sábado, 19 de agosto de 2017

TRAVESSA DOS ALGARVES [ III ]

«OS REMADORES DAS GALEOTAS REAIS ( 3 )»
 Travessa dos Algarves - (Século XVIII) Desenho do artista José Ruy  -  ( A "GALEOTA REAL" de D. Maria I, que possivelmente era guardada no sitio da "Travessa dos Algarves", sendo a sua tripulação assegurada pelos "Algarves")  in HISTÓRIA DOS BARCOS PORTUGUESES
 Travessa dos Algarves - (Século XVIII) - Desenho do artista José Ruy   -  (A Galeota Real de D. Maria I, de boca aberta, tinha apenas meia ponte à ré. A popa de rara beleza e a sua Galeria moldurava o "BRASÃO DE PORTUGAL" -1)GALERIA;  2)CAMARIM;  3)MASTRO; 4)LANTERNAS)   in  HISTÓRIA DOS BARCOS PORTUGUESES
 Travessa dos Algarves - (1899)  -  ("GALEOTA REAL" a remos, também denominada como "GALEOTA D.JOÃO VI", foi construída no BRASIL em 1808)   in   WIKIPÉDIA
 Travessa dos Algarves - (1967) - Foto de Vasco Gouveia de Figueiredo  -  (O ARCO da "TRAVESSA DOS ALGARVES" na parte interna)    in    AML 
 Travessa dos Algarves - (2016)  -  (Vista de cima da "TRAVESSA DOS ALGARVES" que ligava a "RUA DA JUNQUEIRA" à "AVENIDA DA ÍNDIA")   in   GOOGLE EARTH 
Travessa dos Algarves -  (2016)  -  (A "TRAVESSA DOS ALGARVES" visto da "AVENIDA DA ÍNDIA" e os novos edifícios em construção)   in   GOOGLE EARTH


(CONTINUAÇÃO) - TRAVESSA DOS ALGARVES [ III ]

«OS REMADORES DAS GALEOTAS REAIS ( 3 )»


Estas «GALEOTAS REAIS» já não circulam com regularidade pelo "TEJO", estes e outros barcos do século XVIII, a não ser em casos muito particulares como em 1957, aquando da visita a PORTUGAL DA RAINHA ISABEL II DE INGLATERRA, que teve honras de ESTADO e pode navegar num "BERGANTIM REAL". Hoje podemos admirar esses e outros bonitos exemplares da mesma época, bem perto deste sítio de BELÉM, trata-se do "MUSEU DE MARINHA" onde actualmente se encontram em exposição barcos de várias épocas.
Voltando um pouco a trás, não nos podemos esquecer que no século XVIII o RIO TEJO chegava até ao local onde se guardavam as "GALEOTAS" e viviam ali bem perto os "ALGARVES", levando muitos anos para se completar o aterro que fez desaparecer a praia e aparecer a "AVENIDA DA ÍNDIA".

As "GALEOTAS REAIS" no final do século XVIII. As "GALEOTAS" evoluíram para embarcações do género do "AVISO" ( 1 ) ou de transporte de luxo, reservado a grandes figuras e membro da COROA.
Passaram, então, a chamar-se "BERGANTINS", nome de ilustre tradição Marítima, e primavam pela imponência dos adornos e pelo conforto.
Deixaram de ter aparelho de velas, passando a mover-se somente pela força concentrada de dezenas de remadores.
No reinado de "D.MARIA I", foi construído um "BERGANTIM REAL" manejado por cento e vinte remadores, três em cada remo.
O "BERGANTIM REAL" de "D.MARIA I foi possivelmente a "GALEOTA" por excelência. De boca aberta, tinha apenas meia ponte à ré. A popa era de rara beleza e a sua galeria moldurava o "BRASÃO DE PORTUGAL". O camarim, de elegantes vidraças, serviam de aposento régio. Todo o aparato exterior impressionava pela riqueza da talha dourada, a cor e o relevo trabalhado.
O Comandante era o Patrão-mor que seguia de pé, junto do leme.

O "BERGANTIM REAL" de "D.MARIA I" compunha-se com os dados seguintes: 1- GALERIA;  2- CAMARIM;  3-MASTRO;  4-LANTERNAS;  5-MEIA PONTE e  6-BANCOS. [FINAL].

- ( 1 ) - AVISO - Barco cuja missão era estabelecer comunicação entre os navios.

Agradecimento público: Existem duas fotos da pauta do mestre desenhador JOSÉ RUY, ao qual agradecemos, do "BERGANTIM" que nos dá uma excelente ideia da sua configuração e desempenho.

BIBLIOGRAFIA

- BELÉM - Reguengo da cidade - CML - Edições ASA -1990 - LISBOA
- BRAGA, Fernando C., - NÁUTICA - Marinhagem e Navegação para Patrão de Costa - 3ª. Ed. EDITORA DOMINGOS BARREIRA - 1980 - PORTO.
- LELLO UNIVERSAL - de JOSÉ LELLO e EDGAR LELLO - Dicionário Enciclopédico Luso-Brasileiro - 2 Volumes - 1976 - PORTO.
- NÉU, João B. M., - EM VOLTA DA TORRE DE BELÉM - Vol. II - Liv. Horizonte-1988-LISBOA.
- REIS, A. do Carmo e RUY, José, -História dos Barcos Portugueses-Edições ASA- 1989 - PORTO.

INTERNET

- AFML
- BLOGUE DE LISBOA
- PAIXÃO POR LISBOA
- TOPONÍMIA DE LISBOA 

(PRÓXIMO)«PRAÇA DE ITÁLIA [ I ]-A PRAÇA DE ITÁLIA NO ALTO DO RESTELO».

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

TRAVESSA DOS ALGARVES [ II ]

«OS REMADORES DAS GALEOTAS REAIS ( 2 )»
 Travessa dos Algarves - (2014) - Foto de Carlos Gomes  -  (Placa Toponímica  TIPO II a assinalar a "TRAVESSA DOS ALGARVES", na "RUA DA JUNQUEIRA")  in   BLOGUE DE LISBOA
 Travessa dos Algarves - (2014) -Foto de Carlos Gomes  -  ( Entrada da "TRAVESSA DOS ALGARVES" visto da "RUA DA JUNQUEIRA")  in  BLOGUE DE LISBOA
 Travessa dos Algarves - (2015)  -  (Panorâmica mais aproximada da "TRAVESSA DOS ALGARVES", existindo já algumas construções novas)   in   GOOGLE EARTH
 Travessa dos Algarves  - (2016)  -  (Entrada para a "TRAVESSA DOS ALGARVES" com frente virada para a "RUA DA JUNQUEIRA")   in   GOOGLE EARTH
 Travessa dos Algarves - (anterior a 1910) Foto de Augusto Bobone  -  ( A "GALEOTA REAL PORTUGUESA" nas margens do RIO TEJO)  in   AML 
 Travessa dos Algarves - (1967)  Foto de Vasco Gouveia de Figueiredo)  -  (A "TRAVESSA DOS ALGARVES" na parte mais para o interior, existindo um prédio para demolir)  in   AML 
Travessa dos Algarves - (1969) - Foto de Vasco Gouveia de Figueiredo  -  (Nora de Poço existente no pátio de um prédio na "TRAVESSA DOS ALGARVES" na "RUA DA JUNQUEIRA")  in   AML 


(CONTINUAÇÃO)- TRAVESSA DOS ALGARVES [ II ]

«OS REMADORES DAS BALEOTAS REAIS ( 2 )»


Aqui, na JUNQUEIRA embarcavam os "algarvios do escaler de el-Rei", conhecidos por "ALGARVES", que constituíam as equipas de "SUA MAJESTADE", que a partir do Terramoto de 1755 passou a residir na vizinha "CALÇADA DA AJUDA".
Os seus tripulantes, habitualmente de origem Algarvia, viviam numa espécie de "CASA DE MALTA". junto a palheiros e acomodações vizinhas ao Palácio do "MARQUÊS DE ANGEJA".
Os "ALGARVES", também conhecidos como "CATRAIOS", rudes e "tisnados do sol e do sal", constituíam um tipo bem definido na capital. Chamavam-se pessoas da "BEIRA-RIO" oferecendo os seus préstimos e serviços para o transporte de passageiros e carga. 
A "TRAVESSA DOS ALGARVES" terá ainda sido conhecida por outro nome. Assim, na metade do século XVIII, aparece no "livros de óbitos da AJUDA" com a referência de "TELHEIROS DOS ALGARVES". Designação dada  a um "TELHEIRO" que possivelmente por ali existia, sob o qual se abrigavam os "pobres" remadores algarvios, vulgarmente conhecidos por "ALGARVES". Embora apareça outra designação para este topónimo, pelo facto de ali serem guardados  ( na época)  os "BERGANTINS" e as "GALEOTAS REAIS". ( 1 ).
É bastante relevante a determinação da toponímia ao assinalar que existiu neste local, algum movimento de embarcações com características da época. 
Assim podemos detectar um pouco mais para nascente, dois topónimos relacionados com os nomes das embarcações da época neste local, reforçando a veracidade dos factos.
E neste lugar os remadores viviam com suas famílias, todos eles de origem "ALGARVIA", constituindo uma elite e cujo ofício era transmitido de pais para filhos. Assim, desde o século XVIII, os algarvios eram recrutados para servir na ARMADA e no ARSENAL, em virtude das suas características físicas e pela sua habilidade na arte de remar.

- ( 1 ) - GALEOTA REAL - Embarcação movida por grande número de remos, remando a cada um deles um homem e às vezes dois, era destinada, antigamente, ao serviço das pessoas reais em ocasiões de gala.

- GALEOTA - Era primitivamente um pequeno navio ligeiro e rápido, intermédio entre o "FALUCHO" e a "GALERA".  Foi empregada especialmente pelos piratas "barbarescos". Os "HOLANDESES" deram esse mesmo nome as construções de carga 50 a 300 toneladas, de fundo chato e redondas na popa e na proa.  A "enxárcia" compunha-se de um grande mastro, de um "GURUPÉS", à frente, e de um pequeno mastro atrás. Estas GALEOTAS desapareceram em finais do século XVIII.[Fonte LELLO UNIVERSAL]  

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«TRAVESSA DOS ALGARVES[ III ]-OS REMADORES DAS GALEOTAS REAIS ( 3 )».

sábado, 12 de agosto de 2017

TRAVESSA DOS ALGARVES [ I ]

«OS REMADORES DAS GALEOTAS REAIS ( 1 )»
 Travessa dos Algarves - (1856-1858)  -  (Mapa Nº. 61 de FILIPE FOLQUE zona "RUA DA JUNQUEIRA", podendo-se ver que no século XIX ainda era feita a ligação com o mar pela "praia dos Algarves" e "TRAVESSA DOS ALGARVES"  in  ATLAS DA CARTA TOPOGRÁFICA DE LISBOA
 Travessa dos Algarves - (2015)  -  (Panorâmica da "TRAVESSA DOS ALGARVES" na "RUA DA JUNQUEIRA")    in      GOOGLE EARTH
 Travessa dos Algarves - (2016)  -  (Panorâmica aproximada da "Travessa dos Algarves" com vista da "Rua da Junqueira" e ao fundo a "Avenida da Índia")  in    GOOGLE EARTH
 Travessa dos Algarves - (2014)  -  (Fachada do prédio por onde se pode entrar para a "TRAVESSA DOS ALGARVES" na "RUA DA JUNQUEIRA")    in     BLOGUE DE LISBOA
 Travessa dos Algarves  (2015) - Foto de Sérgio Dias  -  ((Entrada da "TRAVESSA DOS ALGARVES" na "RUA DA JUNQUEIRA")  in    TOPONÍMIA DE LISBOA
 Travessa soa Algarves - (1967) Foto de Vasco Gouveia de Figueiredo  -  (A "TRAVESSA DOS ALGARVES" na Rua da Junqueira, deve o seu nome a um telheiro que ai existia, sob o qual se albergavam os remadores algarvios, vulgarmente conhecidos por "ALGARVES")  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)   in        AML
Travessa dos Algarves  - (1961) - Foto de Artur João Goulart  -  (O ARCO da "TRAVESSA DOS ALGARVES", à "RUA DA JUNQUEIRA" no terceiro quartel do século vinte)   in    AML 


(INÍCIO) - TRAVESSA DOS ALGARVES [ I ]

«OS REMADORES DAS GALEOTAS REAIS ( 1 )»

A «TRAVESSA DOS ALGARVES» pertencia à freguesia de "SANTA MARIA DE BELÉM". Em consequência da "REFORMA ADMINISTRATIVA DE LISBOA DE 2012", sendo acrescentada à freguesia de "SÃO FRANCISCO XAVIER", passou a designar-se por freguesia de «BELÉM».
Começa na "RUA DA JUNQUEIRA" no número 243 e finaliza junto da "AVENIDA DA ÍNDIA".

Esta artéria inicialmente designada por "BECO" passou a "TRAVESSA" por deliberação camarária de 23 de Setembro de 1880. Presume-se que este é um topónimo alfacinha bastante antigo que se conhece para referir os tripulantes algarvios, vindos para LISBOA como possíveis trabalhadores nas embarcações, nomeadamente dos "ESCALERES" ( 1 ) e das "GALEOTAS REAIS", que neste sítio se abrigavam nas casas da "MALTA" existentes nesta área.
A "TRAVESSA DOS ALGARVES" servia de ligação entre a "AVENIDA DA ÍNDIA" (antiga praia durante vários anos, no século XIX) e a "RUA DA JUNQUEIRA", onde desemboca através de um arco aberto num pequeno edifício assemelhando-se à entrada, de um antigo "PÁTIO".
Escondida e escura, apesar de pitoresca, mantendo a antiga e serpenteada "calçada", esta serventia é referida pela primeira vez nos livros de arruamentos no ano de 1819.
Artéria desconhecida possivelmente da maior parte dos lisboetas, que em princípio era designada por "BECO DOS ALGARVES", passou despercebida nos vários "ITINERÁRIOS LISBONENSE" e "ROTEIROS DE LISBOA", publicados ao longo de século XIX, que só a mencionaram em 1881.
Esta zona da praia da "JUNQUEIRA" era chamada de "ESCALERES REAIS", em virtude de estas embarcações, juntamente com as "GALEOTAS", serem ali arrecadadas em barracões no areal, localizados no final das mais modernas; "TRAVESSA DOS ESCALERES" e "TRAVESSA DAS GALEOTAS", ou "GALEOTAS REAIS".

- ( 1 ) - ESCALERES - Pequeno barco de quilha, ordinariamente de remos ou vela, para serviço de um navio ou de uma "REPARTIÇÃO" ou "ESTAÇÃO PÚBLICA". São construídos em madeira, ferro ou alumínio. Na MARINHA, o "ESCALER" caracteriza-se pela proa pontiaguda e a popa quadrada; mas, em linguagem vulgar, o "ESCALER" é toda a pequena embarcação a remos, de passagem, de passeio ou de regata etc.. A bordo dos navios e Vapores, os "ESCALERES" são suspensos nos "turcos" (peças de ferro, que servem para suspender os "ESCALERES" na borda do navio, tendo também a função de os poder descer ou içá-los).


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«TRAVESSA DOS ALGARVES [ II ]-OS REMADORES DAS GALEOTAS REAIS ( 2 )».

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

RUA ALFREDO DA SILVA [ XX ]

«A TABAQUEIRA ( 2 ) »
 Rua Alfredo da Silva - (1927)  -  (Cartaz publicitário da inauguração de "A TABAQUEIRA". Apesar da mensagem, será morosa para a empresa a adaptação inicial ao gosto dos fumadores nacionais.  in  CAMINHO DO ORIENTE
 Rua Alfredo da Silva - (anos 50 do século XX)  -  (O "PORTUGUÊS SUAVE" será uma das primeiras marcas de cigarros mais aperfeiçoados da "A TABAQUEIRA" na época)  In  FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX
 Rua Alfredo da Silva - (Quarto quartel do século XX)  -  ( O famoso "SG" , abreviatura de SOCIEDADE GERAL, marca muito apreciada, do grupo CUF)  in  ALFREDO DA SILVA A CUF E O BARREIRO
 Rua Alfredo da Silva - (30.08.2010)-Foto de Ricardo Ferreira) - (Estátua de "ALFREDO DA SILVA esculpida por "LEOPOLDO DE ALMEIDA" inaugurada em 1965 nas novas instalações de "A TABAQUEIRA" em ALBARRAQUE (SINTRA)  in   O GRUPO CUF
Rua Alfredo da Silva -  (2010) - Foto de Ricardo Ferreira  -  (A Estátua de ALFREDO DA SILVA junto da "A TABAQUEIRA" de ALBARRAQUE, inaugurada em 1965 quando a CUF comemora 100 anos de vida)   in    O GRUPO CUF

(CONTINUAÇÃO)-RUA ALFREDO DA SILVA [ XX ]

«A TABAQUEIRA ( 2 )»

Este aspecto vai popularizar o tabaco em PORTUGAL, envolvendo um largo espectro de consumidores potenciais, para os quais os cigarros passaram a ser um bem de consumo generalizado e não um luxo das classes altas. Assim os seus produtos tornaram-se famosos tanto em termos de normalização industrial como da marca.
Quem não se recordará dos maços de tabaco sendo os primeiros os "DEFINITIVOS" e a sua concorrente lançava os maços com o nome de "PROVISÓRIOS". Já na década de 30 surgiu com nova embalagem os "DEFINITIVOS" e maior quantidade cigarros. Paralelamente, na mesma década aparece o «PORTUGUÊS SUAVE»; «SEVERAS»; «TRÊS VINTE»; «PARIS» e mais tarde o «SG» com as suas variantes: «SG» normal «SG» gigante, "filtro"  e "ventil", cujas embalagens chegaram a todo o território e a todas as casas. A estratégia de produção acompanhava a evolução social, marcando a sua presença no quotidiano, assumindo-se até entre grupos étnicos.

Unidade fabril movida por central termo-eléctrica própria, nos primeiros anos assistiu-se à introdução de um novo sistema de empacotamento à máquina, com embalagens modernas e padronizadas, segundo a experiência europeia.  A organização empresarial de "A TABAQUEIRA" foi modelar numa época em que o monopólio legal quase substituído pelo monopólio real, usando toda essa estratégia para impor-se à concorrência desleal. A "CUF" de «ALFREDO DA SILVA» foi revendedora e distribuidora dos produtos fabricados na «TABAQUEIRA». Uma boa exploração comercial garantia os resultados positivos da exploração industrial. Assim impôs-se em PORTUGAL como empresa reguladora do preço do tabaco, oposta às tendências monopolista, contribuindo para o aumento de receitas públicas.
Mas em 1946,findas essas restrições, o salto foi enorme, atingindo-se o máximo da capacidade produtiva da fábrica do POÇO DO BISPO: 1833 toneladas, em 1948.  Um outro aspecto de grande interesse na história da "TABAQUEIRA" foi o da qualidade da matéria-prima, composta por ramos de tabaco das marcas "VIRGÍNIA", "KENTUCKY", "COLONIAL" e "MARYLAND", entre outras igualmente afamadas.

Em 1957, terminou o primeiro período do regime de 30 anos concedido pelo ESTADO para a exploração da fábrica. O ESTADO, no entanto, motivado pelos exercícios, renovou a concessão por mais 25 anos, após um acordo com o GOVERNO de novas instalações e um aumento do capital social, acabaria a concessão por trinta anos. No entanto, as dificuldades foram enormes nesses últimos anos da década de cinquenta, mantendo-se a laboração no POÇO DO BISPO e iniciando-se lentamente a construção da unidade de ALBARRAQUE, no  Concelho de SINTRA. Nessa época laboravam na fábrica do POÇO DO BISPO para cima de 600 trabalhadores. A inauguração da TABAQUEIRA de ALBARRAQUE, em fins de 1962, determinou o encerramento da laboração no POÇO DO BISPO um ano depois. A nova fábrica encontrava-se equipada com o melhor maquinismo alemão da especialidade, para produzir cerca de 600 toneladas/ano, com pessoal operário bastante reduzido. Junto à nova unidade de ALBARRAQUE, a empresa veio a instalar moderníssimos serviços sociais e culturais, para além de um BAIRRO RESIDENCIAL destinado ao pessoal da firma. Em 13 de Maio de 1975 a TABAQUEIRA foi nacionalizada. A "Empresa Pública TABAQUEIRA", criada em Junho de 1976, resultou da integração numa empresa "A TABAQUEIRA, S.A.R.L.".
Em 1991, a 21 de Março, a TABAQUEIRA-Empresa Industrial de Tabaco, EP passa a SOCIEDADE ANÓNIMA, alterada em 2 de Maio de 1999 sendo a denominação "TABAQUEIRA, SA", tendo por objectivo o cultivo, a industria e o comércio de Tabacos e produtos afins.
A 28 de MAIO de 1996, são aprovados por DECRETO-LEI as condições prévias para a "reprivatização" da totalidade do capital social da TABAQUEIRA, SA., em três fases terminando a última das quais em Dezembro de 2000, através de uma OFERTA PÚBLICA DE VENDA. Terminado o processo de privatização, a empresa "PHILIP MORRIS INTERNATIONAL, INC. adquire mais de 99% do capital Social.[ FINAL ]

BIBLIOGRAFIA

- ACTAS - da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa- 1943/1974 - CML - Coordenação e Concepção da Edição- Agostinho Gomes - PAULA MACHADO - Rui Pereira e Teresa Sandra Pereira - LISBOA - 2000.
- ALFREDO DA SILVA E A CUF E O BARREIRO - Fernando Sobral - Elisabete de Sá e Agostinho Leite - Ed. Horácio Periquito - 2008 - LISBOA.
- ALFREDO DA SILVA - FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX - Júlia Leitão de Barros - Ana Filipa Silva Horta - Circulo de Leitores - 2003  - LISBOA.
- ARAÚJO, Norberto de, - PEREGRINAÇÕES EM LISBOA - Livro V - 2ºEd. VEGA - 1992 - LISBOA.
- ATLAS DA CARTA TOPOGRÁFICA DE LISBOA - Direcção de FILIPE FOLQUE - 1856-1858 - Ed. CML - 2000 - LISBOA.
- BELÉM REGUENGOS DA CIDADE - Coord. Maria do Rosário Santos Benneville - Ed. ASA- 1990 - LISBOA.
- CAMINHO DO ORIENTE - GUIA DO PATRIMÓNIO INDUSTRIAL - Deolinda Folgado e Jorge Custódio - Livros Horizonte - 1999 - LISBOA.
- CRÓNICA EM IMAGENS - 1900/1910 _ PORTUGAL SÉCULO XX - Cood. Joaquim Vieira - Círculo de Leitores - 1999 - LISBOA.
- DICIONÁRIO BOTÂNICO - João Cayolla Tierno - Ed. da TERTÚLIA EDÍPICA PORTUGUESA - 1958 - LISBOA.
- DICIONÁRIO DA HISTÓRIA DE LISBOA - Direcção de Francisco Santana e Eduardo Sucena - 1994 - LISBOA.
- DO ANTIGO SÍTIO DE XABREGAS - MÁRIO FURTADO Ed. Vega - 1997 - LISBOA.
- ELÉCTRICOS DE LISBOA - Aventuras sobre CARRIS de Cristina Ferreira Gomes - Gravida - 1994 - LISBOA.
- EM VOLTA DA TORRE DE BELÉM - EVOLUÇÃO DA ZONA OCIDENTAL DE LISBOA - João B. M. Néu - L. Horizonte - 1994 - LISBOA.
- LELLO UNIVERSAL - Dicionário Enciclopédico Luso-Brasileiro em 2 vol. - Edição Lello & Irmão - 1996 - PORTO.
 - LISBOA 125 anos sobre CARRIS - João de Azevedo - Roma Editora - 1998 - LISBOA.
 - LISBOA ANTIGA E LISBOA MODERNA - Angelina Vidal - Ed. Vega - 2ª Ed. 1994 - LISBOA. 
 - LISBOA de ALFREDO MESQUITA - P & R - 1987 - LISBOA.
 - LISBOA EM MOVIMENTO 1850-1920 - Livros Horizonte - 1994 - LISBOA.
 - LISBOA EM 1758 - Memórias Paroquiais de Lisboa - Fernando Portugal e Alfredo de Matos - Ed. da CML  - 1974 - LISBOA.
 - LISBOA POMBALINA E O ILUMINISMO - José-Augusto França - Bertrand Editora - 1987 - LISBOA.
 - OLISIPO - Boletim do Grupo Amigos de Lisboa - Nºs. 115/116 - Ano XXIX - Junho/Outubro de 1966 - LISBOA.
 - UM OLHAR SOBRE O BARREIRO - Final do século XIX - Princípio do século XX- Ed. - Augusto Pereira Valegas - Documentação cedida pela população do BARREIRO - Dezembro de 1981- BARREIRO.
 - UM OLHAR SOBRE O BARREIRO - Idem em NOVEMBRO DE 1983 - BARREIRO.

(PRÓXIMO)«TRAVESSA DOS ALGARVES [ I ] OS REMADORES DAS GALEOTAS ( 1 )». 

sábado, 5 de agosto de 2017

RUA ALFREDO DA SILVA [ XIX ]

«A TABAQUEIRA  ( 1 )»
 Rua Alfredo da Silva - (Em actividade de 1927 a 1963, na Zona Oriental de Lisboa)  -  Fachada principal de "A TABAQUEIRA" no Poço do Bispo/Braço de Prata, no LARGO DO TABACO" , antigo espaço do "CAIS DO TOTA")  in  CAMINHO DO ORIENTE
 Rua Alfredo da Silva - ( depois de 1927)  -  (A TABAQUEIRA" lança-se no mercado com uma agressiva campanha publicitária)  in    FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX
 Rua Alfredo da Silva -  (1928)  -  (Fábrica fundada por "ALFREDO DA SILVA",  "A TABAQUEIRA" produziu várias marcas, esta talvez fosse a primeira mais popular na época)  in  FOFOBIOGRAFIAS SÉCULO XX
 Rua Alfredo da Silva - (Décadas de 30 a 50 do século XX)  - (Frente do maço "DEFINITIVOS" fabricado pela "A TABAQUEIRA" na zona Oriental de Lisboa)   in  GARFADAS ON LINE
 Rua Alfredo da Silva - (Décadas de 30 a 50 do século XX)  -  (Verso do Maço de cigarros "DEFINITIVOS" fabricado pela "A TABAQUEIRA" que funcionou na Zona Oriental de LISBOA de 1927 a 1963, passou para ALBARRAQUE em 1963 e acabou em 1976 - Mais uma das Fábricas fundadas pelo Industrial "ALFREDO DA SILVA")   in  GARFADAS ON LINE
Rua Alfredo da Silva - ( 1987)  -  (Planta Aerofotogramétrica 7/8 Escala 1:2000 - Maio de 1963 - actualizada em 1987, da "A TABAQUEIRA" do Poço do Bispo)  in  CAMINHO DO ORIENTE

(CONTINUAÇÃO) - RUA ALFREDO DA SILVA [ XIX ]

«A TABAQUEIRA ( 1 )»

«A TABAQUEIRA» do "POÇO DO BISPO" como era designada na época da sua fundação, ou de "BRAÇO DE PRATA" como geralmente hoje é conhecida, surgiu numa conjuntura assaz favorável da história da Industria do TABACO em PORTUGAL.
Entre os anos de 1891 e 1926, tinha vigorado o monopólio legal do ESTADO no contrato de TABACO, que esteve entregue à COMPANHIA DOS TABACOS DE PORTUGAL em XABREGAS.
Problemas políticos, financeiros e sociais relacionados com o encerramento das fábricas desta COMPANHIA em 30 de ABRIL de 1926 - curiosamente ligado com o movimento militar do 28 de Maio desse ano  -  motivaram uma mudança de atitude do ESTADO face a tão importante negócio financeiro.
A publicação do "Decreto-Lei nº. 13587 de 11 de Maio de 1927", estabelecia as bases para o regime dos TABACOS, que determinava a liberdade de fabrico, importação e venda.
Esta era uma das Industrias que "ALFREDO DA SILVA" cobiçava,  e nesse mesmo ano após uma luta feroz, o ESTADO aceitou a existência da sua "TABAQUEIRA".

As condições estavam criadas, mas faltou algum tempo para o arrojo da iniciativa. Em primeiro lugar, a COMPANHIA UNIÃO FABRIL - CUF envolveu-se numa polémica Ministerial com a recém "COMPANHIA PORTUGUESA DE TABACOS", fundada também em 1927, ou seja, uma nova versão da antiga "COMPANHIA DOS TABACOS DE PORTUGAL" e principal subscritora das acções da nova. Apesar de não evitar as concessões do ESTADO, "ALFREDO DA SILVA" orgulhava-se de ter contribuído para o término do "MONOPÓLIO" do TABACO (21 de Junho de 1927). A derrota da proposta da CUF levou o Industrial, no entanto, a criar uma nova empresa "A TABAQUEIRA" com capitais da "SOCIEDADE GERAL DE COMÉRCIO, INDUSTRIA E TRANSPORTES, Lda. e da CASA BANCÁRIA "JOSÉ HENRIQUES TOTTA, LDA", ambas integradas no grupo CUF.
A nova Empresa registou a marca com a sigla  "Para Bem Servir" e organizou o negócio tendo como ponto de partida a Unidade Industrial do "POÇO DO BISPO".
Abria-se assim o mercado mas a porta era estreita: caberiam só dois concorrentes. Com uma concessão por 30 anos, "ALFREDO DA SILVA" era um deles, ao que parece tentando ainda entrar no capital da outra empresa.
Durante anos "ALFREDO DA SILVA" terá estabelecido um "plafond" de dividendos aos accionistas de 7% ao ano, como forma de garantir uma homogeneidade empresarial, independente. Lançou conceitos modernizados de concorrência com a COMPANHIA rival,
muito ligada aos interesses do ESTADO.
O crescimento da EMPRESA e as opções económicas implementadas vieram orientar o futuro de  "A TABAQUEIRA", durante a II GUERRA MUNDIAL.  O empresário "MANUEL DE MELO", continuador de "ALFREDO DA SILVA", integrava o GRUPO DA COMPANHIA UNIÃO FABRIL- CUF, depois da morte de "ALFREDO DA SILVA" em 1942.
Do ponto de vista fabril, os empresários de "A TABAQUEIRA" , conscientes da evolução do sector a nível internacional, investem numa completa e total mecanização de produção, cujos efeitos se materializaram na diminuição do custo do TABACO nas lojas de venda. 


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA ALFREDO DA SILVA [ XX ] -A TABAQUEIRA ( 2 )». 

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

RUA ALFREDO DA SILVA [ XVIII ]

«PALACETE NO "ALTO DE SANTA CATARINA" ( 2 )»
 Rua Alfredo da Silva - (1975) - Foto de João Carvalho  -  (Palacete onde viveu "ALFREDO DA SILVA" e desde 1996 pertence à ASSOCIAÇÃO NACIONAL DAS FARMÁCIAS, onde funciona o "MUSEU DA FARMÁCIA")  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in     WIKIPÉDIA 
 Rua Alfredo da Silva - (24.01.2017) - Foto de Maria de Lourdes  -  (Vista do Palacete do "ALTO DE SANTA CATARINA" com esquina para a "RUA MARECHAL SALDANHA" (antiga RUA DA CRUZ DE PAU), instalações desde 1996 da Associação  Nacional das Farmácias e seu "MUSEU DA FARMÁCIA")    in    AÇOR
 Rua Alfredo da Silva - (Entre 1898 e 1908) Foto de Machado & Sousa  -  (Palacete do Industrial "ALFREDO DA SILVA" no "ALTO DE SANTA CATARINA", com o pormenor de dois candeeiros de iluminação pública, suportada por estátua de bronze - possivelmente uma CARIÁTIDE)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  AML
Rua Alfredo da Silva - (1921)  -  (Foto do Industrial "ALFREDO DA SILVA" com 50 anos de idade, marcava decisivamente a filosofia e o percurso do Grupo CUF)    in   HISTÓRIA DO GRUPO


(CONTINUAÇÃO)-RUA ALFREDO DA SILVA [ XVIII ]

«PALACETE NO "ALTO DE SANTA CATARINA" ( 2 )»


O PALACETE, cuja fachada surge dividida em três panos separados por duas pilastras de cantaria e delimitados lateralmente por cunhais, também de cantaria, desenvolve-se em piso térreo e andar nobre separado por cornija, caracterizados por vão de janelas de peito aberto a um ritmo regular, o qual é interrompido pelos dois portões centrais de arco de volta perfeita no piso térreo.
A rematar o edifício temos uma cornija saliente, coroada por balaustrada, interrompida, no pano central da fachada, por frontão triangular por óculo iluminante. O jardim, local onde se erguia a antiga "IGREJA DE SANTA CATARINA", encontra-se vedado por um muro com gradeamento em ferro, no interior do qual se evidenciam altos candeeiros de bronze fundido com cariátides ( A ).

Nesta PALACETE "ALFREDO DA SILVA" e sua mulher coabitaram com a filha e genro e os netos ( tendo entretanto nascido outro rapaz, "JOSÉ MANUEL", e uma menina). "ALFREDO DA SILVA" gostava deste PALACETE da capital que lhe permitia olhar das janelas "as águas tranquilas do RIO TEJO, ver o porto e os navios ancorados". Seguiu-se na  propriedade "D. MANUEL DE MELO", genro do Industrial.

O edifício tem servido depois um pouco para tudo: lá foi, por exemplo, a redacção e serviços do "JORNAL NOVO", combativo vespertino que foi publicado depois do 25 de Abril de 1974 e teve "ARTUR PORTELA" como seu primeiro Director. 
Em 1986, funcionou ali a sede da candidatura do Professor FREITAS DO AMARAL à PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA e ainda uma fundação de carácter político. Para o Nº. 1 da "RUA MARECHAL SALDANHA" (antiga RUA DA CRUZ DE PAU") veio a "ASSOCIAÇÃO NACIONAL DAS FARMÁCIAS" que adquire o imóvel dos "MELOS" e dá nova feição ao espaço.  Em 1996 é inaugurado o "MUSEU DA FARMÁCIA".
Existe um caso curioso na Toponímia destes sítios de bairros hoje distintos: O "ALTO DE SANTA CATARINA" e a desaparecida IGREJA desta invocação ficavam na "HERDADE DE SANTA CATARINA". Mas "SANTA CATARINA" "HERDADE", não tinha nada que ver com SANTA CATARINA "IGREJA" e "MONTE"; a primeira é mais antiga, e as origens são diversas.
Antiga freguesia de "SANTA CATARINA" hoje freguesia da "MISERICÓRDIA". O quarteirão é composto de quatro arruamentos. Parte frontal, virado a SUL - Actual "RUA DE SANTA CATARINA" (antiga "Rua do Monte de Santa Catarina" ou "LARGO DE SANTA CATARINA"; A NORTE  - Actual "RUA DR. LUÍS DE ALMEIDA E ALBUQUERQUE" ( 1 ) (antiga "RUA DE BELVER" ( 2 ) , (anteriormente "RUA DO LAMBAZ" ( 3 ); a NASCENTE - Actual "RUA MARECHAL SALDANHA" (antiga "RUA DA CRUZ DE PAU) (4 ); a POENTE - Actual "TRAVESSA DE SANTA CATARINA", (antiga "Travessa do Cemitério" por ali se situar um cemitério anexo à Igreja).

- ( A ) - CARIÁTIDE - Estátua feminina que serve de suporte arquitectónico vertical.
- ( 1 ) - RUA DR. LUÍS DE ALMEIDA E ALBUQUERQUE -antigo Director do "JORNAL DO COMÉRCIO" e jornal que existiu nesta artéria entre 1853-1983, (era considerado o jornal mais antigo do país).
- ( 2 ) - BELVER - Provavelmente com origem no nome daquele Monte.
- ( 3 ) - LAMBAZ - Era a "Alcunha" que tinha "D. DIOGO DE SOUSA" na Corte, no tempo de D. João III.
- ( 4 ) - CRUZ DE PAU - Por nela ter sido implantada uma CRUZ DE MADEIRA no ALTO DE SANTA CATARINA para guiar os navegantes, que se faziam à barra do TEJO.


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA ALFREDO DA SILVA [ XIX ]-A TABAQUEIRA ( 1 )»

sábado, 29 de julho de 2017

RUA ALFREDO DA SILVA [ XVII ]

«PALACETE NO "ALTO DE SANTA CATARINA" ( 1 )»
 Rua Alfredo da Silva - ( 1996)  -  (O "PALACETE DE SANTA CATARINA" mandado construir em 1862 por José Pedro Colares Pereira, foi depois comprado pelo INDUSTRIAL "ALFREDO DA SILVA" em finais do século XIX. Pertence actualmente à Associação Nacional de Farmácias, onde funciona o "MUSEU DA FARMÁCIA")  in   FOTOBIOGRAFIAS SÉCULO XX
 Rua Alfredo da Silva - ( 191_) - Foto de Joshua Benoliel  -  (Palácio do Industrial "ALFREDO DA SILVA" no ALTO DE SANTA CATARINA)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  AML 
 Rua Alfredo da Silva - (1856-1858) Filipe Folque -  (Panorâmica da CARTA Nº. 49 de FILIPE FOLQUE vendo-se o enquadramento da IGREJA DE SANTA CATARINA)  in  ATLAS DA CARTA TOPOGRÁFICA DE LISBOA
Rua Alfredo da Silva - ( 2013 )  -  (Portão do Palacete de Santa Catarina onde residiu o Industrial "ALFREDO DA SILVA")  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   PORTUGAL 


(CONTINUAÇÃO) -RUA ALFREDO DA SILVA [ XVII ]

«PALACETE NO ALTO DE SANTA CATARINA ( 1 )»


Embora "ALFREDO DA SILVA" tivesse três esplêndidas residências; uma no MONTE ESTORIL mandada construir de raiz ao gosto da época (cerca de 1920), a de VERÃO na VILA DE SINTRA (onde faleceu) e o PALACETE datado do século XIX no "ALTO DE SANTA CATARINA" de que lhe iremos revelar alguma história.
Teve o seu início este lugar numa pequena "ERMIDA DE SANTA CATARINA", a quem o povo de LISBOA fazia devotas romagens e a "RAINHA DONA CATARINA", mulher do REI "DOM JOÃO III", pela grande devoção que teve a esta SANTA, lhe erigiu em 1557, no mesmo sítio a «IGREJA DE SANTA CATARINA DO MONTE SINAI".
Esta IGREJA passou a dar o nome ao "ALTO DE SANTA CATARINA" e à própria PARÓQUIA, (encontrando-se desde 1835, no antigo "CONVENTO DOS PAULISTAS" na "CALÇADA DO COMBRO"). Antes de  "ALTO DE SANTA CATARINA" era conhecido pelo "MONTE" ou "PICO DE BELVER".  
Neste ALTO se descobre a parte do TEJO até à barra de LISBOA e uma grande parte do OCEANO ATLÂNTICO, avistando-se juntamente as nobres vilas de : ALDEIA GALEGA (hoje  MONTIJO),  PALMELA, BARREIRO e ALMADA, com os lugares do SEIXAL, ARRENTELA, CACILHAS, PORTO BRANDÃO e TRAFARIA, formando este dilatado mapa, uma das mais deliciosas vistas, bastante frequentado por nacionais e estrangeiros. 
A IGREJA era de três naves, elevadas em colunas, magnificas na grandeza e primorosa no ornato, à qual,  deu o CABIDO DE LISBOA, o título de "PARÓQUIA" e a dita RAINHA a doou aos "LIVREIROS DA CIDADE", unidos em Irmandade da mesma SANTA.

Com o terramoto de 1755 a IGREJA ficou bastante danificada; toda a parte da Capela-Mor, Cruzeiro; Naves, Torre e frontispício ruíram, só o corpo da IGREJA ficou ileso, mas foi necessário ser arrasado para nele se fazer uma "IGREJA BARRACAL", das  maiores que teve LISBOA (na época) e seria das mais excelentes e primorosas da corte.  Destruída por um incêndio em 1835, foi finalmente demolida já totalmente em ruínas, entre 1856 e 1862.
As ruínas da IGREJA e respectivo terreno acabaram por ser vendidos, e adquiridos por "JOSÉ PEDRO COLARES PEREIRA" um industrial, proprietário da "METALÚRGICA VULCANO E COLARES", que ali mandou construir o seu PALACETE.
Foi este vendido no final do século XIX, a outro grande INDUSTRIAL, "ALFREDO DA SILVA" o  homem da "CUF-COMPANHIA UNIÃO FABRIL"


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA ALFREDO DA SILVA [ XVIII ]-PALACETE NO "ALTO DE SANTA CATARINA ( 2 )»