sábado, 22 de Novembro de 2014

LARGO DO LIMOEIRO [ II ]

«O PÁTIO DO CARRASCO ( 2 )»
 Largo do Limoeiro - Pátio do Carrasco - (2006) Foto de APS  (O interior do "PÁTIO DO CARRASCO" no ano do Mundial de Futebol, numa tarde de Sol)  in  ARQUIVO/APS
 Largo do Limoeiro - Pátio do Carrasco - (1968) Foto de Armando Serôdio (O "PÁTIO DO CARRASCO", uma vista do seu interior) (Abre em tamanho grande)  in  AML
 Largo do Limoeiro - Pátio do Carrasco - (Finais do século XIX) (Desenho de Roque Gameiro) (O "PÁTIO DO CARRASCO" desenho do mestre "ROQUE GAMEIRO" estampa Nº 63) in  JCABRAL
Largo do Limoeiro - Pátio do Carrasco - (s.d.) Foto de Eduardo Portugal (O interior do "PÁTIO DO CARRASCO" vista pelo fotografo Eduardo Portugal) ( Abre em tamanho grande) in  AML

(CONTINUA) - LARGO DO LIMOEIRO [ II ]

«O PÁTIO DO CARRASCO ( 2 )»

Possivelmente o "ÚLTIMO CARRASCO PORTUGUÊS" nasceu na freguesia de "CAPELUDOS", CONCELHO de VILA POUCA DE AGUIAR, e DISTRITO de VILA REAL.
"LUÍS NEGRO" levou uma vida atribulada, cheia de equívocos e ódios que a própria história tarda em explicar.
Nascido numa terra onde nunca se conhecera um delinquente, o jovem LUÍS não viria a imaginar um destino tão amargo para a sua alma. Paradoxalmente, foi bem cedo que entrou por caminhos tortuosos, feitos de armadilhas e falácias, que o conduziram inevitavelmente à negritude.
Existia já aos dez anos de idade um rol de peripécias numa fuga para LISBOA. Vende laranjas para sobreviver, mas ao fim de alguns meses volta à sua terra com saudades dos seus parentes. Nesta curto espaço os pais vão da consternação à alegria do regresso do filho pródigo.
No anos de 1822 com 16 anos  alistou-se no REGIMENTO DE CAVALARIA 6. No final da  recruta viu-se envolvido na revolução iniciada pelo general MANUEL DA SILVEIRA dentro de uma conjuntura política marcada pelas guerras liberais.
Com efeito, o jovem soldado LUÍS ALVES, "sem saber porquê encontra-se a servir um exército de realistas" ( 1 ). Combateu no CAMPO GRANDE e na ASSEICEIRA, foi ferido na "BATALHA DE SANTA MARIA DE ALMOSTER", terminando os serviços militares na capitulação da GOLEGÃ.
Finalizada a guerra, volta para a sua terra natal, no entanto um grupo de soldados do REGIMENTO 9 avançou para o capturar. Andou fugido pelos montes, os ódios de quem lutara contra os absolutistas consubstanciavam-se em ciladas, prisões e tentativas de homicídio. A resposta surgia com fugas.
Uma tentativa de embarque para o BRASIL levou para a cadeia de CHAVES.
Depois de intensos interrogatórios acabou por denunciar aquele que o ajudara na última figa. Isto "valeu-lhe" 3 anos de cadeia. 
Conduzido a VILA POUCA DE AGUIAR, instauraram-lhe dezoito processos; "eram inumeráveis os crimes que se lhe imputavam". Confessava duas mortes cometidas em legítima defesa, e não negava os ferimentos feitos nos soldados que o perseguiam das duas fugas da cadeia.
Todavia a infinidade de mentiras e as ameaças das testemunhas de acusação levaram LUÍS ALVES a perder o sangue-frio.  Perante o magistrado, atira-lhe à cara o banco em que estava sentado... momentos depois era CONDENADO À MORTE. Devia morrer na forca. Com a sentença confirmada por instâncias superiores e altos funcionários judiciais, restou-lhe a comutação dessa pena prestando-se a exercer o cargo de executor da ALTA JUSTIÇA CRIMINAL, ou seja o cargo de «CARRASCO».
Não aceitou de bom grado, foi necessário o pranto da sua mulher que definitivamente  convenceu este "EX-DRAGÃO DE CHAVES" ( 2 ).
Dizia ele amargurado: "Em má hora cedi. Deixei-me convencer, dobrei, aceitei a humilhação, o ferrete e a vergonha. Oxalá não o tivesse feito!". A sociedade necessitava de ter, talvez, mais um "CARRASCO"! E quem fala assim... é o último de PORTUGAL

- ( 1 ) - Defensores da Monarquia Absolutista e das pretensões de D. MIGUEL (vulgo antiliberais). Opunham-se aos seguidores da MONARQUIA CONSTITUCIONAL e de D. PEDRO. A assinatura da Paz na Convenção de ÉVORA-MONTE(1834) significou a vitória das forças liberais e, consequentemente, o triunfo da MONARQUIA CONSTITUCIONAL.

- ( 2 ) - Célebre "COMPANHIA DO REGIMENTO Nº 6" caracterizada pela bravura e tenacidade. Adoptaram como insígnia esse animal mitológico.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DO LIMOEIRO [ III ]O PÁTIO DO CARRASCO(3)»

quarta-feira, 19 de Novembro de 2014

LARGO DO LIMOEIRO [ I ]

«O PÁTIO DO CARRASCO ( 1 )»
 Largo do Limoeiro - Pátio do Carrasco - (2006) Foto de APS  (O aspecto interior do "PÁTIO DO CARRASCO", numa tarde de verão)  in  ARQUIVO/APS
 Largo do Limoeiro - Pátio do Carrasco - (2014) ( O LARGO DO LIMOEIRO, ao fundo no lado direito, a entrada para o "PÁTIO DO CARRASCO" )  in  GOOGLE EARTH
 Largo do Limoeiro - Pátio do Carrasco - (s.d.) Foto de Eduardo Portugal ( O "PÁTIO DO CARRASCO" no "LARGO DO LIMOEIRO")  (Abre em tamanho grande ) in  AML 
Largo do Limoeiro - Pátio  do Carrasco (c. de 1953) Foto de Fernando Martinez Pozal (O Arco visto do interior do "PÁTIO DO CARRASCO")  (Abre em tamanho grande )  in  AML

 LARGO DO LIMOEIRO [ I ]

«O PÁTIO DO CARRASCO ( 1 )»

O «PÁTIO DO CARRASCO» situa-se no "LARGO DO LIMOEIRO" junto da "RUA DO LIMOEIRO", na antiga freguesia de "SANTIAGO", actual freguesia de "SANTA MARIA MAIOR".
Consta que este pátio pertencia às cavalariças do antigo Palácio do "CONDE DE ANDEIRO".
Diz-nos "NORBERTO DE ARAÚJO" nas suas "PEREGRINAÇÕES EM LISBOA" que; "é uma das curiosidades cenográficas do sítio, e vem de longa data. Na fachada do PÁTIO, que olha para a RUA, notam-se três janelas do século XVI, de vêrga direita canelada, e distinguem-se nas ombreiras  vestígios do mainel que as bipartia ao alto". São estes os mais antigos elementos do pitoresco recinto muito pequeno chamado de "LARGO DO LIMOEIRO" um pouco degradado.
Conta-nos ainda o mestre "LUÍS PASTOR DE MACEDO" que em 1686 o Pátio se chamava de: "PÁTIO DEFRONTE DO LIMOEIRO" ( 1 ),  em 1682 o  "PÁTIO DO TERREIRO DO LIMOEIRO" ( 2 ), e em 1630 o  "PÁTIO DO LIMOEIRO" ( 3 ) que supomos ser, como os anteriormente citados, o mesmo "PÁTIO DO CARRASCO". E acrescenta: "o nome do PÁTIO indica-nos que seria ali a morada dos carrascos em casa paga pelo REI, ou revela somente a estada temporária de qualquer daqueles executores da justiça".

A entrada para o "PÁTIO DO CARRASCO" é feita por um arco sustentando os andares do prédio. Trata-se de um pedaço de pitoresco (embora triste)  abundante nesta LISBOA, que não deixa de nos oferecer um certo interesse contemplativo.
O seu interior é ladeado por frentes de uma construção ingénua, e remendada de obras, as necessárias para satisfazer as exigências Camarárias. Na sua totalidade aparente, deixa adivinhar a ruína que transmite, das escadas do velho alpendre já desaparecido, ao qual o tempo vai dando uma patina de resignação.
Noutra fase do "PÁTIO DO CARRASCO" - onde entre o Sol e as mulheres cantam e ralham, quase em simultâneo - mora a alegria, que não necessita de muito para nos causar cobiça.
Por altura dos "SANTOS POPULARES" o Pátio é enfeitado com balões e bandeiras de papel de várias cores, os mais novos fazem a "MARCHA" e as raparigas namoradeiras improvisam os bailaricos.
E assim, tudo em família, vão-se divertindo, escondendo o que está menos bem, daquilo que já deviam possuir, mas sempre alegres.

Pertenciam estas casinhas ultimamente a quatro senhorios, cujos nomes não são relevantes.
Tirando o peso do nome que carrega o Pátio, podemos considerar que isto servirá para cenografia teatral ou cinematográfica, porque conserva ainda raízes de vidas tristes dum povo com certa graça duradoura.
Sabe-se que neste PÁTIO provavelmente residiu o último Carrasco português. De nome completo "LUÍS ANTÓNIO ALVES SANTOS (1806-1873), era também conhecido por "LUÍS NEGRO", por usar no exercício da sua profissão o seu "GABÃO" ( 4 ) preto.

- ( 1 ) - Liv. III dos Mitos, fl. 20-V.-S. MARTINHO
- ( 2 ) - Idem fl. 15
- ( 3 ) - Idem Liv. II perdeu-se ou extraviou-se o verbete onde faz referência ao ano exacto.
- ( 4 ) - GABÃO - (do Persa, Kába, manto) s.m. Capote com capuz, mangas e cabeção.  

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«LARGO DO LIMOEIRO[ II ]-O PÁTIO DO CARRASCO ( 2 )»

sábado, 15 de Novembro de 2014

RUA LEITÃO DE BARROS [ III ]

«RUA LEITÃO DE BARROS ( 3 )»
 Rua Leitão de Barros - (2014)  (Um troço da "RUA LEITÃO DE BARROS" de Poente para Nascente)  in  GOOGLE EARTH
 Rua Leitão de Barros - (2010) Foto de André Barragon  (A "RUA LEITÃO DE BARROS" no seu lado a Norte)  in  SKYSCRAPERCITY
 Rua Leitão de Barros - (1940)  (Foto do Guia Oficial da "EXPOSIÇÃO DO MUNDO PORTUGUÊS" realizada no sítio de BELÉM,  uma ideia de António Ferro coadjuvação de "LEITÃO DE BARROS) in  RESTOS DE COLECÇÃO
 Rua Leitão de Barros - (1940) Foto de autor não identificado  (Aspecto de alguns PAVILHÕES na "EXPOSIÇÃO DO MUNDO PORTUGUÊS" em BELÉM, no ano de 1940, mais uma das iniciativas de "LEITÃO DE BARROS")  in  FONTE DO ROSÁRIO
 Rua Leitão de Barros - (10 de Julho de 1940) (Primeira página de "ARQUIVO NACIONAL" dedicado ao "DESFILE DE OITO SÉCULOS DE HISTÓRIA", uma organização de "LEITÃO DE BARROS")  in   RESTOS DE COLECÇÃO
Rua Leitão de Barros - (1936)  ("BOCAGE" um filme histórico realizado por "LEITÃO DE BARROS". No elenco RAUL DE CARVALHO, ANTÓNIO SILVA, JOÃO VILLARET e outros. Destacamos o grande Tenor português "TOMAZ ALCAIDE na interpretação da serenata no Lago "O AMOR É CEGO E VÊ")  (Abre em tamanho grande)  in  CINEMA PORTUGUÊS

(CONTINUAÇÃO)- RUA LEITÃO DE BARROS [ III ]

«A RUA LEITÃO DE BARROS ( 3 )»

"LEITÃO DE BARROS" "aposta" seguidamente no cinema sonoro, para o qual os estúdios portugueses ainda não dispunham das condições técnicas requeridas. 
Ainda do filme "A SEVERA" (1931) com cenas  exteriores ( por vezes de grande beleza estética) rodadas em PORTUGAL (sem som) e cenas de interiores filmadas em FRANÇA, onde o filme foi sonorizado, teve um enorme êxito comercial. Com "LEITÃO DE BARROS" e outros cineastas foi criado um movimento para a construção dos Estúdios da TOBIS PORTUGUESA EM 1932.
"LEITÃO DE BARROS" realiza ainda "AS PUPILAS DO SENHOR REITOR"(1935), tendo paralelamente realizado o primeiro desfile das MARCHAS POPULARES, O CORTEJO DE VIATURAS, o CORTEJO DA EMBAIXADA DO SÉCULO XVIII, o CORTEJO E TORNEIO MEDIEVAL dos JERÓNIMOS e o CORTEJO HISTÓRICO DAS FESTAS CENTENÁRIAS DE LISBOA.
Em 1936 mais um filme de "LEITÃO DE BARROS" desta vez o «BOCAGE», salientamos a magnifica interpretação do Tenor TOMAZ ALCAIDE na serenata "O AMOR É CEGO E VÊ".
Em 1937 aparece uma combinação de melodrama e comédia e beneficia de uma invulgar energia e interpretação da jovem actriz "MIRITA CASIMIRO" em "MARIA PAPOILA". Segue-se "VARANDA DOS ROUXINÓIS" (1939), A PESCA DO ATUM(1939), documentário rodado no ALGARVE.
Em 1942 rodava na PÓVOA DO VARZIM um dos seus filmes mais sugestivos, "ALA-ARRIBA!", uma história de amor marcada por rivalidades. No ano de 1944 prepara o regresso dos filmes históricos. "INÊS DE CASTRO", uma co-produção entre PORTUGAL e ESPANHA.
No ano de 1946 realiza o filme histórico "CAMÕES", realiza ainda "VENDAVAL MARAVILHOSO" tendo no elenco AMÁLIA RODRIGUES, mas a estreia em PORTUGAL em finais de 1949, revela-se uma autentica decepção.
Os próximos trabalhos de LEITÃO DE BARROS em cinema situar-se-ão no âmbito do documentário, sendo em geral feitos por encomenda: A ÚLTIMA RAINHA DE PORTUGAL(1951), "RELÍQUIAS PORTUGUESAS NO BRASIL"(1959), "COMEMORAÇÕES HENRIQUINAS"(1961), "A PONTE DA ARRÁBIDA" sobre o DOURO, "ESCOLAS DE PORTUGAL"(1962) e "A PONTE SALAZAR" sobre o Rio Tejo de (1966).
No evento da "EXPOSIÇÃO DO MUNDO PORTUGUÊS" de 23 de Junho de 1940, "LEITÃO DE BARROS" representava a organização como SECRETÁRIO-GERAL e  o ARQUITECTO-CHEFE era o Arqtº. COTTINELLI TELMO. Esta exposição pretendeu demonstrar o poderio político-cultural do então "ESTADO NOVO".
Sobrou-lhe ainda tempo para ser um dos fundadores do grupo "AMIGOS DE LISBOA", em 1936, a par de outros olisipógrafos como: VIEIRA DA SILVA, MATOS SEQUEIRA, NORBERTO DE ARAÚJO, TINOP ou PASTOR DE MACEDO. A outra sua faceta, muito apreciada do grande público, foi a organização de desfiles e grandes cortejos. Pode assim ser considerado o "pai" das MARCHAS POPULARES DE LISBOA, com a sua primeira edição no  ano de 1932, e ainda a alma dos cortejos históricos com que a cidade festejou as suas grandes datas - em 1940, no Centenário da Nacionalidade, e em 1947, quando fez 800 anos de cristã, por exemplo.
Em 1935 foi lhe conferida a distinção de COMENDADOR DA ORDEM MILITAR DE SANTIAGO E ESPADA e em Março de 1941 recebeu a medalha de GRANDE-OFICIAL DA ORDEM MILITAR DE CRISTO.

CURIOSIDADE
Um episódio pitoresco foi presenciado por um guarda Republicana, quando "LEITÃO DE BARROS" fazia umas filmagens, em frente do Palácio da então ASSEMBLEIA NACIONAL, quando ele gritava "-Ó SALAZAR, FECHA A CÂMARA!". A guarda Republicana mostrou-se no mínimo intrigada: quem era aquele senhor que tinha autorização para andar a filmar ali e que, afinal, fazia exigências estranhas ao PRESIDENTE DO CONSELHO.  E, na dúvida, entendeu que o melhor seria averiguar.
A cena foi contada pelo próprio cineasta anos mais tarde, em reunião com um grupo de estudantes e devidamente explicada: "o seu "cameraman" era o excelente "SALAZAR DINIS", que descera do palanque onde se encontrava a tomar imagens e deixara a câmara aberta com a lente virada ao Sol". A frase tão aparentemente subversiva não era mais do que uma recomendação. Difícil terá sido certamente explicar estes factos simples à Guarda. [ FINAL ]

BIBLIOGRAFIA
- Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura (20 Volumes)- Secretariado por MAGALHÃES, António Pereira; OLIVEIRA, Manuel Alves, - 1ª Ed. - LISBOA - Editorial Verbo, Vol. 3, 1973, pág 729.
- Jornal A CAPITAL "Os Corvos dos Jornais" - José Leitão de Barros

INTERNET

(PRÓXIMO)«LARGO DO LIMOEIRO [ I ] -O PÁTIO DO CARRASCO (1)»

quarta-feira, 12 de Novembro de 2014

RUA LEITÃO DE BARROS [ II ]

«A RUA LEITÃO DE BARROS ( 2 )»
 Rua Leitão de Barros - (2014) -(Entrada da "RUA LEITÃO DE BARROS" que liga à "RUA PADRE FRANCISCO ÁLVARES) in  GOOGLE EARTH
 Rua Leitão de Barros - (1940) (Planta da "EXPOSIÇÃO DO MUNDO PORTUGUÊS" inaugurada em 23 de Junho de 1940 no sítio de BELÉM) in   RESTOS DE COLECÇÃO
 Rua Leitão de Barros - (1930) (Fotografia de Salazar Dinis) ("LEITÃO DE BARROS" sabe colher o imprevisto e, apesar da ingenuidade de algumas cenas - como o quase afogamento de Maria - pôde dar largas à sua vigorosa cena)   in   MARIA DO MAR
 Rua Leitão de Barros - (1931) - ("A SEVERA" um filme de "LEITÃO DE BARROS", rodado em PORTUGAL e FRANÇA)  in    RESTOS DE COLECÇÃO
Rua Leitão de Barros - (1932) - (Desenho de STUART) (Uma publicação do extinto "DIÁRIO DE LISBOA" que publicava "AS MARCHAS DE LISBOA" na noite de SANTO ANTÓNIO. As MARCHAS DE LISBOA tiveram início no ano de 1931, por iniciativa de "LEITÃO DE BARROS" e o entusiasmo do olisipógrafo "NORBERTO DE ARAÚJO") (Abre em tamanho grande) in  AS MARCHAS DE LISBOA DE NORBERTO DE ARAÚJO


(CONTINUAÇÃO) - RUA LEITÃO DE BARROS [ II ]

«A RUA LEITÃO DE BARROS ( 2 )»

«LEITÃO DE BARROS» ao falar de si próprio empregando um tom anedótico, condizente com o seu fino sentido de humor. Parecia não se tomar demasiado a sério, um homem que ainda hoje é indefinível, tantas foram as suas facetas em que se distinguiu: professor, jornalista, realizador cinematográfico, pintor, autor teatral, organizador de festejos e dos maiores cortejos que LISBOA já viu.
«LEITÃO DE BARROS» era um homem de sete ofícios, apesar do contributo dado ao jornalismo, não era homem para se ficar por aí.
O TEATRO e o CINEMA, por exemplo, tiveram nele um apaixonado.
Para o primeiro, escreveu várias peças, algumas das quais de êxitos. Lembremos COLÉGIO UNIVERSAL, PRÉMIO NOBEL (escrita em parceria com FERNANDO SANTOS e ALMEIDA AMARAL, sendo representada no TEATRO NACIONAL) e ainda AVÓ LISBOA, de que foram protagonistas PALMIRA BASTOS e VASCO SANTANA.
Expôs ainda várias obras de PINTURA em MUSEUS portugueses, em ESPANHA, no MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA DE MADRID e ainda no BRASIL.

Mais conhecida ainda ficou a sua participação no CINEMA.
MALMEQUER a MAL DE ESPANHA (1918) foram os seus primeiros filmes. Neles se salientam duas tendências: a evocação histórica dos temas e a crónica anedótica.
Com o documentário NAZARÉ (1930) retoma um tema já explorado em (1923).   "LISBOA CRÓNICA ANEDÓTICA" (1930) em que mistura actores conhecidos como: NASCIMENTO FERNANDES, BEATRIZ COSTA, VASCO SANTANA, ERICO BRAGA, CHABY PINHEIRO, ESTEVÃO AMARANTE, JOSEFINA SILVA, EUGÉNIO SALVADOS, ADELINA ABRANCHES, COSTINHA, ALVES DA CUNHA e outros, todos eles interpretavam personagens típicas de LISBOA.  No mesmo ano eram rodados ainda os filmes NAZARÉ e MARIA DO MAR.
Em "MARIA DO MAR", com colaboração no argumento e assistência de realização de ANTÓNIO LOPES RIBEIRO, é para muitos a obra-prima do cinema "mudo" português, representado nas cinematecas de LONDRES, NOVA IORQUE, MOSCOVO e TÓQUIO. 
Rodado na PRAIA DA NAZARÉ, aborda as dificuldades da vida da comunidade piscatória, narrando a história de amor entre dois jovens cujas famílias haviam cortado relações na sequência  dum naufrágio.  O recurso ao grande plano, o desenho sensual dos corpos em contraste com a fúria dos elementos e a convincente combinação da actuação dos actores profissionais, de amadores e de gente anónima dão a "MARIA DO MAR" uma frescura que permite encontrar no filme elementos dum modernismo que permanece no tempo.  Neste filme deram a sua colaboração os actores: ROSA MARIA, OLIVEIRA MARTINS, ADELINA ABRANCHES e outros, sendo estreada no cinema "SÃO LUÍS" a 20 de Maio de 1930.
A célebre "SEVERA" uma fantasia biográfica da fadista, é um dos filmes "mais português", no sentido de reflectir um dramatismo e até uma auto-comiseração que eventualmente caracterizam a alma portuguesa, para outros terá sido (sem culpa directa de LEITÃO DE BARROS) um repositório de elementos que marcariam de forma pouco positiva certo cinema português; a associação fado e touros, em ambiente melodramático.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA LEITÃO DE BARROS [ III ]-A RUA LEITÃO DE BARROS ( 3 )». 

sábado, 8 de Novembro de 2014

RUA LEITÃO DE BARROS [ I ]

«A RUA LEITÃO DE BARROS ( 1 )»
 Rua Leitão de Barros - (2014) (Um troço da "RUA LEITÃO DE BARROS" de Nascente para Poente, na freguesia de "São Domingos de Benfica")  in  GOOGLE EARTH
 Rua Leitão de Barros - (2007) ( Vista panorâmica (parcial) da "FREGUESIA DE SÃO DOMINGOS DE BENFICA" onde se insere a "RUA LEITÃO DE BARROS")  in  GOOGLE EARTH
 Rua Leitão de Barros - (Década de 60 do século XX) (Livro "OS CORVOS" de Leitão de Barros com desenhos de João Abel Manta.  "LISBOA Rainha do Tejo". Crónicas dominicais reunidas  em dois Tomos. ( Abre em tamanho grande ) in  FRENESI LOJOA
 Rua Leitão de Barros - (1930)  ( "LEITÃO DE BARROS" ao comando das operações, para mais um dos seus filmes, supostamente a "MARIA DO MAR")  in   CINEMA SAPO 
Rua Leitão de Barros - (1930) (Cartaz publicitário,  resumo do argumento e ficha técnica do filme "MARIA DO MAR", uma obra fundamental de "LEITÃO DE BARROS")  in  MARIA DO MAR

RUA LEITÃO DE BARROS [ I ]

«A RUA LEITÃO DE BARROS ( 1 )»

A «RUA LEITÃO DE BARROS» pertence à freguesia de «SÃO DOMINGOS DE BENFICA», começa na "RUA PADRE FRANCISCO ÁLVARES", em frente do número 14 e não tem saída.
Completou este mês 44 anos que, por EDITAL de 4 de Novembro de 1970, publicado no Diário Municipal do dia 7 seguinte, que mandou dar o nome do artista àquele que era o primeiro impasse à RUA PADRE FRANCISCO ÁLVARES.   LISBOA consagra assim um seu filho que muito a enobrecera e a propagandeara.
"LEITÃO DE BARROS" homem irrequieto e talentoso, foi vasta e diferenciada a sua colaboração com os periódicos e, além da escrita,  há a salientar o facto de ter sido um renovador de certos géneros.

«JOSÉ JÚLIO MARQUES LEITÃO DE BARROS» nasceu em LISBOA a 22 de Outubro de 1896, e faleceu também em LISBOA em 29 de Junho de 1967. Frequentou a ESCOLA DE BELAS-ARTES, concluindo o 3º ano de Arquitectura, o que não dispensou de passar também pelas FACULDADES DE CIÊNCIAS e LETRAS e ainda cursar as cadeiras necessárias ao exercício do Magistério secundário. Completo o curso da ESCOLA NORMAL SUPERIOR da UNIVERSIDADE DE LISBOA e realizado o exame de Estado, foi nomeado professor de liceu, cargo que exerceu durante alguns anos, leccionando DESENHO e MATEMÁTICA no "LICEU PASSOS MANUEL", em LISBOA.
Os jornais atraíam-no: começou por colaborador num antigo "CORREIO DA MANHÃ" e na primeira série de "A CAPITAL". Passou depois por uma efémera "IMPRENSA DA MANHÃ" e pela revista "ABC", muito dedicado às questões históricas. 
Mas o seu sentido artístico e o grande poder de crítica não lhe permitiam que ficasse só a escrever crónicas saborosas.
Fundou e dirigiu o semanário "DOMINGO ILUSTRADO" (1925-1927), com o qual lançou entre nós o magazine leve, de actualidades.
Foi seguindo atentamente as transformações dos processos gráficos e não resistiu em seguir para a ALEMANHA onde aprendeu o processo da heliogravura ou (Fotogravura).
Voltando a PORTUGAL, um acordo com a empresa do "DIÁRIO DE NOTÍCIAS", dava-lhe a hipótese de relançar o "NOTÍCIAS ILUSTRADO" (1928-1935), sob a sua direcção e utilizando os modernos processos. Mais tarde, surgiram dificuldades que o levaram a abandonar esse projecto e a fundar outra revista que teve vida mais dilatada:o famoso "O SÉCULO ILUSTRADO"
A sua última ( e talvez hoje a mais recordada) participação na feitura de jornais passou de novo no "DIÁRIO DE NOTÍCIAS", onde manteve durante anos uma saborosa crónica dominical, intitulada genericamente  "OS CORVOS". Aqui não se limitava a uma visão descrita e típica da sua cidade, antes se "espraiando" em observação e bom humor sobre toda a vida nacional. Muitas dessas crónicas vieram a ser reunidas em dois tomos, com ilustração de "JOÃO ABEL MANTA", constituindo hoje uma preciosidade dos Alfarrabista de LISBOA e não só.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA LEITÃO DE BARROS [ II ] -A RUA LEITÃO DE BARROS (2)».

quarta-feira, 5 de Novembro de 2014

TERREIRO DO PAÇO [ XVII ]

A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I ( 4 )
 Terreiro do Paço - (2014) - Foto de MIMG47 (A Estátua de D. JOSÉ I na PRAÇA DO COMÉRCIO, uma obra de MACHADO DE CASTRO, depois da intervenção de limpeza em 2013) in PANORAMIO
 Terreiro do Paço - ( 2013) Foto de Mariline Alvas (Estátua equestre de D. JOSÉ I, na altura de intervenção de limpeza entre finais de 2012 até Agosto de 2013) in CORREIO DA MANHÃ
 Terreiro do Paço - (22.11.2012) Foto de Daniel Rocha (Pormenor da parte superior da Estátua equestre de D. José I, durante a intervenção de limpeza)  in  PÚBLICO
Terreiro do Paço - (2013) (A Estátua Equestre de D. JOSÉ I, na PRAÇA DO COMÉRCIO, devidamente protegida para ser limpa)  in  CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA

(CONTINUAÇÃO) TERREIRO DO PAÇO [ XVII ]

«A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I ( 4 )»

A família Real transportou-se para o seu convencionado esconderijo em pequenas carruagens, enquanto POMBAL tomava lugar num cortejo faustoso onde entravam os magistrados do SENADO DA CIDADE, de que seu filho primogénito era presidente, os representantes dos organismos oficiais do comércio e dos "mesteres" ( 1 ) e uma grande parte da Nobreza. Descendo das carruagens, o cortejo, completado ainda por outros dignitários que o esperavam, estendeu-se pela vasta PRAÇA e, fingindo não ver a família Real, que espreitava a cerimónia de uma janela, dirigiu-se finalmente para o monumento recoberto de ricos panejamentos. Escusado será dizer que foi o MARQUÊS DE POMBAL e o filho que puxaram os cordões para o descobrir. Encontrava-se junto da comitiva JOAQUIM DA CRUZ SOBRAL, a primeira fortuna comercial do reino, TESOUREIRO-MOR, ADMINISTRADOR DA ALFANDEGA, INSPECTOR-GERAL DOS TRABALHOS PÚBLICOS, homem inteiramente dedicado ao MINISTRO DO REINO ( 2 )
A PRAÇA DO COMÉRCIO só ainda tinha metade construída; as alas do lado Norte sem o arco, e metade da ala do lado Ocidental.
As festas duraram três dias (mas já durante quatro dias o povo tinha acompanhado o difícil transporte da estátua, como antegozo da festa). A PRAÇA foi decorada com uma grande TORRE DE MADEIRA, cortejos de oito carros alegóricos, devidamente complicados, ao gosto da decoração teatral do círculo de GIACCOMO AZZOLINI (1721-1791) ( 3 ), fogo de artifício, exercícios militares, iluminações públicas, espectáculos de ópera, um baile e um banquete para o povo, e um outro para a corte, que custou mais de 40 contos de réis.
Para o efeito, um imenso serviço de porcelana decorada com a imagem do monumento tinha sido encomendada na CHINA.

Em finais de 2012 começou uma intervenção de restauro e limpeza na estátua de D. JOSÉ I. O restauro a cargo do "WORLD MUNUMENT FUND" (Organismo Internacional que intervencionou a TORRE DE BELÉM e o MOSTEIRO DOS JERÓNIMOS) foi orçado em 490 mil euros.
A estátua foi devidamente protegida e montados andaimes a uma altura  mais de 14 metros do solo. O último dos andaimes que cobria o conjunto, composto pelo cavalo e a figura do REI,  colocada sobre um elaborado pedestal em pedra. Diz o coordenador do projecto JOSÉ IBÉRICO NOGUEIRA: "Qualquer metal sofre efeitos da erosão e, neste caso, o vento e a aproximação do mar causam sempre enormes desgastes. O trabalho é de limpeza e de contenção desse processo químico e mecânico". 
Apesar da vista deslumbrante sobre o TEJO, os técnicos ao serviço de WMF pouco se distraem. Paciência, precisão e minúcia, são os instrumentos necessários para que a obra se finalize no tempo previsto, obrigando a muito trabalho manual. Só para se ter uma pálida ideia, há quem se dedique a limpar todo o gradeamento que rodeia o pedestal, com algodões embebidos em álcool e acetona para retirar gorduras.
Um estudo iniciado ao estado da estátua permitiu analisar todas as patologias e o levantamento gráfico, em que se usou uma técnica que cruza feixes de "laser" e cujo resultado é próximo ao de uma radiografia, detectou os problemas que afectam a pedra e o metal e permite ver para dentro do plinto, analisando a estrutura. Um micro jacto de água limpou a pedra e a precisão dos técnicos faz o mesmo ao cavalo do rei.
A liga de que é composta a peça foi também alvo de apurado estudo. "Especulou-se muito sobre a cor original, mas hoje sabe-se que, do ponto de vista químico a liga, que se pensava ser de bronze, estará mais próxima do latão almirantado, usado pela MARINHA em peças polidas, e que tem coloração dourada. É uma liga de cobre, zinco e também chumbo, com alta capacidade de resistência à salinidade".
O restauro esteve a cargo da firma WMF, que financiou com 370 mil euros, a CML com 80 mil Euros e 40 mil de privados. Foram encontradas nesta intervenção 14 tiros de balas marcados na estátua, tendo sido a primeira limpeza da Estátua em 1926. Em 1983, foram retirados do interior do cavalo 3 mil litros de água. 
Notas finais: D. José I não pousou para MACHADO DE CASTRO, o rosto do REI foi desenhado à imagem de um medalhão e as mãos são as do próprio autor do trabalho.
A conclusão da intervenção de limpeza da Estátua Equestre e seu pedestal, ficaram concluídas no mês de Agosto de 2013.

( 1 ) - MESTERES - do Lat. s. m. artes, ofícios, profissões manuais; (Hist.) cada um dos 24 ofícios mecânicos que tinham os seus procuradores na Casa-dos-Vinte-e-Quatro).

( 2 ) - Optámos pela versão publicada por J. RIBEIRO GUIMARÃES (op. cit., II, p. 215) segundo ms. anónimo. No dizer do Jesuíta de quem seguimos, Pombal e Cruz Sobral teriam puxado os cordões. A versão pareceu-nos mais verosímil, uma vez que o filho  do Ministro era o Presidente do Senado da Cidade
.
( 3 ) - Conhecem-se pagamentos feitos aos pintores, decoradores; JOSÉ ANTÓNIO NARCISO, BELCHIOR DOS REIS ANTUNES e DOMINGOS JOSÉ BRUNO e ainda ANTÓNIO JOSÉ PINTO.(Ver E. FREIRE DE OLIVEIRA op. cit. XVII, pp. 496, 498 e 499)

[ FINAL ]

BIBLIOGRAFIA

- ARAÚJO, Norberto - Peregrinações em Lisboa-Livro XII-Vega_1992-LISBOA
- CASTILHO, Júlio de -A RIBEIRA DE LISBOA -Imp. Nac.- 1893 - Lisboa
- CHORÃO, João Bigotte - Nossa Lisboa dos Outros - 1ª Ed. CTT - 1999 Lisboa
- COELHO, Antº. Borges - Ruas e Gentes na Lisboa Quinhentista - Caminho-2000-Lisboa
- CONSIGLIERI, Carlos e ABEL, Marília-LISBOA- 750 anos de capital 1ª Ed.-  Dinalivro -2005 - Lisboa.
- Correio da Manhã de 10 de Fevereiro de 2013.
- Dicionário da História de Lisboa- Cood. de Francisco Santana e Eduardo Sucena - Carlos Quintas & Associados-Consultores,Lda- 1994 - Sacavém.
- FRANÇA, José-Augusto - LISBOA POMBALINA E O ILUMINISMO - 3ª Ed. - Bertrand Editor - 1987 - Lisboa.
- HISTÓRIA nº 80 - Outº de 2005 - ANO XXVI (III série) - Lisboa.
- LISBOA Revista Municipal Nº 16 e Nº 17 de 1986 - CML - 1986 LISBOA.
- MOITA, Irisalva - O LIVRO DE LISBOA . Livros Horizonte - 1994 - Lisboa.
- OLHARES DE PEDRA - Editor - João Fragoso Mendes - Global Notícias Publicações-2004-Lisboa.
- PINHEIRO MAGDA - Biografia de LISBOA - Esfera do Livro - 20011 - Lisboa.
- SANTOS, Maria Helena Pinheiro dos - A BAIXA POMBALINA-PASSADO E FUTURO- Livros Horizonte- 2000 - LISBOA.
INTERNET

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sábado, 1 de Novembro de 2014

TERREIRO DO PAÇO [ XVI ]

A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I ( 3 )

Terreiro do Paço - (2014) (Foto gentilmente cedida pela amiga Maria Eugénia Antunes) (Aspecto da "PRAÇA DO COMÉRCIO" e ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I, depois das últimas obras. Imagem captada do Miradouro do Arco da RUA AUGUSTA)  in  MARIA EUGÉNIA ANTUNES

 Terreiro do Paço - (2007) Foto de Dias dos Reis (Estátua Equestre de D. JOSÉ I na PRAÇA DO COMÉRCIO, antes da  intervenção de 2013) in  DIAS DOS REIS


 Terreiro do Paço - ( 2010 ) Foto de JL Cabaço (A ESTÁTUA EQUESTRE DO REI D. JOSÉ I, uma obra do mestre MACHADO DE CASTRO, antes da intervenção de limpeza)  in  PANORAMIO 

Terreiro do Paço - (2002) Foto de autor não identificado (A PRAÇA DO COMÉRCIO" com a sua ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I e o ARCO DO TRIUNFO concluído em 1861) in  CCDR-LVT

(CONTINUAÇÃO)-TERREIRO DO PAÇO [ XVI ]

«A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I ( 3 )»

Os trabalhos de fundição ficaram concluídos em 15 de Outubro de 1774. A ESTÁTUA levou 35 mil quilos de metal que foram derretidos em 28 horas e vertidos em apenas 8 minutos para a forma de gesso. "Foi muito inovador o processo de fazer uma peça única, realizado pela primeira vez numa obra desta dimensão, esse trabalho foi importante, até por questões comerciais e valorização do país, na industria de armamento, pois com este conhecimento foi possível fazer-se canhões de fusão com grandes dimensões".
Este trabalho foi realizado nas oficinas da  "FUNDIÇÃO DE CIMA" (antiga Fundição de Canhões em SANTA CLARA). O Bloco de bronze deste monumento é composto de uma patina branca, que o enobrece, tem aproximadamente sete metros de altura e pesa sensivelmente 30 toneladas. 
Na madrugada do dia 22 de Maio de 1775 começou a condução da estátua colossal, desde SANTA ENGRÁCIA, passando pela RUA DO PARAÍSO, (foi aberta uma rua para o carro conseguir passar, puxado por cerca de mil homens, pois a figura real não podia ser deslocada por animais), descendo ao MUSEU DE ARTILHARIA e pela RUA DE ALFÂNDEGA até à PRAÇA DO COMÉRCIO. Para garantir total segurança na condução da estátua, foi necessário demolir algumas casas térreas e barracas pertencentes a particulares.
A IGREJA DE Nª. SENHORA DO PARAÍSO também sofreu danos, sendo que em 1778, três anos depois da inauguração da estátua, ainda a irmandade  daquela IGREJA requeria ao INTENDENTE DAS OBRAS PÚBLICAS, que fosse reedificado o que naquela IGREJA havia sido demolido.
Foi organizado um importante cortejo que desfilou entre alas de tropas de linha, que cortejo que teve grandeza, pela sua originalidade. A ZORRA que levava a Estátua chegou ao local no princípio da tarde do dia 25 (levou três dias e meio no seu trajecto) e a admirável obra de MACHADO DE CASTRO foi colocada na manhã do dia 27, ficando coberta por um invólucro de seda carmesim.
A sua inauguração foi fixada para 6 de Junho de 1775, dia do aniversário do REI. Com 61 anos, o pobre D. JOSÉ I podia ver-se fundido em bronze em cima do seu cavalo, metido numa armadura bélica que nunca usara...
Assistiu, porém, à cerimónia, clandestinamente, com a rainha e os quatro filhos, o genro e o irmão, os netos, dissimulados numa sala do novo edifício da ALFÂNDEGA, (supondo-se oficialmente ausente) neste dia solene em que o MARQUÊS DE POMBAL triunfava e, com ele, os seus amigos do alto comércio e da finança.
A localização desta estátua foi imposta pelo plano de EUGÉNIO DOS SANTOS e ocupa um lugar singular: o centro geométrico de um triângulo equilátero cujos vértices se encontram no eixo do ARCO DA RUA AUGUSTA (ao tempo ainda não totalmente  edificado) e nos eixos das portadas laterais dos dois torreões que rematam a frente aberta da PRAÇA DO COMÉRCIO.    
A Estátua  fui paga pelo comércio de LISBOA, pela verba de 4% do imposto alfandegário, não foi divulgado o custo total da obra, mas os burgueses pombalinos eram, supostamente, os seus proprietários. A inscrição em bronze, no pedestal, honrando o "COLLEGI NEGOTIARUM CURANS"  não o deixava esquecer.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«TERREIRO DO PAÇO [ XVII ] A ESTÁTUA EQUESTRE DE D. JOSÉ I ( 4 )»