sábado, 6 de fevereiro de 2016

RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS - 3.ª SÉRIE [ V ]

«RUA ALBERTO DE SOUSA»
 Rua Alberto de Sousa - (1959) - (Aguarelas do mestre António de Sousa) - (Capa do livro "ALFACINHAS" os lisboetas do Passado e do Presente. Livro póstumo a "Alberto de Sousa" in  ALFACINHAS
 Rua Alberto de Sousa - (finais do século XIX início do século XX) Desenho a carvão de ALBERTO DE SOUSA - (Do livro de "ALBERTO DE SOUSA" "ALFACINHAS", no capitulo das profissões alfacinhas. Uma "LAVADEIRA"  de 1898 e o "CARROCEIRO" de 1900 desenhos a carvão do autor)  in  ALFACINHAS
 Rua Alberto de Sousa - (1951) Foto dos Estúdios Mário Novais - (Casa das Colunas na "RUA DE SÃO PEDRO" em ALFAMA, aguarela de ALBERTO DE SOUSA)  in  AML 
 Rua Alberto de Sousa - (1964-02 - Foto de Artur Goulart - (A "RUA ALBERTO DE SOUSA" no Bairro Santos próximo do sítio do "REGO")  in  AML 
 Rua Alberto de Sousa - (1966-08) - Foto de João H. Goulart  (Um aspecto da "RUA ALBERTO DE SOUSA" na década de sessenta do século XX)  in  AML 
Rua Alberto de Sousa - (1967) Foto de Arnaldo Madureira - (A "RUA ALBERTO DE SOUSA" na actual freguesia das "AVENIDAS NOVAS")   in  AML

(CONTINUAÇÃO) - RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS - 3.ª SÉRIE [ V ]

«RUA ALBERTO DE SOUSA»

A "RUA ALBERTO DE SOUSA" pertencia à freguesia de «NOSSA SENHORA DE FÁTIMA», com a REFORMA ADMINISTRATIVA DE LISBOA DE 2012, esta freguesia passou a denominar-se das «AVENIDAS NOVAS», agrupando também a antiga freguesia de «SÃO SEBASTIÃO DA PEDREIRA».  Tem o seu início na "RUA JORGE AFONSO" e finaliza na "RUA DA BENEFICÊNCIA".
A CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA decide por EDITAL de 9 de Setembro de 1963, dar o nome de «ALBERTO DE SOUSA» à antiga "RUA - B" do "BAIRRO DE SANTOS".

O conceito do pensador "CONFÚCIO" diz-nos: "UMA IMAGEM VALE MAIS QUE MIL PALAVRAS". Estas palavras, terá levado os jornais a aperceberem-se da necessidade de  recorrer à ilustração, ganhando com isso dupla vantagem: por um lado, tornavam mais real a notícia;  por outro, embelezava mais as páginas, cortando a monotonia dos textos com a forma atractiva dos desenhos ou das fotografias.
Assim, nesta 3.ª SÉRIE que vimos fazendo de há um tempo para cá, pelas "RUAS DE LISBOA" com nomes de "JORNALISTAS", é altura de falar de um artista que ficou ligado às publicações como se de verdadeiro jornalista se tratasse. E, afinal mesmo que não tenha possuído "carteira profissional" que como tal o identificasse, não deixou de ser tão indispensável numa redacção como o mais profundo dos editorialistas. 

«ALBERTO AUGUSTO DE SOUSA», nascido em LISBOA a 6 de Dezembro de 1880, faleceu também em LISBOA, cinco dias antes de completar 82 anos, a 1 de Dezembro de 1961. Viria a notabilizar-se como aguarelista, desenhador, ilustrador e homem de jornais e revistas. Andou pelas "ESCOLA INDUSTRIAL " do "PRÍNCIPE REAL", na "RODRIGUES SAMPAIO" e na "MACHADO DE CASTRO" tendo também frequentado a "ESCOLA SUPERIOR DE BELAS-ARTES DE LISBOA".
Aos 16 anos, já trabalhava naquilo que mais lhe interessava: num atelier dirigido pelo mestre "ROQUE GAMEIRO". A sua 1.ª exposição individual que fez, em 1913, teve lugar na galeria privada que o vespertino republicano " A CAPITAL" possuía na sua sede,  na "RUA DO NORTE".
Não foi, no entanto, apenas com este jornal que se processaram as relações estreitas entre "ALBERTO DE SOUSA" e os jornais.
De facto, a sua participação teve início em 1903 quando "SILVA GRAÇA" que dirigia «O SÉCULO», convidou o artista a colaborar com desenhos na "ILUSTRAÇÃO PORTUGUESA", revista semanal do grupo a que pertencia aquele diário. A sua permanência pela "RUA DO SÉCULO" não se alongou muito. Passou a dispensar a sua genialidade pelos jornais e revistas, desenhando páginas e apontamentos sobre os acontecimentos da época. Assim, são visíveis mostras do seu talento em "O MUNDO", "VANGUARDA", "NOVIDADES", "REPÚBLICA" e, na primeira  série do jornal "A CAPITAL".
O talento do aguarelista e ilustrador não se confinou, porém, às fronteiras. O atentado de 1 de Fevereiro de 1908, do qual resultaram as mortes do rei "D. CARLOS e do Príncipe "D. LUÍS FILIPE", foi reconstituído por "ALBERTO DE SOUSA" numa página notável que veio a ser publicada na revista francesa " L'ILLUSTRATION". O mesmo tema, desenhado a lápis, foi comprado e reproduzido por "THE ILLUSTRATED LONDON NEWS". Deixou vasta obra, parte da qual é visível em alguns MUSEUS DE LISBOA.

No livro "ALFACINHAS" os lisboetas do passado e do presente", que ALBERTO DE SOUSA ilustrou, tem a colaboração literária dirigida por "ARTUR INEZ", pesquisa iconográfica e legendas de "FERNANDO SOUSA" (filho do aguarelista). Num prefácio ao livro seu filho conta-nos que seu pai o presenteou em 1960, com uma volumosa pasta recheada de desenhos, fotografias e formosíssimas ilustrações que pintara para um álbum, a que logo deu o nome de «ALFACINHAS», documentação que espelha pela imagem, a história e a vida do "POVO DE LISBOA".
Encontrando-se a viver no RIO DE JANEIRO, não tinha possibilidade de o editar, era preciso, porém, um texto que não desmerecesse do valor artístico de cada, um dos capítulos. Procurou o amigo "ARTUR INEZ" e grande admirador de seu pai, aceitando a incumbência, soube juntar neste livro alguns dos mais gloriosos e prestigiados nomes da vida mental portuguesa. "O LIVRO FICOU MUITO BONITO".
Esta terá sido a intenção de "FERNANDO SOUSA" proporcionar a seu pai, uma bonita homenagem.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS - 3.ª SÉRIE [ VI ] RUA AUGUSTO JOSÉ VIEIRA».

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS - 3.ª SÉRIE [ IV ]

«A PRAÇA ARTUR PORTELA»
 Praça Artur Portela - (2015) - (Uma panorâmica da "PRAÇA ARTUR PORTELA" na antiga praceta da "QUINTA DO BRITO", à ESTRADA DO POÇO DO CHÃO)  in GOOGLE EARTH
 Praça Artur Portela - ( 2015 ) - (Panorâmica da "PRAÇA ARTUR PORTELA" próximo da "RUA DA REPÚBLICA DA BOLÍVIA", onde está colocado o busto do Jornalista) in GOOGLE EARTH
 Praça Artur Portela - (2015) - (Panorâmica da "PRAÇA ARTUR PORTELA" na freguesia de «BENFICA», onde se insere desde 11 de Abril de 1969)  in  GOOGLE EARTH
Praça Artur Portela - (1971) Foto de João Brito Geralda - ( Busto de Bronze sobre pedestal de pedra do jornalista"ARTUR PORTELA" obra executada por "LEOPOLDO DE ALMEIDA") in  AML

(CONTINUAÇÃO) - RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS - 3.ª SÉRIE [ IV ]

«A PRAÇA ARTUR PORTELA»

A «PRAÇA ARTUR PORTELA» pertence à freguesia de «BENFICA». Numa antiga Praceta da "QUINTA DO BRITO", à ESTRADA DO POÇO DO CHÃO, mandou um EDITAL de 10 de Abril de 1969 criar a «PRAÇA ARTUR PORTELA», dez anos após a sua morte.
Esta "PRAÇA" formando um rectângulo, começa e acaba na "RUA DA REPÚBLICA DA BOLÍVIA".
No espaço ajardinado desta "PRAÇA", foi colocado o busto de Bronze sobre pedestal de pedra a figura de "ARTUR PORTELA", uma obra executada pelo escultor "LEOPOLDO DE ALMEIDA" em 1960, inaugurada em 11 de Outubro de 1971.
A maneira de escrever em jornais - mais viva ou mais sóbria, mais dirigida à satisfação de um gosto ou mais destinada a fazer reflectir - tem sido a marca de distinção entre os órgãos de Comunicação escrita, praticamente desde que eles existem.
O que é indesmentível é haver jornais que marcam os seus leitores fiéis. E, para falar apenas dos já desaparecidos, recordamos por exemplo, a influência que exerceu, durante muitos anos, entre certo público, talvez predominantemente urbano e dono de alguma cultura o extinto "DIÁRIO DE LISBOA". (nessa altura não existia a Internet, nem o FACEBOOK).
Além de emitir opiniões que iam de encontro ao pensamento de muito boa gente, aquele vespertino era geralmente um jornal bem escrito, servido por um corpo redactorial de grande nível. Lá escreviam, entre muitos outros; NORBERTO LOPES e MÁRIO NEVES; o alfacinha-mor NORBERTO DE ARAÚJO e o enciclopédico "ARTUR PORTELA".

O nosso homenageado de hoje chama-se "ARTUR PORTELA" (pai), nascido em LEIRIA no dia 24 de Abril de 1901. falecido em LISBOA no dia 12 de Março de 1959.
Começou muito cedo - ainda aluno do Liceu - a escrever em jornais estudantis. E daí passou para publicações mais "a sério" como o "COMBATE" ou jornal sindicalista " A BATALHA".
Deste homem de vasta cultura não se pode, aliás, imaginar que outra profissão pudesse ter tido que não a de jornalista. Na reportagem como na entrevista, na crítica literária como na artística, em todo o género se distinguiu e a sua assinatura em breve se tornou sinónimo de seriedade e de critério. Entre os seus entrevistados figuram personalidades como: WINSTON CHURCHILL (na altura primeiro-ministro inglês, dois meses antes de se iniciar a II GUERRA MUNDIAL), FRANCISCO FRANCO ou MIGUEL DE UNAMUNO. Passou "ARTUR PORTELA" (pai do escritor e jornalista do mesmo nome) por múltiplas redacções. Esteve em "A PÁTRIA", em "O MUNDO", na "ÚLTIMA HORA", no "DIÁRIO DE NOTÍCIAS"; colaborou assiduamente nas revistas "DOMINGO ILUSTRADO", "NOTÍCIAS ILUSTRADO", "SÉCULO ILUSTRADO". Durante a "II GUERRA MUNDIAL", criou e foi director da publicação "MUNDO GRÁFICO", nitidamente favorável à causa dos Aliados contra o nazismo.
Foi, porém, no "DIÁRIO DE LISBOA" (para onde foi trabalhar em 1921) que mais se notabilizou. Ali tinha a sua tribuna, nomeadamente no tocante a notícias, recensões e críticas de carácter literário. É digna de registo a sua passagem por ESPANHA, como correspondente de guerra, tendo assistido ali à queda da monarquia. A tensão anglo-italiana por causa da ETIÓPIA, foi outro dos acontecimentos relatados por si. Foi ainda por ideia sua que o DIÁRIO DE LISBOA lançou nas suas páginas uma campanha a favor da transladação dos restos mortais de D. MANUEL II de PORTUGAL.
Apesar de "ARTUR PORTELA" ser um homem nitidamente de esquerda, não deixou de publicar um texto no seu "DIÁRIO DE LISBOA" em 6 de Julho de 1947, alusivo ao "CORTEJO HISTÓRICO DE LISBOA(1947)", cortejo comemorativo do "VIII centenário da Tomada de Lisboa aos MOUROS", em 1147. Dizia ARTUR PORTELA: " Cortejo de dois quilómetros e dois mil e quinhentos figurantes que perpassa incessantemente, entre a cidade atónica, (...) espectadores que densamente recobrem as ruas, as praças, os telhados, os edifícios, as árvores como enxames de abelhas, multidão absurda, (...) numa suprema glorificação, coroada com tiara de fogo este jubileu monumental de grandeza"».

O grande senão de ARTUR PORTELA era, ao que parece a sua caligrafia. Os tipógrafos eram inimigos declarados, não do jornalista mas dos seus "hieróglifos" quase indecifráveis. Atendendo às multiplas reclamações, acabou o homem de letras por se render e aderir à máquina de escrever. Agradecido, um tipógrafo do "DIÁRIO DE LISBOA" teceu um comentário que ficou célebre: "A escrita do senhor PORTELA é como certos bifes: só se conseguem mastigar depois de passados pela máquina".
Muito deve a este homem também o associativismo da classe jornalística. 
Com JAIME BRASIL e JULIÃO QUINTINHA, procedeu à renovação do SINDICATO, de que foi presidente, e ao lançamento da CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS PROFISSIONAIS DA IMPRENSA. Foi ainda um lutador persistente pela criação da CARTEIRA PROFISSIONAL.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS - 3.ª SÉRIE [ V ]-RUA ALBERTO DE SOUSA».

sábado, 30 de janeiro de 2016

RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS - 3.ª SÉRIE [ III ]

«AVENIDA ELIAS GARCIA ( 2 )»
 Avenida Elias Garcia - ( 2015) - (Parte final da "AVENIDA ELIAS GARCIA" junto da "RUA MARQUÊS DE SÁ DA BANDEIRA". Os jardins ao fundo fazem parte de "FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN")  in  GOOGLE EARTH
 Avenida Elias Garcia . (2015) - (A "AVENIDA ELIAS GARCIA" no número 121, próximo da "AVENIDA MARQUÊS DE TOMAR")  in  GOOGLE EARTH
 Avenida Elias Garcia - (Século XIX) Foto de autor não identificado - (Foto de "JOSÉ ELIAS GARCIA" no antigo "CENTRO ESCOLAR REPUBLICANO ELIAS GARCIA" que funcionou na CALÇADA DE D. GASTÃO" desde 20 de Abril de 1908 até 25 de Abril de 1974) in CASARIO DO GINJAL
 Avenida Elias Garcia - (1961) - Foto Arnaldo Madureira - (A AVENIDA ELIAS GARCIA na década de sessenta do século XX)   in  AML 
 Avenida Elias Garcia - (1967-01) - Foto de Arnaldo Madureira - (A Avenida Elias Garcia e seu comércio na década de sessenta)  in  AML 
 Avenida Elias Garcia - (1970) Foto de Artur Inácio Bastos - (Prédio com projecto de 1906, do Arquitecto Ventura Terra, na AVENIDA ELIAS GARCIA, 62 esquina com a AVENIDA DA REPÚBLICA,44-46-A)  in  AML 
Avenida Elias Garcia - (1969) Foto de Arnaldo Madureira - (Um troço da "AVENIDA ELIAS GARCIA")   in   AML 

(CONTINUAÇÃO)- RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS - 3.ª SÉRIE [ III ]

«AVENIDA ELIAS GARCIA ( 2 )»

«JOSÉ ELIAS GARCIA» nasceu em CACILHAS ( ALMADA) a 30 de Dezembro de 1830 e faleceu em LISBOA em 21 de Junho de 1891 com cerca de setenta anos.
Frequentou a "ESCOLA DO COMÉRCIO" na qual se diplomou aos 18 anos.
Não se contentou com esses estudos e seguiu para a "ESCOLA POLITÉCNICA DE LISBOA" e daí para a "ESCOLA DO EXÉRCITO", onde chegou a professor, atingindo o posto de Coronel na Arma de ENGENHARIA.

Corria-lhe nas veias sangue liberal, herdado de seu pai. Apaixonou-se assim pelo ideal REPUBLICANO e, de acordo com os seus princípios, fundou o primeiro jornal que abertamente defendia a mudança do regime, chamou-se «O TRABALHO».

Estávamos ainda em 1854, ou seja a mais de meio século das alterações.
JOSÉ ELIAS GARCIA não parou, jornalista de fibra, fez depois aparecer o jornal "O FUTURO", periódico que viria a fundir-se com "A DISCUSSÃO", resultado desse casamento um outro jornal teria o sugestivo título de "A POLÍTICA LIBERAL".

Estas publicações eram, verdade se diga, um tanto efémeras, facto que não fez esmorecer aquela pena combativa. Assim, ainda surgira como redactor principal de um "JORNAL DE LISBOA" e de outro denominado "DEMOCRACIA".
A par da sua faina jornalística, ia desempenhando outras actividades em ritmo fervoroso. 

A POLÍTICA estava-lhe, como se diz, na massa do sangue e foi um dos fundadores do «PARTIDO REFORMISTA», em 1868, agrupamento de que veio a resultar o "PARTIDO REPUBLICANO".
Como membro da MAÇONARIA desde 1853, foi o 1.º e único GRÃO-MESTRE interino, depois definitivo da "FEDERAÇÃO MAÇÓNICA"  entre 1863 e 1869.

Foi Director da "ASSOCIAÇÃO DOS JORNALISTAS E ESCRITORES PORTUGUESES".
Como professor e em sua homenagem existiu "O CENTRO ESCOLAR REPUBLICANO ELIAS GARCIA" na "CALÇADA DE DOM GASTÃO, 15-1.º na freguesia do BEATO, de 20 de Abril de 1908 até 25 de Abril de 1974, ocasião em que fechou definitivamente as suas portas.

Trabalhou também na vereação da CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA, onde teve actuação notável no pelouro da instrução. E, entretanto, chegava na MAÇONARIA a "GRÃO MESTRE"  do "GRANDE ORIENTE LUSITANO".

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS - 3.ª SÉRIE [ IV ]-PRAÇA ARTUR PORTELA».

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS - 3.ª SÉRIE [ II ]

«AVENIDA ELIAS GARCIA ( 1 )»
 Avenida Elias Garcia - (2015) (A "AVENIDA ELIAS GARCIA" no seu início vista da "RUA DO ARCO DO CEGO") in GOOGLE EARTH 
 Avenida Elias Garcia - (2015) - (Um troço da "Avenida Elias Garcia") in GOOGLE EARTH
 Avenida Elias Garcia - (2015) - A "AVENIDA ELIAS GARCIA" no seu final, vista da "RUA MARQUÊS SÁ DA BANDEIRA")  in  GOOGLE EARTH
 Avenida Elias Garcia - (2009) - (Vista Panorâmica da freguesia das AVENIDAS NOVAS onde se insere a "AVENIDA ELIAS GARCIA")  in  GOOGLE EARTH
 Avenida Elias Garcia- (Séc. XIX) Foto de Joshua Benoliel  (A figura de "José Elias Garcia" possivelmente na década de 60 do século XIX) in  WIKIPÉDIA - AML 
 Avenida Elias Garcia - (1961) - Foto de Armando Madureira - ( A "AVENIDA ELIAS GARCIA" na actual freguesia das "AVENIDAS NOVAS")  in   AML 
Avenida Elias Garcia - (1961) Foto de Augusto Jesus Fernandes - (Prédio em construção na "AVENIDA ELIAS GARCIA") (Abre em tamanho grande)  in   AML


(CONTINUAÇÃO) - RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS - 3.ª SÉRIE [ II ]

«AVENIDA ELIAS GARCIA ( 1 ) »

A «AVENIDA ELIAS GARCIA» pertencia à freguesia de "NOSSA SENHORA DE FÁTIMA". Esta freguesia juntamente com a de "S. SEBASTIÃO DA PEDREIRA" ao abrigo da "REFORMA ADMINISTRATIVA DE LISBOA DE 2012", passou a chamar-se freguesia das «AVENIDAS NOVAS». Começa na "RUA DO ARCO DO CEGO", 59 e finaliza na "RUA MARQUÊS SÁ DA BANDEIRA" no número 114.
Por Edital de 5 de Novembro de 1910 (exactamente um mês depois da Proclamação da REPÚBLICA) mandava a antiga artéria que se chamou " AVENIDA JOSÉ LUCIANO", (homenagem ao conselheiro monárquico que várias vezes presidira ao Conselho de Ministros), a mudar de nome, passando a ostentar ( até hoje ) o nome de "AVENIDA ELIAS GARCIA".

As antigas "AVENIDAS NOVAS" ( a caminho de cento e onze anos) tem um traçado de 1888 e aprovado em 1904 constituem um bairro resultante de um plano do ARQUITECTO RESSANO GARCIA, e executado nas primeiras décadas do século XX.
Este "Novo Bairro" apresenta um grande xadrez regular que se situa, mais ou menos e sem limites rígidos, entre a "linha férrea da Cintura", a AVENIDA FONTES PEREIRA DE MELO a AVENIDA DOS DEFENSORES DE CHAVES e o PARQUE EDUARDO VII (AVENIDA SIDÓNIO PAIS). Foram esses "BOULEVARDS" à portuguesa baptizados nos tempos do arquitecto que lhes deu forma, e assim ficaram, sem que se cuidasse da lógica de chamar "novo" àquilo que já não é, reforçado presentemente pelo nome da sua freguesia.
Nesses tempos remotos o "BAIRRO", que foi habitado por alta burguesia e mesmo certa aristocracia lisboeta, constituiu verdadeiro  "maná" para os homens da PRIMEIRA REPÚBLICA, no que respeita à distribuição dos nomes que lhes eram gratos pelas diversas ruas.
A "AVENIDA" que fora de "RESSANO GARCIA" passou a ser "AVENIDA DA REPÚBLICA".
Nasceu depois a "AVENIDA CINCO DE OUTUBRO". E foram aparecendo Avenidas dedicadas a MIGUEL BOMBARDA, ELIAS GARCIA e outros comungantes do ideal REPUBLICANO.

Quando hoje se analisa a evolução da Toponímia lisboeta, é sempre dedicado um momento especial a esse período que foi, de longe, aquele que mais transformações efectuou. Nem o "28 de Maio de 1926" ou mesmo o "25 de Abril de 1974" se compararam à "REVOLUÇÃO de 1910", mas deixamos isto para outra ocasião, falemos então do nosso jornalista.

Este político, professor e jornalista «ELIAS GARCIA» de que hoje falamos, nunca chegou a ver em vigor o regime da sua simpatia, do qual foi um dos seus pioneiros.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS 3.ª SÉRIE [ II ] AVENIDA ELIAS GARCIA ( 2 )».

sábado, 23 de janeiro de 2016

RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS - 3.ª SÉRIE [ I ]

«AVENIDA DR. AUGUSTO DE CASTRO»
 Avenida Dr. Augusto de Castro - (2015)  -  (Um troço da Avenida Dr. Augusto de Castro no sentido Norte em direcção da "Avenida Marechal Gomes da Costa")   in  GOOGLE EARTH
 Avenida Dr. Augusto de Castro - ( 2015 ) - Panorâmica da Avenida Dr. Augusto de Castro no sítio de CHELAS um pouco mais aproximada - em 3D)   in GOOGLE EARTH
 Avenida Dr. Augusto de Castro - ( 2015) - (Panorâmica da Avenida Dr. Augusto de Castro no sítio de CHELAS)  in   GOOGLE EARTH
 Avenida Dr. Augusto de Castro - (Post. 1971) Foto de autor não identificado (Um troço da Avenida Dr. Augusto de Castro na freguesia de Marvila)  (Abre em tamanho Grande) in TOPONÍMIA DE LISBOA
Avenida Dr. Augusto de Castro - (Post a 1971) Foto de Sérgio Dias - (Placa tipo IV da "Avenida Dr. Augusto de Castro" em CHELAS na freguesia de Marvila) ( abre em tamanho grande)  in  TOPONÍMIA DE LISBOA

(INÍCIO) - RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS - 3.ª SÉRIE [ I ]

«AVENIDA DR. AUGUSTO DE CASTRO»

A «AVENIDA DR. AUGUSTO DE CASTRO» pertence à freguesia de «MARVILA». Tem início na antiga "QUINTA DA TROCA" nomeadamente na antiga AZINHAGA DA TROCA hoje "RUA SALGUEIRO MAIA", e finaliza com a ligação à "AVENIDA MARECHAL GOMES DA COSTA".
O Edital Municipal de 27 de Julho de 1971 determinou que a antiga "AVENIDA CENTRAL DA MALHA DE CHELAS", passasse a ostentar o nome do jornalista que também foi diplomata e escritor.
A "AVENIDA DR. AUGUSTO DE CASTRO" rasgada na malha do sítio de CHELAS, inicia o seu percurso na antiga QUINTA DA TROCA seguindo para Norte atravessando as também antigas QUINTAS: DA CERA; DA RAPOSA; DO ALENTEJÃO e DO POÇO DE CORTES, ficando ligada a Norte pela AVENIDA MARECHAL GOMES DA COSTA. [Informação do PLANO DE URBANIZAÇÃO DE CHELAS - 1965 - CML - GABINETE TÉCNICO DE HABITAÇÃO].

De mãos dadas entre a política e o Jornalismo constituem prática de muitos anos. Podemos mesmo dizer que estavam em clara minoria as personalidades que encaravam o trabalho nas redacções como sua profissão única e que faziam da tarefa de informar com clareza e objectividade uma missão.
Felizmente que hoje as águas tendem estar nitidamente separadas. A deontologia exige, por exemplo, que o jornalista profissional que se decida por qualquer cargo de natureza política, devolva a sua carteira. Noutros tempos a mistura seria mais densa. O certo é que se perpetua este namoro entre dois mundos; que passam a vida em amuos e queixas recíprocas como se fosse apenas ódio, os laços que os unem.
«AUGUSTO DE CASTRO SAMPAIO CORTE REAL» era portuense, nascido em 11 de Janeiro de 1883. Formou-se em DIREITO em COIMBRA e voltou ao PORTO onde se estabeleceu como advogado. Pequeno de corpo, era, contrapartida, um incansável trabalhador, dono de uma perspicácia que lhe abria caminhos.
Assim, em breve era deputado pela sua cidade. Mas, bem mais do que à política, sentia-se AUGUSTO DE CASTRO preso ao jornalismo. Contando apenas 20 anos, já dirigia no PORTO o Diário «A PROVÍNCIA», do qual passou para o «DIÁRIO DA NOITE», onde se firmou como cronista.
Tendo fixado residência em LISBOA, foi redactor principal do "JORNAL DO COMÉRCIO" e entrou depois no "O SÉCULO", jornal onde lançou uma secção que ficou célebre, chamada "Fumo do meu cigarro", série de crónicas que reuniu em livro. 
Em 1919, ficaria definitivamente traçado o seu destino jornalístico: uma  remodelação na empresa proprietária do «DIÁRIO DE NOTÍCIAS» levaria ao afastamento de "ALFREDO DA CUNHA" da Direcção e ao convite endereçado a AUGUSTO DE CASTRO, que exerceria o cargo praticamente até ao fim da vida, exceptuando embora os anos em que esteve colocado como embaixador de PORTUGAL. É considerado como grande renovador daquele matutino lisboeta. E foi também o impulsionador de congressos e encontros da imprensa latina.
Interrompeu em 1924 as funções jornalísticas para seguir a carreira diplomática. Substituído   por "EDUARDO SCHWALBACH" no DIÁRIO DE NOTÍCIAS. «AUGUSTO DE CASTRO» foi ministro plenipotenciário em LONDRES, no VATICANO, BRUXELAS e ROMA. Mas ia escrevendo, nomeadamente para o seu jornal onde criou "CARTAS SEM DATA". 
Regressou a PORTUGAL em 1939 para ser comissário da «EXPOSIÇÃO DO MUNDO PORTUGUÊS», certamente que se realizaria no ano seguinte. Mais uma vez o "Bichinho" dos jornais o mordeu e fundou "A NOITE", vespertino efémero. Voltaria logo a seguir ao seu "DIÁRIO DE NOTÍCIAS"; em 1945, porém, seria nomeado embaixador em PARIS, sendo de novo substituído por "EDUARDO SCHWALBACH". Mas este morreu em 1946 e "CASTRO" assumiu definitivamente a Direcção do Jornal.
Era dotado de um espírito fino, traduzido nos seus escritos. Sobre os diplomatas, por exemplo dizia que: " já hoje lhe é permitido ter opiniões, com a condição, em princípio. de não serem suas"... Os seus artigos de fundo, os seus livros eram escritos de uma forma leve, prendendo pela subtil ironia e pela aparente simplicidade com que apresentava temas profundos. Morreu no ESTORIL em 24 de Julho de 1971. O «DIÁRIO DE NOTÍCIAS» chegava ao fim de uma marcante e longa da sua quase centenária vida.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS- 3.º SÉRIE [ II ] AVENIDA ELIAS GARCIA( 1 )». 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

RUA CARVALHO ARAÚJO [ II ]

«A RUA CARVALHO ARAÚJO ( 2 )»
 Rua Carvalho Araújo - (2009) - (A "Rua Carvalho Araújo" no sentido da "ALAMEDA", no lado direito a "RUA ACTOR JOAQUIM DE ALMEIDA") in   GOOGLE EARTH
 Rua Carvalho Araújo - (2009) - (Final da "RUA CARVALHO ARAÚJO" junto da "ALAMEDA DOM AFONSO HENRIQUES" depois de 1957)  in  GOOGLE EARTH
 Rua Carvalho Araújo - (1967) - (Desenho de Alberto Cutileiro) -(Selo de CABO VERDE representando o navio Patrulha "NRP - AUGUSTO DE CASTILHO" e o seu comandante 1.º tenente "CARVALHO ARAÚJO". Emissão Comemorativa do 1.º Centenário do Clube Militar Naval) in  CLUBE FILATÉLICO DE PORTUGAL 
 Rua Carvalho Araújo - (1966-06) Foto de Arnaldo Madureira - (A "RUA CARVALHO ARAÚJO" esquina com a "RUA JOSÉ RICARDO", no sentido Sul)  in  AML
 Rua Carvalho Araújo - (1966) Foto de Artur Goulart - (A "RUA CARVALHO ARAÚJO" antiga "AZINHAGA DO AREEIRO")  in  AML 
Rua Carvalho Araújo - (1915) Foto de autor não identificado - (Foto de "JOSÉ BOTELHO DE CARVALHO ARAÚJO" 1.º Tenente e Comandante do Navio Patrulha de Alto-Mar "NRP - AUGUSTO DE CASTILHO", que se notabilizou pela defesa do navio "S. MIGUEL" ao largo dos AÇORES)  in  GEOCACHING


(CONTINUAÇÃO)-RUA CARVALHO ARAÚJO [ II ]

«A RUA CARVALHO ARAÚJO ( 2 )»

O Comandante do "NAVIO PATRULHA de ALTO-MAR" "NRP - AUGUSTO DE CASTILHO" ( 1 ) terá surpreendido, o dignitário chefe do submarino e permitindo que o Vapor "SÃO MIGUEL( 2 ) se afastasse, pondo-se a salvo. Nesta luta renhida até se esgotarem as munições do "AUGUSTO DE CASTILHO". O último disparo do "U 139" atingiu mortalmente  "CARVALHO ARAÚJO".  O seu comportamento heróico ficou registado no livro de bordo do comandante alemão.

Com "CARVALHO ARAÚJO" morreu também o aspirante "ELÓI DE FREITAS". Os sobreviventes, alguns deles muito feridos, conseguiram salvar-se, doze deles a vários dias em luta com o mar, numa epopeia que teve por sua vez outro herói - o Guarda-Marinha "ARMANDO FERRAZ", que navegando num "escaler" mais de 200 milhas a remos, até Ponta Delgada.

"CARVALHO ARAÚJO" oficial da MARINHA e Político republicano, participou no movimento insurreccional abortado de 28 de Janeiro de 1908, tendo ainda colaborado em vários jornais, nomeadamente no "VILARREALENSE", após a implantação da REPÚBLICA, foi eleito deputado por  VILA REAL à ASSEMBLEIA NACIONAL CONSTITUINTE, e GOVERNADOR DO DISTRITO DE INHAMBANE, em MOÇAMBIQUE, por dezoito meses.

CARREIRA NA MARINHA PORTUGUESA
- 1895 - Ingressou ma Marinha Como Aspirante em 12 de Outubro.

- 1903 - Guarda-Marinha.

- 1905 - 2.º Tenente.

- 1915 - 1.º Tenente.

- 1918 - Capitão-Tenente ( a título póstumo)

Foi condecorado com a MEDALHA DE COBRE DE FILANTROPIA e CARIDADE ( Socorros e naufrágios), a MEDALHA MILITAR DE PRATA de comportamento exemplar, a MEDALHA DE PRATA comemorativa das Campanhas do Exército Português - tendo na respectiva passadeira a legenda "SUL DE ANGOLA 914/915", e a título póstumo, com a CRUZ DE GUERRA DE 1.ª CLASSE, a MEDALHA DE PRATA comemorativa das Campanhas do Exército Português no mar 1916/1917/1918 e o 2.º grau da ORDEM DA TORRE E ESPADA.

Esta RUA do Comandante do "NAVIO PATRULHA de ALTO-MAR"-"AUGUSTO DE CASTILHO" é uma homenagem a "JOSÉ BOTELHO DE CARVALHO ARAÚJO" nascido no PORTO em 18 de Maio de 1881, e faleceu em combate no mar dos AÇORES em 14 de Outubro de 1918.

- ( 1 ) - O "NAVIO PATRULHA DE ALTO-MAR" "AUGUSTO DE CASTILHO" inicialmente um Navio de pesca por "ARRASTÃO", com o nome "ELITE", sendo os seus proprietários a firma PARCERIA GERAL DE PESCARIAS, Lda., foi requisitado pela MARINHA PORTUGUESA para ser usado em "patrulhas" e "escoltas" no mar dos AÇORES, depois de ser convenientemente transformado e apetrechado com duas  bocas de fogo.

( 2 ) - O Vapor "SÃO MIGUEL" pertencia à Empresa Insulana de Navegação
 [ FINAL]

BIBLIOGRAFIA

- ATLAS DA CARTA TOPOGRÁFICA DE LISBOA - Sob a Direcção de FILIPE FOLQUE - 1856-1858 - CML - 2000 - LISBOA.
- DICIONÁRIO DA HISTÓRIA DE PORTUGAL de José Correia do Souto - Vol II -Rep. ZAIROL, Lda. 1985 - LISBOA.
- DICIONÁRIO ILUSTRADO DA HISTÓRIA DE PORTUGAL - Publicações ALFA - I VOLUME - 1985 - LISBOA. 

INTERNET


(PRÓXIMO)«RUAS COM NOMES DE JORNALISTAS-3.ª SÉRIE[ I ]-A AV. AUGUSTO DE CASTRO».

sábado, 16 de janeiro de 2016

RUA CARVALHO ARAÚJO [ I ]

«A RUA CARVALHO ARAÚJO ( 1 )»
 Rua Carvalho Araújo - (2007) - (Panorâmica da zona de ARROIOS onde está inserida a "RUA CARVALHO ARAÚJO")  in  GOOGLE EARTH
 Rua Carvalho Araújo - (1856-1858) - Filipe Folque - (A "AZINHAGA DO AREEIRO" tinha o seu percurso de "A" a "A" no século XIX. Em 1924 é substituída pela RUA CARVALHO ARAÚJO. No ano de 1957 a parte Norte da "ALAMEDA" o troço da "RUA CARVALHO ARAÚJO" passa a denominar-se "RUA ABADE FARIA". Esta "AZINHAGA DO AREEIRO" era bastante importante na época, pois fazia a ligação entre a "ESTRADA DA PENHA DE FRANÇA" através da "Calçada do Poço dos Mouros") in  ATLAS DA CARTA TOPOGRÁFICA DE LISBOA-CML
 Rua Carvalho Araújo - (2009) - (Início da "RUA CARVALHO ARAÚJO" junto ao Largo Mendonça e Costa. Atravessando a rua que nos fica em frente, podemos ver no outro lado a "CALÇADA POÇO DOS MOUROS" que antigamente ligava a esta rua (anterior a 1924), quando tinha o antigo nome de "AZINHAGA DO AREEIRO" e se prolongava pela actual "Rua Abade Faria" in GOOGLE EARTH 
 Rua Carvalho Araújo - (2009) - (Um troço da "RUA CARVALHO ARAÚJO" no sentido Sul. Podemos ver ao fundo, na parte de cima, o depósito de água na "PENHA DE FRANÇA" e parte do seu Convento) in  GOOGLE EARTH
 Rua Carvalho Araújo - (1964-01) Foto de Artur Goulart - (Um aspecto da "RUA CARVALHO ARAÚJO" nos anos sessenta do século XX)  in  AML 
 Rua Carvalho Araújo - (1935) - Foto de Eduardo Portugal - ( Este troço a Norte da "ALAMEDA", no "BAIRRO MUNICIPAL PRESIDENTE CARMONA" antiga "RUA CARVALHO ARAÚJO", depois de 1957 passou a denominar-se "RUA ABADE FARIA") (Abre em tamanho grande)  in AML
Rua Carvalho Araújo - (1917) -Foto de autor não identificado - (O "NAVIO PATRULHA DE ALTO-MAR", "NRP AUGUSTO DE CASTILHO" tendo a bordo além de outros oficiais, o Comandante "CARVALHO ARAÚJO")  in  MONUMENTOS DA HISTÓRIA


RUA CARVALHO ARAÚJO [ I ]

«A RUA CARVALHO ARAÚJO ( 1 )»

A «RUA CARVALHO ARAÚJO» pertencia a duas freguesias; "SÃO JOÃO" e "SÃO JORGE DE ARROIOS", com a "REFORMA ADMINISTRATIVA DE LISBOA DE 2012", passou a pertencer à freguesia da «PENHA DE FRANÇA», dos números 1 a 19 e 2 a 120. E à freguesia de «ARROIOS» os números 21 a 122. Tem o seu início na "RUA MORAIS SOARES" (antiga ESTRADA DA CIRCUNVALAÇÃO) no número 84 e termina na "ALAMEDA DOM AFONSO HENRIQUES". 
São convergentes a esta RUA no seu lado esquerdo a "RUA ACTOR JOSÉ RICARDO" e "RUA LUCINDA SIMÕES". No lado direito converge a "RUA ACTOR JOAQUIM DE ALMEIDA".

A "RUA CARVALHO ARAÚJO" (antiga "AZINHAGA DO AREEIRO), que dava seguimento para Norte à "ESTRADA DA PENHA DE FRANÇA" que descia a (antiga TRAVESSA DO MARQUÊS DE SANDE", hoje "CALÇADA DO POÇO DOS MOUROS, cruzava a "RUA MORAIS SOARES" e seguia pela "AZINHAGA DO AREEIRO", conforme podemos observar no "ATLAS DA CARTA TOPOGRÁFICA DE LISBOA de FILIPE FOLQUE do século XIX, sendo uma via muito importante na época.
Por deliberação Camarária de 8 de Agosto de 1924 a "AZINHAGA DO AREEIRO" passou a designar-se "RUA CARVALHO ARAÚJO". Nesse mesmo ano foi inaugurado um monumento do escultor "ANJOS TEIXEIRA", em homenagem a CARVALHO ARAÚJO, oficial da Marinha, em VILA REAL, assim como uma AVENIDA que passou a ostentar o seu nome, por ter sido a cidade que o acolheu na sua infância.
Com a abertura da "ALAMEDA DOM AFONSO HENRIQUES", o troço a norte desta ALAMEDA, passou a denominar-se por Edital de 7 de Fevereiro de 1957, "RUA ABADE FARIA", embora o troço para Sul se mantivesse com o nome de "RUA CARVALHO ARAÚJO".

«JOSÉ BOTELHO CARVALHO ARAÚJO», passou uma grande parte da sua infância na cidade de VILA REAL, apesar de ter nascido em 18 de Maio de 1880, na freguesia de "SÃO NICOLAU" no PORTO, onde seus pais; "JOSÉ DE CARVALHO DE ARAÚJO JR." e "MARGARIDA FERREIRA BOTELHO DE ARAÚJO", se encontravam por motivo de doença, da sua avó materna, "MARGARIDA ROSA DE JESUS BOTELHO".

Após ingressar na MARINHA, serviu na fragata "D. AFONSO", na corveta "DUQUE DA TERCEIRA", no couraçado "VASCO DA GAMA", nos cruzadores "ADAMASTOR" e "SÃO MIGUEL", nas canhoneiras "ZAMBEZE", "LIBERAL", "DIU" e LÚRIO" no rebocador "BÉRRIO" e no navio de transporte "SALVADOR CORREIA".
"JOSÉ BOTELHO CARVALHO ARAÚJO" (1880-1918) primeiro-tenente da Armada no comando do Navio Patrulha de Alto-Mar "AUGUSTO DE CASTILHO" (um frágil pesqueiro transformado em PATRULHA), quando este em 14 de Outubro de 1918, (em plena 1.ª GUERRA MUNDIAL) escoltava do FUNCHAL para PONTA DELGADA o Vapor "S. MIGUEL", no mar dos AÇORES, protegeu-o de ser afundado pelo submarino alemão "U 139", comandado pelo experiente alemão "LOTHAR VON ARNAULD DE LA PERIÈRE", atacando-o, para salvar o navio com 206 pessoas e aguentou durante duas horas apesar de apenas dispor de duas peças de artilharia de proa e ré, que investiu contra a unidade poderosamente armada de 6 tubos lança-torpedos e de dois canhões de tiro rápido com calibre de 150 milímetros.


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