quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

RUA DA PALMA [ IX ]

«O REAL COLISEU DE LISBOA»
 Rua da Palma - (19__ ) Foto de Alexandre Cunha - (Fachada do "REAL COLISEU DE LISBOA" na "RUA DA PALMA" próximo do Hospital do DESTERRO) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  AML
 Rua da Palma - ( 1887) - ( O "REAL COLISEU DE LISBOA" começou a funcionar na RUA DA PALMA desde finais do século XIX. No interior deste recinto de tão grande significado histórico, realizaram-se em Portugal a partir de Junho de 1896, as primeiras projecções cinematográficas. Relata-nos FELIZ RODRIGUES no seu livro "OS MAIS ANTIGOS CINEMAS DE LISBOA (1896-1939)  in   RESTOS DE COLECÇÃO
 Rua da Palma - (1896) - (Programa do "REAL COLISEU DE LISBOA" na RUA DA PALMA, em 26 de Junho de 1896, apresentava a sua programação, sendo a maior novidade da época "O ANIMATÓGRAFO"  in   FACE BOOK - RUI GONÇALVES
 Rua da Palma - (ant. a 1926) - Foto de José Artur Leitão Bárcia - (Panorâmica onde podemos observar a cúpula do "REAL COLISEU DE LISBOA" na RUA DA PALMA)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  AML 
 Rua da Palma - (1890) - (O "REAL COLISEU DE LISBOA", na RUA DA PALMA. publicava a extraordinária novidade do CIRCO DE BERLIM)  in  RESTOS DE COLECÇÃO 
Rua da Palma - (2016) - (A "RUA DA PALMA" vista da Avenida Almirante Reis à esquerda a entrada para o LARGO DO INTENDENTE, à direita o "CHAFARIZ DO DESTERRO" ou do "INTENDENTE", a GARAGEM LIZ no espaço onde existiu o "REAL COLISEU DE LISBOA" até 1926 do século passado)  in   GOOGLE EARTH   

(CONTINUAÇÃO) - RUA DA PALMA [ IX ]

«O REAL COLISEU DE LISBOA»

No espaço onde hoje se encontra o edifício da "GARAGEM LIZ" foi ali construído o "REAL COLISEU DE LISBOA" em 1887, em terrenos que pertenciam à "CONDESSA de "GERAZ DE LIMA" e depois ao seu viúvo "CONDE DA FOLGOSA".

O "REAL COLISEU DE LISBOA" foi um local de diversão multifuncional, que tanto recebia ópera cómica como circo e espectáculos equestres.Foi neste lugar que se realizou a primeira projecção de "ANIMATÓGRAFO" em PORTUGAL, no dia 18 de Junho de 1896, apenas meio ano depois da estreia MUNDIAL em PARIS.

Inicialmente o "REAL COLISEU DE LISBOA" era um barracão desprovido de certas comodidades, com paredes de madeira e cobertura assente em pilares de ferro que não lhe conferiam o aspecto que o fizesse distinguir de outros recintos, como também a sua localização (na época), numa zona pouco central. Recordamos, que nessa altura o "CHIADO", "ROSSIO" e o "CAIS DO SODRÉ", eram zonas mais habitadas de LISBOA nos finais do século XIX.

O "CONDE DE FOLGOSA" que nomeou administrador "ANTÓNIO SANTOS", um homem com especial talento para a exploração teatral. Foi sem dúvida o responsável pela iniciativa o empresário do "REAL COLISEU DE LISBOA","ANTÓNIO SANTOS", que tendo assistido à espantosa novidade em MADRID, decidiu divulgá-la entre nós, chamando EDWIN ROUSBY, um projeccionista possivelmente de origem Húngara. 
Chegou a LISBOA a 15 de Julho, sendo a máquina projectora usada na primeira sessão pública de cinema em LISBOA, e no nosso país, não foi o "CINEMATÓGRAFO" dos "LÚMIERES", mas sim o "TEATRÓGRAFO", sua concorrente, concebida pelo inglês "ROBERT W. PAUL" electricista e fabricante de instrumentos ópticos, e pioneiro do cinema em INGLATERRA, e aqui em LISBOA anunciando como "ANIMATÓGRAFO" 
A sessão estava para ter lugar a 17 de Junho, mas como o "REAL COLISEU DE LISBOA" não possuía electricidade, foi alugado um gerador, que infelizmente teve uma avaria. Pedidas as devidas desculpas aos 200 convidados, a sessão foi adiada para o dia seguinte, que com sucesso foi apresentada, tratava-se de um pequeno filme do inglês "ROBERT W. PAUL", imagens captadas na  "BOCA DO INFERNO", em CASCAIS no ano de 1896.
Nessa altura, estava em cena uma opereta no "REAL COLISEU DE LISBOA", " O COMENDADOR VENTOINHA", em três actos. O "ANIMATÓGRAFO" ou "TEATRÓGRAFO" foi apresentado num dos intervalos, sem encarecer o preço dos bilhetes: 100 réis na geral. Havia um ecrã de tela branca, com dimensão de três por dois e meio metros, com projecção feita nas costas do ecrã, humedecido para aumentar a transparência, na escuridão da sala.
O "REAL COLISEU DE LISBOA" teve sempre vida precária, e como em 14 de Agosto de 1890 se inaugurou o «COLISEU DOS RECREIOS» na RUA DAS PORTAS DE SANTO ANTÃO, para onde "ANTÓNIO DOS SANTOS" não tardou a passar na qualidade de empresário, este pequeno "teatro-circo" estava quase sempre fechado.
Em 1917 é alugado à ADMINISTRAÇÃO DOS CORREIOS E TELEGRAFOS para serviço de encomendas postais, até este serviço passar para edifício próprio no lado oposta na RUA DA PALMA. O "REAL COLISEU DE LISBOA" manteve-se ainda de pé, até que em 1926 recebeu a condenação e logo demolição. Foi a época da rectificação do alinhamento da RUA DA PALMA, havendo então sido  encurtado  o "PALÁCIO FOLGOSA", que datava da penúltima década do século XIX.
Praticamente quase todos os terrenos naquela zona pertenciam à herança "GERAZ DE LIMA(FOLGOSA)".
Na confluência da "CALÇADA DO DESTERRO" e próximo do "REAL COLISEU DE LISBOA" em 1917, foi para ali transferido o grande "CHAFARIZ DO DESTERRO", que se encontrava no "LARGO DO INTENDENTE PINA MANIQUE" desde 1824, para fluidez do transito. 

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA PALMA [ X ] -O PARAÍSO DE LISBOA ( 1 )»

sábado, 18 de fevereiro de 2017

RUA DA PALMA [ VIII ]

«O PALÁCIO FOLGOSA  -  HOTEL MUNDIAL»
 Rua da Palma - (1932) Foto de autor não identificado - (Palácio dos Condes de FOLGOSA na RUA DA PALMA, anterior à sua demolição parcial) (Foto publicada no blogue Lisboa de Antigamente  oriunda do antigo Jornal "O SÉCULO")  in  LISBOA DE ANTIGAMENTE
 Rua da Palma - (1930) - Foto de autor não identificado - ("Palácio dos Condes de Folgosa" na RUA DA PALMA, antes da sua alienação pela CML e posterior demolição parcial) (Foto publicada no Blogue LISBOA DE ANTIGAMENTE oriunda do antigo jornal "O SÉCULO")  in  LISBOA DE ANTIGAMENTE
 Rua da Palma - (1939) - Foto de Eduardo Portugal - (Palácio dos Condes de Folgosa, na RUA DA PALMA, depois da aquisição do edifício pela C.M.L. e obras efectuadas)  in   AML 
 Rua da Palma - (1960) - Foto de Arnaldo Madureira - (Fachada do PALÁCIO FOLGOSA, na RUA DA PALMA)  in   AML 
 Rua da Palma - (1968) Foto de Vasco Gouveia de Figueiredo - (O "PALÁCIO FOLGOSA" onde funcionavam alguns serviços da C.M.L.)   in  AML 
 Rua da Palma - (1958) - ( O "HOTEL MUNDIAL" localizado na "Praça Martim Moniz" em Lisboa, inicialmente com entrada pela "RUA DA PALMA")  in  RESTOS DE COLECÇÃO
 Rua da Palma - (2012) - (A fachada Norte do "HOTEL MUNDIAL" virada para a "Praça Martim Moniz")   in   RESTOS DE COLECÇÃO
 Rua da Palma - (1958) - ( Símbolo usado pelo "HOTEL MUNDIAL" nas etiquetas de bagagem dos seus clientes)  in   RESTOS DE COLECÇÃO 
Rua da Palma - (1958-12-03) - (Publicação do anúncio dos intervenientes que colaboraram na Construção e Equipamentos, não faltando a referencia que o "HOTEL MUNDIAL" está instalado em edifício pertencente  à Companhia de Seguros Mundial)   in  RESTOS DE COLECÇÃO


(CONTINUAÇÃO) - RUA DA PALMA [ VIII ]

«O PALÁCIO FOLGOSA E O HOTEL MUNDIAL»

O "PALÁCIO FOLGOSA" foi mandado construir em 1893 por "ANTÓNIO DE SOUSA E SÁ" 1º. CONDE DE FOLGOSA, nascido em PONTE DA BARCA a 9 de Maio de 1843, e faleceu em LISBOA a 23 de Maio de 1923, era filho de AGOSTINHO ANTÓNIO DE SÁ, proprietário, e de sua mulher "D. ROSA MARIA DE SOUSA".


"ANTÓNIO DE SOUSA E SÁ" grande proprietário e lavrador, casou com a filha herdeira dos "BARÕES DE FOLGOSA", já "CONDESSA DE GERAZ DO LIMA", "D. JÚLIA SOFIA DE ALMEIDA BRANDÃO E SOUSA" de quem foi o seu 3.º marido.

Filha do 1.º BARÃO DE FOLGOSA, por herança, possuía esta senhora vários terrenos, hortas e jardins, que se estendiam desde o SOCORRO até ao DESTERRO, onde se construiu em 1887, o "REAL COLISEU DE LISBOA", demolido em 1926.

A CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA, adquiriu este PALÁCIO, para rectificação da "RUA DA PALMA" e em obediência à urbanização. Esta operação, encurtou a frontaria do Edifício, sacrificando assim, a principal sala do PALÁCIO.
Este sofreu então outras obras de adaptação às funções públicas ali instaladas, perdendo interiormente o interesse. Hoje há apenas a assinalar neste edifício de quatro pavimentos, o frontal guarnecido de "pilastras", coroadas de "pinázios", e o pátio interior quadrado, com faces correspondentes às duas aulas do edifício. No interior, o átrio é simples, com tecto de estuque em rosetas e chão de lajes, tendo à esquerda, um nicho com uma escultura sem interesse.

HOTEL MUNDIAL

O "HOTEL MUNDIAL", localizado na "PRAÇA MARTIM MONIZ" e "RUA DA PALMA" em LISBOA, teve a sua inauguração a 3 de Dezembro de 1958. A "SOCIEDADE HOTELEIRA DE TURISMO-SOTELMO" é a proprietária do HOTEL, o edifício  foi projectado pelos arquitectos; PARDAL MONTEIRO e ELÍSIO SUMAVIELLE. Inicialmente idealizado para ser a SEDE da "COMPANHIA DE SEGUROS "A MUNDIAL", veio a ser adaptado para HOTEL, continuando como propriedade de Companhia de Seguros.
O empreendimento possuía no início 150 quartos com casa de banho privativa, Telefone, Rádio, TV e Ar condicionado, isto em finais de 1958. Era apetrechado com dois bares; o "BAR AMERICANO" no rés-do-chão e o "BAR ORIENTAL" instalado no terraço com solário ajardinado.
Teve várias fases de remodelações e ampliações ao longo de vários anos, tendo a última sido realizada em MAIO de 2004. Com uma oferta actualmente de 350 quartos, incluindo 3 "suítes" e 5 júnior "suítes".
A Empresa "SOTELMO, S.A." continua sendo a proprietária deste empreendimento do "HOTEL MUNDIAL" de 4 estrelas, dispõe de dois Restaurantes; o "VARANDA DE LISBOA" no 8.º andar, com uma magnifica vista panorâmica sobre a cidade de LISBOA, e o "JARDIM MUNDIAL", no primeiro piso. Possui seis salas adaptadas principalmente para reuniões. Existe ainda um BAR e uma CAVE DE VINHOS, com visitas guiadas aos seus clientes, dispondo de credenciados Escanções.
Em Abril de 2012  a "SOTELMO" adquiriu  o "HOTEL PORTUGAL", que se situava ao lado do "HOTEL MUNDIAL", na parte renovada da "PRAÇA MARTIM MONIZ". Representando um investimento para mais de dez Milhões de Euros, a "SOTELMO", abriu no segundo semestre desse ano, com a classificação de "HOTEL" com quatro estrelas. O novo acrescento ao "HOTEL MUNDIAL" terá mais 54 quartos, bar e sala de pequenos-almoços e vai igualmente usufruir dos serviços de estacionamento e restaurantes.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA PALMA [ IX ] O REAL COLISEU DE LISBOA»  

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

RUA DA PALMA [ VII ]

«A IGREJA DO SOCORRO»
 Rua da Palma - (1903) Gravador e desenho de J. Novaes - (Gravura da "IGREJA  NOSSA SENHORA DO SOCORRO" - já demolida - ao fundo o "TEATRO APOLO", publicada no Livro "LISBOA" de Alfredo Mesquita, pág. 601 e LISBOA Revista Municipal Nº. 24, página 45 de 1988) in LISBOA de ALFREDO MESQUITA
 Rua da Palma - (191_?) - Foto de Joshua Benoliel - (A "IGREJA DO SOCORRO, parte da sua fachada, esquina para a RUA DA PALMA) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   AML 
 Rua da Palma - (ant. 1949) Foto de Eduardo Portugal - (A "IGREJA DO SOCORRO" na "RUA DE SÃO LÁZARO"  com esquina para a "RUA DA PALMA", antes das demolições do MARTIM MONIZ)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in    AML 
 Rua da Palma - ( 1949 ) - Foto de Eduardo Portugal - (Estaleiro montado para a demolição da "IGREJA DO SOCORRO" com a finalidade de alinhar e alargar a RUA DA PALMA) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in    AML
 Rua da Palma -  (c. 1952) Foto de Firmino Marques da Costa - (Local onde existia a IGREJA DO SOCORRO, demolida em 1949) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)   in    AML 
Rua da Palma - (195_) Foto de Judah Benoliel - (Espaço onde existiu a IGREJA DO SOCORRO, demolição efectuada para o alargamento da RUA DA PALMA)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   AML 


(CONTINUAÇÃO) - RUA DA PALMA [ VII ]

«A IGREJA DO SOCORRO»

Na Ermida de invocação de SÃO SEBASTIÃO DA MOURARIA, depois titulada de "NOSSA SENHORA DA SAÚDE E SÃO SEBASTIÃO", construída na "RUA DA MOURARIA" a expensas da IRMANDADE DE SÃO SEBASTIÃO, e constituída por "IRMÃOS ARTILHEIROS", foi criada cerca de 1596, no tempo do ARCEBISPO DOM MIGUEL DE CASTRO, uma nova freguesia que se chamou de "SÃO SEBASTIÃO DA MOURARIA", desmembrada da freguesia de SANTA JUSTA.
Pessoas devotas congregaram-se para a construção de um templo privativo, no LARGO chamado  do SOCORRO e RUA DE SÃO LÁZARO. 
Nessa época a RUA NOVA DA PALMA ainda não estava construída, no troço entre as RUAS de MARTIM MONIZ e FERNANDES DA FONSECA, e a frontaria da IGREJA, voltada ao Norte, caía sobre uma rua rasgada entre as hortas, que atravessava o vale entre a "RUA DE SÃO LÁZARO" e a "RUA DA MOURARIA"; chamava-se-lhe  "CARREIRINHA DO SOCORRO", e a parte conservada é hoje a chamada "RUA FERNANDES DA FONSECA".
O novo templo foi inaugurado solenemente no dia 29 de Setembro de 1646, tendo vindo para ele, da ERMIDA DA SAÚDE, a imagem de "NOSSA SENHORA DO SOCORRO", que deu o título à IGREJA e à PARÓQUIA.

No dia 1 de Novembro de 1755 (com o Terramoto) ficou bastante arruinada a IGREJA, passando por isso os actos paroquiais a realizar-se na ERMIDA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO, que ficava na portaria do COLÉGIO DE SANTO ANTÃO, actualmente o HOSPITAL DE SÃO JOSÉ.
Em 1763 já estava novamente a paróquia na sua IGREJA, reparada dos estragos do terramoto. A nova IGREJA DO SOCORRO ficou então orientada no sentido Sul-Norte, com uma saída lateral a poente. Antes do Terramoto, a IGREJA virava as costas à MOURARIA, e a fachada ficara onde estava a porta lateral. O templo não era rico, mas oferecia alguns pontos de interesse.
A IGREJA DE NOSSA SENHORA DO SOCORRO tinha uma única nave e o corpo da IGREJA era curto, com duas capelas de cada lado: a do SENHOR DOS PASSOS, em seu andor, e a do CORAÇÃO DE JESUS, do lado esquerdo; a de NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO, com outras imagens, e a do S. JESUS DA AGONIA, do lado direito. Na CAPELA-MOR estava a imagem da padroeira (não a primitiva) mas a dita a "velha" NOSSA SENHORA DO SOCORRO, tendo nos lados SÃO SEBASTIÃO e SANTO ANDRÉ. 
A IGREJA tinha um curioso "ZIMBÓRIO"  octogonal, que no seu interior, cúpula do mal desenhado "transepto", oferece a particularidade de ostentar uma galeria (pintada, e tão bem pintada que iludia o espectador mais desprevenido).

O processo de demolição da IGREJA DO SOCORRO terá começado nos primeiros dias do mês de Agosto de 1949, altura em que foi assinada uma escritura de venda entre a C.M.L. na pessoa do seu Presidente ÁLVARO SALVAÇÃO BARRETO e o Juiz da IRMANDADE , AMÉRICO DO CARMO DE SANTA MARIA. Nos termos da escritura, o templo e edifícios anexos começaram a ser demolidos no dia 1 de Setembro de 1949. O PATRIARCADO retirou todas as alfaias e outros objectos de culto, colocando-os provisoriamente num pavilhão do "MARTIM MONIZ"

Iniciava-se assim a longa agonia do sítio do  SOCORRO. Demoliram-lhe a sua IGREJA PAROQUIAL (1949),  na estação de METRO, manteve o nome até (1998) passando a chamar-se depois de "MARTIM MONIZ", a freguesia que já vinha do ano de 1646, foi também em 2012, integrada na freguesia de "SANTA MARIA MAIOR", que mais lhe irá acontecer.  
Aquando da  demolição do "TEATRO APOLO"(1957) no quarteirão em frente onde permaneceu a IGREJA DO SOCORRO durante alguns séculos, já não existia, para observar o espectáculo.

(CONTINUA)-(PRÓXIMA)«RUA DA PALMA[ VIII ] O PALÁCIO FOLGOSA  E O HOTEL MUNDIAL» 

sábado, 11 de fevereiro de 2017

RUA DA PALMA [ VI ]

«O CRUZADO HENRIQUE DE BONA ( 2 )»
 Rua da Palma - (século XI) - (Algumas das várias Ordens Religiosas-Militares que se investiram nas CRUZADAS. E foi com a ajuda de uma expedição de Cruzados que se dirigiam para a PALESTINA, que DOM AFONSO HENRIQUES, conseguiu conquistar LISBOA aos MOUROS. Considerada a CRUZADA DO OCIDENTE) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  OS LUSON@UTAS
 Rua da Palma - (2011) (Desenho de autor não identificado) - (Fardamento de Cavaleiro das Cruzadas que ajudaram DOM AFONSO HENRIQUES na Conquista de LISBOA em 1147)  in  MEMÓRIAS-HISTÓRIAS
 Rua da Palma - (2010) Foto de João Paulo Dias - (Homenagem prestada na "IGREJA DE SÃO VICENTE DE FORA" frente ao ossário do Cruzado Cavaleiro Henrique de Bona)  in PADRE JOSÉ CORREIA CUNHA
 Rua da Palma - (Placa tumular do Cavaleiro "HENRIQUE ALEMÃO", um cruzado que auxiliou à Conquista de LISBOA, encontra-se na IGREJA DE SÃO VICENTE DE FORA,  escrita em português arcaico)  in  HISTÓRIA DE PORTUGAL (Dirc. de JOSÉ HERMANO SARAIVA)
 Rua da Palma - (2006) Foto de Luís Pavão - ("RUA DA PALMA" com o CASTELO DE SÃO JORGE no lado esquerdo em cima)   in     AML
Rua da Palma - (2016) - (Uma vista da "RUA DA PALMA" no lado Sul, à esquerda os novos edifícios à direita a "PRAÇA MARTIM MONIZ")   in    GOOGLE EARTH  

(CONTINUAÇÃO) - RUA DA PALMA [ VI ]

«O CRUZADO HENRIQUE DE BONA ( 2 )»

As pessoas que ali iam rezar, quando tomadas por algum «perturbação de doença», logo se sentiam mais aliviadas. O corpo do Guerreiro em "suspeita de santidade" foi exumado pelos cónegos regentes que o transladaram para o «MOSTEIRO DE SÃO VICENTE DE FORA».
As relíquias do "CAVALEIRO HENRIQUE DE BONA" foram metidas num caixão de cedro forrado a veludo e foi levado para a sacristia, onde esteve muitos anos em lugar alto, na parede defronte da porta. No cofre foi gravada uma longa inscrição em LATIM, que rezava assim: «AQUI JAZ O ANIMOSO E VALENTE CAVALEIRO HENRIQUE; DERRAMOU O SEU SANGUE E DESBARATOU AS HOSTES INIMIGAS. DILIGENTE, CHEGOU OUTRORA A ESTAS PRAIAS OCIDENTAIS; TOMOU GUIADO PELA DIVINDADE O SEU DESCONHECIDO CAMINHO. APRESENTOU-SE ANTE ESTA CIDADE NA OCASIÃO EM QUE EL-REI DOM AFONSO HENRIQUES MOVIA AS SUAS ARMAS CONTRA OS MOUROS; E PRODIGALIZOU A SUA VIDA».

A RUA ONDE OS ALEMÃES MORAVAM

Os sucessos maravilhosos ligados à morte do CAVALEIRO HENRIQUE e os aspectos mareantes das remotas tradições e das singulares características  da popular artéria citadina, são descritos pela admirável evocação da «LISBOA ANTIGA», que assim celebra o passado histórico e os títulos valiosos da "velha" «RUA DA PALMA».
E "JÚLIO DE CASTILHO" alude ao sinal que surgiu na campa do chorado CAVALEIRO HENRIQUE e foi tornado pela crença popular como auspicioso de grandes milagres. No tempo de "FREI NICOLAU DE SANTA MARIA", isto é, pelo meio do século XVII, no "Sacrário" das relíquias do MOSTEIRO DE SÃO VICENTE DE FORA, num relicário de Prata, parte de um ramo e cacho, que a tradição dizia arrancados pelas mãos do próprio REI e doados ao MOSTEIRO.
Narra ainda o cronista dos cónegos regentes que, em terrenos do MOSTEIRO se abriu uma RUA em 1554, toda foreira a ele; que nesta RUA se domiciliavam de preferência os Alemães estabelecidos em LISBOA, todos devotos do seu glorioso patrício HENRIQUE, e romeiros habituais da sua palma, que por devoção, veio a chamar-se "RUA DA PALMA".

Encontra-se num túmulo na CAPELA DE SANTO ANTÓNIO do "MOSTEIRO DE SÃO VICENTE DE FORA", os ossos do CRUZADO HENRIQUE DE BONA, cuja lápide em português arcaico reza assim: «OSSOS DO CAVALEIRO HENRIQUE ALEMÃO. QUE MORREU AJUDANDO A TOMAR ESTA CIDADE AOS MOUROS: EM CUJA SEPULTURA NASCEU UMA PALMEIRA, QUE DE UM CACHO DA PALMA, SE VALIAM MUITOS ENFERMOS E SARAVAM. O CACHO ESTÁ NO SANTUÁRIO DESTE MOSTEIRO» ( Tradução possível).

(CONTINUA)-(PRÓXIMA)«RUA DA PALMA [ VII ] A IGREJA DO SOCORRO»  

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

RUA DA PALMA [ V ]

«O CRUZADO HENRIQUE DE BONA ( 1 )»
 Rua da Palma - (1917) - Aguarela de Alfredo ROQUE GAMEIRO representando a tomada de Lisboa em 25.10.1147) -  ( A Conquista de LISBOA aos Mouros só foi possível com a ajuda dos Cruzados do Norte da Europa)  in  PORTUGAL GLORIOSO 
 Rua da Palma - (Os Cruzados amigos que ajudaram DOM AFONSO HENRIQUES na conquista de LISBOA aos MOUROS em 1147)   in  AFONSO HENRIQUES
 Rua da Palma - (2010) - Foto de João Paulo Dias - (Visita à sepultura do Cruzado Cavaleiro Henrique, originário de BONA, que morreu na conquista de LISBOA aos MOUROS,  e está sepultado na IGREJA DE SÃO VICENTE DE FORA) in  PADRE JOSÉ CORREIA CUNHA
 Rua da Palma - ( 2011) -  (Panorâmica da Baixa de LISBOA nocturna. Cristo Rei na outra banda, a Ponte 25 de Abril,  Centro Comercial Mouraria, Hotel Mundial e o enquadramento do MARTIM MONIZ e RUA DA PALMA)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  WORDPRESS
Rua da Palma - (195_) Foto de Judah Benoliel - (Panorâmica da RUA DA PALMA junto do MARTIM MONIZ na década de cinquenta)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   AML

(CONTINUAÇÃO)-RUA DA PALMA [ V ]

«O CRUZADO HENRIQUE DE BONA ( 1 )»

A chamada pitoresca e não menos expressiva de característica bizarra dos primitivos bairros da lendária cidade, é a «VELHA RUA DA PALMA» que abraçava a MOURARIA. Este arruamento, que em épocas transactas se apresentava muito desmantelado, ainda conserva muito de primitivo. 
Tem os seus pergaminhos numa PALMEIRA "milagrosa" na campa de um cruzado, (que dera a sua vida por LISBOA, é venerado como Mártir, foi tal como seus companheiros germanos, sepultado em cemitérios improvisados durante o cerco) nesta "velha" «RUA DA PALMA», com a designação cuja origem remonta aos tempos da fundação da nacionalidade e da "CONQUISTA DE LISBOA AOS MOUROS" em 1147.  Na qual, como se sabe, os CRUZADOS do NORTE DA EUROPA em viagem para a PALESTINA deram uma ajuda decisiva a DOM AFONSO HENRIQUES.
Um deles, paradigma do valor dos companheiros do exército alemão que, pela PORTA DO MAR, diante do CAIS DE SANTARÉM, invadiu o burgo, é aquele guerreiro, Cavaleiro alemão «HENRIQUE DE BONA», de quem tanto CAMÕES celebrou a sua lenda no CANTO VIII, da oitava 18:

                          "NÃO VÊS UM AJUNTAMENTO, DE ESTRANGEIRO
                           TRAJO, SAIR DA GRANDE ARMADA NOVA
                           QUE AJUDA A COMBATER O REI PRIMEIRO
                           LISBOA, DE SI DANDO SANTA PROVA?
                           OLHA HENRIQUE, FAMOSO CAVALEIRO,
                           A PALMA QUE LHE NASCEU JUNTO À COVA.
                           POR ELES MOSTRA DEUS MILAGRE VISTO:
                           GERMANOS SÃO OS MÁRTIRES DE CRISTO".

E já o épico aponta a palmeira que lhe brotou da sepultura, como atributo dos prodígios operados por morte do célebre CRUZADO, cuja memória simbolicamente se evoca na designação da movimentada "RUA DA PALMA" vizinha da "MOURARIA" e por onde desfila a procissão da SENHORA DA SAÚDE celebrada por inspirados poetas populares.

O famoso CAVALEIRO DA PALMA, natural de BONA (ALEMANHA), morreu aureolado do prestígio dos heróis quase lendários e da santidade exaltada poética e sentimentalmente enraizada na alma do povo lisboeta, crente nos milagres com a mesma fé, ardente e inabalável, do REI DOM AFONSO HENRIQUES.

Os milagres que se atribuem às cinzas do heróico batalhador, guardadas na CAPELA DE SANTO ANTÓNIO do MOSTEIRO DE SÃO VICENTE DE FORA, e a palma "que lhe nasceu na sepultura e sarava as doenças",  foram descritos no «INDICULUM», na célebre crónica do CRUZADO "OSBERNO" e na narrativa de "ARNULFO", na «HISTÓRIA ECLESIÁSTICA», de DOM RODRIGO DA CUNHA; na biografia do PAPA  EUGÉNIO III, do CARDEAL DE ARAGÃO, Etc..
DUARTE GALVÃO,  quando foi à ALEMANHA, como embaixador, visitou em BONA os lugares onde decorreu a mocidade do insigne CAVALEIRO GERMÂNICO, assinala na «CRÓNICA DE EL-REI DOM AFONSO HENRIQUES» o favor da fé de toda a gente na benta palmeira nascida na campa do Cruzado.

(CONTINUA)-(PRÓXIMA)«RUA DA PALMA [VI]-O CRUZADO HENRIQUE DE BONA (2)

sábado, 4 de fevereiro de 2017

RUA DA PALMA [ IV ]

«A RUA DA PALMA ( 3 )
 Rua da Palma  - (2016) - (A "RUA DA PALMA" no início do 2.º troço de alargamento para Norte, até ao HOSPITAL DO DESTERRO)  in  GOOGLE EARTH
 Rua da Palma - (2016) - (A "RUA DA PALMA" já no seu final, sentido Norte. À nossa esquerda podemos ver um edifício comprido, era neste espaço o "REAL COLISEU DE LISBOA (1887-1926), hoje a "GARAGEM  LIZ", possivelmente amanhã um Centro Comercial)  in GOOGLE EARTH
 Rua da Palma - (2016) -  (A "RUA DA PALMA" junto da "CALÇADA DO JOGO DA PÉLA" agora melhorada e com novos edifícios no seu percurso)  in  GOOGLE EARTH
 Rua da Palma - (1911) Foto de Joshua Benoliel - (Final da "RUA DA PALMA" anexos do HOSTIPAL DO DESTERRO que nessa época obrigavam o transito a passar pelo "LARGO DO INTENDENTE". O edifício na esquina de gaveto recebeu o prémio VALMOR) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  WIKIPÉDIA
 Rua da Palma - (195-) Foto de Judah Benoliel - ( A "RUA DA PALMA" e Praça Martim Moniz, depois das demolições)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  AML 
Rua da Palma - (1951) Foto de Eduardo Portugal - ( Panorama da Praça Martim Moniz e RUA DA PALMA aquando das demolições)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   AML 


(CONTINUAÇÃO) - RUA DA PALMA [ IV ]

«A RUA DA PALMA ( 3 ) »

O segundo troço da "RUA DA PALMA"  prolongou-se até ao INTENDENTE.
O primitivo troço desta RUA que não se rasgou, ia desde as traseiras da capela-Mor (Abside) da "IGREJA DE SÃO DOMINGOS" até à MURALHA DA CERCA FERNANDINA, abrindo para o terreiro que se chamava "JOGO DA PÉLA".

Este novo troço de RUA, aberto em 1858/1859, recebeu o nome de "RUA DA IMPRENSA", mas esta denominação durou apenas um ano, pois que, pelo EDITAL de 1 de Setembro de 1859, foi trocada em "RUA NOVA DA PALMA" e incorporada a nova artéria no primitivo troço da rua quinhentista que já tinha esse nome ( 1 ).
Em 1880 passou esta via pública, do extremo a chamar-se "RUA DA PALMA" ( 2 ).
Um dos edifícios que foi necessário demolir para a abertura do novo troço da RUA foi a ERMIDA DE NOSSA SENHORA DA GUIA, que durou apenas 100 anos.
Dava a "PORTA DA RUA DA RUA DA PALMA" saída para o sítio do "JOGO DA PÉLA", que, como se vê, é de denominação muito antiga, e de significação intuitiva.
A "CALÇADA DO JOGO DA PÉLA" é um alargamento da "RUA DA PALMA", no prolongamento do "LARGO DO MARTIM MONIZ para Oeste, subindo, em  escadaria até à RUA DO ARCO DA GRAÇA.
No Postigo da RUA DA PALMA começava a MURALHA DA CERCA a subir a encosta do "MONTE DE SANT'ANA" e prosseguia para poente, segundo um lanço rectilíneo, ao longo da actual "TRAVESSA DA PALMA" ( 3 ), antiga "RUA DAS PARREIRAS" ou da "PARREIRA", formando a Muralha, cuja directriz ainda se pode distinguir nitidamente, o lado Norte desta via pública. Neste lanço da Muralha estavam pegadas duas Torres. Felizmente que a nova intenção urbanística desse local deixou-nos visível uma parte desse conjunto de MURALHA). Chamava-se 1.º CUBELO DA MURALHA - o cubelo inferior ficava um pouco abaixo do ponto onde a actual "TRAVESSA DO ARCO DA GRAÇA" vai entroncar na "TRAVESSA DA PALMA".

Em meados do século XIX, com o grande aumento da população lisboeta, reconheceu-se a necessidade de abrir uma nova artéria no seguimento da "RUA NOVA DA PALMA",  o que se fez através de hortas do vale, desde o sítio do "JOGO DA PÉLA" até ao    "LARGO DO INTENDENTE PINA MANIQUE

- ( 1 ) - LISBOA de Lés-a-Lés, de Luís Pastor de Macedo, Volume III pag. 199.
- ( 2 ) - Deliberação Camarária de 18 de Maio e Edital de 8 de Junho de 1889.
- ( 3 ) - EDITAL de 8 de Junho de 1889.

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

RUA DA PALMA [ III ]

«A RUA DA PALMA ( 2 ) »
 Rua da Palma - (1987) - A. Vieira da Silva - Mapa - (Das Portas da Mouraria ao Postigo da Graça - MAPA II - Podemos observar a existência do início da RUA DA PALMA - junto da Porta da Rua da Palma - a artéria continuava com a RUA NOVA DA PALMA que, para tal, foi demolida a "ERMIDA DE Nª. Sª. DA GUIA. Sendo considerado este o primeiro troço da "RUA DA PALMA").  in A CERCA FERNANDINA DE LISBOA - VOLUME I
 Rua da Palma - (2016) - (Panorama da "RUA DA PALMA" no cruzamento da "RUA DE SÃO LÁZARO" e a "RUA FERNANDES DA FONSECA" antigo "SOCORRO") in  GOOGLE EARTH
 Rua da Palma -(19--) Foto de Alberto Carlos Lino - (Armazém Chinês Estabelecimento de "J. J. da Cunha" na RUA DA PALMA)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)   in    AML 
 Rua da Palma - (191-) Foto de Joshua Benoile - (A "Ourivesaria de ABEL MARTINS & Cª.", antiga "CASA MOURÃO" na RUA DA PALMA)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   AML 
 Rua da Palma - (c. de 1946) Foto de Judah Benoliel - (A MOURARIA antes da demolição: 1ª transversal, RUA DA MOURARIA; 2ª. transversal, RUA DA PALMA; 3ª. transversal, RUA DAS  ATAFONAS; 4ª. transversal, RUA DO SOCORRO, ao fundo, a CALÇADA DO JOGO DA PÉLA) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   AML 
Rua da Palma (195-) - Foto de Judh Benoliel - (A "RUA DA PALMA" na época das sapatarias e ourivesarias construídas em madeira pela firma "Sociedade de Construções Amadeu Gaudêncio,Lda) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   AML 

(CONTINUAÇÃO) - RUA DA PALMA [ III ]

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Em meados do século XVI foi aberta uma porta no troço da MURALHA DA CERCA FERNANDINA, a que deram o nome de "PORTA DA RUA DA PALMA" ou POSTIGO à "RUA NOVA DA PALMA, que se abriu ao "JOGO DA PÉLA", ou POSTIGO NOVO. (VER MAPA II - DAS PORTAS DA MOURARIA AO POSTIGO DO ARCO DA GRAÇA).
Ficava situado no ponto onde sensivelmente existe a "RUA DA PALMA e se cruza com a "TRAVESSA DA PALMA". Foi aberto pelo motivo de se ter rasgado, pela mesma ocasião, a "RUA NOVA DA PALMA", do lado intramuros, e estabelecida a comunicação desta com o sítio do "JOGO DA PÉLA", extramuros. Pensa-se que serviu uma simples abertura na MURALHA, em que se colocaram portas de madeira, com a indicação por cima, em 1712 e em 1750, " uma aceada capela de invocação a Nossa Senhora do Rosário".  Está representada na revista OLISSIPPO de THEATRUM URBIUM, de JORGE BRÁUNIO (1596); foi demolida depois do Terramoto de 1755 e dela não restam vestígios.

No século XVI possuía o "CONVENTO DE SÃO VICENTE DE FORA" uma grande horta intramuros; "com assentamento de casas, poço, nora e chão de sequeiro, dentro dos muros debaixo da porta de "SÃO VICENTE", junto ao MOSTEIRO DE SÃO DOMINGOS", no sítio da "RUA DOS CANOS" e "RUA DA PALMA", onde existiam 18 moradas de casas, que o CONVENTO aforou em 28 de Novembro de 1524 a um FERNÃO DIAS e sua mulher, avós de FRANCISCA COELHA, casada com um "JOÃO PALMA", Cavaleiro fidalgo da CASA DE EL-REI, que em 1554 estavam senhores da horta.
O MOSTEIRO DE SÃO VICENTE, querendo tirar maior rendimento da horta, e fazer nela mais trinta casas, modificou em 10 de Outubro de 1554 o seu contrato com o "enfiteuta" (foreiro), modificação também aceite pela mulher em 30 do mesmo mês, pelo que estes ficaram obrigados, sob certas condições, a fazer "uma rua pelo meio da horta com 15 palmos (3,3 metros) de largura, desde o MOSTEIRO DE SÃO DOMINGOS até à rua que passava entre o muro da cidade e as casas que eles tinham" ( 1 ), rua representada actualmente (1948) pelo começo inferior da "TRAVESSA DA PALMA".

Foi pois nos terrenos dessa horta do MOSTEIRO que em meados do século XVI se rasgou, paralelamente à "RUA DOS CANOS", intramuros, a RUA de que é representante a "RUA DA PALMA", entre as traseiras da IGREJA DE SÃO DOMINGOS e o actual LARGO MARTIM MONIZ.  Outras denominações existiram para a RUA DA PALMA. Quando se construiu a RUA , e simultaneamente se abriu o postigo no seu topo, que defrontava então a MURALHA DA CERCA, a RUA começou por não ter nome, e para referência designavam-na simplesmente por "RUA DA PORTA NOVA". Mas esta denominação, ou designação da RUA , deve ter durado muito pouco tempo, talvez mesmo apenas uns meses, porque como nela tinha casa sua, onde morava, o Cavaleiro JOÃO PALMA, ao lado de outra também sua valiosa propriedade que alugara, assim como os terrenos da horta em que a RUA havia sido rasgada, passaram a apelidar à Nova RUA o nome desse importante proprietário; mas, por ser ela de nome feminino, o povo mudou para "RUA NOVA DA PALMA".
- ( 1 ) - MOSTEIRO DE SÃO VICENTE, Livro B, arm. 48, Nº 37, fls. 15 a 23V.

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