sábado, 20 de agosto de 2016

LARGO DA AJUDA [ VII ]

«O PALÁCIO DA AJUDA ( 2 )»
 Largo da Ajuda - (1876) - (Pintura do francês JOSEPH LAYRAUD-(1833-1913) - (A família Real portuguesa, pintada pela grande e talentoso francês ; DOM LUÍS, DONA MARIA PIA, o Infante Afonso e o Príncipe Carlos) in WIKIPÉDIA
 Largo da Ajuda - (2010) - Foto de autor não identificado - ( A SALA VERDE do Palácio Nacional da Ajuda)   in   WIKIPÉDIA
 Largo da Ajuda - (2012) - Foto gentilmente cedida pela amiga GLÓRIA ISHIZAKA - (Palácio Nacional da Ajuda "SALA DO DESPACHO". Nesta sala o REI concedia audiências diárias)  in   CLIC PORTUGAL 
 Largo da Ajuda - (2014) - ( O "LARGO DA AJUDA" com o seu "PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA"   in   GOOGLE EARTH 
Largo da Ajuda - (2016) - (O "PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA" no seu lado Nascente virado para o "LARGO")   in     GOOGLE EARTH 

(CONTINUAÇÃO) - "LARGO DA AJUDA [ VII ]"

«O PALÁCIO DA AJUDA ( 2 ) »

Era necessário esperar até ao reinado de DOM LUÍS I para o PALÁCIO DA AJUDA ganhar um novo folgo. Esta é uma das suas melhores épocas de esplendor.
Quando em 1861 o REI DOM PEDRO V sucumbe vítima de febre tifóide, o seu irmão, DOM LUÍS, sobe ao trono. Retomam-se então as obras estruturais no PALÁCIO DA AJUDA.  Mas é em 1862, com o casamento de DOM LUÍS com a princesa de SABOIA, DONA MARIA PIA, que o Palácio ganha finalmente a aura e o estatuto de residência Real.

A remodelação foi entregue ao Arquitecto JOAQUIM POSSIDÓNIO NARCISO DA SILVA (1862-1865) que, seguindo de perto as instruções precisas de "DONA MARIA PIA", tornou o PALÁCIO confortável e sofisticado, pronto para ser habitado pela família Real.
Conhecida pela seu espírito caridoso, DONA MARIA PIA não deixava de ser uma princesa do seu tempo. Sensível à beleza e que gostava de rodear-se de objectos especiais. 
POSSIDÓNIO DA SILVA converteu a fachada nascente na fachada principal, e introduziu importantes alterações na disposição e decoração das salas, compartimentos e ornamentando o espaço, sempre seguido o gosto italiano da elegante princesa de SABÓIA.
As reformas estenderam-se por todo o PALÁCIO; paredes revestidas, estucadas, forradas, soalhos em "parquet" ou alcatifado. Os interiores enchiam-se de peças de requintado mobiliário, encomendados pelos monarcas recém-casados (DONA MARIA PIA deu início à moda da compra por catálogo, na época pouco comum)  ou trazidas de ITÁLIA no enxoval da rainha consorte.
O gosto burguês pela intimidade e o conforto na esfera doméstica, no auge nesta segunda metade do século XIX, estendia-se também a outras esferas da sociedade e a residência real adaptou-se aos novos tempos. Introduziram-se novos espaços de carácter mais privado e destinado ao lazer, como a SALA DE ESTAR, a SALA AZUL e a SALA DE BILHAR, todas no piso térreo, onde também ficavam os aposentos da família REAL e as modernas casas de banho com águas quentes e fria.
O piso superior estava reservado ao lado mais público da vida do PALÁCIO; era aí que se desenrolavam os grandes banquetes e recepções oficiais, e também, as reuniões do CONCELHO DE ESTADO.
O PALÁCIO DA AJUDA foi sem dúvida, palco privilegiado onde se cruzaram a história, a vida pública e a vida familiar de DOM LUÍS e DONA MARIA PIA.  Foi na AJUDA que nasceram os filhos do casal. DOM CARLOS e DOM AFONSO, foi aí que passaram a sua infância e foi esta a  derradeira morada de DONA MARIA PIA em PORTUGAL. Após a morte do marido, DOM LUÍS, em 1889, a rainha-mãe permaneceria, até à sua partida para o exílio em 1911, no PALÁCIO que ajudara a construir, a seu gosto, e que por isso era a sua verdadeira casa. 
Enquanto DONA MARIA PIA aí viveu, foram feitas várias remodelações no PALÁCIO. Por exemplo para o casamento do príncipe DOM CARLOS, com DONA AMÉLIA, fizeram-se novos melhoramentos, entre eles a aquisição de novo mobiliário para a SALA DA CEIA e o revestimento da SALA DO TRONO. Este último melhoramento esteve envolto num episódio bastante caricato. A dada altura era necessário substituir a seda que revestia as paredes da SALA DO TRONO, pois já não se entrava em condições de receber altos dignitários que tantas vezes visitaram o PALÁCIO, mas a situação económica da família REAL não era das melhores. A MARQUESA DE RIO MAIOR num momento de perspicácia lembrou-se que, dada a escassez financeira, o melhor seria virar a seda do avesso, o que permitiu forrar a sala. 
Durante o reinado de DOM CARLOS, que até ser REI vivia em BELÉM, a família REAL muda-se para as NECESSIDADES, e o PALÁCIO DA AJUDA mantém-se activo apenas para cerimónias oficiais. É nos salões Nobres do PALÁCIO DA AJUDA que DOM CARLOS recebe os monarcas do seu tempo, como EDUARDO VII de INGLATERRA ou GUILHERME II da ALEMANHA. 

A 5 de Dezembro de 1903, o REI AFONSO XIII de ESPANHA visita PORTUGAL e é no PALÁCIO que se realiza um jantar de gala em  honra do monarca.
Ainda hoje o PALÁCIO DA AJUDA continua a ser palco de recepções oficiais a grandes figuras de ESTADO que visitam o nosso país. 

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DA AJUDA [ VIII ] O PALÁCIO DA AJUDA ( 3 )».

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

LARGO DA AJUDA [ VI ]

«O PALÁCIO DA AJUDA ( 1 ) »
 Largo da Ajuda - (2016) - (Aproximação aérea do "PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA" e sua entrada a nascente)  in   GOOGLE EARTH 
 Largo da Ajuda - (2012) - Foto gentilmente cedida pela amiga GLORIA ISHIZAKA do Blogue CLIC PORTUGAL - (Maqueta do Real Paço da Ajuda -realizado segundo o projecto Neoclássico do Real Paço da Ajuda (1802) do Arquitecto José da Costa e Silva (1747-1819) in CLIC PORTUGAL 
 Largo da Ajuda - (2012) - Foto gentilmente cedida pela amiga GLÓRIA ISHIZAKA - (PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA, SALA DO CORPO DIPLOMÁTICO)  in  CLIC PORTUGAL 
 Largo da Ajuda - ( c. de 1952) Foto de António Passaporte - (PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA , SALA DE BAILE)   in     AML 
Largo da Ajuda - (195-) Joto de Judah Benoliel - (Arcos com nichos de um vestíbulo que não chegou a ser executado, ao fundo do pátio do PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA, antes de remodelado)  ( ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   AML 

(CONTINUAÇÃO) - «LARGO  DA AJUDA  [ VI ]»

«O PALÁCIO DA AJUDA ( 1 )»


O "PALÁCIO DA AJUDA" foi mandado construir pelo príncipe DOM JOÃO (futuro DOM JOÃO VI) no topo da colina da AJUDA, no mesmo local onde outrora tinha existido a "REAL BARRACA" ou o "PAÇO DE MADEIRA", que foram destruídos por um incêndio no ano de 1794.
Dois anos mais tarde, em 1796, será iniciada a construção do seu substituto um Palácio de pedra e cal que viria a ser o "PALÁCIO DA AJUDA", que apesar da sua beleza estética passou a ser conhecido pelo PALÁCIO inacabado.

No início esteve à frente do projecto o Arquitecto TENENTE-CORONEL MANUEL CAETANO E SOUSA, homem responsável das obras públicas do REINO, desenhou o edifício de acordo com alguns padrões BARROCOS. Cinco anos mais tarde o projecto é entregue a dois Arquitectos formados em ITÁLIA, "FRANCISCO XAVIER FABRI" e "JOSÉ DA COSTA E SILVA", que romperam com o projecto original adaptando-o à nova linguagem neoclássica, mais depurada e de uma solenidade simples, embora o projecto de "FABRI" e "COSTA" nunca tivessem chegado inteiramente a ser concluído.

Com as invasões francesas, e a partida da CORTE para o BRASIL, em 27 de Novembro de 1807, dá-se uma paragem nas obras da AJUDA. O Arquitecto "FABRI" dirige os trabalhos entre 1813 e 1817, introduzindo novas alterações, até que em 1818 o Arquitecto "ANTÓNIO FRANCISCO ROSA" assume a condução do projecto, reduzindo ainda mais o edifício ao essencial.

Quando a família REAL regressa do BRASIL, em 1821, o Palácio ainda não estava concluído servindo apenas para albergar algumas cerimónias protocolares. Com a morte do REI DOM JOÃO VI, a infanta regente D. ISABEL MARIA (1801-1876) faz uma nova tentativa de tornar o Palácio habitável.
Juntamente com as suas irmãs "D. MARIA DE ASSUNÇÃO" (1805-1834) e "D. MARIA FRANCISCA BENEDITA" (1800-1834), escolhem este espaço para a sua residência. Sendo a primeira vez que membros da FAMÍLIA REAL habitam, verdadeiramente no "PALÁCIO DA AJUDA".

Outro protagonista do "PALÁCIO DA AJUDA" foi "DOM MIGUEL", filho de "D. JOÃO VI, e um dos herdeiros que disputavam o trono de PORTUGAL.
Como  "ABSOLUTISTA" escolheu a "SALA DAS CORTES" em 1828 para ser aclamado REI, e como residência real; as obras foram retomadas, e DOM MIGUEL chegou a habitar o PALÁCIO durante seis meses, acabando por se mudar para as NECESSIDADES, enquanto as obras progrediam. DOM MIGUEL não regressaria ao PALÁCIO DA AJUDA, pois a guerra entre irmãos interpôs-se no seu caminho.
Em 1833, a vitória LIBERAL altera o rumo dos acontecimentos, e é o irmão de "DOM MIGUEL", "DOM PEDRO" (o IV), que regressado do BRASIL, passa pela SALA DO TRONO do PALÁCIO DA AJUDA, para aí jurar a CARTA CONSTITUCIONAL em 1834.
Durante o reinado de DONA MARIA II, herdeira de "DOM PEDRO IV", o PALÁCIO DA AJUDA passa para segundo plano, fixando-se a residência da família REAL no PALÁCIO DAS NECESSIDADES. 

O PALÁCIO DA AJUDA ficava reservado para episódio especial, como a aclamação e casamento de DOM PEDRO V com DONA ESTEFÂNIA de HOHENZOLLERN - SIGMARINGEN que se realizou a 18 de Maio de 1858. O reinado de DOM PEDRO duraria, pouco tempo.  Mas o PALÁCIO DA AJUDA ficaria sempre ligado a este REI bondoso que aí recebia, com frequência, o seu e bibliotecário Real "ALEXANDRE HERCULANO. Os retratos de DOM PEDRO V e de DONA ESTEFÂNIA encontram-se condignamente expostos no PALÁCIO DA AJUDA.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DA AJUDA [ VII ]- O PALÁCIO DA AJUDA (2)».

sábado, 13 de agosto de 2016

LARGO DA AJUDA [ V ]

«A TORRE DA AJUDA »
 Largo da Ajuda - (2016) - (A "TORRE DA AJUDA" ou "TORRE DO GALO" é actualmente o "ex-líbris" da Freguesia da AJUDA)   in    GOOGLE EARTH
 Largo da Ajuda - (2016) - (A Estátua do Rei DOM CARLOS I no "LARGO DA AJUDA" foi inaugurada a 28 de Setembro de 1963. A "TORRE DA AJUDA" poderá ser vista ao fundo, por detrás das árvores)   in    GOOGLE EARTH 
 Largo da Ajuda - (2016) - Foto gentilmente cedida pela amiga HELENA AGUIAR - (Pormenor na parte de cima da "TORRE DA AJUDA", com o seu belo galo encimado por uma cruz)  in  ARQUIVO/APS
 Largo da Ajuda - (2016) - Foto gentilmente cedida pela amiga HELENA AGUIAR - (A"TORRE DA AJUDA" também conhecida como "TORRE DO GALO", um pormenor da torre sineira)  in  ARQUIVO/APS
 Largo da Ajuda - (2010) - ("TORRE DA AJUDA"  ou "TORRE SINEIRA DA AJUDA" ou ainda "TORRE DO GALO")  in   LISBOA MONUMENTOS 
 Largo da Ajuda - (2010) - (A "TORRE SINEIRA DA AJUDA" também chamada de "TORRE DO GALO")  in  LISBOA MONUMENTOS
Largo da Ajuda - (1960?) - Foto de Arnaldo Monteiro Madureira - ("TORRE SINEIRA", construída por volta de 1792, integrava-se numa IGREJA (a Capela Real da Ajuda) destruída no século XIX. Motivado esse facto, a TORRE encontra-se isolada no espaço, apresentando um aspecto singular.)  in  BELÉM-REGUENGOS DA CIDADE 


(CONTINUAÇÃO) - LARGO DA AJUDA [ V ]

«A TORRE DA AJUDA»

Próximo da "REAL BARRACA" e outros edifícios fabricados em madeira, foi edificada a IGREJA  PAROQUIAL DA AJUDA, e que serviu de CAPELA REAL de 1792 até 1834, que tinha uma tribuna destinada à família REAL e acesso ao PAÇO.
Em 1792 sob o traçado e direcção do Arquitecto Tenente-Coronel MANUEL CAETANO DE SOUSA, era erigida a "TORRE" (única edificação em cantaria), feita em pedra de lioz, de estilo barroco e de planta rectangular, apresenta uma forma poligonal, com entrada no lado Oriental.
Esta "TORRE" conhecida por "TORRE DA CAPELA REAL DA AJUDA" ou "TORRE DO GALO", isto pelo facto de ter um cata-vento em forma de galo.   A "TORRE" é o único elemento que resta desta IGREJA, que era construída em madeira e foi demolida em 1834, por ordem do Ministro COSTA CABRAL

O acesso ao campanário é feito por uma escada interior em caracol, de 80 degraus e aberta na parte Noroeste. O andar de 8 sinos apresenta quatro aberturas estreitas e altas, e é encimado por fogaréus barrocos nos ângulos.
Os sinos foram sagrados em 25 de Março de 1793 e tocaram, pela primeira vez, no dia do nascimento da PRINCESA DA BEIRA, D. MARIA TERESA, em 29 de Abril daquele ano.(Esta princesa que mais tarde seria a viúva do Infante de ESPANHA, D. PEDRO CARLOS, que depois veio a casar com seu primo e cunhado "CARLOS V"; mãe do INFANTE D. SEBASTIÃO, filho do seu primeiro casamento).

Em Março de 1934, os sinos caíram durante um temporal, mas sem consequências graves. Permaneceram durante anos, antes de serem colocados, assentes na plataforma sineira, no alto do campanário, no 67.º degrau, acedendo por uma  escada a uma porta na face Norte, que dá para o recinto onde está instalado o relógio, com uma corda de 48 horas, que tem a inscrição; "JOZÉ DA SILVA MAFRA, O fez no anno de 1796", tem uma enorme cavidade no lado Sul para os pesos, em cuja base há uma porta para o exterior. Os sinos do relógio, um - o maior - para as horas, e os outros dois de timbre e tamanhos diferentes, para os quartos, estavam suspensos no alto da TORRE.  O acesso era feito dificilmente por três escadas de madeira, a primeira das quais estava adossada à face Nordeste.

Os sinos tinham ainda as seguintes inscrições: SALVADOR DO MUNDO; Nª. Sª. DA CONCEIÇÃO; S. TOMÉ APÓSTOLOS; S. FRANCISCO DE BORJA; S. VICENTE MÁRTIR; SANTO ANDRÉ; S. ROQUE E SANTA BARBARA.

Nas faces da TORRE ainda se vê mitra patriarcal; nos quatro cantos onde deveria haver quatro fogaréus ( 1 ) , já só se encontram dois e, no alto um galo de metal sobre uma bola, rematando o conjunto uma cruz, lembra aos crentes a vigilância e a Cruz a Oração.
Esta "TORRE" exemplo da arquitectura BARROCA TARDIA, com afinidades com as TORRES laterais da IGREJA DA ESTRELA e com a "TORRE SINEIRA DAS NECESSIDADES", mais antigas, o último resto da PATRIARCAL E CAPELA REAL DA AJUDA, e sobreviveu seguramente por ser o único elemento em cantaria, dado que o restante era de madeira. Como, em 1834, a Capela foi demolida, dela só ficou a "TORRE", conhecida por "TORRE DO GALO" sendo hoje o "EX-LIBRIS" da freguesia da AJUDA.

- ( 1 ) - FOGARÉU- s.m. - facho, lumeeira, archote, fogueira, fogacho. Tijela, vaso em que se acendem matérias inflamáveis, Ornato de pedra que termina em labareda.(Arq.)

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DA AJUDA [ VI ]-O PALÁCIO DA AJUDA ( 1 )»

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

LARGO DA AJUDA [ IV ]

«A BIBLIOTECA DO PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA»
 Largo da Ajuda - (1955) Foto 00521292 - (Vista aérea do lado Nascente do "PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA" no século passado)   in    SIPA-MONUMENTOS 
 Largo da Ajuda - (1968) Foto de F. Gonçalves (Fachada da casa de "Alexandre Herculano" - no Largo da Torre-, onde viveu grande parte da sua vida. Em 1977 foi colocada uma lápide lembrando o centenário da morte do escritor, historiador e conservador da Biblioteca da Ajuda) in BELÉM REGUENGOS DA CIDADE
 Largo da Ajuda - Desenho possivelmente de início do século XX - (Planta dos Estacionamentos no "PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA")   in   SIPA-MONUMENTOS
 Largo da Ajuda - (2006) - Foto de autor não identificado ( A "BIBLIOTECA" do PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA no século vinte e um)  in   BIBLIOTECA DA AJUDA
 Largo da Ajuda - ( 2016) - (O "LARGO DA AJUDA" e o "PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA" , servidos por carreiras de autocarros)  in   GOOGLE EARTH 
Largo da Ajuda - (2016) - (Vista do "PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA" no lado Nascente e fronteiro para o "LARGO DA AJUDA")   in  GOOGLE EARTH


(CONTINUAÇÃO) - LARGO DA AJUDA [ IV ]

«A BIBLIOTECA DO PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA» 

A "BIBLIOTECA DA AJUDA" foi construída no tempo do "MARQUÊS DE POMBAL" (1756) perto do VELHO PALÁCIO DE MADEIRA, em consequência do incêndio que devorou o "PAÇO DA RIBEIRA" e a sua Biblioteca, após o Terramoto do ano anterior.
O edifício terá sido construído em pedra e cal e situado entre o "PAÇO" e a "PATRIARCAL", estes de madeira. Dividia-se em dois corpos: um o da BIBLIOTECA propriamente dita, e o outro àquele ligado através de um passadiço que comunicava entre  edifícios, até 1877, e dava para a casa do Director. Com o desaparecimento do recheio da LIVRARIA REAL , DOM JOSÉ, constituiu um fundo para a BIBLIOTECA DA AJUDA. A compra em 1756 da colecção deixada por NICOLAU FRANCISCO XAVIER DA SILVA. No ano seguinte é negociado com um membro da família do CONDE DE REDONDO a totalidade dos manuscritos daquela casa.  Em 1760, adquiriu os livros deixados por JOSÉ FREIRE MONTARROYO MASCARENHAS. Em 1772, o bibliófilo BARBOSA MACHADO ofereceu ao Monarca os seus livros. Assim, sucessivamente a BIBLIOTECA DA AJUDA foi enriquecendo o seu património em obras de grande valor, como o arquivo e livros da CASA DE AVEIRO e os livros dos cónegos  regentes de SÃO VICENTE DE FORA, quando estes foram transferidos para o MOSTEIRO DE MAFRA.
Entraram também os manuscritos da CASA DO INFANTADO, grande parte dos livros e documentos da COMPANHIA DE JESUS, aquando da sua expulsão (incluindo originais escritos por Jesuítas da ÍNDIA e da CHINA, alguns pelo punho de SÃO FRANCISCO XAVIER, e livros de registo da correspondência da Casa professa de "SÃO ROQUE".  Dezoito volumes da chancelaria de FILIPE II com anotações do próprio REI e muita outra documentação. Embora por pouco tempo, a biblioteca beneficiou daquilo a que hoje se chama "DEPÓSITO LEGAL". Com a ida da FAMÍLIA REAL PARA O BRASIL, em 1807, o príncipe Regente ordenou a saída da BIBLIOTECA REAL, que logo começava a ser encaixotada, seguindo em três remessas. No regresso, não conseguiu o REI remeter para PORTUGAL a totalidade dos livros, por seu filho D. PEDRO o ter impedido, tendo ficado no BRASIL (onde constituíram o fundo da BIBLIOTECA NACIONAL DO RIO DE JANEIRO), mais de mil manuscritos da coroa e outras preciosidades bibliográficas. O que veio ficou armazenado ou empilhado sem qualquer classificação, até que D. LUÍS, aproveitando as comemorações do TRICENTENÁRIO DE CAMÕES, destinou três salas do PALÁCIO DA AJUDA para ali instalar a BIBLIOTECA REAL.
Por ser insuficiente o espaço escolhido, foram ampliadas as instalações com mais quatro salas. Quanto à residência do director da BIBLIOTECA, ainda hoje se encontra. no "LARGO DA TORRE". Trata-se de um edifício relativamente pequeno, mas agradável, de rés-do-chão, com cinco janelas e porta de entrada na extremidade direita e 1.º andar com 6 janelas, hoje pertença da CASA PIA DE LISBOA. O hóspede mais ilustre desta casa foi sem dúvida ALEXANDRE HERCULANO, nomeado bibliotecário da BIBLIOTECA DA AJUDA pelo REI DOM FERNANDO II (Cargo do PAÇO e não do ESTADO), com o fim de lhe dar uma independência modesta que o habilitasse a prosseguir livremente as suas investigações históricas.
A «BIBLIOTECA DA AJUDA», além de preciosas obras portuguesas, tem magníficos espécimes estrangeiros e uma colecção de pinturas de ópera do antigo "TEATRO DA AJUDA".
A BIBLIOTECA DO PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA está estruturada para prestar apoio aos conservadores e técnicos de MUSEU, podendo disponibilizar consultas das suas publicações a outros utilizadores mediante marcação prévia.
O seu acervo é especializado em HISTÓRIA DE ARTE e nas diferentes temáticas relacionadas com as suas colecções. Até ao momento estão catalogadas cerca de 3 350 monografias e 40 títulos de publicação periódicas.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DA AJUDA [ V ] -A TORRE DA AJUDA»

sábado, 6 de agosto de 2016

LARGO DA AJUDA [ III ]

«A REAL BARRACA ( 2 )»
 Largo da Ajuda - ( 2016 ) - ( O "PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA" fachada no lado Nascente e principal entrada)   in   GOOGLE EARTH
 Largo da Ajuda - ( 2016) - ( O "PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA" e seu jardim, no "LARGO DA AJUDA")  in   GOOGLE EARTH
 Largo da Ajuda - ( 198-) Foto de Artur Pastor - (Panorâmica da colina da AJUDA,  onde se insere o "PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   AML 
 Largo da Ajuda - ( 195-) Foto de Judah Benoliel - (Palácio da Ajuda, arcos com nichos vazios e um vestíbulo que não chegou a ser concluído (na época), situado ao fundo do pátio depois de renovado)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  AML 
Largo da Ajuda - (195-) Foto de Judah Benoliel - ( Fotografia aérea com a Panorâmica da AJUDA, vendo-se o PALÁCIO, a IGREJA DA MEMÓRIA o MOSTEIRO DOS JERÓNIMOS e a TORRE SINEIRA do Largo da Torre, o AQUEDUTO DAS ÁGUAS LIVRES e o VIADUTO DUARTE PACHECO, já construído)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  AML  
Largo da Ajuda - (1933) - Foto de Eduardo Portugal - (Outro aspecto junto do PALÁCIO na época, o carácter pouco citadino desta situação, completa-se através da observação de imagem na qual se identifica a fachada Sul do Palácio, e a nítida ocupação agrícola dos terrenos que o envolviam) in   AML

(CONTINUAÇÃO) - LARGO DA AJUDA [ III ]

«A REAL BARRACA ( 2 )»

Mas o que interessa salientar de momento é que, entre 1755 e 1777 - ou seja, enquanto DOM JOSÉ foi vivo - a HISTÓRIA do País passou forçosamente pela AJUDA: todas as leis, todas as determinações. mesmo todas as conspirações nasceram ou cresceram entre o "PÁTIO DAS DAMAS" e o "PALÁCIO DE MADEIRA".  ( De todas as conspirações que existiram neste reinado, não queria deixar passar, sem nos referimos a uma que marcou bastante este período; é o caso da "CONSPIRAÇÃO DOS TÁVORAS" que, segundo várias opiniões, não foi justa).
O "MARQUÊS DE POMBAL" ia ali diariamente a despacho e deslocava-se frequentemente à BAIXA para verificar o andamento dos trabalhos da reconstrução da cidade. "DOM JOSÉ" pelo contrário, segundo rezam as crónicas, só voltou a ver a zona do seu antigo palácio, quando se deslocou ao "TERREIRO DO PAÇO" para assistir à inauguração da estátua equestre ali erguida em sua honra. Embora tivessem de ver as cerimónias de uma janela sorrateiramente, bem assim como a família Real, porque quem descerrou o "MONUMENTO" ( e teve as maiores honras ) foi o «MARQUÊS DE POMBAL». Conta-se que nunca mais DOM JOSÉ saiu da AJUDA.

Com a morte de "D. JOSÉ", o exílio forçado de "SEBASTIÃO JOSÉ DE CARVALHO E MELO" "MARQUÊS DE POMBAL" e, sobretudo, com a partida da família Real para o "BRASIL", o poder foi deixando a "AJUDA".
A "PRAÇA DO COMÉRCIO", entretanto, ganhara foros de sede do poder. Os vários departamentos de Governação do Reino ali se fixaram e permaneceram durante a MONARQUIA e depois na REPÚBLICA. Todo o País se habituou a falar do "TERREIRO DO PAÇO" - como causa de tudo o que acontece, mau ou bom. Da estrada esburacada ou inexistente até à fonte que está seca ou deita água imprópria, tudo é pecado do "TERREIRO" que, segundo o acusam, ignora a NAÇÃO...

No entanto os MINISTÉRIOS que foram crescendo em número e em funcionários, espalharam-se pela cidade; para a "AVENIDA CINCO DE OUTUBRO", para a "PRAÇA DE LONDRES", para o "LARGO CONDE DE PENAFIEL", até para a "AJUDA", onde o "MINISTÉRIO DA CULTURA" lembrava velhos tempos do GOVERNO lá no alto.

A Majestade e simultânea graciosidade da "PRAÇA DO COMÉRCIO", a magnifica toalha líquida que lhe serve de antecâmara e as arcadas que sugerem bom acolhimento, têm proporcionado ideias várias a muitos que "sonham" ver ali desde esplanadas e galerias de arte, exposições e estabelecimentos de qualidade, ditos de "charme". Para pôr em prática essa verdadeira revolução urbana, será preciso contudo que os inquilinos mais antigos do local, os "MINISTÉRIOS", peguem nos "tarecos" e procurem casa noutros lados. Esta "antevisão" afinal, ou o que lhe queiram chamar, era escrita no ano de 2004. Doze anos depois, parece que está a realizar-se.


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DA AJUDA [ IV ] A BIBLIOTECA DO PALÁCIO DA AJUDA».

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

LARGO DA AJUDA [ II ]

«A REAL BARRACA ( 1 )»
Largo da Ajuda - 1995 - (Vista aérea do lado Norte e Nascente  do "PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA" e seu envolvente)  in  DIRECÇÃO GERAL DO PATRIMÓNIO CULTURAL
 Largo da Ajuda - (1939) Foto de Eduardo Portugal - (Imagem com a fachada do PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA virada a Nascente, destaca-se, como pormenor curioso, a utilização que os moradores da zona faziam do Terreiro fronteiro do Palácio, que era ocupado por roupa colocada ao Sol a corar)   in     AML 
 Largo da Ajuda - (1933-1983) Estúdios Mário Novais - ( O "PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA" no inicio do sés. XX. No ano de  1821, em virtude de condicionamentos económicos, procedeu-se a uma significativa alteração ao projecto, visando a redução das suas dimensões) ( ABRE EM TAMANHO GRANDE )  in  AML  
 Largo da Ajuda - (s/d - Desenho de Paisagens e Monumentos de Portugal-Editor J. P. Monteiro - Rua Nova do Almada,64 - Lisboa - Foto de José Artur Leitão Bárcia entre 1900 e 1945) ( Panorâmica do "PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA" na colina da AJUDA)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   AML  
Largo da Ajuda - (ant. a 1895) foto de Francisco Rocchini - (Fachada virada a nascente do "PALÁCIO REAL DA AJUDA")  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   AML 

(CONTINUAÇÃO) - LARGO DA AJUDA [ II ]

«A REAL BARRACA ( 1 )»

Como vínhamos  dizendo no anterior episódio, o "PALÁCIO" tinha sido construído em madeira e o povo chamou-lhe  a "REAL BARRACA" ou o "PALÁCIO DE MADEIRA". E "DOM JOSÉ" foi então residir, até ao fim da sua vida (que só aconteceu 22 anos depois) nessa habitação, situada no local onde hoje temos o "PALÁCIO DA AJUDA"
Não se pense, porém, que as comodidades andavam dali  totalmente ausentes. O "PAÇO" tinha rés-do-chão e primeiro andar e obedecia a um traçado de vários arquitectos, como PETRONE, MAZONE e VERÍSSIMO JORGE. Os interiores, segundo as descrições da época, mostravam alguma sumptuosidade, nomeadamente através de belos móveis e tapeçarias. Chegaram mesmo a existir pátios onde a música reinava.
No entanto, a vida da corte tinha de ser fatalmente resumida, já que não era prática nem digno receber grandes personalidades estrangeiras num "PAÇO" muito bonito, mas de madeira.
Mesmo depois da morte de DOM JOSÉ, a corte lá se manteve nas altas paragens, até que um grande incêndio ocorrido em 1794 fez desaparecer todo o recheio - móveis, ourivesaria, pinturas tapeçarias... Incêndio provocado, conta-se, por uma candeia deixada acesa por um criado. Dois anos mais tarde, em 9 de Novembro de 1796 a família REAL tinha-se afeiçoado ao sítio e lá mandou edificar  um palácio de pedra e cal que viria a ser o «PALÁCIO DA AJUDA».  Um palácio inacabado e que apesar da sua beleza, passou a ser visto, também, como um palácio "MALFADADO".

Naturalmente, com a fixação de DOM JOSÉ na sua improvisada residência, começaram a afluir à "AJUDA" os vários serviços públicos. E o MARQUÊS DE POMBAL, que fora nomeadamente  PRIMEIRO MINISTRO devido à sua acção enérgica e pronta a seguir ao sismo, entendeu que o melhor era mudar também de casa. Assim, deixou o seu PALÁCIO da "RUA FORMOSA" (HOJE RUA DO SÉCULO) e foi morar para aquela que é actualmente a "CALÇADA DA AJUDA".  Diga-se num "parênteses" que, com o seu apurado sentido económico, SEBASTIÃO JOSÉ DE CARVALHO E MELO, tratou prontamente de alugar o seu palácio da "RUA FORMOSA", para não ficar fechado.
Como habitualmente, mandou abrir uma bica para que a água não faltasse em sua casa (nenhuma das suas residências deixou de ter ao pé um chafariz ou qualquer fonte). E a BICA do MARQUÊS lá ficou, pelo menos, ao longo da RUA que o viu nascer, até aos nossos dias.
As "SECRETARIAS DO ESTADO" foram, evidentemente, atrás. E os fidalgos também: a "AJUDA" tornou-se morada natural de quem tinha conveniência em estar perto da CORTE. O hábito durou longo tempo, lá temos por exemplo, a "RUA DE DOM VASCO", a lembrar a residência de "DOM VASCO CÂMARA" CONDE DE BELMONTE.  A Quinta que cercava o Palácio deste titular foi, mais tarde, vendida e nos respectivos terrenos foi construído um BAIRRO SOCIAL que ali teve lugar nos anos 40 do século XX, com o nome de "BAIRRO DO ALTO DA AJUDA".

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DA AJUDA [ III ]-A REAL BARRACA ( 2 )»

sábado, 30 de julho de 2016

LARGO DA AJUDA [ I ]

«O LARGO DA AJUDA E SEU ENVOLVENTE»
 Largo da Ajuda - (Década de 80 do século XX) - ("Palácio Nacional da Ajuda" no sítio da AJUDA, próximo da casa do escritor e conservador da Biblioteca da Ajuda, "Alexandre Herculano" e da "Torre da Ajuda")  in  DICIONÁRIO DE HISTÓRIA DE PORTUGAL - VOL. I
 Largo da Ajuda - (2016) - (Panorâmica da zona onde está inserida  o "LARGO DA AJUDA" e o "PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA")  in    GOOGLE EARTH
 Largo da Ajuda - ( 2016 ) - (Panorâmica mais aproximada do "PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA" e seu envolvente)   in   GOOGLE EARTH
 Largo da Ajuda - (1973) Foto de Artur Pastor - (Panorâmica sobre a encosta da AJUDA com o Palácio Nacional da Ajuda no topo) - (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   AML 
 Largo da Ajuda - ( 19--)  Foto de José Chaves Cruz - (Palácio Nacional da Ajuda no Largo da Ajuda)  (Abre em Tamanho grande)  in    AML  
Largo da Ajuda - ( Século XIX - Gravura de B. R. Bourdet - (Panorâmica do ALTO DA AJUDA, em primeiro plano vê-se o Jardim de Lázaro Leitão e ao fundo a "REAL BARRACA DA AJUDA", residência do REI depois do Terramoto de 01.11.1755, a CAPELA e a TORRE SINEIRA do Palácio) (Abre em tamanho grande)  in    AML 


(INÍCIO) - LARGO DA AJUDA [ I ]

«O LARGO DA AJUDA E SEU ENVOLVENTE»

O «LARGO DA AJUDA» pertence à freguesia da «AJUDA» é limitado a Oeste pela Nobre fachada do "PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA" e fica entre a "CALÇADA DA AJUDA" e a "RUA DO GUARDA-JOIAS". Para ele convergem a Sul; a ALAMEDA DOS PINHEIROS e RUA DOM VASCO; a Norte a "RUA DA TORRE, LARGO DA TORRE e a RUA AUGUSTO GOMES FERREIRA, a Nascente a "TRAVESSA DA AJUDA" e o "PÁTIO DO SEABRA".
Este "LARGO DA AJUDA" tem origem na antiga "QUINTA DE CIMA DO ALTO DA AJUDA" quando este sítio foi eleito para residência REAL, depois do Terramoto de 1755. Nesse "CABEÇO", seria a futura morada de DOM JOSÉ.
O nome de "LARGO DA AJUDA" resulta de uma deliberação camarária de 21 de Setembro de 1916 e do EDITAL de 26 do mesmo mês, que oficializou o topónimo.
A ACTA Nº. 4 de 18 de Janeiro de 1944 da COMISSÃO DE TOPONÍMIA, vem confirmar a aprovação da sua nomenclatura.

O lugar da "AJUDA" começou a existir como aglomerado bairrista e urbanisticamente definido, muito antes de BELÉM ser freguesia. Assim, a crónica bairrista da "AJUDA" não é menos interessante do que a de BELÉM; é mesmo mais rica em elementos populares, mais expressiva e pitoresca e com alguns alicerces históricos.
O nome de "AJUDA" prende-se com a pequena ERMIDA desta invocação. erigida no século de quatrocentos no "ALTO DA AJUDA" à qual andou ligada uma graciosa lenda: Um pastor que por ali trazia seu gado a pastar, entrou em certa ocasião numa gruta entre "fragas" ( 1 ) que caracterizava o lugar, e viu nela uma imagem da VIRGEM, que logo  - e porque auxiliava os que a ela recorriam -  ficou sendo a «SENHORA DA AJUDA».
Era grande a devoção dos fieis, que de longe vinham e em tão elevado número que houve a necessidade de se fazerem casas para os recolherem.  À primeira ERMIDA sucedeu outra maior, muito da protecção da RAINHA DONA CATARINA, mulher do REI DOM JOÃO III.
No início do século XVII "AJUDA" estava desenvolvida, sendo em 1742 já uma freguesia autónoma do BAIRRO DO MOCAMBO. Veio então o Terramoto que destruiu grande parte de LISBOA.
Até 1755, como é sabido, os monarcas moravam geralmente no PALÁCIO DA RIBEIRA, junto ao TEJO, nas proximidades do TERREIRO DO PAÇO actual, pelo que , o GOVERNO, também por lá funcionava. Mas o sismo não poupou a residência dos soberanos pelo que, DOM JOSÉ e sua família mais próxima, ficaram a dever a vida ao simples facto de terem pernoitado no PALÁCIO DE BELÉM, que era ao tempo, uma espécie de REAL CASA de Campo. Em circunstâncias normais, poderiam ter ficado soterrados, como aconteceu a muitos dos que se encontravam a trabalhar no PALÁCIO DA RIBEIRA.

Logo que se soube que o morro chamado "AJUDA" tinha sido poupado à fúria devastadora do abalo, El-REI que não ganhara para o susto, decretou de pronto que nesse morro "bendito" seria a sua futura morada. Entretanto, declarou que não mais voltaria a dormir em casa construída de pedra e cal.
Assim, improvisaram-se tendas para receber as altas personalidades e foi iniciada a construção de uma grande casa de madeira, à qual o povo chamou,  a "REAL BARRACA" ou o "PAÇO DE MADEIRA".

- ( 1 ) - FRAGA - Penhasco, brecha, rocha escarpada.

(CONTINUA)-(PRÓXIMA)«LARGO DA AJUDA[ II ] - A REAL BARRACA ( 1 )»