sábado, 1 de agosto de 2015

CALÇADA DE DOM GASTÃO [ XIII ]

«O PALÁCIO DE DOM GASTÃO OU DAS ILHAS DESERTAS ( 5 )»
 Calçada de Dom Gastão - (2015) -Foto gentilmente cedida pelo amigo RICARDO MOREIRA (Panorama do conjunto do antigo "CAIS DOS SENHORES DAS ILHAS DESERTAS", único pormenor identificável de que ali existiu um Cais)  in  ARQUIVO/APS
 Calçada de Dom Gastão - (2015) - Foto gentilmente cedida pelo amigo RICARDO MOREIRA - (No "PALÁCIO DE D. GASTÃO OU SENHORES DAS ILHAS DESERTAS" são hoje as instalações da «COOPERATIVA DE ENSINO "OS PIONEIROS"» desde 1974. Nesta parte pintada a branco funciona um lugar de hortaliça, agora com um pequeno café, só balcão sem mesas)  in  ARQUIVO/APS
 Calçada de Dom Gastão - (2015) -Foto gentilmente cedida pelo amigo RICARDO MOREIRA - ("CALÇADA DE DOM GASTÃO" no nº. 13-1.º andar funcionou nos anos 50 do século XX os SERVIÇOS-MÉDICOS SOCIAIS da FEDERAÇÃO DA CAIXA DE PREVIDÊNCIA - POSTO Nº. 28. No r/c 13-A ainda funciona a FÁBRICA DE ROLHAS de JOÃO DO ROSÁRIO POLICARPO MENDES)  in  ARQUIVO/APS

Calçada de Dom Gastão - (1998 ) Foto de António Sacchetti - (Antigo "CAIS DOS SENHORES DAS ILHAS DESERTAS" o progressivo avanço da margem do RIO, fez desaparecer uma das imagens mais marcantes - deste género - na Zona Oriental de Lisboa) in CAMINHO DO ORIENTE

 Calçada de Dom Gastão - (1998) - Foto de António Sacchetti - (Na actual "RUA DA MANUTENÇÃO" outrora CAIS de embarque da propriedade dos SENHORES DAS ILHAS DESERTAS) in  CAMINHO DO ORIENTE
 Calçada de Dom Gastão - (1968) Foto de Arnaldo Madureira - (Antigo CAIS do "PALÁCIO DE D. GASTÃO" na RUA DA MANUTENÇÃO)  in   AML 
Calçada de Dom Gastão - (1962) - Foto de Artur Goulart - (A "FEDERAÇÃO DE CAIXAS DE PREVIDÊNCIA - SERVIÇOS MÉDICOS SOCIAIS, no Palácio de "D. GASTÃO COUTINHO", o antigo POSTO Nº. 28) in  AML 

(CONTINUAÇÃO) - CALÇADA DE DOM GASTÃO [ XIII ]

«O PALÁCIO DE DOM GASTÃO OU DAS ILHAS DESERTAS ( 5 )»

"DOM GASTÃO", em 1823, lutou ao lado dos absolutistas, na "VILAFRANCADA", apoiando D. JOÃO VI, mas após a vitória de D. MIGUEL abraçou a causa liberal, pelo que teve de exilar-se no estrangeiro. Mais tarde, nas hostes do MARECHAL SALDANHA, tomou parte na fracassada expedição de BELFAST, e, sempre tenaz, prosseguiu nas campanhas que haviam de conduzir o país ao triunfo do liberalismo. Eleito deputado para as CORTES, revelou-se um orador brilhante por vezes contundente, e um acérrimo defensor da "CARTA CONSTITUCIONAL" com a "CONSTITUIÇÃO DE 1822".
Em 1836 casou-se com D. FRANCISCA DE ALMEIDA, MARQUESA DE VALADA, mas como não tivera descendentes o título passou para o irmão.
Em 1759, este PALÁCIO "Situado no GRILO na eminencia da CALÇADINHA que sobe para ele, sobre uma rocha, na parte do Sueste sobre o mar, não tem mais especialidade do que a excelente varanda para nascente que mandou fazer o principal D. FRANCISCO DE SALES, e um embarcadouro existente com sua porta no mesmo palácio. A entrada que fica a Norte na mesma Calçada que vai para o GRILO não corresponde à magnificência do novo quarto, cuja galeria cai sobre a dita varanda" ( 1 ).  
Este prelado da Patriarcal era filho de "D. GASTÃO JOSÉ (8.º SENHOR), faleceu no ano do terramoto deixando alguma obra feita. O novo quarto e o desembarcadouro com silhares em alvenaria foi mandado executar por "D. GASTÃO (10.º SENHOR), sobrinho do prelado.
Em 1864, ainda "O lado oposto à Estrada (de XABREGAS) é guarnecido por um ranque de árvores, e pelo muro que a separa do TEJO, e que vai acabar a um desembarcadoiro contíguo ao palácio..." (ARQUIVO PITORESCO, 1864, tomo VII).
O prédio do rés do chão e primeiro andar, que foi o PALÁCIO DE D. GASTÃO, ou DAS ILHAS DESERTAS, com entrada pelo Nº. 15 (no tempo do externato circunscrito por muro), nada nos oferece hoje de especial, confundindo-se na movimentada CALÇADA com o quarteirão onde se integravam as suas traseiras, na RUA DA MANUTENÇÃO, outrora RIO, os robustos silhares do CAIS e a balaustrada em alvenaria da sua varanda, são ainda, por contraste, a única nota a reter. No lado oposto à CALÇADA, à esquerda da Oficina de Automóveis, o edifício com quatro sacadas no primeiro andar, constitui parte das antigas residências dos Capelães, construídas no século XVII. 
A urbanização desta zona, que começa a tomar corpo sobretudo no último quartel do século XIX, com a criação das industrias, ao cortar propriedades, descaracterizou completamente a sua feição, cuja articulação era feita entre este Palácio da falésia e o PALÁCIO DA QUINTA DO GRILO, com um amplo terreno (depois "LARGO DE D. GASTÃO"), onde se ostentava, como núcleo, a ERMIDA DA RESTAURAÇÃO e as casas dos oficiantes.  O irmão de "D. GASTÃO PEREIRA DE SANDE", D. JOSÉ FÉLIX DA CÂMARA (1797-1879), 3.º CONDE, não quis aceitar o título. Consta-se que, por falta de herdeiros directos, o PALÁCIO terá ficado na posse da governanta, sendo proprietário do mesmo, em princípios do século XX, BENTO JOSÉ FREITAS DE ARAÚJO.
Foram vários os locatários deste secular edifício. No rés-do-chão, na parte outrora destinada às cavalariças, desde 1958 labora aí a "FÁBRICA DE ROLHAS", do senhor JOÃO DO ROSÁRIO POLICARPO MENDES. No primeiro andar esquerdo estiveram instalados o "CHELAS FUTEBOL CLUBE", ( 2 ) o POSTO CLÍNICO Nº. 28 da SEGURANÇA SOCIAL e, após o 25 de ABRIL DE 1974, uma dependência do PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS; no lado direito esteve durante longos anos um externato.
[ FINAL].

- ( 1 ) - "Memórias Paroquiais", 1759

- ( 2 ) - Fundado em 25 de Dezembro de 1911, é o antecessor do C.O.L.-Clube Oriental de Lisboa.

BIBLIOGRAFIA

- ANDRADE, Ferreira de - Palácios Reais de Lisboa - Editorial Império -LISBOA - 1949
- ARAÚJO, Norberto de - Peregrinações em Lisboa-Liv. XV - Vega-Lisboa - 1993
- ARRUDA, Luísa - Caminho do Oriente - Guia do Azulejo - Livros Horizonte-Lisboa-1988
- ATLAS DA CARTA TOPOGRÁFICA DE LISBOA - SOB A ORIENTAÇÃO DE FILIPE FOLQUE; 1856-1858 - CML - Lisboa - 2000.
- MACEDO, Pastor de - LISBOA DE LÉS A LÉS - CML- Vol. III - Lisboa 1985.
- MATOS, José Sarmento e PAULO, Jorge Ferreira - Caminho do Oriente II Liv. Horizonte- Lisboa - 1999.
- PELAS FREGUESIAS DE LISBOA - LISBOA ORIENTAL - CML - LISBOA - 1993.

(PRÓXIMO)«RUA AFONSO DOMINGUES [ I ] -A RUA AFONSO DOMINGUES»

quarta-feira, 29 de julho de 2015

CALÇADA DE DOM GASTÃO [ XII ]

«O PALÁCIO DE DOM GASTÃO OU DAS ILHAS DESERTAS ( 4 )»
 Calçada de Dom Gastão - (2015) - Foto gentilmente cedida pelo amigo RICARDO MOREIRA (Início da "CALÇADA DE D. GASTÃO" ligada à "Rua do Grilo", no número 1 a 3 a antiga drogaria já com várias décadas, no seguimento da rua junto à drogaria edifícios novos) in ARQUIVO/APS
 Calçada de Dom Gastão - (1966-07) Foto de João H. Goulart ( A "DROGARIA" no início da "CALÇADA DE DOM GASTÃO" frente para a "Calçada do Grilo")  in  AML
 Calçada de Dom Gastão - (2015) - Foto gentilmente cedida pelo amigo RICARDO MOREIRA (Parte final da "CALÇADA DE DOM GASTÃO" esquina com a "RUA JOSÉ ANTÓNIO LOPES". O prédio que se vê com péssimo aspecto e parcialmente emparedado, foi as antigas instalações - durante décadas - da "FARMÁCIA CONCEIÇÃO", hoje no lado oposto da Calçada a funcionar) in  ARQUIVO/APS
 Calçada de Dom Gastão - ( 2003) Foto de APS (Telemóvel) - (Entrada da "VILA MARIA LUÍSA" na "CALÇADA DOM GASTÃO" ao fundo o "Palácio do Grilo" na "Quinta de Leite de Sousa") in ARQUIVO/APS
 Calçada de Dom Gastão - (2005) Foto de APS - ( "CALÇADA DE DOM GASTÃO" vista do antigo "LARGO DE DOM GASTÃO", podemos identificar pelo seu gradeamento que delimitava a Calçada)  in  ARQUIVO/APS
Calçada de Dom Gastão - (1966-11) Foto de Augusto de Jesus Fernandes (Um troço da "CALÇADA DE DOM GASTÃO" no lado esquerdo o gradeamento do antigo "LARGO DE DOM GASTÃO") in AML


(CONTINUAÇÃO) - CALÇADA DE DOM GASTÃO [ XII ]

«O PALÁCIO DE DOM GASTÃO OU DAS ILHAS DESERTAS ( 4 )»

«D. GASTÃO DA CÂMARA» foi um dos conjurados de 1640, que, logo após o 1.º de DEZEMBRO de 1640, se apressou a abrir as prisões aos presos políticos.  D JOÃO IV nomeou-o governador e comandante do exército de Entre Douro e Minho, no contexto das GUERRAS DA RESTAURAÇÃO, que se prolongaram ainda durante muitos anos.
Nessa função, em 9 de Setembro de 1641, à frente das suas tropas, tomou de assalto, com êxito, os baluartes erguidos pelos Castelhanos, em PONTE DE VÁRZEA, na GALIZA.
Seguiu-se o costumado saque, ao qual a soldadesca se entregou num desvario, afrouxando a vigilância. Vinham os triunfadores carregados com os despojos de guerra, quando uma força de três mil e quatrocentos galegos carregou de improviso sobre os assaltantes, que dispersaram desordenadamente, estabelecendo-se o pânico.
D. GASTÃO teve dificuldade em aguentar a frustrante retirada que se seguiu.  A notícia causou mal estar em LISBOA e, no ano seguinte, sob pretexto de participar nas CORTES DE LISBOA, foi substituído pelo "CONDE DE CASTELO MELHOR".

"D. GASTÃO" instituiu o MORGADO DO GRILO, no ano de 1652, "D. GASTÃO COUTINHO" e sua mulher instituíram como herdeiro testamentário o sobrinho, "D. LUÍS COUTINHO DA CÂMARA", filho da irmã de D. GASTÃO, Dona FILIPA COUTINHO, e de D. FRANCISCO GONÇALVES DA CÂMARA, 6.º SENHOR DAS ILHAS DESERTAS, pedindo-lhes dessem sepultura na Ermida do GRILO.  Cumprindo a vontade dos tios, o herdeiro, D. LUÍS 7.º SENHOR DAS ILHAS DESERTAS, além de mandar fazer os dois majestosos túmulos, também mandou edificar casas defronte da Ermida para albergar os quatro capelães perpétuos incumbidos de dizer missa por alma dos instituidores, seus ascendentes e descendentes.
A Ermida de NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DA RESTAURAÇÃO, que se situava eventualmente entre a actual "VILA MARIA LUÍSA" e as "ESCADINHAS DE D. GASTÃO", tornou-se numa matriz do sítio, não só pelas muitas celebrações que propiciou aos tutelares (missas, funerais, baptizados, casamentos), como também por congregar em pia devoção os moradores e a população em geral, sugestionados ainda pela aura patriótica de que se revestia.
A Capela era administrada pelo GERAL DO CONVENTO DE S. JOÃO EVANGELISTA (BEATO), e apesar do seu grande valor histórico e patrimonial, não logrou, infelizmente, escapar à erosão do tempo - foi demolida e do seu aspecto não resta hoje memória.
A "CALÇADA DE DOM GASTÃO", logo a seguir à "RUA DE XABREGAS", é o topónimo de "D. GASTÃO DA CÂMARA COUTINHO PEREIRA DE SANDE". Aliás, tanto quanto sabemos, dos CÂMARAS COUTINHOS" que aqui residiram quatro foram os homónimos - esta prática em nomes de titulares origina, por vezes, alguma confusão -, daí que a força da graça se impusesse, tornando o PALÁCIO DE D. GASTÃO numa referência quase obrigatória desta ZONA DA CIDADE.
Além do fundador do MORGADO, D. GASTÃO  COUTINHO, temos "D. GASTÃO JOSÉ (8.º SENHOR, 1662-1736), que recebeu também pela linha materna os morgados de "Punhete" (hoje CONSTÂNCIA) e TAIPA; D. GASTÃO (10.º SENHOR),  que coabitava com a mãe o PALÁCIO DA FALÉSIA aquando do terramoto de 1755; e finalmente, o já referido D. GASTÃO DA CÂMARA COUTINHO PEREIRA DE SANDE(1794-1866), fidalgo muito titulado que desempenhou papel relevante na política do seu tempo - além do 12.º SENHOR DAS ILHAS DESERTAS, foi 1º CONDE DE TAIPA, 6.º SENHOR DE REGALADOS, 12.º MORGADO DA TAIPA, PAR DO REINO em 1826, COMENDADOR DAS ORDENS DE CRISTO e de Nª. SENHORA DA CONCEIÇÃO DE VILA VIÇOSA, DEPUTADO DA NAÇÃO, etc.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«CALÇADA DE D. GASTÃO [ XIII ]-O PALÁCIO DE D. GASTÃO OU DAS ILHAS DESERTAS ( 5 )».

sábado, 25 de julho de 2015

CALÇADA DE DOM GASTÃO [ XI ]

«O PALÁCIO DE DOM GASTÃO OU DAS ILHAS DESERTAS (3)»
 Calçada de Dom Gastão - (2015) Foto gentilmente cedida pelo amigo RICARDO MOREIRA (Imagem do antigo CAIS dos "SENHORES DAS ILHAS DESERTAS" virado para a "RUA DA MANUTENÇÃO" já com algumas alterações que descaracterizam o conjunto. O levantamento de um muro de protecção junto da balaustrada do século XVIII e os anexos com janelas, ocupando grande parte da antiga varanda)  in ARQUIVO/APS
 Calçada de Dom Gastão - ( 1998) Foto de António Sacchetti  (Restos do antigo muro de suporte da varanda sobre o CAIS, com a primitiva balaustrada setecentista)  in  CAMINHO DO ORIENTE
 Calçada de Dom Gastão - ( 2005 ) Foto de APS  (No número 15 da "CALÇADA DE D. GASTÃO" primeiro andar, funcionou "O CENTRO ESCOLAR REPUBLICANO ELIAS GARCIA" de 1908 a 1974)   in  ARQUIVO/APS
 Calçada de Dom Gastão - ( 1998 ) Foto de António Sacchetti  (Abertura no muro de suporte da varanda do PALÁCIO DOS SENHORES DAS ILHAS DESERTAS, aberto sobre o antigo CAIS, hoje "RUA DA MANUTENÇÃO")  in  CAMINHO DO ORIENTE
Calçada de Dom Gastão -  (1968) - Foto de Arnaldo Madureira   (Antigo CAIS do PALÁCIO DE D. GASTÃO" na "RUA DA MANUTENÇÃO", ainda nesta altura se podia ver a sua balaustrada setecentista com vasos sobrepostos)  in   AML 

(CONTINUAÇÃO) - CALÇADA DE DOM GASTÃO  [ XI ]

«O PALÁCIO DE DOM GASTÃO OS DAS ILHAS DESERTAS ( 3 )»

Como informação complementar de interesse histórico, diga-se que o 1.º SENHOR DAS ILHAS DESERTAS, então parte integrante da CAPITANIA DO FUNCHAL, foi "JOÃO GONÇALVES ZARCO DA CÂMARA", o celebrizado povoador da «ILHA DA MADEIRA». Mais tarde, seu neto, "SIMÃO GONÇALVES DA CÂMARA", 3.º CAPITÃO, veio a separar as ILHAS DESERTAS em senhorio autónomo a favor do filho do seu segundo casamento, "LUÍS GONÇALVES DE ATAÍDE", portanto 4.º SENHOR DAS ILHAS DESERTAS, neto pela mãe dos CONDES DE ATOUGUIA. O neto deste, o referido "FRANCISCO GONÇALVES DA CÂMARA", 6.º SENHOR, tentou  suceder   na CAPITANIA DO FUNCHAL como primeiro descendente por varonia da família, ao extinguir-se no século XVII a linha principal, a dos CONDES DA CALHETA, perdendo vários processos para a CASA CASTELO MELHOR, que veio a ser a herdeira. No entanto, e como representantes da linha varonil primogénita da descendência dos capitães do FUNCHAL, os sucessivos senhores desta CASA usaram exclusivamente as armas de CÂMARA em chefe, sem misturas, apesar de todos os outros morgados que na casa caíram.

O CAIS DOS SENHORES DAS ILHAS DESERTAS ( hoje ainda visível na RUA DA MANUTENÇÃO), uma das imagens marcantes da ZONA ORIENTAL DE LISBOA, que o progressivo avanço da margem do RIO TEJO fez desaparecer, marcada pela sucessão de variados cais de acostagem, alguns públicos outros de carácter privado, servindo as diversas casas dispostas ao longo da margem do RIO.
Os restos do CAIS DOS SENHORES DAS ILHAS DESERTAS, é uma das poucas reminiscência dessa  realidade de outrora, cuja lembrança, está bem viva nas referencias que lhe faz o "MARQUÊS DE FRONTEIRA", nas suas memórias.

Da milagrosa Imagem  de "NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DA RESTAURAÇÃO" que se venerava na sua ERMIDA DO GRILO, transcrevemos algumas partes do que foi escrito pelo "FREI AGOSTINHO DE SANTA MARIA", "SANTUÁRIO MARIANO", LISBOA, 1707.
"(...) Depois daquele memorável sábado primeiro de dez do ano de 1640 (...)  saíram vários fidalgos a render as fortalezas que à cidade de LISBOA ficavam vizinhas. Um destes foi "D. GASTÃO COUTINHO", que tinha sido um dos quarenta (...). E este fidalgo tocou ir render a fortaleza de CASCAIS, em que depois de grande trabalho (...) entrou dentro dela a dez do mesmo mês. E tratando de ir dar graças (...) foi à ermida da mesma fortaleza, em cujo altar achou uma imagem de Nª. SENHORA DO ROSÁRIO (...) à qual depois de lhe dar graças pela mercê que Deus lhe tinha feito (...) pediu favor à mesma para a continuação da começada empresa da aclamação (...) prometendo-lhe que se lhe desse bom sucesso nela lhe faria uma casa onde com mais decência fosse venerada. Feito este voto (...) tomou a imagem da Senhora do Altar (...) por prémio da vitória, (deixando em seu lugar outra que para isso mandou fazer logo), e a mandou a sua mulher D. ISABEL FERRAZ, para que a colocasse no oratório da QUINTA DO GRILO, que era de seu cunhado "FRANCISCO GONÇALVES DA CÂMARA" (...). Na referida QUINTA DO GRILO deixou sua mulher, em cujo serviço havia uma moça muito simples, mas muito devota de Nª. Senhora a quem o tempo ocultou o nome, deixando-lhe só o de ANTUNES, com que sempre entre a gente da casa era nomeada. (...) A  ela apareceu a SENHORA por repetidas vezes, e lhe mandou dissesse a "D. GASTÃO COUTINHO" lhe satisfizesse a sua promessa, edificando-lhe a casa que lhe prometera.(...) Na manhã do dia seguinte acharam a imagem sobre a cama da moça, tendo a SENHORA as contas ao pescoço e três voltas em cada braço da mesma moça. Divulgou-se o sucesso pela casa e vizinhança (...). Vieram religiosos (de Xabregas e Beato) e, em procissão levaram a SANTA IMAGEM da Câmara em que a moça dormia para o oratório das casas, (...) e ali repetidas vezes a  viram suar, e fazer muitas maravilhas porque deu vista a cegos, sarou coxos e aleijados e deu saúde a muitos enfermos que vinham em romaria (...) untando-se com azeite de sua lâmpada voltavam livres das enfermidades. (...) Adoeceu a moça ANTUNES gravemente em princípios do ano de 1643 (...) e pouco antes da sua última hora mandou dizer a D. GASTÃO COUTINHO que se não queria edificar (...) a casa que prometera, tornasse a levar a imagem à mesma parte de onde a tirara (...). Quis logo dar princípio e vendo-se perplexo na escolha do sítio (...) se sentiu um tremor de terra e se viram milagrosamente abertas umas covas que mostravam ser os alicerces da nova casa (...) em que hoje se vê a ermida (...) que então era no quintal daquelas mesmas casas e quintal do GRILO. (...). Continuou a obra com tanto fervor e cuidado que a SENHORA se colocou na sua ermida do dia de S. JOÃO BAPTISTA do ano de 1644, levando-a do oratório em processão as mesmas comunidades (...). No ano de 1652 instituíram D. GASTÃO COUTINHO e sua mulher (...) em Morgado (...) e dispuseram em seus testamentos que depois de mortos lhe dessem sepultura à vista desta mesma SENHORA, onde seu sobrinho lhe mandou lavrar dois majestosos túmulos de ricos mármores com elefante epitáfios e armas de sua nobreza. (...)".

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«CALÇADA DE DOM GASTÃO [ XII ] O PALÁCIO DE DOM GASTÃO OU DAS ILHAS DESERTAS (4)».

quarta-feira, 22 de julho de 2015

CALÇADA DE DOM GASTÃO [ X ]

«O PALÁCIO DE DOM GASTÃO OU DAS ILHAS DESERTAS ( 2 )»
 Calçada de Dom Gastão - (2005) Foto de APS (Uma vista das casas de "D. Gastão senhor das Ilhas Desertas", na Calçada de D. Gastão  in  ARQUIVO/APS
 Calçada de Dom Gastão - (2005) Foto de APS  - (A "Calçada de Dom Gastão" uma vista das casas e anexos junto do "Palácio de Dom Gastão senhor das Ilhas Desertas")  in  ARQUIVO/APS
 Calçada de Dom Gastão - (2005) Foto de APS  - ( O antigo CAIS e Varanda de balaustrada Setecentista, já com os anexos escolares, local onde se desfrutava uma vista panorâmica para o RIO TEJO)  in   ARQUIVO/APS
 Calçada de Dom Gastão - (2015) - Foto gentilmente cedida pelo amigo Ricardo Moreira (A "CALÇADA DE DOM GASTÃO" ao fundo no lado esquerdo "Os Pioneiros", no antigo Palácio dos Senhores das Ilhas Desertas)  in   ARQUIVO/APS
Calçada de Dom Gastão - (1967) Foto de João H. Goulart - (O final da "Calçada de Dom Gastão" no lado esquerdo a Farmácia Conceição" e um pouco mais à frente a entrada da "VILA MARIA LUÍSA")  in  AML 


(CONTINUAÇÃO) - CALÇADA DE DOM GASTÃO [ X ]

«O PALÁCIO DE DOM GASTÃO OU DAS ILHAS DESERTAS ( 2 )»

Quanto ao conjunto edificado se as dúvidas são imensa, o mesmo se passa quanto à estrutura das duas propriedades de cada lado da «CALÇADA».
Sabemos que a "CONDESSA DE ATOUGUIA" integrou em 1519 no morgado "as casas então junto de Xabregas do penedo". Sabemos que esse Morgado, no século XVIII, estava na posse de FRANCISCO GONÇALVES DA CÂMARA E ATAÍDE, 6.º SENHOR DAS ILHAS DESERTAS, casado com "D. FILIPA COUTINHO", irmã de "D. GASTÃO COUTINHO", fundador da ERMIDA de NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DA RESTAURAÇÃO, e criador com sua mulher, D. ISABEL FERRAZ, do morgado do GRILO que tinha por cabeça essa mesma capela. Sabemos, por outros documentos, que os terrenos da pedreira para erguer o adro da capela e as casas fronteiras para os capelães foram adquiridas em 1656, pela referida D. ISABEL ao vizinho ANTÓNIO DE OLIVEIRA DE AZEVEDO, senhor da Quinta, depois dos "LEITE DE SOUSA", parecendo, pois, que D. GASTÃO fundou a Capela em terrenos diversos daqueles que possuía seu cunhado, o referido FRANCISCO DA CÂMARA. No entanto, FREI AGOSTINHO DE SANTA MARIA afirma no Século XVIII, - { VER TEXTO NO PRÓXIMO CAPITULO [ XI ] } - que a Capela foi fundada no tal  penedo do Morgado de VAQUEIROS, lançando alguma confusão sobre a conjugação das várias propriedades em questão.
Parece, todavia, pouco provável que D. GASTÃO pudesse instituir um vínculo num terreno propriedade do cunhado, o qual, por variada informação, sabemos que viveu com ele em permanente litígio. Só o eventual aparecimento do arquivo desta casa poderia resolver esta complexa embrulhada, que definitivamente perdeu sentido uma vez que "D. LUÍS GONÇALVES DA CÂMARA COUTINHO", 7.º SENHOR DAS ILHAS DESERTAS, foi o único herdeiro do pai e do tio materno, reunindo numa só as diversas propriedades dos dois lados da via pública.
O elemento mais importante deste conjunto era, sem dúvida, a grande CAPELA, jazigo durante dois séculos de todos os membros desta família. As constantes visitas régias e as diversas cerimónias nela desenroladas, sobretudo a festa da padroeira a 2 de Julho, fizeram época nos anais lisboetas, acentuando o relevo de se tratar de um dos poucos monumentos vivos à RESTAURAÇÃO DE 1640, sempre lembradas nas bandeiras expostas que "D. GASTÃO COUTINHO ganhara nas suas campanhas militares. Deste interessante monumento nada resta, não deixando de constituir um enigma como é que ela desapareceu sem deixar traços na documentação, já que até ao presente nada foi encontrado. As bandeiras e o enorme túmulo de mármore de D. GASTÃO COUTINHO, um dos quarenta do 1.º de Dezembro - que tanto impressionou o Marquês de FRONTEIRA que nesta Capela casou em 1821 - , mais a devota imagem de NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DA RESTAURAÇÃO sumiram-se para sempre na poeira de uma memória colectiva infelizmente muito pouco interessada em cuidar de si. 

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«CALÇADA DE DOM GASTÃO [ XI ]-O PALÁCIO DE D. GASTÃO OU DAS ILHAS DESERTAS ( 3 )»

domingo, 19 de julho de 2015

UM MILHÃO DE VISITAS

«UM MILHÃO DE VISITAS»
 Ao completar UM MILHÃO de visitantes desde 2008, quero agradecer a todos que tiveram a amabilidade de visitar esta página, desejando felicidades e um bem-hajam!
By completing a million visitors since 2008, I want to thank all those who were kind enough to visit this page, wishing luck and happiness.


RUAS DE LISBOA COM ALGUMA HISTÓRIA  -  2007 a  2015.

sábado, 18 de julho de 2015

CALÇADA DE DOM GASTÃO [ IX ]

«O PALÁCIO DE DOM GASTÃO OU DAS ILHAS DESERTAS ( 1 )»
 Calçada de Dom Gastão - (1856-1858)- Filipe Folque (Neste pormenor do Mapa de Filipe Folque, podemos verificar que o Rio Tejo banhava a propriedade de D. Gastão, por isso, na época, existia um Cais com um terraço de varanda com balaustrada setecentista) in ATLAS DA CARTA TOPOGRÁFICA DE LISBOA
 Calçada de Dom Gastão - (meados do século XIX) - Foto publicada na História de Portugal de Pinheiro Chagas - (D. GASTÃO DA CÂMARA COUTINHO PEREIRA DE SANDE 1.º Conde da TAIPA, 13.º senhor das "ILHAS DESERTAS" 1795-1866) in  CAMINHO DO ORIENTE
 Calçada de Dom Gastão - ( 191_) Foto de Alberto Carlos Lima  ("Escadinhas de Dom Gastão" nesta altura já bastante transformada, ero o elo de ligação entre a CALÇADA e a ILHA DO GRILO, antes de ser aberta a CALÇADA DO GRILO)  in  AML 
 Calçada de Dom Gastão - (1970) Foto de João H. Goulart  (A "CALÇADA DE DOM GASTÃO", vendo-se no nosso lado direito o antigo "LARGO DE DOM GASTÃO", os edifícios mandados construir pela família de "Gastão Coutinho" e a oficina que ainda se mantém a laborar durante décadas) in   AML 
 Calçada de Dom Gastão (1998) - Foto de António Saccnhetti  (Antigo "LARGO DE DOM GASTÃO", estas casas foram renovadas no século XVIII. Ao fundo uma das antigas casas com quatro sacadas no piso nobre, tendo o edifício  seguinte sido transformado em armazém. A construção de topo é um acrescento posterior, erguendo em parte sobre o traçado original da antiga via pública, hoje "ESCADINHAS DE DOM GASTÃO") in  CAMINHO DO ORIENTE 
Calçada de Dom Gastão - (2015) Foto gentilmente cedida pelo amigo Ricardo Moreira (O antigo Palácio de Dom Gastão senhor das Ilhas Desertas, o edifício de cor tijolo, onde funciona desde 1974 a «Cooperativa de Ensino "Os Pioneiros"», tendo realizado obras de manutenção no edifício) in ARQUIVO/APS

(CONTINUAÇÃO) - CALÇADA DE DOM GASTÃO [ IX ]

«O PALÁCIO DE DOM GASTÃO OU DAS ILHAS DESERTAS ( 1 )»

O conjunto palaciano que outrora constituiu uma das mais celebres residências aristocratas de LISBOA,  não é fácil apurar com exactidão perante a confusão estabelecida de construções que hoje se ergue dos dois lados da «CALÇADA DE DOM GASTÃO».
Torna-se necessário um esforço para tentar discernir no meio de tanta desarrumação a estrutura primitiva de edificações, já de si múltiplas, que compunham esta residência com dependências dispostas dos dois lados da via pública.

Mas será bom recorrer à carta de FILIPE FOLQUE de (1856-1858), traçada ainda em vida do CONDE DA TAIPA, 13.º SENHOR DAS ILHAS DESERTAS, falecido em 1866.
Do lado nascente sobre o rio, ergue-se isolado um conjunto compacto de construções, que englobava a desaparecida CAPELA - infelizmente não sinalizada -  e onde se destaca a celebre varanda sobre o RIO, hoje atafulhada de anexos escolares. Essa varanda debruçava-se directamente sobre o cais - renovado em finais do século XVIII - constituindo-se o conjunto como que uma ilha solitária projectada sobre o RIO, funcionando aliás, como uma espécie de metáfora das "ILHAS DESERTAS" de que os proprietários eram senhores.

Da banda do poente da RUA, entre "ESCADINHAS DE DOM GASTÃO" e a "CALÇADA DO GRILO", encontra-se uma série de quatro casas justapostas - renovadas no século XVIII pelo principal "D. FRANCISCO DE SALES DA CÂMARA" que nela residiu - originariamente destinadas aos capelães da ermida fundada por D. GASTÃO COUTINHO, hoje adulteradas pela junção de outras construções laterais oitocentistas.

Qualquer destes conjuntos fronteiros se encontram recuados em relação à via pública, hoje dela separados por gradeamentos que os isolam. No entanto, como se percebe da referida carta, anteriormente formavam um logradouro comum, espécie de pátio nobre da casa, citado em vária documentação como "LARGO DE DOM GASTÃO". Da parte nascente, o palácio propriamente dito, mais a grande CAPELA anexa com acesso pela rua, sabemos que já de si devia ser bastante complexo, dada as constantes obras acrescentadas que a documentação refere.
Com algum esforço, ainda se pode isolar um pequeno torreão quadrado, talvez o elemento mais antigo, além do grande corpo rectangular adossado que fecha a Norte a referida varanda sobre o CAIS, construção da iniciativa de "D. GASTÃO DA CÂMARA COUTINHO", 8.º SENHOR DAS ILHAS DESERTAS.

Quanto à fachada sobre a RUA é bastante simples, modesta mesmo, parecendo esconder do passado a exuberância de um conjunto palaciano que só visto do RIO revelava toda a sua vaidade e riqueza, num efeito de surpresa tão ao gosto barroco que não deixa, também, de insinuar um certo culto pelo secretismo intimista sensível na tradição palaciana lisboeta.  


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«CALÇADA DE DOM GASTÃO [ X ] PALÁCIO DE D. GASTÃO OU DAS ILHAS DESERTAS ( 2 )»

quarta-feira, 15 de julho de 2015

CALÇADA DE DOM GASTÃO [ VIII ]

«O CENTRO ESCOLAR REPUBLICANO ELIAS GARCIA»
 Calçada de Dom Gastão - (2005 ) Foto de APS  (Neste primeiro andar com entrada pelo Nº. 15 desta Calçada de D. Gastão, funcionou "O CENTRO ESCOLAR REPUBLICANO ELIAS GARCIA", desde 1908-1974)  in  ARQUIVO/APS
 Calçada de Dom Gastão - (2005) - Foto de APS - ("O CENTRO ESCOLAR REPUBLICANO ELIAS GARCIA" esteve nesta CALÇADA DE DOM GASTÃO de 1908 a 1974, com entrada pelo Nº. 15)  in   ARQUIVO/APS 
 Calçada de Dom Gastão - (Século XIX) - O "Centro Escolar Republicano Elias Garcia" esteve instalado neste Palácio de D. Gastão Senhor das Ilhas Desertas até Abril de 1974) in CASARIO DO GINJAL
 Calçada de Dom Gastão - ( Século XIX) - Foto de Joshua Benoliel (A figura de José Elias Garcia provavelmente na década de 60 do século XIX) in  WIKIPÉDIA - AML
Calçada de Dom Gastão - ( Século XIX ) - (Selo do Centro Escolar Republicano Elias Garcia, a organização estava instalada na Calçada de D. Gastão, 15-1º nas casas dos senhores das Ilhas Desertas)  in  MUSEU VIRTUAL - PATRIMÓNIO EDUCATIVO DO CENTRO ESCOLAR REPUBLICANO


CONTINUAÇÃO - CALÇADA DE DOM GASTÃO [ VIII ]

«O CENTRO ESCOLAR REPUBLICANO ELIAS GARCIA»

Nesta "CALÇADA DE DOM GASTÃO" no número 15 primeiro andar,  casas do antigo Palácio dos Senhores das Ilhas Desertas ou Palácio de D. Gastão, funcionou o «CENTRO ESCOLAR REPUBLICANO ELIAS GARCIA», Colectividade de instrução liberal foi uma entre muitas que frutificaram na CAPITAL  e um pouco por todo o país, antes e depois do 5 de Outubro de 1910. Teve a sua génese na "ASSOCIAÇÃO PROPAGANDA DE INSTRUÇÃO E BENEFICÊNCIA "JOSÉ ELIAS GARCIA" ( 1 ), existente no início do século XX. Sem fins lucrativos, regia-se apenas pelos princípios da liberdade e da REPÚBLICA - propaganda dos ideais republicanos e democráticos, difusão da instrução pelos seus associados e promoção de palestras sobre temas políticos - , mantendo com instituições similares estreitos laços de solidariedade. 
Teve como sócio fundador, em 20 de Abril de 1908, "ARTUR DA COSTA LEMA GRIJÓ", JOSÉ FERNANDES COELHO" e "EDUARDO FURTADO".
A DIRECÇÃO eleita anualmente em Assembleia Geral pelos sócios efectivos - os não efectivos apenas pagavam quota, enquanto mantinham os filhos ou pupilos a estudar - , reuniam com regularidade para tratar de assuntos correntes de gestão, ficando todas as matérias exaradas em acta.
O quadro do pessoal docente comportava duas professoras, (uma delas, a que leccionava a 3.ª e 4.ª Classe, era a Directora) e uma auxiliar para a classe infantil.
As escolas liberais conheceram o seu período áureo durante a PRIMEIRA REPÚBLICA, sendo com frequência obsequiadas com a visita de membros do governo por ocasião de  exames ou celebrações. Beneficiavam então de apoio do ESTADO, da CÂMARA MUNICIPAL e das JUNTAS DE FREGUESIAS. Após a DITADURA MILITAR e com o advento do ESTADO NOVO, todas estas escolas, embora toleradas, tiveram de se submeter aos ditames do novo regime, como a adopção de livro único, MOCIDADE PORTUGUESA e até um preâmbulo aos alunos sobre o 28 de Maio ou o aniversário da investida de SALAZAR, quando para tanto a tutela oficiava. Um rude golpe foi também a lei que introduziu a separação de sexos, não só por contrariar o ideário  defendido por estas instituições, como também por as obrigar a alterar de raiz a respectiva orgânica.
De então para cá lutou este Centro com dificuldades acrescidas ( 2 ), já que implantado num meio fabril de gente modesta, a sua manutenção dependia em boa parte do contributo de entidades públicas e privadas. De entre os muitos beneméritos, são de destacar o "interesse e a simpatia" sempre manifestados pelo próprio senhorio, "BENTO JOSÉ DE FREITAS ARAÚJO", o INDUSTRIAL FRANCISCO GRANDELLA, que foi um grande impulsionador das ESCOLAS LIBERAIS, e o médico, estadista, escritor e jornalista Dr. MANUEL DE BRITO CAMACHO, (1862-1934), com o seu legado a todos os "CENTROS OU CLUBES REPUBLICANOS DE LISBOA (...) QUE SUSTENTAREM UMA ESCOLA".
Por ocasião do seu 62.º aniversário, em 1970 apenas com 43 alunos, sendo já visível a sua decadência restavam então, sete congéneres em LISBOA. 
Fechou definitivamente as suas portas depois do 25 de Abril de 1974, culminando décadas de luta tenaz em prol de uma pedagogia livre e democrática.
Em 1994, o senhor "JOÃO MENDES" que, entretanto passara de inquilino a proprietário, acabou por adquirir o edifício, incluindo todos os pertences do extinto "CENTRO ESCOLAR" ( 3 ).

- ( 1 ) - JOSÉ ELIAS GARCIA nasceu em Cacilhas, ALMADA a 30 de Dezembro de 1830 e faleceu no dia 21 de Junho de 1891.[ALMANAQUE REPUBLICANO, 14.12.2006].

- ( 2 ) - Em 31 de Julho de 1934, a Junta de Freguesia do Beato oficiava a cancelar o pagamento da sua quota de 20$00 mensais.

- ( 3 ) - Caderneta Predial do 1.º Bairro Fiscal, art.º 326 que corresponde ao artigo 773

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«CALÇADA DE DOM GASTÃO [ IX ]O PALÁCIO DE D. GASTÃO OU DAS ILHAS DESERTAS ( 1 )».