sábado, 27 de junho de 2015

CALÇADA DE DOM GASTÃO [ III ]

«A QUINTA LEITE DE SOUSA ( 2 )»
 Calçada de Dom Gastão - (2005) Foto de APS  (Cunhal do palácio da "Quinta Leite de Sousa". A parte inferior em cantaria rusticada corresponde ao  edifício inicial, depois acrescentado com o arranjo mais tardio do piso nobre, com o Cunhal agora talhado em cantaria lisas, sem ter havido portanto qualquer vontade de conformar a parte ao gosto preexistente)  in ARQUIVO /APS 
 Calçada de Dom Gastão - (2005) - Foto de APS ( A "ESCOLA PRIMÁRIA Nº 20" dentro da Vila "MARIA LUÍSA" no antigo Palácio do Grilo)  in  ARQUIVO/APS
 Calçada de Dom Gastão - ( 2007 ) - (Panorâmica com pormenor da área envolvente das duas propriedades que começam a Sul do Bairro de Madre de Deus e finaliza no Tejo, agora compreendida pela Rua da Manutenção)  in   GOOGLE EARTH
 Calçada de Dom Gastão (2015) Foto gentilmente cedida pelo amigo RICARDO MOREIRA (Fachada sobre o pátio "Quinta Leite de Sousa" arranjo da segunda metade do século XVIII. Notam-se as duas janelas cegas correspondentes a duas paredes mestras mais antigas, evidenciando o carácter do arranjo palaciano que sofreu esta Quinta, também chamada de "Quinta do Grilo") in ARQUIVO/APS
Calçada de Dom Gastão - (2015) - Foto gentilmente cedida pelo amigo RICARDO MOREIRA (A parte do antigo "Palácio do Grilo" mais a poente na "Quinta Leite de Sousa" na "Vila Maria Luísa". Podemos  ver no 2º andar que nesta altura ainda funcionava o "EXTERNATO CAMILO CASTELO BRANCO") in   ARQUIVO/APS

(CONTINUAÇÃO) - CALÇADA DE DOM GASTÃO [ III ]

«A QUINTA LEITE DE LOUSA ( 2 )»

"PASTOR DE MACEDO" refere o «PÁTIO DE LUÍS SIDE» (1724) e o «PÁTIO DO SIDE» (1738), ano, em que ali morreu o abade "JOSÉ MOURA" ( 1 ).
Os bens de "Luís CID" passaram para sua irmã, "D. CONSTANÇA DA SILVA AZEVEDO E CASTRO, 5.ª SENHORA DE "LAGOA DO CARMO", no ALGARVE, casada com "FERNÃO LEITE DE SOUSA MATOS, 9.º SENHOR DO MORGADO DE "NOSSA SENHORA DA ESPERANÇA". O neto destes, "FERNÃO LEITE DE SOUSA" sargento-Mor de LISBOA, em 1748 já vivia "na sua Quinta do sítio do Grilo" ( 2 ), natural da AMEIXOEIRA (1717) e habilitado pelo "SANTO OFÍCIO" ( 3 ), por ,morte da avó "DONA CONSTANÇA" - legítima administradora dos quartos morgados que instituíram o reverendo cónego "ANTÓNIO DE ALMEIDA", "D. MARIA DE AZEVEDO", "D. INÊS MARIA DA SILVA" e "LOPO ROIZ DE ALMEIDA ( 4 ) - ficou como administrador da casa, apesar da oposição de seu tio mais novo, JOSÉ LEITE DE SOUSA. Receoso que esta ( ...) "se utilizasse dos seus rendimentos despedira logo alguns soldados do seu regimento a cobrar com alguma violência todos os caídos que se achassem na província do "ALÉM TEJO", onde estavam as mais fazendas dos ditos morgados. Entre os bens do morgado encontravam-se (... ) umas casas Nobres na sua QUINTA DO GRILO ( ... ) cujas casas precisavam de muito reparos e juntamente de lhes acrescentar mais três casas e outras obras de que necessitavam para acomodação do suplicante e sua família ( 5 ).
Para conseguir realizar as obras, uma vez que se encontrava sem meios, contratou-se com os mestres JOÃO DUARTE, pedreiro e MANUEL LUÍS DA COSTA, carpinteiro, consignando-lhes Duzentos mil réis anuais nos rendimentos da Quinta, e mais bens do morgado (1747). Igualmente levaram obras as casas pequenas que ficaram à face da RUA. É possível que o pintor-dourador "BERNARDO DA COSTA BARRADAS" tenha trabalhado nas CASAS DO GRILO, uma vez que no testamento (1747) afirma ser credor de "FERNÃO LEITE DE SOUSA ( 6 ) .
Esta propriedade, de dimensões consideráveis - estendendo-se até ao PALÁCIO OLHÃO e à ILHA DO GRILO - era constituída por casas grandes dentro do pátio, cocheira, estrebaria, dois quartos nobres e um pequeno, mais de duas dezenas de lojas, um armazém e a Quinta, composta por horta, parreiras e terras de pão ( 7 ) , por vezes arrendada. Na década de sessenta um dos quartos nobres esteve arrendado ao desembargador " FRANCISCO XAVIER DE ASSIS PACHECO". No ano de 1801 era arrendatário da QUINTA e dois quartos nobres, por quinhentos mil réis, "FRANCISCO DE MELO COGOMINHO",  servido por 4 criados de  escada de cima, 1 cozinheiro, 1 moço de cozinha, i moço de copa, 5 criados de escada abaixo 2 carruagens ( 8 ) .
A "FERNÃO LEITE DE SOUSA" sucedeu (1799) sua filha natural. 1.ª VISCONDESSA DE CONDEIXA, pelo casamento com "PEDRO ATAÍDE E MELO", que viveram no GRILO. Sem geração, caiu a casa em (1829) na posse de uma prima, 10.ª senhora de TAVAREDE  e das LEZÍRIAS DE BUARCOS - Sucessora no Morgado de Nª. SENHORA DA ESPERANÇA EM SANTARÉM - e mãe do 1.º CONDE E BARÃO DE TAVAREDE, "JOÃO DE ALMADA E QUADROS".
Manteve-se a CASA DE TAVAREDE na posse da "QUINTA DO GRILO" durante a maior parte do século XIX. Antes da viragem do século estava a propriedade transformada - de acordo com o nome dos proprietários  -  na VILA ZENHA, depois VILA MARIA LUÍSA, que juntamente com a instalação de uma escola pública (ESCOLA PRIMÁRIA nª 20) e de um colégio privado "EXTERNATO CAMILO CASTELO BRANCO", descaracterizaram por completo os interiores das antigas casas nobres.

- 1 - IAN/TT, RP, Santa Engrácia Óbitos, cx. 26, Lº., 3, fls. 156 e Lº., 4, Fl. 130.
- 2 - IAN/TT, CN, C-12B, cx. 65, Lº., 647, fls. 20-21v.
- 3 - IAN/TT, HSO, Mç. 2 dil. 37.
- 4 - IAN/TT, Chancelaria de D. João V, Lº., 98, fls. 22v-229.
- 5 - IAN/TT, Chancelaria de D. João V, Lº., 117. fls 37v- 38.
- 6 - IAN/TT, RGT, Lº., 240 fls. 124v-127v.
- 7 - AHTC, DC, Santa Engrácia Arruamentos. Mç. 430.
- 8 - AHTC, DC, Santa Engrácia Arruamentos. Mç. 449.

SIGLAS

IAN/TT - Instituto de Arquivos Nacionais/Torre do Tombo.
AHTC - Arquivo Histórico do Tribunal de Contas.
CN - Cartórios Notariais
DC - Décima da Cidade
RGT - Registo Geral de Testamentos
RP - Registos Paroquiais
HSO - Habilitações do Santo Ofício

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«CALÇADA DE DOM GASTÃO [ IV ] A QUINTA LEITE DE SOUSA ( 3 )».

quarta-feira, 24 de junho de 2015

CALÇADA DE DOM GASTÃO [ II ]

«A QUINTA  LEITE DE SOUSA ( 1 )»
 Calça de Dom Gastão - (1856-1858) Filipe Folque (Planta Nº 16 de Filipe Folque, local da "QUINTA  LEITE DE SOUSA" e o Palácio de D, Gastão, senhor das Ilhas Desertas) in  ATLAS DA CARTA TOPOGRÁFICA DE LISBOA
 Calçada  de Dom Gastão - (1970) Foto de João H. Goulart ("VILA MARIA LUíSA" na CALÇADA DE DOM GASTÃO, ainda com os vasos suportados pelas colunas na entrada da vila)  in  AML 
 Calçada de Dom Gastão - (1998) Foto de António Sacchetti (O Portão de acesso ao pátio da QUINTA LEITE DE SOUSA ou VILA ZENHA e ainda VILA MARIA LUÍSA, hoje em parte destruído, para facilitar a entrada de viaturas de maior dimensão) in CAMINHO DO ORIENTE
 Calçada de Dom Gastão - (2005) Foto de APS  - (Cunhal da casa Nobre da "QUINTA  LEITE DE SOUSA", também conhecida pelo Palácio do GRILO, situado dentro da "VILA MARIA LUÍSA" na CALÇADA DE DOM GASTÃO)  in  ARQUIVO/APS
Calçada de Dom Gastão - (2015) Foto gentilmente cedida pelo amigo RICARDO MOREIRA ( Actual entrada para a "VILA MARIA LUÍSA" antiga QUINTA LEITE DE SOUSA", já sem os vasos nas colunas da entrada)  in  ARQUIVO/APS


(CONTINUAÇÃO) - CALÇADA DE DOM GASTÃO [ II ]

«A QUINTA LEITE DE SOUSA ( 1 )»

Envolvida em algum mistério, aparecendo várias referências dispersas na história da «QUINTA DO GRILO» sem, no entanto, ser possível até ao momento, encontrar o elo de ligação entre os seus intervenientes.
"ANTÃO DE OLIVEIRA", nomeado por D. MANUEL provedor das capelas da infanta D. BRITES, ( 1 ) parece ter instituído um morgado, mais tarde referido em que a propriedade estava incluída. E tudo indica que fosse esta mesma a "quinta de além de Xabregas a par do Grilo" ( 2 ) referida por D. GUIOMAR FIGUEIRA  e sua filha, D. JOANA DE CASTRO, ambas viúvas ao tempo que instituíram uma CAPELA em "SÃO FRANCISCO DE XABREGAS" (1582). Deixaram por administradora "D. FILIPA DE CASTRO", filha de "ANTÃO DE ALMEIDA (ou OLIVEIRA ?) DE AZEVEDO, estribeiro-mor do CARDEAL-INFANTE, a neta de "D. ANTÓNIA DE CASTRO", cunhada e tia das testadoras, com a condição (...) "que casará a dita senhora DONA FILIPA DE CASTRO com homem fidalgo de geração dos CASTROS legítimos e verdadeiros deste Reino das treze arruelas e terá o apelido e se chamará de CASTRO". Em 1616 administrava a CAPELA "D. JOÃO DE CASTRO", genro de "ANTÃO DE OLIVEIRA  (ou ALMEIDA)  DE AZEVEDO, ( 3 ) que adoptou o nome de CASTRO.
"ANTÓNIO (ou ANTÃO) DE OLIVEIRA DE AZEVEDO" tinha uma pedreira junto da sua "QUINTA DO GRILO", da qual ofereceu a pedra e o chão para a construção e adro da ERMIDA de "D. GASTÃO COUTINHO", cujo sobrinho, "LUÍS GONÇALVES DA CÂMARA COUTINHO", passado anos lhe comprou a "pedreira e terra que se lhe seguia" ( 4 ).
Já em 1656, a viúva de "D. GASTÃO", "D. ISABEL FERRAZ", lhe tinha comprado uma terra junto aos seus aposentos fronteiros ( 5 )"LUÍS CID DA SILVA E OLIVEIRA" no início do século XVIII, era senhor da «QUINTA DO GRILO», como administrador do morgado instituído por "ANTÓNIO DE OLIVEIRA DE AZEVEDO", (...) "seu sexto avô, ao qual morgado sua terceira avó anexara a sua terça"  ( 6 ), assente numas casas na "RUA DE NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS". 
Outro documento confirma a instituição de "ANTÃO DE OLIVEIRA" e refere que àquele (...) "morgado anexara a sua terça sua quarta avó de D. ANTÓNIO DE CASTRO" ( 7 ).  Um outro documento refere "LUÍS CID" como administrador do morgado "instituído por ANTÃO DE OLIVEIRA seu terceiro avô" ( 8 ).
Este "LUÍS CID", filho de "FRANCISCO DE ALMEIDA DA SILVA" e de "D. ISABEL DE LACERDA", irmã do CARDEAL PEREIRA DE LACERDA, Bispo do ALGARVE, ampliou a propriedade do "GRILO", pertença do morgado - "uma quinta extramuros desta cidade no sítio do GRILO em a qual quinta ele suplicante tinha acrescentado duas moradas de casas que hoje rendiam cem mil réis em cada um ano ( 9 ). Obrigou este rendimento para segurar a tença(Pensão) que permitia a profissão na LUZ de uma filha natural. 
"D. MARGARIDA"  necessitando de provisão régia ( 1711 ), "pelas tais benfeitorias estarem feitas em chão da dita quinta que era de morgado de que se não seguia prejuízo algum no imediato sucessor que era um filho que tinha. de idade 14 anos. No ano de 1717, viu-se na necessidade de sub-rogar umas casas do morgado de "ANTÃO DE OLIVEIRA" - várias propriedades que fizera no chão junto à sua quinta do GRILO  ( ... )pela grande conveniência com que ficava o dito morgado  ( ... )e terem estas casas menos perigo de incêndio e ruínas, por serem de abóbadas, ao que as do dito foro estavam expostas como já lhe sucedera ( ... )e constar valer de principal o foro do morgado referido cento e setenta mil réis ( 10 ).  A viúva de "LUÍS CID", "D. MARIANA DA SILVA E SOUSA", "faleceu nas casas da quinta, em 1726 ( 11 ), quatro anos depois do filho, "FRANCISCO DIONÍSIO DE ALMEIDA SILVA E OLIVEIRA" ( 12 ).

-(1)-IAN/TT. Chancelaria de D. João III, Lº. 61, fl. 132v.
-(2)-Tombo das obrigações das Capelas dos Conventos de S. Francisco de Xabregas in Andrade, Ferreira de -Palácios Reais de Lisboa, LISBOA 1949. p.55-
-(3)-Idem
-(4)-Fr. Agostinho de Santa Maria - Santuário Mariano-oficina de Antº. Pedroso Galram, LISBOA 1707-pp. 197 e 198.
-(5)-Index das Notas de vários Tabeliães de Lisboa. BNL, 1949, T. 4 p. 6.
-(6)-IAN/TT, Chancelaria de D. PEDRO II, Lº., 55, fl 149v.
-(7)-IAN/TT, Chancelaria de D. PEDRO II, Lº., 54, fl. 115.
-(8)-IAN/TT, Chancelaria de D. JOÃO V, Lº., 37, fls. 100-100v.
-(9)- Idem
(10)-IAN/TT, Chancelaria de D. JOÃO V, Lº., 45, fl. 262.
(11)- IAN/TT,RP, Santa Engrácia, Óbitos, Cx. 26, Lº 3, fl. 176.
(12)-IAN/TT, RP, Santa Engrácia, Óbitos, Cx. 26. Lº 3, fl. 122v.

SIGLAS
IAN/TT - Instituto de Arquivo Nacional/Torre do Tombo.
RP      - Registos Paroquiais.


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«CALÇADA DE DOM GASTÃO [ III ]-A QUINTA LEITE DE SOUSA (2)».

sábado, 20 de junho de 2015

CALÇADA DE DOM GASTÃO [ I ]

«A CALÇADA DE DOM GASTÃO E SEU ENQUADRAMENTO»
 Calçada de Dom Gastão - (1856-1858) Filipe Folque (PLANTA Nº 16 - A zona do GRILO. A CALÇADA DO GRILO, possivelmente da segunda metade do século XVII, separa duas áreas bem distintas. Para Norte os Conventos: GRILOS e GRILAS, para Sul, duas propriedades dos Leite de Sousa (depois TAVAREDE) e Senhores das Ilhas Desertas. Separadas estas duas propriedades por uma antiga Azinhaga do Grilo, que perdeu actividade e substituída com a abertura da CALÇADA DO GRILO, muito mais larga)  in   ATLAS DA CARTA TOPOGRÁFICA DE LISBOA
 Calçada de Dom Gastão - (2007) (Uma panorâmica do sítio do Grilo e CALÇADA DE DOM GASTÃO, vendo-se na parte de cima a antiga zona da "ILHA DO GRILO")  in GOOGLE EARTH
 Calçada de Dom Gastão - (2005) Foto de APS  (Fachada do Palácio da "QUINTA DE LEITE SOUSA", arranjo destacável da segunda metade do século XVIII. Notam-se as duas janelas "cegas", correspondente a duas paredes mestras mais antigas, evidenciando o carácter do arranjo palaciano que sofreu esta casa da quinta) in  ARQUIVO/APS
 Calçada de Dom Gastão - (2015) Foto gentilmente cedida pelo amigo RICARDO MOREIRA. (Final da "CALÇADA DE DOM GASTÃO" esquina com a RUA JOSÉ ANTÓNIO LOPES. Quarteirão destinado a ser demolido para ali "nascer" um eventual prédio de rendimento ou Condomínio fechado, no local da bem lembrada "FARMÁCIA CONCEIÇÃO" dos nossos tempos das décadas de 40 e 50 do século passado)  in  ARQUIVO/APS 
Calçada de Dom Gastão - (2015) - Foto gentilmente cedida pelo amigo RICARDO MOREIRA (Lado esquerdo da "CALÇADA DE DOM GASTÃO", edifícios recentemente edificados, onde estão instalados os CTT e as novas instalações da "FARMÁCIA CONCEIÇÃO")  in ARQUIVO/APS


CALÇADA DE DOM GASTÃO [ I ]

«A CALÇADA DE DOM GASTÃO E SEU ENQUADRAMENTO»

A «CALÇADA DE DOM GASTÃO» (antiga "CALÇADA DO GRILO") pertence à freguesia do  «BEATO». Começa na "RUA DO GRILO" no número 145 e finaliza na "RUA DE XABREGAS" no número 2. Tem como convergente no lado direito as "ESCADINHAS DE D. GASTÃO" (antiga Azinhaga) que dividia entre si duas propriedades desde a "ESTRADA DE MARVILA" até à parte Sul. Existiu logo a seguir às "ESCADINHAS" o chamado "LARGO DE DOM GASTÃO" (conforme nos indica o Mapa de Filipe Folque, e nos dá conta um documento do espólio do Arquivo Municipal de Lisboa). Sabe-se que esta CALÇADA DE DOM GASTÃO foi alinhada em 1916 e que para além desta artéria existiu também o "LARGO DE DOM GASTÃO", já que ambos os arruamentos aparecem numa planta de 1892 referente à construção da "RUA DA MANUTENÇÃO" que antes era leito do RIO e permitia o acesso ao cais fluvial do Palácio de DOM GASTÃO.
Na parte poente desta Calçada vamos ainda encontrar no lado direito a "RUA JOSÉ ANTÓNIO LOPES" e no lado esquerdo (Já sensivelmente em terrenos da Rua de Xabregas) a "TRAVESSA DA MANUTENÇÃO" (antiga Travessa da Manutenção Militar do Estado).

Este topónimo que se perde na memória da cidade é bastante antigo, supõe-se estar ligado a um dos membros da família "COUTINHO" de nome "GASTÃO" que neste local edificou o seu Palácio.
O espaço envolvente à "CALÇADA DE DOM GASTÃO" é denominado por nomes sonantes, conforme suas épocas. "D. GASTÃO COUTINHO" senhor das "ILHAS DESERTAS" 1º Conde da TAIPA. "LUÍS CID DA SILVA E OLIVEIRA" que no início do século XVIII, era um dos senhores da "QUINTA DO GRILO". 
Nestas paragens existiu ainda "O PÁTIO DE LUÍS CID" (1724) e o "PÁTIO DO SIDE" (1738), mais tarde aparece por ligação de herdeiros "FERNÃO LEITE DE SOUSA MATOS", seu neto de nome "FERNÃO LEITE DE SOUSA" (Sargento-Mor de Lisboa em 1748 e já vivia na QUINTA do sítio do GRILO), tendo ficado como administrador da casa o mais novo "JOSÉ LEITE DE SOUSA".
Durante a maior parte do século XIX, a QUINTA DO GRILO e a casa esteve na posse de "JOÃO DE ALMADA E QUADROS" "1º CONDE e BARÃO DE TAVAREDE".
O nome da propriedade era transformado de acordo com o nome dos seus proprietários - "VILA ZENHA", depois "VILA MARIA LUÍSA", onde foi instalado um colégio privado (EXTERNATO CAMILO CASTELO BRANCO-1941) antecessor da "CASA PERSEVERANÇA" controlada pela "VOZ DO OPERÁRIO" em 1914.  No lado direito da casa estava a "ESCOLA OFICIAL Nº 20" (que já não existe em 2015), funcionando nesse espaço e nos anexos de todo o lado direito a "EKA" Palace, uma organização de artes culturais de carisma indiano, que tal como as escolas e externatos ali radicados, contribuíram para a descaracterização dos seus interiores das antigas casas nobres.

Na entrada da "VILA MARIA LUÍSA" existiram até 1978 em cima das suas colunas uns jarrões que lhe emprestavam um certo valor artístico, hoje não se sabe para onde foram , e as colunas começam lentamente a ceder, para dar lugar à passagem de viaturas.
Entre a "VILA MARIA LUÍSA" e a "CALÇADA DO GRILO" existiu o "LARGO DE D. GASTÃO", casas que pertenceram à "CASA DE DOM GASTÃO". Funciona nesse espaço no nº 42 uma oficina de carros "AUTO MECÂNICA CENTRAL DE XABREGAS, LDA", há um bom par de anos.
Atravessamos a CALÇADA para o outro lado ficando nas nossas costas a "RUA DO GRILO".  Começamos no  Inicio da CALÇADA DE DOM GASTÃO, no número 1, 3 e 3A (mesmo em frente da "CALÇADA DO GRILO") são as instalações da "DROGARIA MOREIRA" já muito antiga e nosso conhecido de outros tempos, logo a seguir uns edifício novos e uma abertura, espaço de uma demolição recente. Segue-se algumas casas de "DOM GASTÃO". No primeiro andar, com entrada pelo nº 13 funcionaram nas décadas de 40 e 50 os "SERVIÇOS-MÉDICOS SOCIAIS - FEDERAÇÃO DA CAIXA DE PREVIDÊNCIA - Posto Nº 28. No número 13-A em finais de 40 existia ali uma fábrica de refrigerantes, hoje ocupada pela firma "J. M. LDA. - ROLHAS".
O "CENTRO ESCOLAR REPUBLICANO ELIAS GARCIA" funcionou no 1º andar com entrada pelo Nº 15, que depois de 1974 era nesse mesmo espaço, uma secção do "PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS".
E chegamos propriamente dito ao que resta do antigo "PALÁCIO DE DOM GASTÃO", um prédio hoje bastante modificado, que tinha um cais para o RIO, hoje "RUA DA MANUTENÇÃO". Neste espaço está instalada desde 1975  (que lhe tem introduzido várias modificações e benfeitorias) a «COOPERATIVA DE ENSINO "OS PIONEIROS"», com entrada pela Nº 21. Nos números 21-A a 23 está instalada uma sucursal da CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS. Os CTT estão localizados no Nº 25 e a "FARMÁCIA CONCEIÇÃO" que durante muitas décadas esteve  (no outro lado da Calçada) com esquina para a RUA JOSÉ ANTÓNIO LOPES, ocupa hoje o Nº 29-B. No final desta Calçada tornejando para a "TRAVESSA DA MANUTENÇÃO" existe uma dependência do Banco "SANTANDER TOTTA" num edifício alto, novo, e de habitação.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«CALÇADA DE DOM GASTÃO [ II ]-A QUINTA LEITE DE SOUSA ( 1 )».

quarta-feira, 17 de junho de 2015

LARGO DO INTENDENTE PINA MANIQUE [ XII ]

«A FÁBRICA DE CERÂMICA VIÚVA LAMEGO( 2 )»
 Largo do Intendente Pina Manique - (2010) Foto de M.L. Bonzatti  (Pormenor de um dos lados da fachada do edifício de vendas da "VIÚVA LAMEGO" no LARGO DO INTENDENTE PINA MANIQUE   in  FLICKR
 Largo do Intendente Pina Manique - (2012) Foto de Teresa (Loja da "FÁBRICA VIÚVA LAMEGO", no LARGO DO INTENDENTE PINA MANIQUE)  in  OS MEUS ÓCULOS DO MUNDO
 Largo do Intendente Pina Manique - (2011) Foto de João Carvalho (Fachada na "AVENIDA ALMIRANTE REIS" com azulejos da FÁBRICA DE CERÂMICA DA VIÚVA LAMEGO", antigas oficinas)  in  WIKIPÉDIA
 Largo do Intendente Pina Manique - (1949) Foto de Eduardo Portugal ("LARGO DO INTENDENTE" Fábrica de Cerâmica da Viúva Lamego, com sua secção de amostras, um portão de ferro de cada extremidade e uma legenda junto ao óculo agarrada por dois azulejos alados com os dizeres "ANNO 1865") (Abre em tamanho grande)  in  AML 
Largo do Intendente Pina Manique (entre 1898 e 1908) Foto de autor não identificado - negativo em gelatina e prata em vidro - (Chaminés da antiga "FÁBRICA DE CERÃMICA VIÚVA LAMEGO"  no Intendente) (Abre em tamanho grande)  in  AML 

(CONTINUAÇÃO) -LARGO DO INTENDENTE PINA MANIQUE [ XII ]

«A FÁBRICA DE CERÂMICA VIÚVA LAMEGO ( 2 )»

Depois da morte de "ANTÓNIO COSTA LAMEGO" seu fundador, a casa passou para as mãos da sua viúva e a chamar-se "VIÚVA LAMEGO". E por qualquer fenómeno destes, que ninguém sabe explicar, toda a gente passou a identificar a fábrica e a loja com a nova dona. Sucedendo a esta um filho com o mesmo nome do pai, que veio a vender a fábrica a um cunhado, "JOÃO GARCIA JERPE", passando depois a "JOÃO AGOSTINHO DA COSTA GARCIA".
Existe actualmente uma sociedade, "FÁBRICA DE CERÂMICA VIÚVA LAMEGO, LDA.", que continua a desenvolver as seculares actividades.
Algumas mudanças sofreu, entretanto, a casa do Intendente: quando foi fundada não se limitava à superfície que hoje tem, estendendo-se os seus terrenos até às imediações do "HOSPITAL DO DESTERRO"; mas quando foi aberta a "AVENIDA DE D. AMÉLIA" ( que conhecemos nos nossos dias, pelo nome de AVENIDA ALMIRANTE REIS), fez-se a expropriação dos terrenos que confinavam com a cerca do CONVENTO DO DESTERRO mas com a sua cedência pôde alterar e beneficiar i prédio da fábrica que ficou também com frente e entrada para aquela Avenida e pelo "LARGO DO INTENDENTE". Acabou assim por ir parte da fábrica para outro local (na PALMA DE BAIXO). As instalações  do lado do "LARGO DO INTENDENTE PINA MANIQUE" são hoje apenas de exposição e venda, tendo a parte fabril mudado, onde se produz azulejos de excelente qualidade, quer industrial quer artísticos, como os que, com desenhos de VIEIRA DA SILVA, que revestem a estação de METROPOLITANO DA CIDADE UNIVERSITÁRIA.
E por este largo lá se conservam felizmente a fachada de azulejos e o local de exposição edifício da segunda metade do século XIX, no INTENDENTE. Tal aconteceu desde os tempos em que aquele largo, longe da decrepitude das décadas de 80 e 90 do século XX, era porta de saída obrigatória de LISBOA  no século XIX, para quem demandasse o Norte; dali se seguia pela actual RUA DOS ANJOS até ARROIOS e daí se chegava à ESTRADA REAL.

Decididamente, o senhor ANTÓNIO COSTA LAMEGO, marido da futura VIÚVA, não foi parar ali por acaso.

Em Abril de 2011, era outro ANTÓNIO COSTA, este presidente da C.M.L. que se mudava para o INTENDENTE, não como "OLEIRO" mas sim como "OBREIRO" estando a trabalhar num edifício reabilitado para incentivar esta zona e "dar a volta" a um dos sítios problemáticos de LISBOA.
Escrevia o Jornal "EXPRESSO" da altura, numa visita guiada ao imóvel, que integra a antiga "FÁBRICA DE CERÂMICA VIÚVA LAMEGO"; ANTÓNIO COSTA (PS) explicou que, para "reduzir custos" foi negociado com o proprietário um pagamento antecipado que já contemplasse as obras que foram necessárias. Esperançado em conseguir resolver alguns problemas no "LARGO DO INTENDENTE", embora sinta que esta é uma grande responsabilidade, tendo em conta as expectativas geradas na zona.
O LARGO DO INTENDENTE (que em tempos muito recuados, representava uma passagem obrigatória para Norte de LISBOA) vai ser quase todo "pedonalizado", ganhando esplanadas e mais árvores e os pisos térreos serão disponibilizados para comércio.[FIM]

BIBLIOGRAFIA

REFERENTE À RUA DO BENFORMOSO e LARGO DO INTENDENTE PINA MANIQUE

- ARAÚJO, Norberto - Peregrinações em LISBOA -VEGA-1993-2Edª. - LISBOA.
- DICIONÁRIO DA HISTÓRIA DE LISBOA - Dirc. Francisco Santana e Eduardo Sucena-1994 - LISBOA.
- JANEIRO, Maria João - LISBOA - Histórias e Memórias - Liv. Horizonte - 2006 - LISBOA.
- LISBOA E O AQUEDUTO - Cood. de Inês Morais Viegas e Luisa Costa Dias- Dep. de Cultura da C.M.L. - 1977 - LISBOA.
- LISBOA EM MOVIMENTO - 1850-1920 - Exposição no Pavilhão, Pátio e Jardim do Museu da Cidade - Campo Grande- Lisboa - Junº/Outº de 1944- Liv. Horizonte- LISBOA.
- LISBOA - Revista Municipal - Ano XLIV - Série - Nº 5 e 6 - 3º e 4º trim. de 1983-Ed.CML.
- NOBREZAS DE PORTUGAL E DO BRASIL - Dirc. e Cood. Dr. Afonso Eduardo Martins Zuzarte- Editora Enciclopédia, LDª. - 1960 - LISBOA.
- NORTON, José - Pina Manique . Fundador da Casa Pia de Lisboa- Bertrand Editora- 2004  LISBOA.
- O INDEPENDENTE de 12 de Junho de 1998- Reportagem de Luís Pedro Cabral.
- OLIVEIRA, Cristóvão Rodrigues de - LISBOA em 1551 - SUMÁRIO - Liv. Horizonte - 1987 LISBOA.
- PINTO, Luís Leite - Hist. do Abastecimento de Água a Lisboa-J.N.C. da Moeda - 1972-LISBOA.
- SILVA, A. Vieira da, - A CERCA FERNANDINA DE LISBOA-VOL. I e II-2ª Ed. CML-LISBOA.

INTERNET

- DO MÉDIO ORIENTE E AFINS
- GENEALL
- PATRIMÓNIO CULTURAL
- REVELARLX
- TOPONÍMIA DE LISBOA
- VELHARIAS

(PRÓXIMO)«CALÇADA DE DOM GASTÃO [ I ]-CALÇADA DE DOM GASTÃO E SEU ENQUADRAMENTO».

sábado, 13 de junho de 2015

LARGO DO INTENDENTE PINA MANIQUE [ XI ]

«A FÁBRICA DE CERÂMICA VIÚVA LAMEGO ( 1 )»
 Largo do Intendente Pina Manique - (entre 1898 e 1908) Foto de autor não identificado-em suporte negativo de gelatina e prata em vidro-(Fábrica de Cerâmica Viúva Lamego" em actividade, vendo-se muito pessoal na frente da sua loja) (Abre em tamanho grande)  in  AML 
 Largo do Intendente Pina Manique - (1961) Foto de Armando Serôdio (Revestida de azulejos policromo ao gosto da época, a FÁBRICA DA VIÚVA LAMEGO" no Largo do Intendente Pina Manique) (Abre em Tamanho grande)  in   AML 
 Largo do Intendente Pina Manique - ( 1969 ) - Foto de João H. Goulart (A FÁBRICA DE CERÂMICA VIÚVA LAMEGO no LARGO DO INTENDENTE PINA MANIQUE)  in  AML 
 Largo do Intendente Pina Manique - (2012) Foto de Diana R. Germano (Um aspecto do "LARGO DO INTENDENTE PINA MANIQUE" e balcão de vendas da "VIÚVA LAMEGO" depois das recentes obras de recuperação)  in  PANORAMIO
Largo do Intendente Pina Manique - (2012)  (O LARGO DO INTENDENTE PINA MANIQUE" a loja de vendas da "VIÚVA LAMEGO" com o largo já com as obras concluídas in  MINUBE

(CONTINUAÇÃO) - LARGO DO INTENDENTE PINA MANIQUE [ XI ]

«A FÁBRICA DE CERÂMICA VIÚVA LAMEGO ( 1 )

Ainda que a toponímia, às vezes, nos ajude (se, por exemplo, um sítio se chama "dos OLIVAIS" é porque, forçosamente, lá existiu grande conjunto de oliveiras), não se imaginam com facilidade campos de trigo em "CAMPO DE OURIQUE", nem hortaliças a crescerem na "AVENIDA DA LIBERDADE". Mas a verdade é que o «CAMPO» foi cedendo, dando lugar à "CIDADE" através das sucessivas urbanizações.

O mesmo se diga que acontece em relação à constituição de alguns solos. LISBOA não teve sempre o aspecto uniforme dado pelo negro do basalto: havia terrenos bons para cultivo, como havia outros, cuja natureza argilosa, levava à instalação de OLARIAS. 

Mais uma vez a TOPONÍMIA vem em nosso auxilio, conservando a RUA DAS OLARIAS, o LARGO DAS OLARIAS as ESCADINHAS DAS OLARIAS e o SÍTIO DAS OLARIAS, na encosta dos MONTES DA GRAÇA e de S. GENS: o solo é, naquela zona, rico em argila o que conduziu à fixação de oleiros.

Já os ROMANOS tinham descoberto o filão, mas foram os MOUROS quem muito desenvolveu os trabalhos de barro.
Sabe-se que em meados do século XVI havia 206 Oleiros em LISBOA, a maior parte dos quais se fixava entre a referida zona das OLARIAS e o BENFORMOSO, nas imediações, portanto, da freguesia a que chamavam dos ANJOS (hoje ARROIOS).

Em face destes dados, não será assim de espantar que, mesmo já em pleno século XIX, tivesse sido montada no LARGO DO INTENDENTE a mais conhecida, "FÁBRICA DE CERÂMICA DE LISBOA", aquela que ficou para a posteridade com o nome de "VIÚVA LAMEGO".

Diga-se num breve parêntese, que algumas VIÚVAS ficaram com o nome perpetuado em LISBOA, conotadas que foram com a INDUSTRIA ou COMÉRCIO: pelo menos a VIÚVA LAMEGO, VIÚVA FERRÃO e a VIÚVA REIS, estarão para a cidade, como a viúva "CLICQUOT" está para o CHAMPANHE...

Mas a casa que nos interessa, situada no LARGO DO INTENDENTE PINA MANIQUE, foi fundada ainda pelo Senhor LAMEGO, propriamente dito. De facto, ANTÓNIO COSTA LAMEGO possuía um terreno naquela localidade e ali instalou, em 1849, a sua oficina de Olaria. A casa "pegou" e, com o negócio a prosperar, pensou o bom oleiro LAMEGO em fazer revestir a sua oficina de uns vistosos azulejos que ainda lá estão a dar a cor garrida e a nota artística ao «LARGO DO INTENDENTE PINA MANIQUE» desde 1865. Já então se dedicava essencialmente ao fabrico de faianças e cerâmica artística.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DO INTENDENTE PINA MANIQUE [ XII ] A FÁBRICA DE CERÂMICA VIÚVA LAMEGO (2)»

quarta-feira, 10 de junho de 2015

LARGO DO INTENDENTE PINA MANIQUE [ X ]

«O CHAFARIZ DO INTENDENTE OU DO DESTERRO ( 2 )»
 Largo do Intendente Pina Manique -(entre 1898 e 1908) Foto de autor não identificado ( O "CHAFARIZ DO INTENDENTE" na sua construção inicial 1824 no "LARGO DO INTENDENTE") ( Abre em Tamanho grande) in  AML 
 Largo do Intendente Pina Manique (1947) Foto de Fernando Martinez Pozal ("CHAFARIZ DO INTENDENTE/DESTERRO" na "RUA DA PALMA" desde 1917)  in   AML 
 Largo do Intendente Pina Manique - (1950-10) Foto de Eduardo Portugal (O "CHAFARIZ DO INTENDENTE/DESTERRO" já colocado com frente para a "RUA DA PALMA" mas ainda sem a coroa na parte de cima do escudo e a cruz) (Abre em tamanho grande) in  AML 
 Largo do Intendente Pina - (1906) Foto de José Artur Leitão Bárcia (Local onde foi instalado depois de 1917 o "CHAFARIZ DO INTENDENTE/DESTERRO", no sítio onde estava o "LAVADOURO PÚBLICO", no lado direito podemos ver o Hospital do Desterro) in  AML 
 Largo do Intendente Pina Manique - (1951) Foto de Eduardo Portugal ("TAÇA DO INTENDENTE" um bebedouro que corria uma água sulfatada cálcica, não foi cortada porque servia para uso do gado, no entanto na década de 50 devido a eventuais infiltrações freáticas, acabou por ser desactivada) (Abre em tamanho grande)  in   AML 
Largo do Intendente Pina Manique - (1964) Foto de Arnaldo Madureira (A "TAÇA DO INTENDENTE" bebedouro público para animais, que devido a infiltrações freáticas acabou por ser desactivado)   in  AML 


(CONTINUAÇÃO)- LARGO DO INTENDENTE PINA MANIQUE [ X ]

«O CHAFARIZ DO INTENDENTE OU DO DESTERRO ( 2 )»

A fachada posterior do «CHAFARIZ DO INTENDENTE/DESTERRO» é rasgada por portal de arco abatido, com fecho saliente, "semi-entaipado" criando uma porta mais pequena de verga recta, encimada por janela rectilínea e gradeada.
A galeria que sai do "AQUEDUTO DAS ÁGUAS LIVRES" terá sido construída em 1784, no sítio da "CRUZ DAS ALMAS" estendendo-se ao CAMPO DE SANTANA que viria a abastecer este Chafariz. O encaminhamento da água para o abastecimento deste chafariz terá tido a influência de PINA MANIQUE que dirigiu uma carta ao MORDOMO-MOR da CORTE e REINO solicitando a construção de um chafariz para satisfazer as necessidades de água dos moradores da "FREGUESIA DOS ANJOS".
Existiram diversos projectos em 1810, nomeadamente dois do arquitecto "HENRIQUE GUILHERME DE OLIVEIRA" e um do arquitecto "HONORATO JOSÉ CORREIA DE MACEDO E SÁ".
O Governo terá recusado os projectos alegando que fossem mais simples e de menor despesa. HENRIQUE G. DE OLIVEIRA" executa um segundo projecto e HONORATO J. C. de M. e SÁ outro, sendo ambos novamente rejeitados. 
A feitura de um projecto conjunto de H.G. de O. e de H. J. C. de M. e SÁ, que viria a ser aceite em 1823.
Publicada a aprovação da feitura do chafariz no Diário do Governo, foi também solicitado aos cidadãos para se disponibilizarem a vender os materiais necessários para a construção do chafariz (inicialmente no LARGO DOS ANJOS) artigos tais como: bastardo, lajeado, canos abertos, canos brocados, cal em pó e areias. A provisão para a construção do chafariz orçava 8 583$200 Réis, endossado à FÁBRICA DE CERÂMICA DA VIÚVA LAMEGO, mas que acabou por ser construído no "LARGO DO INTENDENTE".
Nessa mesmo ano, a 3 de Maio aparece a suspensão da obra pelo Governo na qual já se tinha gasto  2 340$306 Réis, para logo no mês seguinte reiniciar as obras, existindo uma conduta dos sobejos de água para a HORTA DO CONVENTO DO DESTERRO.
Finalmente no dia 19 de Julho de 1824 dava-se por concluída a obra que teria o custo total de 8 862$668 réis.
Em 1917 é retirado o "CHAFARIZ DO INTENDENTE" por exigências do trânsito sobretudo da passagem de eléctricos, foi então transferido para a RUA DA PALMA antigo espaço do prolongamento de terreno da FABRICA DE CERÂMICA DA VIÚVA LAMEGO, estando a sua localização entre a "CALÇADA DO DESTERRO" e a "RUA NOVA DO DESTERRO" com frente do chafariz virada para a "RUA DA PALMA" e espreitando de longe o "LARGO DO INTENDENTE".
Em 1931  a bica que o abastecia, "BICA DO REGUEIRÃO DOS ANJOS", foi fechada por se encontrar contaminada, sendo a água desta bica desviada para o esgoto, passando a ser fornecida pela rede pública.
Na década de 90 do século XX, a coroa é reposta pela C.M.L., a fachada posterior da arca de água encontrava-se adossado a um quintal. 

TAÇA DO INTENDENTE

No "LARGO DO INTENDENTE", alimentando um bebedouro, corre uma água sulfatada calcaria que, naturalmente, não foi cortada ao público por se julgar que serve apenas para uso do gado.
Este bebedouro é uma larga Taça de pedra, de grande perímetro, ao centro da qual se eleva uma pequena coluna donde rebenta a água com uma certa força ascensional.
Por existir muita gente que se dava bem com ela para mobilizar os intestinos e melhorar as digestões o povo improvisou um dispositivo com uma cana, para se poder beber, numa concepção prática, embora primitiva, (encontra-se neste espaço uma foto bem demonstrativa).
Até cerca da década de cinquenta início de sessenta do século XX, ainda se encontrava activada. Devido a eventuais infiltrações freáticas, acabou por ser desactivada.

(CONTINUA)-(PRÓXIMA)«LARGO DO INTENDENTE PINA MANIQUE [ XI ]A FÁBRICA DE CERÂMICA VIÚVA LAMEGO ( 1 )».

sábado, 6 de junho de 2015

LARGO DO INTENDENTE PINA MANIQUE [ IX ]

«O CHAFARIZ DO INTENDENTE OU DO DESTERRO ( 1 )»
 Largo do Intendente Pina Manique - (2015)  (CHAFARIZ DO INTENDENTE/DESTERRO entre a "CALÇADA DO DESTERRO" e a "RUA NOVA DO DESTERRO" e frente para a RUA DA PALMA, com o símbolo de LISBOA em calçada à portuguesa) in GOOGLE EARTH
 Largo do Intendente Pina Manique - (2007) Fotos da SIPA (Parte superior do "CHAFARIZ DO INTENDENTE/DESTERRO" com a coroa já incluída no escudo Nacional in  MONUMENTOS
 Largo do Intendente Pina Manique - (1915) Foto de José Artur Leitão Bárcia (Nesta data o "CHAFARIZ DO INTENDENTE" ainda se encontrava localizado junto à FÁBRICA DA VIÚVA LAMEGO, depois de 1917, será deslocado para a RUA DA PALMA) (Abre em tamanho grande) in  AML
 Largo do Intendente Pina Manique - (ant. a 1917) Foto de José Artur Leitão Bárcia (O "CHAFARIZ DO INTENDENTE" ainda no LARGO DO INTENDENTE) (Abre em tamanho grande) in  AML
 Largo do Intendente Pina Manique - (ant. a 1917) Foto de José Artur Leitão Bárcia (O "CHAFARIZ DO INTENDENTE" ainda no LARGO DO INTENDENTE ( Abre em Tamanho Grande) in  AML
Largo do Intendente Pina Manique - (entre 1898 e 1908) Foto de autor não identificado (O "LARGO DO INTENDENTE" a loja de "PHOTOGRAPHIA ACHILLES & Cª.", que será substituído em 1915 por um consultório de dentista "RODRIGUES CHAVES" - cirurgião - Dentista) (Abre em tamanho grande) in  AML 

(CONTINUAÇÃO) - LARGO DO INTENDENTE PINA MANIQUE [ IX ]

«O CHAFARIZ DO INTENDENTE OU DO DESTERRO ( 1 )»

O "CHAFARIZ DO INTENDENTE" de arquitectura tardo-barroca, localizado até 1917 no "LARGO DO INTENDENTE", foi construído entre 1823 e 1824, junto à "FÁBRICA DE CERÂMICA VIÚVA LAMEGO".

Mandado erguer pelo "INTENDENTE-GERAL DA POLÍCIA" "PINA MANIQUE" quando morava neste local. Estava ligado à distribuição de águas de LISBOA, através de um ramal das ÁGUAS LIVRES, do tipo caixa de água.

Chafariz de planta rectangular simples, integrando arca de água com cobertura em terraço e as faces flanqueadas por pilastras toscano e platibanda almofadada a da face principal com o centro em ressalto e rematado por pináculos piramidais, assentes em plíntos paralelopípédicos.

Fachada principal em cantaria de calcário lioz, de espaldar tripartido defendido por estípedes almofadas, assentes em plintos paralelopipédicos, tendo sobre a plantibanda, ao centro, espaldar franqueado por enrolamentos e tendo almofada côncava contendo elemento campaniforme e fitomorfico, rematado frontão de volutas interrompido por uma, sustentando esfera armilar sobreposta por escudo com as armas de Portugal e coroa encimada por cruz.

(Com a primeira República em 1910 a coroa encimada pela cruz foi apeada ficando na posse da C.M.L.) A zona central do espaldar ostenta grande almofada quadrangular côncava contendo dois semicírculos recortados relevados centrando o florão, encimada por uma outra almofada com cartela rectangular tendo a inscrição «AGOAS LIVRES ANNO DE 1824».

Os panos laterais, seccionados em dois registos por friso, o inferior mais alto, possuem almofadas rectangulares verticais, de ângulos recortados, as inferiores à configuração das bicas circulares e salientes, que vertem para tanques semicirculares, de bordos e bases boleados, cada um deles com duas réguas metálicas para apoio do vasilhame.

Fachadas laterais e posterior em alvenaria rebocada e pintada de azul claro, percorrida por embasamento de cantaria, as laterais delimitadas por moldura rectangular e rasgadas por porta de verga recta, entaipada e janela quadrada, moldurada e gradeada.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DO INTENDENTE PINA MANIQUE [ X ]-O CHAFARIZ DO INTENDENTE OU DO DESTERRO (2)»