sábado, 21 de abril de 2018

RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO [ III ]

«O PALÁCIO DOS BARÕES DE QUINTELA ( 3 )»
 Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo- (1813) - Pintura de Domingos Sequeira (Museu Nacional de Arte Antiga)  -  (JOAQUIM PEDRO QUINTELA FARROBO 2.º BARÃO DE QUINTELA e 1.º CONDE DE FARROBO)   in   WIKIPÉDIA
 Rua do Alecrim-QUINTELA-FARROBO - (191-) foto de Joshua Benoliel - Negativo de gelatina e prata em vidro)  -  (O PALÁCIO do BARÃO DE QUINTELA e CONDE de FARROBO na antiga freguesia da ENCARNAÇÃO)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE in    AML
 Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo- (2009) - (Réplica em bronze da estátua a "VERDADE" de ANTÓNIO TEIXEIRA LOPES, com a figura de EÇA DE QUEIROZ, na frente do PALÁCIO QUINTELA)  in    RUAS DE LISBOA 
Rua do Alecrim_Quintela-Farrobo-  (2010)  -  (Traseiras do "PALÁCIO QUINTELA" que deitam para a "RUA ANTÓNIO MARIA CARDOSO", 31 a 35  e  37-37A)  in  CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA


(CONTINUAÇÃO)-RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO [ III ]

«O PALÁCIO DOS BARÕES DE QUINTELA ( 3 )»

«JOAQUIM PEDRO QUINTELA" - 1.º BARÃO DE QUINTELA», foi ainda contratador dos Diamantes e do contrato do azeite de peixe e baleia. As suas actividades estendem-se ainda ao sector industrial, onde deixa o seu nome ligado à Industria de Lanifícios, através da exploração das fábricas de Lanifícios da COVILHÃ e do FUNDÃO. a 17 de Agosto de 1805 é agraciado com o título de BARÃO. Das famílias Capitalistas que marcaram as primeiras décadas do século XIX, a dos QUINTELAS foi sem dúvida a mais polémica e de vida financeira mais atribulada.

As suas actividades políticas financeiras e sociais foram amplamente discutidas e comentadas na época, projectando o seu nome para além da dimensão da fortuna que foram detendo. Foi mais do que qualquer dos seus pares do grande capital um homem que projecta o seu nome na vida social do seu tempo. A sua família, contudo, como todas as outras, com excepção da dos "PINTO BASTOS", constituiu uma fortuna que não conseguiu sobreviver ao desenrolar do século XIX, por se dissipar, deixando frequentemente atrás de si um rasto sumptuário que foi causa do desaparecimento de algumas fortunas.

Finalmente seu filho, também de nome "JOAQUIM PEDRO QUINTELA" - 2.º BARÃO DE QUINTELA e a partir de 1833, 1.º CONDE DE FARROBO, tendo nascido neste edifício, deu ao PALÁCIO maior esplendor de que há memória. "PINHEIRO CHAGAS" chamava-lhe "O CONDE DE MONTE CRISTO da vida real".

Como era usual o primeiro BARÃO mercê dos fabulosos negócios que fazia como proprietário de navios e exclusivo importador e exportador de produtos dos portos da ÁSIA (como o CHÁ em lugar de destaque), arranjou grande fortuna. Seu filho encarregar-se-ia de dissipar a fabulosa fortuna.

O primeiro BARÃO DE QUINTELA adquiriu o terreno fronteiro ao PALÁCIO, com a intenção de o transformar num LARGO e assim aconteceu, circulando pelo LARGO teria melhor acesso com os "COCHES" às suas CAVALARIÇAS, além disso dava uma dinâmica urbanística à RUA DO ALECRIM, e modificava a perspectiva em relação à frontaria do PALÁCIO. Este LARGO  que tem o seu nome, inaugurado por volta de 1788, veio realçar a fachada principal do PALÁCIO, dando-lhe uma dimensão muito maior, aumentando-lhe a sua grandeza. Nas traseiras do PALÁCIO tem uma saída para a RUA ANTÓNIO MARIA CARDOSO (antiga RUA DO TESOURO VELHO) com um extenso muro alto e 3 portas normais com os números 31 a 15, e um portão com moldura representando o número 37.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO[ IV ] O PALÁCIO DOS BARÕES DE QUINTELA ( 4 )».

quarta-feira, 18 de abril de 2018

RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO [ II ]

«O PALÁCIO DOS BARÕES DE QUINTELA ( 2 )»
 Rua do Alecrim - Quintela - Farrobo - (Século XIX) Retrato a óleo sobre tela - ( (Retrato de JOAQUIM PEDRO QUINTELA - 1.º BARÃO DE QUINTELA)    in   WIKIPÉDIA 
 Rua do Alecrim - Quintela - Farrobo - (Século XIX) (Pintura de Domenico Pellegrini  -  (A família do BARÃO de Quintela ) (Colecção Particular)  in   WIKIPÉDIA
Rua do Alecrim - Quintela - Farrobo - (Início de 1910) Foto de Joshua Benoliel)  -  (O Palácio do Barão de Quintela na Rua do Alecrim, 56-72)  (ABRE EM TAMANHO GRANDEin   AML 

(CONTINUAÇÃO)-RUA DO ALECRIM - QUINTELA - FARROBO [ II ]

«O PALÁCIO DOS BARÕES DE QUINTELA ( 2 )»

Em 1726, eram ainda os "VIMIOSOS" os donos das casas. Entretanto aconteceu um enorme incêndio e tudo ficou em ruínas.
Desinteressaram-se então  aqueles fidalgos do local e não quiseram reedificar as casas. Assim, possivelmente por um preço menor, foram o terreno e as ruínas adquiridos por um negociante "ANDRÉ COSTA BARROS". Este, porém, limitou-se a conservar a posse do sítio para a vender depois por bom preço.
E assim entra na história o primeiro "QUINTELA" "LUÍS REBELO QUINTELA" Desembargador de agravos da "CASA DA SUPLICAÇÃO", que mandara edificar o "PALÁCIO QUINTELA" sobre as ruínas das casas destruídas.
Em 1787, já o palácio se encontrava com a configuração actual, podendo mesmo dizer-se, estava erguido.
"LUÍS REBELO QUINTELA" faleceu sem descendência directa, deixou o PALÁCIO a um sobrinho "JOAQUIM PEDRO QUINTELA". Este familiar que seria o "1.º BARÃO DE QUINTELA" nasceu em LISBOA a 20 de Agosto de 1748 e faleceu igualmente  em LISBOA a 1 de Outubro de 1817, filho de "VALÉRIO JOSÉ DUARTE PEREIRA", Cavaleiro e fidalgo da CASA REAL etc., e de sua mulher "DONA ANA JOAQUINA QUINTELA".
"JOAQUIM PEDRO QUINTELA" foi fidalgo da CASA REAL por (alvará de 06.05.1795) do Conselho da RAINHA DONA MARIA I, Conselheiro da Fazenda, Senhor de VILA DE PRÉSTIMO (Comarca de AVEIRO) ALCAIDE-MOR de SORTELHA, Comendador do FORNO DE PALHAVÃ, na ORDEM DE SÃO TIAGO, Cavaleiro professo da ORDEM DE CRISTO.
Foi uma das grandes fortunas do seu tempo, deixando o seu nome intimamente ligado à vida financeira do fim do século XVIII, passagem para o século XIX. Associa o seu estatuto de negociante de grosso trato das praças de LISBOA, com o de abastado proprietário na zona da ESTREMADURA, chegando a constituir MORGADO, por escritura , em 1801, vinculando propriedades avaliadas em mais de 400 contos de réis, quantia para a data elevadíssima e expressiva do poder económico dessa família, que será uma das grandes do mundo financeiro português do século XIX.
Este 1.º BARÃO DE QUINTELA ampliou e enriqueceu muito o PALÁCIO da RUA DO ALECRIM.(Ver mais aqui...).
Como alguns dos grandes capitalistas do seu tempo, tem a sua fortuna ligada a importantes actividades monopolista, de que participa como contratador. Encontra-se o seu nome ligado ao contrato dos TABACOS, que foi fonte de importantes rendimentos financeiros do ESTADO que fez enriquecer, como ele, outros grandes capitalistas  de onde se destacam os "PINTO BASTOS" . 

(CONTINUA)-(PRÓXIMA)«RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO[ III ] O PALÁCIO DOS BARÕES DE QUINTELA ( 3 )»

sábado, 14 de abril de 2018

RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO [ I ]

«O PALÁCIO DOS BARÕES DE QUINTELA ( 1 )
 Rua do Alecrim-Quintela-Farrofo -  (2009) Foto de Dias dos Reis  -  (O "LARGO BARÃO DE QUINTELA" com a estátua a "EÇA DE QUEIROZ" representando "Sobre a nudez da verdade o manto diáfano da fantasia",  com o PALÁCIO QUINTELA em fundo)   in  DIAS DOS REIS
Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo - (1999) Foto de Alberto Peixoto no Jornal "A CAPITAL"   - (Na RUA DO ALECRIM fica o "PALÁCIO" que pertenceu a alguns dos homens mais ricos de Portugal: Quintela e o "Monteiro dos Milhões")      in   HEMEROTECA DIGITAL 
Rua do Alecrim-Quintela-Farrobo - (195-) Foto de Horácio Novais  -  "PALÁCIO BARÃO DE QUINTELA E CONDE DE FARROBO", frente ao Largo Barão de Quintela)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)   in    AML 


(INÍCIO) -RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO  [ I ]

«O PALÁCIO DOS BARÕES DE QUINTELA ( 1 )»

Diz-nos a história que «CRESO» foi o último REI da "LÍDIA", um território da "ASIA MENOR" (antiga ANATÓLIA), que acabou por ser conquistada pelos "PERSAS", 547 anos antes de CRISTO. E conta a tradição que «CRESO», o poderoso soberano era tão fabulosamente rico, que não tinha qualquer noção de quanto possuía ao certo, bastando-lhe meter as mãos em sacos ou em arcas para de lá retirar ouro e preciosidades em grandes quantidades.
Aconteceu que em LISBOA tivemos igualmente um «CRESO», embora não fosse rei, mas chegou a ser "BARÃO" e "CONDE"; chamava-se "JOAQUIM PEDRO QUINTELA", tendo ficado mais conhecido para a posteridade como "2.º BARÃO DE QUINTELA" e "1.º CONDE DE FARROBO" (embora na literatura Portuguesa apareça com o título de "O MILIONÁRIO DE LISBOA"). Ao dar-mos uma ideia do seu poder monetário, adiante-se já, que para não ter a maçada de se deslocar ao "TEATRO DE SÃO CARLOS" (do qual, aliás, tinha sido empresário e praticamente dono), mandou construir um pequeno "TEATRO" em sua casa nas LARANJEIRAS, cujo nome  era conhecido pelo "TEATRO TÁLIA".
Embora quando escrevemos a "RUA DAS FLORES" em 2010 (Ver mais aqui...) tivesse-mos abordado um pouco "O PALÁCIO QUINTELA",  muito ficou por dizer.
Quanto à "RUA DO ALECRIM" (de que já falámos também), RUA onde se situa o "nosso" PALÁCIO essa RUA anteriormente conhecida por "RUA ANTIGA DO CONDE", sendo somente em 1693, que esta via aparecia pela primeira vez com a designação de "RUA DIREITA DO ALECRIM".
Ora em plena "RUA DO ALECRIM", frente ao "LARGO" que usa o nome de "BARÃO DE QUINTELA" e mesmo de caras para a estátua erguida em honra de "EÇA DE QUEIRÓS" (1845-1900) (executada pelo escultor "ANTÓNIO TEIXEIRA LOPES" inaugurada neste local em 1903, removido o original em pedra para o MUSEU DA CIDADE, e colocado no mesmo local uma réplica em bronze, no ano de 2011), existe um bonito Palacete com alguma história.
Os terrenos pertenciam em 1521 à CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA, que os aforou e mais tarde vendidos a "DOM JORGE DE MELO", que neles edificou umas casas.
Foi essa a antepassada mais conhecida do actual "PALÁCIO QUINTELA".
Ao que parece, os primeiros proprietários não se fixaram, e terá existido problemas com a Justiça até que, já no século XVII foi o conjunto parar às mãos dos "CONDES DE VIMIOSO", mais exactamente do "4º CONDE DOM AFONSO DE PORTUGAL" (directo ascendente do VIMIOSO que, bem mais tarde, teria o célebre caso com a SEVERA). A tal ponto o CONDE ficou ligado ao local, que a "RUA" que hoje conhecemos por "ALECRIM" (nome que vem de uma "ERMIDA DE NOSSA SENHORA DO ALECRIM", teve no passado o nome de "RUA DO CONDE".

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO[II]-O PALÁCIO DOS BARÕES DE QUINTELA ( 2 )».

quarta-feira, 11 de abril de 2018

LARGO DA ROSA [ VII ]

«O PALÁCIO DA ROSA ( 2 )»
 Largo da Rosa - (1980) - foto de José Maria Pereira Júnior   -   Interior do pátio do "PALÁCIO DA ROSA" no LARGO DA ROSA  na freguesia de SANTA MARIA MAIOR) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)   in    FLICKR
 Largo da Rosa - (1959) - Foto de Armando Maia Serôdio  - (Portal Nobre do "PALÁCIO DA ROSA" dos MARQUESES DE PONTE DE LIMA ou CASTELO MELHOR)  in   AML
 Largo da Rosa - (1901)  -  ("PALÁCIO DA ROSA" numa manhã de Setembro do dia 9 de Setembro, com o Brasão coberto com um pano negro (possivelmente em sinal de luto). Note que ainda não existia os dois andares superiores) (ABRE EM TAMANHO GRANDEin     AML
 Largo da Rosa - (2014)   -   Fachada  do "PALÁCIO DA ROSA" com seu Brasão, no "LARGO DA ROSA"  in  CIDADANIA LX
Largo da Rosa - (2016)  Foto de Ricardo Filipe Pereira  -   (Portal Nobre do "PALÁCIO DA ROSA" com Brasão esquartelado dos LIMAS, NOGUEIRAS, VASCONCELOS e BRITOS, franqueado por dois leões, numa composição que se prolonga pela janela superior)  (ABRE EM TAMANHO GRANDEin  WIKIPÉDIA 

(CONTINUAÇÃO)-LARGO DA ROSA [ VII ]

«O PALÁCIO DA ROSA ( 2 )»

O edifício sofreu graves danos com o Terramoto de 1755, mas foi depois restaurado, conservando a traça de ressaibo seiscentista. Veio ainda a sofrer grandes obras de beneficiação no princípio do século XX (1904), período durante o qual foram acrescentados dois andares.
O "PALÁCIO DA ROSA" terá permanecido na posse da família, até a sua aquisição pela CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA, na década de 70 do século XX. Neste espaço, funcionaram diversos equipamentos de cariz cultural. O "GABINETE DE ESTUDOS OLISIPONENSES" esteve aqui instalado, tal como a "ACADEMIA DE HISTÓRIA".
Em 1990 o "PALÁCIO DA ROSA" era património Municipal.
Não queremos finalizar sem atentar no "PORTAL NOBRE", que dá acesso a um pátio assimétrico empedrado. O referido PORTAL, de linguagem BARROCA, é rematado por um "Frontão Triangular", a que se sobrepõe uma "cartela rococó", com o BRASÃO esquartelado dos LIMAS, NOGUEIRAS, VASCONCELOS e BRITOS, ou seja dos VISCONDES DE VILA NOVA DE CERVEIRA e MARQUESES DE PONTE LIMA, flanqueiam-no DOIS LEÕES , numa composição que se prolonga pela janela superior. O restante alçado, dividido em dois corpo, não apresenta elementos de nota, à excepção do primeiro exibir um friso a separar os três pisos e, o segundo, mais baixo, acompanhando no declive do terreno. sendo coroado por uma balaustrada.
Os últimos andares remontam à mais recente intervenção de que o imóvel foi alvo, ocorrido entre 1904 e 1906, é dessa campanha também, o revestimento azulejar do pátio interior, pintado e assinado por "PEREIRA CÃO" e executado na "FÁBRICA DA VIÚVA LAMEGO". Vêm-se retratos de "MARTIM MONIZ", dos Navegadores "GONÇALO ZARCO" e "PEDRO ÁLVARES CABRAL", além de cenas evocativas como: "O FEITO DE MARTIM MONIZ" e "A DESCOBERTA DA MADEIRA".
A obra, patrocinada pelo "MARQUES DE CASTELO MELHOR",  pretendia assinalar alguns episódios importantes da história do país e da família, a par da representação de diferentes brasões, alusivos aos seus proprietários, cujo estudo permite perceber as ligações internas desta família. A riqueza do património azulejar do PALÁCIO não se esgota, no entanto, nestes painéis policromos e azuis e brancos do pátio, mas estende-se a todo o imóvel, onde é possível encontrar exemplares de épocas diferenciadas.
No interior, marcado por amplos salões, com comunicação entre si, a decoração adapta-se à função de cada um, destacando-se os estuques pintados do final do século XVIII inícios do XIX, ou o revestimento em "BOISERIE" da antiga Biblioteca. Merece ainda uma palavra à cerca do PALÁCIO, os seus JARDINS, onde se conservam restos da "MURALHA FERNANDINA", e com uma curta digressão, fica ainda explicado o nome da "rua vizinha", que nos leva aos baixos da MOURARIA:  Chama-se "RUA MARQUÊS DE PONTE DE LIMA", nome que vem obviamente, dos donos do palácio e benfeitores da "IGREJA DE SÃO LOURENÇO".
Pela Portaria nº. 740-J/2012, DR, 2.ª série, nº. 248 (suplemento) de 24 de Dezembro de 2012. O PALÁCIO DA ROSA era classificado MONUMENTO DE INTERESSE PÚBLICO.
[ FINAL ].

BIBLIOGRAFIA

- ARAÚJO, Norberto de - Peregrinações em Lisboa -Livro III 1.ª Ed. - LISBOA
- DICIONÁRIO DA HISTÓRIA DE LISBOA . Direcção de FRANCISCO SANTANA e EDUARDO SUCENA - 1994 - LISBOA.
- DICIONÁRIO ILUSTRADO DA HISTÓRIA DE PORTUGAL-Coord. de JOSÉ COSTA PEREIRA - PUBLICAÇÕES ALFA - 1982.
- HISTÓRIA DA LITERATURA PORTUGUESA - A. J. SARAIVA e OSCAR LOPES - 17.ª ED.- PORTO EDITORA 1996 - PORTO.
- HISTÓRIA DOS MOSTEIROS -CONVENTOS E CASAS RELIGIOSAS DE LISBOA - Publicação da CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA - 1972 . LISBOA.
- OS CONVENTOS DE LISBOA - BALTAZAR MATOS CAEIRO - DISTRIEDITORA- 1989.
- PORTUGAL SÉCULO XX - Portugueses Célebres - Cood. de LEONEL DE OLIVEIRA - Circulo de Leitores-RIO DE MOURO - 2003.
- SILVA, A. Vieira da - A CERCA FERNANDINA DE LISBOA - VOL. I-2ª. ED. CML-1987-LISBOA.

INTERNET

- HISTÓRIA DE PORTUGAL
- NEOÉPICA - arqueologia e património
- REVELAR LX
- WIKIPÉDIA

(PRÓXIMO)«RUA DO ALECRIM-QUINTELA-FARROBO[ I ]-O PALÁCIO DOS BARÕES DE QUINTELA ( 1 )».

sábado, 7 de abril de 2018

LARGO DA ROSA [ VI ]

«O PALÁCIO DA ROSA ( 1 )»
 Largo da Rosa - ( 2014 )   -   ( Uma perspectiva  do "LARGO DA ROSA" com o seu conjunto de imóveis)   in  CIDADANIA LX
Largo da Rosa - (2014)  -  (Na parte superior da entrada do "PALÁCIO DA ROSA" encontramos um Portal de linguagem Barroca, e rematado por um frontão triangular a que se sobrepõe uma cartela rococó, com o BRASÃO esquartelado dos LIMAS, NOGUEIRAS, VASCONCELOS e BRITOS, ou seja dos Viscondes de Vila Nova de Cerveira e Marqueses de PONTE DE LIMA. Franqueiam-no dois leões, numa composição que se prolonga pela janela superior)  in  CIDADANIA LX
Largo da Rosa  -  (1980)  -  (Palácio da Rosa pátio interior fachada da ala Sudeste)  in  DIRECÇÃO-GERAL DO PATRIMÓNIO CULTURAL 
Largo da Rosa  -  (1980)  - Foto de José Pereira Júnior  -  (Pormenor do revestimento azulejar do pátio do PALÁCIO DA ROSA, com azulejos do século XIX ao gosto do século XVIII. A imagem representa a Condessa de Castelo Melhor D. Mariana de Lencastre)  in   FLICKR
Largo da Rosa  -  (195-) foto de Eduardo Portugal  -  (Palácio PONTE DE LIMA ou da ROSA frontal Brasonado)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)   in   AML 
Largo da Rosa  -  (Sem Data)   -    (PALÁCIO DA ROSA, porta Brasonada, vendo-se o interior do pátio)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)   in     AML 

(CONTINUAÇÃO)- LARGO DA ROSA [ VI ]

«O PALÁCIO DA ROSA ( 1 )»

O "PALÁCIO DA ROSA" assim como os edifícios que faziam parte do antigo "MOSTEIRO" do mesmo nome, representam hoje, uma singela homenagem em honra dos habitantes deste local, da ENCOSTA DO CASTELO.
Dá importância ao "LARGO" o seu ar de "ROSSIO DE BAIRRO", ponto de encontro entre o antigo "SOCORRO"(hoje MARTIM MONIZ) e "SÃO CRISTÓVÃO", a caminho do CASTELO DE SÃO JORGE.
Assim quem chegue a este patamar da subida feita da MOURARIA para o CASTELO ou ali chegue ido do lado da "RUA DAS FARINHAS", logo deparará com um edifício que chama a sua atenção; majestoso, ligado à "IGREJA DE SÃO LOURENÇO" e ostentando um BRASÃO na fachada, é obviamente o "PALÁCIO DA ROSA".

E é tempo de olhar finalmente, para o casarão que domina o "LARGO DA ROSA": o "PALÁCIO DA ROSA" situado mesmo junto da "IGREJA MATRIZ" da antiga Paróquia de "SÃO LOURENÇO".
De aspecto austero mas não isento de harmonia, o edifício vai desde o TEMPLO até às "ESCADINHAS DA COSTA DO CASTELO". A meio, destaca-se o portal, BARROCO, encimado pelo "brasão" dos VISCONDES DE VILA DE CERVEIRA mais tarde MARQUESES DE PONTE DE LIMA, donos da casa durante séculos.

Mas recuemos um pouco ao início desta cidade. Depois da tomada de LISBOA aos MOUROS em 1147, neste local terá existido a "CASA DO ALCAIDE" que governava a MOURARIA, zona da cidade que albergava a comunidade MOURA, a qual gozava de certa autonomia mas se encontrava nitidamente separada da comunidade Cristã
No ano de 1393 a CÂMARA DE LISBOA, dava autorização a "AFONSO ANES NOGUEIRA" (Cavaleiro e ALCAIDE-MOR), para derrubar uns "pardieiros", fechar as ruas junto à "IGREJA DE SÃO LOURENÇO", para ali construir umas casas, sendo naquele sítio, que mais tarde seria edificado o "PALÁCIO DA ROSA".

O "PALÁCIO DA ROSA" também conhecido pela designação de "PALÁCIO CASTELO  MELHOR". Na verdade, por casamento (02.07.1835) do 4.º MARQUÊS e 8.º CONDE DA CALHETA, "ANTÓNIO DE VASCONCELOS E SOUSA DA CÂMARA CAMINHA E FARO E VEGA"(1816-1858), com "DONA HELENA LUÍSA XAVIER DE LIMA", filha dos segundos MARQUESES DE PONTE DE LIMA, os respectivos herdeiros viram reunidos os bens provenientes das duas origens. Os "CASTELO MELHOR" então, aliás, também ligados ao "PALÁCIO DOS RESTAURADORES", que conhecemos vulgarmente como "PALÁCIO FOZ"(Ver mais aqui...). 
A arte e a beleza foram durante longos anos apanágio e orgulho dos interiores do PALÁCIO. Ali existiam colecções de bronze, faianças, tapeçarias, mobiliário antigo...

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DA ROSA [ VII ]-O PALÁCIO DA ROSA ( 2 )»

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Largo da Rosa [ V ]

«AFONSO LOPES VIEIRA UM ILUSTRE MORADOR DO "LARGO DA ROSA"
 Largo da Rosa -  (2014)  -  ( "LARGO DA ROSA", à esquerda o PALÁCIO DA ROSA e na frente o edifício onde morou "AFONSO LOPES VIEIRA", a "ESCADINHAS DA COSTA DO CASTELO" e o sítio onde existiu o MOSTEIRO DE NOSSA SENHORA DA ROSA, que deu o nome ao PALÁCIO e ao LARGO)   in   WAYMARKING
 Largo da Rosa  -  (2010)   -   (O Busto de AFONSO LOPES VIEIRA junto do LARGO DA ROSA e a casa onde morou na parte de trás. A obra do busto foi executada pelo escultor FRANCISCO FRANCO)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)   in    LETRAS À SOLTA
 Largo da Rosa  -  (1951)  - (Busto de "AFONSO LOPES VIEIRA" (1878-1946) da autoria de Francisco Franco (escultor) inaugurada em 1951 no Largo da Rosa)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)   in   AML 
 Largo da Rosa  (1910) Pintura de Columbano  -   ((O retrato de "AFONSO LOPES VIEIRA" pintado por COLUMBANO BORDALO PINHEIRO)  in   WIKIPÉDIA
 Largo da Rosa  - (Na década de 80 do século XIX)  -  (Foto de AFONSO LOPES VIEIRA quando criança)   in    WIKIPÉDIA
Largo da Rosa  -  (Possivelmente em finais do Século XIX)  -  (Foto de AFONSO LOPES VIEIRA tirada com seu tio-avô "ANTÓNIO XAVIER RODRIGUES CORDEIRO, poeta, escritor, jornalista e político -1819-1896)   in    WIKIPÉDIA


(CONTINUAÇÃO)-LARGO DA ROSA [ V ]

«AFONSO LOPES VIEIRA UM ILUSTRE MORADOR DO "LARGO DA ROSA"»

«AFONSO LOPES VIEIRA» nasceu em LEIRIA a 26.01.1878 e faleceu em LISBOA no dia 25.01.1946 com 67 anos.
Foi sobretudo como poeta que se distinguiu este escritor, de formação e tendência fielmente tradicionalista. Depois de se formar em DIREITO na UNIVERSIDADE DE COIMBRA em 1900, foi redactor da CÂMARA DOS DEPUTADOS da MONARQUIA e ainda durante anos na I REPÚBLICA.
Do delicado escritor leiriense já muitos não lembram os versos.Não era assim quando os mais vividos ( que é uma forma eufemística e simpática de dizer "os mais velhos") andavam na escola e liam poemas que acabavam por decorar; ("o que era dantes o mar? Um quarto escuro / Onde os meninos tinham medo de ir; / Mas hoje o mar é livre e é seguro / E foi um português que o foi abrir"). Este homem não era poeta só nos versos; procurava ter uma vida condizente com essa elevação de sentimentos. Morou no prédio que foi implantado no espaço do desaparecido "MOSTEIRO DE NOSSA SENHORA DA ROSA" ( 1 ) , no "LARGO DA ROSA ficando no lado direito de quem sobe as "ESCADINHAS DA COSTA DO CASTELO". Ali, no rés-do-chão daquela casa do "LARGO DA ROSA", funcionou uma escola infantil, dirigida pela própria mulher de "LOPES VIEIRA". Por outro lado fazia teatrinhos muito a sério em sua casa, neles ocupando muitas crianças do bairro. Ali se representou por exemplo uma peça sobre "SANTO ANTÓNIO", que acabou por ser filmada. O ilustre escritor e poeta e cujo o bom gosto, a par de um sentido equilibradíssimo do passado com o presente, foi distinguido (depois de 1946) no número de paroquianos da ex-freguesia de SÃO LOURENÇO actual "SANTA MARIA MAIOR", com um busto (da autoria do escultor "FRANCISCO FRANCO", tendo sido erguido no "LARGO DA ROSA" mesmo em frente à cada onde habitou.
A Toponímia de LISBOA também o homenageou em 19 de Julho de 1948, dando o seu nome a uma RUA na Freguesia de ALVALADE, ao homem de vasta cultura e de princípios sólidos. Que nós a incluímos em RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS 2ª. SÉRIE [ IV ] de 29.03.2014 (Ver mais aqui...).

Depois de "VIEIRA", a casa pertenceu ao professor "JOÃO CID DOS SANTOS" que lhe fez algumas benfeitorias, respeitando a memória de quanto provinha do original ( 2 ). Essa casa e as outras que lhe são anexas, prolongando-se no sentido das "ESCADINHAS DA COSTA DO CASTELO", formavam o desaparecido "MOSTEIRO DE NOSSA SENHORA DA ROSA".
"AFONSO LOPES VIEIRA" disponde de alguma fortuna por herança, pôde dedicar-se quase em exclusivo à vida literária, de que dera as primícias ainda estudante com o livro de versos "PARA QUÊ ? (1897). Apesar da sua vasta obra em publicações dedicou-se mais à reatualização de valores que considerava mais representativos da «alma Portuguesa» com adaptações em prosa poetizada de "O ROMANCE DE AMADIS" (1923) e "DIANA" de JORGE DE MONTEMOR (1924). Com "A COMPANHIA VICENTINA" (1915), que teve importante eco na restituição de GIL VICENTE ao grande público teatral. Neste edifício no número 7, acolheu durante alguns anos a "Agência noticiosa espanhola EFE".

"AFONSO LOPES VIEIRA" adepto do "Integralismo Lusitano", nem por isso deixou de se manifestar em várias circunstâncias a sua independência de espírito e de atitude, inclusivamente como discordante activo e desassombrado do salazarismo

- ( 1 ) -(Onde existiam as fortíssimas paredes mestras do MOSTEIRO, que devem subsistir nas do rés-do-chão e sobre-loja da casa). 

- ( 2 ) -Sobretudo conservou na cerca fragmentos monumentais do desaparecido cenóbio , principalmente o arco do portal do templo dominante de NOSSA SENHORA DA ROSA. 

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DA ROSA[ VI ] O PALÁCIO DA ROSA ( 1 )».

sábado, 31 de março de 2018

Largo da Rosa [ IV ]

«CONVENTO DE NOSSA SENHORA DA ROSA ( 2 )»
 Largo da Rosa - (2009)  -  (O "LARGO DA ROSA" de poente para Nascente. No lado esquerdo a Igreja, mais à frente o Palácio da Rosa e o edifício onde morou "Afonso Lopes Vieira" e o sítio onde existiu o "CONVENTO DE NOSSA SENHORA DA ROSA")    in   GOOGLE EARTH
 Largo da Rosa  -  (2009)   -  (Panorâmica mais aproximada do "LARGO DA ROSA" onde se pode observar o "PALÁCIO DA ROSA" e a IGREJA DE SÃO LOURENÇO e o sítio onde existiu o "MOSTEIRO DE NOSSA SENHORA DA ROSA")    in   GOOGLE EARTH
Largo da Rosa  - (2014)  -   (Um troço do "LARGO DA ROSA" e o "PALÁCIO DA ROSA" na nossa frente)   in   GOOGLE EARTH

(CONTINUAÇÃO)- LARGO DA ROSA [ IV ]

«CONVENTO DE NOSSA SENHORA DA ROSA ( 2 )»

Estando já o edifício construído para albergar as 13 religiosas, existia a obrigação dos MORGADOS e seus sucessores de, em cada triénio, visitarem a congregação e tomarem conhecimento das suas necessidades.
A 21 de Novembro de 1522 dia em que chegaram a LISBOA as religiosas e se apresentaram no templo para a inauguração, acompanhadas de outras do MOSTEIRO DE AVEIRO (DONA FRANCISCA DE CASTRO, depois Prioresa e Soror BRITES DOS REIS, Soror ANTÓNIA DAS CHAGAS) e de SANTARÉM (Soror ANA DO ESPÍRITO SANTO).

Por morte de "LUÍS BRITO" pretenderam as religiosas a sua "TERÇA", conforme determinado, para elas poderem satisfazer obrigações, nomeadamente terem ajuda para o sustento das RELIGIOSAS. Seu filho, "ESTÊVÃO DE BRITO" fez oposição para nunca se poder retirar nem "TERÇA" nem parte dela, ficando assim o MOSTEIRO sem fazenda alguma.
Por essa altura encontrava-se já recolhida no "CONVENTO" "DONA JOANA DE ATAÍDE" viúva de "LUÍS BRITO", estando como Prioresa DONA BRANCA. O MOSTEIRO estava em grande risco de ruína, ameaçado pelos sucessivos tremores de terra que no tempo continuavam a preocupar LISBOA do século XVII. Desprendimentos de terras e de rochas da encosta do Castelo, iam lentamente "sufocando" o edifício Conventual.
Sabe-se que os abalos sísmicos foram prejudicando a estrutura do MOSTEIRO. Chegou ele a ser reconstruído e ampliado no Século XVII, mas não teve grande sorte: em breve sobrevinha o TERRAMOTO  de 1755, que destruiu grande parte do MOSTEIRO e causou a morte a quatro pessoas.
Voltou a esboçar-se uma nova reparação, mas nada voltou a ser como antes. Assim, ainda no século XVIII, recolheram as DOMINICANAS ao CONVENTO DE SANTA JOANA (na actual RUA DE SANTA MARTA, onde estiveram depois, alguns serviços da PSP (ver mais aqui...).

Tinha o MOSTEIRO trinta e três freiras de véu preto, doze servidoras, com uma renda de 500 CRUZADOS quando o edifício sofreu um grande incêndio, por um descuido que se manifestou na sacristia, danificando-o, corria o ano de 1670, obrigando à construção de um pequeno Templo para a continuação dos ofícios divinos. 

Em 1824 já os terrenos andavam aforados, e o edifício do "CONVENTO DE NOSSA SENHORA DA ROSA" (que dera possivelmente o nome ao sítio), acabou por desaparecer. Dele creio não restar vestígios nem estampas elucidativas.

A típica "VILA DO CASTELO" (Conjunto de moradias privadas ao alto das ESCADINHAS) era ainda no século XIX, uma «horta e cerca das freiras».
Ainda uma última nota: a imagem do orago (NOSSA SENHORA DA ROSA) foi salva e está no MUSEU NACIONAL DE ARTE ANTIGA. De resto, são tudo reminiscências. Das DOMINICANAS só a tradição ficou no sítio.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DA ROSA [ V ]-AFONSO LOPES VIEIRA UM MORADOR ILUSTRE DO "LARGO DA ROSA"».