quarta-feira, 9 de novembro de 2016

PÁTIO DE DOM FRADIQUE [ IV ]

«PALÁCIO DOS CONDES DE BELMONTE ( 1 )»
 Pátio de Dom Fradique - (2013) - Foto de José de Cruz - (Fachada do "PALÁCIO BELMONTE" hoje um HOTEL de "charme" no "PÁTIO DE DOM FRADIQUE", chamado "Pátio de cima") (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  APONTAMENTOS SOBRE LISBOA
 Pátio de Dom Fradique - (2012) - (Fachada do actual hotel "PALÁCIO BELMONTE" no "PÁTIO DE DOM FRADIQUE")  in  PALÁCIO BELMONTE
 Pátio de Dom Fradique - (2007)  - Foto de Silva Leite - (Fachada e pórtico principal do "PALÁCIO BELMONTE"  no "´PÁTIO DE DOM FRADIQUE")  in  PATRIMÓNIO CULTURAL 
 Pátio de Dom Fradique - (2007) Foto de Silva Leite - (Palácio Belmonte no Pátio de Dom Fradique, interior da sala de jantar com azulejos, representando cenas campestres)  in  PATRIMÓNIO CULTURAL
 Pátio de Dom Fradique - (2007) - Foto de Silvia Leite - ("PALÁCIO BELMONTE" no Pátio de Dom Fradique, remate da fachada; cartelas e pedra de armas)  in  PATRIMÓNIO CULTURAL
Pátio de Dom Fradique - (2016) - (A "CASA QUINHENTISTA" na "RUA DOS CEGOS, 20, 22 no caminho para o "PÁTIO DE DOM FRADIQUE", no lado direito temos a "CALÇADA DO MENINO  DEUS")  in   GOOGLE EARTH

(CONTINUAÇÃO)- PÁTIO DE DOM FRADIQUE [ IV ]

«PALÁCIO DOS CONDES DE BELMONTE ( 1 )»

A compra de algumas casas com seus quintais, situado num recanto formado pelos muros da "PORTA DE SANTA MARIA DA ALCÁÇOVA" e pela MURALHA DA CERCA VELHA (Também chamada de "CERCA MOURA") em 8 de Abril de 1449, por "BRÁS AFONSO CORREIA", filho de "JOÃO VAZ CORREIA" e MARQUESA GONÇALVES, do Conselho de El-REI DOM MANUEL I e Corregedor de LISBOA, que por escritura adquiriu a "AIRES DA SILVA" e a sua mulher GUIOMAR DE CASTRO as casas que vieram a ser o "PÁTIO DE DOM FRADIQUE" (de cima). Ampliou a propriedade com mais alguns terrenos, e constituída em Cabeça do "MORGADO DO CASTELO" pelo TESTAMENTO  de 03.09.1520, que incluía, além desses e de outros bens, uma CAPELA DE SÃO SEBASTIÃO na IGREJA DE SÃO TOMÉ, onde se fez sepultar.

Sucedeu-lhe no MORGADO DO CASTELO o seu neto "JORGE DE FIGUEIREDO". E foram os descendentes deste, RUI DE FIGUEIREDO que terão transformado as referidas casas em residência senhorial, não se sabendo hoje em que campanha ou campanhas de obras, de incorporarem nela troços da MURALHA DA ALCÁÇOVA e da CERCA VELHA, uma porta desta (chamada de "DOM FRADIQUE"). 
Tudo indica, porém que essa incorporação ocorreu de obras realizadas nos séculos XVII e XVIII.  O filho de "RUI DE FIGUEIREDO", "PEDRO DE FIGUEIREDO", comprou em 23.02.1684 ao "CONDE DE ATALAIA", DOM LUÍS MANUEL DE TÁVORA (4.º NETO de "DOM FRADIQUE MANUEL"), cavalarias, cocheiras, moradas de casas, palheiro, poço e uma grande horta na que já era ou ficou sendo o "PÁTIO DE DOM FRADIQUE" (de baixo).
Por partilhas feitas em 1727, todo o referido PÁTIO ficou vinculado a "RODRIGO ANTÓNIO DE FIGUEIREDO", titular do MORGADO à data do terramoto de 1755, que causou ao Palácio «"uma ruína tal, que o deixou inabitável"». 
Foi, porém reparado e arrendado com a parte que ficou ilesa. Por morte de "RODRIGO ANTÓNIO DE FIGUEIREDO", também senhor do "MORGADO DA OTA", sem descendentes directos, todos os seus bens passaram para sua irmã, "D. MADALENA LUÍSA DE LENCASTRE", casada com "DOM VASCO DA CÂMARA", e foi com um neto deste, "DOM VASCO MANUEL FIGUEIREDO CABRAL DA CÂMARA", 1º. CONDE DE BELMONTE (em 13.05.1805) que o complexo edifício do "PÁTIO DE DOM FRADIQUE" passou a ser conhecido por "PALÁCIO BELMONTE", permanecendo nesta família até meados do século XX.

Ao longo do século XIX, funcionou nas instalações um COLÉGIO e um HOSPITAL (provisoriamente), quando em LISBOA grassou um surto epidérmico de febre amarela e, posteriormente, abrigou o COMISSARIADO DA POLÍCIA.

O Terramoto causou grandes estragos ao PALÁCIO como já se disse; no entanto, o seu maior interesse HISTÓRICO-ARQUEOLÓGICO, prende-se com o facto de nele estarem integrados,  com nitidez, elementos de muros da ALCÁÇOVA  das TORRES e MURALHA DA CERCA MOURA. 

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«PÁTIO DE DOM FRADIQUE [ V ]-O PALÁCIO DOS CONDES DE BELMONTE ( 2 )».

sábado, 5 de novembro de 2016

PÁTIO DE DOM FRADIQUE [ III ]

«O PÁTIO DE DOM FRADIQUE VISTO POR NORBERTO DE ARAÚJO»
 Pátio de Dom Fradique - (2013) - Foto de José da Cruz - (O "PÁTIO DE CIMA" do "PÁTIO DE DOM FRADIQUE, visto do interior da passagem para o "PÁTIO DE BAIXO")  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)   in  APONTAMENTOS SOBRE LISBOA
 Pátio de Dom Fradique - (entre 1890 e 1945) Foto de José Artur Leitão Bárcia - (Castelo de S. Jorge, Muralha junto do "PÁTIO DE DOM FRADIQUE")  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   AML 
 Pátio de Dom Fradique - (início do século XX) Foto de Eduardo Portugal - (O "PÁTIO DE DOM FRADIQUE", Muralha e a Torre da Cerca Moura) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in    AML 
 Pátio de Dom Fradique - (194-) Foto de Eduardo Portugal - ("CERCA MOURA" e TORRE entre o PÁTIO DE DOM FRADIQUE e a PORTA DO SOL)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE) in  AML 
 Pátio de Dom Fradique - (2013) Foto de José da Cruz - (Um pormenor do "Pátio de Dom Fradique" no sítio das antigas hortas, no Pátio de baixo) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  APONTAMENTOS SOBRE LISBOA 
Pátio de Dom Fradique - ( Século XXI) - Foto de autor não identificado (A "TRAVESSA DO FUNIL" com a indicação do caminho para o "CASTELO DE S. JORGE", perto do "PÁTIO DE DOM FRADIQUE)   in   PINTEREST


(CONTINUAÇÃO)- PÁTIO DE DOM FRADIQUE [ III ]

«O PÁTIO DE D. FRADIQUE VISTO POR NORBERTO DE ARAÚJO»

O olisipógrafo "NORBERTO DE ARAÚJO", grande apaixonado de LISBOA, um "ALFACINHA" de razão e coração. Recordamos aqui o que ele escreveu em 1943 no seu livro "LENDAS DE LISBOA", sobre o "PÁTIO DE DOM FRADIQUE".

O PÁTIO DE DOM FRADIQUE

"Um recanto aberto, impregnado de melancolia, é este do "PÁTIO DE DOM FRADIQUE". Nado e criado à sombra do CASTELO, passagem do "CHÃO DA FEIRA" para o "MENINO DEUS", este "PÁTIO" tem qualquer coisa de original na LISBOA do pitoresco urbano. De seu título ele evoca um "DOM FRADIQUE MANUEL", que teve aqui casa, e da qual advém o "PALÁCIO DOS CONDES DE BELMONTE", senhores do sítio, cujo pórtico brasonado de "FIGUEIREDOS" e  "CABRAIS", se abre numa lateral do primeiro compartimento. O pórtico é nobre; o pátio é plebeu. De propriedade particular, mas de serventia pública, com duas entradas de portal, e o estrangulamento do seu corredor de ligação - este recanto possui um mistério aparente. Não ostenta a bizarria cenográfica do "PÁTIO DO CARRASCO", nem a soturnidade doentia de tantos pátios de miséria alfacinha. E é simpático: evola-se dele um vago perfume de alfazema arrecadada nas cómodas familiares.
Fez parte da Muralha primitiva de LISBOA, em lanços que ele encobre, e num dos quais rasgaram uma porta da CERCA, que desapareceu. O passadiço - nota de ternura religiosa no intimismo  palaciano  -  tem na verga, interiormente, um oratório que ocupa a serventia de lado a lado: "NOSSO SENHOR DO LIVRAMENTO"! Lobrigava-se, desde fora, há trinta anos; era um desejo sacro de uma ermida que no "PÁTIO" existiu.
Uma lápide, que recorda um voto às ALMAS, uma balaustrada fina, murete de terraço do palácio, outro brasão, um arco pobre que conduz, em congosta , aos anteparos dos muros da velha cidadela, uma árvore isolada, quatro casitas modestas - eis o "PÁTIO DE DOM FRADIQUE".
Qualquer esquiço de poesia rústica existe no segundo eirado, que abre para a "RUA DOS CEGOS". 
No conjunto, pequeno, com seus dois planos, uma esquadra de polícia - que aqui não tem que fazer, e mora em "DOM FRADIQUE" apenas para dispor de vasos de flores e entreter um cenário -, vizinho dos "LÓIOS", de "SÃO TIAGO", do CASTELO, não longe de ALFAMA, este sugestivo "PÁTIO" é uma das muitas conformações urbanísticas da cidade.
Uma "AVÉ-MARIA" sumida, que não passa do «BENDITA SOIS VÓS"...».

Mantivemos o uso de vernáculos utilizados em alguns sinónimos, que caracterizam - a forma de se escrever - numa determinada época.  


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«PÁTIO DE DOM FRADIQUE [ IV ]O PALÁCIO DOS CONDES DE BELMONTE ( 1 )»

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

PÁTIO DE DOM FRADIQUE [ II ]

«O PÁTIO DE DOM FRADIQUE ( 2 )»
 Pátio de Dom Fradique - (2013) -Foto de José da Cruz - (Porta Norte da entrada na "Travessa do Funil", para o "PÁTIO DE DOM FRADIQUE". A placa junto da porta indica "PALÁCIO BELMONTE") (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  APONTAMENTOS SOBRE LISBOA
 Pátio de Dom Fradique - (2013) - Foto de José da Cruz - (Placa Toponímica de Lisboa - TIPO VI-Placa de azulejos, de fundo branco com letras e filete azul. Foi muito usada na década de 30 do século XX, inicialmente em zonas específicas da cidade como o BAIRRO ALTO ou CAMPO DE OURIQUE, tendo na década de 50 se generalizado até aos BAIRROS SOCIAIS) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  APONTAMENTOS SOBRE LISBOA
 Pátio de Dom Fradique - (2007) - (Vista de cima do "PÁTIO DE DOM FRADIQUE", com ligação à "RUA DOS CEGOS")  in     GOOGLE EARTH
 Pátio de Dom Fradique - ( 2013) Foto de José da Cruz - (Na saída do corredor para o "PÁTIO DE BAIXO", na parede do lado direito encontra-se esta lápide. «ESTA CAPELA E JAZIGO É DA IRMANDADE DAS ALMAS QUE OS IRMÃOS MANDARAM FAZER À SUA CUSTA COMO CONSTA DA ESCRITURA QUE FIZERAM COM O REVERENDO PRIOR (EBNdos) DA DITA IGREJA QUE ESTÁ NAS NOTAS DO TABELIÃO MANUEL MACHADO NA ERA DE 1674 - PAI NOSSO, AVE MARIA PELAS ALMAS» (A possível tradução APS) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   APONTAMENTOS SOBRE LISBOA

Pátio de Dom Fradique - (1907-1) Foto de Autor não identificado - (O "PÁTIO DE DOM FRADIQUE", a saída para o chamado "PÁTIO DE BAIXO")  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   AML 

Pátio de Dom Fradique - (1948) Foto de Eduardo Portugal - (Na saída do corredor para o Pátio de Baixo, podemos ver na parede do lado direito, esta lápide)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in    AML


(CONTINUAÇÃO)-PÁTIO DE DOM FRADIQUE [ II ]

«O PÁTIO DE DOM FRADIQUE ( 2 )»

Acontecia que este "DOM FRADIQUE", MARQUÊS de VALDUEZA, era irmão de um tal "DOM FERNANDO" que foi governador do CASTELO e dos respectivos presídios no tempo do domínio CASTELHANO. E das duas, uma: ou "DOM FERNANDO" teria resolvido homenagear o irmão ou este teria mesmo ali residido, junto do CASTELO, durante a sua permanência em LISBOA


Acontece, porém, que estamos a falar de pessoas e acontecimentos do século XVI ou XVII.
E, segundo documentos muito antigos, citados pelo mestre "JÚLIO DE CASTILHO" - já em meados do século XVI - aquele lugar era ligado ao nome de "DOM FRADIQUE". Assim, as teses mais fundamentais inclinam-se para que o nome tenha sido colhido em "DOM FRADIQUE MANUEL", fidalgo às ordens de El-REI DOM MANUEL I. Vem ele «MOÇO FIDALGO» de "DOM MANUEL", sendo filho de  "DOM NUNO MANUEL" e "DONA LEONOR DE MILÁ".
Além do PÁTIO, provido desde cedo de moradia senhorial, também "DOM FRADIQUE" deu nome a porta, uma das várias que dava acesso à "ALCÁÇOVA DO CASTELO", e que foi emparedado no século XVIII.  

O "PÁTIO DE BAIXO", sai-se de um mundo e entra-se noutro. Estamos a reportar-nos ao inicio do século XXI, propriamente dito ao ano de 2005.
Uma passagem de aspecto tosco leva-nos ao PÁTIO DE BAIXO. um oratório ali colocado há muito, foi substituído depois do Terramoto: da imagem do "BOM JESUS REFORMADOR" passou-se à do "SENHOR DO BOM SUCESSO". Os restos do oratório são as últimas relíquias do sítio. À saída uma inscrição que atesta a existência naquele local, nas eras recuadas do século XVII, de uma Ermida dedicada a "NOSSA SENHORA DAS ALMAS".

Entra-se assim no "caminho da desolação". As antigas hortas de "DOM FRADIQUE" não têm hoje qualquer aspecto de "viço".
Muitos dos moradores há muito se foram, cansados talvez de esperar, por umas condições mínimas de habitabilidade.
Aquele que poderia ser um sítio invejado de moradias, parece um descampado onde só crescem ervas daninhas.

Podemos sair do "PÁTIO DE BAIXO" pelo portão que dá para a "RUA DOS CEGOS" com duas vantagens, dispensando ter de subir tudo outra vez e podendo admirar-se aquele mino de casas seiscentistas que fica na esquina para a "CALÇADA DO MENINO DE DEUS". Parece de bonecas, mas mora lá gente. E, já agora, quem não queira ficar com a impressão desconsolada do "PÁTIO DE BAIXO", poderá retemperar-se não só com a referida casa da "RUA DOS CEGOS" mas ainda, subindo um bocadinho para o "MENINO DE DEUS", encher os olhos com o respectivo LARGO e com a casa que se situa mesmo à beira de uma das entradas no recinto do "CASTELO".

NOTA: O "PÁTIO DE DOM FRADIQUE DE BAIXO", contíguo ao PALÁCIO e acessível pelo referido "ARCO", pertence hoje à CML, e encontra-se muito degradado.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«PÁTIO DE DOM FRADIQUE [ III ] -O PÁTIO DE DOM FRADIQUE VISTO POR "NORBERTO DE ARAÚJO"».

sábado, 29 de outubro de 2016

PÁTIO DE DOM FRADIQUE [ I ]

«O PÁTIO DE DOM FRADIQUE ( 1 )»
 Pátio de Dom Fradique - (2013) Foto de José Cruz - ( Imagem do "PÁTIO DE DOM FRADIQUE" o chamado "de baixo", e o PALÁCIO BELMONTE ao cimo) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   APONTAMENTOS SOBRE LISBOA
 Pátio de Dom Fradique - (1907-01) Foto de autor não identificado - (O Pátio de Dom Fradique, o interior do pátio "de cima") (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in    AML 
 Pátio de Dom Fradique - (2016) - (Panorama de parte da Freguesia de "SANTA MARIA MAIOR", onde se insere o "PÁTIO DE DOM FRADIQUE" e o "PALÁCIO BELMONTE")  in  GOOGLE EARTH
 Pátio de Dom Fradique - (1939) -Desenho de A. Vieira da Silva - (Fragmento da planta topográfica de LISBOA que compreende a parte abrangida pela "CERCA MOURA" e em especial o "PÁTIO DE DOM FRADIQUE". (Local assinalado com um  " X "). O traçado e as legendas a preto é o presente, a vermelho corresponde à época de 1755, o traçado vermelho a cheio, representa as Muralhas, sendo algumas partes integradas em edifícios, (Publicações Culturais da CML)  in   A CERCA MOURA
 Pátio de Dom Fradique - ( 2010) - Foto de Joe Condron e Jacob Termasen - (Este foi um projecto de restauração privada, realizada pelo actual proprietário do "PALÁCIO BELMONTE" no "PÁTIO DE DOM FRADIQUE)  in    ARQUITECTURA HOLIDAYS
Pátio de Dom Fradique - (2007) - Foto de autor não identificado - (Interior do "PÁTIO DE DOM FRADIQUE" - de cima - onde está instalado o HOTEL)  in    SKYSCRAPERCITY


(INÍCIO)-PÁTIO DE DOM FRADIQUE [ I ]

«O PÁTIO DE DOM FRADIQUE ( 1 )»

O «PÁTIO DE DOM FRADIQUE» pertence à freguesia de "SANTA MARIA MAIOR", tem início na "RUA DOS CEGOS", no número 44 e finaliza na "TRAVESSA DO FUNIL". 

Situa-se o "PÁTIO DE DOM FRADIQUE" no "MONTE OU COLINA DO CASTELO" numa área pequena, que abre com um portal simples, junto do topo do caminho "CHÃO DA FEIRA" (e, já agora, aproveito o ensejo, relembrar que o nome vem do facto de ali se ter realizado, logo no tempo de D. AFONSO II, no século XIII, um mercado que foi, possivelmente, o "avô" da "FEIRA DA LADRA"),  e fecha com outro "ARCO" na "RUA DOS CEGOS".
Este recinto longo da entrada é que constitui o PÁTIO, propriamente dito. A parte mais larga encontra-se passando o arco ou passadiço, a este lado, bem se poderá chamar o "Terreiro" (pois resulta da anexação das hortas ali existentes).
O "PÁTIO" ou recinto, na sua totalidade constitui serventia pública de passagem, com portas sempre abertas, embora se considere uma propriedade privada.
Constituído por dois pisos tendo no piso superior ligação com a MURALHA e o PALÁCIO BELMONTE (parte da construção é contígua, o vestígio do muro da "ALCÁÇOVA", e de troços significativos da "CERCA MOURA" incluindo a "TORRE"), sendo o "PÁTIO " "inferior" o sitio das hortas.
O mestre "NORBERTO DE ARAÚJO" chamou ao "PÁTIO": "Uma curiosidade histórica".
Por aqui, para entendimento mais fácil, passará a falar-se de dois pátios; o de "CIMA" e o de "BAIXO", classificação que de maneira nenhuma é original, mas que facilita bastante na exposição, até porque, de facto, se trata de duas realidades distintas. Quem se encontre no "CHÃO DA FEIRA" tem à disposição, de escolher a da "TRAVESSA DO FUNIL"  e reparará que esta é contígua ao PÁTIO de que hoje nos ocupamos. 
Um portal simples dá-lhe acesso. O sítio está hoje arranjado, tendo-se aproveitado com gosto um velho PALÁCIO para fazer nascer uma unidade hoteleira.
Através de um passadiço, por baixo do PALÁCIO, (um corredor abobadado, com cerca de vinte e dois metros de comprimento por três metros e meio de largura, era a primitiva porta da CERCA de que ainda se notam alguns vestígios) e chega-se a uma parte inferior, à qual comodamente chamaremos o PÁTIO de baixo, dizendo ainda que noutros tempos era um terreiro que levava o nome sintomático de "HORTAS DE DOM FRADIQUE".

Quem era "DOM FRADIQUE"? Como de costume nestas coisas, há duas teorias que tentam explicar o nome deste PÁTIO. Uma delas apontava para um tal "DOM FRADIQUE DE TOLEDO". Este fidalgo CASTELHANO tinha sido um famoso general do tempo de FILIPE IV (terceiro de PORTUGAL). Entre outras façanhas praticadas, conta-se a de ter partido de LISBOA  em 1625 como comandante geral de uma esquadra que atravessou o ATLÂNTICO para reconquistar o território da "BAÍA", no BRASIL, ocupado pelos HOLANDESES.

(CONTINUA)-(PRÓXIMA) «PÁTIO DE DOM FRADIQUE[ II ]-O PÁTIO DE DOM FRADIQUE (2)» 

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

LARGO TRINDADE COELHO [ XIV ]

«O MUSEU DE SÃO ROQUE ( 2)»
 Largo Trindade Coelho - ( 2012 ) - (Pormenor da parte superior da fachada da "SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE LISBOA", o brasão no edifício do actual "MUSEU DE S. ROQUE") in  PANORAMIO
 Largo Trindade Coelho - (Depois de 2008) - (Um aspecto mais alargado da IGREJA DE S. ROQUE e da Capela de São João Baptista)  in     MUSEU DE SÃO ROQUE
 Largo Trindade Coelho - (Depois de 2008) - (Algum dos tesouros do MUSEU DE S. ROQUE, importante Museu de Arte decorativa de origem Italiana)   in  MUSEU DE SÃO ROQUE
Largo Trindade Coelho - (Início do século XX) Foto de Paulo Guedes  - ( O actual MUSEU DE S. ROQUE aquando de uma intervenção de obras, no princípio do século vinte) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   AML 


(CONTINUAÇÃO)-LARGO TRINDADE COELHO [ XIV ]

«O MUSEU DE SÃO ROQUE ( 2 )»

A exposição permanente do MUSEU, alvo de recente remodelação, apresenta quatro núcleos distintos: "MISERICÓRDIA DE LISBOA", "ERMIDA E LENDAS DE S. ROQUE",  "CULTO E IMAGEM NA EXPANSÃO JESUÍTA" e a "CAPELA DE S. JOÃO BAPTISTA".
O Primeiro apresenta-nos reduzido número de pinturas e peças de ourivesaria, que documentam a história da "MISERICÓRDIA" desde a fundação até aos finais do século XVIII.  É de salientar a tábua de GARCIA FERNANDES, proveniente do antigo retábulo da "CAPELA-MOR DA CONCEIÇÃO VELHA", Sede (antiga) da MISERICÓRDIA  de 1534 a 1755.
Duas raríssimas bandeiras do período de "DOM JOÃO V" testemunham o acompanhamento dos condenados à morte pelos irmãos da SANTA CASA.
Os quatro quadros de "VIDAS DE SÃO ROQUE", de oficina desconhecida, pintados por volta de 1520, sobrevivente da antiga ERMIDA "Manuelina" constituem o segundo núcleo do MUSEU.  Caracterizam-se pela preocupação do autor em retratar os principais passos da vida do SANTO nos vários planos das tábuas.  Duas esculturas seiscentistas em madeira policromada, representando "SANTO INÁCIO DE LOYOLA" e "SÃO FRANCISCO XAVIER", reportam-nos à entrega da ERMIDA e sua reforma pela "COMPANHIA DE JESUS" a partir de 1553.
O terceiro núcleo, "CULTO E IMAGEM NA EXPANSÃO JESUÍTA", apresenta um conjunto de pinturas e peças de ourivesaria proveniente da "IGREJA DE SÃO ROQUE" e há muito guardadas nas reservas do MUSEU.
Logo no início da SALA, em cujo tecto estão representadas as armas da MISERICÓRDIA DE LISBOA, pintadas no reinado de "DONA MARIA I",  destacam-se os dois retratos de "DONA CATARINA" e "D. JOÃO III",  do pintor CRISTOVÃO LOPES, até ao século passado presentes na entrada da IGREJA.
As duas composições expostas no extremo da galaria: "CRISTO ENTRE OS SANTOS MÁRTIRES" e "A VIRGEM ENTRE SANTAS VIRGENS", de FERNÃO GOMES e DIOGO TEIXEIRA, ladeiam uma notável imagem em prata dourada de "NOSSA SENHORA E O MENINO" lavrada na BAVIERA no século XVI.
Este pequeno conjunto de peças, singular pela sua espectacularidade, testemunha as grandes festas celebradas em LISBOA por ocasião do recebimentos das relíquias que em 1588, "DOM JOÃO DE BORJA" embaixador de "D. FILIPE II", doou à IGREJA DE SÃO ROQUE.
No que respeita à ourivesaria é de destacar o precioso cofre em prata dourada e branca, executado em "AUGSBURGO" e oferecido à "COMPANHIA DE JESUS" por "DOM PEDRO II". Destinava-se a proteger o cutelo que degolou "SÃO JOÃO DE BRITO".  A "CAPELA DE S. JOÃO BAPTISTA" executada no final do reinado de "D. JOÃO V", foi sem dúvida, a mais célebre doação à CASA PROFESSA DE SÃO ROQUE. Bastante estudada, representa um dos mais documentados conjuntos da nossa história de arte e é um dos principais pólos de atracção do MUSEU.
Nele encontra-se expostas as principais alfaias e paramentos que, executados em ROMA, acompanharam a CAPELA DE S. JOÃO BAPTISTA na sua viagem para LISBOA.  São por mais célebres o par de "tocheiros" em prata e bronze executados na oficina de GUISEPPE GAGLIARDI e o frontão do altar terminado por "ANTÓNIO ARRIGHI", o fiel ourives romano de "DOM JOÃO V". A riqueza dos materiais e execução tornam esta capela, situada na nave da IGREJA, um verdadeiro estojo de exposição das ricas alfaias em dias de festa.
A própria maqueta da CAPELA, datável de 1742-44, igualmente exposta no MUSEU, é um raríssimo e valioso documento para estudo da arquitectura em PORTUGAL no reinado de "D. JOÃO V".

E rematamos com uma frase do Mestre NORBERTO DE ARAÚJO: "Tudo isto é uma nuvem de prata, onde passaram dedos de artistas: uma arte que acabou...". [FINAL].

BIBLIOGRAFIA

- ARAÚJO, Norberto de - PEREGRINAÇÕES EM LISBOA -Liv. V  -  VEGA-1992 -LISBOA.
- FRANÇA, José-Augusto - A SÉTIMA COLINA-ROTEIRO HISTÓRICO E ARTÍSTICO- LISBOA 94/Livros Horizonte - 1994 - LISBOA.
- LISBOA DE ONTEM E DE HOJE - Rocha Martins - ENP - 1945 - LISBOA 
- LOPES, Fernão - CRÓNICA DE D. FERNANDO - Liv. Civilização - 1965 - PORTO 
- SCHUBERT, Jörg - LISBOA - Círculo de Leitores - 1982 - LISBOA
- SEQUEIRA, Gustavo de Matos - O CARMO E A TRINDADE- Vol. I -Ed. 2ª.-CML-1939 e Vol. II 1ª. Ed. CML-1939.
- SILVA, A. Vieira da - A CERCA FERNANDINA DE LISBOA- VOL. I - CML - 1987. 

(PRÓXIMO)«PÁTIO DE DOM FRADIQUE [ I ] - O PÁTIO DE DOM FRADIQUE ( 1 )».

sábado, 22 de outubro de 2016

LARGO TRINDADE COELHO [ XIII ]

«O MUSEU DE SÃO ROQUE ( 1 )»
 Largo Trindade Coelho - (2014) - Fachada do "MUSEU DE SÃO ROQUE" antiga "CASA DAS LOTARIAS", pertença da "SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE LISBOA" no "LARGO TRINDADE COELHO". E, mais antigo ainda, o local onde se instalou em Portugal a "COMPANHIA DE JESUS" e os "JESUÍTAS" no século XVI)  in  GOOGLE EARTH
 Largo Trindade Coelho - ( 2014 ) - (Panorâmica da "FREGUESIA DA MISERICÓRDIA" onde se insere o "LARGO TRINDADE COELHO". No lado esquerdo podemos ver a cobertura "estaleiro" das obras no Palácio Brito Freire, na frente a IGREJA DE SÃO ROQUE e o MUSEU DE SÃO ROQUE ligado à Igreja )  in    GOOGLE EARTH
 Largo Trindade Coelho - ( 2011) - Foto de Glória Ishizaca - ("MUSEU DE SÃO ROQUE" no Largo Trindade Coelho, aspecto do corredor. Ao fundo à direita, esculturas de S. FRANCISCO XAVIER e SANTO INÁCIO DE LAYOLA, fundador da "Companhia de Jesus")   in    CLIC
Largo Trindade Coelho - (depois de 2008) - Aspecto do "MUSEU DE SÃO ROQUE", uma das Salas de exposição depois da restauração e classificação, entre 2006 e 2008)  in  MUSEU DE SÃO ROQUE


(CONTINUAÇÃO)-LARGO TRINDADE COELHO [ XIII ]

«O MUSEU DE SÃO ROQUE ( 1 )»

Com a expulsão dos "JESUÍTAS" de PORTUGAL em 1753, e a boa vontade do "REI DOM JOSÉ I", em 1768 são transferidos para a SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE LISBOA, todos os bens que tinham pertencido à  "COMPANHIA DE JESUS" em LISBOA.

O "MUSEU DE SÃO ROQUE" está aqui instalado desde 1898 e acrescido de novas salas em 1927 - complemento da IGREJA e, como esta, administrada pela "SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE LISBOA" - é um produto de ostentação JOANINA, um repositório de arte.
Este MUSEU de arte SACRA, é quase na sua totalidade, constituído por milhares de espécies que pertenciam à "CAPELA DE SÃO JOÃO BAPTISTA".
Escolheram-se algumas salas da antiga "CASA PROFESSA DA COMPANHIA DE JESUS", anexas à IGREJA. Espaço onde, desde 1783, se procedia à extracção da «LOTARIA NACIONAL».
Seguindo os critérios da museografia da época, pretendeu-se uma ampla apresentação dos objectos, em sumptuosos expositores inspirados no mobiliário SEISCENTISTA, mas com critérios de exposição pouco definidos, mais vocacionados para a fruição estética dos objectos.

Assim seria o aspecto do "MUSEU DE SÃO ROQUE" na sua abertura em 1905, posteriormente melhorado com sucessivas reformas até à década de 1960. Nesta ocasião, a Conservadora deu início a um processo de remodelação e valorização das suas colecções, do qual resultaria a reabertura ao público em 1968, demonstrando a adopção de interessantíssimas soluções museográficas.

O "MUSEU DE SÃO ROQUE" que inclui a própria IGREJA e uma galeria de exposição temporária, possuí um magnífico acervo de obras de arte, datáveis do século XVI ao XVIII.
Provém em grande número da antiga "CASA PROFESSA DE S. ROQUE", da qual a MISERICÓRDIA DE LISBOA tomou posse em 1768, da antiga "SEDE DA MISERICÓRDIA DE LISBOA", na CONCEIÇÃO VELHA, do "CONVENTO DE SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA", assim como de várias aquisições e doações que ao longo dos séculos têm enriquecido o património da "SANTA CASA".
Apesar de abranger um leque cronológico bastante mais amplo, o complexo de "SÃO ROQUE" afirma-se como um dos mais importantes núcleos da arte portuguesa do século XVII, permitindo aos visitantes e estudiosos acompanhar de forma ímpar a evolução das formas artísticas nas mais diversas manifestações: da pintura à ourivesaria, da talha aos embrechados de mármore.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO TRINDADE COELHO[ XIV ]-O MUSEU DE SÃO ROQUE ( 2 )».  

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

LARGO TRINDADE COELHO [ XII ]

«A SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE LISBOA ( 2 )»
 Largo Trindade Coelho - (2013) - (Fachada principal da "SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE LISBOA", por altura dos 515 anos da sua fundação)  in   SÁBADO
 Largo Trindade Coelho - (2013) - (Fachada da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, quando comemorava os seus 515 anos de existência. No Largo de São Roque só a partir do terceiro quartel do século XVIII)  in   GOOGLE EARTH
 Largo Trindade Coelho - (1987) - Foto de Dias dos Reis - ( O "LARGO TRINDADE COELHO" e a estátua dedicada ao cauteleiro da autoria de Fernando Assis, inaugurado a 8 de Novembro de 1987) in  DIAS DOS REIS
 Largo Trindade Coelho - (1908) - (No edifício da "SANTA CASA" em dia de extracção da Lotaria. No lado direito o edifício da "Companhia de Carruagens Lisbonense", hoje a SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE LISBOA" (ABRE EM TAMANHO GRANDE) in  RESTOS DE COLECÇÃO
 Largo Trindade Coelho - (1908) - (Interior da Sala de extracção da Lotaria no edifício da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, actual "MUSEU DE SÃO ROQUE") (ABRE EM TAMANHO GRANDE)    in  RESTOS DE COLECÇÃO
Largo Trindade Coelho - (1962) - (Bilhete do "TOTOBOLA" uma ideia introduzida em Portugal pela "SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE LISBOA" no século XX)  in  RESTOS DE COLECÇÃO


(CONTINUAÇÃO)-LARGO TRINDADE COELHO [ XII ]

«A SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE LISBOA ( 2 )»

 A "SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE LISBOA" recebeu, depois da expulsão da "COMPANHIA DE JESUS" de Portugal, para além das instalações de "SÃO ROQUE", todos os bens dos "JESUÍTAS" e das ricas confrarias a que pertenciam algumas das Capelas da IGREJA.

Em 1862, começaram a construir-se os novos edifícios sobre a "CALÇADA DA GLÓRIA", e fizeram-se obras do RECOLHIMENTO em S. PEDRO DE ALCÂNTARA.
A "MISERICÓRDIA DE LISBOA" é um Instituto de Assistência Pública Oficial, com autonomia técnica, administrativa, directamente subordinada, por uma Comissão Administrativa, e com o PROVEDOR nomeado pelo MINISTÉRIO DO INTERIOR. Onde se inclui a IGREJA e MUSEU, preciosidade de arte, do activo  da MISERICÓRDIA fazem parte muitas propriedades rústicas e urbanas.

A primeira LOTARIA OFICIAL que se realizou no nosso pais foi a estabelecida por carta régia de 4 de Maio de 1688, destinada a operações do ESTADO e com carácter periódico, conforme as necessidades: era a «LOTARIA REAL» e foi objecto de alvarás e decretos em 1703, 1799, 1803, 1805 e 1835, sendo por vezes os prémios constituídos (como em 1799) por propriedades do ESTADO e pensões vitalícias.

Em 1835 começou a «LOTARIA NACIONAL», que foi uma espécie de emissão de papel de dívida pública, e que acabou em 1849.
A LOTARIA DA SANTA CASA DA MISERICÓRDIA foi estabelecida em Dezembro de 1783, (no reinado de D. MARIA I) destinada ao HOSPITAL REAL, aos EXPOSTOS, e à ACADEMIA DAS CIÊNCIAS; em Março de 1793 dos lucros da LOTARIA passou a beneficiar a recém criada CASA PIA. De 1799 a 1804 a «LOTARIA DA SANTA CASA» foi suspensa, para "deixar livre" uma das LOTARIAS REAIS, e, recomeçando, sofrendo, ou beneficiando de várias  reformas. No passado os lucros da LOTARIA eram divididos pela MISERICÓRDIA, pelo ESTADO pelos HOSPITAIS CIVIS, ASSISTÊNCIA PÚBLICA e CASA PIA DE LISBOA.
Frutificou  como se pode recordar a obra da «RAINHA DONA LEONOR». No interior do edifício da "SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE LISBOA", no início do século XX, nada oferece de notável, sob o ponto de vista histórico. Sucessivas obras, indispensáveis e utilíssimas, foram  transfigurando a "CASA DOS JESUÍTAS", de cuja cerca, nada resta.
No antigo claustro (aliás pequeno) se construiu a SALA, com galerias. de «EXTRACÇÃO DO JOGO», e um outro claustro apenas se conserva com vestígios da velha traça arquitectónica.  Num passado recente, nomeadamente nas décadas de 1960 e 1980 foram criados os "JOGOS SOCIAIS": TOTOBOLA e TOTOLOTO que tem sido, juntamente com a LOTARIA um importante instrumento na criação de riqueza social e económica, permitindo a concretização de projectos sociais e de saúde, conservando a "SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE LISBOA" até aos nossos dias uma acção humanitária e benemerente para a qual foi fundada.
JOGOS SOCIAIS DA SCML - LOTARIA CLÁSSICA; LOTARIA POPULAR; TOTOBOLA; TOTOLOTO; JOKER; RASPADINHA; EUROMILHÕES e mais recentemente PLACARD, estando em preparação (talvez ainda para este ano) a exploração das "CORRIDAS DE CAVALOS".

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) «LARGO TRINDADE COELHO [ XIII ] - O MUSEU DE SÃO ROQUE ( 1 )».