sábado, 9 de janeiro de 2016

RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ XXIV ]

«A IMPRENSA NACIONAL ( 1 )»
 Rua da Escola Politécnica - ( 1993) Foto de FOTOVOO - ( A "IMPRENSA NACIONAL" no antigo espaço dos "NORONHAS")  in  SÉTIMA COLINA 
 Rua da Escola Politécnica - ( c. de 1913 ) Foto de Joshua Benoliel ( A  Imprensa Nacional em finais dos seus acabamentos  no edifício) ( abre em tamanho grande)  in  AML 
 Rua da Escola Politécnica - (Século XIX) Foto de autor não identificado - ( O "SOLAR DOS NORONHAS" edificado nos séculos XVII e XVIII, tinha a entrada principal principal pela então chamada "TRAVESSA DO POMBAL", hoje "RUA DA IMPRENSA NACIONAL". O novo projecto coloca a entrada principal pela "RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA")  in  A SÉTIMA COLINA
Rua da Escola Politécnica - ( do século XIV) - (As armas dos "NORONHAS" são: Esquartelado; o primeiro e o quarto de prata com cinco escudetes de azul em cruz, cada escudete carregado de cinco besantes do campo, bordadura de vermelho, carregada de sete castelos de ouro e por diferença um filete de negro sobreposto em banda; o segundo e o terceiro com um castelo de ouro, aberto, iluminado e lavrado de azul, mantelado de prata, com dois leões afrontados de púrpura, armados e lampassados de vermelho, bordadura composta de ouro e de veios, de dezoito peças)  in MONTE OLIVETE

(CONTINUA) - RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [ XXIV ]

«A IMPRENSA NACIONAL ( 1 )»

Uma residência fora de portas, cujos primórdios datam do século XVI, numa propriedade à «COTOVIA», tinha além de casa de habitação, pomar, vinha, terras de semeadura e olival, estendendo-se entre a "RUA DA IMPRENSA NACIONAL" (antiga TRAVESSA DO POMBAL)  o "RATO" e ainda para "SÃO BENTO".  Ali foi erguido o "SOLAR" de "ANDRÉ SOARES" que instituiu o "MORGADO", depois de ter sido feitor na FLANDRES.
Nomeado secretário das mercês ( do REI D.JOÃO III), cargo de alta confiança que justificou o facto de o filho "MANUEL", que esteve e se resgatou em ALCÁCER-QUIBIR, ter sido escrivão da fazenda de "D. SEBASTIÃO" e lhe deram, possivelmente, seguimento a toda a sua fortuna, o filho, já chamado, pelo casamento dos pais, "SOARES DE SEQUEIRA", dito «O DA COTOVIA" por renome lisboeta, pôde casar com uma filha de um "D. ANTÓNIO DE ALMEIDA" da casa de AVINTES.
Dos muitos filhos que teve, o primogénito casou com a filha de um  "D. PEDRO COUTINHO", senhor de "ALMOUROL". Nestas terras de sucessivas doações, mas que permitiu ao filho chamar-se «SOARES DE NORONHA COUTINHO», mesmo que por via materna.
A única filha havida, à sua vez casou, em 1735 com "D. RODRIGO ANTÓNIO NORONHA", filho do célebre "MARQUÊS DE MARIALVA" e irmão do "CONDE" consorte dos ARCOS, morto na tourada de SALVATERRA. E de SOARES por varonia "NORONHA", como ficaram a ser conhecidos na "COTOVIA", em cujo solar chegaram a ser servidos, então, por um conjunto de 83 criados. 
"D. RODRIGO" viveu à grande, explorou e gastou a propriedade, dando o seu nome às «TERRAS DE D. RODRIGO» e a uma "RUA DO NORONHA" e "TRAVESSA DO NORONHA", deixando ao morrer em 1774, a viúva "SOARES" com a fazenda «em confusão e deplorável estado», necessitando de Administradores Judiciais. A filha, herdeira final, mas só em 1798, após um intermédio e complicado de descendência, casou com um "MELO" de "DOM" da "CASA DE MURÇA", e pedra de armas. Os "MELOS" terão ainda eventualmente habitado o palácio parcialmente, embora um dos seus descendentes tivesse vendido ao ESTADO em 1816.

"D. RODRIGO DE NORONHA" em 1769 terá já alugado a casa, para a instalação da "REAL OFICINA TIPOGRÁFICA", fundada por POMBAL.
Em 1816 a propriedade já não tinha "terra" à sua volta, e a nova instituição, em 1895 o velho edifício , considerado inadequado para as necessidades de um estabelecimento fabril em contínuo desenvolvimento, foi começado a demolir para dar lugar ao actual. A obra decorreu por fases, ficou concluída em 1913.

Ainda do velho Palácio, melhorado nos finais de Seiscentos e provavelmente no século XVIII, que tinha frente para a "RUA" dita "DO POMBAL", sendo do lado da hoje "RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA" fachada lateral e muros da QUINTA até ao RATO, ainda em princípios de 1700. 

Trata-se de uma planta em "U" de fachada principal de sete vãos, assaz simples, com sua porta de padieira quinhentista com pedra de armas ilegível (nas fotos) e muito certamente posterior; uma maqueta em madeira conservada na "IMPRENSA NACIONAL" informa como era a casa, já com a instalação fabril POMBALINA, com o novo nome recebido em 1820 e outra vez em 1833, à vitória liberal.

Criada por ALVARÁ de 24 de Dezembro de 1769, a "IMPRESSÃO RÉGIA", também chamada "RÉGIA OFICINA TIPOGRÁFICA", só a partir de 1833 passou a ser definitivamente conhecida pela designação de "IMPRENSA NACIONAL". 

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) «RUA DA ESCOLA POLITÉCNICA [XXV] - A IMPRENSA NACIONAL ( 2 )».

3 comentários:

Marco Albuquerque disse...

Caro autor deste blog

Já o sigo a algum tempo e agora que estou a escrever a minha tese, tenho andado atrás da família dos Soares, dos Noronhas e dos Melos de Murça, para assim traçar a história do Palácio Condes de Murça, o de Santos-o-Velho, recentemente reabilitado.

Vejo que salta alguns primogénitos dos Soares e dos Noronha, focando apenas nos que mais importam para a história. Sem dúvida que uma das suas fontes terá sido a obra de Gustavo Matos Sequeira' Depois do Terramoto , a qual eu também ando a seguir.

No entanto, há aqui outras informações que eu desconhecia e que as minhas outras pesquisas não me tinham revelado. Mais concretamente quanto ao comportamento 'esbanjador' de D. Rodrigo de Noronha assim como a Fotografia de autor não identificado da Rua da Escola Politécnica - (Século XIX).

Gostaria então de saber, se assim fosse possível, as suas fontes para estes dados, para que possa vasculhar mais um pouco e reforçar o meu trabalho.

Cumprimentos,

Marco Albuquerque

APS disse...

Caro Marco Albuquerque

Agradeço o seu comentário a este blogue.

No livro "A SÉTIMA COLINA" de José-Augusto França-Liv. Horizonte-1994-Lisboa-Págs. 116, 117 e 118. encontra alguma coisa relacionada. A foto do antigo "Edifício da Imprensa Régia" - antigo Solar dos Soares Noronha, esta foto está indicada neste mesmo livro na pág. 158, como sendo do Arquivo Fotográfico da C.M.L..
Deverá consultar o livro "MONTE OLIVETE , minha aldeia de JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA-Livros Horizonte-2001-LISBOA - encontra qualquer coisa na pág. 69. como "D. Rodrigo viveu à grande, explorou e gastou a propriedade, (...) depois de morrer deixa a viúva com a "fazenda" "em confuso e deplorável estado". Meu comentário: não se pode dizer que este senhor tenha sido um bom administrador dos seus bens.
Espero e desejo que esta informação valha alguma coisa em concreto.
Despeço-me com amizade.
Cumprimentos,
Agostinho Paiva Sobreira-APS

Marco Albuquerque disse...

Caro Agostinho,

Entretanto reparei na parte II deste post e lá encontrei a sua bibliografia. Calculei que a fotografia fosse do arquivo. De resto, não conhecia esses livros que mencionou, embora conheça de nome o autor, pela sua importância no estudo da capital. Meu lapso ainda não ter lido nenhum livro de José-Augusto França!

Obrigado pelas informações tão detalhadas.

Saudações cordiais,

Marco Albuquerque