sábado, 25 de março de 2017

RUA DA PALMA [ XVIII ]

«O TEATRO APOLO ( 4 )»
 Rua da Palma - ( 1956) - Foto de Armando Serôdio - ( O "TEATRO APOLO" chamava-se "TEATRO DO PRÍNCIPE REAL" até 1910. Tinha sido inaugurado em 1856  (ainda no tempo Real) e seu nome homenageava o então herdeiro ao trono o príncipe CARLOS. Com o nome de "TEATRO APOLO" teve o seu final em 1957)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   AML 
 Rua da Palma - (ant. a 1910) - Foto de Alexandre Cunha - (Fachada do "TEATRO DO PRÍNCIPE REAL", posteriormente "TEATRO APOLO" que se manteve até  à sua demolição em 1957, para alargamento da "RUA DA PALMA") (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  AML 
 Rua da Palma - ( 1912 ) - (O "TEATRO APOLO" leva a cena a sátira "A FEIRA DO DIABO" em 23.11.1912,  um original de Eduardo Schwalbach com musica de Filipe Duarte, anunciada na revista "O PALCO". Foi  ainda  representada  em 1910 no "TEATRO DONA AMÉLIA" (mais tarde com o nome de TEATRO SÃO LUÍS)   in   RESTOS DE COLECÇÃO
Rua da Palma - ( 1957 ) - Foto de Armando Serôdio - (Interior da Sala de espectáculos do "TEATRO APOLO")  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  AML 

(CONTINUAÇÃO) - RUA DA PALMA [ XVIII ]

«O TEATRO APOLO ( 4 )»

São inúmeros os episódios ligados à história do velho "TEATRO APOLO": podemos mesmo dizer (sem afirmar) que quase todos os grandes artistas de duas ou três gerações (naquela época), pisaram o palco  deste TEATRO. inicialmente como "TEATRO DO PRÍNCIPE REAL" e depois de 1910 o "TEATRO APOLO" que teve uma existência, aproximadamente de setenta anos.
Por estar relacionada com este teatro, iremos relatar algumas passagens de uma grande actriz portuguesa; "ADELINA ABRANCHES" (1866-1945)(para saber mais sobre esta actriz, e sua RUA na freguesia de «BENFICA», pode seguir este link).

Refere "SOUSA BASTOS" que: "ADELINA ABRANCHES" ainda criança entrou no "TEATRO PRÍNCIPE REAL" na revista "O NOSSOS ESPELHO" da qual é autor, no ano de 1878, (já contava então com sete anos de teatro, pois que se havia estreado aos 5 anos em "OS MENINOS GRANDES" do comediógrafo espanhol "ENRIQUE GASPAR"
Do TEATRO saía, no fim das suas actuações, numa "carrocinha" puxada por um burro, a actriz "ADELINA ABRANCHES" (que não encontrara melhor meio de transporte) para a levar à sua casa em PALHAVÃ.
Casou na freguesia dos «ANJOS» (com 24 anos) em 26 de Julho de 1890 com o Empresário do "TEATRO DO PRÍNCIPE REAL",  "LUÍS GONZAGA VIANA RUAS" (nascido em LISBOA na freguesia do "SOCORRO"),  ADELINA era também conhecida por ADELINA RUAS, tiveram uma filha, a actriz "AURA ABRANCHES".

Quando se entrava no "HALL" do "TEATRO APOLO", existia à esquerda, dentro de uma vitrina, uma curiosa miniatura do TEATRO, pelo qual na época os espectadores localizavam os seus lugares. Poderá eventualmente existir ainda alguém que se lembre dessa miniatura, infelizmente desaparecida.  No escritório do Empresário "LUÍS GONZAGA VIANA RUAS", conservou-se durante muito tempo a COROA RÉGIA, retirada do CAMAROTE REAL, à direita, onde os soberanos (no tempo do TEATRO DO PRÍNCIPE REAL), algumas vezes, assistiam e aplaudiam os artistas.
"LUÍS RUAS" foi o último empresário pitoresco que LISBOA conheceu. Quando faleceu, passou o escritor e autor teatral "ALBERTO BARBOSA" a dirigir  o TEATRO, e ainda lá se representou umas revistas; não como os êxitos de o "SONHO DOURADO", por exemplo, que levou a cidade inteira a rir-se das "FACÉCIAS" do "NASCIMENTO FERNANDES", ali consagrado. e do "JORGE ROLDÃO". há anos desaparecido dos palcos.

Em 5 de Outubro de 1910, os anúncios desse dia espelharam a transformação política entretanto operada na SOCIEDADE PORTUGUESA. Assim o "TEATRO DO PRÍNCIPE REAL" aparece-nos com a designação de "TEATRO DA RUA DA PALMA" e só a partir do dia 14  desse mês, passará a usar o nome, que conservou até ser demolido  de "TEATRO APOLO" - inaugurado a sua nova denominação - repõe em cena a REVISTA "SOL E SOMBRA" de dois autores do  "ZIG-ZAG", "ERNESTO RODRIGUES" e "FÉLIX BERMUDES";  o terceiro, "PEREIRA COELHO", foi substituído por "LINO FERREIRA", que se ocultava sob o pseudónimo de "MARÇAL VAZ", esta revista tinha musica de FILIPE DUARTE e CARLOS CALDERÓN, e foi «ampliada com novos números alusivos à proclamação da República em PORTUGAL».

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA PALMA [ XIX ] O TEATRO APOLO ( 5 )» 

quarta-feira, 22 de março de 2017

RUA DA PALMA [ XVII ]

«O TEATRO APOLO ( 3 )»
 Rua da Palma - (Década de 40 do século XX) - (A Opereta popular "O COLETE ENCARNADO" foi representada no TEATRO APOLO pelos actores (cantores) MIRITA CASIMIRO e VASCO SANTANA)  in   RESTOS DE COLECÇÃO
 Rua da Palma - (1946) - (O "FADO DA RUSGA"  da  Opereta "MOURARIA" em 3 actos, de Lino Ferreira  e Lopo Lauer com música de Silva Tavares, apresentada no "TEATRO APOLO")  in  RESTOS DE COLECÇÃO
 Rua da Palma - (1915) - Foto de Joshua Benoliel - (Cena da peça "ÁGUIA NEGRA"  de Ernesto Rodrigues, Feliz Bermudes e João Basto, representado no "TEATRO APOLO"  em 18.01.1915.  A "ÁGUIA NEGRA" é um drama popular, escrito para o povo, portanto com todos os ingredientes necessários para uma plateia com o coração ao pé da boca. Dizia o crítico da ILUSTRAÇÃO PORTUGUESA da época, o êxito é seguro... já não há que duvidar.) ( ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   AML 
Rua da Palma - ( 1912 ) - (Anúncio da representação de " O FADO" no TEATRO APOLO, uma opereta portuguesa original de: João Bastos e Bento Faria com musica de Filipe Duarte, com um lote de bons interpretes)  in  LISBOA DESAPARECIDA Nº. 4


(CONTINUAÇÃO) - RUA DA PALMA [ XVII ]

« O TEATRO APOLO ( 3 )»

Ainda das "COPLAS" da "REVISTA" «Ó DA GUARDA!» apresentada no TEATRO PRÍNCIPE REAL (depois TEATRO APOLO), cantava o "VENTURA" no ACTO I, do 5.º QUADRO,  no ano de 1907.
A moral mais as reformas  /  Já são tantas, tão em barda,  /  Que eu já perco as minhas normas:  /  vou gritar já «Ó DA GUARDA!»  ---  2 --- Como o pobre ZÉ POVINHO,  /  Já não posso com a albarda.  /  tiro o freio do focinho:  /  vou gritar já «Ó DA GUARDA!».  ---3---  Pede sempre economia,   /  Que o vão poder aguardar  /  Mas depois só dá fatias...  / Vou gritar já «Ó DA GUARDA!».  --- 4 ---  Era muito Liberal,  /   O MEXIAS sem ter farda;  /  Mas agora é p'ro faval !...  /  vou gritar já «Ó DA GUARDA!». --- 5 ---  Se os apanham distraídos,   /  As mulheres, na vanguarda  /  Pôe coisas aos maridos...  /  Vou gritar já «Ó DA GUARDA!».

Fazendo uma breve pausa das «REVISTAS», vamos aqui referir três "OPERETAS" que também foram representadas com sucesso no «TEATRO APOLO», embora em anos diferentes:
Em 28 de Março de 1912 era apresentada a opereta "O FADO", um original de JOÃO BASTOS e BENTO FARIA, música do maestro FILIPE DUARTE. A opereta em 4 actos, na Empresa de RUAS, sob a Direcção de EDUARDO SCHWALBACH LUCCI. Tema passado nos arredores de LISBOA em princípio da segunda metade do século XIX. Diz-nos o articulista  que "O FADO" que o "TEATRO APOLO" colocou em cena, "é uma peça longa, fastidiosa e triste como uma noite de Inverno... (...) Quiseram os autores, e não pouparam nas personagem, fazer com ela uma opereta bem portuguesa, passada noutros tempos, e não resta dúvida que escolheram como motivo fundamental um tema atraente, o belo do "Fado". Este "O FADO" foi levado novamente à cena mas desta vez no COLISEU DOS RECREIOS época de Verão do ano de 1942, pela GRANDE COMPANHIA DE ÓPERA E OPERETA.

A outra opereta tem o nome de «MOURARIA» foi representada em 3 actos dos autores; LINO FERREIRA e LOPO LAUER com musica de SILVA TAVARES, foi exibida pela primeira vez no "TEATRO APOLO", na noite de 28 de Novembro de 1926. Esta opereta fez encher em noites consecutivas este TEATRO.  A protagonista era a fadista "ADELINA FERNANDES" possuidora de uma bela voz, muito treinada para a representação de OPERETAS, desempenhou o papel de "CESÁRIA" que se consagrou num rotundo êxito do "TEATRO APOLO" durante meses a fio, levando o público ao delírio com os temas musicais de; "FADO DA CESÁRIA" e o "FADO DO XAILE". A actriz e fadista "ADELINA FERNANDES" nasceu em 1896 e faleceu a 27 de Janeiro de 1983, tendo deixado uma vasta obra na arte de cantar e representar.

A opereta "NAZARÉ" um original de FERNANDO SANTOS, ALMEIDA AMARAL e FERNANDO ÁVILA, com musica de RAUL PORTELA, RAUL FERRÃO e FERNANDO DE CARVALHO, foi representada pela primeira vez em Fevereiro de 1940 no "TEATRO MARIA VITÓRIA " de LISBOA e em reposição esteve no TEATRO APOLO em Agosto de 1945, em que a fadista "HERMÍNIA SILVA" cantava no 1.º ACTO o "FADO DA NAZARÉ".


(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA PALMA [ XVIII ] O TEATRO APOLO ( 4 )»

sábado, 18 de março de 2017

RUA DA PALMA [ XVI ]

«O TEATRO APOLO ( 2 )»
 Rua da Palma - (1930) - (Cartaz de caricaturas do elenco por AMARELHE)  (Revista "O SENHOR DA SERRA" de Xavier de Magalhães, Lourenço Rodrigues e Álvaro Leal, com musica de Bernardo Ferreira, Raul Ferrão e F. de Freitas. Apresentada no "TEATRO APOLO" e depois no MARIA VITÓRIA. Com um  elenco de: Filomena Casado, Ausenda de Oliveira, Carlos Leal, Maria Laura, Cremilda de Oliveira, Adelina Fernandes, Sales Ribeiro, António Gomes, Alda de Sousa e Alberto Miranda) in   HISTÓRIA DO TEATRO DE REVISTA EM PORTUGAL 
 Rua da Palma - (1907) - (Cartaz dos autores da Revista "Ó DA GUARDA" de Luís Galhardo e Barbosa Júnior, estreada neste ano de 1907 no "TEATRO DO PRÍNCIPE REAL", com um êxito extraordinário)  in  HISTÓRIA DO TEATRO DE REVISTA EM PORTUGAL
 Rua da Palma - (23.02.1911) - ( A actriz "CAMILA DE SOUSA" no papel de "O ESTIO" da revista "AGULHA EM PALHEIRO" representada no (antigo Teatro do Príncipe Real) saudoso "TEATRO APOLO", foi a primeira Revista verdadeiramente republicana)  in   HISTÓRIA DO TEATRO DE REVISTA EM PORTUGAL 
Rua da Palma - (1911) - (Crítica publicada numa Revista da época referente a "AGULHA EM PALHEIRO" de Ernesto Rodrigues, Félix Bermudes e Marçal Vaz (Lino Ferreira), música de Filipe Duarte e Carlos Calderon, apresentada no "TEATRO APOLO", sendo a primeira Revista representada neste TEATRO com o novo nome)  in    RESTOS DE COLECÇÃO

(CONTINUAÇÃO) - RUA DA PALMA [ XVI ]

«O TEATRO APOLO ( 2 )»

Na Revista «Ó DA GUARDA» de Luís Galhardo e Barbosa Júnior, com musica de Filipe Duarte e Carlos Calderon, um do nosso trecho "DAS COPLAS" seleccionado  referente à aparição do "MARQUÊS DE POMBAL" (desempenhado por ERNESTO DO VALE), dizendo assim em verso - O MARQUÊS: Não importa, que esse é bom.  /  Mas... falemos noutro tom:   /   Dizeis lá aos Liberais:  /  Se ainda os há ma minha grei,  /  que já não posso nem sei  /  de entre as cinzas gritar mais!  /  Que não me ergam monumentos  /  p'ra pedestal de pandilhas,  /  mas que olhem p'rós Conventos  /  onde morrem suas filhas!  /  Acudam às mães aflitas,  /  acudam à PÁTRIA inculta,  /  em poder dos JESUÍTAS  /  cuja seita vil exulta  /  do mal na negra vitória!  /  São eles que ainda procuram  /  apagar a liberdade,  e nas trevas se conjuram  /  contra a luz, contra a vontade.  /  Vai e dizei-lhes ainda  /  que não reneguem a HISTÓRIA  /  da nossa terra tão linda!  /  Que ensinem o povo a ler,   /  pois já não posso outra vez  /  ir fazê-lo renascer  /  da fome e da estupidez.

Na rábula «OS CAVALHEIROS DE INDUSTRIA»  referida à questão dos adiantamentos, o episódio de «AS CARTAS ROUBADAS», e o recitativo sobre "AS CONTRADIÇÕES DE LISBOA" que aqui deixamos em verso: "É LISBOA a si mesma bem contrária:  /  Diz a AVENIDA ser da LIBERDADE,  /  mas tem ao fundo a tal PENITENCIÁRIA  /  E andam sempre a vedá-la e com grade.  / Defronte do CASTELO fica a GRAÇA,   /  Que não tem, isso não, graça nenhuma,   /   P'ra lá chegar, é mesmo uma desgraça,   /  Uma pessoa chega a deitar espuma.  /  Mas, para mim, o caso mais ratão,  /  Dentre tantas, tão várias chuchadeiras,   /  É uma RUA haver do CAPELÃO,  /  onde à certa não há frades nem freiras!  /  Onde o CRISTO não teve desprazeres,  /  Há um largo chamado do CALVÁRIO.  /  Cemitério se chama dos PRAZERES  /  Ao campo que é da dor o santuário.  /  É BOA HORA a casa fatalista  /  Onde em má hora a gente dava entrada;  /  A TAPADA é aberta e a BELA VISTA  /  É que p'los lados todos é tapada.  /  Mas uma coisa há mais piramidal,  /  A destacar de tanto caso incerto:  /  Haver uma receita eventual  /  Que é tudo quanto temos de mais certo.  /  A AJUDA não ajuda mesmo nada;  /  Sem custo só a sobem os Lanceiros;  /  No LARGO que se diz da ANUNCIADA,   /  Não há um só anúncio nem letreiro.  /  A RUA DA ALEGRIA é só tristeza,  /  A tal do BENFORMOSO é chuchadeira.  / Na RUA DOS LAGARES, com certeza,  /  Não se faz nem azeite de purgueira.  /  Mas aquilo a que eu digo: te arrenego!  /  E me chega a dar volta cá ao barco,  /  É haver esse tal ARCO DO CEGO,  /  Sem ter cego e sem mesmo ter um arco!  /  Na  RUA que é da ACHADA, nunca achei  /  Cousa alguma, até hoje, infelizmente.  /  Não me entendo e nem mesmo entenderei  /  Com o LARGO que se chama do INTENDENTE.  /  Na BICA DO SAPATO do Roteiro,  /  Há só bica, mas não há sapato:  / Essa RUA DAS FLORES, se tem cheiro,   /  Não é delas, que mo diz o meu olfacto.  /  O tal LARGO existe o PARLAMENTO,  / É DAS CORTES, essas Cortes afamadas,  /  Que se abrem de momento p'ra momento,  / Mas estão sempre fechadas, [ ACTO  I,  5.º QUADRO ].

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA PALMA [ XVII ] - O TEATRO APOLO ( 3 )»

quarta-feira, 15 de março de 2017

RUA DA PALMA [ XV ]

«O TEATRO APOLO ( 1 )»
 Rua da Palma - (1865) Foto da Gravura de Eduardo Portugal - (O "TEATRO DO PRÍNCIPE REAL". que homenageava o príncipe herdeiro, futuro Rei-D. CARLOS, inaugurado em 1865, tendo em 1911 passado a ser chamado de "TEATRO APOLO". Acabou demolido para o alargamento do MARTIM MONIZ e RUA DA PALMA em 1957) ( ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in  AML 
 Rua da Palma - (1873) - (Anúncio publicitário, anunciando que no "TEATRO DO PRÍNCIPE REAL" a peça "A GRÃ-DUQUESA DE GEROLSTEIN", numa tradução de E. GARRIDO com música de OFFENBACH)   in  RESTOS DE COLECÇÃO
 Rua da Palma - (1907) -  (O quadro da "COMPANHIA DAS ÁGUAS" na Revista "Ó DA GUARDA!")  in HISTÓRIA  DO TEATRO DE REVISTA EM PORTUGAL
Rua da Palma - (1908) - (Cartaz anunciando uma récita artística no "TEATRO DO PRÍNCIPE REAL" com o "compère" "CARLOS LEAL" na revista "Ó DA GUARDA!")   in   RESTOS DE COLECÇÃO

(CONTINIAÇÃO) - RUA DA PALMA [ XV ]

«O TEATRO APOLO ( 1 )»

O «TEATRO DO PRÍNCIPE REAL» (em homenagem ao príncipe CARLOS, que subiria ao trono de PORTUGAL com REI em 1889) e que a REPÚBLICA obrigaria fosse tomada a designação depois de 1910 de "TEATRO APOLO", foi construído na "RUA DA PALMA" por FRANCISCO VIANA RUAS" em 1864, o edifício tinha um telhado de mansarda à francesa, um alto "frontão" de "Aleta", verga "trilobada" nas nove janelas da fachada, as três do corpo central de sacada, e nove portas também de verga "trilobada" que serviam de entradas da RUA. Já, ali, no mesmo espaço tinham existido dois salões de concertos; o "VAUXHALH" e o "MEYERBEER".
Em 1865 (aproximadamente há cento e cinquenta e dois anos) era inaugurado nesta RUA, o "TEATRO PRÍNCIPE REAL" que o camartelo Municipal mandou demolir, na década de cinquenta do século XX, já com o nome de "TEATRO APOLO".

O avô do empresário deste teatro «LUÍS RUAS» era além de um competente mestre-de-obras, dono de uma estância de Madeiras. (foi quem reedificou o TEATRO GINÁSIO).
Quando se começou a abrir em LISBOA a "RUA DA PALMA", "FRANCISCO VIANA RUAS", "assim se chamava o popular construtor", reparou que havia um espaço relativamente amplo, à esquina do "SOCORRO". Amigo de teatros, ali edificou inicialmente um Salão a que deu o nome de "VAUXHALH", onde organizou alguns bailes de mascaras - nunca, aliás, com lucros apreciáveis - a desafiar os apetites recreativos dos lisboetas, mudou-lhe o nome para "SALÃO MEYERBEER", onde realizou concertos aos quais o público também não afluiu.
O mestre-de-obras não era, contudo, homem para desanimar facilmente. Associado ao actor "CÉSAR LIMA", inaugurou, depois um pequeno "teatrinho" onde se representou duas comédias com êxito.

Muitas peripécias se passaram, desde então, na saudosa casa de espectáculos, que se ainda existisse, ficaria situada numa das RUAS mais movimentadas de LISBOA. 
Ali foi representada ainda no reinado do REI DOM CARLOS  "A PARÓDIA" no ano de 1899, de BAPTISTA DINIS e música de RIO DE CARVALHO JÚNIOR. Nas "coplas" do "ZÉ POVINHO" desta revista exprimem claramente as ideias democráticas e republicanas do seu autor e o desejo de uma mudança do regime, onde as suas peças também contribuíram. Procurando renovar o êxito alcançado por "O ANO EM 3 DIAS",  "ACÁCIO  ANTUNES e MACHADO CORREIA estrearam em 1906 "O ANO PASSADO", em que abundavam os momentos de engenhosa observação crítica, como as "coplas" de «A RECEITA E A DESPESA» e «HOMENS E BICHOS» ou «VISÃO DE LISBOA», assim como de alegre comentário à situação da actualidade, como o trânsito de automóveis, a proliferação de sociedades comerciais (recorde-se que a Lei das Sociedades por Quotas é de 1901) e os movimentos femininos.
Uma das revistas mais célebres foi, sem dúvida "Ó DA GUARDA!" de 1907, na qual "NASCIMENTO FERNANDES" conquistou as suas "esporas de oiro" e que só o regicídio em 1908, fez sair de cena. 
A apresentação de "Ó DA GUARDA!" foi a revista da primeira década do século, com o  "031" (de que LUÍS GALHARDO" foi também co-autor). Quase todos os seus quadros e números mereciam ser relembrados aqui, mas limitar-nos-emos a alguns dos seus melhores momentos, desde as "coplas" de «MEXIAS», directamente alusivas ao ditador "JOÃO FRANCO" (MINISTRO DO REI DOM CARLOS), (personificado pelo actor EDUARDO VIEIRA) ao famoso quadro passado na  esquadra de polícia «SÃO ORDES!» (em que NASCIMENTO FERNANDES interpretava a figura de "SAVALIDADE" e "CARLOS LEAL" o "compère" "VENTURA" e intervinham ainda os actores "LUCIANO DE CASTRO" e "ARTUR RODRIGUES").

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA PALMA [ XVI ] O TEATRO APOLO ( 2 )»

sábado, 11 de março de 2017

RUA DA PALMA [ XIV ]

«O TEATRO LAURA ALVES ( 2 ) »
 Rua da Palma (Década de cinquenta) - (Foto de "VASCO MORGADO" o Empresário que renovou o antigo Cinema -REX e abriu o "TEATRO LAURA ALVES" na RUA DA PALMA)  in  RESTOS DE COLECÇÃO

 Rua da Palma - (1987) - (Anúncio da publicação num jornal de LISBOA, onde anuncia "SOCORRO...SOU UMA MULHER DE SUCESSO", com IO APOLLONI, na comédia musical apresentada no TEATRO LAURA ALVES)  in  RESTOS DE COLECÇÃO

 Rua da Palma - (Década de 90 do século XX) - (Outro ângulo do antigo "TEATRO LAURA ALVES", já sem actividade teatral, embora ainda com a indicação de TEATRO)  in  RESTOS DE COLECÇÃO
 Rua da Palma - (anterior a 2012) - ( O antigo edifício do Cinema-REX e Teatro LAURA ALVES, agora uma Residência de nome "NOITE CRISTALINA" e comércio no piso térreo)  in  RESTOS DE COLECÇÃO
 Rua da Palma- (25.05.2012) - (Foto do incêndio no antigo TEATRO LAURA ALVES, que nesta altura servia de residencial "NOITE CRISTALINA", no piso térreo funcionava um supermercado) in RESTOS DE COLECÇÃO
Rua da Palma - ( 2016 ) - (Edifício do antigo REX e do TEATRO LAURA ALVES depois do incêndio de 2012, algumas lojas a funcionar no piso térreo, e obras de recuperação da cobertura e pisos superiores)  in  GOOGLE EARTH 


(CONTINUAÇÃO) - RUA DA PALMA [ XIV ]

«O TEATRO LAURA ALVES ( 2 )»

Em Outubro de 1970 estreou-se no "TEATRO LAURA ALVES" a peça "O PREÇO" de ARTUR MILLER, interpretado por este magnifico elenco: VARELA SILVA, JACINTO RAMOS e CLÓRIA DE MATOS, e o retorno de JOSÉ GAMBOA, há muitos anos afastado da representação.
Em 1971, com a interpretação de CÉU GUERRA no papel de "GHRIS" em "SÓ AS BORBOLETAS SÃO LIVRES" de LEONARD GERSHE. Mais que o espectáculo é de interesse referir o comentário que, no programa, fez JACINTO RAMOS, relativamente ao estado que na altura se encontrava o "TEATRO LAURA ALVES".  "Um pequeno teatro, sem condições técnicas e poucas possibilidades de as vir a ter - perdido num bairro popular e asfixiado entre uma garagem e um armazém de sapatos!"

Entretanto em 1972, o "TEATRO LAURA ALVES" começa a apresentar espectáculos de REVISTA. Em 1972 - "CORTA NA CASACA" de EDUARDO DAMAS com musica de MANUEL PAIÃO. No ano de 1974 - "DENTADINHAS NA MAÇÃ" de EDUARDO DAMAS e JOSÉ VILHENA. com musica de MANUEL PAIÃO. Em 1975 - "GAROTAS NO ESPETO" de SPINA, XAVIER DE MAGALHÃES (filho), RAÚL DUBINI, MÁRIO CLEMENTE e MÁRIO SANTIAGO, com musica de HILÁRIO SANCHES  e TOZÉ BRITO. No ano de 1978 tivemos ainda mais duas revistas uma com o título de - "A MÃO NO AR, E O PÉ ATRÁS" de LUIS MENDES, a outra - "MENINAS VAMOS AO VIRA" de COELHO JÚNIOR, com musica de NÓBREGA E SOUSA e L. MACHADO, interpretada pela MILÚ e ARTUR GARCIA.
Finalmente no início de 1987 é formada uma nova "COMPANHIA DE ACTORES" entre "IVONE SILVA" (já adoentada) e "CAMILO DE OLIVEIRA", dispostos a marcar um lugar no TEATRO ligeiro, tendo resolvido serem igualmente produtores da revista - "CÁ ESTÃO ELES!" apresentado neste "TEATRO LAURA ALVES".
Em Dezembro de 1987 o "TEATRO LAURA ALVES" viria a encerrar definitivamente as suas portas, com a exibição da peça "SOCORRO...SOU UMA MULHER DE SUCESSO", de CARLOS PAULO e IO APOLLONI, uma comédia musical em dois actos, com versão livre dos intervenientes.

 O que restou do inicial edifício da "FEDERAÇÃO ESPÍRITA PORTUGUESA". depois do CINEMA-REX, seguindo-se o "TEATRO LAURA ALVES", foi transformado em armazém de revenda, passando depois a "RESIDENCIAL", com um nome bastante curioso; "NOITE CRISTALINA" de utilização duvidosa, mas em 2012 o edifício sofreu um incêndio que lhe danificou muito a cobertura. 
Dizia o JORNAL PÚBLICO numa reportagem de MARISA SOARES, que no dia 25 de Maio de 2012 um incêndio destruiu o interior do edifício do antigo TEATRO LAURA ALVES, situado no número 253 da RUA DA PALMA, no centro de LISBOA
As chamas deflagraram num quarto do segundo andar do edifício onde agora funciona a residencial "NOITE CRISTALINA", e rapidamente chegaram à cobertura do prédio, que ficou totalmente destruído. Enquanto se investiga as causas do incêndio, há quem lamente o estado degradado do imóvel.(...). No rés-do-chão do prédio existem  além de um SUPERMERCADO NEPALÊS  uma loja de (carregamentos de telemóveis), que foram encerrados após o alerta para o fogo.

Em 2016 temos uma imagem do edifício a ser recuperado, embora a placa da RESIDENCIAL continue a permanecer no lado esquerdo do prédio. No piso térreo tanto à direita como à esquerda do edifício estão ocupados por lojas e no parte central um "STOPSHOP". Que outra actividade poderá  no futuro aparecer neste edifício?

Na eventualidade de se interessar por mais pormenores referentes à vida de "LAURA ALVES", poderá seguir este LINK: RUAS DE LISBOA COM NOMES DE ACTRIZES [ VI ]
Existindo ainda o [ III ]; [ IV ] e [ V ] também relacionado com esta grande actriz.

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA PALMA [ XV ]- O TEATRO APOLO ( 1 )» 

quarta-feira, 8 de março de 2017

RUA DA PALMA [ XIII ]

«O TEATRO LAURA ALVES ( 1 )»
 Rua da Palma - (Década de 90 do século vinte) - (Fachada do "TEATRO LAURA ALVES", ainda com a designação de TEATRO, mas já se encontrava encerrado)  in   RESTOS DE COLECÇÃO
 Rua da Palma - (Década de 40 ou 50 do século vinte) - Uma foto de "LAURA ALVES" actriz casada com "VASCO MORGADO" que lhe prestou uma homenagem, dando o seu nome ao antigo CINEMA-REX, na RUA DA PALMA)  in   RESTOS DE COLECÇÃO
 Rua da Palma - (1968) -  (Programa da peça "O JOVEM MENTIROSO" uma tradução de BOTELHO DA SILVA, com um excelente elenco, no TEATRO LAURA ALVES, na "RUA DA PALMA") in  RESTOS DE COLECÇÃO
 Rua da Palma - (29.10.1968) - (Programa da peça "O JOVEM MENTIROSO" no TEATRO LAURA ALVES, sendo o primeiro espectáculo apresentado neste TEATRO)  in  RESTOS DE COLECÇÃO
 Rua da Palma - (06.12.1969) - (Programa anunciando "A FORJA" de ALVES REDOL estreado no TEATRO LAURA ALVES com um excelente elenco, num espectáculo de VASCO MORGADO) (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in   RESTOS DE COLECÇÃO
Rua da Palma - (início de 1987) - ( A "COMPANHIA DE ACTORES" apresenta a primeira revista de 1987: "CÁ ESTÃO ELES!" com "IVONE SILVA" e "CAMILO DE OLIVEIRA" e a cantora MARIA ARMANDA, além de um grande elenco, no TEATRO LAURA ALVES" in ARQUIVO/APS

(CONTINUAÇÃO) - RUA DA PALMA [ XIII ]

«O TEATRO LAURA ALVES ( 1 )»


O "CINEMA-REX" estava dotado de balcões e camarotes, tal como um CINEMA de estreia. Determinação que terá possivelmente contribuído na aquisição da sua exploração, pelo empresário Teatral, que em 29 de Dezembro de 1968, reabriria com o nome de «TEATRO LAURA ALVES».

O antigo "REX" passava assim, a ser transformado numa "SALA DE TEATRO", a que o empresário "VASCO MORGADO" e marido da actriz, em homenagem atribuiu o seu nome a esta casa de espectáculos.
Na abertura do novo TEATRO, o empreendedor e empresário Teatral "VASCO MORGADO" expunha assim os seus sentimentos: « "Para mim, actor  que acabei por não ser, empresário em que me tornei por dedicação ao TEATRO, este é um momento de alegria ou, se me permitem, de ternura.
Mais um TEATRO a funcionar em LISBOA. Isto é maravilhoso para quem pertence ao TEATRO e até para quem vive do TEATRO. 
O "TEATRO LAURA ALVES", homenagem justa a uma grande actriz, não está pronto e não está porque o dinheiro não chegou. Será acabado, tenho esperança, com a ajuda do público e é de toda a justiça dizer-se que o que está feito  se deve ao espírito de sacrifício e competência dos seus colaboradores e à amizade e compreensão de alguns credores"»
Assim, "VASCO MORGADO" tinha conseguido transformar o Teatro, sabendo conciliar o cariz popular da zona urbana, com uma boa qualidade de repositório e sobretudo, com uma excelente qualidade de produção de espectáculos.
Estreou-se como tal, uma peça algo "Cinematográfica"; "O JOVEM MENTIROSO" de Keith WATERHOUSE e WILLIS HALL, com tradução de "BOTELHO DA SILVA", foi interpretada pelos grandes mestres da época como: RUI DE CARVALHO, BRUNILDE JÚDICE, MANUELA MARIA, GUIDA MARIA, FERNANDA FIGUEIREDO e CÉLIA DE SOUSA. Nessa estreia foi apresentado no palco, o filho do casal MORGADO (VASCO MORGADO JÚNIOR), a encenação notável da peça, esteve a cargo de JACINTO RAMOS.

"A FORJA" de "ALVES REDOL" terá sido estreada a 6 de Dezembro de 1969 (poucos dias depois da morte do seu autor), numa encenação de JORGE LISTOPAD, com um excelente elenco, nomeadamente: CARMEM DOLORES, JACINTO RAMOS, MANUELA MARIA e SINDE FILIPE, com música de FRANCISCO D'OREY. Trata-se de um drama rural, que a arte de REDOL soube ultrapassar de qualquer regionalismo, colocando o espectáculo num ambiente humano que resulta bem no ambiente hipe-urbano da sala... Pois o próprio REDOL, na edição da peça de 1966 esclarece que: "a forja desta tragédia é Hiroshima, tão distante e tão perto de cada um de nós".

(CONTINUA)-(PRÓXIMO)«RUA DA PALMA [ XIV ] O TEATRO LAURA ALVES ( 2 )»

sábado, 4 de março de 2017

RUA DA PALMA [ XII ]

«O "CINEMA-REX" NA "RUA DA PALMA"»
 Rua da Palma - (2016) - (A "RUA DA PALMA" no sentido Norte, ao lado esquerdo podemos ver o antigo edifício do ex-CINEMA-REX e ex-TEATRO LAURA ALVES, de momento em reparação da cobertura depois de um incêndio)   in   GOOGLE EARTH
 Rua da Palma - (1960) - Foto de Arnaldo Madureira - (Fachada do "CINEMA-REX" na RUA DA PALMA no número 263)  (ABRE EM TAMANHO GRANDE)  in    AML 
 Rua da Palma - (1967) - (O "CINEMA-REX"  apresentando o filme "PIRATAS EM BIKINI" com o famoso músico e cantor "ELVIS PRESLEY")   in   RESTOS DE COLECÇÃO
 Rua da Palma - (20.10.1967) - (Anúncio num jornal de LISBOA do filme "O 18.º ESPIÃO", estreava em 1967 no CINEMA-REX, quase na altura do seu encerramento na "RUA DA PALMA") in  CITIZEN GRAVE
 Rua da Palma - (Década de quarenta do século vinte) - (Programa do "CINEMA-REX" com a foto na capa da actriz LUCILLE BALL)  in   RESTOS DE COLECÇÃO
Rua da Palma - (1936) - (PLANTA DO "CINEMA-REX) na "RUA DA PALMA", 263)  in   RESTOS DE COLECÇÃO


(CONTINUAÇÃO) - RUA DA PALMA [ XII ]

«O "CINEMA-REX" NA "RUA DA PALMA"»

O terreno (onde funcionou o CINEMA-REX) fora antes utilizado pelo "PARAÍSO DE LISBOA" fundado em 1907, acabou, depois de ser forçada a sua actividade no ano de 1912. Funcionou neste mesmo local a "FEDERAÇÃO ESPÍRITA PORTUGUESA" fundada em 1925 e ali permaneceu até à década de trinta, entretanto ilegalizada, por Decreto, no regime do ESTADO NOVO.

Refere o "DIÁRIO DE LISBOA", que na próxima segunda-feira dia 23 de Novembro de 1936, será inaugurado mais um cinema em LISBOA  com o nome de "CINE-REX", na RUA DA PALMA, 263 em LISBOA, exactamente no local das anteriores empresas.
A propriedade do edifício continuou a pertencer à FEDERAÇÃO, sendo a exploração atribuída a "EDUARDO FERREIRA" (Técnico de cinema) e "EDUARDO ROSA" (o simpático ROSA do "STANDER CITROËN"), que procederam às obras de adaptação e construíram um belo cinema com capacidade para 541 espectadores.
Possuía balcão e camarotes, tal como um cinema de estreia. Existindo ainda vários salões para permanecer durante os intervalos, bem assim, como um esplêndido "bufete" e um magnifico "salão de chá-dancing".  O serviço de "bufete" era assegurado pela "CONFEITARIA PARIS".
A decoração do REX; sala de espectáculos, bem como dos salões deste cinema foram fornecidos pelos "ARMAZÉNS NASCIMENTO" da cidade do PORTO.
As cadeiras da plateia e balcão eram do tipo americano, largas e confortáveis, embora sem estofos, certamente, por princípios higiénicos da época.
A fachada do REX era iluminada a luz "NEON" e a ventilação da sala de projecção é feita naturalmente. Dispõe de 32 portas e janelas, o que lhe dá o exclusivo da casa de espectáculos de LISBOA, onde no VERÃO se estava com uma temperatura agradável. O serviço de incêndios era dos mais actualizados que existia, além disso, abertas todas as portas o publico encontrava-se rapidamente fora de perigo, não havendo possibilidade de aglomeração. Na época o sócio  "EDUARDO ROSA" explicava que o REX não se poderá chamar um "salão bairrista", porque ele está quase no centro da BAIXA, mas se quiserem denominá-lo assim, podemos dizer, talvez com uma certa propriedade; uma elegante «BOÎTE», e um dos melhores salões bairristas. Não sendo um cinema de estreias, não deixa de apresentar bons filmes. 
Na sua abertura em (1936) foi apresentado um lindo filme musical produção de «ARTISTAS UNIDOS», intitulado «MELODIA DA VIDA», primorosamente interpretado por: "JOSEPHINE HUTCCHINSON" e "G. HUSTON".
Em 1946 num relatório publicado no "ANAIS DO MUNICÍPIO DE LISBOA", referente as sessões que os cinemas ofereciam aos cinéfilos lisboetas, durante o ano, o CINEMA- REX não tinha ultrapassado os 730 espectáculos.
Em 1960 o "CINEMA-REX", será objecto de algumas transformações, sob o risco do Arquitecto "ANTERO FERREIRA" [ Processo de Obra Nº. 45 947, volume II. AML ].
O "REX" estava a pouca distância do cinema "LYS", ocupavam uma zona importante na história das exibições cinematográficas de LISBOA, marcavam o eixo  - RUA DA PALMA com a AVENIDA ALMIRANTE REIS - (era só atravessar a RUA).  O "CINEMA-REX" encerrou em 1967, reabrindo no ano seguinte com o nome de "TEATRO LAURA ALVES".

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