quarta-feira, 25 de maio de 2016

RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES [ XIV ]

«A RUA TERESA GOMES ( 1 )»
 Rua Teresa Gomes - (2015) - A "RUA TERESA GOMES" no sentido Noroeste, que liga com as RUAS "António Pedro" e "António Feijó")  in   GOOGLE EARTH 
 Rua Teresa Gomes - (2015) - (Panorâmica mais aproximada da "RUA TERESA GOMES" na freguesia de "SÃO DOMINGOS DE BENFICA")  in  GOOGLE EARTH
 Rua Teresa Gomes - (2015) - ( O início da "RUA TERESA GOMES" visto da "RUA ANTÓNIO FEIJÓ")  in  GOOGLE EARTH
 Rua Teresa Gomes - (1941) - (Cartaz do filme "O PAI TIRANO", protagonizado por: Maria da Graça, Vasco Santana , Ribeirinho, Leonor Maia, Artur Duarte, Luísa Durão e "TERESA GOMES"  in   HISTÓRIAS DE CINEMA
 Rua Teresa Gomes - (1938) - Caricatura de Júlio de Sousa - ("TERESA GOMES" e "ARMANDO MACHADO" dois actores cómicos, a quem a revista ficou a dever muito dos seus melhores momentos. Quadro da revista "Ó MEU RICO SÃO JOÃO" de A. Leite e H. Campos Mendes, com música de B. Ferreira, A. Lopes e R. Portela, estreado no Teatro SÁ DA BANDEIRA(PORTO).  in  HISTÓRIA DO TEATRO DE REVISTA EM PORTUGAL
Rua Teresa Gomes - (1926) - Publicado no DOMINGO ILUSTRADO - ("TERESA GOMES" uma actriz que desenvolveu a sua veia cómica no Teatro da revista e no Cinema)  in   TOPONÍMIA DE LISBOA


(CONTINUAÇÃO) - RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES [ XIV ]

«A RUA TERESA GOMES ( 1 )»

A «RUA TERESA GOMES» pertence à freguesia de «SÃO DOMINGOS DE BENFICA», começa na "RUA ANTÓNIO NOBRE" e não tem saída.
Por EDITAL de 25 de Outubro de 1971 foi atribuído o seu nome ao arruamento da antiga "RUA PROJECTADA À RUA ANTÓNIO NOBRE" naquela freguesia.


«MARIA TERESA GOMES» ou simplesmente (TERESA GOMES) nasceu em LISBOA em 26 de Novembro de 1882 e faleceu nesta mesma cidade em 12 de Novembro de 1962, com quase 80 anos de idade. Foi uma excelente actriz de TEATRO e do CINEMA português.
A sua vocação para o TEATRO despertou quando ela tinha aproximadamente 30 anos de idade, começando como corista na revista "A MUSA DOS ESTUDANTES" em 1911.

Terá sido numa viagem entre o BRASIL e PORTUGAL que a paixão pelo TEATRO despertou, ao mesmo tempo que o seu coração se perdia de amores por um dos actores que integrava o elenco da COMPANHIA TEATRAL que regressava de uma triunfal digressão pelo BRASIL. Chamava-se "ÁLVARO DE ALMEIDA" e viria a ser seu marido até ao final de sua vida.
Com este relacionamento. TERESA GOMES, que nunca havia experimentado as "LUZES DA RIBALTA", acabou por seguir uma carreira profissional nos palcos do TEATRO, na "COMPANHIA TEATRAL AFONSO TAVEIRA" que a aproveitou.
A sua modéstia levou-a a começar por baixo, como simples corista, tendo estreado (como já foi dito) na revista "A MUSA DOS ESTUDANTES" levada à cena no TEATRO DA TRINDADE. Permaneceu oito anos a sua carreira como corista, até que um dia, decorria o ano de 1918 tudo mudou.
Nesse tempo era habitual a realização de récitas-suplementares dos espectáculos em benefício dos actores. Mas numa determinada revista, por sugestão de TERESA GOMES, que aos poucos foi tendo consciência das dificuldades com que viviam algumas das suas colegas, realizou-se também uma récita destinada às coristas. Existindo uma "simples" particularidade: a peça foi representada com as coristas a fazerem o papel das actrizes e estas a desempenharem o lugar das coristas. Na assistência, sentado na plateia, estava o escritor "EDUARDO SCHWALBACH", que ficou deslumbrado com a prestação de "TERESA GOMES" e disse: " então vocês têm aqui uma pérola destas, com um talento especial para fazer carreira e desperdiçam-na como corista?". E foi assim que "TERESA GOMES" passou, a partir daquela altura, a figurar no elenco dos mais diversos espectáculos...  como actriz.
"TERESA GOMES" conheceu grandes êxitos participando em enumeras revistas. No ano de 1919 - HAJA SAÚDE ( 1 ) - de António Torres e Fernando Ferreira, representada no Teatro da TRINDADE. Foi nesta revista que saiu do anonimato das coristas para o primeiro plano, ao interpretar "COMMÈRE" (Comadre, mexeriqueira e bisbilhoteira). Nesse mesmo ano "O PÉ DE MEIA" com TERESA GOMES na rábula "RALACICE" sendo o autor da revista "EDUARDO SCHWALBACH", música de "ALVES COELHO (pai), exibido no Teatro S. LUIZ; 1926 - "OLARILA" de Luis Galhardo no Teatro MARIA VICTÓRIA;  1927 "A ALDEIA DOS MACACOS" de Lino Ferreira e música de ALVES COELHO (pai), no Teatro POLITEAMA; 1935 - "ANIMA-TE ZÉ" no Teatro MARIA VICTÓRIA;  1938- "Ó MEU RICO SÃO JOÃO" de A. Leite e Música de R. Portela ( 2 ) (Dois actores cómicos, a quem a revista ficou a dever muitos dos seus melhores momentos- ARMANDO MACHADO e TERESA GOMES);  1941 - "MANDA VENTAROLAS", no Teatro MARIA VICTÓRIA;  1956 - "HAJA SAÚDE" de José Galhardo no Teatro ABC; 1957 - "TOCA A MÚSICA" de Amadeu do Vale e Aníbal Nazaré, Música de J. Mendes e Tavares Belo, apresentado no Teatro MARIA VICTÓRIA: Despede-se da revista com "ENCOSTA A CABECINHA E CHORA" (1959) de Amadeu do Vale, Aníbal Nazaré, Música de Fernando de Carvalho, Carlos Dias e Tavares Belo, apresentado no TEATRO MARIA VICTÓRIA.

( 1 ) - Existiu em 1956 outra Revista com o mesmo nome de José Galhardo representado no Teatro ABC.
( 2 ) - Apresentado no Teatro SÁ DA BANDEIRA no PORTO.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ARTISTAS[ XV ]A RUA TERESA GOMES ( 2 )». 

sábado, 21 de maio de 2016

RUA DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES [ XIII ]

«A RUA IRENE ISIDRO ( 3 )»
 Rua Irene Isidro - (2015) - (A "RUA IRENE ISIDRO" no "BAIRRO DO CARAMÃO DA AJUDA" no sentido Noroeste)  in  GOOGLE EARTH
 Rua Irene Isidro - (2015) - (A "RUA IRENE ISIDRO" na freguesia da "AJUDA" vista da "RUA CRAVOS DE ABRIL") in   GOOGLE EARTH 
 Rua Irene Isidro - (1940) - Desenho de AMARELHE - (Caricatura de duas criações de "IRENE ISIDRO" na revista "TOMA LÁ CEREJAS", rábulas de "MEU AMOR DO MAR" e "O PASTOR DE MONSANTO", representada no TEATRO APOLO)  in  HISTÓRIA DO TEATRO DE REVISTA EM PORTUGAL
 Rua Irene Isidro - (1944) - (Desenho de AMARELHE) - ( Anúncio da revista "HÁ FESTA NO COLISEU", com IRENE ISIDRO e Álvaro Pereira, Luísa Durão e Costinha, Maria Luísa e Ricardo Santos Carvalho)  in  HISTÓRIA DO TEATRO DE REVISTA EM PORTUGAL 
Rua Irene Isidro - (Foto anterior a 1993) - ("IRENE ISIDRO" conhecida pelos seus "travestis", assumia que "gostava de fazer estes o papeis". Faleceu em LISBOA a 7 de Abril de 1993) in JORNAL DIÁRIO DE NOTÍCIAS

(CONTINUAÇÃO)- RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES [ XIII ]

«A RUA IRENE ISIDRO ( 3 )»

Outras Revistas se seguiram com grandes êxitos alcançados. Em 1940 estreava-se no "TEATRO APOLO" a Revista "TOMA LÁ CEREJAS" de Fernando Santos, L. Rodrigues e A. Amaral. A música era de J. Mendes, V. de Macedo e António Melo.  No quadro interpretado por "IRENE ISIDRO", representava a figura do "PASTOR DE MONSANTO" . Vestida como pastor, entra tocando a sua "GAITA DE ZAGAL". 

O "PASTOR DE MONSANTO", é um dos muitos quadros de índole patriótico que à "IRENE ISIDRO" coube representar ao longo da sua carreira, refere-se explicitamente à "EXPOSIÇÃO DO MUNDO PORTUGUÊS", que SALAZAR pretendeu fosse «O grande documento da civilização» Ocidental e Cristã.
Em 1941 - MARCHA DE LISBOA, 1942 - BELEZA DE HORTALIÇA, 1944 - BAILE DE MASCARAS e HÁ FESTA NO COLISEU, 1946 - TIRO- LIRO, 1947 - ENQUANTO HOUVER SANTO ANTÓNIO e É DE GRITOS, 1951 - AGORA É QUE ELA VAI BOA, 1953 - VIVA O LUXO, 1955 - Ó ZÉ APERTA O LAÇO e CIDADE MARAVILHOSA, 1956 - FONTE LUMINOSA, 1958 - ABAIXO AS SAIAS.

"IRENE ISIDRO" loira, elegante, com voz forte, uma actriz cujas criações ficavam na memória de quem a viu actuar.
Reapareceu esporadicamente em 1972 - "P'RA FRENTE LISBOA" uma revista estreada no TEATRO MONUMENTAL, uma obra prima de "CÉSAR DE OLIVEIRA", cujo elenco era composto por; RAÚL SOLNADO, FLORBELA QUEIROZ, IRENE ISIDRO e outros, que nos deliciou com o quadro da "MARLENE". Nesta revista RAUL SOLNADO canta o "MALMEQUER" que representa a condição do português que "cada vez anda mais desfolhado", esta uma desmistificação da propaganda turística difundida pelo SNI.
"IRENE ISIDRO" reunia às suas qualidades profissionais uma personalidade onde imperava a simpatia, o humor, a generosidade e o companheirismo, que fizeram dela uma das nossas actrizes mais queridas. Outra característica que a distingue dos demais eram as suas incríveis distracções. Uma das mais desconcertantes passou-se em LUANDA, numa recepção promovida por um colono português na sua própria casa, durante a qual, numa pequena conversa a sós com um dos presentes, IRENE criticou amargamente o "novo riquismo" da decoração da casa, esquecendo-se que estava a falar com o anfitrião.
No palco não havia distracções, IRENE era uma actriz concentradíssima, de um profissionalismo irrepreensível, cujo talento foi sempre reconhecido pelos seus pares. Foi muito devido a esse perfil, que RIBEIRINHO a convidou, em 1979, a integrar o elenco residente do TEATRO NACIONAL DONA MARIA II, onde ela se manteve até ao fim da vida.
Ali foi consolidando uma sólida reputação como actriz "DRAMÁTICA", apesar de ter feito algumas incursões pela comédia naquele mesmo palco. "AS SABICHONAS", "O MORGADO DE FAFE EM LISBOA" ou "AS ALEGRES COMADRES DE WINDSOR".

E foi assim, a cantar a representar que IRENE ISIDRO se despede dos palcos em "PASSA POR MIM NO ROSSIO" de FILIPE LA FÉRIA, no DONA MARIA II, evocando um glorioso passado vivido ao lado dos maiores nomes do nosso teatro, de diferentes gerações.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES[ IX ]-A RUA TERESA GOMES ( 1 )».

quarta-feira, 18 de maio de 2016

RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES [ XII ]

«A RUA IRENE ISIDRO ( 2 )»
 Rua Irene Isidro - (2015) - (Um troço da "RUA IRENE ISIDRO" no BAIRRO DO CARAMÃO DA AJUDA)   in   GOOGLE EARTH
 Rua Irene Isidro - (2015) - (Panorâmica aproximada do "BAIRRO DO CARAMÃO DA AJUDA" onde se insere a "RUA IRENE ISIDRO" desde o ano de 1995)  in  GOOGLE EARTH
 Rua Irene Isidro - (2015) - (Placa toponímica possivelmente Tipo IV, no arruamento consagrado à actriz "IRENE ISIDRO" no "BAIRRO CARAMÃO DA AJUDA")  in  GOOGLE EARTH 
 Rua Irene Isidro - (1965) ( Um grupo de actrizes, onde se encontra "IRENE ISIDRO". Ao lado esquerdo de "Hermínia Silva" e mais colegas  como Dora Leal, Linda Silva, Ivone Silva, o actor José Viana e outras.)  in   DIAS QUE VOAM
Rua Irene Isidro - (1933) -  (Desenho de AMARELHE) - ("IRENE ISIDRO" em "MARLENE" - uma das suas grandes criações - na revista  "PERNAS DO LÉU", de Xavier de Magalhães com  música de Raul Ferrão e outros.)  in  HISTÓRIA DO TEATRO DE REVISTA EM PORTUGAL

(CONTINUAÇÃO)-RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES [ XII ]

«A RUA IRENE ISIDRO ( 2 )»

A partir de então "IRENE ISIDRO" não mais parou e o seu talento impôs-se definitivamente nos palcos portugueses, inicialmente no "TEATRO NACIONAL DONA MARIA II" e de seguida na "COMPANHIA DE LUCÍLIA SIMÕES e ERICO BRAGA". Representou o drama " O PASTELEIRO DO MADRIGAL", as comédias " O PRÍNCIPE JOÃO" e " O SONHO DA MADRUGADA", a revista "O PAPO SECO" e a farsa " O MEU MENINO" foram os seus espectáculos iniciais.
A sua verdadeira explosão artística deu-se em 1933 na revista «PERNAS AO LÉU» escrita por XAVIER DE MAGALHÃES e A. AMARAL, música de RAUL FERRÃO, AFONSO CORREIA LEITE, JAIME MENDES e RAUL PORTELA.  Esteve em cena no "TEATRO VARIEDADES" no PARQUE MAYER e no TEATRO DA TRINDADE.
Eram responsáveis por este espectáculo a " COMPANHIA DE LUÍSA SATANELA e ESTEVÃO AMARANTE". "SATANELA" sempre muito ocupada com as suas funções de ACTRIZ, PRODUTORA e EMPRESÁRIA, cedeu um dos seus números à jovem "IRENE ISIDRO".
"LUÍSA SATANELA", ao montar esta revista no "TEATRO VARIEDADES", caprichou em revesti-la de uma moldura modernista, patente nas canções que para ela compôs " AFONSO CORREIA LEITE".
A canção que "SATANELA" abdicou chamasse "MARLENE" ( 1 ), esse número ficaria célebre era uma homenagem semi-declamada, semi-cantada à actriz alemã "MARLENE DIETRICH" e à sua atitude ( na época) escandalosa, que transformou " IRENE ISIDRO" como vedeta do género.
Deixamos aqui um apontamento do poema.

MARLENE

O Senhor não faz ideia
    Do rumor que eu levantei,
 Diziam que era bem feia
Mas eu não desanimei,

       Se para que eu me despisse
    Até me chamaram homem,
   Mas eu cá p´ra mim disse:
                   Pois nem mesmo assim me comem.

MARLENE,
Deitaste as saias ao ar
E  fizeste   muito bem.
MARLENE,
Agora   podes    andar
    Como melhor te convém.
MARLENE,
Podes dizer que és 'squisita,
O   Mundo   diz  o   que  quer
MARLENE,
Mas não negam que és bonita
Nem   negam  que  és mulher.

( 1 ) - MARLENE DIATRICH (1901-1992) - (Maria Magdalena Von Losch, conhecida por MARLENE), actriz alemã naturalizada norte-americana, nasceu em BERLIM, e faleceu em PARIS. Revelada por "O ANJO AZUL" (1930) de Josef Von Sternberg, continuou a sua carreira nos USA sob a égide daquele director. Protagonizou os filmes: MARROCOS (1930);"O EXPRESSO DE XANGAI"(1932); "A IMPERATRIZ VERMELHA"(1934); "O DIABO E UMA MULHER"(1935); "O ANJO"(1937; "O RANCHO DAS PAIXÕES"(1952) e "A SEDE DO MAL"(1958). Encarnação da mulher fatal, misteriosa e sofisticada, graças à sua presença fascinante e à sua voz sensual, teve igualmente uma grande carreira de cantora de "MUSIC-HALL".

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES [ XIII ]-A RUA IRENE ISIDRO ( 3 )». 

sábado, 14 de maio de 2016

RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES [ XI ]

«A RUA IRENE ISIDRO ( 1 )
 Rua Irene Isidro - (2015) - (O final da "RUA IRENE ISIDRO" no "BAIRRO DO CARAMÃO DA AJUDA", na freguesia da «AJUDA»)  in   GOOGLE EARTH 
 Rua Irene Isidro - ( 2015 ) - (Panorâmica do "ALTO DA AJUDA" nomeadamente o "BAIRRO DO CARAMÃO DA AJUDA" onde se insere a "RUA IRENE ISIDRO" desde 1995)  in GOOGLE EARTH
 Rua Irene Isidro - ( 2015 ) - ( A "RUA IRENE ISIDRO" no sentido Noroeste, no "BAIRRO DO CARAMÃO DA AJUDA)  in     GOOGLE EARTH
 Rua Irene Isidro (Anos trinta do século vinte) - ( Foto de "IRENE ISIDRO" com sua beleza e elegância destacava-se nas Companhias do Teatro declamado)  in  BIOGRAFIAS
Rua Irene Isidro - (1942) - (Desenho de AMARELHE) - (Cartaz da Revista "BELEZAS DE HORTALIÇA" de Fernando Santos, Almeida Amaral e L. Rodrigues, música de JAIME MENDES e JOSÉ NOBRE representado no TEATRO AVENIDA com IRENE ISIDRO, JOÃO VILLARET e outros)  in  HISTÓRIA DO TEATRO DE REVISTA EM PORTUGAL 


(CONTINUAÇÃO)-RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES [ XI ]

«A RUA IRENE ISIDRO ( 1 )»

A «RUA IRENE ISIDRO» pertence à freguesia da « AJUDA ».  Tem o seu início na "RUA DOS ARCHEIROS" e termina na "RUA JOSÉ PINTO BASTOS".
Na ACTA Nº. 1/94 de 16 .09.1994 a " COMISSÃO MUNICIPAL DE TOPONÍMIA" deliberou que a "RUA- 16" do "BAIRRO DO CARAMÃO DA AJUDA", seja atribuído o topónimo de "RUA IRENE ISIDRO - ACTRIZ (1907-1993).
Em EDITAL de 16.01.1995, juntamente com outras três artérias correspondentes aos números (17.18 e 19), sendo atribuído à "RUA-16" o topónimo "RUA IRENE ISIDRO" no " BAIRRO DO CARAMÃO DA AJUDA", que possuía uma denominação numérica como na época era habitual fazer nos "BAIRROS SOCIAIS", dada pelo EDITAL de 02.04.1949, quando a edilidade era presidida por "ÁLVARO SALVAÇÃO BARRETO".
Este "BAIRRO" foi construído entre 1947 e 1949, com traço dos arquitectos  "LUÍS BENAVENTE" e "COSTA MARTINS" para um projecto de 358 fogos de moradias em banda e geminadas, ampliado em 1949 com mais 40 fogos.
Na ACTA Nº 4/95 de 09.10.1995 registava que no dia 30 de Junho pelas 15 horas, no "BAIRRO DO CARAMÃO DA AJUDA", a COMISSÃO descerrou as placas toponímicas que homenageavam quatro artistas: "JORGE BRUM DO CANTO", "IRENE ISIDRO". "JOÃO LINHARES BARBOSA" e "MARIA TERESA DE NORONHA". Após o descerramento das placas que identificavam os arruamentos, seguiram-se alguns discursos de homenagem. 
Coube ao senhor "APPIO SOTTOMAIOR", na qualidade de representante da "COMISSÃO MUNICIPAL DE TOPONÍMIA", usar da palavra. "Podíamos sintetizar a jornada que hoje aqui realizamos, nesta freguesia multissecular da «AJUDA». dizendo apenas que estamos em pleno "DIA DA POESIA" no "BAIRRO DO CARAMÃO". Na verdade num dia em que passam a "morar" neste local, através das placas agora descerradas, um poeta genuíno e popular, uma senhora que tinha poesia na voz com que cantava, um outro também poeta de escrita, embora, sobretudo, de imagens poéticas transmitidas à tela e uma actriz [ IRENE ISIDRO ] que dava  aos textos que declamava a emoção própria dos que têm a arte dentro de si, parece que tudo se juntou neste País e nesta Cidade lírica".  

«IRENE FERNANDA AGUIAR ISIDRO», nasceu em ÉVORA  a 4 de Setembro de 1907 e faleceu em LISBOA a 7 de Abril de 1993.
"IRENE ISIDRO", uma  das grandes vedetas da revista nos anos 30 e 40 do século passado, além do seu inquestionável talento de actriz, foi também uma destacada lutadora feminista.
Diz-se que terá sido das primeiras mulheres a conduzir um automóvel no nosso país e uma das maiores responsáveis pela introdução das calças no vestuário feminino, tendo mesmo chocado as mentalidades de LISBOA dos anos vinte, com as posições públicas em defesa dos direitos da mulher.
"IRENE ISIDRO" concluiu o Curso do "CONSERVATÓRIO NACIONAL" em 1925, sendo-lhe atribuída a nota máxima, com a peça "ENTRE GIESTAS" escrita por "CARLOS SELVAGEM".


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES[ XII ] A RUA IRENE ISIDRO ( 2 )».

quarta-feira, 11 de maio de 2016

RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES [ X ]

«A RUA IVONE SILVA ( 4 )
 Rua Ivone Silva - (2015) - ( A "RUA IVONE SILVA" ao fundo o muro e as instalações do "HOSPITAL CURRY CABRAL")  in  GOOGLE EARTH
 Rua Ivone Silva - (2015) - (A "RUA IVONE SILVA" junto do muro dos Caminhos-de-ferro da "linha de Cintura de Lisboa" e a entrada na artéria pela "AVENIDA CINCO DE OUTUBRO")  in  GOOGLE EARTH
 Rua Ivone Silva - (2015) - (A "RUA IVONE SILVA" e a frente do "HOTEL EXECUTIVE ZURIQUE)  in  GOOGLE EARTH
 Rua Ivone Silva ( 1967) Foto MATRIZ NET - Colecção do Museu Nacional do Teatro - (Apoteose da revista "SETE COLINAS", "IVONE SILVA" acompanhada de HELENA TAVARES e ARTUR GARCIA, agradecendo os aplausos no Teatro ABC)  in   FACEBOOK-IVONE SILVA
 Rua Ivone Silva - (1981) - ("IVONE SILVA" envolta em plumas, na Revista "NÃO HÁ NADA P'RA NINGUÉM" representada no TEATRO MARIA VITÓRIA -  Quadro do "MÁXIME", podemos ainda ver sentado ao centro JOEL BRANCO e à esquerda de chapéu rosa NATALINA JOSÉ)   in   FACEBOOK-IVONE SILVA
Rua Ivone Silva - (Finais dos anos oitenta do século XX) - (Placa Toponímica TIPO II - Placa de pedra com letras pretas fixada na fachada da "RUA IVONE SILVA" na freguesia das "AVENIDAS NOVAS")  in  TOPONÍMIA DE LISBOA

(CONTINUAÇÃO)-RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES [ X ]

«A RUA IVONE SILVA ( 4 )»

Na fase alta da sua carreira, "IVONE SILVA" torna-se empresária de TEATRO, criando uma Sociedade Artística que continua a trazer sucessos ao TEATRO ABC.  Deste período , são de destacar as rábulas de grande sucesso "A GUERRA SANTA" a rábula "A VIRA VESTIDOS" da Revista "P´RA TRÁS MIJA A BURRA" de (1975), de onde sai a célebre frase "COM UM SIMPLES VESTIDO PRETO, EU NUNCA ME COMPROMETO" e por fim, um dos maiores êxitos de sempre a rábula "OLIVA, OLIVA", onde se dividia entre OLIVA PATROA e OLIVA COSTUREIRA.

Segue-se então a Revista "O BOMBO DA FESTA" (1976) no TEATRO MARIA VITÓRIA; "Ó DA GUARDA" (1977) no ABC, onde após umas semanas "IVONE SILVA" teve de abandonar o elenco, sendo substituída por ANABELA. "ALDEIA DA ROUPA SUJA" (1979) no VARIEDADES esta Revista contou no elenco com CAMILO DE OLIVEIRA e NICOLAU BREYNER, no entanto, não sendo um grande sucesso, ficou pouco tempo em cena. "IVONE SILVA" já restabelecida, entra então na Revista "OH Ó PATEGO, OLH´Ó BALÃO" (1979) no TEATRO MARIA MATOS, onde substitui RITA RIBEIRO, e entra depois na Revista "NÃO HÁ NADA PARA NINGUÉM" (1981) no MARIA VITÓRIA, "SEM REI NEM ROCK" (1982), no MARIA VITÓRIA. Segue-se uma comédia musical "EU DESÇO NA PRÓXIMA E VOCÊ" considerado o maior fracasso da sua carreira.

A seguir vem um grande sucesso de Revista, de nome "NÃO BATAM MAIS NO ZÉZINHO" que contou com nomes como "EUGÉNIO SALVADOR", "HENRIQUE SANTANA" e "MARINA MOTA".Este sucesso esteve em cena durante 14 meses, com 13 sessões semanais. "IVONE SILVA" entra na Revista "ISTO É MARIA VITÓRIA" (1986), no TEATRO MARIA MATOS, onde se estreia também a encenar, recebendo enormes ovações no número "UM DRAMA NO TEATRO DA ALEGRIA",  em homenagem ao MARIA VITÓRIA. É nesta Revista que "IVONE SILVA" nota os primeiros sintomas da sua doença, retirando-se para posteriormente produzir ao lado de CAMILO DE OLIVEIRA uma nova Revista no TEATRO LAURA ALVES, a primeira revista do ano a estrear: "CÁ ESTÃO ELES!" (1987) Teatro LAURA ALVES.
Aqui "IVONE SILVA" passou grandes dificuldades em termos de saúde, provando simultaneamente a enorme força do seu amor ao teatro, pois chegou a estar em palco ajoelhada devido às dores, mas sem nunca abandonar a cena, por amor a esta arte e um extraordinário respeito ao público. Foi então internada no IPO, tendo mesmo deixado o elenco e sendo substituída por sua vontade.
"CÁ ESTÃO ELES!" é uma nova COMPANHIA DE ACTORES disposta a marcar um lugar no Teatro ligeiro. "CÁ ESTÃO ELES!", são os dois actores que resolveram ser também produtores. Qualquer que seja o significado do nome, "CÁ ESTÃO ELES!" era uma nova Revista do Teatro LAURA ALVES ( na RUA DA PALMA) e a última de "IVONE SILVA". Com texto de CÉSAR DE OLIVEIRA e VASCO SILVA, a música de THILO KRASMANN, a encenação e Direcção de actores pertencia a "IVONE SILVA", no Elenco: CAMILO DE OLIVEIRA, IVONE SILVA, MARIA ARMANDA (atracção Nacional), DULCE GUIMARÃES, LUÍS MASCARENHAS, LUÍS ALEILUIA e mais nove nomes.
Já doente, "IVONE SILVA" forma esta Companhia, estreia no início de MARÇO, três meses depois, adoece, manda chamar "LUISA BARBOSA", era seu desejo que esta Companhia não parasse, é internada gravemente, recupera, mas já não regressa ao elenco, acabando por falecer em Novembro de 1987.
Os papeis desta revista são assumidos pelos residentes e pouco tempo depois abandona também o elenco MARIA ARMANDA, assumindo os fados a actriz/cantora DULCE GUIMARÃES.
Dizem as críticas que esta revista foi considerada uma das melhores revistas que o TEATRO LAURA ALVES teve em cena.
Ainda hoje "IVONE SILVA" é recordada por centenas de portugueses.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES[ XI]-A RUA IRENE ISIDRO ( 1 )».

sábado, 7 de maio de 2016

RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES [ IX ]

«A RUA IVONE SILVA ( 3 )»
 Rua Ivone Silva - (2015) - (A "RUA IVONE SILVA" na actual freguesia das "AVENIDAS NOVAS", com os seus magníficos edifícios)  in  GOOGLE EARTH
 Rua Ivone Silva - ( 2015 ) - (A "RUA IVONE SILVA" no lado esquerdo o muro do "HOSPITAL CURRY CABRAL", com entrada por esta RUA no Nº. 18A)  in  GOOGLE EARTH
 Rua Ivone Silva - ( 2015) - ( Um troço da "RUA IVONE SILVA", no lado direito o edifício do "CMVM-COMISSÃO DO MERCADO DE VALORES MOBILIÁRIOS")  in  GOOGLE EARTH  
 Rua Ivone Silva - (1987) - (Cartaz de apresentação da revista "CÁ ESTÃO ELES!", apresentada no Teatro Laura Alves, com Ivone Silva e Camilo de Oliveira)  in  FOTOLOG - CAMILO - ACTOR
 Rua Ivone Silva - (Anos setenta do século vinte) - ("IVONE SILVA" na porta da entrada de artista do "TEATRO MARIA VITÓRIA") in  HISTÓRIAS COM HISTÓRIA
Rua Ivone Silva - (1975) - ("IVONE SILVA" na revista "P'RA TRÁS MIJA A BURRA", no final do 2.º acto, com Paulo Renato e Vera Mónica, no TEATRO ABC) in  FACEBOOK - IVONE SILVA

(CONTINUAÇÃO)-RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES [ IX ]

«A RUA IVONE SILVA ( 3 )»

São inesquecíveis as representações     de     «IVONE SILVA» nomeadamente a  afectada "SENHORA DE BEM-FAZER"   da  Revista  "LÁBIOS PINTADOS",  (1964),  a rábula burguesa dona de casa de "DIÁRIO DE UMA LOUCA" da Revista "SETE COLINAS", (1967), a rábula da chique sociedade de recente data "MADAME SALRETA" da Revista "O BOMBO DA FESTA", (1976) no Maria Vitória, ou a inquieta "OLIVA, OLIVA" empregada e Patroa, na Revista "P´RA TRÁS MIJA A BURRA" (1975) no Teatro ABC.

MAS O SEU RECONHECIMENTO POPULAR DEVE-SE MUITO À TELEVISÃO.

Programas como "A FEIRA" (1978), "IVONE  A FAZ-TUDO" (1979) realizado por JOSÉ FONSECA E COSTA, "PONTO E VIRGULA" (1984) e, sobretudo, "SABADABADU" (1981) da autoria de "CÉSAR DE OLIVEIRA" e de MELO PEREIRA. "CÉSAR DE OLIVEIRA" foi o autor que melhor soube explorar o talento de "IVONE SILVA", onde a actriz atinge o auge da sua popularidade aos inesquecíveis duetos cómicos que protagonizou com o actor "CAMILO DE OLIVEIRA" ( "AI AGOSTINHO, AI AGOSTINHA").
Com a Revolução de ABRIL de 1974, "IVONE SILVA" assume publicamente as suas opções políticas, confirmando a sua filiação no PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS, e manifesta-se desaproveitada no teatro de revista.
Experimenta outros géneros teatrais, abordando o teatro absurdo, textos políticos e existencialistas, no TEATRO DA GRAÇA ( "FELIZ NATAL, AVOZINHA" (1979) e "ANDORRA" de MAX FRICH) e no TEATRO EXPERIMENTAL DE CASCAIS (ORAÇÃO" de FERNANDO ARRABAL). Mas a Revista era, de facto, o seu Mundo.
O regresso era inevitável. "IVONE SILVA" volta ao PARQUE MAYER para fazer no TEATRO MARIA VITÓRIA, as revistas: "SEM REI NEM ROCK" (1982), "NÃO BATAM MAIS NO ZÉZINHO" e "NÃO HÁ NADA PARA NINGUÉM" (1981) , arrebatando com este último o Prémio da Crítica para melhor actriz.

«IVONE SILVA» não se dedicou exclusivamente ao palco, esteve também na "SÉTIMA ARTE", com o filme "ESTRADA DA VIDA" (1968)-(Comédia) no elenco ALINA VAZ e ARTUR SEMEDO, a "nossa" "IVONE SILVA"  protagonizava a personagem de  "OLGA" e "O DESTINO MARCA A HORA" (1970)-(Drama-Romance) com argumento de Paulo da Fonseca, César de Oliveira e Rogério Bracinha, no elenco TONY DE MATOS com "IVONE SILVA" a protagonizar  o papel de "RITA", ambos realizados por Henrique Campos. 


A última revista de "IVONE SILVA" acabaria no entanto por ser no extinto TEATRO LAURA ALVES na RUA DA PALMA em LISBOA, numa Sociedade Artística com o actor CAMILO DE OLIVEIRA, com a Revista "CÁ ESTÃO ELES!" (1987). Dois meses após a estreia do espectáculo a actriz abandona o elenco e é internada de urgência no IPO de LISBOA. A doença foi traiçoeira e implacável, levando-a cedo demais uma actriz popular de fibra que ainda não tivera oportunidade nem tempo de fazer tudo aquilo que o seu talento prometia. Para se entender melhor esta opinião, basta revisitá-la através dos vários programas de humor que gravou para a RTP ou do filme "A MALUQUINHA DE ARROIOS" (1970) Comédia com ALINA VAZ, ARTUR SEMEDO, CARLOS COELHO, EUGÉNIO SALVADOR, HELENA ISABEL e IVONE SILVA, uma realização de HENRIQUE CAMPOS.

"IVONE SILVA" era uma força da natureza, deixou-nos há pouco mais de vinte e nove anos (1987) mais pobres, mais tristes, mais sós! [Fonte: Salvador Santos - PORTO em 26.02.2012]. 


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES[ X ]-A RUA IVONE SILVA ( 4 )».

quarta-feira, 4 de maio de 2016

RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES [ VIII ]

«A RUA IVONE SILVA ( 2 )»
 Rua Ivone Silva - (2015) - (Entrada na parte NORTE da "RUA IVONE SILVA" junto da "AVENIDA CINCO DE OUTUBRO" )  in   GOOGLE EARTH
 Rua Ivone Silva - (2015) - (Panorâmica mais aproximada da "RUA IVONE SILVA" na freguesia das "AVENIDAS NOVAS")  in   GOOGLE EARTH
 Rua Ivone Silva - ( 1987 ) - (Cartaz anunciando a revista à Portuguesa "CÁ ESTÃO ELES!" no TEATRO LAURA ALVES, com IVONE SILVA e CAMILO DE OLIVEIRA) in  BANCADA DIRECTA
 Rua Ivone Silva - (1975) - ( Foto de IVONE SILVA, cena da Rábula "A VIRA VESTIDOS" da Revista "P'RA TRÁS MIJA A BURRA", no Teatro ABC [Fonte: MATRIZNET]  in FACEBOOK IVONE SILVA
 Rua Ivone Silva - (1975) - (Uma apresentação da RTP da Rábula "OLIVIA PATROA/OLIVIA EMPREGADA" da Revista "P'RA TRÁS MIJA A BURRA", estreado no Teatro ABC no PARQUE MAYER)  in  YOUTUBE
Rua Ivone Silva - (Início dos anos sessenta do século vinte) (IVONE SILVA" numa Revista do TEATRO ABC no PARQUE MAYER)  in  LISBOA NO GUINESS


(CONTINUAÇÃO)-RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES [ VIII ]

«A RUA IVONE SILVA ( 2 )»

Meses depois, durante uma digressão a ÁFRICA com aquele espectáculo, a "ESTRELA DA COMPANHIA" teve um pequeno diferendo com o Empresário e abandona o elenco. Como consequência, "IVONE SILVA" foi chamada a substituir aquela actriz e no regresso a PORTUGAL estreia uma nova Revista já como "CABEÇA DE CARTAZ".
Muitos boatos circularam a propósito destes acontecimentos que resultaram na ascensão  de IVONE SILVA ao topo do elenco da COMPANHIA DO TEATRO ABC, mas a verdade é que a ex-corista soube merecer a confiança nela depositada pelo Empresário "JOSÉ MIGUEL".
Em "CHAPÉU ALTO"(1963) assim se chamava a Revista, foi um magnifico sucesso muita graça ao talento daquela actriz de "sorriso aberto e olhos saltitantes" que percorre o palco de uma ponta a outra, vestindo as mais diversas personagens, com grande sentido de humor e malícia; "rindo, barafustando, gesticulando e falando com uma rapidez incrível". Características que foram invocadas pelo júri do prémio "ESTÊVÃO AMARANTE" para lhe atribuir o galardão da melhor actriz do TEATRO LIGEIRO.
Estavam desfeitas todas as dúvidas sobre as capacidades da actriz e esmagadas as maledicências que se escondiam por detrás dos boatos que tinham origem nas andanças por ÁFRICA.
Depois desta última revista, IVONE SILVA tentou entrar para o CONSERVATÓRIO, na esperança de saciar a sua sede de aprender sobre TEATRO. Injustamente, a sua candidatura foi recusada, devido a trabalhar em REVISTA.
Mas IVONE SILVA não baixou os braços e os êxitos sucederam-se em catapulta. ora no TEATRO ABC, ora no TEATRO MARIA VITÓRIA.

Depois do "CHAPÉU ALTO" entrava em "LÁBIOS PINTADOS"(1964) no ABC, "É REGAR E POR AO LUAR, (1964) também no ABC (onde se estreia MARIEMA). E depois uma revista exclusivamente feminina "AI VENHAM VÊ-LAS", (1964) no ABC onde estava também "HERMÍNIA SILVA. Seguidamente veio "ZONA AZUL", (1965) no ABC, onde entrou sua irmã LINDA SILVA e contracenou pela primeira vez com o actor ANTÓNIO SILVA.
Seguem-se as revistas "DÁ-LHE AGORA", (1965) no PAVILHÃO PORTUGUÊS, "MINI-SAIAS", (1966), no ABC, onde ganhou o prémio da IMPRENSA e do SNI, e se destacaram as Rábulas "OS PEQUENOS CANTORES DE VIANA". Revista "TUDO À MOSTRA", (1966) no ABC, "MULHERES À VELA" (1967) no ABC e "SETE COLINAS" (1967) também no ABC.
"IVONE SILVA" continuou no PARQUE MAYER, indo para o TEATRO VARIEDADES na Revista "POIS, POIS" (1967), onde trabalhou com RAÚL SOLNADO, "ELAS É QUE SABEM" (1969) no ABC, "ENA! JÁ FALA" (1969) no ABC, ainda a revista "ALTO LÁ COM O CHARUTO" (1970 no ABC, e "PEGA DE CARAS" (1970) no ABC.
Vai então para o MARIA VITÓRIA onde entra nas seguintes revistas: "O ZÉ APERTA O CINTO" (1971), "CÁ VAMOS PAGANDO E RINDO" (1972), "PRONTO A DESPIR" (1972) e "VER, OUVIR E CALAR" (1973) todas  representadas no teatro MARIA VITÓRIA.  Está de volta ao TEATRO ABC, vem então a revista "UMA NO CRAVO, OUTRA NA DITADURA" (1974) e "P'RA TRÁS MIJA A BURRA" (1975) ABC.

O FADO LEMBRA "IVONE SILVA" - LETRISTA "CARLOS ESCOBAR"

Foi empregada e patroa
Foi p'rós copos com o CAMILO
Vocês lembram-se daquilo
Vestia um vestido preto
E eu acho que comprometo
O Fado o povo e os artistas
Ao recordar as revistas
Em que a revista foi sua
Em que a arte foi ciclone
A graça foi mais brejeira
À maneira da maneira
Da nossa querida IVONE.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES[ IX ] A RUA IVONE SILVA( 3 )».