quarta-feira, 29 de Outubro de 2014

TERREIRO DO PAÇO [ XV ]

A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I ( 2 )
 Terreiro do Paço - (2011) Foto gentilmente cedida por ONDINA CASTELAR ( A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I, obra do Mestre MACHADO DE CASTRO)  in  ONDINA CASTELAR 
 Terreiro do Paço - (2003) Foto de Dias dos Reis ( A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I na PRAÇA DO COMÉRCIO, ao entardecer)  in  DIAS DOS REIS
 Terreiro do Paço - (2014) -21.06.2014-Foto gentilmente cedida pela amiga ONDINA CASTELAR (Vista da ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I, captada do Miradouro do ARCO TRIUNFAL DA RUA AUGUSTA) in  ONDINA CASTELAR
Terreiro do Paço - (2005) Foto de Osvaldo Gago  (Estátua Equestre de D. José I, a primeira estátua do género feita em Portugal)  in  WIKIPÉDIA


(CONTINUAÇÃO)-TERREIRO DO PAÇO [ XV ]

A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I ( 2 )»

A alegoria correspondente à face do pedestal, virada ao RIO, representa o retrato de POMBAL, posteriormente apeado e substituído pelas ARMAS DA CIDADE, quando o Ministro caiu em desgraça (reinado de D. Maria I) e novamente colocado pelos liberais, em 1834.
A Estátua Equestre foi inaugurada com uma cerimónia afectivamente presidida por POMBAL e apenas espreitada pelo REI desde uma janela próxima. Ao escultor não será permitido entrar no recinto da cerimónia, ao contrário do fundidor, o tenente BARTOLOMEU DA COSTA, de um modo muito ignorante considerado, em relação ao monumento, com uma paternidade acrescida face ao escultor.
A recompensa do fundidor será igualmente superior, enfim, um conjunto de peripécias que concorrem par fazer de  MACHADO DE  CASTRO uma personagem algo atormentada para o resto da sua vida, conforme se depreende da sua literatura que, por vezes, roça a confidencialidade.
Mas esta estátua equestre, de difícil gestão, irrompe por entre a monotonia concentracionária do urbanismo da BAIXA como um monumento de singular qualidade, beneficiando ainda de uma localização ímpar face ao RIO TEJO, embora sujeita à crua luz lisboeta.
Retrata um REI ( D. JOSÉ I  vigésimo quinto REI de PORTUGAL, filho de D. JOÃO V que, subiu ao trono em 1750 por morte de seu pai), que vicissitudes várias fizeram "déspota" (1) e «iluminado», numa PRAÇA DO COMÉRCIO  (actividade que o voluntarismo de POMBAL seria o motor primeiro da sociedade), enquadrada por prédios iguais e por um ARCO DO TRIUNFO (mais tarde concluído). Cumpre-se neste percurso icónico a sua vocação ideológica principal onde a afirmação persuasiva não se faz sem alguma ambiguidade. A falta de demonstração programática e, sabemos à "posteriori", a falência do modelo propagandeado, são compensados pelo rigor artístico da obra executada. O programa arquitectónico das novas igrejas da BAIXA, obedecendo a princípios de simplicidade exterior, (com excepção da sua frontaria), constitui uma oportunidade perdida quanto ao incremento de uma vasta campanha de escultura.
São por isso, escassas as peças escultóricas aí encontradas, circunstância agravada por alguma falta de exigência quanto à concepção e elaboração.
A estátua Equestre de D. JOSÉ I em LISBOA inscreve-se, bem entendido, na tradição francesa, definida entre "HENRIQUE IV" e "LUÍS XIV", que foi seguida em toda a EUROPA no século XVIII.  A estátua de D. JOSÉ I, sendo «a última pedra» de LISBOA pombalina e, além disso, o símbolo de PORTUGAL POMBALINO.

Dizia MACHADO DE CASTRO que só teve oito dias para estudar o cavalo, do qual deixou muitos desenhos no seu álbum. A posição «piafé»( 2 ) foi escolhida: o cavalo, fogoso e retido, tem um aspecto tenso, e nisso as suas linhas ganham uma qualidade nervosa. O animal esculpido defende-se, no entanto, é demasiado pequeno para o cavaleiro e a sua cabeça grande demais. O REI, coberto com uma armadura leve e com o manto ao vento, tem certa dignidade. A rainha, a primeira vez que viu a escultura, na oficina do artista, achou-a horrível, mas isso era devido a um efeito de luz, se acreditarmos nas justificações do escultor, aflito com uma tal crítica. De resto, o infeliz artista nunca fora admitido à presença do REI para retocar a imagem, que por maus retratos fizera. No entanto, o elmo emplumado que domina a cabeça de D. JOSÉ I, pelo contrário, é bem modelado.

( 1 ) - DÉSPOTA - (do Gr. "despótes", dono de casa, senhor) 2.gen. pessoa que governa com autoridade absoluta e arbitrária; ditador, dominador, opressor, tirano e usurpador.

( 2 ) - PIAFÉ - s.m. (do fr. "piaffé"). Movimento que o cavalo faz, batendo com as mãos e os pés no chão, mas sem avançar.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«TERREIRO DO PAÇO [ XVI ] - A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I ( 3 )».

sábado, 25 de Outubro de 2014

TERREIRO DO PAÇO [ XIV ]

A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I ( 1 )
 Terreiro do Paço - (2011) Foto de Manuelinho Daire (A estátua de D. José I na PRAÇA DO COMÉRCIO, antes da intervenção de obras. Esta estátua foi inaugurada em 1775, ainda a Praça estava inacabada) in MANUELINHO DE ÉVORA
 Terreiro do Paço - (1902) (Tabacaria Costa) - (A PRAÇA DO COMÉRCIO no início do século vinte. O Arco do Triunfo desta Praça, ficou finalmente concluído no ano de 1861)  in  A CAPITAL
 Terreiro do Paço - (Anos trinta do século vinte) (Cliché de N. Ribeiro) (A Estátua Equestre de D. JOSÉ I, levantado a meio da mais vasta Praça de Lisboa, e uma das mais belas da Europa, ela é bem o padrão de glória de Lisboa reedificada, que foi um "milagre" do esforço Pombalino) in ENCICLOPÉDIA PELA IMAGEM - LELLO E IRMÃO
Terreiro do Paço - (1774) (Gravura de Joaquim Carneiro da Silva) (Gravura representando a ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I, tal como foi construída. Na face anterior do pedestal além das armas reais, um medalhão com o busto do MARQUÊS DE POMBAL)  in MURAL DAS PETAS

(CONTINUAÇÃO) - TERREIRO DO PAÇO [ XIV ]

«A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I ( 1 )»

O Terramoto de 1755, ao arrasar grande parte do centro histórico de LISBOA, motivou um novo plano urbanístico, desenvolvido a partir da ideia básica de uma grande PRAÇA Régia aberta ao TEJO. Para o centro da PRAÇA DO COMÉRCIO, designação nova que substituía a de TERREIRO DO PAÇO, projectou-se desde o início uma estátua equestre representando o monarca reinante, D. JOSÉ I.
O sítio da estátua consta do plano de EUGÉNIO DOS SANTOS (1711-1760) e será deste engenheiro-Arquitecto o primeiro desenho para a obra (c. 1759), inspirado em modelos de PERRAUL e LE BRUN. É entretanto colocada a primeira pedra, assinalando o local definitivo. Um projecto do pintor VIEIRA LUSITANO, datado de 1756, é rejeitado, e somente em 1770, através de um concurso, é seleccionado o escultor JOAQUIM MACHADO DE CASTRO (1731-1822) para executar a estátua. 

MACHADO DE CASTRO formara-se em MAFRA, com ALEXANDRE GIUSTI, e será ao longo da sua vida um permanente defensor da dignidade do escultor e da escultura face à incompreensão de uma sociedade deficitária em cultura artística.
Através das obras que esculpiu e, sobretudo, por meio dos textos teóricos que foi produzindo. MACHADO DE CASTRO assume um papel decisivo na cultura portuguesa da sua época, revelando-se um intransigente defensor do método e da estética do classicismo. A estátua equestre é a sua primeira obra de responsabilidade, embora se veja coagido   a executar um projecto alheio, exactamente aquele que EUGÉNIO DOS SANTOS delineara.
Estabelece-se então uma guerra surda e uma disputa pelo comando hierárquico do trabalho entre arquitecto e o escultor. As permissas  culturais da ditadura pombalina beneficiavam o primeiro. 
As críticas de MACHADO DE CASTRO e as alterações propostas só parcialmente são atendidas. Da proposta inicial consegue eliminar um LEÃO que o cavalo pisava, substituindo-o pelas serpentes; intervêm na correcta definição dos grupos laterais, o TRIUNFO com o cavalo, a FAMA com o elefante alusivo ao IMPÉRIO; consegue alterar algo à definição das pregas dos panejamentos.  Mas a sua ortodoxia estética não vinga, pois não consegue impor a sua ideia de vestir o rei à romana e de coroá-lo de louros.
Trabalhando sobre prazos curtos, MACHADO DE CASTRO enceta então uma verdadeira auto pedagogia, pois o escultor confessa que à partida tudo ignorava sobre estátuas equestres. É-lhe disponibilizado um cavalo para estudo e desenho mas não consegue que o REI pose; socorre-se de abundante bibliografia estrangeira que devora e cita. Seguindo um correcto fraseamento metodológico fará sucessivos estudos em cera, barro e estuque, modo de ir controlando a obra. Mas não consegue testá-la completamente pois não tem possibilidades de a colocar num espaço amplo e de avaliar os efeitos luminosos da luz natural. Apertado num atelier algo deprimente, o autor joga toda a sua pessoal participação criativa em sábias criações de "ICONOLOGIA" de CÉSAR RIPPA, fonte literária que usa abundantemente para os relevos do pedestal.
Estes relevos, não previstos no projecto inicial, dão a MACHADO DE CASTRO a satisfação de produzir obra própria, desde a concepção à execução, fazem-no sentir um verdadeiro artista e não um mero artífice, mão-de-obra apenas, como quando executava a figura do REI a cavalo, um projecto alheio.
Para a retaguarda do pedestal MACHADO DE CASTRO imagina uma cena em que a cidade inerte sai dos escombros, auxiliada pelo AMOR da virtude e pela generosidade RÉGIA, amparadas financeiramente pela providência humana e pela Arquitectura.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«TERREIRO DO PAÇO [ XV ]-A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I ( 2 )»

quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

TERREIRO DO PAÇO [ XIII ]

A RENOVADA PRAÇA DO COMÉRCIO
 Terreiro do Paço - (2013) (Vista tirada do Miradouro do Arco da RUA AUGUSTA, para a "nova" "PRAÇA DO COMÉRCIO") (Foto gentilmente cedida pela amiga Ondina Castelar)  in ONDINA CASTELAR
 Terreiro do Paço - (2012) - Foto de autor não identificado (A "PRAÇA DO COMÉRCIO" depois das últimas obras de requalificação do piso central)  in  REPSOL
 Terreiro do Paço - (2012) - Foto de autor não identificado ( A "NOVA" PRAÇA DO COMÉRCIO depois da regularização do seu piso)  in  PASSEIOS (cá dentro)
Terreiro do Paço - (2012) Foto de Jebulom  ( A "Nova" "PRAÇA DO COMÉRCIO" já na fase final das sua obras) ( Abre em Tamanho grande)  in  WIKIPÉDIA


(CONTINUAÇÃO)- TERREIRO DO PAÇO [ XIII ]

«A RENOVADA PRAÇA DO COMÉRCIO»

O projecto do pavimento provisório da PRAÇA DO COMÉRCIO esteve a cargo dos arquitectos "JOSÉ ADRIÃO" e "PEDRO PACHECO", estando em utilização intensa, durante onze anos.
Supostamente o pavimento provisório devia servir a cidade até 2001, sendo que nessa altura começariam as obras do pavimento definitivo. Contudo o desenvolvimento do projecto coincidiu com o desenrolar das obras do TÚNEL DO METROPOLITANO, obra que sofreu significativas contrariedades, sendo a mais significativa o colapso parcial, seguido de alagamento do troço do Túnel da PRAÇA DO COMÉRCIO.
Esta situação alterou para a dificuldade e um maior conhecimento da geologia precária destes terrenos, tendo sido realizadas sondagens e consultas, a numerosos técnicos com vista a realizar obras que permitissem a recuperação do Túnel do Metro. Recordamos que o referido Túnel apenas entrou em serviço no mês de Dezembro de 2007, tendo a obra sido iniciada em 1995.
Ao mesmo tempo verificou-se que o "TORREÃO POENTE" da PRAÇA DO COMÉRCIO necessitava de obras de consolidação dos terrenos, pois o assentamento que vinha sofrendo desde a sua construção, representava já, cerca de 1,2 m., começava a por em risco a sua estabilidade estrutural.
Existindo mudanças na C.M.L. entre Janeiro de 2002 a Outubro de 2005, tendo ficado definida a presidência do Engº CARMONA RODRIGUES, que devido a este período de forte rotatividade na Edilidade, o projecto da PRAÇA DO COMÉRCIO esteve parado, não se lhe conhecendo desenvolvimentos significativos.
Finalmente em Agosto de 2007 a C.M.L. passa a ser presidida pelo DR. ANTÓNIO COSTA, sendo nessa altura constituída a "SOCIEDADE FRENTE TEJO" que passa a desenvolver o trabalho necessário à reabilitação de parte da BAIXA POMBALINA, nomeadamente a PRAÇA DO COMÉRCIO.
A Sociedade cedo abandona os projectos existentes, abandonando a ideia do TÚNEL RODOVIÁRIO e do PARQUE DE ESTACIONAMENTO SUBTERRÂNEO, e avançando com o projecto de infra-estruturas subterrâneas da PRAÇA DO COMÉRCIO, canalizando as águas residuais e pluviais para a estação de tratamento. Em simultâneo contratam o Arquitecto BRUNO SOARES para a realização do projecto de pavimentação da PRAÇA DO COMÉRCIO. Este projecto adopta muita das atitudes programáticas propostas pelo projecto dos Arquitectos JOSÉ ADRIANO e PEDRO PACHECO, nomeadamente a ocupação das arcadas laterais da PRAÇA como zona turística e de estar, mas não respeita o contínuo descendente entre a BAIXA POMBALINA e o CAIS DAS COLUNAS.
Assim, a eficiência construtiva, um espaço construído para três anos de uso, acaba por sobreviver sem mazelas ao longo de onze, mantendo a sua qualidade poética do sítio de contemplação sobre o TEJO e a CIDADE ao mesmo tempo que sobre este pavimento aconteciam numerosas actividades públicas, é o facto notável que atesta sem margem de dúvidas a qualidade das suas propostas.[Extracto do artigo para a disciplina de História da Arquitectura e da Construção - Curso de Doutoramento em Arquitectura - Docente: Professora Doutora Madalena Cunha Matos - FAUTL, LISBOA - Março de 2011]. 

A PRAÇA DO COMÉRCIO ao longo da sua existência registou uma evolução que passou pela "adaptação do conceito" de PRAÇA REAL e, actualmente o que eventualmente se pretende é adaptar esta PRAÇA e aproveitar as suas potencialidades arquitectónicas para dar outra vocação ao espaço.
Dizia o CORREIO DA MANHÃ em Outubro de 2010, que LISBOA terá uma NOVA PRAÇA DO COMÉRCIO". O projecto de requalificação urbanística da PRAÇA DO COMÉRCIO com as alterações introduzidas pelo autor, o Arqº. BRUNO SOARES, na sequência do debate público. Assim, as obras de requalificação do Arqº B.S. pretende transformar a P.C. numa Praça de espectáculos com uma rede de infra-estrutura que permita realizar eventos e festas.
FRANCISCO HIPÓLITO RAPOSO integrou a equipa que seleccionou a nova cor para a PRAÇA DO COMÉRCIO, e  por se aproximar "à cor do Sol poente", foi escolhida quase por unanimidade,  a COR Nº 4, sendo a que possui laivos de ouro ao entardecer e em dias soalheiros. Chegou-se também à conclusão que a cor original da PRAÇA "andava" entre o amarelo e o ocre, numa das suas variantes mais antigas.
A PRAÇA DO COMÉRCIO foi devolvida aos alfacinhas e turistas que condignamente nos visitam, no ano de 2012, depois de umas prolongadas obras de requalificação.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«TERREIRO DO PAÇO [ XIV ]-A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I( 1)»

sábado, 18 de Outubro de 2014

TERREIRO DO PAÇO [ XII ]

PRAÇA DO COMÉRCIO ( 6 )
 Terreiro do Paço - (Início do século XX) (A "PRAÇA DO COMÉRCIO" vista por "Bargelli" em que diz, tratar-se de uma espécie de claustro a que faltasse a quarta parede. "Piero Bargelli", historiador de arte florentina-1897-1980) in  BAIXA POMBALINA
 Terreiro do Paço - (Primeiro quartel do Século XX) (A "PRAÇA DO COMÉRCIO" já com as suas árvores desenvolvidas. Dizem, que as árvores foram cortadas da Praça, porque tapavam a vista das Arcadas) in  A CAPITAL
 Terreiro do Paço - (Segundo quartel do século XX) ( Vista aérea da "PRAÇA DO COMÉRCIO" já com a "Estação de Sul e Sueste" no local de hoje, tendo sido inaugurada a 28 de Maio de 1932) In  LISBOA POMBALINA E O ILUMINISMO
 Terreiro do Paço - (Anterior a 1938 ) (Nesta altura a "PRAÇA DO COMÉRCIO" ainda não tinha ligação com o CAIS DO SODRÉ, pela (AVENIDA RIBEIRA DAS NAUS). Só foi possível, depois de ser desactivado o "ARSENAL DA MARINHA DE LISBOA" em 1938)  in  PROSIMETRON
Terreiro do Paço - (1900) (A"PRAÇA DO COMERCIO" num postal de lembranças de LISBOA. Uma colecção promovida pelo Jornal "A CAPITAL")  in  A CAPITAL


(CONTINUAÇÃO)- TERREIRO DO PAÇO [ XII ]

«A PRAÇA DO COMÉRCIO" ( 6 )»

A última arcada, finalmente, em frente e perpendicular à do café, a que vai correndo ao longo da face Oriental da PRAÇA, tem horas do dia em que parece positivamente o inferno, com o despacho e saída de mercadorias da Alfandega.
Teríamos muito a dizer desta PRAÇA, comparado com o que foi em tempos recuados, hoje a PRAÇA DO COMÉRCIO, um dos símbolos marcantes de LISBOA.
Antigamente esteve ali a morada régia, e portanto acumulava-se nesse grande centro nervoso a actividade do alto viver elegante da Capital.
Os "CENTROS COMERCIAS", laboriosos e elegantes, mudaram de poiso; as Secretarias do ESTADO nem são comerciais, nem elegantes... nem operosas (Dizia Castilho).
A "PRAÇA DO COMÉRCIO" é considerada a sala de visitas de LISBOA. Mede cerca de 4 hectares e tem 86 arcos.
Mas nem sempre foi como nós a conhecemos. Aquilo que hoje é chão firme, há muitos séculos, era uma praia com areia e lodo. O RIO inundava as RUAS da cidade com muita frequência. Existia cais onde ancoravam os barcos.
Era assim, em 1147, quando as tropas de D. AFONSO HENRIQUES tomaram LISBOA aos MOUROS.
Na época dos DESCOBRIMENTOS, ali chegavam os carregamentos de especiarias e outros produtos provenientes das rotas da epopeia marítima. A  PRAÇA foi tendo cada vez mais importância comercial.
A PRAÇA DO COMÉRCIO foi espaço para feiras e mercados, no tempo da INQUISIÇÃO em PORTUGAL serviu para autos-da-fé, palco de Paradas Militares, sala de entradas de algumas individualidades, recinto de: Aclamações, manifestações, comícios, exposições, recinto taurino, e até já foi parque de estacionamento de carros.

O Miradouro do "ARCO DA RUA AUGUSTA" abriu ao público no dia 9 de Agosto de 2013, com um espectáculo de multimédia, projectado no próprio arco, denominado "ARCO DE LUZ", da autoria de NUNO MAYA e CAROLE PORNELLE.
O TERRAÇO DO ARCO pode ser visitado diariamente. O ARCO da RUA AUGUSTA, situado na entrada e fazendo passagem para a PRAÇA DO COMÉRCIO, o ARCO esteve recentemente sobre obras que originaram a construção de um elevador, cuja entrada se localiza na RUA AUGUSTA, que nos leva ao topo do MONUMENTO e onde se encontra um miradouro a partir do qual é possível ter uma vista desimpedida sobre alguns dos mais emblemáticos Monumentos de LISBOA, desde a própria PRAÇA DO COMÉRCIO, à SÉ CATEDRAL, à BAIXA POMBALINA, ao CASTELO DE SÃO JORGE e, inevitavelmente ao RIO TEJO.
A chegada ao Miradouro passa pela SALA DO RELÓGIO, que dá para a RUA AUGUSTA, podemos ver uma exposição que conta a história do ARCO a da sua construção.

CURIOSIDADES
O TORREÃO Poente da PRAÇA DO COMÉRCIO, será o novo núcleo MUSEOLÓGICO do ex-MUSEU DA CIDADE que passou a chamar-se: MUSEU DE LISBOA.
A denominação de PRAÇA DO COMÉRCIO foi atribuída pelo 1º Decreto de Toponímia de D. JOSÉ I, em 5 de Novembro de 1760 e, foi uma homenagem aos comerciantes de LISBOA que, voluntariamente cederam 4% sobre os direitos Alfandegários de todas as mercadorias, para a reconstrução da cidade de LISBOA

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«TERREIRO DO PAÇO [ III ]-A RENOVADA PRAÇA DO COMÉRCIO» 

quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

TERREIRO DO PAÇO [ XI ]

A PRAÇA DO COMÉRCIO ( 5 )
 Terreiro do Paço - (Anos 50 do século XX) (Edições Gótica-Porto) (Vista aérea da "PRAÇA DO COMÉRCIO" quando ela ainda era um parque de estacionamento de carros-Postal Ilustrado Impresso em Trieste-Itália)  in  ARQUIVO/APS
 Terreiro do Paço - (1756) (Projecto de Eugénio dos Santos)  (A "Baixa Pombalina" planta antes do Terramoto de 1755 e o projecto dos novos arruamentos)  in  HISTÓRIA DA ARTE -USZA
 Terreiro do Paço - (ant. a 1939) Autor não identificado (A PRAÇA DO COMÉRCIO, aspecto do Cais das Colunas, onde sobressaem as colunas anteriores às que aí foram colocadas aquando da segunda viagem do Presidente Carmona ao Ultramar) in ARQUIVO MUNICIPAL DE LISBOA-CML-AML
 Terreiro do Paço - (1907) Foto de Joshua Benoliel (A chegada de individualidades Japonesas ao Cais das Colunas na PRAÇA DO COMÉRCIO) in  ARQUIVO MUNICIPAL DE LISBOA-CML-AML
Terreiro do Paço - (Finais do século XIX) (A PRAÇA DO COMÉRCIO, à nossa direita podemos ver que a Estação Sul e Sueste ainda não estava construída no local que hoje conhecemos, a antiga encontrava-se frente ao Torreão Poente da Praça) in  ARQUIVO/APS

(CONTINUAÇÃO - TERREIRO DO PAÇO [ XI ]

«A PRAÇA DO COMÉRCIO ( 5 )»

Na "ARCADA DA JUSTIÇA", onde existiam os engraxadores de calçado, símbolo em todas estas paragens burocráticas.
A JUNTA DO CRÉDITO PÚBLICO dá também uma feição sua à população que ali "formiga" em certos dias do ano, em nome das inscrições de assentamento: viúvas, procuradores, proprietários etc..
Continuando, vemos ali a estação da GUARDA PRINCIPAL, que mistura com elemento civil e militar, e traz às 11 horas da manhã, quando se rende a guarda, uns minutos de música marcial.
Segue-se a ARCADA chamada "DO MARTINHO DA NEVE", ou mais correctamente, «do ANSELMO». Tendo por singularidade de ter sido, nesta PRAÇA, toda ela ornada de EDIFÍCIOS DO ESTADO, a única propriedade particular. É ponto de muito pitoresca observação, pela afluência, quase exclusiva, de RIBATEJANOS naquele café, chegados nos comboios de SANTA APOLÓNIA, e que ali vão almoçar. Toda a manhã na Arcada estacionam saloios, arrumados ao longo das paredes laranjeiras e limoeiros para venda, com as raízes embrulhadas.
Depois pelas 3 horas da tarde, passam os negociantes para a sua "Praça" e no Verão ali descansam a tomar uma "carapinhada"( 1 ), ou uma pirâmide de sorvete de morango e leite. Mais à tarde e à noite era sítio deserto.
Apesar da boa fama da "NEVE" do MARTINHO, assegura CASTILHO que não foi ele o primeiro a usar este método na Capital conforme muitos têm essa ideia. Assim a neve usava-se no passado regime, para preparo de muitos produtos culinários, como hoje se usa neste clima que tanto precisa, às vezes de correctivos aos excessos.
Quando no Verão de 1619 aqui veio D. FILIPE DE CASTELA, o SECRETÁRIO DE ESTADO e CRISTOVÃO SOARES, recomendando à CÂMARA os preparos com que devia celebrar em LISBOA tão fausto acontecimento, lembra-lhe que "se faça algum assento sobre a neve, por conta da cidade". Obrigou-se pois um PAULO DOMINGUES, "NEVEIRO", morador às FRANJAS DAS FARINHAS, a trazer a LISBOA quatro cargas diárias de neve; e obrigou-se a CÂMARA a prestar uma casa no TERREIRO DO PAÇO, e outra às portas de  SANTA CATARINA, para a venda do produto a 40 réis o "arrátel" ( 2 ). Portanto, os nossos tetra-avós foram tomar neve ao "TERREIRO DO PAÇO", como ainda hoje vamos.
Este Palácio da Arcada foi construído depois do terramoto por ANSELMO JOSÉ DA CRUZ, senhor do SOBRAL, e FISCAL DAS OBRAS PÚBLICAS. Morava ali em 1791, e seu filho SEBASTIÃO ANTÓNIO DA CRUZ SOBRAL, DESEMBARGADOR extravagante da CASA DA SUPLICAÇÃO. Passou o prédio ao genro de ANSELMO, o ilustre GERALDO WENCESLAU BRAAMCAMP DE ALMEIDA CASTELO BRANCO, 1º BARÃO DE SOBRAL, que ali morava em 1820. Em 3 de Janeiro de 1830 houve um terrível incêndio nesse PALÁCIO, incêndio que provocou vítimas, por exemplo, LUIZ FERREIRA DA SILVA, confeiteiro estabelecido na RUA NOVA D'EL-REI (Capelistas) no número 124.  Passou o prédio ao filho segundo do BARÃO, que se chamava ANSELMO JOSÉ BRAAMCAMP, e deste à sua filha D.LUISA MARIA JOANA BRAAMCAMP, BARONEZA de ALMEIRIM pelo seu casamento. Ficou em partilhas ao segundogénito dos senhores BARÕES DE ALMEIRIM, e Sr. ANSELMO B. FREIRE, que em Junho de 1889, o vendeu ao sr. ERNESTO GEORGE, Alemão, gerente da COMPANHIA DOS VAPORES TRANSATLÂNTICOS.

( 1 ) - CARAPINHADO - s.f. (de carapinha). Bebida nevada coalhada no gelo, como limonadas, etc.; sorvete crespo no gelo.
( 2 ) - ARRÁTEL - (do Ár. arrati), s. m. antigo peso de dezasseis onças ou 459 gramas.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«TERREIRO DO PAÇO [ XII ]-A PRAÇA DO COMÉRCIO ( 6 )»

sábado, 11 de Outubro de 2014

TERREIRO DO PAÇO [ X ]

A PRAÇA DO COMÉRCIO ( 4 )
 Terreiro do Paço - (Dezembro de 1965) Desenho de APS (Um trabalho Charadístico para o grande "TORNEIO CIDADE DE LISBOA" publicado na revista "O CHARADISTA" órgão oficial da "TERTÚLIA EDÍPICA", no ano de 1965) in  ARQUIVO/APS
 Terreiro do Paço - (depois de 1932) Foto de autor não identificado (A "PRAÇA DO COMÉRCIO" na altura ainda sem a ligação à "AVENIDA DAS NAUS". A "Estação Fluvial Sul e Sueste" do Arquitecto Cottinelli Telmo, inaugurada (nas comemorações do regime), em 28 de Maio de 1932) in ENCICLOPÉDIA PELA IMAGEM - LELLO & IRMÃO
 Terreiro do Paço - (1905) Foto de Sousa & Fino,Lda. (A "PRAÇA DO COMÉRCIO" reconstruída entre 1758 e 1873, segundo o plano pombalino de reedificação de LISBOA, a "PRAÇA DO COMÉRCIO" recebeu a estátua equestre de D. JOSÉ em 6 de Junho de 1775. Em 1873, era concluído o ARCO da RUA AUGUSTA, encerrando-se assim o ciclo de obras iniciadas em 1758. in ARQUIVO MUNICIPAL DE LISBOA-AML-C.M.L.
Terreiro do Paço - (1889) (Aspecto da "PRAÇA DO COMÉRCIO" no topo nascente, já com o Torreão da Alfandega concluído, mas o acesso para Oriente ainda estava vedado)  in  AML 

(CONTINUAÇÃO - TERREIRO DO PAÇO [ X ]

«A PRAÇA DO COMÉRCIO ( 4 )»

Conta-nos o General COSTA CASCAIS que em Novembro de 1842, para estabelecer os alicerces do "TORREÃO" Ocidental da PRAÇA DO COMÉRCIO, foi necessário cavar, pregar estacas, e estancar muita água. ( 1 )
Assim a tendência que mostra sempre esses alagadiços terrenos "a dar de si", é prova do estado difícil de todo o lado Poente. No entanto a "ortografia" das obras públicas alguma coisa vai conseguindo. 
Um edital de 20 de Agosto de 1833, institui  certas providências policiais que se aplicam aos cais e Praças. A postura Camarária de 13 de Agosto de 1841, mandada vigorar por Edital de 9 de Setembro seguinte, determina um grande melhoramento na Praça, vedando o trânsito de veículos ou cavalgaduras pelos passeios e pelo centro da PRAÇA DO COMERCIO; outra de 24 de Outubro de 1842 proíbe que os arrais e mestres de faluas ( 2 ) e outros barcos grandes do Tejo, amarrem no CAIS DAS COLUNAS, a não ser o tempo indispensável para cargas e descargas.
Em Julho de 1851 oficiou a CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA ao Administrador Geral da ALFANDEGA GRANDE, pedindo-lhe desse ordem para que os homens da companhia braçal não atravessem carregados de fardos o centro da PRAÇA DO COMÉRCIO ( 3 ).
A arborização da PRAÇA DO COMÉRCIO fez-se em 1866 e permaneceu até à segunda década do século XX. Dizem os mais cépticos que foram cortadas porque tapavam a vista das arcadas.
Em frente do TORREÃO Ocidental (do Ministério da Guerra) existia a certas horas do dia o espectáculo de chegadas e partidas dos vapores com destino ao Barreiro e Seixal, levando e trazendo alentejanos, cujos trajos se reconhecem logo. A arcada do mesmo lado tem ainda uma outra função. Primeiro vemos militares, que entram e saem apressadamente do Ministério, ou pretendentes à espera de alguém importante, fazendo a RUA de ante-câmara, até poderem balbuciar duas palavras a Sua Excelência.
Foi em 13 de Maio de 1797, dia de anos do PRÍNCIPE REGENTE D. JOÃO que pela primeira vez se abriu a REAL BIBLIOTECA PÚBLICA DA COROA, criada no ano transacto pela senhora D. MARIA I; data célebre nos anos desta Praça. Ficava no segundo andar, onde funcionou também a DIRECÇÃO-GERAL DOS PRÓPRIOS NACIONAIS. Em 1834 a Biblioteca foi transferida para as instalações do CONVENTO DE SÃO FRANCISCO. 
A Arcada do Ministério do REINO já tem outro aspecto; ali estão estacionadas sempre as carruagens dos altos políticos que vêem procurar instruções, àquele quartel-General da política.
Aos primeiros anos da reconstrução pombalina remonta também a alteração da designação da PRAÇA, o que corresponde igualmente a uma alteração de função e a uma adequação ao contexto sócio-económico da época pombalina.

( 1 ) - Artigo da REVISTA UNIVERSAL LISBONENSE, Tomo II, pag, 95, col. 1
( 2 ) - FALUA - (de faluca), s.f. embarcação de vela, semelhante à fragata, mas mais pequena.
( 3 ) - Sinopse dos principais actos administrativos da Câmara Municipal de Lisboa em 1851, pag. 17.  


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quarta-feira, 8 de Outubro de 2014

TERREIRO DO PAÇO [ IX ]

A PRAÇA DO COMÉRCIO ( 3 )
 Terreiro do Paço - (Anos cinquenta do século vinte) Fotógrafo não identificado (A "PRAÇA DO COMÉRCIO" no século XX  - durante um longo período de anos - era um espaço para estacionamento de carros) in  SKYSCRAPERCITY

 Terreiro do Paço - (ant. 1932) (LISBOA vista de Aeroplano - Esta vista permite apreciar em toda a sua grandeza e perfeita harmonia de proporções a soberba "PRAÇA DO COMÉRCIO". Nesta época ainda com o seu arvoredo, e as obras da Estação Sul e Sueste (à direita baixa da foto) que teve a sua inauguração em 28 de Maio de 1932) in  ENCICLOPÉDIA PELA IMAGEM-LELLO & IRMÃO

 Terreiro do Paço - (1900) (Um postal da graciosa "PRAÇA DO COMÉRCIO" que naquela época existia nas suas laterais um conjunto de árvores, que acabou por volta de 1911. A tradicional "CANOA DO TEJO" não ofusca a grande Praça) in  JORNAL A CAPITAL

Terreiro do Paço - (entre 1900 e 1944) Gravura fotografada por José Artur Bárcia em suporte negativo de prata e vidro) (Postal Ilustrado do ARCO DO TRIUNFO da "RUA AUGUSTA na "PRAÇA DO COMÉRCIO" no século XIX) in AML

(CONTINUAÇÃO - TERREIRO DO PAÇO [ IX ]

«A PRAÇA DO COMÉRCIO ( 3 )»

Nestes  Torreões da "PRAÇA DO COMÉRCIO" não existe qualquer ligação arquitectónica continuada com os corpos laterais desta Praça, facto que para nós constitui um mistério em presença da qualidade e do rigor usado neste tipo de Arquitectura.
A PRAÇA DO COMÉRCIO encontra-se na linha das Praças que se construíram então no continente Europeu e que , na sua grande maioria, partiam para uma solução inovadora no desenho deste típico lugar das grandes cidades; a Praça deixara de ser fechada para se abrir numa ou mais faces, onde talvez a "PRAÇA DE S. PEDRO (1624)", de BERNINI, tenha funcionado como ponto de partida.
A "PRAÇA DO COMÉRCIO" tem uma característica relativamente às restantes; abre-se completamente numa das suas faces sobre a paisagem e o estuário imenso de um rio - que passa a constituir a sua quarta fachada - motivação que lhe é transmitida na linha do mais antigo "TERREIRO DO PAÇO", destruído pelo Terramoto de 1 de Novembro de 1755, característica que os arquitectos de POMBAL souberam habilmente captar e renovar.

A "PRAÇA DO COMÉRCIO" é um paralelogramo de 722:100 palmos quadrados; a saber: os lados Norte e do Sul medem 830 palmos; os Nascente e Ponte, 870 palmos.
Área da Arcada do Norte: 20:416 palmos quadrados.
Área da Arcada do Nascente: 14:300.
Área da Arcada do Poente: 14:300.
Área do vão de cada arco 90 palmos quadrados; número de arcos nos 3 lados da Praça: 86; Área total do vão de todos os arcos (exceptuando o da RUA AUGUSTA), 7:740 palmos quadrados.
Área da planta do monumento central, que é elíptica: 4:116 palmos quadrados.
Nos extremos das duas alas, do Nascente e do Poente e os dois Torreões, um do Ministério da Guerra e o outro da Alfândega, que avançam sobre a Praça; a planta dessa porção saliente é para cada Torreão um paralelogramo, cuja área é de 4:440 palmos quadrados; total da área absorvida pelos dois Torreões: 8:880 palmos quadrados.
Deduzindo da área total da Praça esse espaço dos Torreões e o do monumento, ficam livres 780:668 palmos quadrados.
Dando a uma pessoa 9 palmos quadrados, calcula-se que na área da Praça e sua arcadas podem caber 86:740 pessoas ( 1 ).
O Torreão da Alfandega foi o primeiro a ser construído, indica a "fonte" que em 1772 já estava levantado, (numa foto de 1866 referente a um incêndio na Câmara Municipal de Lisboa em 1863, mostrava que o Torreão da Alfândega, ainda lhe faltava a balaustrada na cimalha). A construção do Torreão do lado Poente, demorou mais 67 anos.

( 1 ) - Parte deste curioso estudo é retirado de um artigo intitulado:"Cálculo demonstrativo da área da Praça do Comércio de Lisboa", e do número de pessoas que pode conter. Vem na "MNEMOSINE LUSITANA" de 1817, Nº XVIII, e é assinado por J.C.Silva, que julgo ser o talentoso gravador "JOAQUIM CARNEIRO DA SILVA". 

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