Sábado, 18 de Maio de 2013

RUA DO AÇÚCAR [ IV ]

 Rua do Açúcar - (1835) (Pormenor da "Carta das Linhas da Fortificação de Lisboa - 1835 - Vendo-se a Estrada de Marvila e a via junto ao rio, hoje "Rua do Açúcar" até ao "Poço do Bispo", dominado ainda pela grande quinta dos "Condes de Valadares". O Palácio da Mitra, junto ao rio, e o Convento de Marvila", as Quintas dos Marialvas, e dos Abrantes na antiga Estrada de Marvila) in CAMINHO DO ORIENTE
 Rua do Açúcar - (1992/3) Foto de Filipe Jorge (A margem direita do "RIO TEJO", junto da "ZONA ORIENTAL DE LISBOA", que nesta altura ainda mantinha grande quantidade de armazéns) in LISBOA VISTA DO CÉU
 Rua do Açúcar - (2007) (Da "Rua Capitão Leitão" para sul, toda a propriedade pertencia aos MARIALVAS, incluindo nela estavam as Fábricas dos Fósforos e Borracha) in GOOGLE EARTH
Rua do Açúcar - (2010) Barragon (Panorâmica abrangendo a "Quinta da Mitra". A norte os edifícios construídos pela Fábrica de Cortiça depois Asilo, separado pela "rua Capitão Leitão" as antigas instalações da "Sociedade Nacional de Fósforos", contíguo a antiga "Fábrica da Borracha Luso-Belga". Do nosso lado direito podemos ver um troço da "Avenida Infante D. Henrique", e seguindo para a esquerda encontramos a "Rua do Açúcar") in SKYSCRAPERCITY  

(CONTINUAÇÃO) - RUA DO AÇÚCAR [ IV ]

«A RUA DO AÇÚCAR E SEU ENQUADRAMENTO ( 4 )

Quanto do Lote ( 7 ) pertencerá então também já à «CASA MARIALVA», pois a partir de 1762 dez anos depois deste desenho, os livros de Registos da Décima são bem explícitos sobre a posse pelos Marqueses de Marialva; "de todos os terrenos à beira da Estrada para o "Poço do Bispo" a partir da "Quinta das Murtas" até à "Quinta da Mitra".
Possivelmente, e a fazer fé neste desenho de memória, o único enclave dentro dos vários lotes reunidos pelos «MARIALVAS» seria o referente ao ( 5 ), citado na legenda como "Quinta defronte da Cruz ao sair da azinhaga das fontes". A Cruz citada é a das "VEIGAS" de que falaremos ao tratar sumariamente do troço inicial da "ESTRADA DE MARVILA".
Refira-se, ainda, o lote ( 10 ), à direita de quem sobe a "RUA DE MARVILA", chamado então a "QUINTA DO ROCHA", cuja casa, apesar de em bastante mau estado, se encontra ainda quase intacta, como o seu pátio, escada exterior com alpendre e varanda. Particularizemos em seguida, cada um destes conjuntos, resultante do emparcelamento da enorme quinta original da "MITRA DE LISBOA".

A ESTRADA DE MARVILA
O troço inicial da "ESTRADA DE MARVILA" merece uma referência específica.
A partir da "ILHA DO GRILO", inicia-se a «ESTRADA DE MARVILA», também chamada no século XIX, como consta na carta de FILIPE FOLQUE, «RUA DIREITA DOS ANANÁSES». Este troço estendia-se até à "AZINHAGA DA FONTE", hoje dita dos "ALFINETES", onde a estrada se passava a chamar «RUA DIREITA DE MARVILA», por se iniciar aí um núcleo urbano. Para poente subiam duas azinhagas de ligação para o interior - a "da BRUXA" e a das "VEIGAS", e para nascente, sobre o rio, a depois chamada "CALÇADA DO DUQUE DE LAFÕES". Antes de chegar à "AZINHAGA DAS FONTES", abre-se hoje um espaço amplo, no qual abriam os portões da antiga «SOCIEDADE NACIONAL DOS SABÕES», e onde outrora existia um CRUZEIRO, talvez de Sinalização Fluvial, chamado a «CRUZ DAS VEIGAS». Em frente abria-se a homónima "Azinhaga das Veigas", dando acesso à "Grande Quinta" também do mesmo nome, onde hoje está instalada a «CASA DE SÃO VICENTE», Instituição de Caridade.
No século XVII, vamos assistir à construção de diversas Quintas em MARVILA, geralmente propriedades de nobres que ali instavam as suas casas de campo para descansar do búlicio da cidade.
A «QUINTA DO BRAÇO DE PRATA» também é dessa época e tem uma história curiosa.
Em 1638, o fidalgo «ANTÓNIO DE SOUSA DE MENESES» perdeu o braço direito numa batalha contra os HOLANDESES no BRASIL. Regressado a PORTUGAL, mandou colocar um braço de prata. A sua Quinta, perto do "POÇO DO BISPO" (actual Quinta da Matinha) cedo tomou aquela designação, mais tarde adoptada pela "Estação do Caminho de Ferro".
Mais uma curiosidade, esta relacionada com a população Moura ou Moçárabe na zona de MARVILA, nos séculos XIII e XIV, e na Panasqueira (freguesia dos Olivais) até ao século XV. Isto foi encontrado em Documentação proveniente dos Cartórios das Corporações Religiosas e conservadas na Torre do Tombo.
As terras dos MOUROS tinham sido doadas à MITRA, mas nem todos abandonaram a região, se bem que alguns tivessem mesmo sido obrigados a permanecer, porque foram feitos escravos.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DO AÇÚCAR [ V ] «A QUINTA DAS MURTAS». 

Quarta-feira, 15 de Maio de 2013

RUA DO AÇÚCAR [ III ]

 Rua do Açúcar - MAPA DOS FOROS DE MARVILA (1752) - (Instituto de Arquivos Nacionais/Torre do Tombo-Arquivo da Casa de Abrantes-Morgado do Esporão Nº 194, Doc. 4045). Esta planta desenhada à mão é acompanhada pela seguinte legenda: - 1)Palácio e Quinta de Marvila; - 2)Casas defronte do jardim; - 3)Courela defronte do pátio; - 4)Três moradas de casas na "Rua Direita de Marvila"; - 5) Quinta defronte da Cruz ao sair da azinhaga das Fontes; - 6)Vinha (separada da Quinta de Marvila) chamada de Calçada; - 7)Casas na "Rua de São Bento dos Loios" para Marvila; - 8)Quinta e Palácio dos Marqueses de Marialva; - 9)Luís da Costa Campos; - 10)José da Rocha de Vasconcelos; - 11)Padre Estêvão Pissola(casas); - 12)João de Oliveira; - 13)Padre Gabriel da Silva; - 14)Francisco Tinoco; - 15)Luís da Costa; - 16)José Teixeira da Silva; - 17)Doutor Miguel de Araújo; - 18)Quinta do Bettencourt; -19)Convento Nossa Senhora da Conceição de Marvila; - 20)Quinta das Murtas. "A"-Azinhaga das Fontes (depois) Azinhaga dos Alfinetes - "B" - Estrada chamada de São Bento para Marvila e antiga para Sacavém; - "C" - Estrada para o (BEATO?), (Rua Direita do Açúcar) actual "RUA DO AÇÚCAR". in CAMINHO DO ORIENTE
 Rua do Açúcar - (2007) (Panorama da "Quinta de Marvila" podemos observar quase na sua totalidade. A direita o Convento de Santa Brígida, baptizado conforme o desejo de Brígida de Santo António, com o nome de "Nossa Senhora da Conceição", e ainda a doca do "Poço do Bispo") in GOOGLE EARTH
 Rua do Açúcar - (2007) - (Panorama da "Quinta de Marvila", vendo-se a "Quinta da Mitra" a do "Bettencourt" à direita, na parte esquerda a "MITRA" a "Quinta dos Marqueses de Marialva" in GOOGLE EARTH
Rua do Açúcar - (2007) - (Panorama da "Quinta da Mitra o Palácio e seus Jardins" entre a ferrovia e a "Rua do Açúcar") in GOOGLE EARTH

(CONTINUAÇÃO) - RUA DO AÇÚCAR [ III ]

«A RUA DO AÇÚCAR E SEU ENQUADRAMENTO ( 3 )»

Do lado norte dessa azinhaga e estendendo-se entre o rio e o "Vale Formoso de Baixo", ficava a quinta que foi dos "CONDES DE LINHARES", depois dos de "VALADARES", inicialmente conhecida também por quinta do Morgado de "MARVILA", apesar de estar fora dos terrenos abrangidos pelas propriedades episcopal. Mais tarde, talvez para evitar confusões, generaliza-se a designação de «QUINTA DO CONDE DE VALADARES» ao "POÇO DO BISPO".
Dispomos de um desenho tosco, (que iremos fazer acompanhar este post), trata-se de um documento feito à mão e datado de 1752, da subdivisão em foros de todos os terrenos da «QUINTA DE MARVILA», então propriedade de raiz do Morgado do ESPORÃO, e que acompanha como explicação o auto de posse do referido Morgado por "MANUEL RAFAEL DE TÁVORA", em nome do filho, o "CONDE DE VILA NOVA, então menor.
Este documento precioso, pois embora tosco é o mapa mais antigo desta zona, elucida-nos sobre a divisão da propriedade, permitindo identificar com mais ou menos precisão, algumas quintas hoje profundamente transformadas. Vamos olhá-lo com alguma atenção, seguindo a legenda que o acompanha, e identificando as parcelas da grande propriedade de «MARVILA» que mais directamente nos interessam.

MAPA DOS FOROS DE MARVILA - 1752

Começando por uma leitura global, individualizemos as principais vias desenhadas.
A nascente junto ao rio, corre o caminho ribeirinho, aqui chamado "ESTRADA PARA O BEATO". Entronca ele no "POÇO DO BISPO", que por lapso se designa por "BEATO", onde começa a subir a "RUA DE MARVILA", que atravessa em arco o desenho, como eixo central de toda a propriedade, aqui dita "ESTRADA chamada de SÃO BENTO para MARVILA e antiga para SACAVÉM". Dela nasceu para poente duas azinhagas a das "FONTES" (depois  ALFINETES)e outra não nomeada, hoje "RUA JOSÉ DO PATROCÍNIO", ambas cruzando-se a poente na então "ESTRADA NOVA DO FUNDÃO". Entre estas vias, isola-se uma vasta parcela de terreno, com o número ( 1 ), e designada por "QUINTA GRANDE", correspondendo à propriedade principal, então do referido " CONDE DE VILA NOVA", depois «MARQUÊS DE ABRANTES». Mas é o espaço a nascente entre a referida "RUA  DE MARVILA" e a "RUA DO AÇÚCAR" que especialmente nos interessa.
Aqui encontramos as seguintes parcelas, referentes a quintas que adiante iremos apreciar. Partindo da fronteira do "BEATO", e devidamente identificadas na legenda, encontramos: com o (Nº 20) a "QUINTA DAS MURTAS", com o (Nº 8) a do "MARQUÊS DE MARIALVA", com o seu Palácio bem desenhado sobre a "RUA DE MARVILA".
A este segue-se a propriedade aforada à «MITRA», não numerada, onde se ergue o Palácio desse nome, vizinho do lote (Nº3), referido como "Courela em frente ao palácio", ou seja uma parcela ainda então na posse directa do senhorio. Depois, o (Nº18) corresponde ao lote do "BETTENCOURT", terminando por fim num cone imperfeito com o (Nº19), onde então já se achava construído o «CONVENTO DAS BRÍGIDAS DE MARVILA». Alguma confusão se levanta com os números (7) e (9), apresentados respectivamente na legenda como "casas na Rua de São Bento e foro de Luís da Costa Campos", sem mais especificações. Estamos em crer que o (Nº9) corresponderá à chamada "QUINTINHA", já então na posse da "CASA DE MARIALVA", que a adquiriu e, 1717 a um tal "REBELO DE CAMPOS", nome que o autor do desenho possivelmente se deve ter confundido no primeiro apelido, transformando o "REBELO" em "COSTA"

(CONTINUA) - (PRÓXIMO)-«RUA DO AÇÚCAR [ IV ]- A RUA DO AÇÚCAR E SEU ENQUADRAMENTO ( 4 )»

Sábado, 11 de Maio de 2013

RUA DO AÇÚCAR [ II ]

 Rua do Açúcar - (2007) - (Panorama do percurso mais a norte da "Quinta de Marvila". O Lote do Convento,  do Bettencourt e a "Vila Pereira" integrado neste último lote) in GOOGLE EARTH 
 Rua do Açúcar - (1867) Gravura em madeira de J. Pedrodo (A "Quinta de Marvila" dos Condes de Valadares, ao Poço do Bispo, publicada no Álbum das Gravuras em Madeira) in ARQUIVO/APS
 Rua do Açúcar - (1835) - (Pormenor da "Carta das linhas de fortificação de Lisboa"(1835), sendo bem visível o traçado antigo da "Estrada de Marvila" e a via junto ao rio, hoje "Rua do Açúcar" até ao "Poço do Bispo") in CAMINHO DO ORIENTE
Rua do Açúcar - (anos 50 do séc. XX) (Foto de autor não identificado) (Lavadouro Municipal na "Rua Direita de Marvila" onde se encontra o histórico "Poço do Bispo") in   ANTIGA FREGUESIA DOS OLIVAIS

(CONTINUAÇÃO) - RUA DO AÇÚCAR [ II ]

«A RUA DO AÇÚCAR E SEU ENQUADRAMENTO ( 2 )»

Sobre o «PALÁCIO DOS MARQUESES DE ABRANTES» cabeça original desta imensa propriedade  já naquela época "as casas e assento da dita Quinta" , pormenorizar-se-á a evolução do senhorio desta propriedade, transformada em foro perpétuo no século XVI, que foi inicialmente dos senhores de «PANCAS» e mais tarde integrada no «MORGADO DO ESPORÃO», que veio a cair por herança na grande casa de "VILA NOVA DE PORTIMÃO/ABRANTES".
Aqui interessa sobretudo traçar os contornos genéricos que o termo abrangia e perceber-lhe a evolução, quer da subdivisão da propriedade, quer da evolução viária.
Uma das informações contidas nessa descrição de 1495 é a ausência de qualquer referência a uma via pública ribeirinha, afirmando-se que entre o "Mosteiro de São Bento" e o "Poço do Bispo" a quinta segue "a par com o mar". A estrada que vai da cidade é então só uma, aquela que ainda hoje conhecemos como a "ESTRADA DE MARVILA".
Pergunta-se então quando terá sido batido o caminho pela praia até ao "POÇO DO BISPO", da nossa actual "RUA DO AÇÚCAR"? "Ralph Delgado", no seu importante estudo sobre os OLIVAIS, em cuja freguesia de MARVILA se encontrava integrada desde a sua criação , em 1398, afirma que em 1573, «D. INÊS DE NORONHA», viúva de « JOÃO DA COSTA». senhor de «PANCAS», renovou o plano dos aforamentos de toda a quinta, falando-se de uma «QUINTA NOVA», exactamente com serventia já pelo caminho ribeirinho. Ou seja, poderá admitir-se que entre 1495 e 1573, essa nova via foi sendo consolidada ao longo da praia, impondo naturalmente uma utilização diversa da propriedade que a bordejava em toda a sua extensão, alteração essa administrativamente consagrada na última data referida.
Se ligarmos esta informação a outra já atrás reunida, podemos de facto começar a afirmar com segurança, apesar da ausência de documentação explícita, que a via ribeirinha, foi ganhando consistência ao longo do século XVI, aliás no seguimento da franca aproximação da margem do rio detectada em toda a cidade.
Quanto aos limites genéricos abrangidos então pelo termo «MARVILA», são eles bem claros na documentação: "o muro norte do "Convento de São Bento, ( o BEATOe o "Poço do Bispo", que iremos agora localizar com mais precisão.
O POÇO dito do BISPO dada a sua localização na propriedade episcopal, situava-se no término da mesma, quase na base da rampa da actual «RUA DIREITA DE MARVILA». Junto existia uma pequena azinhaga de ligação à praia, cujo traçado deveria corresponder aproximadamente à parte plana da actual «RUA ZÓFIMO PEDROSO» - de certo está muito mais larga - constituindo uma espécie de limite norte da "QUINTA DOS ARCEBISPOS".
Para cima a via passava a chamar-se o "Vale Formoso", bifurcado em duas direcções; o de "CIMA" e o de "BAIXO".
O topónimo «POÇO DO BISPO», logo estendido à vizinha azinhaga, depressa se autonomizou, passando com o tempo a denominar a parte junto ao rio e o seu prolongamento para Norte, distinguindo-se com nitidez da parte antiga mais acima, junto do velho caminho, que manteve o nome "MARVILA", depois reforçado pela construção do «CONVENTO DAS BRÍGIDAS».

(CONTINUA) - (PRÓXIMO)-«RUA DO AÇÚCAR [ III ] -A RUA DO AÇÚCAR E SEU ENQUADRAMENTO (3)».    

Quarta-feira, 8 de Maio de 2013

RUA DO AÇÚCAR [ I ]

 Rua do Açúcar - (2013) Desenho adaptado da "Rua do Açúcar" e seu enquadramento - Sem Escala - APS - LEGENDA -1)Rua do açúcar - 2)Quinta da Mitra - 3)Palácio da Mitra - 4)Fábrica de Cortiça na Mitra e outras actividades - 5)Quinta e Palácio dos Marialvas - 6)Quinta das Murtas - 7)A Quintinha - 8)Fábrica de Borracha Luso-Belga - 9)Companhia Portuguesa de Fósforos-Sociedade Nacional de Fósforos - 10)Quinta do Bettencourt - 11)Vila Pereira - 12)Convento de Nossa Senhora da Conceição de Marvila - 13)Quinta e Palácio do Marquês de Abrantes - 14)Quinta Grande depois Quinta do Marquês de Abrantes - 15)Linha de Cintura de Lisboa (Marvila-Alcântara Terra) - 16)Linha do Norte (Santa Apolónia-Porto) in ARQUIVO/APS  
 Rua do Açúcar - (1835) (Pormenor da Carta das linhas de fortificação de Lisboa - 1835 - sendo visível o traçado antigo da Estrada de Marvila e a via junto ao rio, hoje "Rua do Açúcar". Podem ver ainda como pontos de referencia o "Palácio da Mitra", junto ao Rio, e o Convento de Marvila, a as Quintas dos Marqueses de Abrantes e Marialva, na Rua de Marvila) in CAMINHO DO ORIENTE
 Rua do Açúcar - (Desenho possivelmente do séc. XVI, gravura do séc. XIX de Pedroso) O lugar da sede dos Olivais, antes do seu aproveitamento. De notar que, nesta altura, Sacavém, numa curva do Tejo, era visível do sítio do templo) in  A ANTIGA FREGUESIA DOS OLIVAIS
Rua do Açúcar - (2008) (Foto de Microsof Virtual Earth) (Panorâmica de uma grande parte da "QUINTA DE MARVILA" no cimo podemos ver o antigo "Palácio dos Marqueses de Abrantes", A "Quinta da Mitra" na ponta esquerda, a "Vila Pereira", o Lote do Bettencourt e o "Convento de Marvila") in SKYSCRAPERCITY


RUA DO AÇÚCAR [ I ]

«A RUA DO AÇÚCAR E SEU ENQUADRAMENTO ( 1 )»


A «RUA DO AÇÚCAR» pertence à freguesia de «MARVILA», começa na «PRAÇA DAVID LEANDRO DA SILVA»( ao Poço do Bispo) e termina na «RUA DO BEATO».
Com data da deliberação Camarária de 18.05.1889 e Edital de 08.06.1889, sabe-se que este topónimo cuja data de atribuição se desconhece, mas que provavelmente a partir do século XVIII, já era denominação de «RUA DIREITA DO AÇÚCAR» e parece estar relacionada com uma "FÁBRICA DE AÇÚCAR REFINADO", que existia na "QUINTA DO BETTENCOURT" a qual foi explorada pelo súbito inglês e homem de negócios «CHRISTIAN SMITH» até ao ano de 1782.
No anos de 1752 também aparece no «MAPA DOS FOROS DE MARVILA» a designação desta artéria como «ESTRADA PARA O BEATO».
A «RUA DO AÇÚCAR» é atravessada próximo do "Poço do Bispo" pela «RUA PEREIRA HENRIQUES» e são-lhe convergentes no sentido norte para sul, no lado direito o «BECO DA MITRA», «RUA CAPITÃO LEITÃO», «RUA JOSÉ DOMINGOS BERREIRO» e «RUA AMIGOS DE LISBOA». No lado esquerdo é convergente a «RUA ACÁCIO BARREIRO».

A QUINTA DE MARVILA
O nome de «MARVILA», juntamente com o de «XABREGAS» e «CHELAS», constituem os topónimos mais antigos da Zona Oriental de Lisboa.
Logo após a conquista de LISBOA, "DOM AFONSO HENRIQUES" doou à "MITRA DE LISBOA" "todas as rendas e terras de Marvila que possuíam as Mesquitas dos Mouros", ( 1 ) partilhando logo no ano seguinte o bispo metade da propriedade com o "CABIDO", angariando-se assim a base de sustentação da mais alta estrutura eclesiástica de LISBOA.
Sabendo nós que o Vale de Chelas pertencia em grande parte às antigas freguesias colegiadas de Lisboa, sem que se conheça neste caso qualquer doação, talvez se possa colocar a hipótese de o acto de 1149 não ser mais que a confirmação de uma situação preexistente, lançando alguma luz sobre a orgânica social e administrativa milenar da cidade de LISBOA.
Os limites de MARVILA - sobretudo os da "QUINTA DOS ARCEBISPOS" - são bem conhecidos, definidos com precisão e, 1495, no contrato de emprazamento que o arcebispo "D.JORGE DA COSTA", o célebre CARDEAL de «ALPEDRINHA», fez à sua irmã, "D. CATARINA DE ALBUQUERQUE", de toda a propriedade, assim constituída: "Uma Quinta que se chama de Marvila, que está além do Mosteiro de São Bento (...), a qual parte com o mar, desde o "Poço do Bispo" até ao dito Mosteiro(...), vindo pelo muro do dito Mosteiro ter à Estrada que vai da cidade, e atravessando a dita Estrada, partindo com vinhas do Cabido (...), indo ter à cerca dos currais e palheiros que estão junto com as casas e assento da dita Quinta (...) cerrando onde primeiro começou, ficando o dito "Poço do Bispo" dentro das ditas divisões. 

( 1 ) - Cunha, Rodrigues da - História Eclesiástica da Igreja de Lisboa-Lisboa 1642 pp 69 e seguintes.

(CONTINUA) - (PRÓXIMO) - «RUA DO AÇÚCAR [ II ] - A RUA DO AÇÚCAR E SEU ENQUADRAMENTO ( 2 )».

Sábado, 4 de Maio de 2013

RUA DE DONA ESTEFÂNIA [ XXI ]

 Rua de dona Estefânia - (2012) (Entrada da "Academia Militar" na parte Norte do "Palácio da Bemposta", no início da "Rua de dona Estefânia" lado Sul) in GOOGLE EARTH
 Rua de dona Estefânia - (2012) (A "Academia Militar" no "Palácio da Bemposta" com uma entrada pela "Rua de dona Estefânia") in GOOGLE EARTH 
 Rua de dona Estefânia - (2010) (Terrenos da "Quinta da Bemposta" do antigo "Palácio da Bemposta" ou "Paço da Rainha", hoje campos de treino da "Academia Militar" in MÁRIO MARZAGRÃO ALFACINHA
 Rua de dona Estefânia - (1960) (Palácio da Bemposta - "Academia Militar". Painel de azulejos com cenas militares na parede do átrio, autor da obra "Jorge Colaço" datados de 1918) in AFML
Rua de dona Estefânia - (entre 1938 a 1959) Foto de Augusto Bobone (A "Escola do Exército" no "Palácio da Bemposta" no "Largo do Paço da Rainha" in  AFML 

(CONTINUAÇÃO) - RUA DE DONA ESTEFÂNIA [ XXI ]

«A ACADEMIA MILITAR ( 2 )»

O segundo período vai de 1863 a 1890. "SÁ DA BANDEIRA" tinha sido nomeado seu director em 1851, manteve-se no cargo até 1863, e passou a "Comandante" até à sua morte, em 1876, salvo nos períodos em que desempenhou as funções de "Ministro" ou "Secretário de Estado".
Em 1860 quando Ministro, efectuou nessa qualidade a reorganização da "ESCOLA DO EXÉRCITO", que a prestigiou, embora acabando por não poder acompanhar os rápidos progressos da ciência e da técnica militar então percorridos.
No terceiro período, de 1890 a 1910, procedeu-se em 1891 a nova reorganização, pretendendo elevar o nível cientifico dos candidatos a oficiais.
Passou a existir mais cursos de "Administração Militar", e o "Corpo de Alunos", incorporando todos os alunos militares a funcionar nela o internato a partir de 1901. Nesse mesmo ano foi levantada na antiga cerca do "PAÇO DA RAINHA" as edificações necessárias, cujas obras estiveram a cargo do Engº RENATO BAPTISTA.
Com a implantação da REPÚBLICA, o nome da "ESCOLA DO EXÉRCITO" mudou para "ESCOLA DE GUERRA".
Foi profunda a remodelação, devido ao aparecimento no Exército, de oficiais milicianos e à necessidade de preparar os de carreira para bem os enquadrarem e lhes servirem de exemplo, suprimindo-se o curso de "Engenharia Civil", por se ter criado em LISBOA o "INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO" e dividindo-se o curso de ARTILHARIA nos de "ARTILHARIA DE CAMPANHA" e "ARTILHARIA A PÉ".
Durante este período houve necessidade em 1916, com a entrada de PORTUGAL na 1.ª Grande Guerra Mundial (1914-1918), da reorganização de cursos reduzidos, com a duração de cinco meses de frequência efectiva e um mês para exames. A população escolar chegou a ser superior a setecentos alunos, esforço extraordinário só possível à notável acção de comando do General «JOSÉ ESTÊVÃO DE MORAIS SARMENTO". Findo o conflito, a "ESCOLA DE GUERRA" mudou de nome mais uma vez, chamando-se «ESCOLA MILITAR» de 1919 a 1938.
Aumentou a duração dos cursos para melhor se efectuar a educação militar dos alunos.
Pela reorganização de 25 de Outubro de 1926 o curso de "Estado-Maior", em vez de ministrado na "Escola Militar", passou a sê-lo na "ESCOLA CENTRAL DE OFICIAIS", então criada e acabou a existência de dois cursos de ARTILHARIA, embora um complementar, para permitir a alguns artilheiros a obtenção do diploma de engenheiro fabril.
O Decreto-Lei nº 30874, de Novembro de 1940, reorganizou a "ESCOLA MILITAR", novamente designada "ESCOLA DO EXÉRCITO". Foi criada, pela primeira vez o curso de "AERONÁUTICA", e parte do curso de "ENGENHARIA MILITAR".
Pela primeira vez também puderam ser admitidos à matricula sargentos do quadro permanente, com menos de 27 anos, que mais se distinguissem. Por Decreto-Lei nº.35 189, de 24 de Novº de 1945, foi autorizado também o ingresso aos oficiais milicianos com prolongamento permanente nas fileiras e revelada vocação militar.
Os cursos preparatórios foram integrados nos planos de ensino da "ACADEMIA MILITAR", criaram-se novos cursos, como o de "TRANSMISSÕES" para o Exército, o de Engenharia Aeronáutica para a Força Aérea e o de Engenharia Mecânica para o Exército e eventualmente para a Força Aérea, sendo eliminado o curso complementar de Artilharia.
Para a execução desta  reforma, além do "PALÁCIO DA BEMPOSTA", a «ACADEMIA MILITAR» necessitou de dispor também do aquartelamento do «ANTIGO BATALHÃO DE ENGENHOS» na AMADORA, onde passaram a funcionar os cursos preparatórios e o 1º. ano do CURSO GERAL DAS ARMAS. Nestas bases funcionou a "ACADEMIA MILITAR" até ao 25 de Abril de 1974. Actualmente a «ACADEMIA MILITAR» da "QUINTA DA BEMPOSTA" é comandada por um oficial general, estando directamente dependente do "CHEFE DO ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO".      [ FINAL ]

BIBLIOGRAFIA

ARAÚJO, Norberto de - Peregrinações em Lisboa- Vega - 2ª Ed. livro IV-1992-Lisboa
ATLAS da Carta Topográfica de Lisboa- sob a Direcção de Filipe Folque:1856-1858-CML
DIÁRIO ILUSTRADO - Ed. de 25 de Julho de 1877
DICIONÁRIO da História de Lisboa-(Dirc.Francisco Santana e Eduardo Sucena-1994
FACTOS E FIGURAS DA HISTÓRIA DE PORTUGAL-Coord. Mafalda P.Almeida-1998-Lx.
HOSPITAIS Civis de Lisboa-Hist. do Azulejo(Veloso, A.J.Barros)-Col. Hist. Arte-1996-Lx.
LISBOA-Rev. Municipal Nº 17-1986 Ed. CML-Repartição de Acção Cultural- Lisboa
MARTINS, Rocha-Lisboa de Ontem e de Hoje-Ed. ENP-1945 - Lisboa
NOBREZA de Port. e do Brasil-A.Zuquete-Ed.Enciclopédia -1960 Lisboa
OLHARES DE PEDRA-Estátuas Portuguesas-Ed.João F. Mendes - 2004 - Lisboa
SARAIVA, José Antº. - O Palácio de Belém. Ed. Inquérito - 1985 - Lisboa
VIDAL, Angelina - Lisboa Antiga e Lisboa Moderna- Vega-2ª. Ed. 1994 - Lisboa

INTERNET



(PRÓXIMO)«RUA DO AÇÚCAR [ I ] A RUA DO AÇÚCAR E SEU ENQUADRAMENTO(1)»   

Quarta-feira, 1 de Maio de 2013

RUA DE DONA ESTEFÂNIA [ XX ]

 Rua de dona Estefânia - (2012) (Uma das entradas da "Academia Militar" na "Rua de dona Estefânia" nos terrenos da "Quinta da Bemposta") in GOOGLE EARTH
 Rua de dona Estefânia - (2007) (Panorâmica da "Academia Militar" junto da "Rua de dona Estefânia" na "Quinta da Bemposta") in GOOGLE EARTH
 Rua de dona Estefânia - (2011) Foto de Mário Marzagão (Baixo relevo do Brasão de Armas da "Academia Militar" instalada no "Palácio da Bemposta" e seus jardins) in MÁRIO MARZAGÃO ALFACINHA
 Rua de dona Estefânia - (2010) Foto de Mário Marzagão  (Pormenor de um interior da "Academia Militar" onde estão colocados vários painéis de azulejos com motivos da 1ª Guerra 1914-1918, da autoria de "Jorge Colaço" este representando a Cavalaria, datado de 1918. Ao lado um vitral com as insígnias da "Ordem Militar de Santiago e Espada") in MÁRIO MARZAGÃO ALFACINHA
Rua de dona Estefânia - (entre 1940 e 1959) Foto de António Passaporte (A "Academia Militar" no "Palácio da Bemposta" também conhecido por "Escola do Exército" até 1959) in AFML 

(CONTINUAÇÃO) - RUA DE DONA ESTEFÂNIA [ XX ]

«A ACADEMIA MILITAR ( 1 )»

A «ACADEMIA MILITAR» encontra-se instalada desde o ano de 1851 no «PALÁCIO DA BEMPOSTA», o «PAÇO DA RAINHA» «D. CATARINA DE BRAGANÇA» filha de «D. JOÃO IV» e casada com «CARLOS II» de INGLATERRA. Ali habitou o Príncipe Regente «D. JOÃO» e, depois da partida deste para o BRASIL, lá se instalou o "Quartel-General" da Divisão do general DELABORDE, Governador Militar de Lisboa durante a 1ª Invasão Francesa. Voltou a ser residência real após o regresso do BRASIL,  de «D. JOÃO VI» e nele viveu também «D. PEDRO», Regente do Reino em  nome de sua filha «D. MARIA II».
A «ACADEMIA MILITAR» é um estabelecimento de ensino superior militar destinado a formar oficiais do quadro permanente do EXÉRCITO e, mais tarde, da "FORÇA AÉREA", sucedendo nessa missão a vários outros.
A sua história remonta ao século XVII e conhecendo outras designações: «ACADEMIA REAL DE FORTIFICAÇÃO, ARTILHARIA e DESENHO (1641), fundada no contexto da «GUERRA DA RESTAURAÇÃO»; «ESCOLA MILITAR» de 1837 a 1910; «ESCOLA DE GUERRA» de 1911 a 1919; «ESCOLA MILITAR» de 1919 a 1938; «ESCOLA DO EXÉRCITO» de 1938 a 1959 e finalmente de «ACADEMIA MILITAR» desde 1959 até aos dias de hoje no mesmo local, na «QUINTA DA BEMPOSTA»(Paço da Rainha), embora com um "POLO" na cidade da «AMADORA».
Das reformas operadas na instituição durante várias anos, realçamos a do «VISCONDE DE SÁ DA BANDEIRA» "BERNARDO DE SÁ NOGUEIRA DE FIGUEIREDO", iniciado no ano de 1834 que transformou a «ACADEMIA REAL DE FORTIFICAÇÃO, ARTILHARIA E DESENHO» em «ESCOLA  DO EXÉRCITO».
As "Invasões Francesas" terão eventualmente perturbado o seu funcionamento, interrompido de 1809 a 1811 e depois no ano lectivo de 1833-1834, durante as «LUTAS LIBERAIS».
Havia necessidade de uma reforma radical, reclamada por professores e alunos, em 1837.
Assim , pelo Decreto de 12 de Janeiro de 1837 por «DONA MARIA II», sendo o "Ministro dos Negócios da Guerra", o "1.º MARQUÊS de SÁ DA BANDEIRA», que deu lugar à criação d«ESCOLA DO EXÉRCITO».
Podemos distinguir três períodos na vida da «ESCOLA DO EXÉRCITO»: o primeiro, de 1937 a 1862, em que se ministravam cursos de «ESTADO-MAIOR», de «ENGENHARIA MILITAR» e de «ARTILHARIA», o de «INFANTARIA» e «CAVALARIA», além dos destinados a Engenheiros civis. Indício seguro do aparecimento da «ESCOLA DO EXÉRCITO», em vez de criação, ter representado profunda reforma do ensino superior militar, já antes existente, foi o de ela se manter nas instalações da «ACADEMIA REAL DE FORTIFICAÇÃO, ARTILHARIA E DESENHO» até um grande incêndio, em 1843, ter obrigado a transferi-la para "Rilhafoles", onde funcionava o «COLÉGIO MILITAR». Um mês depois, passou para uma propriedade no «PÁTIO PIMENTA» e, em Julho de 1844, para os terrenos onde hoje se encontra o «HOSPITAL DE SANTO ANTÓNIO DOS CAPUCHOS».
Finalmente, em 1851, instalou-se no «PALÁCIO DA BEMPOSTA» onde se mantém até hoje.
A 8 de Julho de 1853 o Palácio e a Quinta passaram a ser partilhados com o «INSTITUTO-GERAL» e a «ESCOLA REGIONAL DE AGRICULTURA», mas, verificando-se graves prejuízos para os exercícios de campo, vieram estes a abandoná-los em 1866, transferindo-se para a «TAPADA DA AJUDA». 
Em 1861, «D. PEDRO V» cedeu cerca de metade da área da "Quinta da Bemposta" para construção do «HOSPITAL DE DONA ESTEFÂNIA», iniciada em 1865, além dos Quartéis Municipais do «CABEÇO DE BOLA» e da «BELA VISTA», bem como para algumas ruas, circundantes,  das quais destacamos a «RUA DA ESCOLA DO EXÉRCITO» e a «RUA DE DONA ESTEFÂNIA».

(CONTINUA) - (PRÓXIMO)«RUA DE DONA ESTEFÂNIA [ XXI ] -A ACADEMIA MILITAR (2)»  

Sábado, 27 de Abril de 2013

RUA DE DONA ESTEFÂNIA [ XIX ]

 Rua de dona Estefânia - (2010) Foto de autor não identificado (O "Paço Real da Bemposta" no "Largo do Paço da Rainha" nos números 21-31) in  CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA
 Rua de dona Estefânia - (2010) Foto de autor não identificado (A Capela no "Paço da Bemposta" dedicada a "Nossa Senhora da Conceição", no seu comprimento abrem-se seis capelas lateralmente) in SIPA
 Rua de dona Estefânia - (2010) Foto de Mário Marzagão ("Capela da Bemposta". No altar-mor uma tela representando a padroeira da autoria do pintor italiano "José Troni". Em plano inferior a família Real - pintada segundo alguns autores mais tarde, pelo pintor inglês "F. Hichey". No tecto uma pintura em moldura oval com o tema da Virgem, sendo o autor "Pedro Alexandrino de Carvalho" in MÁRIO MARZAGÃO ALFACINHA
 Rua de dona Estefânia - (Início do século XX) Foto de Joshua Benoliel ("Palácio da Bemposta" Capela e fachada principal no "Largo do Paço da Rainha") (Esta foto abre em tamanho grande) in AFML
 Rua de dona Estefânia - (Início do século XX) Foto de Joshua Benoliel (O "Palácio da Bemposta", Capela e fachada vista de outro ângulo, no "Largo do Paço da Rainha") in AFML 
Rua de dona Estefânia - (1949) Estúdios Mário Novais - (O "Palácio da Bemposta" onde está instalada a "Academia Militar" in  AFML

(CONTINUAÇÃO) - RUA DE DONA ESTEFÂNIA [ XIX ]

«O PAÇO E CAPELA DA BEMPOSTA»

A «RAINHA D. CATARINA» regressou a PORTUGAL em 1693, depois de ter atravessado a FRANÇA , ESPANHA e finalmente entra em território português, onde visita várias cidades.
À sua espera encontrava-se o Rei (seu irmão) «D. PEDRO II» que a encaminhou para o "PALÁCIO DE ALCÂNTARA».
Mudou-se depois para o "PALÁCIO DOS CONDES DE REDONDO" a "SANTA MARTA", tendo ainda residido no Palácio do "Conde de Soure" na "Penha de França", mas fixou residência em BELÉM, no Palácio do "Conde de Aveiras", (depois o "Paço Real de Belém", quando "D. João V" o adquiriu em Julho de 1726), entre 1700 e 1701, enquanto aguardava a conclusão do Paço que para si mandara construir ao "CAMPO DE SANTANA" ( 1 ).
Terá sido a primeira rainha que habitou o "Palácio de Belém". Para a receberem condignamente, se mudaram os "AVEIRAS", por largos meses,  para a "QUINTA DO CORREIO-MOR".
Como necessitava de possuir uma casa sua, resolveu construí-la no «CAMPO DA BEMPOSTA» lugar pouco povoado, tinha terrenos espaçosos e de ar muito saudável e boas vistas.
Os terrenos para o Palácio e para a Quinta, foram adquiridos a diversos proprietários. A época da construção do «PAÇO DA BEMPOSTA» remonta ao século XVIII, tendo como arquitectos "JOÃO ANTUNES" (1701) e "MANUEL CAETANO DE SOUSA".
A Capela da Bemposta, dedicada a "NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO", organiza-se dentro de um rectângulo de ângulos arredondados. A nave, na qual se abrem lateralmente seis capelas, constituindo a do "SANTÍSSIMO SACRAMENTO", pela sua profundidade, uma unidade especial autónoma, ao qual se justapõe a da Capela-mor, de menor largura.
Exteriormente a Capela apresenta um corpo central e dois laterais ligeiramente recuados e coroados de platibanda. Antecede a galilé uma escadaria desdobrada em dois lanços e guarnecida de balaustrada, pontuada por fogaréus. O acesso à galilé ou átrio faz-se por uma porta em arco de volta inteira ladeada por duas alas de peito. Uma varanda central mais elevada e encimada pelas armas reais. A fachada deste corpo termina-se por frontão triangular, onde se observa um relevo representando dois Serafins adornando a virgem (do escultor "JOAQUIM BARROS LABORÃO"), encimado por cruz sobre um plinto. No átrio ladeando a porta de acesso à capela, dois nichos albergam estátuas de mármore figurando "SANTA ISABEL DE PORTUGAL" e "SÃO JOÃO BAPTISTA" (obras de "José de Almeida", concluídas por "Barros Laborão").

«D. CATARINA» faleceu em 31 de Dezembro de 1705 tendo deixado em testamento, o "PALÁCIO DA BEMPOSTA" ao Rei seu irmão. Mais tarde o Rei "D. JOÃO V", por decreto de 14 de Julho de 1707, doou à "SERENÍSSIMA CASA DO INFANTADO" todas as dependências do Palácio e a Quinta da Bemposta. Neste Palácio ou (casa do Infantado) habitaram alguns infantes entre os quais "D. FRANCISCO", irmão de "D. JOÃO V" e "D. PEDRO II", irmão de "D. JOSÉ".
Com o terramoto de 1755 o Palácio sofreu muitos danos procedendo-se de imediato à sua reconstrução. Em 1803 habitava neste Palácio e tinha a sua corte o príncipe regente «D. JOÃO», futuro Rei «D. JOÃO VI».

A família Real regressa do Brasil a 3 de Junho de 1821, e o Rei "D. João VI", que à chegada habita o Paço de Queluz, passado pouco tempo instala-se com a sua corte no «PALÁCIO DA BEMPOSTA», onde manda fazer novas benfeitorias no ano de 1822. Nos anos de 1824 e 1825 continuaram as obras no Palácio, para moradia real, sendo-lhe acrescentado vários quartos para trás da capela e para os lados do jardim.
Factos políticos foram desenrolados neste Palácio na época de "D. João VI" como sejam os decorrentes da chamada «VILAFRANCADA» e os da «ABRILADA» e ainda ser este o local onde faleceu "D. João VI" em 10 de Março de 1826.
Ainda neste Palácio esteve instalada a "JUNTA E A ADMINISTRAÇÃO" da "CASA DO INFANTADO". Os serviços da secretaria e administração da "ORDEM DE MALTA" estiveram estabelecidos em algumas dependências do «PALÁCIO DA BEMPOSTA» até à extinção daquela casa, decretada em 18 de Março de 1834. Como consequência, o Palácio e a Quinta da Bemposta são incorporados nos bens da coroa, e por decreto de 9 de Dezembro de 1850, a Rainha «D. MARIA II» destinou o Palácio e quinta à instalação da «ESCOLA DO EXÉRCITO».
( 1 ) - Trata-se do "PAÇO DA BEMPOSTA" também conhecido como "PAÇO DA RAINHA".

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DE DONA ESTEFÂNIA [ XX ]-A ACADEMIA MILITAR (1)»