sábado, 17 de novembro de 2018

RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS (5.ª SÉRIE) [ XIII ]

«RUA EÇA DE QUEIROZ" ( 1 )
 Rua Eça de Queiroz - ( 2018)  (A "RUA EÇA DE QUEIROZ" vista da "AVENIDA DUQUE DE LOULÉ")    in   GOOGLE EARTH
 Rua Eça de Queiroz  - (2015) Foto de Sérgio Dias  - Planta da zona onde se insere a "RUA EÇA DE QUEIROZ"    in    TOPONÍMIA DE LISBOA
 Rua Eça de Queiroz  -  (1903)  -  (Foto de "JOSÉ MARIA EÇA DE QUEIROZ" quando tinha 58 anos. publicado na "ILUSTRAÇÃO PORTUGUESA" de 1903)  in  TOPONÍMIA DE LISBOA
 Rua Eça de Queiroz  -  (1980) - (Primeira homenagem de LISBOA feita a "EÇA DE QUEIROZ". Monumento erigido no "LARGO BARÃO DE QUINTELA" com frente para a "RUA DO ALECRIM" e na traseira do Monumento "passa" a "RUA DAS FLORES")   In   "LIVRO TRAGÉDIA DA RUA DAS FLORES"-WOOK
Rua Eça de Queiroz - ( 1940-1959) Foto de António Passaporte  -  "A estátua da "VERDADE" ainda em pedra lioz, inaugurada em 1903. Em 2001 foi feita uma réplica de bronze, inaugurada em 26.07.2001. Esta estátua concebida de acordo com os modelos do Romantismo, inspira-se na frase "SOBRE A NUDEZ FORTE DA VERDADE, O MANTO DIÁFANO DA FANTASIA" inspirada na obra de "EÇA DE QUEIROZ" "A RELÍQUIA")      in    AML 

(CONTINUAÇÃO) - RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS ( 5.ª SÉRIE) [ XIII ]

«RUA EÇA DE QUEIROZ ( 1 )»

A "RUA EÇA DE QUEIROZ" pertencia à antiga freguesia de "CORAÇÃO DE JESUS", hoje pela REFORMA ADMINISTRATIVA DE LISBOA DE 2012, passou a pertencer à freguesia de «SANTO ANTÓNIO».  Começa na "AVENIDA DUQUE DE LOULÉ", 112 e acaba na "RUA ACTOR TASSO".
LISBOA prestou a sua primeira homenagem de rua ao escritor que melhor descreveu os episódios da sua vida burguesa, através do "MONUMENTO" que em sua honra, foi erigido no "LARGO BARÃO DE QUINTELA" a "VERDADE", obra do escultor "ANTÓNIO TEIXEIRA LOPES",  inaugurada a 8 de Novembro de 1903. (Ver mais aqui...).
Treza anos depois da morte do autor do "PRIMO BASÍLIO", reconhece-se, porém, que seria difícil escolher uma "rua" que tivesse a ver directamente com o escritor, já que este, no tempo em que permaneceu em LISBOA, ficou especialmente ligado a locais que já tinham nome consagrado. "EÇA" está conotado com o "ROSSIO", o "CHIADO", o "ATERRO" (actual "AVENIDA 24 DE JULHO"), o "BAIRRO ALTO", o "CAMPO DE SANTANA", ao "PATRIARCAL" e "ARROIOS"... Tudo zonas da cidade em que o nome do artista não estaria talvez melhor nem pior do que naquela, que tem pelo menos  a proximidade  "MEDIEVAL DO ANDALUZ" ou a vizinhança de alguns seus contemporâneos, como o "DUQUE DE LOULÉ, FONTES PEREIRA DE MELO ou CAMILO CASTELO BRANCO.
E pelo EDITAL de 16 de Maio de 1013, na então "Paróquia Civil de Camões" do "BAIRRO CAMÕES", (por ocasião das comemorações do Tricentenário do poeta CAMÕES), que começaram a ser edificados em 1880, foi-lhe consagrado a "RUA EÇA DE QUEIROZ", que liga a "RUA ACTOR TASSO" à "AVENIDA DUQUE DE LOULÉ".

"JOSÉ MARIA EÇA DE QUEIROZ" nasceu na "PÓVOA DO VARZIM" em 25 de Novembro de 1845 e faleceu em PARIS no dia 16 de Agosto de 1900. Filho de "JOSÉ MARIA DE ALMEIDA TEIXEIRA DE QUEIROZ  e de "CAROLINA AUGUSTA PEREIRA DE EÇA"  "EÇA DE QUEIROZ" foi entregue ao nascer, aos cuidados da madrinha e ama, "ANA LEAL DE BARROSO", em "VILA DO CONDE", e mais tarde aos avós paternos, em AVEIRO. Aos dez anos foi como interno para o "COLÉGIO DA LAPA", no PORTO, onde teve como professor de francês "RAMALHO ORTIGÃO", mais velho nove anos que ele, e com quem mais tarde partilhava a escrita das "FARPAS".
Em 1861 entrou na UNIVERSIDADE DE COIMBRA, de onde saiu em 1866 forma do em DIREITO. Nos tempos da Faculdade leu muito e conheceu "ANTERO DE QUENTAL" e "TEÓFILO BRAGA". Em 1867 teve uma passagem pela direcção de um jornal da oposição, o "DISTRITO DE ÉVORA", onde desenvolveu a capacidade de  despersonalização (escrevendo com quatro nomes diferentes).
De regresso a LISBOA retomou a colaboração. iniciada em 1866, na "GAZETA DE PORTUGAL", onde com os seus folhetins, deu entrada no Mundo Literário.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS (5.ª SÉRIE) [ XIV ]-RUA EÇA DE QUEIROZ ( 2 )».

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS (5.ª SÉRIE) [ XII ]

«RUA DR. ANTÓNIO GRANJO»
 Rua Dr. António Granjo  - (2018)   -  (A "RUA DR. ANTÓNIO GRANJO" dividida por duas freguesias de LISBOA, vendo-se no lado esquerdo da foto, a placa Tipo II assinalando o arruamento)  in  GOOGLE EARTH

 Rua Dr. António Granjo -  (2018)   -  (Panorâmica de parte das freguesias de SÃO DOMINGOS DE BENFICA e CAMPOLIDE, onde se insere a "RUA DR. ANTÓNIO GRANJO)  in  GOOGLE EARTH

 Rua Dr. António Granjo  -  (2018)   - (Vista mais aproximada da "RUA DR. ANTÓNIO GRANJO" perto do "I. P. O" de LISBOA e foto virada a SUL)   in   GOOGLE EARTH

Rua Dr. António Granjo  -  (2014)  Foto de José Carlos Baptista  -  (Um troço da "RUA DR. ANTÓNIO GRANJO" nas freguesias de "SÃO DOMINGOS DE BENFICA" e "CAMPOLIDE") in  TOPONÍMIA DE LISBOA 

Rua Dr. António Granjo  -  (2014) Foto de José Carlos Baptista  -  ("PLACA TIPO II" assinalando a "RUA DR. ANTÓNIO GRANJO" , na parte SUL)  in  TOPONÍMIA DE LISBOA

(CONTINUAÇÃO)-RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS (5.ª SÉRIE) [ XII ]

«RUA DR. ANTÓNIO GRANJO»

A "RUA DR. ANTÓNIO GRANJO" pertence a duas freguesias. À freguesia de "SÃO DOMINGOS DE BENFICA" e "CAMPOLIDE".  Começa na "RUA PROFESSOR LIMA BASTOS", 125-B e termina na "AVENIDA COLUMBANO BORDALO PINHEIRO", 94-C, sendo atravessada pela "RUA DR. ANTÓNIO MARTINS" (Um MESTRE de esgrima portuguesa de então).

A "COMISSÃO ADMINISTRATIVA DA C.M.L"., na sua sessão de 25 de Fevereiro de 1932, tinha deliberado, que o arruamento constante do projecto aprovado em sessão de 15 de Maio de 1930, situado entra a "ESTRADA DE BENFICA", "RUA MARQUÊS DE FRONTEIRA" e a "ESTRADA DE CAMPOLIDE", fosse dada uma denominação. Assim pelo EDITAL MUNICIPAL de 12 de Março de 1932, foi atribuída com o título abreviado de "DOUTOR" "DR", à "RUA-F" designada por "RUA DR. ANTÓNIO GRANJO", este político que também andou pelos JORNAIS.

O Jornalismo de mãos dadas com a política constituem práticas de muitos anos. Se dúvida houvesse, a nossa série de gente que trabalhou em JORNAIS, com nome nas "RUAS DE LISBOA", que temos vindo a recordar, bastaria para as desfazer.
Hoje não é bem assim, existe uma nítida tendência para as separarem. Senão vejamos; a deontologia exige, por exemplo, que o JORNALISTA profissional que se decida por qualquer cargo politico, devolva a sua carteira profissional. Noutros tempos, a mistura seria mais densa. O certo é que se perpetua este "NAMORO" entre dois mundos, que passam a vida em amuos e queixas reciprocas como se fosse apenas de ódio os laços que os unem. 

"ANTÓNIO JOAQUIM GRANJO" natural de CHAVES nasceu em 27 de Dezembro de 1881, tendo falecido em LISBOA a 20 de Outubro de 1921, (assassinado). Licenciado em DIREITO pela Universidade de COIMBRA, era REPUBLICANO desde a mocidade. Fez parte da "ASSEMBLEIA CONSTITUINTE" de 1911 e não deixou mais de ser deputado. No ano 1919 entre Fevereiro a Julho, foi PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE CHAVES e, insurgiu-se contra a MONARQUIA DO NORTE, na tentativa de instauração de um regime monárquico. Foi eleito pelo partido REPUBLICANO EVOLUCIONISTA para a CÂMARA DOS DEPUTADOS. Com naturalidade, ascendeu a MINISTRO, não tendo contudo chegado a dar mostras das suas qualidades, tão rápido foram os MINISTÉRIOS por onde passou. Quando foi assassinado, era nessa altura CHEFE DO GOVERNO.
Conhecida por "NOITE SANGRENTA" foi o cruel assassinato de "ANTÓNIO GRANJO" na noite de 19 para 20 de Outubro de 1921.
Na sequência da revolução de cariz radical, levou-o a pedir a demissão do cargo de "PRESIDENTE DO MINISTÉRIO" que então desempenhava.
Os seus biólogos apontam-no como homem de saber, notável pela honestidade e simplicidade. Desta última qualidade dá  mostras um dito que lhe é atribuído:  ao que parece, o seu tormento maior era ter de envergar traje de cerimónia quando a política lhe exigia: assim, ao provar uma vez uma casaca, "ANTÓNIO GRANJO" exigiu ao alfaiate: "faça-me isso o mais parecido possível com um jaquetão!.
"ANTÓNIO GRANJO" foi essencialmente político e episodicamente "JORNALISTA". Ficou conhecido pela sua passagem pela Direcção do Jornal "REPÚBLICA", diário fundado por "ANTÓNIO JOSÉ DE ALMEIDA".

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS ( 5.ª SÉRIE) [ XIII ]-RUA EÇA DE QUEIROZ ( 1 )».

sábado, 10 de novembro de 2018

RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS (5.ª SÉRIE) [ XI ]

«RUA CORONEL LUNA OLIVEIRA»

 Rua Coronel Luna de Oliveira  - (2014)  ( Um troço da "RUA CORONEL LUNA DE OLIVEIRA" na Freguesia da "PENHA DE FRANÇA"   in   GOOGLE EARTH

Rua Coronel Luna de Oliveira  -  (2014 ) Foto de Sérgio Dias  -   (A "RUA CORONEL LUNA DE OLIVEIRA", próximo da nova "ESCOLA ANTÓNIO ARROIO")  IN  TOPONÍMIA DE LISBOA
Rua Coronel Luna de Oliveira - ( 1970 )  -   (Placa Tipo II indicando a "RUA CORONEL LUNA DE OLIVEIRA" situada na freguesia da "PENHA DE FRANÇA")  in  TOPONÍMIA DE LISBOA

Rua Coronel Luna de Oliveira -  (2018)  - (Panorâmica da "RUA CORONEL LUNA DE OLIVEIRA" na freguesia da "PENHA DE FRANÇA" antiga freguesia de "SÃO JOÃO"  in  GOOGLE EARTH

(CONTINUAÇÃO) - RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS (5.ª SÉRIE) [ XI ]

«RUA CORONEL LUNA DE OLIVEIRA»

A "RUA CORONEL LUNA DE OLIVEIRA" pertencia à freguesia de "SÃO JOÃO". Pela REFORMA ADMINISTRATIVA DE LISBOA DE LISBOA EM 2012, passou a pertencer à freguesia da "PENHA DE FRANÇA"
No dia 31 de Março de 1970, um EDITAL CAMARÁRIO mandava dar novo nome a uma RUA da (antiga freguesia  SÃO JOÃO) no local onde existiam arruamentos determinados pelas letras "A" e "C", (perto da "RUA BARÃO SABROSA e da "RUA SABINO DE SOUSA"), passando a consagrar a "RUA CORONEL LUNA DE OLIVEIRA".  Tem o seu início na RUA CORONEL FERREIRA DO AMARAL", 17-A e termina por arco na "RUA SABINO DE SOUSA". Existe no seu lado esquerdo a convergência da "RUA ÁLVARO DE SANTA RITA VAZ".
O homenageado era, por certo, mais conhecido como oficial do Exército e como Escritor, do que como Jornalista. Mas a verdade é que foi Redactor do Jornal "O SÉCULO", existindo também colaboração sua no "DIÁRIO DE NOTÍCIAS, e na revista humorística " A SÁTIRA". 
«HUMBERTO DE LUNA DA COSTA FREIRE E OLIVEIRA» nasceu em LISBOA no dia 19 de Maio de 1888 e faleceu, também em LISBOA a 28 de NOVEMBRO de 1952.

Propagandista republicano, veio a desenvolver no Norte do país nos anos de 1910 e 1911, veio depois a ser partidário de "SIDÓNIO PAIS" e, mais tarde, a abraçar por inteiro os princípios da REVOLUÇÃO DE 28 DE MAIO DE 1926, sendo portanto, por inteiro, um defensor entusiasta do ESTADO.

Novo, na CARREIRA MILITAR, veio a assentar praça em 1906, chegou ao posto de Coronel em 1946, tendo comandado nomeadamente o REGIMENTO lisboeta de "CAVALARIA Nº. 7" a partir do ano de 1941.
Nas letras, estreou-se com um livro de "SONETOS" em 1915, com prefácio de "GOMES LEAL". 
Dedicou-se depois ao estudos de figuras históricas como o "INFANTE SANTO" ou "VIRIATO". Escreveu ainda para Teatro, vendo algumas das suas peças representadas no "TEATRO NACIONAL DONA MARIA II" em 1923, em 1925 subia ao palco do "TEATRO DA TRINDADE" a comédia dramática "INTRUSA".

Da sua obra se salientam "POEMETOS" (1918), "HORAS INQUIETAS" (1934), "RATO DE HOTEL", "PRIMA INGLESA", "MORENINHA" e "AMOR DE PAJEM".

Nos jornais, foi sobretudo um homem de "O SÉCULO", talvez porque tanto "LUNA DE OLIVEIRA" como o "jornal" tinham começos republicanos.

Na ACTA N.º 03 de 17 de Maio de 1969 da "COMISSÃO CONSULTIVA MUNICIPAL DE TOPONÍMIA", página 304, diz-nos: "Carta de "DEOLINDA LUNA DE OLIVEIRA" sugerindo o nome de seu marido, "CORONEL LUNA DE OLIVEIRA". para denominar um arruamento de LISBOA. A COMISSÃO foi de perecer que deverá aguardar oportunidade".  Certo é que, um ano depois, (1970) tinha o seu nome numa RUA DE LISBOA.

(CONTINUAÇÃO)-(PRÓXIMO)«RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS (5.ª SÉRIE)-RUA DR. ANTÓNIO GRANJO» 

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS (5.ª SÉRIE) [ X ]

«RUA CARLOS JOSÉ BARREIROS»
 Rua Carlos José Barreiros - (2016)  Foto de Sérgio Dias   -  (Um troço da "RUA CARLOS JOSÉ BARREIROS", antiga "ESTRADA DAS AMOREIRAS" e antes chamada de "ESTRADA DA CHARNECA")     in  TOPONÍMIA DE LISBOA
 Rua Carlos José Barreiros  (Finais do século XIX)   -  (Foto de CARLOS JOSÉ BARREIROS, num dia de gala da sua Corporação de Bombeiros)   in   TOPONÍMIA DE LISBOA
 Rua Carlos José Barreiros - (1939) Foto de Eduardo Portugal  -  (O Chafariz de ARROIOS, transferido para esta rua em 1884 e demolido no ano de 1935.  Sendo a data da sua construção de 1624)   in    AML 
 Rua Carlos José Barreiros  - (1964-10)  Foto de Arnaldo Madureira   - (Edifício onde funcionava a "ASSOCIAÇÃO DE SOCORROS MÚTUOS , CARLOS JOSÉ BARREIROS" dos Bombeiros Municipais de Lisboa)   in    AML 
Rua Carlos José Barreiros - (2016)  Autor Sérgio Dias   -  (Antiga "ESTRADA DAS AMOREIRAS" hoje Rua Carlos José Barreiros.  Nesta RUA existiu "O VELHO CHAFARIZ DE ARROIOS", retirado em 1935)    in    TOPONÍMIA DE LISBOA


(CONTINUAÇÃO) - RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS [ X ]

«RUA CARLOS JOSÉ BARREIROS»

Um EDITAL MUNICIPAL de 26 de Setembro de 1916 mandou que um troço da antiga "ESTRADA DAS AMOREIRAS" no sítio de ARROIOS, passasse a chamar-se "RUA CARLOS JOSÉ BARREIROS", na antiga freguesia de SÃO JORGE DE ARROIOS. hoje com a REFORMA ADMINISTRATIVA DE LISBOA DE 2012, passou a chamar-se freguesia de "ARROIOS" (integrando as freguesias de ANJOS, PENA e SÃO JORGE DE ARROIOS). Tem início na "RUA DE ARROIOS", 273 e finaliza no "LARGO DO LEÃO". É-lhe convergente no lado direito a "TRAVESSA DAS AMOREIRAS a ARROIOS".
Desde a segunda década da "PRIMEIRA REPÚBLICA" que esta RUA tem o nome deste jornalista, que se notabilizou mais pelos serviços humanitários prestados à comunidade de bombeiro.
São muito escassos os dados sobre a vida desta personalidade, sabe-se que viveu no século XIX tendo eventualmente falecido em 1901.
Estava em plena pujança de produção em meados dessa centúria. Notabilizou-se, contudo, de tal forma que foi feito Cavaleiro da "ORDEM DA TORRE E ESPADA".

O "CHAFARIZ DE ARROIOS" foi transferido para esta RUA em 1848, a sua demolição teve lugar no ano de 1935 (Ver mais aqui...).

No ano de 1880 "CARLOS BARREIROS" fundou o "MONTEPIO DE S. CARLOS", que no ano seguinte aprovou os seus Estatutos, nos quais estabelecia a atribuição de  "subsídios, pensões, enterros para os seus associados".

Tendo a "CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA" criado a sua "COMPANHIA DE BOMBEIROS" em 1834, conhecida como "COMPANHIA DO CALDO E DO NABO", nesse mesmo ano estabeleceu uma tabela codificada dos toques a rebate.
Em 1851 publicava novo REGULAMENTO DE SERVIÇOS DE INCÊNDIO e antes de 1868 "CARLOS BARREIROS" foi nomeado para "INSPECTOR DE INCÊNDIOS". resolução publicada em 1867, revolucionando o sistema de organização e os meios dos serviços na luta contra o fogo na cidade de LISBOA.

No que aos jornais diz respeito, foi notória a sua colaboração no "ARQUIVO UNIVERSAL" e em 1864 tinha sido fundado por "JOSÉ BARBOSA" o "JORNAL DE LISBOA" que, pouco depois, cedeu a Sociedade a "CARLOS JOSÉ BARREIROS", acabando por ser seu DIRECTOR e Proprietário.
Escreveu ainda várias obras, "O INCÊNDIO DA TRAVESSA DA PALHA": memórias dedicadas à Exma. C.M.L. (1887), embora a mais conhecida e propagada das quais dizia respeito à sua actividade preferida.
Chamou-se "ITINERÁRIO PARA OS SOCORROS DOS INCÊNDIOS EM LISBOA" e foi aprovado pela Câmara de LISBOA em 1866.
Nos outros livros revelou-se um escritor multifacetado, tratando de temas tão diferentes como a "aplicação do sistema métrico no Comércio" ou as "lições de MORAL". O seu nome foi ainda atribuído a uma "REAL ASSOCIAÇÃO DE SOCORROS MÚTUOS" à qual podiam pertencer os elementos do CORPO DE BOMBEIROS MUNICIPAIS DE LISBOA.
Os "BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DA AJUDA", fundados em 1881, deram ao  seu quartel na "PRAÇA DA ALEGRIA", o nome de "CARLOS JOSÉ BARREIROS". 


(CONTINUAÇÃO)-(PRÓXIMO)«RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS(5.ª SÉRIE)[ XI ]-RUA CORONEL LUNA DE OLIVEIRA»

sábado, 3 de novembro de 2018

RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS (5.ª SÉRIE) [ IX ]

«RUA CAMILO CASTELO BRANCO ( 3 )»
 Rua Camilo Castelo Branco - (Postado em 13.06.2015 Juliana Venâncio  -   (O livro "AMOR DE PERDIÇÃO" escrito por CAMILO CASTELO BRANCO  no ano de 1862)  in  JU E SEUS LIVROS 
 Rua Camilo Castelo Branco - (Planta de Sérgio Dias)  -  (A Planta da "RUA CAMILO CASTELO BRANCO" na Freguesia de "SANTO ANTÓNIO")  in  TOPONÍMIA DE LISBOA
Rua Camilo Castelo Branco -  (Post.  1950) Foto de Claudino Madeira  -  (Estátua de "CAMILO CASTELO BRANCO" na esquina da AVENIDA DUQUE DE LOULÉ e a "RUA CAMILO CASTELO BRANCO". A obra foi executada por António Duarte entre 1947 e 1949 e inaugurada no dia 25 de Outubro de 1950)   in    AML 


(CONTINUAÇÃO)-RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS (5.ª SÉRIE) [ IX ]

«RUA CAMILO CASTELO BRANCO ( 3 )»

Aliás, quando "CAMILO", em 1848 se fixou no PORTO, o objectivo era o de se dedicar totalmente à imprensa.
Mesmo sem entrar em pormenores e dados mais amplos, anote-se que "CAMILO" esteve ligada, como REDACTOR e às vezes como "principal responsável", pelo menos às seguintes publicações: "PORTO E CARTA""O CRISTIANISMO", "A CRUZ", "O BICO DO GÁS" (Tratou-se de um número único), "GAZETA LITERÁRIA DO PORTO" - todos portuenses -, "O MUNDO ELEGANTE" e "REPÚBLICA" (ambos de LISBOA) e "O  ATENEU", de COIMBRA.

Logo em 1847 (aos vinte e dois anos de idade), teve o escritor uma colaboração activa no jornal " O NACIONAL". Com o "bento feitio" que DEUS lhe deu, teceu ali críticas a um GOVERNADOR CIVIL. Tais e tantas que o funcionário (que também não era fresco) o mandou espancar em plena RUA.  Recorde-se ainda que começou "CAMILO" os seus voos de ROMANCISTA num folhetim publicado em 1848 no "ECO POPULAR".

Podemos mesmo dizer que foi um escritor que abraçou não só o ROMANTISMO. como também o ULTRA-ROMANTISMO, o REALISMO e o NATURALISMO, e desde o seu primeiro livro "ANÁTEMA" (1851) são de destacar "A FILHA DO ARCEDIAGO" (1854), "DOZE CASAMENTOS FELIZES" (1861), "AMOR DE PERDIÇÃO", "MEMÓRIAS DO CÁRCERE", "CORAÇÃO, CABEÇA  E ESTÔMAGO" (todos de 1862), "AMOR DE SALVAÇÃO" (1864), "A ENJEITADA" (1866), "A DOIDA DO CANDAL" (1867), "O RETRATO DE RICARDINA" (1868), "NOVELAS DO MINHO" (1875-1877). "EUSÉBIO MACÁRIO" (1879), "A CORJA" (1880), "A BRASILEIRA DE PRAZINS" (1882) e outros de que já tinha falado no episódio anterior, dou como exemplo; "MISTÉRIOS DE LISBOA" em três volumes etc..
Só para um apontamento podemos afirmar que «CAMILO» na sua escrita usou diversos  "pseudónimos" cuja escolha dependia do seu estado de espírito. Os mais curiosos: "ANACLETO DOS COENTROS", "ANASTÁCIO DAS LOMBRIGAS", "O ANTIGO JUIZ DAS ALMAS DE CAMPANHÃ", "FOUCHÉ", "JOÃO JÚNIOR", "JOSÉ MENDES ENXÚDIO", MANUEL COCO",  "NINGUÉM", "DONA ROSÁLIA DOS COGUMELOS", "SARAGOÇANO" e "VISCONDE DE QUALQUER COISA" entre outros.

No ano de 1858, por proposta de "ALEXANDRE HERCULANO" é eleito para a "ACADEMIA DAS CIÊNCIAS" e em 18 de Junho de 1855 foi agraciado por "DOM LUÍS I" com o título de 1.º VISCONDE DE CORREIA BOTELHO, para além de ter recebido a COMENDA CARLOS III, de ESPANHA.

JORNAIS, artigos de crítica e polémica não foram pois estranhos ao Romancista, ainda que seja hoje recordado, essencial e justamente como escritor, um dos maiores da nossa língua.

(CONTINUAÇÃO)-(PRÓXIMO)«RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS(5.ª SÉRIE) [ X ]-RUA CARLOS JOSÉ BARREIROS».

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS (5.ª SÉRIE) [ VIII ]

«RUA CAMILO CASTELO BRANCO ( 2 )»
 Rua Camilo Castelo Branco ( 1850 ) Foto de autor não identificado  -  (Retrato de CAMILO CASTELO BRANCO quando tinha 25 anos de idade)   in    WIKIPÉDIA
 Rua Camilo Castelo Branco (1888) - Foto de autor não identificado  -  (Capa da  revista "A COMÉDIA PORTUGUESA" com a foto de CAMILO )  in  TOPONÍMIA DE LISBOA
Rua Camilo Castelo Branco - (195_) foto de Judah Benoliel  -  (A "RUA CAMILO CASTELO BRANCO", troço entre a "AVENIDA DUQUE DE LOULÉ" e a "AVENIDA FONTES PEREIRA DE MELO") (ABRE EM TAMANHO GRANDE)   in    AML 


(CONTINUAÇÃO) - RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS (5.ª SÉRIE) [ VIII ]

«RUA CAMILO CASTELO BRANCO ( 2 )»


A verdade é que CAMILO CASTELO BRANCO nunca perdeu os contactos com LISBOA. São de facto, relativamente muito frequentes as suas deslocações à CAPITAL.
"CAMILO FERREIRA BOTELHO CASTELO BRANCO" nasceu em LISBOA no dia 16 de Março de 1825 e faleceu a 1 de Junho de 1890 em SÃO MIGUEL DE SEIDE - CONCELHO DE FAMALICÃO.  Romancista muito produtivo, tanto mais que foi o primeiro escritor português a viver exclusivamente daquilo que escrevia, um paradigma da cultura portuguesa do século XIX.
"CAMILO" foi Cronista, Dramaturgo, Ensaísta, Poeta, JORNALISTA e Tradutor, somando mais de trezentos títulos editados.
"CAMILO" quando permanecia em Lisboa hospedava-se em sítios diversos, como no conhecido "HOTEL UNIVERSAL", que ficava onde hoje se encontra a "memória" dos "ARMAZÉNS DO CHIADO". Conhecia razoavelmente o ambiente das letras lisboetas, mantinha correspondência com alguns letrados aqui residentes. Estava atento para o bem e para o mal. Não dispensou, por exemplo, de lançar algumas "ferroadas" ao "GRÉMIO LITERÁRIO", que terá passado por uma fase menos feliz e menos condizente com a sua vocação. Escreveu assim: "A instituição  do "GRÉMIO LITERÁRIO" poderia cuidar de letras (...). Como a nossas gente é pouco coroável de palavreado e as línguas inspiradas ganhassem saburro nos lides Parlamentares, as letras fugiram de lá...".

Em 1860, chegou a morar, um tempo episodicamente é certo, em LISBOA, mais exactamente na "RUA DE SÃO JULIÃO", numa casa que partilhou com o seu amigo "VIEIRA DE CASTRO". E em 1874, quando já habitava há muito em SEIDE com "ANA PLÁCIDO", chegou "CAMILO" a pensar fixar-se em LISBOA. Teve assim em vistas uma casa na "RUA DE SÃO JOÃO DA MATA" ( a SANTOS). Um seu amigo, (o primeiro e único) VISCONDE DE OUGUELA, "CARLOS RAMIRO COUTINHO" que lhe escreveu, a dar conta de como a casa em questão era grande e cómoda. Dada a quantidade e qualidade dos aposentos que possuía , a renda pedida (300 mil réis por ano) nem era cara, advogava o VISCONDE.
Mesmo na obra, revelou "CAMILO" algum conhecimento da cidade de LISBOA. Dedicou-lhe, por exemplo os três volumes dos "MISTÉRIOS DE LISBOA", seguidos do "LIVRO NEGRO DO PADRE DINIS", ainda que este imaginário herói fosse personagem internacional. E em "A QUEDA DE UM ANJO" há como que uma antecipação da "sátira verrinosa" que "EÇA DE QUEIROZ" viria a fazer de alguns aspectos da vida lisboeta.

Dos JORNAIS que colaborou não cabe aqui uma biografia, mínima que fosse. Continuando no propósito de focar os homens e mulheres cujos nomes figuram nas "RUAS DE LISBOA" e tiveram intimamente ligados a jornais, revistas, interessa pois falar dessa faceta CAMILIANA. E, na verdade, o homem que pensou ser médico, jurista e padre - mesmo depois de já ter sido pai e ter tido um primeiro casamento aos 15 anos de idade - foi também JORNALISTA.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS(5.ª SÉRIE) [ IX ] - RUA CAMILO CASTELO BRANCO ( 3 )».

sábado, 27 de outubro de 2018

RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS (5.ª SÉRIE) [ VII ]

«RUA CAMILO CASTELO BRANCO ( 1 )»
 Rua Camilo Castelo Branco - (2016) Foto de Sérgio Dias   -  (Um troço da Rua Camilo Castelo Branco na freguesia de SANTO ANTÓNIO)   in   TOPONÍMIA DE LISBOA
 Rua Camilo Castelo Branco - (1950)  Foto de Kurt Pinto   -  (A "RUA CAMILO CASTELO BRANCO" esquina com a "AVENIDA DUQUE DE LOULÉ")  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in    AML
Rua Camilo Castelo Branco -  (1950)  Foto de Judah Benoliel  -  ("AVENIDA DUQUE DE LOULÉ à esquerda a Estátua no pequeno JARDIM  da "RUA CAMILO CASTELO BRANCO")  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)   in    AML 


(CONTINUAÇÃO)-RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS (5.ª SÉRIE) [ VII ]

«RUA CAMILO CASTELO BRANCO ( 1 )»

É curioso lembrar que LISBOA prestou bem cedo a este  "seu filho" a homenagem de uma RUA com o seu nome. Na verdade, "CAMILO" suicidou-se em  1 de JUNHO e logo em 24 de Julho seguinte "uma deliberação Camarária",  por força da abertura da "AVENIDA DA LIBERDADE", a um arruamento que liga a "RUA ALEXANDRE HERCULANO" à então "RUA FONTES" (a partir de 1902) "AVENIDA FONTES PEREIRA DE MELO" rodeada a "ESTE" pelo então "BAIRRO CAMÕES" e a SUESTE pelo "BAIRRO DE SANTA MARTA".
A "RUA CAMILO CASTELO BRANCO" pertencia à antiga freguesia do "CORAÇÃO DE JESUS" que pela REFORMA ADMINISTRATIVA DE LISBOA DE 2012, passou a pertencer à freguesia de "SANTO ANTÓNIO".  A "RUA CAMILO CASTELO BRANCO" começa na "RUA ALEXANDRE HERCULANO",4 e finda na "AVENIDA FONTES PEREIRA DE MELO",4 é atravessada pela "AVENIDA DUQUE DE LOULÉ" e no cruzamento com esta AVENIDA a "RUA CAMILO CASTELO BRANCO", no seu  lado esquerdo, existe um JARDIM com o mesmo nome, ostentando uma estátua e base de pedra lioz com 3 metros de altura. A obra foi executada pelo escultor ANTÓNIO DUARTE, entre 1947 e 1949, tendo sido inaugurada em 25 de Outubro de 1950.

Alguns biólogos de «CAMILO CASTELO BRANCO» costumam apontar como acaso familiar o nascimento do escritor em LISBOA. (O que aconteceu em 16 de Março de 1825). Para a demonstração da tese, servem-se dos antecedentes do romancista: PAI natural de VILA REAL, MÃE nascida em SESIMBRA, toda a família paterna fixada no NORTE DO PAÍS, com maior incidência em TRÁS-OS-MONTES. Nenhumas raízes nesta cidade de LISBOA.
Mas o próprio escritor, ao longo da sua vida, mostrou nítida referência pelos ares nortenhos.  Em VILARINHO DA SAMARDÃ (Concelho de VILA REAL) teve os primeiros amores e o primeiro casamento (sem que necessariamente amadas e esposa coincidissem...). No PORTO cursou MEDICINA, frequentou o seminário e veio a encontrar aquela que foi a grande paixão da sua vida ( ou, mais do que isso, a sua obsessão), a fatal "ANA PLÁCIDO". A maior parte da sua obra localizada entre o DOURO e MINHO. Acabou por fixar-se e pôr termo à vida em "SÃO MIGUEL DE SEIDE", Concelho de VILA NOVA DE FAMALICÃO. Nada, portanto, a objectar: CAMILO foi um lisboeta que preferiu o NORTE.
Não serão. no entanto tão frágeis como parecem os laços que prenderam o autor da "A QUEDA DUM ANJO" à sua terra NATAL. Até à morte de seu pai (o que ocorreu quando CAMILO tinha dez anos, depois de ter perdido aos dois), cá viveu e aprendeu as primeiras letras.  Frequentou nomeadamente um colégio que existiu na então "RUA DOS CALAFATES" (hoje RUA DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS) ali no BAIRRO ALTO DE LISBOA, sendo o seu professor "JOSÉ INÁCIO LUÍS MINAS JÚNIOR, que era casado com uma TIA do escritor GERVÁSIO LOBATO e de quem há notícias de ter morado naquela RUA até 1833.
Por outro lado, a falta de raízes lisboetas não significa ausência total:  um AVÔ PATERNO do escritor, o DR. DOMINGOS JOSÉ CORREIA BOTELHO. conhecido pela típica alcunha de "DR. BROCAS", viveu na "RUA DAS MERCÊS",  à AJUDA. ainda no século XVIII numa casa térrea que pertencia a um cozinheiro do vizinho palácio, segundo nos conta o mestre "LUÍS PASTOR DE MACEDO".

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