua Equestre de D. JOSÉ I em LISBOA inscreve-se, bem entendido, na tradição francesa, definida entre "HENRIQUE IV" e "LUÍS XIV", que foi seguida em toda a EUROPA no século XVIII.  A estátua de D. JOSÉ I, sendo «a última pedra» de LISBOA pombalina e, além disso, o símbolo de PORTUGAL POMBALINO.

Dizia MACHADO DE CASTRO que só teve oito dias para estudar o cavalo, do qual deixou muitos desenhos no seu álbum. A posição «piafé»( 2 ) foi escolhida: o cavalo, fogoso e retido, tem um aspecto tenso, e nisso as suas linhas ganham uma qualidade nervosa. O animal esculpido defende-se, no entanto, é demasiado pequeno para o cavaleiro e a sua cabeça grande demais. O REI, coberto com uma armadura leve e com o manto ao vento, tem certa dignidade. A rainha, a primeira vez que viu a escultura, na oficina do artista, achou-a horrível, mas isso era devido a um efeito de luz, se acreditarmos nas justificações do escultor, aflito com uma tal crítica. De resto, o infeliz artista nunca fora admitido à presença do REI para retocar a imagem, que por maus retratos fizera. No entanto, o elmo emplumado que domina a cabeça de D. JOSÉ I, pelo contrário, é bem modelado.

( 1 ) - DÉSPOTA - (do Gr. "despótes", dono de casa, senhor) 2.gen. pessoa que governa com autoridade absoluta e arbitrária; ditador, dominador, opressor, tirano e usurpador.

( 2 ) - PIAFÉ - s.m. (do fr. "piaffé"). Movimento que o cavalo faz, batendo com as mãos e os pés no chão, mas sem avançar.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«TERREIRO DO PAÇO [ XVI ] - A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I ( 3 )».

sábado, 25 de outubro de 2014

TERREIRO DO PAÇO [ XIV ]

A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I ( 1 )
 Terreiro do Paço - (2011) Foto de Manuelinho Daire (A estátua de D. José I na PRAÇA DO COMÉRCIO, antes da intervenção de obras. Esta estátua foi inaugurada em 1775, ainda a Praça estava inacabada) in MANUELINHO DE ÉVORA
 Terreiro do Paço - (1902) (Tabacaria Costa) - (A PRAÇA DO COMÉRCIO no início do século vinte. O Arco do Triunfo desta Praça, ficou finalmente concluído no ano de 1861)  in  A CAPITAL
 Terreiro do Paço - (Anos trinta do século vinte) (Cliché de N. Ribeiro) (A Estátua Equestre de D. JOSÉ I, levantado a meio da mais vasta Praça de Lisboa, e uma das mais belas da Europa, ela é bem o padrão de glória de Lisboa reedificada, que foi um "milagre" do esforço Pombalino) in ENCICLOPÉDIA PELA IMAGEM - LELLO E IRMÃO
Terreiro do Paço - (1774) (Gravura de Joaquim Carneiro da Silva) (Gravura representando a ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I, tal como foi construída. Na face anterior do pedestal além das armas reais, um medalhão com o busto do MARQUÊS DE POMBAL)  in MURAL DAS PETAS

(CONTINUAÇÃO) - TERREIRO DO PAÇO [ XIV ]

«A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I ( 1 )»

O Terramoto de 1755, ao arrasar grande parte do centro histórico de LISBOA, motivou um novo plano urbanístico, desenvolvido a partir da ideia básica de uma grande PRAÇA Régia aberta ao TEJO. Para o centro da PRAÇA DO COMÉRCIO, designação nova que substituía a de TERREIRO DO PAÇO, projectou-se desde o início uma estátua equestre representando o monarca reinante, D. JOSÉ I.
O sítio da estátua consta do plano de EUGÉNIO DOS SANTOS (1711-1760) e será deste engenheiro-Arquitecto o primeiro desenho para a obra (c. 1759), inspirado em modelos de PERRAUL e LE BRUN. É entretanto colocada a primeira pedra, assinalando o local definitivo. Um projecto do pintor VIEIRA LUSITANO, datado de 1756, é rejeitado, e somente em 1770, através de um concurso, é seleccionado o escultor JOAQUIM MACHADO DE CASTRO (1731-1822) para executar a estátua. 

MACHADO DE CASTRO formara-se em MAFRA, com ALEXANDRE GIUSTI, e será ao longo da sua vida um permanente defensor da dignidade do escultor e da escultura face à incompreensão de uma sociedade deficitária em cultura artística.
Através das obras que esculpiu e, sobretudo, por meio dos textos teóricos que foi produzindo. MACHADO DE CASTRO assume um papel decisivo na cultura portuguesa da sua época, revelando-se um intransigente defensor do método e da estética do classicismo. A estátua equestre é a sua primeira obra de responsabilidade, embora se veja coagido   a executar um projecto alheio, exactamente aquele que EUGÉNIO DOS SANTOS delineara.
Estabelece-se então uma guerra surda e uma disputa pelo comando hierárquico do trabalho entre arquitecto e o escultor. As permissas  culturais da ditadura pombalina beneficiavam o primeiro. 
As críticas de MACHADO DE CASTRO e as alterações propostas só parcialmente são atendidas. Da proposta inicial consegue eliminar um LEÃO que o cavalo pisava, substituindo-o pelas serpentes; intervêm na correcta definição dos grupos laterais, o TRIUNFO com o cavalo, a FAMA com o elefante alusivo ao IMPÉRIO; consegue alterar algo à definição das pregas dos panejamentos.  Mas a sua ortodoxia estética não vinga, pois não consegue impor a sua ideia de vestir o rei à romana e de coroá-lo de louros.
Trabalhando sobre prazos curtos, MACHADO DE CASTRO enceta então uma verdadeira auto pedagogia, pois o escultor confessa que à partida tudo ignorava sobre estátuas equestres. É-lhe disponibilizado um cavalo para estudo e desenho mas não consegue que o REI pose; socorre-se de abundante bibliografia estrangeira que devora e cita. Seguindo um correcto fraseamento metodológico fará sucessivos estudos em cera, barro e estuque, modo de ir controlando a obra. Mas não consegue testá-la completamente pois não tem possibilidades de a colocar num espaço amplo e de avaliar os efeitos luminosos da luz natural. Apertado num atelier algo deprimente, o autor joga toda a sua pessoal participação criativa em sábias criações de "ICONOLOGIA" de CÉSAR RIPPA, fonte literária que usa abundantemente para os relevos do pedestal.
Estes relevos, não previstos no projecto inicial, dão a MACHADO DE CASTRO a satisfação de produzir obra própria, desde a concepção à execução, fazem-no sentir um verdadeiro artista e não um mero artífice, mão-de-obra apenas, como quando executava a figura do REI a cavalo, um projecto alheio.
Para a retaguarda do pedestal MACHADO DE CASTRO imagina uma cena em que a cidade inerte sai dos escombros, auxiliada pelo AMOR da virtude e pela generosidade RÉGIA, amparadas financeiramente pela providência humana e pela Arquitectura.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«TERREIRO DO PAÇO [ XV ]-A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I ( 2 )»

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

TERREIRO DO PAÇO [ XIII ]

A RENOVADA PRAÇA DO COMÉRCIO
 Terreiro do Paço - (2013) (Vista tirada do Miradouro do Arco da RUA AUGUSTA, para a "nova" "PRAÇA DO COMÉRCIO") (Foto gentilmente cedida pela amiga Ondina Castelar)  in ONDINA CASTELAR
 Terreiro do Paço - (2012) - Foto de autor não identificado (A "PRAÇA DO COMÉRCIO" depois das últimas obras de requalificação do piso central)  in  REPSOL
 Terreiro do Paço - (2012) - Foto de autor não identificado ( A "NOVA" PRAÇA DO COMÉRCIO depois da regularização do seu piso)  in  PASSEIOS (cá dentro)
Terreiro do Paço - (2012) Foto de Jebulom  ( A "Nova" "PRAÇA DO COMÉRCIO" já na fase final das sua obras) ( Abre em Tamanho grande)  in  WIKIPÉDIA


(CONTINUAÇÃO)- TERREIRO DO PAÇO [ XIII ]

«A RENOVADA PRAÇA DO COMÉRCIO»

O projecto do pavimento provisório da PRAÇA DO COMÉRCIO esteve a cargo dos arquitectos "JOSÉ ADRIÃO" e "PEDRO PACHECO", estando em utilização intensa, durante onze anos.
Supostamente o pavimento provisório devia servir a cidade até 2001, sendo que nessa altura começariam as obras do pavimento definitivo. Contudo o desenvolvimento do projecto coincidiu com o desenrolar das obras do TÚNEL DO METROPOLITANO, obra que sofreu significativas contrariedades, sendo a mais significativa o colapso parcial, seguido de alagamento do troço do Túnel da PRAÇA DO COMÉRCIO.
Esta situação alterou para a dificuldade e um maior conhecimento da geologia precária destes terrenos, tendo sido realizadas sondagens e consultas, a numerosos técnicos com vista a realizar obras que permitissem a recuperação do Túnel do Metro. Recordamos que o referido Túnel apenas entrou em serviço no mês de Dezembro de 2007, tendo a obra sido iniciada em 1995.
Ao mesmo tempo verificou-se que o "TORREÃO POENTE" da PRAÇA DO COMÉRCIO necessitava de obras de consolidação dos terrenos, pois o assentamento que vinha sofrendo desde a sua construção, representava já, cerca de 1,2 m., começava a por em risco a sua estabilidade estrutural.
Existindo mudanças na C.M.L. entre Janeiro de 2002 a Outubro de 2005, tendo ficado definida a presidência do Engº CARMONA RODRIGUES, que devido a este período de forte rotatividade na Edilidade, o projecto da PRAÇA DO COMÉRCIO esteve parado, não se lhe conhecendo desenvolvimentos significativos.
Finalmente em Agosto de 2007 a C.M.L. passa a ser presidida pelo DR. ANTÓNIO COSTA, sendo nessa altura constituída a "SOCIEDADE FRENTE TEJO" que passa a desenvolver o trabalho necessário à reabilitação de parte da BAIXA POMBALINA, nomeadamente a PRAÇA DO COMÉRCIO.
A Sociedade cedo abandona os projectos existentes, abandonando a ideia do TÚNEL RODOVIÁRIO e do PARQUE DE ESTACIONAMENTO SUBTERRÂNEO, e avançando com o projecto de infra-estruturas subterrâneas da PRAÇA DO COMÉRCIO, canalizando as águas residuais e pluviais para a estação de tratamento. Em simultâneo contratam o Arquitecto BRUNO SOARES para a realização do projecto de pavimentação da PRAÇA DO COMÉRCIO. Este projecto adopta muita das atitudes programáticas propostas pelo projecto dos Arquitectos JOSÉ ADRIANO e PEDRO PACHECO, nomeadamente a ocupação das arcadas laterais da PRAÇA como zona turística e de estar, mas não respeita o contínuo descendente entre a BAIXA POMBALINA e o CAIS DAS COLUNAS.
Assim, a eficiência construtiva, um espaço construído para três anos de uso, acaba por sobreviver sem mazelas ao longo de onze, mantendo a sua qualidade poética do sítio de contemplação sobre o TEJO e a CIDADE ao mesmo tempo que sobre este pavimento aconteciam numerosas actividades públicas, é o facto notável que atesta sem margem de dúvidas a qualidade das suas propostas.[Extracto do artigo para a disciplina de História da Arquitectura e da Construção - Curso de Doutoramento em Arquitectura - Docente: Professora Doutora Madalena Cunha Matos - FAUTL, LISBOA - Março de 2011]. 

A PRAÇA DO COMÉRCIO ao longo da sua existência registou uma evolução que passou pela "adaptação do conceito" de PRAÇA REAL e, actualmente o que eventualmente se pretende é adaptar esta PRAÇA e aproveitar as suas potencialidades arquitectónicas para dar outra vocação ao espaço.
Dizia o CORREIO DA MANHÃ em Outubro de 2010, que LISBOA terá uma NOVA PRAÇA DO COMÉRCIO". O projecto de requalificação urbanística da PRAÇA DO COMÉRCIO com as alterações introduzidas pelo autor, o Arqº. BRUNO SOARES, na sequência do debate público. Assim, as obras de requalificação do Arqº B.S. pretende transformar a P.C. numa Praça de espectáculos com uma rede de infra-estrutura que permita realizar eventos e festas.
FRANCISCO HIPÓLITO RAPOSO integrou a equipa que seleccionou a nova cor para a PRAÇA DO COMÉRCIO, e  por se aproximar "à cor do Sol poente", foi escolhida quase por unanimidade,  a COR Nº 4, sendo a que possui laivos de ouro ao entardecer e em dias soalheiros. Chegou-se também à conclusão que a cor original da PRAÇA "andava" entre o amarelo e o ocre, numa das suas variantes mais antigas.
A PRAÇA DO COMÉRCIO foi devolvida aos alfacinhas e turistas que condignamente nos visitam, no ano de 2012, depois de umas prolongadas obras de requalificação.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«TERREIRO DO PAÇO [ XIV ]-A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I( 1)»

sábado, 18 de outubro de 2014

TERREIRO DO PAÇO [ XII ]

PRAÇA DO COMÉRCIO ( 6 )
 Terreiro do Paço - (Início do século XX) (A "PRAÇA DO COMÉRCIO" vista por "Bargelli" em que diz, tratar-se de uma espécie de claustro a que faltasse a quarta parede. "Piero Bargelli", historiador de arte florentina-1897-1980) in  BAIXA POMBALINA
 Terreiro do Paço - (Primeiro quartel do Século XX) (A "PRAÇA DO COMÉRCIO" já com as suas árvores desenvolvidas. Dizem, que as árvores foram cortadas da Praça, porque tapavam a vista das Arcadas) in  A CAPITAL
 Terreiro do Paço - (Segundo quartel do século XX) ( Vista aérea da "PRAÇA DO COMÉRCIO" já com a "Estação de Sul e Sueste" no local de hoje, tendo sido inaugurada a 28 de Maio de 1932) In  LISBOA POMBALINA E O ILUMINISMO
 Terreiro do Paço - (Anterior a 1938 ) (Nesta altura a "PRAÇA DO COMÉRCIO" ainda não tinha ligação com o CAIS DO SODRÉ, pela (AVENIDA RIBEIRA DAS NAUS). Só foi possível, depois de ser desactivado o "ARSENAL DA MARINHA DE LISBOA" em 1938)  in  PROSIMETRON
Terreiro do Paço - (1900) (A"PRAÇA DO COMERCIO" num postal de lembranças de LISBOA. Uma colecção promovida pelo Jornal "A CAPITAL")  in  A CAPITAL


(CONTINUAÇÃO)- TERREIRO DO PAÇO [ XII ]

«A PRAÇA DO COMÉRCIO" ( 6 )»

A última arcada, finalmente, em frente e perpendicular à do café, a que vai correndo ao longo da face Oriental da PRAÇA, tem horas do dia em que parece positivamente o inferno, com o despacho e saída de mercadorias da Alfandega.
Teríamos muito a dizer desta PRAÇA, comparado com o que foi em tempos recuados, hoje a PRAÇA DO COMÉRCIO, um dos símbolos marcantes de LISBOA.
Antigamente esteve ali a morada régia, e portanto acumulava-se nesse grande centro nervoso a actividade do alto viver elegante da Capital.
Os "CENTROS COMERCIAS", laboriosos e elegantes, mudaram de poiso; as Secretarias do ESTADO nem são comerciais, nem elegantes... nem operosas (Dizia Castilho).
A "PRAÇA DO COMÉRCIO" é considerada a sala de visitas de LISBOA. Mede cerca de 4 hectares e tem 86 arcos.
Mas nem sempre foi como nós a conhecemos. Aquilo que hoje é chão firme, há muitos séculos, era uma praia com areia e lodo. O RIO inundava as RUAS da cidade com muita frequência. Existia cais onde ancoravam os barcos.
Era assim, em 1147, quando as tropas de D. AFONSO HENRIQUES tomaram LISBOA aos MOUROS.
Na época dos DESCOBRIMENTOS, ali chegavam os carregamentos de especiarias e outros produtos provenientes das rotas da epopeia marítima. A  PRAÇA foi tendo cada vez mais importância comercial.
A PRAÇA DO COMÉRCIO foi espaço para feiras e mercados, no tempo da INQUISIÇÃO em PORTUGAL serviu para autos-da-fé, palco de Paradas Militares, sala de entradas de algumas individualidades, recinto de: Aclamações, manifestações, comícios, exposições, recinto taurino, e até já foi parque de estacionamento de carros.

O Miradouro do "ARCO DA RUA AUGUSTA" abriu ao público no dia 9 de Agosto de 2013, com um espectáculo de multimédia, projectado no próprio arco, denominado "ARCO DE LUZ", da autoria de NUNO MAYA e CAROLE PORNELLE.
O TERRAÇO DO ARCO pode ser visitado diariamente. O ARCO da RUA AUGUSTA, situado na entrada e fazendo passagem para a PRAÇA DO COMÉRCIO, o ARCO esteve recentemente sobre obras que originaram a construção de um elevador, cuja entrada se localiza na RUA AUGUSTA, que nos leva ao topo do MONUMENTO e onde se encontra um miradouro a partir do qual é possível ter uma vista desimpedida sobre alguns dos mais emblemáticos Monumentos de LISBOA, desde a própria PRAÇA DO COMÉRCIO, à SÉ CATEDRAL, à BAIXA POMBALINA, ao CASTELO DE SÃO JORGE e, inevitavelmente ao RIO TEJO.
A chegada ao Miradouro passa pela SALA DO RELÓGIO, que dá para a RUA AUGUSTA, podemos ver uma exposição que conta a história do ARCO a da sua construção.

CURIOSIDADES
O TORREÃO Poente da PRAÇA DO COMÉRCIO, será o novo núcleo MUSEOLÓGICO do ex-MUSEU DA CIDADE que passou a chamar-se: MUSEU DE LISBOA.
A denominação de PRAÇA DO COMÉRCIO foi atribuída pelo 1º Decreto de Toponímia de D. JOSÉ I, em 5 de Novembro de 1760 e, foi uma homenagem aos comerciantes de LISBOA que, voluntariamente cederam 4% sobre os direitos Alfandegários de todas as mercadorias, para a reconstrução da cidade de LISBOA

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«TERREIRO DO PAÇO [ III ]-A RENOVADA PRAÇA DO COMÉRCIO»