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sábado, 10 de abril de 2010

RUA DE XABREGAS [ XVII ]

Rua de Xabregas - (1989) Foto de APS (Rua de Xabregas, em segundo plano o Palácio Olhão e o edifício nos terrenos da antiga "FÁBRICA DAS VARANDAS") ARQUIVO/APS
Rua de Xabregas - (2005) - Foto de APS (O local onde se encontra este edifício, outrora a Fábrica de Fiação e Tecidos Oriental, vulgarmente chamada de "Fábrica das Varandas", pertence hoje a um C.C. e nele está instalado o IPA) ARQUIVO/APS

Rua de Xabregas - (1898 ?) - Fachada da Fábrica de Fiação e Tecidos Oriental (vulgo) Fábrica das Varandas, na Rua de Xabregas em finais do século XIX) in CAMINHO DO ORIENTE
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(CONTINUAÇÃO)
RUA DE XABREGAS [ XVII ]
«FÁBRICA DE FIAÇÃO E TECIDOS ORIENTAL (vulgo) "FÁBRICA DAS VARANDAS" (1)»
Na «RUA DE XABREGAS» nos números 2 a 20 existiu a «FÁBRICA DE FIAÇÃO E TECIDOS ORIENTAL» de (1888 a 1983), tendo sido uma das mais emblemáticas e importantes unidades têxteis, deixando uma auréola na vida social e na história do sítio de «XABREGAS».
«ABEL BOTELHO» no seu romance «AMANHû, refere-se que no tempo em que já era conhecida por "FÁBRICA DAS VARANDAS", designação popular que se manteve até ao encerramento. Na história do operariado português é um marco indispensável, porque está associado a dirigentes operários, greves e lutas sociais, que motivaram frequentes despedimentos e outros acontecimentos de relevo na sua existência de cerca de cem anos.
A fábrica foi fundada pela «COMPANHIA ORIENTAL DE FIAÇÃO E TECIDOS», uma Sociedade Anónima criada em 2 de Abril de 1888.
Nos primeiros anos foi dirigida por «ERNESTO DRIESEL SCHROETER (1850-1942)» e «MANUEL JOSÉ DA SILVA». O capital inicial era de 400 contos. Em 14 de Agosto de 1888, a referida Companhia estabeleceu um contrato com «FRANCISCO BAERLEIN», representante da firma «BAERLEIN & Cª.» de Manchester, para a construção de uma fábrica de primeira classe, nos seus terrenos de «XABREGAS».
«FRANCISCO BAERLEIN» concretizou o projecto entre essa data e 31 de Agosto de 1891, fornecendo o maquinismo mais aperfeiçoado para a industria de fiação e tecelagem de algodão, incluindo uma máquina a vapor.
A nova fábrica, muito embora fosse equipada com o melhor que existia nessa altura para a industria têxtil, não ficou desde logo perfeita, devido a um problema grave ocorrido na máquina a vapor.
Por essa razão, entre Dezembro de 1891 (altura da inauguração) e 1893, houve um contencioso judicial entre os empreiteiros e a Companhia.
O estabelecimento fabril encontrava-se protegido da via pública por uma correnteza de um piso, onde ficavam as oficinas, sobre as quais se situavam as varandas.
Na parte de trás encontravam-se as duas oficinas principais, a fiação e a tecelagem, em edifícios separados, construídos com dois pisos cada um. A fiação organizava-se longitudinalmente à via pública e a tecelagem transversalmente, logo a seguir à portaria e à escada que subia aos escritórios.
Próximo a essa escadaria encontrava-se um grande janelão em ferro forjado e fundido, com a data de 1888 (hoje, na frontaria do novo edifício, conforme foto de 2005). Esse janelão iluminava a casa das máquinas, onde foi instalado um motor a vapor de alta e baixa pressão.
(CONTINUA)-(PRÓXIMO)-«RUA DE XABREGAS [XVIII]-FÁBRICA DE FIAÇÃO E TECIDOS ORIENTAL (vulgo) "FABRICA DAS VARANDAS" (2)»



quarta-feira, 14 de abril de 2010

RUA DE XABREGAS [ XVIII ]

Rua de Xabregas - (2006) (Sitio da antiga "Fábrica das Varandas" existe agora esta edifício de serviços onde funcionou o -IPA-Instituto Superior Autónomo de Estudos Politécnicos) in FACULDADE DE ARQUITECTURA DA UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA.
Rua de Xabregas - (1989) Foto de APS ( Terrenos da antiga Fabrica de Fiação e Tecidos Oriental, vulgarmente chamada "Fábrica das Varandas", hoje um edifício de serviços) ARQUIVO/APS

Rua de Xabregas - (1989) - Foto de APS ( A RUA JOSÉ ANTÓNIO LOPES o Centro Comercial no lado esquerdo, em terrenos da antiga "FABRICA DAS VARANDAS") ARQUIVO/APS
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(CONTINUAÇÃO)
RUA DE XABREGAS [ XVIII ]
«FÁBRICA DE FIAÇÃO E TECIDOS ORIENTAL (vulgo) "FÁBRICA DAS VARANDAS" (2)»
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Após as dificuldades iniciais a Têxtil passou a funcionar regularmente, desde 1893, com o capital inicial. Entre os principais produtos refiram-se diversos números de fios, tecidos e estofos (pano cru, enfeitados, lonas e sarjas).
Em 1898 trabalhavam nesta fábrica 425 operários.
Na segunda década do século XX procedeu-se à alteração dos estatutos e ao aumento do capital social para (550 contos).
As diversas crises fabris, entre a «I GUERRA MUNDIAL» e a crise da Bolsa de Nova Iorque em 1929, reflectiram-se na vida da empresa.
A partir de 1930, passou a ser administrada pelo empresário catalão, «LORENZO CISA Y TAY». A planta fabril sofre alterações e a área é ocupada em 15 000 metros quadrados. Segundo nos diz «CARLOS BASTOS» compreendia cinco secções: "fiação com doze mil cento e sessenta fusos; tecelagem, com trezentos e quarenta e sete teares; branqueio e acabamento; e fios para embalagens e fita vegetal (1947). (1)
A nível de produção enveredou-se para tecidos mais finos (cassas (2), bretanhas (3), estamparias etc.) e algodão e gazes para fins farmaceuticos. Especializara-se também no ramo das fitas e fios de vegetal, organizando-se em oficinas especializadas.
Diz-nos ainda da «FÁBRICA DAS VARANDAS» «MÁRIO FURTADO», no seu livro «DO ANTIGO SÍTIO DE XABREGAS» na página 107 o seguinte: "os salários mínimos (estamos a referir-nos à primeira metade dos anos 50 do século passado) oscilavam entre 110$00 e 130$00 (cento e dez escudos e cento e trinta escudos).
As tecedeiras que trabalhassem de empreitada (empreiteiras), se produzem ou o trabalho correr bem, poderão tirar médias de 180$00 ou 190$00.
O ruído na secção de Tecelagem era de tal ordem que obrigava as pessoas a comunicar por mímica, ou a bradar em altos berros. Por outro lado, como as condições atmosféricas influíssem no rendimento do trabalho - a trama (4) partia com mais facilidade com tempo seco - , as pobres sujeitavam-se, frequentemente, à acção dos humidificadores instalados nas oficinas de fiação.
Quanto a férias remuneradas - uma semana - era normal as operárias só terem direito a 2,3 ou quatro dias, se tivessem faltado para acudir ao filho ou marido doente".
- (1) - CARLOS BASTOS "EMPRESA DA FÁBRICA DE FIAÇÃO E TECIDOS ORIENTAL", in O Algodão no Comércio e na Industria Portuguesa - Porto - Grémio dos Importadores de Algodão em Rama, (1947) pp 37-38.
- (2) - Tecido transparente de linho ou algodão
- (3) - Tecido fino de linho ou algodão
- (4) - Fio que se conduz com a lançadeira através do urdume da teia
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(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DE XABREGAS [ XIX ] - FÁBRICA DE FIAÇÃO E TECIDOS ORIENTAL (vulgo) "FÁBRICA DAS VARANDAS" (3)»FINAL.



sábado, 17 de abril de 2010

RUA DE XABREGAS [ XIX ]

Rua de Xabregas - (1989) - Foto de APS (O edifício onde funcionava o IPA, nos terrenos da antiga "FÁBRICA DAS VARANDAS") ARQUIVO/APS
Rua de Xabregas - (1989) - Foto de APS ( Centro Comercial instalado nos terrenos da antiga FÁBRICA DE FIAÇÃO E TECIDOS ORIENTAL (vulgo) "FÁBRICA DAS VARANDAS") ARQUIVO/APS

Rua de Xabregas - (1989) - Foto de APS (Final da Calçada de Dom Gastão inicio da Rua de Xabregas, esquina com a Rua José António Lopes - que nesta altura, existia a "Farmácia Conceição" na esquina) ARQUIVO/APS
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(CONTINUAÇÃO)
RUA DE XABREGAS [ XIX ]
«FÁBRICA DE FIAÇÃO E TECIDOS ORIENTAL (vulgo) "FABRICA DAS VARANDAS" (3)»
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A antiga unidade fabril era em finais do século XIX conhecida por "EMPRESA DA FÁBRICA DE FIAÇÃO E TECIDOS ORIENTAL".
Em 1947 entrou para a administração o «ENGº TOMÁS DA ROCHA LEÃO DE SOUSA EIRÓ». Esta mudança parece estar relacionada com o aumento de capital e reforço do fundo de reserva. Nos últimos anos da década foram adquiridos à Inglaterra máquinas para a oficina de preparação e de fiação (abridores, batedores, cardação, penteação e torcedura).
A política social da empresa registou uma mudança significativa entre os finais de 40 e a década seguinte.
Na década de cinquenta caracterizou-se por uma grande queda nos lucros da empresa que se reflectiram nas opções industriais dos anos seguintes.
No ano de 1966 é encerrada a secção de tecelagem, que é transferida para o PORTO, para uma empresa do grupo económico a que pertencia.
A «FÁBRICA DAS VARANDAS» manteve-se em funcionamento até ao início da década de oitenta, apenas com a secção de fiação.
A história laboral da «FÁBRICA DAS VARANDAS», encontra-se recheada de múltiplos acontecimentos laborais (greves, despedimentos).
A mudança de atitude apoiada pelo ESTADO NOVO permitiu suprir parcialmente as críticas dos operários, em relação à assistência social. Constrói-se um edifício apropriado para os diversos serviços, como uma creche, um refeitório, cozinhas e um posto de socorros.
Em 1976, reflectia-se na «FÁBRICA DAS VARANDAS» os problemas económicos e sociais criados após o 25 de Abril de 1974.
Pertencia então a «MANUEL F. A. COIMBRA» e encontrava-se em laboração intermitente por falta de matéria-prima, baixa de produção e dificuldades de obtenção de acessórios para as máquinas. Os edifícios encontravam-se em mau estado de conservação, laborando ainda 254 operários, a maioria mulheres.
Finalmente, em 1983, o seu encerramento estava iminente. O conjunto fabril foi depois objecto de uma urbanização, preservando-se apenas o janelão de ferro, localizado agora no piso térreo do Centro Comercial, única testemunha desta fábrica que deu emprego a muita gente, nesta modesta zona de XABREGAS.
Como curiosidade, na «FÁBRICA DAS VARANDAS» trabalhavam os pais do grande matador de touros «MANUEL DOS SANTOS», (ver mais aqui). Sabemos que moravam no «ALTO DOS TOUCINHEIROS».
Os pais de «MANUEL DOS SANTOS» separaram-se e o Manuel, ainda pequeno foi com sua mãe para casa do avô (materno) na «GOLEGû.
Mais tarde o pai de Manuel passou a viver maritalmente com uma senhora que morava no «PÁTIO JOSÉ INGLÊS», tiveram uma filha (meia-irmã de Manuel) de nome «MANUELA».
O Toureiro «MANUEL DOS SANTOS» sempre a protegeu, tanto na sua criação como nos estudos. Mais tarde trabalhou na empresa de seu irmão «SOCIEDADE DO CAMPO PEQUENO», até à morte deste, em 1973.
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BIBLIOGRAFIA
- Araújo, Norberto - 1992-1993 - Peregrinações em Lisboa - Livro XV - Lisboa - Vega.
- Ferreira, Jaime Alberto do Couto - 1999 - Farinhas, Moinhos e Moagens - Lisboa - Ancora.
- Ferreira, Paula Cristina - Sanchez, Paula e Figueiredo, Sandra - 1995 - A FREGUESIA DO BEATO NA HISTÓRIA - Lisboa - Junta de Freguesia do BEATO.
- Folque, Filipe - 2000 - Atlas da Carta Topográfica de Lisboa, sob a direcção de: 1856-1858 - Lisboa - CML - Departamento de Património Cultural - Arquivo Municipal de Lisboa.
- Folgado, Diolinda e Custódio, Jorge - 1999 - Caminho do Oriente - Guia do Património Industrial - Lisboa - Livros Horizonte.
- Furtado, Mário - 1997 - Do Antigo sítio de Xabregas - Lisboa - Vega.
- Matos, José Sarmento de e Paulo, Jorge Ferreira - 1999 - Caminho do Oriente - Guias Históricas II - Lisboa - Livros Horizonte.
- Matos, José Sarmento de - 1994 - Lisboa, um passeio a Oriente - Lisboa - Parque Expo'98 e Metropolitano de Lisboa
- Oliveira, Cristóvão Rodrigues - 1987 - Lisboa em 1551 - SUMÁRIO - Lisboa - Livros Horizonte.
- Santana, Francisco e Sucena, Eduardo (Coord) - 1994 - Dicionário da História de Lisboa - Lisboa - Carlos Quintas e Associados.
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(PRÓXIMO) «RUA DO TERREIRO DE TRIGO [ I ] - A RUA DO TERREIRO DO TRIGO»



sábado, 20 de março de 2010

RUA DE XABREGAS [ XI ]

Rua de Xabregas - (200_?) - (Fotografia de autor desconhecido) (FÁBRICA DE FIAÇÃO DE XABREGAS (Vulgo) "FÁBRICA DA SAMARITANA"- o edifício mais baixo com telhado de duas águas e janela circular, era a localização da casa da máquina a Vapor, virado a Sul).
Rua de Xabregas - (1989) Foto de APS - (Antiga Fábrica da Samaritana, depois do incêndio de 1948, vista da "RUA GUALDIM PAIS") ARQUIVO/APS

Rua de Xabregas - (1887) - Gravura publicada no Diário Ilustrado Nº 1617 -Ano VI - Lisboa 1887) (Baseada na gravura do Archivo Pitoresco-1864 p. 182) (Fábrica de Fiação de Xabregas (Vulgo) "FABRICA DA SAMARITANA" no "BECO DOS TOUCINHEIROS" Nº 1 em XABREGAS).
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(CONTINUAÇÃO)
RUA DE XABREGAS [ XI ]
«FÁBRICA DE FIAÇÃO DE XABREGAS (Vulgo) "FÁBRICA DA SAMARITANA" (1)»
A «FÁBRICA DE FIAÇÃO DE XABREGAS» podemos considerar ser uma das mais antigas fábricas "maquinofactureiras" de Lisboa, edificada de raiz para essa finalidade, na segunda metade do século XIX.
Instalada em 1857 no sítio de «XABREGAS», era igualmente conhecida por «FÁBRICA DA SAMARITANA» (em virtude de se encontrar nas proximidades da "FONTE DA SAMARITANA") e por «FÁBRICA DO BLACK», em homenagem ao antigo fundador, engenheiro «ALEXANDRE BLACK», a quem se deve a arquitectura industrial a moagem dos seus primeiros equipamentos e máquinas.
Situa-se à entrada do «VALE DE CHELAS», junto às linhas férreas do LESTE e NORTE e da Circunvalação de Lisboa. Encontra-se também junto à antiga "Circunvalação fiscal", da parte Oriental da cidade de Lisboa. A edificação desta unidade fabril é contemporânea da construção do troço de «CAMINHO-DE-FERRO», entre «LISBOA E O CARREGADO», acessibilidade a que se ligou desde então.
As obras começaram em 1854, em terrenos arrendados ao «HOSPITAL DE S. JOSÉ». A laboração inaugurou-se em 1857, altura em que o edifício rectangular, construído de raiz e com todos os apetrechos para a mecanização da fiação de algodão se concluiu. O seu plano inicial obedecia aos modelos mais avançados das fábricas inglesas.
O edifício, descrito por «PINHO LEAL», tinha então 36 metros de comprimento e 21 metros de largura, com 108 janelas nas quatro fachadas.
Os fundadores de origem britânica, constituíram uma companhia por acções para a sua administração, com o capital de 150 contos de réis, a duzentos mil réis por cada acção. «ALEXANDRE BLACK» notabilizara-se nas obras de engenharia na «FÁBRICA DE SANTO AMARO», da «COMPANHIA DE FIAÇÃO E TECIDOS LISBONENSE» (1), entre 1847-49, depois da prova dada, se juntou aos "SCOTT".
Inicialmente era apenas uma unidade mecanizada de fiação, apesar dos seus primeiros estatutos, datados de 1857, preverem também tecelagem, tinturaria e calandragem do algodão.
As condições de mercado facilitaram a instalação da energia a vapor, até porque «XABREGAS» conhecia desde a década de quarenta as primeiras máquinas motoras. A localização da máquina a vapor fez-se em casa própria, exterior ao edifício, virada a Sul. Com a máquina moviam-se os 4 600 fusos iniciais.
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- (1) - A «COMPANHIA DE FIAÇÃO E TECIDOS LISBONENSE», foi a primeira fábrica a instalar-se no «CONVENTO DE SÃO FRANCISCO DE XABREGAS». Depois do violento incêndio de 1844, foi transferida para o vizinho «PALÁCIO DOS MARQUESES DE NISA», no ano seguinte era instalada definitivamente nos terrenos do «CONDE DA PONTE» na Junqueira.
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DE XABREGAS [ XII ] - FÁBRICA DE FIAÇÃO DE XABREGAS (Vulgo) "FÁBRICA DA SAMARITANA" (2)».

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

RUA DE XABREGAS [ II ]

Rua de Xabregas - (1989) - (Foto de APS) (Zona de Xabregas viaduto ferroviário, "Largo de Xabregas", em segundo plano o Palácio dos Marqueses de Nisa e Igreja da Madre de Deus) ARQUIVO/APS
Rua de Xabregas - (2006) (Foto de Filipe Jorge) (O sítio de Xabregas visto de cima, nomeadamente os seus antigos Palácios e Conventos) in LISBOA VISTA DO CÉU

Rua de Xabregas - (2006) (Foto de Filipe Jorge) (Panoranica da Rua de Xabregas e Rua da Manutenção) in LISBOA VISTA DO CÉU


Rua de Xabregas - (1859) - (Óleo sobre tela de J. Pedroso) (Vista da zona de Xabregas, tendo em primeiro plano a «FABRICA DE TABACOS DE XABREGAS», no antigo Convento de São Francisco, e vendo-se em segundo plano o «PALÁCIO DOS MARQUESES DE NISA» in «ALFACINHAS» Os lisboetas do passado e do presente de ALBERTO SOUZA.
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(CONTINUAÇÃO)
RUA DE XABREGAS [ II ]
«O INÍCIO DA INDUSTRIALIZAÇÃO EM XABREGAS»
«XABREGAS» vai conhecer uma mutação no seu tecido económico e social, depois da fixação do «CAMINHO-DE-FERRO» neste local, tendo essa viragem contribuído para a sua transformação, podendo mesmo chamar-se de uma «REVOLUÇÃO INDUSTRIAL».
Para este cenário, são vários os factos que se conjugaram. A aproximação do rio, os amplos espaços existentes na zona, permitindo a implantação de complexos fabris, o reordenamento das instalações portuárias, a extinção das Ordens Religiosas, e não menos importante a construção da via ferroviária, que transforma este sítio no principal centro industrial de «LISBOA».
«XABREGAS» era um pólo fabril constituído num espaço relativamente pequeno, sendo o número de quatro fábricas de relevante valor.
A «FÁBRICA DE FIAÇÃO DE XABREGAS (vulgo)-FÁBRICA SAMARITANA», instalada no «BECO DOS TOUCINHEIROS», também conhecida por «FÁBRICA DO BLAK».
A «FÁBRICA DE MOAGEM A VAPOR ALIANÇA» antecessora da «NOVA COMPANHIA NACIONAL DE MOAGEM» que ficava na «RUA DE XABREGAS» perto do «VIADUTO FERROVIÁRIO», em 1947 foi destruída totalmente por um violento incêndio.
A terceira e bastante importante foi a «FÁBRICA DO TABACO LISBONENSE» que em 1927 se chamava de «COMPANHIA PORTUGUESA DE TABACOS», instalada no antigo «CONVENTO DE SÃO FRANCISCO DE XABREGAS».
A quarta era a «FÁBRICA DE FIAÇÃO E TECIDOS ORIENTAL» vulgarmente chamada pela «FÁBRICA DAS VARANDAS», situada no início da «RUA DE XABREGAS». Nesta fábrica existia um enorme janelão em ferro e vidraça, que hoje se encontra colocado a servir de portal num Centro Comercial, nos terrenos que foram pertença da «FÁBRICA DAS VARANDAS».
No que diz respeito à «INDUSTRIA DO TABACO» é necessário ter presente não só a duração do seu fabrico na «FÁBRICA DE XABREGAS», como a população operária que mobilizava na sua manipulação, bem como a série de armazéns que foram construídos em terrenos conquistados ao Tejo.
O avanço das obras do «PORTO DE LISBOA», a Oriente, foi a causa da sucessiva alteração desta orla, levando mesmo ao desaparecimento de um numeroso areal que os populares (naquela época), chamavam de «PRAIA DA MARABANA», transformado hoje num cais para contentores.
A dado momento, essas praias contrariaram o desenvolvimento Industrial e houve necessidade de fazê-las desaparecer. Os interesses Industriais e Comerciais vieram uniformizar essa linha da margem fluvial e, por outro lado, conquistar mais terrenos ao TEJO.
Com a «INDUSTRIALIZAÇÃO EM XABREGAS» nada ficou como antes. Foi a época de trocar a paisagem serena e límpida do Rio e das paisagens campestres, pelos toques das sirenes das fábricas misturados com os silvos dos comboios, e das chaminés de tijolo, algumas delas já desaparecidas.
Sinais do tempo, que, por vezes não se compadecem com a perfeita conjugação da natureza e os novos conhecimentos tecnológicos adquiridos pelo homem.
(CONTINUA)-(PRÓXIMO)- «RUA DE XABREGAS [ III ] - A FREGUESIA DO BEATO»



quarta-feira, 24 de março de 2010

RUA DE XABREGAS [ XII ]

Rua de Xabregas - (2005) - Foto de APS (Antiga Fábrica da Samaritana, depois Sociedade Têxtil do Sul, Lda. no Beco dos Toucinheiros) ARQUIVO/APS
Rua de Xabregas - (2004) - Fotógrafo não identificado (Entrada do Beco dos Toucinheiros da Fábrica de Fiação de Xabregas (vulgo) FÁBRICA DA SAMARITANA) in UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA

Rua de Xabregas - (1989) Foto de APS ( A Sociedade Têxtil do Sul, antiga fábrica da Samaritana na sua agonia) ARQUIVO/APS
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(CONTINUAÇÃO)
RUA DE XABREGAS [ XII ]
«FÁBRICA DE FIAÇÃO DE XABREGAS (vulgo) FÁBRICA DA SAMARITANA (2)»
Do ponto de vista empresarial a «FÁBRICA DE FIAÇÃO DE XABREGAS» foi pertença de duas entidades, a Companhia acima referida (entre 1854 e 1936) e a «SOCIEDADE TÊXTIL DO SUL, LIMITADA» de (1934-1951). Durante o período da sua vida, esta Companhia teve diferentes direcções fabris, que marcaram a sua evolução técnica, industrial e social.
Uma mudança qualitativa correspondeu a seguir ao incêndio de 3 de Agosto de 1877, que criou as condições de completa renovação, apetrechando-se com a tecelagem mecânica e nova potência de vapor. Deve datar desta altura a nova casa das máquinas e a nova chaminé da Fábrica que, com a primeira, marca ainda a paisagem daquele local.
Outro pavoroso incêndio, datado de 1948 (a que assistimos), consumiu grande parte do edifício, quando já pertencia à «SOCIEDADE TÊXTIL DO SUL, LDA.». Actualmente persistem vestígios desse acidente, nas fachadas, coberturas e janelas, que não foram objecto de qualquer recuperação.
O ponto alto desta têxtil, atendendo à informação nos Inquéritos Industriais de 1881 e 1890, ocorreu no final do século. Nessa altura, laboravam 531 operários, funcionavam 213 teares, dispondo de uma potência de 120 C/V distribuída pelas duas máquinas. Data deste período a construção de um bairro social para os seus trabalhadores a «VILA FLAMIANO» (inaugurada em Outubro de 1888).
Esta fábrica dispôs de um internato para aprendizes no seu interior, sistema utilizado para suprir a falta de qualificação de mão-de-obra, aspecto laboral criticado pela opinião pública contrária à utilização de crianças como operários (2/3 do total dos trabalhadores).
A cada criança do internato abriu-se uma conta corrente referente ao respectivo salário, sendo-lhe entregue quando acabasse o aprendizado, facto que também levantou alguma celeuma na capital.
Criticava-se ainda o excessivo tempo de trabalho. Todos estes factos e outros que envolveram os pais dos menores e as diversas movimentações grevistas ligadas aos seus trabalhadores, foram matéria aproveitada pelo romancista «ABEL BOTELHO», cujos cenários fabris parecem coincidir com a «FABRICA DO BLACK», por um lado e com a «FABRICA DE FIAÇÃO E TECIDOS ORIENTAL» situada nas proximidades do antigo «CONVENTO DE SÃO FRANCISCO».

Foi integrada na «SOCIEDADE TÊXTIL DO SUL, LDA.», entre 1932 e 1934, mantendo a fiação e a tecelagem juntas, funcionando até à data do último incêndio de 1948. Fornecia então, como outras fábricas daquela sociedade, os «GRANDES ARMAZÉNS DO CHIADO».
O seu espaço foi depois aproveitado para pequenos negócios e firmas. Apesar da degradação destas instalações o monumento industrial teima em continuar, chamando a este sítio «O CEMITÉRIO DAS FÁBRICAS».
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) -«RUA DE XABREGAS [ XIII ] - A FONTE SAMARITANA».


quarta-feira, 7 de abril de 2010

RUA DE XABREGAS [ XVI ]

Rua de Xabregas - (2009) - Foto de Dias dos Reis (Palácio de Xabregas ou dos Marqueses de Olhão restaurado no século XXI) in DIAS DOS REIS
Rua de Xabregas - (1998 ?) - Fotógrafo não identificado (Fachada sobre o pátio com o portal nobre do Palácio dos Marqueses de Olhão) in CAMINHO DO ORIENTE

Rua de Xabregas - (1989) - Foto de APS (Palácio Olhão ou Palácio de Xabregas na Rua de Xabregas) ARQUIVO/APS


Rua de Xabregas - (1989) Foto de APS (Fachada do Palácio Olhão com catorze janelas, na Rua de Xabregas) ARQUIVO/APS
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(CONTINUAÇÃO)
RUA DE XABREGAS [ XVI ]
«PALÁCIO DOS MARQUESES DE OLHÃO ( 2 )»
O herdeiro natural deste Palácio foi o filho mais velho de «TRISTÃO DA CUNHA» de nome «NUNO DA CUNHA», figura de reconhecido merecimento com menos sorte, andou por terras da ÍNDIA, onde, de 1529 a 1539, exerceu o cargo de 10º Governador.
Como o primogénito só tivesse sucessão feminina, a propriedade de XABREGAS, veio a entrar na posse da casa do MONTEIRO-MOR do reino, um ramo da família «MELO».
Assim continuou, até que dela foi herdeiro «JORGE DE MELO», filho do MONTEIRO-MOR «MANUEL DE MELO». Foi outra figura de primeiro plano na nossa história, juntamente com seu irmão, o MONTEIRO-MOR «FRANCISCO DE MELO», brilhante diplomata, foi um dos conspiradores de 1640. É tradição que, nas casas de XABREGAS se reunião os conjurados, o que valoriza a dimensão histórica deste velho Palácio.
Com a morte deste louvado patriota, herdou a casa sua sobrinha «D. FRANCISCA DE MENDONÇA», casada com «SIMÃO DA CUNHA», seu parente, descendente de um dos outros filhos citados de «TRISTÃO DE CUNHA», também «SIMÃO DA CUNHA».
Pela ausência de geração deste casal, a casa passa para «PEDRO CUNHA E MENDONÇA», sobrinho de «SIMÃO DA CUNHA», filho de seu irmão «TRISTÃO DA CUNHA», 1º senhor de «VALDIGEM», que foi governador de ANGOLA.
Veio a aumentar-se a confusão sobre a transmissão da propriedade no momento em que estes «CUNHAS» se fundiram, por casamento, com a casa do «MONTEIRO-MOR».
«FRANCISCO DE MELO DA CUNHA E MENDONÇA E MENESES» viria a herdar, de pai e mãe, esta mansão de XABREGAS.
É «PEDRO DA CUNHA E MENDONÇA», 2º senhor de «VALDIGEM», que irá transformar a casa no Palácio imponente que hoje podemos observar.
Apesar de frequentemente apontado como exemplar típico da arquitectura palaciana do século XVII, a verdade é que a construção, ou melhor, o acrescente, se iniciou já bem entrado o século XVIII.
Sobre estas obras existem em arquivo uma mão-cheia de documentos.
Relatam-nos as suas peripécias, como a acção movida contra «DOMINGOS DA SILVA», mestre pedreiro contratado para as obras nas casas junto a «S. FRANCISCO DE XABREGAS», em 02.10.1717.
Ficamos a saber do objectivo acordado entre o fidalgo e o mestre pedreiro, em contracto assinado em 1715: (...) toda a obra de seu ofício assim a do quarto novo que se há-de fazer, estrebarias, cocheiras e mais obras como no quarto baixo das mesmas casas conforme a planta que tem tirado (...).
Podemos, através de outros documentos concluir, que as obras estavam prontas no ano de 1724. Assim, só então se finalizou o bonito portal que, a olho nu, se diria obra exemplar do gosto seiscentista.
O que hoje se vê no «PALÁCIO DE XABREGAS» é resultado das obras de «PEDRO CUNHA», no século XVIII.
Como é óbvio, diversos foram os restauros, as intervenções, as sobreposições feitas ao longo deste tempo, embora a imagem desta casa esteja muito marcada pelas pinturas murais que a decoram.
Séculos atrás, ainda os seus proprietários podiam desfrutar aprazivelmente e espairecerr a vista sobre o estuário do Tejo, hoje tudo mudou. Mas nada é eterno neste mundo. E bom será que ainda durante e longo tempo possam estas paredes continuar a albergar todo este recheio de relevante significado histórico e artístico, que, além do mais, constitui também um pouco da nossa própria memória colectiva.
(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DE XABREGAS [XVII] - FÁBRICA DE FIAÇÃO E TECIDOS ORIENTAL (Vulgo)-FÁBRICA DAS VARANDAS(1)»




sábado, 4 de julho de 2015

CALÇADA DE D. GASTÃO [ V ]

«A QUINTA LEITE DE SOUSA ( 4 )»
 Calçada de Dom Gastão - (2005) - Foto de APS - (Aspecto da fachada da casa nobre da QUINTA DE LEITE DE SOUSA, onde esteve instalada a antiga "ESCOLA CENTRAL Nº 20" depois "ESCOLA PRIMÁRIA", era frequentada pelos filhos dos operários daquela zona) in  ARQUIVO/APS
 Calçada de Dom Gastão - (2015) Foto gentilmente cedida pelo amigo Ricardo Moreira (As "ESCADINHAS DE DOM GASTÃO" antiga Azinhaga que fazia ligação entre a "CALÇADA DE DOM GASTÃO" e a "ILHA DO GRILO", anterior à abertura da "CALÇADA DO GRILO") in ARQUIVO/APS
 Calçada de Dom Gastão - (1989) Foto de APS - (O final da "CALÇADA DE DOM GASTÃO" visto da "RUA DE XABREGAS". No lado esquerdo nesta época ainda existia na esquina a farmácia Conceição)  in  ARQUIVO/APS
 Calçada de Dom Gastão - (1998) - Foto de António Sacchetti  (Faiança portuguesa sem marca, cerca de 1913, da antiga "ASSISTÊNCIA ESCOLAR DO BEATO E OLIVAIS", que funcionava na Quinta de LEITE SOUSA, era frequentada pelos filhos dos operários da zona Oriental, com naturais carências de vários ordem) in  CAMINHO DO ORIENTE
 Calçada de Dom Gastão - (1966-11) Foto de João H. Goulart  ( As "ESCADINHAS DE DOM GASTÃO" era no passado bastante importante. Foram construindo edifícios no seu limite e ainda com a abertura da "CALÇADA DO GRILO" perdeu o seu significado) in  AML 
Calçada de Dom Gastão - (194_) Foto de Fernando Martinez Pozal  (As "ESCADINHAS DE DOM GASTÃO", que separavam fisicamente as duas QUINTAS, provavelmente muito próximo da Ermida Nª. Senhora do Rosário da Restauração, mandada erguer por D. GASTÃO) (Abre em tamanho grande)  in AML

(CONTINUAÇÃO) - CALÇADA DE DOM GASTÃO [ V ]

«A QUINTA LEITE DE SOUSA ( 4 )»

Sobre a estrutura antiga fez-se correr uma nova fachada nobre palaciana, cujo rigor simétrico de 13 aberturas de sacada não condiz com a anterior estrutura dos suportes do muro, obrigando a que duas dessas janelas sejam cegas por coincidirem com anteriores paredes mestras.
Estas obras terão sido  arrastadas por bastante tempo, dado que o modelo das guardas de ferro dessas sacadas e os azulejos que decoravam a parte acrescentada são já posteriores ao terramoto, com interessantes exemplares entre estes últimos padrões ditos pombalinos.
Não foi possível apurar a data exacta em que por meados do século XIX os CONDES DE TAVAREDE, últimos detentores do vínculo, parcelaram a QUINTA em várias propriedades.

Na parte rural. sobre a "RUA DE XABREGAS", foi erguida uma importante unidade Textil "FÁBRICA DE FIAÇÃO E TECIDOS ORIENTAL" (Vulgo, FÁBRICA DAS VARANDAS), onde hoje se situa um supermercado e um inestético prédio de rendimento.
Quanto ao conjunto da casa e dependências foi transformado em VILA OPERÁRIA de nome "VILA MARIA LUÍSA", com profundas transformações e acrescentos. Num anexo que fechou o antigo pátio superior, funcionou um "CENTRO REPUBLICANO" e no seu corpo principal uma "ESCOLA PRIMÁRIA Nº 20" e outra privada, o "COLÉGIO CAMILO CASTELO BRANCO" no lado esquerdo, que ainda se mantém no edifício.
A antiga "ESCOLA CENTRAL Nº 20" da VILA ZENHA, depois "ESCOLA PRIMÁRIA Nº 20" que funcionou na "QUINTA LEITE DE SOUSA", era frequentado pelos filhos dos operários da ZONA ORIENTAL DE LISBOA, com naturais carências de vária ordem.  Em 1913, foi inaugurada a "ASSISTÊNCIA ESCOLAR DO BEATO E OLIVAIS", inaugurada pelo então PRESIDENTE DA REPÚBLICA "DR. MANUEL DE ARRIAGA". 
Anexa à ESCOLA é construída uma CANTINA para 144 crianças, dispondo ainda de gabinete de assistência médica e instalações sanitárias para banhos quentes e dispensário com roupa, tudo acondicionado em edifício então construído de raiz fechando o antigo pátio poente da casa dos "LEITE DE SOUSA". Este serviço de jantar (ver foto), com múltiplas peças, mantém-se num grande armário possivelmente destinado de origem à sua guarda, ainda hoje perfeitamente conservado pela atenção da actual responsável da escola na antiga cozinha da QUINTA.

AZULEJARIA

O edifício principal corresponde à adaptação de casa nobre a diferentes usos. "FERNÃO LEITE DE SOUSA", na segunda metade do século XVIII ao VISCONDE DE VEIROS - FRANCISCO DE PAULA LEITE DE SOUSA (1747-1833), terá sido o quem encomendou a azulejaria pombalina que encontramos. A irmã do Visconde casou com o BARÃO DE TAVAREDE que vem a herdar a propriedade. 
A  ESCOLA PRIMÁRIA OFICIAL, do tempo das escolas REPUBLICANAS e um COLÉGIO PRIVADO, ocuparam o andar nobre, pelos outros espaços distribuem-se diversas residências. Em ambos os casos a decoração azulejar, constitui um dos aspectos mais importantes e mais claros do que terá sido este conjunto de CASAS NOBRES.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«CALÇADA DE DOM GASTÃO [ VI ]A QUINTA LEITE DE SOUSA ( 5 )».