quarta-feira, 23 de Julho de 2014

RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES E ACTORES [ IX ]

RUA HELENA FÉLIX ( 2 )
 Rua Helena Félix - (2014) - (A saída da RUA HELENA FÉLIX" para a AVENIDA DAS FORÇAS ARMADAS)  in  GOOGLE EARTH
 Rua Helena Félix - (2014) - (A RUA HELENA FÉLIX no final do lado direito in  GOOGLE EARTH
 Rua Helena Félix - (2014) - (A RUA HELENA FÉLIX no final do lado esquerdo, junto de parques privados)  in GOOGLE EARTH
 Rua Helena Félix - (24 de Setembro de 2012) Foto de João Francisco (O que resta do "TEATRO VASCO SANTANA", antigo estúdio da RTP e Teatro-Estúdio de Lisboa, na antiga FEIRA POPULAR de ENTRECAMPOS, encerrada em 2003) in  BECO DAS BARRELAS
Rua Helena Félix - (1948) - (HELENA FÉLIX na revista "O TICO-TICO" representada no TEATRO MARIA VICTORIA em 1948 com MIRITA CASIMIRO e EUGÉNIO SALVADOR) in HISTÓRIA DO TEATRO DE REVISTA

(CONTINUAÇÃO) RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES E ACTORES [ IX ]

«RUA HELENA FÉLIX ( 2 )»

Em consequência dos bons resultados obtidos nos seus trabalhos, o empresário ROBLES MONTEIRO convidou-a para umas representações na cidade do PORTO, integrada na COMPANHIA DO TEATRO NACIONAL D. MARIA II, com a peça "AS MENINAS DA FONTE DA BICA", mas este trabalho ficaria sem efeito, no entanto acabaria por chegar essa oportunidade.
HELENA FÉLIX partiu para PARIS. Por lá se especializou o mais que lhe fora possível, no regresso teve um convite para integrar o elenco da peça "MISS BABEL", no TEATRO DA TRINDADE, onde trabalha ao lado de PALMIRA BASTOS.
Veio depois "O NINHO DE ÁGUIAS" e o ingresso durante onze anos na Companhia do TEATRO D. MARIA II.
Realizou-se ainda uma tentativa isolada de reatar a tradição das Revistas de Carnaval, com o "PONTO DE VISTA" de Varela Silva com música de LUCIEN DONNAT no NACIONAL, em que se caricaturavam as personagens da peça que a companhia então representava ("VISTA DA PONTE" de ARTHUR MILLER), com intervenção de MARIANA REY-MONTEIRO, LURDES NORBERTO, HELENA FÉLIX, EURICO BRAGA e RAUL DE CARVALHO.
No inicio dos anos sessenta vai para LONDRES, durante três anos estuda numa das melhores escolas londrinas. Quando regressa a PORTUGAL procura um teatro disponível para trabalhar e receber a sua COMPANHIA DE TEATRO - "O TEATRO-ESTÚDIO DE LISBOA". Encontrou um espaço na FEIRA POPULAR DE LISBOA, ate então utilizado como estúdio de Televisão.
Com seu repertório, criteriosamente escolhido, pretendia alertar consciências e, devido a essa manifesta intenção, a Companhia teve sempre grandes problemas com a censura. A Censura do velho regime não perdoavam a ousadia do TEATRO-ESTÚDIO DE LISBOA e tornavam a sua vida num verdadeiro inferno. Mesmo assim ainda foram representadas: "AS MÃOS DE ABRAÃO ZACUT" de Sttal Monteiro em 1969, "A LOUCA DE CHAILLOT" de JEAN GIRAUDOUX e "QUEM É ESTA MULHER" de MARGUERITE DURAS (que valeram a HELENA FÉLIX, o prémio LUCINDA SIMÕES para melhor actriz de 1968 e 1970, que escaparam também ao filtro apertado dos "sensores", juntando-se um reportório sério e exigente das obras de: SHAKESPEAR, TCHEKOV, STRINDBERG ou ARNOLD WESKER.
HELENA FÉLIX teve ainda algumas participações em filmes portugueses "QUANDO O MAR GALGOU A TERRA"(1950) de Henrique Campos, "OS TOUROS DE MARY FOSTER" de Henrique Campos e "O MAL AMADO", onde a actriz deixou bem vincada para a posteridade a marca da sua imensa dedicação à arte de representar. 

Após 12 anos a sua fundação, o TEATRO-ESTÚDIO DE LISBOA, teve de fechar as portas, face a enormes dificuldades, apesar de já no tempo da revolução do 25 de Abril de 1974. HELENA FÉLIX começa afastar-se aos poucos. No ano de 1985 aceitou voltar ao cinema para fazer "A NOITE E A MADRUGADA"(1985) drama de ARTUR RAMOS, fechando assim o seu percurso da sétima arte.
Mas seria injusto esquecer o contributo de tantos artistas secundários que à revista e ao cinema, emprestaram o seu talento a sua presença insinuante, como, entre outras, a HELENA FÉLIX.  

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES E ACTORES [ IX ]-RUA EUGÉNIO SALVADOR»

sábado, 19 de Julho de 2014

RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES E ACTORES [ VIII ]

RUA HELENA FÉLIX ( 1 )
 Rua Helena Félix - (2014) - (Entrada para a RUA HELENA FÉLIX, junto da AVENIDA DAS FORÇAS ARMADAS) in GOOGLE EARTH 
 Rua Helena Félix - (2007) - (Foto panorâmica da antiga freguesia do Campo Grande, onde está inserida a RUA HELENA FÉLIX)  in  GOOGLE EARTH
 Rua Helena Félix -(2014) (A RUA HELENA FÉLIX com percurso para a direita e esquerda)  in  GOOGLE EARTH
 Rua Helena Félix - (2014) - (Um troço da RUA HELENA FÉLIX no lado direito) in  GOOGLE EARTH
 Rua Helena Félix - (Século XX) - (Retrato de HELENA FÉLIX nos anos sessenta do século vinte) in  RUA DOS DIAS QUE VOAM
Rua Helena Félix - (1954) - Cartaz do filme "QUANDO O MAR GALGOU A TERRA" de Henrique Campos, onde HELENA FÉLIX teve a sua participação. Estreou-se no cinema a 27 de Abril de 1954) in DO TEMPO DA OUTRA SENHORA


(CONTINUAÇÃO) - RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES E ACTORES  [ VIII ]

« RUA HELENA FÉLIX ( 1 ) »

A "RUA HELENA FÉLIX" pertencia à freguesia do CAMPO GRANDE, hoje com a REFORMA ADMINISTRATIVA DE LISBOA DE 2013, juntamente com as freguesias de S. JOÃO DE BRITO e ALVALADE, passou a designar-se por «ALVALADE». Tem início na AVENIDA DAS FORÇAS ARMADAS.
Pela acta Nº4  de 30 de Abril de 1992 a COMISSÃO MUNICIPAL DE TOPONÍMIA emitiu parecer favorável, propondo que o nome da actriz seja atribuído ao arruamento designado por "Impasse Um à AVENIDA DAS FORÇAS ARMADAS" (junto ao número 34-A), situado nas imediações do Teatro, que passará a denominar-se por: RUA HELENA FÉLIX - ACTRIZ -(1920-1991).
«MARIA HELENA DE CARVALHO FÉLIX», nasceu na cidade do PORTO em 10 de Abril de 1920, tendo falecido no ano de 1991.
Foi uma actriz do Teatro e do Cinema português. A música e o canto foram a sua grande paixão de infância, desta ilustre portuense que viria a brilhar nos palcos do teatro, na segunda metade do século XX.
No início dos seus estudos, os pais, matricularam-na no CONSERVATÓRIO DE MÚSICA DO PORTO, onde estudou canto durante dois anos. Mas a música a as cantigas acabariam por abrir-lhe as portas do Teatro.
A sua estreia deu-se no Teatro em LISBOA, com pouco mais de vinte anos, integrada num espectáculo musical, e durante quatro anos andou pela opereta e pela revista, em busca de uma permanência nos palcos. A tarefa não foi fácil, um longo e duro caminho teve de percorrer, esta talentosa actriz que esteve na origem de uma das mais importantes Companhias de sempre do teatro independente: O TEATRO - ESTÚDIO DE LISBOA.

O Teatro de Revista era para ela a sua principal experiência, quase sempre com simples quadros, no entanto ia acalentando o sonho de uma oportunidade no teatro declamado.
HELENA FÉLIX já em 1941 entrava numa revista "O JOGO DA LARANJINHA" de Fernando Santos, Almeida Amaral, Xavier de Magalhães e Lourenço Rodrigues. Foi musicada por JAIME MENDES, FREDERICO VALÉRIO e FERNANDO GUIMARÃES, com estreia no TEATRO DA TRINDADE. No ano de 1945 seguiu-se "ALTO LÁ COM O CHARUTO" de José Galhardo, Luís Galhardo, Vasco Santana e Carlos Lopes, com música de Raul Ferrão e Fernando de Carvalho, foi representado no "PARQUE MAYER" no TEATRO VARIEDADES".
Um dos  sucessos patrocinados também com HELENA FÉLIX, ao lado de MIRITA CASIMIRO e EUGÉNIO SALVADOR, tinha a revista o nome de "O TICO-TICO" de Amadeu do Vale, António Cruz, Manuel Santos Carvalho e Lourenço Rodrigues, com música de Raul Ferrão, Jaime Mendes e João Nobre, foi um êxito de representação no TEATRO MARIA VICTORIA no ano de 1948. Foi nesta revista que FERNANDA BAPTISTA interpretou também  o seu maior êxito, o «FADO DA CARTA», da autoria de João Nobre e Armando do Vale.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES E ACTORES[IX]-RUA HELENA FÉLIX(2)».

quarta-feira, 16 de Julho de 2014

RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES E ACTORES [ VII ]

RUA CHABY PINHEIRO
 Rua Chaby Pinheiro - (2014) (A entrada para a "RUA CHABY PINHEIRO", junto do CAMPO PEQUENO in   GOOGLE EARTH
 Rua Chaby Pinheiro - (2007) - ( Panorama das AVENIDAS NOVAS onde está inserida a RUA CHABY PINHEIRO)  in   GOOGLE EARTH
 Rua Chaby Pinheiro - (2014) (Um troço da RUA CHABY PINHEIRO voltada para o seu final, junto do apeadeiro de "ENTRECAMPOS")  in   GOOGLE EARTH
 Rua Chaby Pinheiro - (2014) (A RUA CHABY PINHEIRO visto da parte Norte, junto ao apeadeiro de "Entrecampos", com a Praça de touros do CAMPO PEQUENO no fundo)  in  GOOGLE EARTH
 Rua Chaby Pinheiro - (Publicado em 1925 uma colecção da autoria de AMARELHE sob a direcção de Mário Duarte) (CHABY PINHEIRO, depois de ter sido um amador distinto, estreou-se no Teatro D. MARIA II com a Empresa ROSAS & BRAZÃO, numa peça em um acto "O TIO MILHÕES") in ARQUIVO DIGITAL
 Rua Chaby Pinheiro - (1924) (Prato esculpido pelo Mestre Teixeira Lopes, em molde de cera, retratando o actor "CHABY PINHEIRO")  in  MASSARELOS - OLX
 Rua Chaby Pinheiro - ( 1925 ) - (Em 1925, estreou-se no Teatro POLITEAMA com a peça "O LEÃO DA ESTRELA" de Ernesto Rodrigues, Félix Bermudes e João Bastos. Esta peça original era representada pela primeira vez pela Companhia CHABY PINHEIRO. Faziam parte da Companhia os actores: Chaby Pinheiro, sua esposa Jesuína de Chaby, Emília de Oliveira, João Silva, Helena de Castro e outros.) in   MEMÓRIAS DE OUTRO TEMPO
Rua Chaby Pinheiro - (1925) (Programa de "O LEÃO DA ESTRELA" representação teatral no POLITEAMA com Direcção e Encenação de CHABY PINHEIRO)  in  MEMÓRIAS DE OUTRO TEMPO

(CONTINUAÇÃO)-RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES E ACTORES [ VII ]

«RUA CHABY PINHEIRO»

A "RUA CHABY PINHEIRO" pertencia à freguesia de "NOSSA SENHORA DE FÁTIMA" que pela REFORMA ADMINISTRATIVA DE LISBOA DE 2013, juntamente com a freguesia de SÃO SEBASTIÃO DA PEDREIRA, resultou na actual freguesia de «AVENIDAS NOVAS».
A rua tem início no CAMPO PEQUENO número 12, finaliza junto do apeadeiro de ENTRECAMPOS.
Converge para esta artéria no seu lado direito, a "RUA ISIDORO VIANA" (Francisco Isidoro Viana, fundador da casa bancária Fonsecas, Santos & Vianna, Fundador e Presidente do Conselho de Administração da Companhia dos Tabacos de Portugal).
Por Edital de 17 de Abril de 1934 o topónimo foi atribuído à "RUA-A" da antiga "QUINTA DO VIANINHA".

ANTÓNIO AUGUSTO DE CHABY PINHEIRO (Lisboa-12.01.1873 - 06.12.1933-Algueirão).
Nasceu no número 53 da RUA DE SÃO JULIÃO em LISBOA, frequentou a ESCOLA MODERNA e o LICEU FRANCÊS.
CHABY PINHEIRO acaba por ir trabalhar como funcionário dos CORREIOS e TELÉGRAFOS. Matricula-se ainda no INSTITUTO INDUSTRIAL e depois no CURSO SUPERIOR DE LETRAS, embora tivessem ficado incompletos, pela sua falta de assiduidade.
Começa a fazer teatro de amador, principalmente recitando poemas ou monólogos, ganhando assim, alguma notoriedade no meio teatral. É convidado pela COMPANHIA ROSAS & BRAZÃO que, na altura era concessionária do TEATRO D. MARIA II, para se tornar profissional. Foi assim que a 10 de Outubro de 1896, pisa o palco do Rossio na comédia alemã "O TIO MILHÕES" (desempenhando o papel de AUGUSTO LITZMAN).
Foi o início de uma brilhante carreira de interprete, que se irá prolongar até 1931, trabalhando em várias Companhias e tendo ele próprio fundado a sua.
Representa ainda no D. MARIA II na época seguinte, "A IMACULADA" de ABEL BOTELHO, e "O REGENTE" de MARCELINO MESQUITA, ambas de 1897. A Companhia ROSAS & BRAZÃO deixa o NACIONAL em 1898 e transita para o TEATRO D. AMÉLIA na RUA ANTÓNIO MARIA CARDOSO, (Teatro que mais tarde seria nomeado de "REPÚBLICA" e, numa derradeira alteração, passou a chamar-se SÃO LUÍS), resultado desta mudança CHABY PINHEIRO, foi dispensado do NACIONAL.
No ano seguinte ingressa na COMPANHIA LUCINDA SIMÕES, participando na célebre "tourenée" em que se apresenta "A CASA DA BONECA" de IBSEN estreada em COIMBRA, faz depois uma digressão triunfal que culmina com uma temporada em LISBOA, no TEATRO GINÁSIO, com a peça "DEMI-MONDE", de ALEXANDRE DUMAS e "TERESA RAQUIN", de ÉMILE ZOLA.
Associado então à COMPANHIA CREMILDA DE OLIVEIRA-CHABY PINHEIRO que, em LISBOA, fica sediada no TEATRO AVENIDA, embora eles trabalhassem frequentemente no PORTO, e e, digressão pelas províncias e no BRASIL.
No início de 1925 CHABY PINHEIRO regressa ao palco do TEATRO NACIONAL, para interpretar o papel que fora do actor JOÃO ROSA numa reposição de "O ABADE CONSTANTINO", de H. CRÉMIEUX e P. DECOURCELLE. Ainda nesse ano organiza uma companhia no POLITEAMA e estreia "O LEÃO DA ESTRELA" de ERNESTO RODRIGUES, FÉLIX BERMUDES e JOÃO BASTOS, que durante os 3 meses de Verão, esgotou as lotações do POLITEAMA.
Desloca-se mais uma vez ao BRASIL onde obtém grandes êxitos e óptimos lucros. Disse o próprio CHABY; "que o LEÃO aguentou-se em mais de cem representações". Em 1927 existem referências muito elogiosas a CHABY na Imprensa de S. PAULO. No início da década seguinte ingressa na COMPANHIA LUCÍLIA SIMÕES-ERICO BRAGA, no TEATRO DA TRINDADE, onde são representadas variadíssimas peças. 
Em Agosto de 1931 adoece gravemente e tem de se afastar dos palcos. Parece estar em plena recuperação, quando aceita, a 2 de Dezembro de 1933, recitar alguns monólogos do seu reportório numa colectividade em MEM MARTINS-ALGUEIRÃO. O público acorre em tal número e recebe-o com tal entusiasmo que o debilitado actor tem uma forte comoção que lhe desencadeia uma congestão cerebral. CHABY PINHEIRO faleceu no ALGUEIRÃO a 6 de Dezembro de 1933.
Este actor, demasiado forte e memorável, cuja a fama continuou como uma lenda, e perdura mesmo já quase não existindo possivelmente, qualquer pessoa que o tenha visto trabalhar em palco, a homenagear o seu valor. Existia um "CINE-TEATRO CHABY", para glorificar seu nome na vila de MEM MARTINS-ALGUEIRÃO e uma RUA na freguesia das AVENIDAS NOVAS em LISBOA.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES E ACTORES [ VIII ]-RUA HELENA FÉLIX(1)».

sábado, 12 de Julho de 2014

RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES E ACTORES [ VI ]

«RUA EDUARDO BRAZÃO»
 Rua Eduardo Brazão - (2014) ( A "RUA EDUARDO BRAZÃO" no primeiro BAIRRO DOS ACTORES, visto da AVENIDA ALMIRANTE REIS) in GOOGLE EARTH
 Rua Eduardo Brazão - (2014) (A RUA EDUARDO BRAZÃO vista da RUA CARLOS MARDEL) in GOOGLE EARTH
 Rua Eduardo Brazão - (2007) (Vista Panorâmica do BAIRRO DOS ACTORES onde se insere a RUA EDUARDO BRAZÃO) in GOOGLE EARTH
 Rua Eduardo Brazão - (2014) - (Um troço da RUA EDUARDO BRAZÃO ao fundo pudemos ver o "Mercado de Arroios") in GOOGLE EARTH
 Rua Eduardo Brazão - (1912)? - (O grande actor EDUARDO BRAZÃO numa das suas representações) in WIKIPÉDIA
Rua Eduardo Brazão - (1925) (Uma colecção da autoria de AMARELHE publicada em 1925 sob a direcção de Mário Duarte) (EDUARDO BRAZÃO caricaturado por AMARELHE, já quase no final da sua carreira artística) in ARQUIVO DIGITAL 

(CONTINUAÇÃO) -RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES E ACTORES [ VI ]

«RUA EDUARDO BRAZÃO »


A «RUA EDUARDO BRAZÃO» pertencia à freguesia de S. JORGE DE ARROIOS que, de acordo com a REFORMA ADMINISTRATIVA DE LISBOA DE 2013, passou  a designar-se   «ARROIOS». Começa na AVENIDA ALMIRANTE REIS no número 160 e finaliza na RUA CARLOS MARDEL junto do número 37-A. Esta artéria passou a figurar no «BAIRRO DOS ACTORES» pelo Edital Camarário de 12 de Março de 1932.

«EDUARDO JOAQUIM BRAZÃO» foi um célebre actor português da escola romântica e um dos fundadores de uma das mais importantes Companhias de Teatro portuguesas, a "ROSAS & BRAZÃO
EDUARDO BRAZÃO durante cerca de cinquenta anos que esteve na arte de representar, passou pelos mais importantes Teatros portugueses - TEATRO NACIONAL D. MARIA II, D. AMÉLIA (depois Teatro de São Luís), TRINDADE, GINÁSIO, SÃO CARLOS etc. - bem como por vários teatros no BRASIL, país que várias vezes visitou em digressão. Esteve ainda envolvido no TEATRO DA NATUREZA (1911), projecto no qual assumiu funções de direcção artística. Foi casado com a actriz ROSA DAMASCENO sócia na  "SOCIEDADE DE ARTISTAS DRAMÁTICOS" que era também composta por JOÃO ROSA, AUGUSTO ROSA, VIRGÍNIA, PINTO DE CAMPOS, EMÍLIA DOS ANJOS e JOAQUIM DE ALMEIDA. 
Foi na cidade do PORTO que se estreou em 1867 no TEATRO BAQUET, com "TRAPEIRAS DE LISBOA" de LEITE BASTOS e "PRECISA-SE DUM PRECEPTOR", comédia dos Irmãos QUINTERO, no TEATRO SÃO CARLOS.
Entre as suas inúmeras prestações memoráveis, salienta-se o seu trabalho em  "KEEAN"(1877), OTELO(1882), HAMLET(1887), BIBLIOTECÁRIO(1890) e ALCÁCER-QUIBIR(1891). Fez várias traduções de peças que representou, no CINEMA (MUDO) deixou também a sua colaboração: "AS PUPILAS DO SENHOR REITOR"(1923) de JÚLIO DINIS com realização de  MAURICE MARIAND; "OS OLHOS DA ALMA"(Adaptação do romance da escritora VIRGÍNIA DE CASTRO E ALMEIDA); "O FADO" (curta metragem)1932 baseado no quadro de MALHÔA, uma realização de MAURICE MARIAND, e interpretação de EDUARDO BRAZÃO, EMA DE OLIVEIRA e RAUL DE CARVALHO.

«EDUARDO JOAQUIM BRAZÃO» nasceu a 6 de Fevereiro de 1851, no BAIRRO DA COSTA DO CASTELO em LISBOA, e veio a falecer no dia 29 de Maio de 1925.
Filho de um alfaiate de renome da cidade de LISBOA, que desde cedo o levou  a frequentar os teatros da época. Na escola, foi colega do actor AUGUSTO ROSA com quem brincava aos teatros. Optou primeiro pela carreira da MARINHA, mas rapidamente compreendeu que a  sua verdadeira vocação era representar. Estreou-se como já tínhamos referido no PORTO e, nesse mesmo ano regressa a LISBOA, para participar no elenco de "DOIS ANJOS" de DUMAS, no TEATRO DO PRÍNCIPE REAL (depois APOLO), e a convite de FRANCISCO PALHA, integrou a COMPANHIA que inaugurou o TEATRO DA TRINDADE a 30 de Novembro de 1867, com os espectáculos "A MÃE DOS POBRES", de ERNESTO BIESTER, e "O XEREZ DA VISCONDESSA". BRAZÃO evidenciou-se como "DANIEL", numa adaptação de ERNESTO BIESTER de "AS PUPILAS DO SENHOR REITOR",  e como "PRÍNCIPE SAPHIR", na ópera cómica " O BARÃO-AZUL", de Offenbach, em 1868. Esta Companhia passou depois para o D. MARIA II e em 1870 BRAZÃO foi contactado por FURTADO COELHO para realizar aquela que foi a sua primeira digressão ao BRASIL. No regresso a PORTUGAL, em 1871, assinou contrato com a EMPRESA SANTOS & Cª. por dois anos. Aquando da morte da sua mãe EDUARDO BRAZÃO ficou responsável pelos seus sete irmãos, todos mais novos, visto que o seu pai ter falecido uns anos antes. 
Esta enorme responsabilidade - com implicações financeiras também - levou a fazer uma nova digressão pelo BRASIL, em Setembro de 1876, com JOAQUIM DE ALMEIDA, integrando a COMPANHIA DE ISMÉLIA DOS SANTOS.
Estas digressões internacionais, bem como pelo nosso país, repetiram-se várias vezes até 1921.

BRAZÃO abandonou o TEATRO NACIONAL e foi para o TEATRO GINÁSIO, onde teve o seu primeiro e grande êxito desempenhando, um papel em "ENJEITADOS" de ANTÓNIO ENES. Esta ópera no GINÁSIO é referida pelo próprio BRAZÃO, nas suas memórias, como um importante período na sua carreira. Quando acabou o contrato com a EMPRESA SANTOS & Cª., BRAZÃO juntou-se ao dramaturgo ERNESTO BIESTEL e a JOÃO DE MENEZES para formar a empresa "BIESTER, BRAZÃO & Cª.", no sentido de poder concorrer à exploração do NACIONAL, onde se instalaram de 1877 a 1880. Em Junho de 1879 BRAZÃO realizou a sua terceira digressão pelo BRASIL, onde representou "OS FIDALGOS DA CASA MOURISCA" e "A MORGADINHA DE VAL-FLOR". Quando regressou a LISBOA, integrou a nova gerência do TEATRO NACIONAL D. MARIA II, sob a designação BRAZÃO, ROSAS & Cª:.
Quando terminou o contrato com esta empresa foi realizado um novo, desta vez apenas com EDUARDO BRAZÃO, JOÃO e AUGUSTO ROSA à cabeça, formando, assim ROSAS & BRAZÃO, Companhia que explorou o NACIONAL de 1893 a 1898, ano em que abandonaram o TEATRO NACIONAL e se instalaram no TEATRO D. AMÉLIA (actual S. Luís). Desavenças internas dentro da Companhia levaram à saída de BRAZÃO do D. AMÉLIA e, em 1905 apresentou-se de novo no NACIONAL, onde se manteve até 1910. Depois de ter passado pelo TEATRO DO PRÍNCIPE REAL durante um curto período voltou novamente a integrar o elenco do TEATRO D. AMÉLIA (nessa época com o nome de REPÚBLICA). Representou "ALJUBARROTA"(1912), de RUI CHIANCA e "A MALUQUINHA DE ARROIOS"(1916), de ANDRÉ BRUN.
Foi-lhe diagnosticado, em 1917, um cancro na laringe, do qual recuperou, embora a doença ameaçasse um afastamento definitivo do palco, visto que a operação necessária à sua recuperação poderia danificar-lhe as cordas vocais. Contudo, entre 1917 a 1923, BRAZÃO fez várias aparições em palcos como o do GINÁSIO (1918-19), no AVENIDA(1919), do TEATRO NACIONAL(1922) e do TEATRO APOLO(1923). E o inevitável afastamento dos palcos por motivo de doença, acabou por chegar.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES E ACTORES [VII]-RUA CHABY PINHEIRO»

quarta-feira, 9 de Julho de 2014

RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES E ACTORES [ V ]

RUA FRANCISCO RIBEIRO (RIBEIRINHO)
 Rua Francisco Ribeiro (Ribeirinho) - (2014) (A "RUA FRANCISCO RIBEIRO (RIBEIRINHO)" na freguesia de ARROIOS e começa na RUA FEBO MONIZ) in GOOGLE EARTH 
 Rua Francisco Ribeiro (Ribeirinho) - (2007) (Vista Panorâmica de uma parte da freguesia de ARROIOS onde se insere a RUA FRANCISCO RIBEIRO "RIBEIRINHO")  in  GOOGLE EARTH
 Rua Francisco Ribeiro (Ribeirinho) - (2014) (Um troço da RUA FRANCISCO RIBEIRO (RIBEIRINHO), no sentido Sul para Norte)  in  GOOGLE EARTH
 Rua Francisco Ribeiro (Ribeirinho) - (2014) ( A parte final da RUA FRANCISCO RIBEIRO (RIBEIRINHO) junto da RUA FREI FRANCISCO FOREIRO) in GOOGLE EARTH
 Rua Francisco Ribeiro (Ribeirinho) - (1932) Caricatura de AMARELHE ("RIBEIRINHO" e BEATRIZ COSTA na "Revista Pirilau" estreada no Teatro VARIEDADES) in  FOTOLOG
 Rua Francisco Ribeiro (Ribeirinho) - (1941) - (Uma cena do filme "O PAI TIRANO" de António Lopes Ribeiro com RIBEIRINHO (o CHICO) e LEONOR MAIA (a TATÃO)  in CINEMAS SAPO
Rua Francisco Ribeiro (Ribeirinho) - (1950) (Cartaz do Filme "O GRANDE ELIAS" de Artur Duarte, com RIBEIRINHO, ANTÓNIO SILVA, MILÚ e MARIA OLGUIM) in CINEMAS SAPO

(CONTINUAÇÃO) - RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES E ACTORES [ V ]

«RUA FRANCISCO RIBEIRO (RIBEIRINHO)»


A «RUA FRANCISCO RIBEIRO (RIBEIRINHO) pertencia à freguesia de S. JORGE DE ARROIOS, NA SEQUÊNCIA DA REFORMA ADMINISTRATIVA DE LISBOA de 2013,juntamente com as freguesias dos ANJOS e PENA, passou a designar-se apenas freguesia de «ARROIOS». Começa na RUA FEBO MONIZ e termina na RUA FREI FRANCISCO FOREIRO.
Na Acta Nº 1/86 de 18 de Abril de 1986, por deliberação tomada pela CÂMARA em reunião de 3 de Setembro de 1984, dando o nome de FRANCISCO RIBEIRO (RIBEIRINHO) a uma rua de LISBOA. Com o parecer e os votos favoráveis do presidente e da vogal Drª. SALETE SIMÕES SALVADA, a COMISSÃO deliberou propor que o nome do falecido actor seja atribuído ao arruamento no prolongamento da RUA ANTÓNIO PEDRO, compreendido entre a RUA FEBO MONIZ e a RUA FREI FRANCISCO FOREIRO que passará a denominar-se RUA FRANCISCO RIBEIRO (RIBEIRINHO) - Actor - (1911-1984).

FRANCISCO CARLOS LOPES RIBEIRO nasceu em LISBOA, num terceiro andar de um prédio da CALÇADA DA ESTRELA, no dia 21 de Setembro de 1911.  Veio juntar-se a outro irmão de 3 anos chamado ANTÓNIO LOPES RIBEIRO. Os dois irmãos (que teriam mais tarde uma vida artística em comum), nasceram de uma família dada às artes, que cedo mostraram os seus talentos.
FRANCISCO e ANTÓNIO aprenderam línguas ainda muito pequenos, familiarizaram-se desde cedo com escritores, jornalistas, pintores e muita da intelectualidade que frequentava a casa dos seus pais.
ANTÓNIO conta na sua biografia que para os dois irmãos foi muito importante um presente chamado «TEATRO DE LOS NIÑOS» que permitia "armar um palco de meio metro, com pano de boca, poscénio e urdimento de onde se suspendiam lindíssimos cenários". Nesse "TEATRO", conta ANTÓNIO LOPES RIBEIRO puderam montar duas peças de SHAKESPEARE. Não se estranhe, portanto que o grande sonho de FRANCISCO tivesse sido desde muito pequeno, ser actor. Para isso muito contribuiu o actor CHABY PINHEIRO, amigo do pai, tendo sido até na sua COMPANHIA TEATRAL que FRANCISCO RIBEIRO (ainda não o RIBEIRINHO), se estreou na peça A MALUQUINHA DE ARROIOS, onde interpretava o galã cómico da peça de ANDRÉ BRUN. Tinha 18 anos e era o início de uma carreira de mais de cinquenta anos no TEATRO e no CINEMA português.
FRANCISCO RIBEIRO (RIBEIRINHO) no entanto não foi só um homem de TEATRO. Ele foi também actor, realizador, encenador, autor de diálogos para o cinema português dos anos 40 e 50 do século passado. Provavelmente não o conheçam bem do teatro, onde ele foi rei e senhor, mas conhece-o certamente do cinema. Basta lembrar o (CHICO), aquele caixeiro humilde do PAI TIRANO(1941) apaixonado pela (TATÃO) (LEONOR MAIA) ou o (RUFINO FINO FILHO), dono de uma leitaria, tutor de um VASCO SANTANA sempre embriagado com quem fazia a famosa "GINÁSTICA CUECA", no êxito de bilheteira que foi "O PÁTIO DAS CANTIGAS"(1942)Curiosamente, RIBEIRINHO foi também o realizador do filme e actor com seu irmão ANTÓNIO LOPES RIBEIRO, dos diálogos engraçadissimos que hoje se ouvem na televisão quando a RTP-Memória resolve exibir a comédia. Ao tempo, a crítica elogiou o trabalho de RIBEIRINHO no filme O PAI TIRANO, no (já desaparecido) DIÁRIO DE LISBOA, TAVARES DA SILVA escreveu: "Não se pode representar melhor nem com mais perfeição. Para nós, ele é a grande figura do filme".
Justamente com seu irmão, o realizador ANTÓNIO LOPES RIBEIRO, funda a COMPANHIA "OS COMEDIANTES DE LISBOA" e foi director do TEATRO DO POVO e do TEATRO NACIONAL(1978-1981). Ficou para a posterioridade o seu talento em diversos filmes dos quais acrescentamos aos já citados: "A REVOLUÇÃO DE MAIO"(1937; "O FEITIÇO DO IMPÉRIO"(1940); "A MENINA DA RÁDIO"(1944); "A VIZINHA DO LADO"(1945); "TRÊS ESPELHOS"(1947); "O GRANDE ELIAS"(1950); "O COSTA DE ÁFRICA"(1954); "O PRIMO BASÍLIO"(1959); "AQUI HÁ FANTASMAS"(1964) e "O DIABO DESCEU À VILA"(1979).
FRANCISCO RIBEIRO (RIBEIRINHO) faleceu em LISBOA a 7 de Fevereiro de 1984 na mesma cidade que o "viu" nascer.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES E ACTORES [VI]-RUA EDUARDO BRAZÃO»

sábado, 5 de Julho de 2014

RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES E ACTORES [ IV ]

RUA JOÃO VILLARET
 Rua João Villaret - (2014) (A RUA JOÃO VILLARET com entrada pela AVENIDA DE ROMA, na freguesia do AREEIRO)  in  GOOGLE EARTH

Rua João Villaret - (2014) (A RUA JOÃO VILLARET paralela com a linha de Cintura dos Caminhos de Ferro, na zona do AREEIRO) in GOOGLE EARTH
Rua João Villaret - (2014) - (um troço da RUA JOÃO VILLARET no sentido Nascente-Poente e no seu lado direito a separação do caminho de ferro, linha de cintura de Lisboa) in GOOGLE EARTH
Rua João Villaret - (Finais dos anos 40 do século XX) (JOÃO HENRIQUE PEREIRA VILLARET foi um grande mestre da recitação poética, tendo trabalhado como actor no teatro D. MARIA I, na revista e no cinema português. Tem uma rua em LISBOA na freguesia do AREEIRO)  in  AVEIRO CULTURAL
Rua João Villaret - (1950) (Paulo Borges) (JOÃO VILLARET no filme FREI LUÍS DE SOUSA" interpretando o papel de TELMO PAIS ao lado da jovem MARIA DULCE) in OS ANOS DE OURO DO CINEMA
Rua João Villaret - (1959) (Um momento de JOÃO VILLARET no seu programa aos Domingos à noite na RTP, recitando alguns dos mais famosos poetas nacionais) in RTP

(CONTINUAÇÃO)-RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES E ACTORES [ IV ]

«JOÃO VILLARET»


A «RUA JOÃO VILLARET» pertencia à freguesia de S.JOÃO DE DEUS, que pela REFORMA ADMINISTRATIVA DE LISBOA DE 20013, juntamente com a freguesia do ALTO DO PINA passou a designar-se por freguesia do «AREEIRO». Começa na AVENIDA DE ROMA junto ao número 31-D, não tendo ainda uma finalização definida. São convergentes a esta rua, do seu lado esquerdo a RUA ACTOR VIANA, RUA AUGUSTO GIL e RUA DAVID SOUSA.
Pelo Edital de 4 de Março de 1961 a CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA escolheu uma RUA na freguesia de SÃO JOÃO DE DEUS (hoje AREEIRO) para acolher a figura do genial actor e declamador. À RUA JOÃO VILLARET (actor-1913-1961) foi-lhe atribuído a artéria conhecida como rua projectada à AVENIDA SACADURA CABRAL, RUA ACTOR VIANA e ainda como rua projectada à RUA DAVID DE SOUSA. Igualmente a COMISSÃO CONSULTIVA MUNICIPAL DE TOPONÍMIA na sua Acta Nº 78 de 1 de Maio de 1961, emitiu parecer favorável para que a RUA JOÃO VILLARET figurasse na rua projectada à AVENIDA SACADURA CABRAL.
JOÃO HENRIQUE VILLARET, nasceu em LISBOA a 10 de Maio de 1913 e faleceu também em LISBOA no dia 21 de Janeiro de 1961. Evidencia-se como actor de teatro de cinema, declamador, encenador e ainda chegou  a ter um programa na TELEVISÃO. Deu nas vistas pela sua maneira muito pessoal e inédita como recitava poesia. Estudou no LICEU PASSOS MANUEL e começou logo a fazer teatro amador, o que levou de seguida a frequentar o CONSERVATÓRIO NACIONAL, concluindo em 1931 sem uma classificação muito alta. Nesse ano, junta-se à COMPANHIA DE TEATRO REY COLAÇO-ROBLES MONTEIRO e mais tarde à COMPANHIA DE TEATRO OS COMEDIANTES DE LISBOA, dirigida por RIBEIRINHO e seu irmão ANTÓNIO LOPES RIBEIRO, fundada em 1944.
Estreou-se em OUTUBRO no D. MARIA II em LEONOR TELES de MARCELINO MESQUITA. VILLARET terá feito muitas revistas no NACIONAL, prática comum em todos os actores da altura. Teve grande sucesso e cedo se destacou pela forma como dizia poesia.
No ano de 1942 JOÃO VILLARET representou no TEATRO AVENIDA a revista BELEZAS DE HORTALIÇA de Fernando Santos, Almeida Amaral e L. Rodrigues com música de Jaime Mendes e José Nobre. Um quadro de comédia em verso, um poema patriótico de ANTÓNIO BOTO e uma rábula cómica, marcavam a sua presença, notada sobretudo neste último número, que se adaptava à circunstância política portuguesa da época, com a célebre cançoneta de MAURICE YVAIN, "C'est mon homme". Referia-se a SALAZAR nas entrelinhas quando cantava, com uma piscadela maliciosa de olho. "Aquele a quem dou tudo, tudo a sorrir, - cést mon homme, - e a quem dou la chemise se ele um dia ma pedir, (...)". No ano seguinte no palco do D. MARIA II representou ELECTRA e "OS FANTASMAS" de O´Neil, um dos papeis que mais marcas lhe deixou.
A partir de 1946 passa a trabalhar nos COMEDIANTES DE LISBOA, desempenhando o papel principal de MISS BA;  O REI; CADÁVER VIVO; PIGMALEÃO e BÂTON.
Em 1947 na Revista TÁ BEM OU NÃO TÁ de Ascenção Barbosa, Aníbal Nazaré e Nelson de Barros no TEATRO AVENIDA, com música de FERNANDO DE CARVALHO e FREDERICO VALÉRIO.
Escreveu um dia PAVÃO DOS SANTOS..."Ao som das guitarras, num ritmo crescente, entrecortado de pausas dolentes, VILLARET conta uma história de vida e põe o público ao rubro no "FADO FALADO" - de quem HERMINIA SILVA faria a contrapartida cómica um ano depois, no seu "FADO MAL FALADO" na revista "AÍ, BATE, BATE" de Fernando Santos, Almeida Amaral e Fernando Ávila".
JOÃO VILLARET durante vinte anos esbanjou versatilidade e talento não só em palcos como nos estúdios. No cinema teve a sua primeira participação em 1936 interpretando D. JOÃO VI no filme O BOCAGE de Leitão de Barros, segue-se O PAI TIRANO(1941) onde interpreta o papel de um pedinte mudo, INÊS DE CASTRO (1945), CAMÕES (1946), FREI LUÍS DE SOUSA (1950) na interpretação de (TELMO PAIS), A GARÇA E A SERPENTE (1952) e O PRIMO BASÍLIO (1959). 
Na RTP  JOÃO VILLARET teve um programa aos Domingos onde declamava poesia NACIONAL, e isto ajudou a dar a conhecer os nossos grandes poetas. Na memória dos portugueses fica ainda muito do seu estilo inconfundível na A PROCISSÃO de ANTÓNIO LOPES RIBEIRO e O MENINO DE SUA MÃE entre outros. Aos 48 anos JOÃO VILLARET deixa-nos, ficando para sempre a lembrança do seu estilo inconfundível de dizer poesia.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES E ACTORES [ V ]RUA FRANCISCO RIBEIRO (RIBEIRINHO)»

quarta-feira, 2 de Julho de 2014

RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES E ACTORES [ III ]

RUA ACTRIZ VIRGÍNIA
 Rua Actriz Virgínia - (2014) (A "RUA ACTRIZ VIRGÍNIA" no  "BAIRRO DOS ACTORES" com entrada pela "AVENIDA ALMIRANTE REIS" junto do número 254) in  GOOGLE EARTH
 Rua Actriz Virgínia - (2007) (Panorama do BAIRRO DOS ACTORES  onde se insere a "RUA ACTRIZ VIRGÍNIA")  in  GOOGLE EARTH
 Rua Actriz Virgínia - (2014) (Um troço da RUA ACTRIZ VIRGÍNIA no sentido para Nascente) in GOOGLE EARTH
 Rua Actriz Virgínia - (2014) (A RUA ACTRIZ VIRGÍNIA no seu final junto da RUA ABADE FARIA) in GOOGLE EARTH
 Rua Actriz Virgínia (depois de 1916) (O "TEATRO APOLO" antigo PRÍNCIPE REAL onde se estreou em 15 de Abril de 1866, aos 16 anos a ACTRIZ VIRGÍNIA, situado no MARTIM MONIZ) in FACEBOOK
 Rua Actriz Virgínia - (Retrato  "possivelmente" de 1880, com 30 anos de idade) (A  ACTRIZ VIRGÍNIA na época em que representava no TEATRO D. MARIA II)  in   FACEBOOK
 Rua Actriz Virgínia - (1916) (Retrato da ACTRIZ VIRGÍNIA ou VIRGÍNIA DIAS DA SILVA, publicada no 1º Vol. do Álbum Teatral - Ilustração Quinzenal - Biografias em Prosa e Verso por Avelino de Sousa - Editores Pedroso & Santos - 1916- Imprensa Libanio da Silva - LISBOA) in BIBLIOTECA DIGITAL da FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DE LISBOA
Rua Actriz Virgínia - (Publicada em 1925 uma colecção da autoria de AMARELHE sob a direcção de Mário Duarte) (Caricatura feita por AMARELHE da ACRIZ VIRGÍNIA, que tem uma rua com seu nome, no BAIRRO DOS ACTORES) in ARQUIVO DIGITAL-CARICATURAS

(CONTINUAÇÃO)-RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES E ACTORES [ III ]

«RUA ACTRIZ VIRGÍNIA»


A «RUA ACTRIZ VIRGÍNIA» pertencia à freguesia do ALTO DO PINA que, com a REFORMA ADMINISTRATIVA DE LISBOA 2013, ficou a pertencer à freguesia do «AREEIRO».
Começa na RUA ABADE FARIA, 54 e termina na AVENIDA ALMIRANTE REIS, 254.
Um EDITAL de 31 de Março de  1932 deu nome a esta RUA, que está integrada no primeiro BAIRRO DOS ACTORES, junto da ALAMEDA D. AFONSO HENRIQUES.

A ACTRIZ VIRGÍNIA, de seu nome completo VIRGÍNIA DIAS DA SILVA, nasceu em 19 de Março de 1850 em TORRES NOVAS e faleceu em 19 de Dezembro de 1922 em LISBOA.
Filha mais nova de um casal que vivia muito humildemente, motivo para que VIRGÍNIA acabasse por ser criada por uma tia, que lhe antevia a profissão de costureira. No entanto, seu futuro passava por seu padrinho RAFAEL RODRIGUES DE OLIVEIRA, accionista do velho TEATRO DA RUA DOS CONDES.
Ainda criança, acompanhara o seu padrinho a todas as récitas e ensaios gerais, despertando assim a sua paixão pelo teatro (quando chegava a casa, punha-se a representar tudo quanto observava, cantando, dançando, repetindo frases e cenas inteiras).
Ainda impulsionada pelo seu padrinho, estreou-se num pequeno papel da comédia em 2 actos "MOCIDADE E HONRA", em 15 de Abril de 1866, no   TEATRO DO PRÍNCIPE REAL ( 1 ), revelando imediatamente o que dela havia a esperar. A sua voz era extraordinária. Inicia aí uma carreira fulgurante com particular destaque para os papeis de ingénua.
Ingressa no TEATRO D. MARIA II, acompanhando o actor e empresário JOSÉ CARLOS DOS SANTOS ( o SANTOS PITORRA), representando a maior parte do reportório deste TEATRO, salientando-se em PRINCESA DE BAGDAD, DIONÍSIA, FÉDORA, OTHELLO, e A ESTRANGEIRA.
Foi primeira dama no TEATRO D. MARIA II durante 27 anos, de onde sai para o TEATRO DA TRINDADE, de que chegou a ser secretária. Devemos referir que, aos 23 anos, já era considerada a primeira actriz portuguesa.
Uma das características mais extraordinárias de VIRGÍNIA era a sua voz, particularmente bem timbrada e com acentos que lhe conferiam uma sonoridade cristalina (este pormenor é várias vezes mencionado em crónicas da época).
Foi duas vezes ao BRASIL, em 1886 e 1887 onde obteve êxitos estrondosos. Regressa a PORTUGAL, ingressa novamente no elenco do D. MARIA II, destacando-se em peças como: A DOR SUPREMA; OS VELHOS; PERALTAS E SÉCIAS; FREI LUÍS DE SOUSA;  LEONOR TELES e AO TELEFONE.
VIRGÍNIA casou com o actor ALFREDO FERREIRA DA SILVA em 1892, de quem vaio a divorciar-se em 1919. Deste casamento resultou uma única filha.
Em 1902 é-lhe atribuído o hábito da ORDEM DE SANTIAGO, sendo a primeira actriz portuguesa a receber esta distinção. No ano de 1920, é o PRESIDENTE DA REPÚBLICA PORTUGUESA a atribuir-lhe a ORDEM DE SANTIAGO DE ESPADA. 
Em 1906 é obrigada a retirar-se dos palcos devido a doença. Contudo, já quase no final da sua carreira, participou no filme mudo O CONDENADO ao lado do pintor JOSÉ DE ALMADA NEGREIROS.
Mas talvez mais importante que as qualidades profissionais foram as suas virtudes humanas. VIRGÍNIA era extremamente humilde, era uma acérrima defensora da classe de actores, indiferente a vaidade ou invejas, muitíssimo disciplinar e leal para com os colegas.
Esteve sempre associada a obras sociais, espectáculos para fins de caridade ajudando incondicionalmente quem precisava  (por ex., refira-se que foi ela quem apoiou a actriz EMÍLIA CÂNDIDA, de geração acima da sua, que se encontrava cega e na miséria).
Esta dedicação aos outros, associada a uma reforma extremamente baixa que auferia, levou a que também ela acabasse por cair em situação económica débil.
Todos estes méritos de VIRGÍNIA levaram a que, em Abril de 1922, lhe organizassem uma festa de homenagem com o propósito de a auxiliar. Ironicamente viria a falecer poucos meses depois. O reconhecimento foi tal que a sua evocação fez referência à sua grande alma de artista mas, acima disso, à sua excepcional alma de mulher.

( 1 ) - TEATRO DO PRÍNCIPE REAL - Que em 1910 a REPÚBLICA obrigaria a que tomasse a designação de TEATRO APOLO, situado na RUA DA PALMA, foi construído por FRANCISCO VIANA RUAS em 1864, e demolido no ano de 1956.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES E ACTORES [IV]RUA JOÃO VILLARET»