quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

TERREIRO DO PAÇO [ XIII ]

A RENOVADA PRAÇA DO COMÉRCIO
 Terreiro do Paço - (2013) (Vista tirada do Miradouro do Arco da RUA AUGUSTA, para a "nova" "PRAÇA DO COMÉRCIO") (Foto gentilmente cedida pela amiga Ondina Castelar)  in ONDINA CASTELAR
 Terreiro do Paço - (2012) - Foto de autor não identificado (A "PRAÇA DO COMÉRCIO" depois das últimas obras de requalificação do piso central)  in  REPSOL
 Terreiro do Paço - (2012) - Foto de autor não identificado ( A "NOVA" PRAÇA DO COMÉRCIO depois da regularização do seu piso)  in  PASSEIOS (cá dentro)
Terreiro do Paço - (2012) Foto de Jebulom  ( A "Nova" "PRAÇA DO COMÉRCIO" já na fase final das sua obras) ( Abre em Tamanho grande)  in  WIKIPÉDIA


(CONTINUAÇÃO)- TERREIRO DO PAÇO [ XIII ]

«A RENOVADA PRAÇA DO COMÉRCIO»

O projecto do pavimento provisório da PRAÇA DO COMÉRCIO esteve a cargo dos arquitectos "JOSÉ ADRIÃO" e "PEDRO PACHECO", estando em utilização intensa, durante onze anos.
Supostamente o pavimento provisório devia servir a cidade até 2001, sendo que nessa altura começariam as obras do pavimento definitivo. Contudo o desenvolvimento do projecto coincidiu com o desenrolar das obras do TÚNEL DO METROPOLITANO, obra que sofreu significativas contrariedades, sendo a mais significativa o colapso parcial, seguido de alagamento do troço do Túnel da PRAÇA DO COMÉRCIO.
Esta situação alterou para a dificuldade e um maior conhecimento da geologia precária destes terrenos, tendo sido realizadas sondagens e consultas, a numerosos técnicos com vista a realizar obras que permitissem a recuperação do Túnel do Metro. Recordamos que o referido Túnel apenas entrou em serviço no mês de Dezembro de 2007, tendo a obra sido iniciada em 1995.
Ao mesmo tempo verificou-se que o "TORREÃO POENTE" da PRAÇA DO COMÉRCIO necessitava de obras de consolidação dos terrenos, pois o assentamento que vinha sofrendo desde a sua construção, representava já, cerca de 1,2 m., começava a por em risco a sua estabilidade estrutural.
Existindo mudanças na C.M.L. entre Janeiro de 2002 a Outubro de 2005, tendo ficado definida a presidência do Engº CARMONA RODRIGUES, que devido a este período de forte rotatividade na Edilidade, o projecto da PRAÇA DO COMÉRCIO esteve parado, não se lhe conhecendo desenvolvimentos significativos.
Finalmente em Agosto de 2007 a C.M.L. passa a ser presidida pelo DR. ANTÓNIO COSTA, sendo nessa altura constituída a "SOCIEDADE FRENTE TEJO" que passa a desenvolver o trabalho necessário à reabilitação de parte da BAIXA POMBALINA, nomeadamente a PRAÇA DO COMÉRCIO.
A Sociedade cedo abandona os projectos existentes, abandonando a ideia do TÚNEL RODOVIÁRIO e do PARQUE DE ESTACIONAMENTO SUBTERRÂNEO, e avançando com o projecto de infra-estruturas subterrâneas da PRAÇA DO COMÉRCIO, canalizando as águas residuais e pluviais para a estação de tratamento. Em simultâneo contratam o Arquitecto BRUNO SOARES para a realização do projecto de pavimentação da PRAÇA DO COMÉRCIO. Este projecto adopta muita das atitudes programáticas propostas pelo projecto dos Arquitectos JOSÉ ADRIANO e PEDRO PACHECO, nomeadamente a ocupação das arcadas laterais da PRAÇA como zona turística e de estar, mas não respeita o contínuo descendente entre a BAIXA POMBALINA e o CAIS DAS COLUNAS.
Assim, a eficiência construtiva, um espaço construído para três anos de uso, acaba por sobreviver sem mazelas ao longo de onze, mantendo a sua qualidade poética do sítio de contemplação sobre o TEJO e a CIDADE ao mesmo tempo que sobre este pavimento aconteciam numerosas actividades públicas, é o facto notável que atesta sem margem de dúvidas a qualidade das suas propostas.[Extracto do artigo para a disciplina de História da Arquitectura e da Construção - Curso de Doutoramento em Arquitectura - Docente: Professora Doutora Madalena Cunha Matos - FAUTL, LISBOA - Março de 2011]. 

A PRAÇA DO COMÉRCIO ao longo da sua existência registou uma evolução que passou pela "adaptação do conceito" de PRAÇA REAL e, actualmente o que eventualmente se pretende é adaptar esta PRAÇA e aproveitar as suas potencialidades arquitectónicas para dar outra vocação ao espaço.
Dizia o CORREIO DA MANHÃ em Outubro de 2010, que LISBOA terá uma NOVA PRAÇA DO COMÉRCIO". O projecto de requalificação urbanística da PRAÇA DO COMÉRCIO com as alterações introduzidas pelo autor, o Arqº. BRUNO SOARES, na sequência do debate público. Assim, as obras de requalificação do Arqº B.S. pretende transformar a P.C. numa Praça de espectáculos com uma rede de infra-estrutura que permita realizar eventos e festas.
FRANCISCO HIPÓLITO RAPOSO integrou a equipa que seleccionou a nova cor para a PRAÇA DO COMÉRCIO, e  por se aproximar "à cor do Sol poente", foi escolhida quase por unanimidade,  a COR Nº 4, sendo a que possui laivos de ouro ao entardecer e em dias soalheiros. Chegou-se também à conclusão que a cor original da PRAÇA "andava" entre o amarelo e o ocre, numa das suas variantes mais antigas.
A PRAÇA DO COMÉRCIO foi devolvida aos alfacinhas e turistas que condignamente nos visitam, no ano de 2012, depois de umas prolongadas obras de requalificação.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«TERREIRO DO PAÇO [ XIV ]-A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I( 1)»

sábado, 18 de Outubro de 2014

TERREIRO DO PAÇO [ XII ]

PRAÇA DO COMÉRCIO ( 6 )
 Terreiro do Paço - (Início do século XX) (A "PRAÇA DO COMÉRCIO" vista por "Bargelli" em que diz, tratar-se de uma espécie de claustro a que faltasse a quarta parede. "Piero Bargelli", historiador de arte florentina-1897-1980) in  BAIXA POMBALINA
 Terreiro do Paço - (Primeiro quartel do Século XX) (A "PRAÇA DO COMÉRCIO" já com as suas árvores desenvolvidas. Dizem, que as árvores foram cortadas da Praça, porque tapavam a vista das Arcadas) in  A CAPITAL
 Terreiro do Paço - (Segundo quartel do século XX) ( Vista aérea da "PRAÇA DO COMÉRCIO" já com a "Estação de Sul e Sueste" no local de hoje, tendo sido inaugurada a 28 de Maio de 1932) In  LISBOA POMBALINA E O ILUMINISMO
 Terreiro do Paço - (Anterior a 1938 ) (Nesta altura a "PRAÇA DO COMÉRCIO" ainda não tinha ligação com o CAIS DO SODRÉ, pela (AVENIDA RIBEIRA DAS NAUS). Só foi possível, depois de ser desactivado o "ARSENAL DA MARINHA DE LISBOA" em 1938)  in  PROSIMETRON
Terreiro do Paço - (1900) (A"PRAÇA DO COMERCIO" num postal de lembranças de LISBOA. Uma colecção promovida pelo Jornal "A CAPITAL")  in  A CAPITAL


(CONTINUAÇÃO)- TERREIRO DO PAÇO [ XII ]

«A PRAÇA DO COMÉRCIO" ( 6 )»

A última arcada, finalmente, em frente e perpendicular à do café, a que vai correndo ao longo da face Oriental da PRAÇA, tem horas do dia em que parece positivamente o inferno, com o despacho e saída de mercadorias da Alfandega.
Teríamos muito a dizer desta PRAÇA, comparado com o que foi em tempos recuados, hoje a PRAÇA DO COMÉRCIO, um dos símbolos marcantes de LISBOA.
Antigamente esteve ali a morada régia, e portanto acumulava-se nesse grande centro nervoso a actividade do alto viver elegante da Capital.
Os "CENTROS COMERCIAS", laboriosos e elegantes, mudaram de poiso; as Secretarias do ESTADO nem são comerciais, nem elegantes... nem operosas (Dizia Castilho).
A "PRAÇA DO COMÉRCIO" é considerada a sala de visitas de LISBOA. Mede cerca de 4 hectares e tem 86 arcos.
Mas nem sempre foi como nós a conhecemos. Aquilo que hoje é chão firme, há muitos séculos, era uma praia com areia e lodo. O RIO inundava as RUAS da cidade com muita frequência. Existia cais onde ancoravam os barcos.
Era assim, em 1147, quando as tropas de D. AFONSO HENRIQUES tomaram LISBOA aos MOUROS.
Na época dos DESCOBRIMENTOS, ali chegavam os carregamentos de especiarias e outros produtos provenientes das rotas da epopeia marítima. A  PRAÇA foi tendo cada vez mais importância comercial.
A PRAÇA DO COMÉRCIO foi espaço para feiras e mercados, no tempo da INQUISIÇÃO em PORTUGAL serviu para autos-da-fé, palco de Paradas Militares, sala de entradas de algumas individualidades, recinto de: Aclamações, manifestações, comícios, exposições, recinto taurino, e até já foi parque de estacionamento de carros.

O Miradouro do "ARCO DA RUA AUGUSTA" abriu ao público no dia 9 de Agosto de 2013, com um espectáculo de multimédia, projectado no próprio arco, denominado "ARCO DE LUZ", da autoria de NUNO MAYA e CAROLE PORNELLE.
O TERRAÇO DO ARCO pode ser visitado diariamente. O ARCO da RUA AUGUSTA, situado na entrada e fazendo passagem para a PRAÇA DO COMÉRCIO, o ARCO esteve recentemente sobre obras que originaram a construção de um elevador, cuja entrada se localiza na RUA AUGUSTA, que nos leva ao topo do MONUMENTO e onde se encontra um miradouro a partir do qual é possível ter uma vista desimpedida sobre alguns dos mais emblemáticos Monumentos de LISBOA, desde a própria PRAÇA DO COMÉRCIO, à SÉ CATEDRAL, à BAIXA POMBALINA, ao CASTELO DE SÃO JORGE e, inevitavelmente ao RIO TEJO.
A chegada ao Miradouro passa pela SALA DO RELÓGIO, que dá para a RUA AUGUSTA, podemos ver uma exposição que conta a história do ARCO a da sua construção.

CURIOSIDADES
O TORREÃO Poente da PRAÇA DO COMÉRCIO, será o novo núcleo MUSEOLÓGICO do ex-MUSEU DA CIDADE que passou a chamar-se: MUSEU DE LISBOA.
A denominação de PRAÇA DO COMÉRCIO foi atribuída pelo 1º Decreto de Toponímia de D. JOSÉ I, em 5 de Novembro de 1760 e, foi uma homenagem aos comerciantes de LISBOA que, voluntariamente cederam 4% sobre os direitos Alfandegários de todas as mercadorias, para a reconstrução da cidade de LISBOA

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«TERREIRO DO PAÇO [ III ]-A RENOVADA PRAÇA DO COMÉRCIO» 

quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

TERREIRO DO PAÇO [ XI ]

A PRAÇA DO COMÉRCIO ( 5 )
 Terreiro do Paço - (Anos 50 do século XX) (Edições Gótica-Porto) (Vista aérea da "PRAÇA DO COMÉRCIO" quando ela ainda era um parque de estacionamento de carros-Postal Ilustrado Impresso em Trieste-Itália)  in  ARQUIVO/APS
 Terreiro do Paço - (1756) (Projecto de Eugénio dos Santos)  (A "Baixa Pombalina" planta antes do Terramoto de 1755 e o projecto dos novos arruamentos)  in  HISTÓRIA DA ARTE -USZA
 Terreiro do Paço - (ant. a 1939) Autor não identificado (A PRAÇA DO COMÉRCIO, aspecto do Cais das Colunas, onde sobressaem as colunas anteriores às que aí foram colocadas aquando da segunda viagem do Presidente Carmona ao Ultramar) in ARQUIVO MUNICIPAL DE LISBOA-CML-AML
 Terreiro do Paço - (1907) Foto de Joshua Benoliel (A chegada de individualidades Japonesas ao Cais das Colunas na PRAÇA DO COMÉRCIO) in  ARQUIVO MUNICIPAL DE LISBOA-CML-AML
Terreiro do Paço - (Finais do século XIX) (A PRAÇA DO COMÉRCIO, à nossa direita podemos ver que a Estação Sul e Sueste ainda não estava construída no local que hoje conhecemos, a antiga encontrava-se frente ao Torreão Poente da Praça) in  ARQUIVO/APS

(CONTINUAÇÃO - TERREIRO DO PAÇO [ XI ]

«A PRAÇA DO COMÉRCIO ( 5 )»

Na "ARCADA DA JUSTIÇA", onde existiam os engraxadores de calçado, símbolo em todas estas paragens burocráticas.
A JUNTA DO CRÉDITO PÚBLICO dá também uma feição sua à população que ali "formiga" em certos dias do ano, em nome das inscrições de assentamento: viúvas, procuradores, proprietários etc..
Continuando, vemos ali a estação da GUARDA PRINCIPAL, que mistura com elemento civil e militar, e traz às 11 horas da manhã, quando se rende a guarda, uns minutos de música marcial.
Segue-se a ARCADA chamada "DO MARTINHO DA NEVE", ou mais correctamente, «do ANSELMO». Tendo por singularidade de ter sido, nesta PRAÇA, toda ela ornada de EDIFÍCIOS DO ESTADO, a única propriedade particular. É ponto de muito pitoresca observação, pela afluência, quase exclusiva, de RIBATEJANOS naquele café, chegados nos comboios de SANTA APOLÓNIA, e que ali vão almoçar. Toda a manhã na Arcada estacionam saloios, arrumados ao longo das paredes laranjeiras e limoeiros para venda, com as raízes embrulhadas.
Depois pelas 3 horas da tarde, passam os negociantes para a sua "Praça" e no Verão ali descansam a tomar uma "carapinhada"( 1 ), ou uma pirâmide de sorvete de morango e leite. Mais à tarde e à noite era sítio deserto.
Apesar da boa fama da "NEVE" do MARTINHO, assegura CASTILHO que não foi ele o primeiro a usar este método na Capital conforme muitos têm essa ideia. Assim a neve usava-se no passado regime, para preparo de muitos produtos culinários, como hoje se usa neste clima que tanto precisa, às vezes de correctivos aos excessos.
Quando no Verão de 1619 aqui veio D. FILIPE DE CASTELA, o SECRETÁRIO DE ESTADO e CRISTOVÃO SOARES, recomendando à CÂMARA os preparos com que devia celebrar em LISBOA tão fausto acontecimento, lembra-lhe que "se faça algum assento sobre a neve, por conta da cidade". Obrigou-se pois um PAULO DOMINGUES, "NEVEIRO", morador às FRANJAS DAS FARINHAS, a trazer a LISBOA quatro cargas diárias de neve; e obrigou-se a CÂMARA a prestar uma casa no TERREIRO DO PAÇO, e outra às portas de  SANTA CATARINA, para a venda do produto a 40 réis o "arrátel" ( 2 ). Portanto, os nossos tetra-avós foram tomar neve ao "TERREIRO DO PAÇO", como ainda hoje vamos.
Este Palácio da Arcada foi construído depois do terramoto por ANSELMO JOSÉ DA CRUZ, senhor do SOBRAL, e FISCAL DAS OBRAS PÚBLICAS. Morava ali em 1791, e seu filho SEBASTIÃO ANTÓNIO DA CRUZ SOBRAL, DESEMBARGADOR extravagante da CASA DA SUPLICAÇÃO. Passou o prédio ao genro de ANSELMO, o ilustre GERALDO WENCESLAU BRAAMCAMP DE ALMEIDA CASTELO BRANCO, 1º BARÃO DE SOBRAL, que ali morava em 1820. Em 3 de Janeiro de 1830 houve um terrível incêndio nesse PALÁCIO, incêndio que provocou vítimas, por exemplo, LUIZ FERREIRA DA SILVA, confeiteiro estabelecido na RUA NOVA D'EL-REI (Capelistas) no número 124.  Passou o prédio ao filho segundo do BARÃO, que se chamava ANSELMO JOSÉ BRAAMCAMP, e deste à sua filha D.LUISA MARIA JOANA BRAAMCAMP, BARONEZA de ALMEIRIM pelo seu casamento. Ficou em partilhas ao segundogénito dos senhores BARÕES DE ALMEIRIM, e Sr. ANSELMO B. FREIRE, que em Junho de 1889, o vendeu ao sr. ERNESTO GEORGE, Alemão, gerente da COMPANHIA DOS VAPORES TRANSATLÂNTICOS.

( 1 ) - CARAPINHADO - s.f. (de carapinha). Bebida nevada coalhada no gelo, como limonadas, etc.; sorvete crespo no gelo.
( 2 ) - ARRÁTEL - (do Ár. arrati), s. m. antigo peso de dezasseis onças ou 459 gramas.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«TERREIRO DO PAÇO [ XII ]-A PRAÇA DO COMÉRCIO ( 6 )»

sábado, 11 de Outubro de 2014

TERREIRO DO PAÇO [ X ]

A PRAÇA DO COMÉRCIO ( 4 )
 Terreiro do Paço - (Dezembro de 1965) Desenho de APS (Um trabalho Charadístico para o grande "TORNEIO CIDADE DE LISBOA" publicado na revista "O CHARADISTA" órgão oficial da "TERTÚLIA EDÍPICA", no ano de 1965) in  ARQUIVO/APS
 Terreiro do Paço - (depois de 1932) Foto de autor não identificado (A "PRAÇA DO COMÉRCIO" na altura ainda sem a ligação à "AVENIDA DAS NAUS". A "Estação Fluvial Sul e Sueste" do Arquitecto Cottinelli Telmo, inaugurada (nas comemorações do regime), em 28 de Maio de 1932) in ENCICLOPÉDIA PELA IMAGEM - LELLO & IRMÃO
 Terreiro do Paço - (1905) Foto de Sousa & Fino,Lda. (A "PRAÇA DO COMÉRCIO" reconstruída entre 1758 e 1873, segundo o plano pombalino de reedificação de LISBOA, a "PRAÇA DO COMÉRCIO" recebeu a estátua equestre de D. JOSÉ em 6 de Junho de 1775. Em 1873, era concluído o ARCO da RUA AUGUSTA, encerrando-se assim o ciclo de obras iniciadas em 1758. in ARQUIVO MUNICIPAL DE LISBOA-AML-C.M.L.
Terreiro do Paço - (1889) (Aspecto da "PRAÇA DO COMÉRCIO" no topo nascente, já com o Torreão da Alfandega concluído, mas o acesso para Oriente ainda estava vedado)  in  AML 

(CONTINUAÇÃO - TERREIRO DO PAÇO [ X ]

«A PRAÇA DO COMÉRCIO ( 4 )»

Conta-nos o General COSTA CASCAIS que em Novembro de 1842, para estabelecer os alicerces do "TORREÃO" Ocidental da PRAÇA DO COMÉRCIO, foi necessário cavar, pregar estacas, e estancar muita água. ( 1 )
Assim a tendência que mostra sempre esses alagadiços terrenos "a dar de si", é prova do estado difícil de todo o lado Poente. No entanto a "ortografia" das obras públicas alguma coisa vai conseguindo. 
Um edital de 20 de Agosto de 1833, institui  certas providências policiais que se aplicam aos cais e Praças. A postura Camarária de 13 de Agosto de 1841, mandada vigorar por Edital de 9 de Setembro seguinte, determina um grande melhoramento na Praça, vedando o trânsito de veículos ou cavalgaduras pelos passeios e pelo centro da PRAÇA DO COMERCIO; outra de 24 de Outubro de 1842 proíbe que os arrais e mestres de faluas ( 2 ) e outros barcos grandes do Tejo, amarrem no CAIS DAS COLUNAS, a não ser o tempo indispensável para cargas e descargas.
Em Julho de 1851 oficiou a CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA ao Administrador Geral da ALFANDEGA GRANDE, pedindo-lhe desse ordem para que os homens da companhia braçal não atravessem carregados de fardos o centro da PRAÇA DO COMÉRCIO ( 3 ).
A arborização da PRAÇA DO COMÉRCIO fez-se em 1866 e permaneceu até à segunda década do século XX. Dizem os mais cépticos que foram cortadas porque tapavam a vista das arcadas.
Em frente do TORREÃO Ocidental (do Ministério da Guerra) existia a certas horas do dia o espectáculo de chegadas e partidas dos vapores com destino ao Barreiro e Seixal, levando e trazendo alentejanos, cujos trajos se reconhecem logo. A arcada do mesmo lado tem ainda uma outra função. Primeiro vemos militares, que entram e saem apressadamente do Ministério, ou pretendentes à espera de alguém importante, fazendo a RUA de ante-câmara, até poderem balbuciar duas palavras a Sua Excelência.
Foi em 13 de Maio de 1797, dia de anos do PRÍNCIPE REGENTE D. JOÃO que pela primeira vez se abriu a REAL BIBLIOTECA PÚBLICA DA COROA, criada no ano transacto pela senhora D. MARIA I; data célebre nos anos desta Praça. Ficava no segundo andar, onde funcionou também a DIRECÇÃO-GERAL DOS PRÓPRIOS NACIONAIS. Em 1834 a Biblioteca foi transferida para as instalações do CONVENTO DE SÃO FRANCISCO. 
A Arcada do Ministério do REINO já tem outro aspecto; ali estão estacionadas sempre as carruagens dos altos políticos que vêem procurar instruções, àquele quartel-General da política.
Aos primeiros anos da reconstrução pombalina remonta também a alteração da designação da PRAÇA, o que corresponde igualmente a uma alteração de função e a uma adequação ao contexto sócio-económico da época pombalina.

( 1 ) - Artigo da REVISTA UNIVERSAL LISBONENSE, Tomo II, pag, 95, col. 1
( 2 ) - FALUA - (de faluca), s.f. embarcação de vela, semelhante à fragata, mas mais pequena.
( 3 ) - Sinopse dos principais actos administrativos da Câmara Municipal de Lisboa em 1851, pag. 17.  


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«TERREIRO DO PAÇO [ XI ] A PRAÇA DO COMÉRCIO ( 5 )»

quarta-feira, 8 de Outubro de 2014

TERREIRO DO PAÇO [ IX ]

A PRAÇA DO COMÉRCIO ( 3 )
 Terreiro do Paço - (Anos cinquenta do século vinte) Fotógrafo não identificado (A "PRAÇA DO COMÉRCIO" no século XX  - durante um longo período de anos - era um espaço para estacionamento de carros) in  SKYSCRAPERCITY

 Terreiro do Paço - (ant. 1932) (LISBOA vista de Aeroplano - Esta vista permite apreciar em toda a sua grandeza e perfeita harmonia de proporções a soberba "PRAÇA DO COMÉRCIO". Nesta época ainda com o seu arvoredo, e as obras da Estação Sul e Sueste (à direita baixa da foto) que teve a sua inauguração em 28 de Maio de 1932) in  ENCICLOPÉDIA PELA IMAGEM-LELLO & IRMÃO

 Terreiro do Paço - (1900) (Um postal da graciosa "PRAÇA DO COMÉRCIO" que naquela época existia nas suas laterais um conjunto de árvores, que acabou por volta de 1911. A tradicional "CANOA DO TEJO" não ofusca a grande Praça) in  JORNAL A CAPITAL

Terreiro do Paço - (entre 1900 e 1944) Gravura fotografada por José Artur Bárcia em suporte negativo de prata e vidro) (Postal Ilustrado do ARCO DO TRIUNFO da "RUA AUGUSTA na "PRAÇA DO COMÉRCIO" no século XIX) in AML

(CONTINUAÇÃO - TERREIRO DO PAÇO [ IX ]

«A PRAÇA DO COMÉRCIO ( 3 )»

Nestes  Torreões da "PRAÇA DO COMÉRCIO" não existe qualquer ligação arquitectónica continuada com os corpos laterais desta Praça, facto que para nós constitui um mistério em presença da qualidade e do rigor usado neste tipo de Arquitectura.
A PRAÇA DO COMÉRCIO encontra-se na linha das Praças que se construíram então no continente Europeu e que , na sua grande maioria, partiam para uma solução inovadora no desenho deste típico lugar das grandes cidades; a Praça deixara de ser fechada para se abrir numa ou mais faces, onde talvez a "PRAÇA DE S. PEDRO (1624)", de BERNINI, tenha funcionado como ponto de partida.
A "PRAÇA DO COMÉRCIO" tem uma característica relativamente às restantes; abre-se completamente numa das suas faces sobre a paisagem e o estuário imenso de um rio - que passa a constituir a sua quarta fachada - motivação que lhe é transmitida na linha do mais antigo "TERREIRO DO PAÇO", destruído pelo Terramoto de 1 de Novembro de 1755, característica que os arquitectos de POMBAL souberam habilmente captar e renovar.

A "PRAÇA DO COMÉRCIO" é um paralelogramo de 722:100 palmos quadrados; a saber: os lados Norte e do Sul medem 830 palmos; os Nascente e Ponte, 870 palmos.
Área da Arcada do Norte: 20:416 palmos quadrados.
Área da Arcada do Nascente: 14:300.
Área da Arcada do Poente: 14:300.
Área do vão de cada arco 90 palmos quadrados; número de arcos nos 3 lados da Praça: 86; Área total do vão de todos os arcos (exceptuando o da RUA AUGUSTA), 7:740 palmos quadrados.
Área da planta do monumento central, que é elíptica: 4:116 palmos quadrados.
Nos extremos das duas alas, do Nascente e do Poente e os dois Torreões, um do Ministério da Guerra e o outro da Alfândega, que avançam sobre a Praça; a planta dessa porção saliente é para cada Torreão um paralelogramo, cuja área é de 4:440 palmos quadrados; total da área absorvida pelos dois Torreões: 8:880 palmos quadrados.
Deduzindo da área total da Praça esse espaço dos Torreões e o do monumento, ficam livres 780:668 palmos quadrados.
Dando a uma pessoa 9 palmos quadrados, calcula-se que na área da Praça e sua arcadas podem caber 86:740 pessoas ( 1 ).
O Torreão da Alfandega foi o primeiro a ser construído, indica a "fonte" que em 1772 já estava levantado, (numa foto de 1866 referente a um incêndio na Câmara Municipal de Lisboa em 1863, mostrava que o Torreão da Alfândega, ainda lhe faltava a balaustrada na cimalha). A construção do Torreão do lado Poente, demorou mais 67 anos.

( 1 ) - Parte deste curioso estudo é retirado de um artigo intitulado:"Cálculo demonstrativo da área da Praça do Comércio de Lisboa", e do número de pessoas que pode conter. Vem na "MNEMOSINE LUSITANA" de 1817, Nº XVIII, e é assinado por J.C.Silva, que julgo ser o talentoso gravador "JOAQUIM CARNEIRO DA SILVA". 

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«TERREIRO DO PAÇO [ X ] - A PRAÇA DO COMÉRCIO (4)»

sábado, 4 de Outubro de 2014

TERREIRO DO PAÇO [ VIII ]

A PRAÇA DO COMÉRCIO ( 2 )
 Terreiro do Paço - (1760) (Planta da "BAIXA POMBALINA" - Plano Nº 5 apresentado por EUGÉNIO DOS SANTOS e CARLOS MARDEL ao concurso da reconstrução da cidade de LISBOA após o terramoto de 1755) in ORDEM DOS ENGENHEIROS 
 Terreiro do Paço - (Século XVIII)  (Evolução urbana de LISBOA entre 1718-1756 na Baixa Pombalina)  in   A BAIXA POMBALINA - PASSADO E FUTURO
 Terreiro do Paço - (Lisboa no século XIX) (A "BAIXA POMBALINA" nomeadamente a "PRAÇA DO COMÉRCIO" no século XIX. A Torre localizada a Oeste da Praça só ficou concluída por volta de 1840,(muito embora a sua balaustrada só terá sido colocada em finais da década de sessenta do mesmo século) in  A BAIXA POMBALINA - PASSADO E FUTURO
 Terreiro do Paço - (Século XIX) (Espólio de Eduardo Portugal) (A "PRAÇA DO COMÉRCIO" vista do rio Tejo, vendo-se algumas embarcações para banhos, junto da muralha que protege a Praça)  in ARQUIVO MUNICIPAL DE LISBOA - C.M.L.
Terreiro do Paço - (1879) (Levantamento topográfico de Francisco e César Goullard: planta Nº 51 referente à PRAÇA DO COMÉRCIO. A estação do Sul, ainda se encontrava junto da Torre Poente) (Abre em tamanho grande) in ARQUIVO MUNICIPAL DE LISBOA - C.M.L.


(CONTINUA) TERREIRO DO PAÇO [ VIII ]

«A PRAÇA DO COMÉRCIO ( 2 )»

A construção de Praças foi uma paixão do século XVIII. LISBOA, por via do Terramoto de 1755, também sentiu essa paixão, e de tal modo que a nossa PRAÇA DO COMÉRCIO, continuadora  do antigo TERREIRO DO PAÇO, é hoje considerada uma das obras de referencia desta época. Atendeu-se na cronologia da época, das mais significativas praças edificadas nos século XVII e XVIII: 1668/1674, PALÁCIO DE VERSALHES, Louis le Vau e Jules Hardouin - Mansart. - 1699, PRAÇA VANDÔME, PARIS, plano de Jules Hardouin - Mansart e de Boffrand - 1748, O PLANO DE PARIS, de Pierre Patté (1723-1814); - 1755, as três Praças de  NANCY, iniciadas em 1752, com planos de Hérè de Corney; - 1756, PRAÇA DO COMÉRCIO, LISBOA, plano de Eugénio dos Santos e Carlos Mardel.
Os 6 planos mandados fazer por POMBAL imediatamente a seguir ao Terramoto de 1755, segundo a "DISSERTAÇÃO" de MANUEL DA MAIA, entregue em 4 de Dezembro, foram divididos por igual número de arquitectos ou grupos de Arquitectos que previam diferentemente a integração de um novo espaço urbano que substituísse o velho e destruído "TERREIRO DO PAÇO", em conjugação com os diferentes traçados urbanos visualizados nas diferentes propostas: - PLANO 1, de GUALTER DA FONSECA e PINHEIRO DA CUNHA não indica uma solução concreta para o espaço do TERREIRO DO PAÇO; - PLANO 2, dos irmãos POPPE, conservava a forma do antigo TERREIRO DO PAÇO; - PLANO 3, de EUGÉNIO DOS SANTOS e de A.C. ANDREAS, propõe uma praça aberta ao Rio com uma dimensão maior do que aquela que conhecemos hoje; - PLANO 4, de GUALTER DA FONSECA, imagina uma praça aberta ao rio, mas com dimensões inferiores da que conhecemos; - PLANO 5, de EUGÉNIO DOS SANTOS e CARLOS MARDEL, a praça que conhecemos hoje; PLANO 6, de ELIAS SEBASTIÃO POPPE, uma enorme praça rectangular paralela, mas não totalmente aberta ao rio, e contendo no seu terço poente uma futura catedral de LISBOA
Se o que estava em causa era apenas o plano da Praça, talvez esta sexta proposta fosse a mais imaginativa. Mas na verdade, o problema a resolver era bem mais vasto e complexo e, na globalidade das seis propostas, a mais coerente com a cultura da época e com o propósito de arrancar com as bases para a construção de uma cidade existente há séculos, era sem dúvida alguma a de EUGÉNIO DOS SANTOS e CARLOS MARDEL, a única que também fazia propostas concretas para a área da cidade compreendida entre a BAIXA e o BAIRRO ALTO - a área envolvente do actual CHIADO.
Curiosa é a atitude de todos os projectistas, nas suas propostas, em conservarem o espaço dos estaleiros da RIBEIRA DAS NAUS, que apenas vem a ser completamente soterrado nos anos 40 do século XX, com a ligação da PRAÇA DO COMÉRCIO, (foram realizadas alterações substanciais de modo aprazíveis para o cidadão, em Julho de 2014, na nova RIBEIRA DAS NAUS. - ver mais em PÚBLICO) às novas vias ribeirinhas denominadas "AVENIDA DO INFANTE DOM HENRIQUE" e AVENIDA DA RIBEIRA DAS NAUS.
MANUEL DA MAIA, na sua DISSERTAÇÃO, abordava ainda mais outra hipótese, a de optar por uma cidade inteiramente nova em BELÉM, local pouco povoado, com boa exposição e relevos suaves, onde os edifícios aí existentes se tinham comportado bem em relação à ruína que grassara na concentração de LISBOA de então. Contudo, esta hipótese não foi contemplada pelo MARQUES DE POMBAL e não passou para além da sugestão.
É ainda no século XVI - XVII, a 06.06.1775, dia do aniversário do rei que é inaugurada a estátua de D. JOSÉ I (que falaremos mais em pormenor noutro capitulo), que vem a morrer dois anos depois.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«TERREIRO DO PAÇO [ IX ]-A PRAÇA DO COMÉRCIO ( 3 )»

quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

TERREIRO DO PAÇO [ VII ]

A PRAÇA DO COMÉRCIO ( 1 )
 Terreiro do Paço - (Início do século XIX) (Gravura de H.L.Êveque) (Panorâmica da PRAÇA DO COMÉRCIO - No primeiro plano vários grupos de vendilhões com seus produtos; à esquerda, um barbeiro em actividade. Em segundo plano na esquerda pode ainda ver-se a nascente o TORREÃO DA ALFÂNDEGA, ainda sem balaustrada na cimalha. Uma foto de 1866 referente ao incêndio das velhas instalações da C.M.L. de 1863, mostra-nos o Torreão ainda incompleto) in ARQUIVO MUNICIPAL PELOURO DA CULTURA-CML-O POVO DE LISBOA EXPOSIÇÃO ICONOGRÁFICA-1978-1979
 Terreiro do Paço - (d. 1758) (Desenho do Engº A. Vieira da Silva - Volume I "AS MURALHAS DA RIBEIRA DE LISBOA-1940) (Fragmento da planta de LISBOA actual (1936), sobreposta à LISBOA anterior ao Terramoto de 1755 a vermelho) in PUBLICAÇÕES CULTURAIS DO ARQUIVO MUNICIPAL DE LISBOA-C.M.L.
 Terreiro do Paço - (ant. 1873) (Foto de autor não identificado (O Arco da "RUA AUGUSTA" na "PRAÇA DO COMÉRCIO", ainda nesta altura em construção-1861-) in ARQUIVO MUNICIPAL DE LISBOA
Terreiro do Paço - (1880) - Foto de autor não identificado (Comemorações do 3º Centenário da Morte de Camões, ideia do escritor e político Teófilo de Braga. Com a inauguração do BAIRRO CAMÕES, o cortejo cívico que partiu da PRAÇA DO COMÉRCIO, acabou por assumir um carácter anti-monárquico, os festejos serviram para avaliar a capacidade republicana de mobilização popular) in LISBOA RIBEIRINHA-ARQUIVO MUNICIPAL PELOURO DA CULTURA DA C:M.L.

(CONTINUAÇÃO- TERREIRO DO PAÇO [ VII ]

«A PRAÇA DO COMÉRCIO ( 1 )»

Em 1730 o autor do livro "Description de la ville de Lisbonne" dava ao "TERREIRO DO PAÇO" apenas uns quatrocentos passos de comprimento sobre duzentos de largo; e no século XVII "LUIZ MENDES DE VASCONCELOS" na sua obra "DO SÍTIO DE LISBOA" limitava-se a comparar o  "ROSSIO" como  menor,   "medindo dos Paços até aos Contos" ( 1 ), e acrescenta: "o qual TERREIRO DO PAÇO, tendo pela parte de terra estas ilustres e Reais fábricas dos Paços e Contos, tem pela do mar ordinariamente tantos navios postos com a proa em terra, e outros ancorados no mar, que os mastros e antenas parecem um grande bosque de espessas árvores".
O PADRE JOÃO BAPTISTA DE CASTRO, descrevendo o terreiro na transição para o novo risco pombalino, e diz assim:
"Uma das maiores praças que tinha LISBOA este espaço só terrapleno, em  o qual a vista do Palácio Real, e outros ilustres edifícios na parte da terra, com a variedade das muitas embarcações grandes e pequenas no mar vizinho, formavam uma bela perspectiva. Desfigurou tudo o terrível incêndio sucessivo ao terramoto, reduzindo a cinzas quanto encenava tão famoso Palácio; e sobretudo, com a perda irreparável, a preciosa e vasta Biblioteca régia, cheia de inumeráveis livros raríssimos e códices manuscritos".
O Palácio foi demolido, para se projectar outro artefacto, e formar uma nobilíssima PRAÇA DO COMÉRCIO, com várias acomodações para os tribunais.

Mas não pararam ali os destroços causados da espantosa catástrofe.
"O ímpeto das águas - diz outro coevo, o minucioso MOREIRA DE MENDONÇA - desfez o fortíssimo CAIS DA PEDRA, que discorria na marinha do TERREIRO DO PAÇO desde os armazéns da ALFANDEGA até quase à frente do forte da VEDÓRIA".

O Decreto de 16 de Janeiro de 1758 ordenou se fizesse o novo TERREIRO, e determina como; tendo sido o Capitão Engenheiro EUGÉNIO DOS SANTOS DE CARVALHO quem soube dar corpo, e forma condigna, ao alto pensamento do insigne MINISTRO.
Hoje, como há dezenas de anos ali se vê e se admira tão desafogado e concertado logradouro, hoje que já umas poucas de gerações se habituaram a olhar aquela arquitectura nobre, uniforme mas fria, como símbolo do pensar e sentir daquele grande homem, que tanto pensava, e nada sentia, é curioso e interessante ouvir considerações que à cerca da BAIXA escrevia "TWISS" em 1772, que a BAIXA POMBALINA, regular e pautada, começava a sair dos escombros; o povo assistia admirado à ressurreição de LISBOA; e "TWISS" mencionava no seu livro de VIAGENS:
"Estão neste momento edificando umas poucas ruas paralelas, cortadas de outras em ângulos rectos. Cobrem o bairro do antigo Paço Real da Ribeira destruído pelo terramoto. Chama-se a principal delas "RUA AUGUSTA". Correm-lhe, pelos dois lados, passeios orlados de "columnellos" ( 2 ). As casas novas têm quatro ou cinco andares".
Levou seu tempo a concluir a PRAÇA. Quando em 1775 se inaugurava a estátua, ainda a maior parte dos edifícios em volta da "PRAÇA DO COMÉRCIO" (com excepção no lado Oriental) estava por fazer. Para essas festas públicas levantou-se um "simulacro" de madeira pintada, representando as secretarias e as arcadas como futuramente viriam a ficar.
( 1 ) - CONTOS - (Ant. "CASA DOS CONTOS", repartição que era especialmente incumbida de processar e liquidar as contas dos Administradores das rendas reais).
( 2 ) - O francês diz poteaux; o termo técnico dos Arquitectos pombalinos é COLUMNELLOS; o povo chamava-lhes "frades".

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«TERREIRO DO PAÇO [ VIII ]-A PRAÇA DO COMERCIO (2)»